CASO MASTER COLOCA ANTÔNIO RUEDA NO CENTRO DA TEMPESTADE E ACENDE ALERTA NO UNIÃO BRASIL

Posted On Quinta, 10 Setembro 2026 13:18
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

A política nacional ganhou nesta quinta-feira, ((10), com mais um capítulo de uma crise que pode produzir consequências muito além de Brasília. No centro da nova turbulência aparece Antônio Rueda, presidente nacional da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), e uma das figuras mais poderosas da estrutura partidária que disputa as eleições de 2026 em vários estados brasileiros. O próprio Tribunal Superior Eleitoral registra Rueda como presidente nacional da federação.

 

ACM Neto e Antonio Rueda 

 

O combustível da crise está nas informações reveladas pelo UOL sobre uma proposta de colaboração de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Segundo o relato atribuído ao banqueiro, Rueda e ACM Neto, candidato do União Brasil ao Governo da Bahia, teriam recebido vantagens relacionadas à captação de recursos de institutos de previdência e outros investidores para o Master. Vorcaro afirmou que os dois teriam atuado na abertura de portas para investimentos e que haveria pagamento de comissões.

 

A acusação é gravíssima.

Trata-se de uma acusação, não de uma condenação. A proposta de delação de Vorcaro não foi aceita nem homologada, e a própria reportagem aponta questões ainda sem resposta, inclusive divergências entre os valores relatados pelo ex-banqueiro e aqueles identificados em documentos financeiros. ACM Neto e Antônio Rueda negam irregularidades.

 

O QUE VORCARO DIZ

 

Segundo a reportagem, Vorcaro afirmou que Rueda e ACM Neto teriam ajudado o Banco Master a captar recursos junto a institutos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas, além da Cedae. O relato menciona cerca de R$ 2 bilhões em captações. Dados já conhecidos, entretanto, apontam aproximadamente R$ 3,62 bilhões aplicados por quatro investidores citados: R$ 2,97 bilhões do Rioprevidência, R$ 400 milhões da Amprev, R$ 200 milhões da Cedae e R$ 50 milhões da Amazonprev. Essa diferença é uma das inconsistências que ainda precisam ser esclarecidas.

Vorcaro também afirmou que pagamentos relacionados a Rueda teriam ocorrido por meio de contratos entre empresas do conglomerado Master e o escritório Rueda & Rueda Advogados, além de outras formas que ele descreveu aos investigadores. A reportagem informa que mensagens e contratos foram apresentados pelo ex-banqueiro como elementos para sustentar seu relato.

 

Segundo a apuração, documentos bancários, fiscais e relatórios do Coaf apontaram R$ 6,4 milhões em repasses a escritórios ligados a Rueda entre 2022 e 2025, montante bastante diferente das cifras sugeridas no relato de Vorcaro.

 

É exatamente por isso que investigação existe. Para separar indício de prova, acusação de fato e narrativa de responsabilidade criminal.

 

RUEDA JÁ ESTAVA NO RADAR

A revelação desta quinta-feira não surge completamente isolada. Dois dias antes, o UOL informou que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, afirmou existir uma investigação sigilosa envolvendo Antônio Rueda. Segundo Mendonça, informações sobre essa apuração teriam sido expostas prematuramente em um relatório produzido no âmbito da Polícia Federal, comprometendo diligências que estavam em curso.

 

A própria reportagem sobre Vorcaro acrescenta que a cúpula de fundos de previdência citados e sua relação com o União Brasil já estava sob investigação da Polícia Federal. Ao mesmo tempo, registra que a Procuradoria-Geral da República se manifestou contra uma busca e apreensão contra Rueda naquele momento, apontando fragilidade dos elementos disponíveis.

 

O PROBLEMA AGORA É POLÍTICO

Antônio Rueda não é apenas advogado ou dirigente partidário. Ele comanda a Federação União Progressista, união entre dois dos maiores partidos do país — União Brasil e PP. Portanto, quando o presidente nacional de uma federação dessa dimensão aparece no centro de acusações envolvendo bilhões de reais em investimentos de fundos públicos e um dos maiores escândalos financeiros recentes do país, o problema deixa de ser apenas pessoal.

 

Passa a ser partidário, passa a ser eleitoral. A federação possui candidatos, palanques, alianças e interesses espalhados pelo Brasil. Qualquer desgaste de sua direção nacional inevitavelmente será explorado pelos adversários nos estados.

A sirene tocou.

 

A “CASA” POLÍTICA ESTÁ SOB PRESSÃO

 

Os presidentes do PP, Ciro Nogueira e Antonio Rueda, do União Brasil,  integram federação União Progressista / Crédito: Reprodução/PP

 

Há ainda um efeito nacional. Rueda ocupa uma cadeira estratégica na engrenagem partidária brasileira. ACM Neto, além de candidato na Bahia, é vice-presidente do União Brasil. A federação União Progressista participa de alianças estaduais e possui interesses eleitorais que ultrapassam as fronteiras baianas. Por isso, o episódio não deve ser analisado somente como mais uma denúncia envolvendo um dirigente partidário.

 

Até onde essa crise pode contaminar a estrutura eleitoral montada pela federação para 2026? A resposta dependerá, fundamentalmente, do que as investigações encontrarem. Se as acusações não forem comprovadas, permanecerá o desgaste produzido pela exposição pública e se surgirem provas consistentes, entretanto, a dimensão política será muito maior.

 

E aí não estaremos mais falando apenas de Antônio Rueda. Estaremos falando do comando de uma das maiores federações partidárias do país em plena eleição.

 

 

Última modificação em Quinta, 10 Setembro 2026 13:26
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