OLHO NO OLHO
Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
Na política, como nos voos comerciais, há um protocolo silencioso de sobrevivência. Quando o avião enfrenta turbulência e há risco de despressurização, a orientação é de que se as máscaras de oxigênio caírem, coloque primeiro em você. Só depois ajude quem está ao lado.
É exatamente esse o momento que vive o Tocantins.
O ar rareou nos arredores do Palácio Araguaia. A pressão política aumentou. As definições se aproximam. E as máscaras caíram. Agora, cada um trata de garantir o próprio fôlego.
Quando falamos em “máscara da sobrevivência”, não é figura de linguagem vazia. É estratégia pura. Antes de pensar em composições amplas, alianças ideais ou discursos de unidade, cada pré-candidato precisa assegurar sua própria viabilidade eleitoral.
Isso vale para governador, senador, deputado federal e estadual. Mas vale, sobretudo, para quem disputa o comando do Estado.
BASE GOVERNISTA

De um lado, a senadora Professora Dorinha Seabra trabalha sua pré-candidatura ao Governo estruturando uma base sólida, com dois nomes fortes ao Senado: o vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes, candidato à reeleição, e o deputado federal Carlos Gaguim.
Senadores Dorinha e Eduardo Gomes e o deputado Garlos Guaguim
Do outro, o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, também colocou sua máscara. Deixou claro que sua pré-candidatura ao Governo não é peça de negociação para vice nem plano alternativo para o Senado. É projeto coletivo que conta com a participação de deputados estaduais, prefeitos, vereadores e lideranças de vários municípios tocantinenses. Nesse ambiente de baixa oxigenação política, ninguém quer depender do ar do outro.
WANDERLEI BARBOSA

O governador Wanderlei Barbosa, com alta aprovação popular, atua como comandante que tenta estabilizar a aeronave. Dialoga com todos os atores da base governista, buscando um entendimento que evite rachaduras.
Mas a matemática eleitoral impõe limites à boa vontade. Cada grupo político sabe que, se esperar demais, pode perder espaço. Por isso, a prioridade agora são as filiações, a formação das nominatas proporcionais e o fortalecimento das chapas. O prazo de abril funciona como contagem regressiva.
Não se trata de rompimento declarado. Trata-se de autopreservação.
OPOSIÇÃO OBSERVA E RESPIRA

Enquanto a base ajusta suas máscaras, a oposição também se movimenta. Reuniões estratégicas, conversas com cúpulas nacionais e costuras partidárias avançam. O cenário segue aberto, fragmentado e altamente competitivo.
O fato concreto é que cerca de 70% do eleitorado ainda não definiu voto para governador. O processo majoritário está em aberto. E, quando o eleitor ainda não decidiu, o ar político circula de forma imprevisível.
Quem sobreviverá à turbulência? Quando falta oxigênio, não há espaço para ingenuidade. Primeiro, garante-se a própria respiração. Depois, constrói-se a cooperação.

É isso que fazem hoje os pré-candidatos ao Governo, especialmente Dorinha e Amélio. Cada um estruturando sua base, consolidando apoios, desenhando sua chapa majoritária e fortalecendo suas proporcionais. Se houver entendimento mais adiante, será fruto de cálculo, não de impulso.

A pré-candidatura ao Governo do Estado do deputado federal Vicentinho Júnior começa a ganhar musculatura política, especialmente junto ao eleitorado jovem e a lideranças regionais que buscam renovação no cenário estadual. Com discurso de reposicionamento e presença ativa nas bases, o parlamentar tem ampliado alianças silenciosas que podem se consolidar após o fechamento da janela partidária, em 4 de abril. Nos bastidores, a expectativa é de que novas filiações de peso reforcem seu grupo político, dando capilaridade e densidade eleitoral ao projeto. Caso confirme esse movimento, Vicentinho pode deixar de ser apenas uma alternativa e passar a ocupar posição mais competitiva na disputa majoritária.
ALEXANDRE GUIMARÃES: CORRENDO POR FORA

Nos bastidores, a movimentação de Alexandre Guimarães revela uma estratégia de quem prefere consolidar terreno antes de avançar oficialmente para o centro do debate. Presidente estadual do MDB, ele tem intensificado o diálogo com lideranças regionais, prefeitos e deputados, enquanto mantém canal aberto com o presidente da Assembleia Legislativa e pré-candidato ao Governo, Amélio Cayres. A construção de uma frente ampla, com perfil suprapartidário, aparece como prioridade neste período que antecede 4 de abril. Correndo por fora, mas com articulação ativa, Alexandre busca chegar ao momento das definições com musculatura política, bases alinhadas e espaço garantido em uma composição competitiva ao Senado pelo MDB.
OBSERVATÓRIO POLÍTICO
O Observatório Político de O Paralelo 13 faz questão de lembrar que o calendário não é detalhe é fator decisivo. O próximo 4 de abril marca duas definições centrais do processo eleitoral de 2026.
Primeiro: é o prazo final para que qualquer cidadão que deseje disputar mandato eletivo nas eleições estaduais esteja devidamente filiado a um partido político. Sem filiação, não há candidatura.
Segundo: encerra-se à meia-noite a chamada “janela partidária”, período em que deputados federais e estaduais podem mudar de partido sem risco de perda de mandato. Após essa data, a troca de legenda volta a implicar questionamentos jurídicos e risco de cassação por infidelidade partidária.
Ou seja, até lá, o ambiente político seguirá em ebulição. Mudanças estratégicas de partido, filiações de última hora, ajustes nas chapas e redefinições de alinhamento fazem parte do jogo.
Encerrada essa etapa, partidos e federações iniciarão a formatação definitiva das nominatas as listas de candidatos e candidatas a deputado federal e estadual que serão submetidas às convenções partidárias.
Somente após as convenções é que se consolidam oficialmente as chapas majoritárias e proporcionais. E só então começa, de fato, a campanha eleitoral formal, com direito ao horário gratuito de rádio e televisão.
Até lá, o que está em curso é pré-campanha, articulação e sobrevivência estratégica.
A máscara já caiu.
Agora, o relógio corre!