Por Edson Rodrigues
O pré-lançamento da pré-candidatura do deputado federal Vicentinho Júnior ao Governo do Tocantins marcou um novo momento dentro da sucessão estadual de 2026 e colocou definitivamente o parlamentar entre os principais nomes da disputa majoritária.
O evento realizado em Porto Nacional reuniu lideranças políticas de várias regiões do Estado, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, pré-candidatos proporcionais, representantes partidários e apoiadores do grupo político liderado pelo parlamentar.
O ato aconteceu no Centro de Convenções Comandante Vicentão e teve como ponto central a apresentação oficial do desenho político da chapa construída pelo grupo oposicionista até este momento.

Ao lado de Vicentinho estiveram o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres, apresentado como pré-candidato a vice-governador, e o deputado federal Alexandre Guimarães, lançado pelo MDB como pré-candidato ao Senado Federal.
A movimentação política chamou atenção pela presença de lideranças vindas de diferentes regiões do Estado e pela capacidade de mobilização do grupo, principalmente em um momento em que as pré-candidaturas ainda atravessam fase de construção política antes das convenções partidárias.
Mesmo com atraso superior a três horas no início da programação oficial, o público permaneceu no local aguardando a chegada das principais lideranças políticas do evento. As tendas externas e os telões instalados na área do centro de convenções registraram grande movimentação durante toda a noite.
Ao chegarem ao evento, Vicentinho, Amélio Cayres e Alexandre Guimarães foram recebidos sob aplausos e manifestações de apoio de militantes e simpatizantes presentes no local.

Em suas falas, Vicentinho Júnior reforçou o discurso de construção política voltada ao municipalismo, defesa do interior do Estado e fortalecimento da economia tocantinense. O parlamentar também buscou apresentar sua trajetória política como elemento de experiência administrativa e articulação nacional.
Já Amélio Cayres concentrou sua fala na importância da união política regional e do diálogo permanente com prefeitos e lideranças municipais. Alexandre Guimarães destacou o crescimento do MDB no Tocantins e a estratégia do partido de ampliar participação na disputa majoritária de 2026.
Outro aspecto observado durante o encontro foi a abertura de espaço para os pré-candidatos proporcionais. Deputados estaduais, federais e lideranças regionais tiveram oportunidade de utilizar a palavra, demonstrando tentativa do grupo de fortalecer não apenas a candidatura majoritária, mas também a estrutura proporcional da futura coligação.
APOIO DE JOAQUIM DO LUZIMANGUES MOVIMENTA OS BASTIDORES

Entre os fatos políticos de maior repercussão durante o evento esteve a declaração pública de apoio do vice-prefeito de Porto Nacional, Joaquim do Luzimangues, à pré-candidatura de Vicentinho Júnior. O movimento ganhou repercussão porque Joaquim integra o União Brasil, mesmo partido do prefeito de Porto Nacional, Ronivon Maciel, aliado político da pré-candidatura governista da senadora Professora Dorinha Seabra.
Reconhecido como uma das principais lideranças políticas do Distrito de Luzimangues, Joaquim utilizou a tribuna para anunciar apoio ao projeto político de Vicentinho. Nos bastidores, o gesto foi interpretado como demonstração de que setores políticos ligados à base governista começam a apresentar divisões regionais, especialmente em municípios considerados estratégicos para a disputa estadual.
PRÉ-CANDIDATURAS EM FASE DE FORMATAÇÃO
Apesar da intensidade da movimentação política, o Observatório Político de O Paralelo13 avalia que o cenário sucessório ainda permanece distante de qualquer definição consolidada. As três principais pré-candidaturas ao Governo do Estado seguem em processo de construção política e fortalecimento regional.

Vice governador Laurez Moreira e o empresário Lucianmo Oliveira
O vice-governador Laurez Moreira continua ampliando agendas no interior do Estado, fortalecendo nominatas proporcionais e mantendo diálogo com partidos ligados ao campo da centro-esquerda e setores próximos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos bastidores, permanecem as articulações envolvendo a ex-senadora Kátia Abreu, além de lideranças como Paulo Mourão, Célio Moura e grupos políticos ligados ao PT tocantinense.

