SUCESSÃO ESTADUAL 2026
Por Edson Rodrigues
A corrida pelo Governo do Tocantins entra em sua semana decisiva com um cenário que exige atenção das duas campanhas. Pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número TO-09349/2026 aponta o deputado Vicentinho Júnior (PSDB) na liderança, com 52,5% das intenções de voto na pesquisa estimulada, contra 40,4% da senadora Professora Dorinha Seabra (União Brasil). A diferença chega a 12,1 pontos percentuais.
Nos votos válidos, utilizados para o cálculo do resultado eleitoral, Vicentinho aparece com 56,5%, enquanto Dorinha soma 43,5%. Os números colocam o candidato do PSDB em posição favorável na reta final e aumentam a pressão sobre a estrutura política que apoia a senadora.
A VIRADA NO CENÁRIO ELEITORAL

A comparação com o levantamento anterior de outubro incluído no relatório ajuda a dimensionar a mudança. Na pesquisa anterior, Dorinha aparecia com 48,5%, enquanto Vicentinho registrava 43,3%. Agora, a senadora recua para 40,4%, enquanto o candidato do PSDB avança para 52,5%.
É uma mudança expressiva no cenário eleitoral. Embora levantamentos devam ser analisados considerando suas datas e condições de realização, a sequência dos números aponta uma inversão da liderança e torna mais difícil para a campanha governista tratar o momento como uma oscilação passageira.
AS ADESÕES PODEM TER MUDADO O TABULEIRO

A evolução dos números ocorre em meio à movimentação de lideranças políticas que apoiaram outros projetos no primeiro turno e decidiram integrar a campanha de Vicentinho Júnior nesta segunda etapa da eleição.
Entre os nomes que passaram a apoiar o candidato estão Ronaldo Dimas e Tiago Dimas, além de vereadores de Palmas e outras lideranças municipais. A chegada desses apoios amplia a rede política do candidato e fortalece sua presença em regiões estratégicas do Estado.
As adesões, por si só, não garantem transferência automática de votos. Entretanto, quando acompanhadas de uma mudança expressiva nas intenções de voto, passam a compor um quadro político que exige resposta.
A FORÇA DOS ALIADOS NÃO SE CONVERTEU EM VANTAGEM

Dorinha conta com o apoio do governador Wanderlei Barbosa, do senador Eduardo Gomes e de outras lideranças estaduais. A estrutura política à disposição da candidata é relevante, e seus principais aliados vêm participando da campanha.
Por isso, o resultado da pesquisa levanta uma questão importante: por que o peso dessa aliança ainda não se traduziu em vantagem eleitoral? A resposta pode envolver diferentes fatores, entre eles a comunicação com as bases, a capacidade de mobilização municipal, a percepção do eleitor sobre a candidatura e o impacto das adesões ao adversário. A pesquisa não permite atribuir o resultado a uma causa isolada, mas mostra que o apoio de lideranças, por maior que seja, não substitui a aprovação do eleitor.
Não basta reunir prefeitos, parlamentares e dirigentes partidários. É preciso fazer essa estrutura chegar às ruas, dialogar com a população e demonstrar por que o projeto apresentado merece ser escolhido.
A REJEIÇÃO É UM ALERTA PARA DORINHA

Um dos dados mais delicados do levantamento aparece quando os eleitores são questionados sobre a possibilidade de votar nos candidatos. 43,5% afirmam que não votariam em Professora Dorinha de jeito nenhum. No caso de Vicentinho Júnior, esse percentual é de 34,8%, uma diferença de 8,7 pontos percentuais.
O dado não significa que todos os eleitores que rejeitam Dorinha votarão em Vicentinho, mas revela uma dificuldade adicional para a campanha. Além de buscar novos apoios, a senadora precisa convencer parte do eleitorado de que merece uma oportunidade à frente do Executivo estadual.
A pesquisa também aponta que 30,5% afirmam que votariam com certeza em Dorinha, enquanto 24,7% dizem que ainda poderiam votar nela. Vicentinho, por sua vez, reúne 45,3% de eleitores que afirmam votar nele com certeza e outros 18,7% que admitem essa possibilidade.
O candidato do PSDB combina, portanto, uma intenção de voto mais alta com uma rejeição menor. Dorinha enfrenta o desafio de reduzir a resistência e transformar seu potencial eleitoral em adesão efetiva.
O DESAFIO DA RETA FINAL

Com a eleição marcada para 25 de outubro, o tempo para reverter o cenário é curto. A campanha de Dorinha precisa trabalhar simultaneamente para ampliar as intenções de voto e enfrentar a resistência de parte do eleitorado.
A presença de lideranças nacionais, como Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira, pode aumentar a visibilidade da candidatura e mobilizar apoiadores. Mas o efeito dessas agendas dependerá da capacidade de transformar eventos e discursos em convencimento eleitoral.
Vicentinho, por sua vez, precisa sustentar a dianteira, consolidar as adesões e evitar que a vantagem apontada pela pesquisa produza acomodação entre seus apoiadores.
O levantamento foi realizado entre 14 e 17 de outubro de 2026, com 1.500 entrevistas, margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, conforme o relatório encaminhado à coluna.
A fotografia eleitoral mostra Vicentinho à frente e Dorinha diante de uma tarefa difícil na reta final. A disputa só termina com a apuração dos votos, mas os números impõem uma realidade que nenhuma campanha pode ignorar.
Na reta final, não basta contar aliados. É preciso convencer eleitores. E, neste momento, a pesquisa coloca Vicentinho Júnior em vantagem.