Sabe, naquele tempo que eu era menino, minha rua terminava no azul do Rio Araguaia.
Da minha calçada, eu avistava o cume amarelo da areia da praia da Gaivota e a revoada das belas garças brancas.
Na minha cidade, tudo tinha simetria com o compasso do rio e das estações.
Perto do rio, ao lado da olaria, havia um pequeno campinho de futebol, com a grama seca típica do mês de julho e um pé de oiti verde que dava frutos fora da época.
Julho, na minha doce e amada Araguacema, é a época dos ventos alísios e mistral.
É época de poeira de terra em (re)voada... Poeira vermelha, de roupa branca quarando no varal do quintal.
Nosso campinho era vivo, sempre cheio de crianças e gritos.
Todas as tardes eram iguais... Bola rolando, menino gritando, galo cantando, mãe chamando... Eram sempre assim nossas tardes.
Pela manhã, íamos à praia da gaivota , era um ir e vir de voadeiras, de canoas de landi, de caronas e pagantes de poitas indo de graça, de cumprimentos e conversas, de tudo mais que faz parte do vai e vem de julho no cais do porto.
O curioso é que, durante a travessia, os pingos de água fresca sempre batiam na face quente.
Que sensação incrível...
Eu fechava os olhos e sentia no rosto a água gelada pelo vento fresco no deslizar das voadeiras só as ondas .
E eu seguia minha travessia.
O rio, esse descia impávido no seu silêncio majestoso, ia descendo, ia banzeirando rumo a Conceição do Araguaia.
Nessa descida incrível, cada gota de água, suponho, queria inverter o curso no vento alísio da manhã que trazia o banzo.
Eu pensava...
Era uma revolta do rio? Não! É uma espécie de ritual de despedida e encantamento das águas do Araguaia com a minha bela e doce Araguacema.
O mais interessante é que esse espetáculo sempre ocorre em frente à cidade, ali pelas dez horas do mês de julho de qualquer ano.
O ritual deixa brilhosa e mais linda a minha doce e amada Araguacema.
Com as ondas escamadas do meu Araguaia, Araguacema sempre será mais bela e colorida.
Sobre esse encanto do rio, dizem os mais velhos, que o Araguaia faz essa pausa no cais para não morrer de saudades de Araguacema na sua jornada rio abaixo em direção ao mar.
E, eu, durante a travessia, ficava olhando para a copa das árvores balançando com o vento...
Lá no fundo, um homem pescando.
Eu, olhando para o milho do chama da pesca que era jogado, esses caíam entre seus dedos magros na água clara...
Nesse instante, meu coração transbordava de felicidade, meu momento completamente feliz por viver mais uma vez essa travessia rumo à praia da Gaivota.
O engraçado é que muitas vezes fico parado sozinho na curva do rio, ali mesmo na linha do riacho Ponte Grossa, perto das raízes expostas das árvores que nunca caem...
Eu fico ali a sentir o vento que me beija, nas manhãs de sol suave e colorido do verão da minha Araguacema...
Nesse instante, e naquele momento, minha alma encontra Deus na sua plenitude e essência...
Ficar naquela beira de rio é só para quem conhece Araguacema em julho que sabe como é essa sensação.
Chego do outro lado e encontro uma praia em harmonia com o universo.
Sento sozinho às vezes e olho as nuvens brancas a desenhar mosaicos...
E fico horas nesse passar de tempo a decifrar os desenhos das nuvens...
Lá longe, ouço os gritos das crianças na alegria da inocência, todas elas na proteção de Deus.
Do outro lado do rio, a azáfama das crianças que correm dentro d'água atrás da bola, crianças que pegam pequenos peixes em copos plásticos, que veem a natureza viva em suas mãos, pulsando mesmo que por um momento.
Sassaricos correm pela praia...
Tracajás abrem e fecham os olhos sob o sol em cima de uma madeira qualquer...
Mergulhões com peixes pescados...
Borboletas amarela dando cor à orla.
