Em largada, Lula foca em mulheres, e Flávio defende pai e fala de segurança

Posted On Segunda, 17 Agosto 2026 05:28
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O presidente e candidato à reeleição, Lula (PT), no primeiro ato de campanha, em São Bernardo do Campo (SP) O presidente e candidato à reeleição, Lula (PT), no primeiro ato de campanha, em São Bernardo do Campo (SP) Foto Adriano Machado/REUTERS

Por Carla Araújo, Fabíola Perez, Letícia Casado, Luís Adorno

 

 

Os dois candidatos à Presidência da República que lideram as pesquisas de intenção de voto, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), escolheram seus berços políticos para iniciar hoje suas campanhas eleitorais.

 

Em São Bernardo do Campo, região metropolitana de SP, o presidente Lula, postulante a um quarto mandato no Palácio do Planalto, apostou no seu passado político e evocou Deus, por algumas vezes, em seu discurso que demorou mais de 30 minutos.

 

O evento de Lula deu espaço às mulheres, com discursos da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e de aliadas do presidente — casos das ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), candidatas ao Senado em São Paulo. A ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em 2017, foi lembrada no discurso de Janja e do próprio Lula.

 

Na praia de Copacabana, no Rio, berço do bolsonarismo, o senador Flávio Bolsonaro, nome escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro — preso e inelegível — para ser o candidato do PL, defendeu o pai e focou seu discurso no tema segurança pública.

 

Flávio associou os temas soberania e segurança pública, para criticar seu principal adversário nas urnas. Disse que o governo petista briga com um país a 10 mil quilômetros de distância, em referência aos EUA, mas que não briga com traficante. A soberania nacional é um dos principais motes da campanha de Lula, que tem enfrentado dificuldades na relação com o governo de Donald Trump.

 

O evento de Lula

 

 

 

O petista foi a São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, onde construiu sua trajetória política como metalúrgico. Estava lá também no momento em que se entregou para ser preso, em 2018. O partido perdeu poder no ABC paulista, embora seja o berço do petismo — na eleição passada, o candidato do PT à Prefeitura de São Bernardo ficou somente em terceiro lugar; na região, a legenda venceu apenas em Mauá.

 

O presidente buscou a emoção, com imagens do "Lula do passado". O presidente participou ativamente da preparação do ato na Vila Euclides. Em um vídeo, o Lula de hoje "conversou com o Lula do passado". "Aguenta companheiro, que a democracia vai vencer". "Aqui, em 2026, a gente reconstruiu o Brasil e quer mais". O vídeo misturava imagens da greve de 79 na Vila Euclides.

No palco, Lula oficialmente estampou o slogan "O Brasil pronto para mais", mas com o lema "Onde tudo começou". Ao seu lado estavam o candidato a vice na chapa, Geraldo Alckmin (PSB), o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, entre outros aliados e postulantes a cadeiras no Congresso.

 

Lula refez promessa do ministério da Segurança Pública. O presidente lembrou a recente conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e disse que se a PEC da Segurança for aprovada vai criar o ministério, que já tinha prometido em 2022.

Alfinetada no ministro do STF Dias Toffoli. O presidente lembrou em seu discurso dois momentos distintos que esteve preso e atuações distintas para que ele saísse da cadeia - uma para o enterro da mãe, autorizado por um delegado mesmo na época da ditadora. E outra, quando ele estava preso em Curitiba, em 2019, e que Dias Toffoli, ministro indicado por ele ao STF, não autorizou que ele saísse para o enterro do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, em 2019.

 

A primeira-dama Janja da Silva foi uma das principais atrações do evento. Começou sua fala reclamando do microfone, fez uma homenagem à ex-esposa de Lula, Marisa Letícia, e depois chamou o cantor evangélico Kleber Lucas para, juntos, cantarem uma música de homenagem ao Lula.

 

Janja surpreendeu ao reconhecer a importância de Marisa Letícia para o PT. Nos bastidores, ela é conhecida por não gostar que aliados do presidente falassem da ex-esposa de Lula.

 

Essas mulheres foram de uma força importante e, sem a presença delas, essa história poderia ser diferente.
Primeira-dama Rosângela Silva, a Janja

 

Tema da soberania deu o tom dos discursos de Lula e aliados. A estratégia ocorre em meio à escalada nas tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

 

O evento de Flávio Bolsonaro

 

 

 

Candidato do PL disse que vai classificar milícias como organizações terroristas. Sanção atual dos EUA contra o Brasil classifica atualmente apenas PCC e CV como organizações terroristas, resultado dos pedidos feitos por Flávio a Donald Trump, ao vice-presidente, JD Vance, e ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, com quem ele esteve reunido na Casa Branca. O governo Lula é contrário à designação das facções brasileiras por ver riscos à soberania brasileira sobre seu território e potencial impacto na economia e no setor financeiro.

 

Campanha de Flávio Bolsonaro tem o slogan "o Brasil vai vencer". Tema da campanha evoca o discurso nacionalista que, em 2018, elegeu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Seu filho mais velho foi anunciado como candidato ainda no início do ano, e seu vice, Alfredo Gaspar, foi oficializado no início de agosto.

O RJ é um palanque forte para a campanha de Flávio. O PL tenta eleger, no estado, Douglas Ruas para o governo — ele está atrás do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) nas pesquisas — e Carlos Jordy e Carlos Portinho para as duas vagas ao Senado, além de investir na reeleição de Sóstenes Cavalcante na Câmara dos Deputados.

 

Flávio defendeu o seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), da acusação de estupro de vulnerável. O tema ganhou espaço desde que Gaspar foi anunciado vice.

 

Flávio afirmou que Gaspar foi alvo da denúncia por causa de seu trabalho na CPMI do INSS, uma vez que ele estava investigando o filho do presidente Lula. Gaspar diz que é inocente e alvo de uma armação. Ele afirma estar disposto a fazer teste de DNA e se colocou à disposição das autoridades para responder a questionamentos.

 

Bolsonaristas citaram o ex-presidente Jair Bolsonaro. Antes de Flávio Bolsonaro discursar para o público, membros do PL relembraram inúmeras vezes a figura do ex-presidente, citando sua prisão e dizendo que foi ele quem escolheu Flávio, seu filho mais velho, para encabeçar a chapa presidencial desse ano.

 

Ato bolsonarista acontece simultaneamente em Brasília. A capital federal também é sede de um segundo evento bolsonarista hoje, para o lançamento das candidaturas de Celina Leão, que tentará se reeleger governadora, e das candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kcis ao Senado.

Michelle Bolsonaro citou apoio a Flávio em seu discurso. Em primeiro dia de campanha, a ex-primeira-dama e agora candidata ao Senado citou apoio ao enteado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e reafirmou ser candidata do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Defenda a verdade

 

 

Última modificação em Segunda, 17 Agosto 2026 05:32
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