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A NECESSIDADE ESTRATÉGICA DE UM VICE FORTE PARA DORINHA SEABRA

Posted On Quarta, 29 Abril 2026 09:57
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

A sucessão estadual de 2026 no Tocantins se desenha como uma das mais acirradas da história recente. A pré-candidata Professora Dorinha Seabra, apoiada pelo governador Wanderlei Barbosa e pelo senador Eduardo Gomes, um grupo político fortíssimo, mas enfrenta adversários que crescem rapidamente, especialmente o jovem deputado Vicentinho Júnior e o vice-governador Laurez Moreira. Ambos têm raízes fortes em regiões estratégicas do estado e vêm consolidando alianças que podem desequilibrar o jogo eleitoral.

 

Sem contar a possibilidade de ter a ex-senadora Kátia Abreu também como adversária ao governo pelo PT. Kátia movimentou os bastidores políticos ao participar de um jantar no Palácio da Alvorada, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da ex-presidente Dilma Rousseff e de lideranças da cúpula do Partido dos Trabalhadores. Durante o encontro, Lula e Dilma reiteraram seu apreço à Kátia Abreu, gesto que reforça a aproximação da ex-senadora com o núcleo nacional da legenda e amplia seu espaço dentro do partido.

 

 

Embora Kátia não tenha anunciado publicamente planos eleitorais majoritários, sua entrada oficial no PT já repercute intensamente. A leitura interna é de que ela demonstrou alinhamento e trânsito direto com a cúpula petista, o que pode reposicioná-la no cenário estadual. Esse gesto abre margem para especulações sobre uma eventual pré-candidatura ao governo do Tocantins, fortalecida pelo respaldo nacional que passa a ter.

 

AMPLIAR AS BASES

 

O desafio central da candidatura governista está na necessidade de ampliar sua base para além de Palmas (17,88% do eleitorado) e Araguaína (10,16%). A oposição já se movimenta com inteligência, unindo forças no Bico do Papagaio e em Gurupi, regiões que juntas representam um peso significativo no tabuleiro eleitoral. Nesse contexto, a escolha do candidato a vice-governador torna-se decisiva: não se trata apenas de compor chapa, mas de agregar musculatura política e votos em áreas onde Dorinha ainda não tem hegemonia.

 

Município/Região Eleitorado % do Estado

Palmas 210.000 17,88%

Araguaína 120.000 10,16%

Total 330.000 28,04%
O Bico do Papagaio, com seus 25 municípios, soma 13,68% do eleitorado tocantinense. É uma região historicamente marcada por lideranças fortes, como o deputado Amélio Cayres e o deputado Jair Farias. Jair Farias, aliás, é o nome capaz de oferecer o equilíbrio necessário, como antagonista doa força de Amélio Cayres. O presidente da Assembleia Legislativa, candidato a vice-governador na chapa de Vicentinho, acumula uma trajetória política expressiva. Além de presidir o Poder Legislativo, já exerceu dois mandatos como prefeito de Esperantina, um como vice-prefeito, quatro como deputado estadual e dois como presidente da Assembleia Legislativa. Como candidato a vice-governador, é reconhecido como a principal e mais influente liderança política do norte tocantinense.

 

 Deputado Amélio Cayres, presidente da Assembleia Legislativa

 

Deputado estadual, Jair Farias 

 

Com trajetória de dois mandatos como prefeito de Sítio Novo e três como deputado estadual, Jair Farias construiu reputação de político popular, humilde, cumpridor de compromissos e com forte inserção comunitária. Sua pré-candidatura a deputado federal é capaz de atrair votos suficientes para equilibrar a influência da oposição no Norte e garantir que Dorinha não perca terreno em uma área decisiva, mas precisa ser valorizado, ouvido e reconhecido pelo grupo palaciano, pois sua pré-candidatura tem mostrado potencial de fazê-lo um dos deputados federais mais bem votados em outubro..

 

Município % do Eleitorado

São Miguel 0,84%

Sítio Novo 0,67%

Itaguatins 0,40%

Maurilândia 0,31%

Augustinópolis 1,14%

Sampaio 0,35%

Praia Norte 0,50%

Carrasco Bonito 0,30%

Buriti 0,57%

São Sebastião 0,29%

Esperantina 0,57%

Araguatins 1,87%

São Bento 0,46%

Cachoeirinha 0,18%

Luzinópolis 0,22%

Angico 0,24%

Ananás 0,65%

Divinópolis 0,50%

Aguiarnópolis 0,34%

Xambioá 0,73%

Nazaré 0,35%

Tocantinópolis 1,36%

Riachinho 0,29%

Palmeiras 0,37%

Santa Terezinha 0,18%

Total Bico 13,68%

 

OPOSIÇÃO SEGUE CRESCENDO

 

 

Enquanto isso, a oposição articula alianças robustas: Vicentinho Júnior une forças com Alexandre Guimarães, presidente estadual do MDB e pré-candidato ao Senado, além de contar com o apoio de Amélio Cayres. Em Gurupi, Laurez Moreira se fortalece com Mauro Carlesse, ex-governador e candidato ao Senado. Esses movimentos mostram que a oposição não apenas cresce, mas se organiza com pragmatismo e foco em regiões estratégicas.

 

Dorinha Seabra, Eduardo Gomes e Carlos Gaguim

 

Dorinha, por sua vez, dispõe de um grupo governista numeroso: 15 deputados estaduais, dezenas de prefeitos, além da máquina administrativa e da popularidade do governador Wanderlei Barbosa. Contudo, como bem apontam os observadores políticos, falta coordenação e comando claro na “aeronave governista”. Muitos líderes atuam de forma dispersa, e a pré-candidata já não tem fôlego sozinha para segurar o grupo. O vice precisa ser mais que um nome simbólico: deve ser um articulador capaz de abrir portas no Norte e consolidar apoios no sul do Estado, e ter seu berço eleitoral ou em Palmas ou em Araguaína para poder acrescentar votos à chapa governista.

 

 

Somando-se ao peso de Palmas (17,88%) e Araguaína (10,16%), cujos prefeitos apoiam a candidata palaciana, percebe-se que o Norte e os grandes colégios eleitorais definem o rumo da eleição. Se Dorinha conseguir garantir apoio sólido no Bico do Papagaio, terá condições de equilibrar a disputa contra adversários que já avançam no Sul e em Gurupi.

 

TSUNAMI POLÍTICO

A análise é clara: o vice de Dorinha Seabra precisa sair de Palmas, Araguaína ou do Bico do Papagaio. Essas regiões concentram o maior potencial de votos e são capazes de contrapor a força que a oposição já contabiliza.

A escolha do vice é a chave da eleição e só o governador Wanderlei Barbosa é capaz de colocar ordem no grupo governista, sentar à mesa com as principais lideranças e definir um nome de consenso. Se Dorinha, junto com a ação de Wanderlei e contando com maior dedicação dos soldados do grupo palaciano, conseguir unir o Palácio Araguaia às bases populares desses grandes colégios eleitorais, terá condições de equilibrar o tabuleiro e chegar ainda mais competitiva ao segundo turno. Caso contrário, a oposição continuará crescendo e poderá transformar a sucessão em um verdadeiro tsunami político.
Por enquanto é só. Sigo de Goiânia, com os olhos voltados e atentos no Tocantins!

 

 

Última modificação em Quarta, 29 Abril 2026 11:05
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