O prefeito de Araguína Wagenr Rodrigues e a senadora Dorinha Seabra
Já a senadora Professora Dorinha Seabra continua sendo, até este momento, a pré-candidata com maior estrutura partidária, institucional e financeira dentro da disputa sucessória de 2026. Dorinha conta com o apoio público do governador Wanderlei Barbosa, do chamado G5 político, formado por prefeitos das principais cidades do Estado, além de dezenas de prefeitos e prefeitas aliados espalhados pelos 139 municípios tocantinenses. Também possui apoio dos maiores partidos da base governista, tempo robusto de rádio e televisão, além dos maiores fundos partidário e eleitoral da disputa.

Prefeito de Palmas Eduardo Siqueira e o senador Eduardo Gomes
Outro ponto considerado estratégico dentro do grupo governista é o apoio político do vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes, que lidera as pesquisas de intenção de voto ao Senado tanto na espontânea quanto na estimulada, conforme mostrou recentemente levantamento nacional realizado pelo Instituto Veritá em todos os estados brasileiros.
Mesmo com toda essa estrutura política e institucional, aliados da pré-candidata reconhecem reservadamente que a campanha ainda não conseguiu transformar estrutura em crescimento eleitoral consistente. Nos bastidores, a avaliação é de que a pré-candidatura permaneceu, nas últimas semanas, em uma espécie de “estacionamento político”, enquanto o deputado federal Vicentinho Júnior avançou no debate sucessório e passou a disputar em condição de empate técnico.

O Observatório Político de O Paralelo13 constatou também que apenas estratégias artificiais de marketing ou a chegada de “blogueiros paraquedistas” não serão suficientes para alterar o atual cenário político da disputa.
Dentro da própria base governista cresce a avaliação de que, se o governador Wanderlei Barbosa e o G5 não entrarem efetivamente “de corpo e alma” na campanha de Dorinha Seabra, a candidatura poderá enfrentar dificuldades reais para chegar ao segundo turno. Aliados admitem que falta maior engajamento político, fortalecimento da militância, presença mais ativa junto às bases e construção de sentimento popular em torno da candidatura governista.
Outro ponto que começa a ser comentado nos bastidores envolve a relação política da pré-campanha com setores da imprensa tocantinense. Lideranças da própria base avaliam que falta maior diálogo político, maior proximidade institucional e uma postura mais aberta de relacionamento com veículos de comunicação e redações do Estado.

Governador Wanderlei Barbosa e aliados
Na avaliação de importantes observadores políticos, campanhas majoritárias no Tocantins exigem, além de estrutura partidária e apoio institucional, capacidade de articulação política, humildade no trato com aliados, construção permanente de diálogo e presença contínua junto às bases eleitorais e aos formadores de opinião. Por isso, dentro do grupo governista, cresce o entendimento de que o futuro político da candidatura de Dorinha Seabra depende diretamente da capacidade do governador Wanderlei Barbosa assumir protagonismo total na condução do processo sucessório nos próximos meses.
Neste cenário, uma coisa é certa, ou o Palácio entra de corpo e alma na campanha da professora Dorinha ou dificilmente ela terá sucesso em tornar-se governadora.
JULHO PODE REDESENHAR O TABULEIRO ELEITORAL
Nos bastidores políticos, existe consenso de que o cenário poderá sofrer mudanças importantes após as convenções partidárias. Julho costuma ser tratado dentro da política tocantinense como o período de maior reorganização partidária e redefinição de alianças.
Com as restrições eleitorais entrando em vigor e o calendário oficial avançando, muitos grupos políticos tendem a recalcular estratégias, rever posicionamentos e redefinir apoios regionais.
A expectativa é que, após as convenções, os pré-candidatos proporcionais passem a priorizar mais diretamente suas próprias campanhas, o que tradicionalmente altera composições políticas construídas durante a pré-campanha.
O Observatório Político de O Paralelo13 avalia que, apesar da movimentação intensa dos grupos políticos, o jogo sucessório de 2026 ainda está apenas começando. As convenções partidárias deverão indicar quais candidaturas chegarão à campanha eleitoral com maior musculatura política, capacidade de mobilização regional e sustentação partidária.

Ao mesmo tempo, o ambiente eleitoral continuará sendo acompanhado de perto pela Justiça Eleitoral e pelos órgãos de fiscalização, especialmente diante do histórico recente de operações envolvendo abuso de poder econômico em campanhas políticas no Tocantins.
No atual cenário, nenhuma candidatura pode ser considerada consolidada.
E, dentro da política tocantinense, os próximos meses prometem movimentar ainda mais o tabuleiro sucessório de 2026.