Cheiro de praia com protetor solar, mulheres perfeitas refletidas no espelho do Rio Araguaia na tarde amarela de pôr do sol.
Amigos distantes que sempre aparecem como miragens, pessoas descendo de canoas, cumprimentos e apertos de mão infinitos como políticos em campanha, frases prontas, personagens queridos daquele lugar que a memória tenta encontrar em algum lugar do passado.
E eu sigo meu destino de todos os anos, voltar como os canários belgas amarelos em migração.
Às vezes, um canta bem-te-vi... Às vezes, um canta salta-chão. Às vezes, um avião passa rasante...
Tudo está certo em Araguacema, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu também estou no meu lugar seguindo o curso da vida , me sinto parte e completamente feliz aqui sentado na raiz da árvore do riacho Ponte Grossa que, tímido, entra Araguaia adentro para cumprir o seu destino de se tornar grande.
Quando escrevo sobre essas pequenas felicidades certas do mês de julho, que estão diante de cada pessoa que vê, uns dizem que essas coisas não existem em Araguacema.
Outros dizem que só existem na minha imaginação, nas minhas lembranças e, outros, finalmente, dizem que é preciso aprender a olhar Araguacema para poder vê-la assim como ela é.
Não basta olhar para Araguacema é preciso ver o que se olha em Araguacema.
Tom Lyra 22/05/2024
Da Assessoria
Neste final de semana, artistas, mobilizadores sociais e representantes do poder público se reuniram no Ponto de Cultura Casa do Artesão de Taquaruçu para o 1º Encontro Estadual da Cultura Hip-Hop Tocantins. O evento contou com a presença de Cícero Belém (Ministério da Cultura), Tales Monteiro (Secult) e Elpídio de Paula (Conselho de Políticas Culturais).
O encontro debateu necessidades e interesses do movimento hip-hop, com performances, exposições e rodas de conversa. Caravanas de Araguaína, Gurupi, Porto Nacional e Palmas marcaram presença, assim como movimentos sociais.
Com ampla participação do segmento hip hop, movimentos sociais e instituições representativas, o evento reforçou a importância do hip-hop para a cultura local e estadual. A comissão organizadora está elaborando o documento final com as contribuições discutidas.
Com o propósito de debater pautas de interesse dos seus integrantes e simpatizantes no Tocantins, a cultura Hip Hop se reunirá nos dias 18 e 19 de maio na Casa do Artesão de Taquaruçú (Palmas – TO) para seu 1º Encontro Estadual
Da Assessoria
O evento contará com a presença de instituições públicas, mesas propositivas e uma vasta programação artística composta por DJ´s, MC´s, Grafiteiros, B.Boys e B.Girl´s. Dentre as temáticas a serem abordadas, constam: "O Movimento Hip Hop e o Panorama da Cultura Hip Hop", “Hip Hop e a educação antiracista”, “A mulher na construção da cultura Hip Hop e a violência de gênero” e “Hip Hop e as organizações da sociedade civil”.
Idealizado pelo GT Tocantins pela Construção Nacional do Hip Hop em celebração aos 50 anos do seguimento, em parceria com a Nação Hip Hop Brasil e colaboração do ponto de cultura Casa do Artesão de Taquaruçú (Centro de Educação Popular). O encontro tem por objetivo promover a interação entre artistas, militantes, articuladores e simpatizantes do seguimento cultural no Tocantins, além de ampliar as discussões em torno da elaboração de políticas públicas específicas, valorização, visibilidade e reconhecimento do Hip Hop.
Em reconhecimento a iniciativa por parte dos agentes que integram a comissão organizadora, bem como as diversas instituições parceiras, a Universidade Federal do Tocantins (UFT) estará disponibilizando certificados aos inscritos e participantes do evento.
