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PT CORTA CORDÃO UMBILICAL COM O PALÁCIO ARAGUAIA

Posted On Quinta, 18 Junho 2026 09:23
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OLHO NO OLHO

 

Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

O Observatório Político de O Paralelo13 acompanha há meses os movimentos da sucessão estadual de 2026 e, em política, há momentos em que determinados gestos falam mais alto do que discursos, notas oficiais ou declarações públicas.

 

A entrega de moradias realizada nesta semana em Palmas pode ter sido exatamente um desses momentos.

 

O que, à primeira vista, parecia apenas mais uma solenidade institucional de entrega de apartamentos a famílias beneficiadas por programas habitacionais, acabou revelando um fato político de grande significado para o processo sucessório que se aproxima. Ao que tudo indica, o Partido dos Trabalhadores decidiu cortar definitivamente o cordão umbilical que ainda o ligava ao Palácio Araguaia.

 

O episódio merece atenção.

 

O ATO

 

Foi entregue no Residencial Maria Rosa de Castro Sales, localizado na Arso 92, em Palmas, a primeira etapa de 96 apartamentos destinados a famílias contempladas pelo Programa Pró-Moradia.

 

O empreendimento leva o nome de Dona Maria Rosa, pioneira de Palmas e mãe do governador Wanderlei Barbosa.

 

A solenidade reuniu o governador Wanderlei Barbosa, o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, secretários estaduais, auxiliares municipais, vereadores, lideranças comunitárias e parlamentares estaduais.

 

Também participaram os deputados Ricardo Ayres, Janad Valcari, Léo Barbosa, Cláudia Lelis e Marcus Marcelo.

 

A imagem política do evento foi igualmente simbólica. Wanderlei Barbosa e Eduardo Siqueira chegaram juntos ao local e reforçaram o discurso de parceria institucional entre Governo do Estado e Prefeitura de Palmas.

 

 

 

“O prefeito Eduardo sempre tratou nossos assuntos com respeito e seriedade. Temos uma relação institucional construída desde o primeiro dia”, destacou o governador.

 

Até aí, tudo dentro da normalidade.

 

O detalhe que chamou atenção foi outro.

 

AS AUSÊNCIAS QUE FALARAM ALTO

 

 

 

Dias antes da solenidade, circularam nas redes sociais convites anunciando que o ato contaria com a presença do ministro das Cidades, Vladimir Lima, além do governador Wanderlei Barbosa e do prefeito Eduardo Siqueira Campos.

 

A própria agenda institucional do vice-governador Laurez Moreira registrava participação no evento. No entanto, o que se viu foi um cenário completamente diferente.

 

 

 

O ministro não compareceu. A justificativa que não convenceu a ninguém é de quê o ministro teria perdido o avião. O fato é que nenhum representante do Governo Federal esteve presente. Nenhuma das principais lideranças do PT tocantinense participou da solenidade, como por exemplo, o pré-candidato ao senado e ex prefeito de Porto Nacional, Paulo Mourão. Nenhuma representação formal do partido do presidente Lula. Nenhuma autoridade federal ligada ao Ministério das Cidades.

 

Para um programa habitacional executado com recursos federais e estaduais, a ausência chamou atenção.

 

E chamou ainda mais atenção porque os convites haviam sido amplamente divulgados anunciando exatamente essa participação.

 

O QUE APUROU O OBSERVATÓRIO

 

Diante da situação, o Observatório Político de O Paralelo13 buscou informações junto a lideranças ligadas ao campo político do Partido dos Trabalhadores em Brasília.

 

 

 

O relato obtido por nossa equipe foi direto. Segundo uma liderança de alta influência dentro do partido, houve uma orientação política vinda da Capital Federal e articulada pela ex-senadora Kátia Abreu para que dirigentes e representantes petistas não participassem do evento realizado pelo Governo do Estado em Palmas. Tentamos contato com a ex-senadora para confirmar o fato, mas até o fechamento desta matéria não obtivemos retorno.

 

A justificativa seria a preparação de um novo ato, desta vez conduzido diretamente pelo Governo Federal, com a presença do ministro das Cidades e das principais lideranças do campo político alinhado ao presidente Lula no Tocantins.

 

A mesma fonte assegurou ao Observatório que uma nova agenda deverá ser realizada com indicativos para a próxima sexta-feira, em Porto Nacional, cidade que historicamente funciona como uma verdadeira caixa de ressonância política do Tocantins e que tradicionalmente ocupa papel estratégico nos grandes movimentos eleitorais do Estado.

