OLHO NO OLHO
Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
A sucessão estadual de 2026 ganhou novos e intensos contornos nos últimos dias. O que antes era tratado nos bastidores agora ocupa as redes sociais, os corredores do Palácio Araguaia e o noticiário político. Os fatos são públicos, os protagonistas conhecidos e o clima, cada vez mais inflamável.
Três movimentos recentes ajudam a explicar por que o fogo da sucessão recebeu, de uma só vez, gasolina de avião. O primeiro e mais ruidoso episódio envolve o governador Wanderlei Barbosa e o vice-governador Laurez Moreira. A decisão de retirar Laurez do gabinete no segundo andar do Palácio Araguaia, espaço tradicionalmente reservado ao vice, escancarou uma crise política e institucional que já vinha se arrastando desde o afastamento temporário do governador por decisão do STF.
Wanderlei justificou a medida afirmando que não desejava conviver com quem, segundo ele, conspirou contra seu mandato. A resposta de Laurez foi imediata e calculada: visitou o gabinete com cobertura jornalística, concedeu entrevistas e publicou um vídeo em tom emotivo, rebatendo diretamente as acusações.
O Palácio reagiu trocando fechaduras e restringindo o acesso do vice e de seus assessores. O gesto, longe de encerrar o conflito, simbolizou o rompimento definitivo entre governador e vice e jogou ainda mais lenha na fogueira da disputa sucessória.
Troca de acusações e desgaste institucional

A crise ganhou novos capítulos quando Wanderlei, durante um culto, afirmou que Laurez o teria deixado “a pé no meio da rua”, sem motorista ou segurança, quando esteve afastado do cargo. Disse ainda que o perdoa, mas não quer proximidade com quem considera traidor.

Laurez respondeu com um discurso duro e institucional. Negou qualquer conspiração, lembrou que não é órgão de investigação nem tribunal, e afirmou que virou alvo de ataques, fake news e até de uma PEC para limitar sua atuação como vice. Reivindicou respeito institucional, defendeu o debate de ideias e afirmou seguir focado no interesse público, na ética e no futuro do Tocantins.
O embate público entre governador e vice expõe mais do que fissuras internas no governo, como também acelera o calendário político de 2026.
Vicentinho Júnior entra no jogo

Enquanto o governo enfrenta turbulências internas, o deputado federal Vicentinho Júnior reforça sua pré-candidatura ao governo. Ao Observatório Político de O Paralelo 13, afirmou estar decidido a disputar o Palácio Araguaia, respaldado pelo que diz ouvir da população e de lideranças políticas, sociais e do agronegócio.
Vicentinho promete apresentar, em breve, um grupo plural de lideranças e defende uma campanha baseada em propostas e projetos de Estado, sinalizando que pretende ocupar espaço no vácuo criado pelas disputas internas do grupo governista.
Amélio Cayres no centro da decisão

Outro personagem central desse tabuleiro é o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Amélio Cayres. De volta ao Tocantins após breve período de descanso, ele deve se reunir com o governador Wanderlei Barbosa para tratar da sucessão estadual.

Nos bastidores e na imprensa regional, especialmente no Bico do Papagaio e em Araguaína, o nome de Amélio aparece com cada vez mais força. O presidente estadual do MDB, deputado federal Alexandre Guimarães, já defendeu publicamente sua candidatura ao governo, gesto que também adiciona mais combustível à disputa.
Aliados de Amélio e da senadora Professora Dorinha aguardam com expectativa o desfecho da conversa com o governador. Desta vez, a decisão parece estar nas mãos do presidente da Assembleia, que prometeu se posicionar publicamente sobre ser, ou não, candidato ao Palácio Araguaia.
Dorinha mantém ritmo

Enquanto isso, a senadora Professora Dorinha Seabra segue em movimento constante. Liderando pesquisas de intenção de voto, ela teve uma agenda intensa em Palmas, com prefeitos, lideranças do interior, deputados estaduais e reuniões com o próprio governador.
Segundo interlocutores próximos, Dorinha saiu satisfeita das conversas recentes, que trataram de apoios e alianças. Mesmo reservando alguns dias para descanso, a senadora mantém presença ativa no jogo político e se consolida como um dos principais nomes da sucessão.
Abril no horizonte
Apesar de toda essa gasolina lançada no fogo, o jogo ainda terá muitos capítulos até o dia 4 de abril, prazo final para desincompatibilização de cargos públicos. Embora o governador afirme que não pretende renunciar para disputar o Senado, grande parte da classe política prefere aguardar essa data antes de cravar cenários.
Até lá, qualquer definição definitiva será precipitada. Mas uma coisa é certa: a sucessão estadual de 2026 já começou e começou em alta combustão.