Programação Geral:
Dia 18/05 - Sábado
08h às 12h - Credenciamento
08h às 10h - Palco aberto e performances
10h - Roda de Conversa 01: "O Movimento Hip Hop e o Panorama da Cultura Hip Hop"
12h às 14h - Almoço com palco aberto e performances
14h às 17h - Abertura oficial e Mesa Temática 01: "Construção Nacional da Cultura Hip Hop"
17h às 19h - Mesas Temáticas paralelas:
Mesa 02: "A Mulher na Construção do Hip Hop e o Combate à Violência de Gênero"
Mesa 03: "Hip Hop e as Organizações da Sociedade Civil"
Mesa 04: "Hip Hop e a Educação Antirracista"
19h às 0h - Sarau da Cultura Hip Hop
Dia 19/05 - Domingo
08h às 9h - Café da manhã com palco aberto e performances
09h - Roda de Conversa 02: "Perspectivas para Construção do Fórum Estadual da Cultura Hip Hop Tocantins"
11h - Elaboração e leitura do Documento Ata do I Encontro Estadual da Cultura Hip Hop Tocantins
12h - Almoço e encerramento
Atrações Artísticas
DLPM - Da Laje Pro Mundo
Sombras do Hip Hop
Fisionomia do Rap
Dallag Beats
Esparro Sonoro
Mano Josi
J.D.A
Mano Naughty
Treplikas
Mc Raphael
DJ Marcos PS
Pastor Hélio (Rdv Crew)
Ministério Revolução das Ruas
Prince do Norte
Versus Impactantes
Espaço Nulo
Sabraj
Lucas Reset
Tirocínio Mc de Cristo
Damentte
Matheus Mv
B.Boy Jardel
DJ Elias
O agora escritor Marco Antônio Costa, engenheiro e empresário de sucesso, se disse surpreendido com o grande número de pessoas presentes no lançamento de seu livro de poesias “O Espaço do núcleo” em Palmas, no dia 8 de maio.
Por Luiz Pires
“Fiquei muito feliz com o resultado do nosso lançamento. Recebemos a concorrência de centenas de pessoas e eu entendi isso como uma valorização do tocantinense pela nossa arte”, afirmou ao jornalista Luiz Pires, em matéria especial para o Jornal O Paralelo 13.
Marco Antônio se prepara agora para lançar o livro em Porto Nacional, sua cidade de origem, a quem dedica um capítulo exclusivo na obra.
“Alguns críticos dizem que o leitor consegue navegar inclusive no que não foi escrito. Isso é muito bacana”, surpreende-se o escritor.
Luiz Pires - Quando você começou a sentir essa veia literária, especialmente essa veia poética?
Marco Antônio Costa – Eu sempre gostei de literatura. Esse sentimento vem desde criança. Eu começo a escrever desde a minha juventude, com maior intensidade nesse início. Depois, com os afazeres da vida profissional, com a vinda de filhos, essa produção literária foi diminuindo e começou a acelerar novamente agora, já na fase adulta. E foi o que me deu condições de reunir o material para o lançamento do livro “O espaço do núcleo”.
Luiz Pires - Estamos vivendo em um mundo em que a leitura diminuiu muito e o Brasil é um país em que se lê muito pouco. E você está entrando agora nesse mundo difícil de conquistar leitores. No entanto, tivemos a surpresa de superlotação no lançamento de seu livro. Como você reage a isso?
Marco Antônio Costa – Eu fiquei muito feliz com o resultado do nosso lançamento. Recebemos a concorrência de centenas de pessoas e eu entendi isso como uma valorização do tocantinense pela nossa arte. Eu entendo que a questão de ler é um up grade que temos da experiência da vida. A gente ter experiência que a gente não viveu resumida na leitura.
Luiz Pires – Daí a importância de se conquistar mais leitores, não é?
Sim, eu acho isso importante. Daí porque no nosso lançamento, a gente fez, como se fosse uma vernissage, com os quadros com trechos de poemas expostos para buscar naquelas pessoas que foram ao evento, um sentido de se identificar com alguma coisa ali e poder ler de fato o livro com todo gosto, ler com atenção. Essa busca nossa é no sentido de incentivar que a leitura volte ao nosso criado (à cabeceira de nossa cama).