 

Segundo essa versão, a futura solenidade deverá contar com a presença do ministro das Cidades, do ex-senador Paulo Mourão, da ex-senadora Kátia Abreu, do senador Irajá Abreu, do vice-governador Laurez Moreira, de deputados federais, dirigentes do PT nacional e estadual e de outras lideranças envolvidas na construção do palanque do presidente Lula no Tocantins.

 

 

Conjunto Habitacional em Palmas 

 

O que torna a situação ainda mais emblemática é que, desde o dia 16 de junho, circulavam convites anunciando a presença do ministro das Cidades na entrega das moradias em Palmas, ao lado do governador Wanderlei Barbosa e do prefeito Eduardo Siqueira Campos. Inclusive, a própria agenda institucional do vice-governador Laurez Moreira registrava participação no evento.

 

No entanto, o ato ocorreu sem a presença do ministro, sem representantes do Governo Federal e sem qualquer participação das principais lideranças petistas do Estado.

 

Para o Observatório Político de O Paralelo13, os fatos deixam de ser simples coincidências ou desencontros de agenda. Passam a compor um movimento político mais amplo, cuidadosamente construído nos bastidores da sucessão estadual.

 

Se a agenda anunciada para Porto Nacional for confirmada nos moldes relatados pelas fontes ouvidas pelo Observatório, ficará evidenciado que a decisão política já foi tomada e que o Partido dos Trabalhadores inicia oficialmente a construção de um palanque próprio para as eleições de 2026.

 

O FIM DE UMA CONVIVÊNCIA POLÍTICA

 

Durante boa parte do atual mandato, Wanderlei Barbosa e o governo do presidente Lula mantiveram uma relação institucional respeitosa. Mesmo estando em campos políticos distintos, o diálogo permaneceu aberto.

 

Recursos federais chegaram ao Estado. Projetos foram executados em parceria. Convênios foram assinados e programas sociais avançaram.

 

Mas a proximidade do calendário eleitoral começa a alterar a lógica da convivência institucional.

 

A construção de um palanque próprio para Lula no Tocantins exige autonomia política, identidade eleitoral e diferenciação estratégica.

 

E, ao que tudo indica, Brasília decidiu que chegou a hora de separar definitivamente os caminhos.

 

SEPARAR O JOIO DO TRIGO

 

Na leitura do Observatório Político de O Paralelo13, o episódio desta semana pode representar muito mais do que uma simples ausência em uma solenidade.

 

Pode representar a formalização de uma estratégia eleitoral.

 

 

De um lado, o grupo liderado por Wanderlei Barbosa, Professora Dorinha Seabra, Eduardo Gomes, Carlos Gaguim e os mais de cem prefeitos que hoje sustentam a base governista.

 

Do outro, a construção de um palanque diretamente vinculado ao presidente Lula, envolvendo o PT, setores da esquerda tocantinense e lideranças que pretendem disputar espaço na sucessão estadual.

 

Porto Nacional nunca foi uma cidade qualquer dentro da política tocantinense. Historicamente, os grandes movimentos de reorganização das forças políticas estaduais encontraram eco na cidade. Por isso, caso o Governo Federal realize ali um ato político-administrativo com a presença de suas principais lideranças e sem a participação do grupo governista estadual, a mensagem será clara para quem acompanha os bastidores do poder.

 

O relacionamento institucional poderá continuar existindo, afinal Estado e União precisam manter canais permanentes de diálogo. Mas a parceria política que durante anos aproximou setores do PT tocantinense do Palácio Araguaia terá chegado ao fim.

 

 

 

Caso o ato anunciado pelo Governo Federal realmente aconteça nos próximos dias, com a presença do ministro das Cidades, de Paulo Mourão, Kátia Abreu, Irajá Abreu, Laurez Moreira e das lideranças petistas, ficará praticamente impossível sustentar a tese de que tudo não passou de um desencontro de agendas.

 

Estaremos diante de uma decisão política deliberada.

 

A sucessão estadual entra, portanto, em uma nova etapa.

 

A etapa em que cada grupo começa a ocupar seu próprio espaço.

 

A etapa em que alianças implícitas deixam de existir.

 

A etapa em que os palanques começam a ser montados de forma definitiva.

 

Pelo que foi visto, ouvido e apurado pelo Observatório Político de O Paralelo13, o recado parece claro.

 

O PT decidiu seguir seu caminho. O Palácio Araguaia seguirá o seu. O cordão umbilical político que durante anos manteve uma convivência estratégica entre os dois grupos parece ter sido definitivamente cortado.

 

Cada qual por si.

 

E Deus por todos.

 

 

Última modificação em Quinta, 18 Junho 2026 09:53
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