Luiz Pires - Todo artista quer ver o resultado do seu trabalho. O que as pessoas que já leram, e se manifestaram, estão achando do seu livro?
Marco Antônio Costa – Tenho recebido muito estímulo de quem leu antes e de quem leu agora, que estão revelando uma identificação muito grande com os poemas. Eu considero isso um estimulo para que eu possa rever e trabalhar meus poemas já escritos e escrever outros para outro para outros lançamentos. Me conforta muito saber que essas pessoas têm dado um sentido muito elevado aos meus versos. Alguns críticos dizem que o leitor consegue navegar inclusive no que não foi escrito. Isso é muito bacana.
Luiz Pires - Quando você pretende lançar em Porto Nacional, sua terra de origem?
Marco Antônio Costa – Eu quero muito lançar na minha cidade. O livro até tem um capítulo que foi todo dedicado à minha cidade, que são escritos que eu tive desde a minha juventude ali e vou marcar para a gente estar lançando em junho em Porto Nacional.
Campeão do reality da Globo com Mani Rego teve o fim anunciado na última semana
Por Davi Valadares
Davi Brito foi o grande campeão do Big Brother Brasil 24. Durante os 100 dias que ficou confinado, o motorista de aplicativo falou bastante sobre o relacionamento com a cozinheira Mani Rego. O público vivia a expectativa para acompanhar o reencontro do dois do lado de fora da casa. Porém, o agora ex-casal não resistiu nem 48 horas na vida real. Desde então, um dos questionamentos mais lidos nas redes sociais é se o ex-brother teria que dividir o prêmio de R$ 2,92 milhões que conquistou no reality show com a ex-companheira.
Além do montante --o maior da história do reality show da Globo--, Davi também ganhou R$ 100 mil (mais consultoria especializada) de uma patrocinadora, R$ 20 mil em outra ação no programa, R$ 5 mil em eletrodomésticos, R$ 5 mil para gastar em delivery, videogame, celular, um carro avaliado em R$ 281,9 mil e uma bolsa de estudos.
O Terra ouviu advogados especialistas em Direito de Família e Sucessões que explicaram que a Justiça pode fazer duas leituras sobre o relacionamento de Davi e Mani. A primeira, seria considerar que o relacionamento tratava-se de uma "união estável", de acordo com os requisitos legais. A segunda, seria considerar apenas como namorados. Os dois estavam juntos há um ano e meio, e moravam juntos. Além disso, o soteropolitano declarou que a então companheira era quem emprestava o carro para que pudesse trabalhar como motorista de aplicativo.
Sobre o primeiro entendimento, o Código Civil, em seu artigo 1.723, traz o conceito de união estável. De maneira geral, diz que para se caracterizar união estável é necessário ter “convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família”.
Laísa Santos, advogada especializada em planejamento sucessório e sucessões, explica que embora as características da união estável sejam bastante subjetivas, há a possibilidade deste relacionamento ser assim caracterizado, principalmente diante das falas trazidas pelo ganhador do prêmio durante o programa.
“Na hipótese de ser declarada a união estável e, inexistindo contrato de convivência que determine o regime da separação total de bens, a partilha dos bens adquiridos será devida até a separação de fato do casal. Assim, tanto o prêmio final quanto aqueles recebidos ao longo do programa seriam partilhados”, diz Laísa Santos.
Fabio Botelho Egas, advogado especializado em Direito de Família e Sucessões, afirma que se o for o segundo entendimento, não haverá partilha de bens já que casal de namorados não formam família, pois seus objetivos enquanto par estão aquém daqueles configuradores de um núcleo familiar.
"Caso se entenda que era de namoro que se tratava não haverá reflexo patrimonial algum e cada um segue a vida com seus bens próprios, assim como com suas dívidas, o que não parece ser o problema de Davi Brito, agora milionário", finaliza Botelho Egas.