OS ADVERSÁRIO INVISÍVEIS E OS OSBSTÁCULOS NO CAMINHO DE DORINHA ATÉ O PRIMEIRO TURNO

Posted On Domingo, 29 Março 2026 23:09
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OLHO NO OLHO 

 

ANÁLISE POLÍTICA

 

 

 

Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

Se no primeiro editorial apontamos a força política da pré-candidatura de Professora Dorinha Seabra, este segundo texto avança sobre um terreno ainda mais decisivo, trazendo alguns fatores que podem impedir uma vitória já no primeiro turno. E, nesse campo, nem todos os adversários estão formalmente na disputa. Muitos deles são invisíveis, subjetivos e historicamente determinantes nas eleições tocantinenses.

 

O primeiro e mais sensível deles é o sentimento do eleitor. Até o momento, não se percebe uma adesão popular que vá além dos grupos organizados de apoio. Os aplausos existem, mas em grande parte vêm de militâncias identificadas, muitas vezes já vinculadas a candidaturas proporcionais ou integradas à estrutura da pré-campanha. Falta, portanto, o que historicamente define eleições no Tocantins, falta o engajamento genuíno, aquele que nasce fora dos palanques e se consolida nas ruas, nas conversas e nas comunidades.

 

Esse vazio não se preenche da noite para o dia. Exige presença, escuta e construção de vínculos reais com o eleitorado, especialmente com as bases e lideranças comunitárias. É um trabalho político que vai além da agenda institucional e exige proximidade, empatia e naturalidade.

 

Com a oficialização da candidatura ao Governo da senadora Professora Dorinha Seabra, abre-se também uma janela de correção de rumo. O distanciamento percebido, sobretudo na relação com as redações e na valorização dos profissionais de imprensa, pode ser um fator a ser revisto dentro da estratégia palaciana. Reaproximar-se dos veículos, fortalecer o diálogo e reconhecer o papel da comunicação política não apenas como ferramenta, mas como ponte com a sociedade, pode ajudar a preencher lacunas importantes no processo de campanha e ampliar a capilaridade da mensagem junto à base eleitoral.

 

O PERIGO SILENCIOSO DO “JÁ GANHOU”

 

 

Outro fator que pode comprometer o desempenho eleitoral é o clima de favoritismo antecipado. A sensação de “já ganhou”, combinada com sinais de soberba, o chamado “salto alto”, tem histórico conhecido nas urnas. No Tocantins, esse comportamento costuma ser o primeiro passo para derrotas inesperadas.

 

O eleitor tocantinense, ao longo dos anos, demonstrou rejeição a candidaturas que se apresentam como vitoriosas antes do tempo. Há uma tendência de reação quando percebe imposição ou excesso de confiança. E, nesse cenário, o favoritismo pode se transformar rapidamente em vulnerabilidade.

 

Esse risco se torna ainda mais relevante diante de um dado que pode ser preocupante: o alto índice de indecisos. Há, hoje, um contingente significativo de eleitores que ainda não definiu seu voto para governador e, principalmente, para as duas vagas ao Senado. Em muitos casos, o eleitor até escolhe um nome, mas não tem definido o segundo voto. Quando somados, esses indecisos ultrapassam a metade do eleitorado, o que mantém o cenário completamente aberto.

 

ADVERSÁRIOS REAIS

 

 

Enquanto parte do grupo governista trabalha sob o risco do excesso de confiança, os principais adversários seguem fazendo o dever de casa. Laurez Moreira, por exemplo, vem demonstrando capacidade de articulação e mobilização. Seu recente encontro político, realizado na ATM em Palmas, que reuniu lideranças nacionais como Gilberto Kassab, além de prefeitos, vereadores e parlamentares, evidenciou força organizativa e presença política. A recepção expressiva e os aplausos indicam que Laurez não apenas está no jogo, como tem condições reais de disputar uma vaga no segundo turno.

 

 

No mesmo campo, o deputado federal Vicentinho Júnior avança de forma consistente. Com forte apelo junto à juventude e estratégia de proximidade, seu nome cresce silenciosamente. Mais do que isso, a possível união entre Vicentinho Júnior, Amélio Cayres e Alexandre Guimarães pode mudar o eixo da disputa.

 

Deputado Amélio Cayres

 

Caso essa aliança se confirme, o Tocantins poderá assistir à formação de uma chapa altamente competitiva, com potencial de reorganizar o cenário eleitoral. A expectativa é de que essa definição ocorra até o prazo final de filiações partidárias, consolidando nominatas fortes tanto para a Câmara Federal quanto para a Assembleia Legislativa.

 

DEputado federal Alexandre Guimarães 

 

No campo dos sentimentos, Vicentinho Júnior já demonstra uma conexão real com a base popular. Uma das pré-candidaturas que mais tem gerado interação com as massas, o jovem parlamentar é frequentemente ovacionado por onde passa. Com perfil simpático, boa oratória e presença ativa, vem conquistando especialmente o eleitorado jovem, sem perder espaço junto a setores estratégicos como o agronegócio, onde também amplia sua influência.

 

A FORÇA E OS LIMITES DAS PESQUISAS ELEITORAIS

 

Outro ponto que merece atenção é o papel dos institutos de pesquisa. Embora respeitados, muitos deles vêm enfrentando questionamentos após resultados recentes que não se confirmaram nas urnas. O caso da eleição em Palmas ainda está fresco na memória, quando projeções indicavam um desfecho que acabou sendo completamente revertido pelo voto popular.

 

A crítica não é à existência das pesquisas, mas à confiança cega em seus resultados. Registro em tribunais eleitorais garante legalidade, mas não necessariamente precisão. E, diante desse histórico, seu impacto sobre o eleitorado e sobre os próprios veículos de comunicação vem diminuindo.

 

SEM IMPRENSA, NÃO HÁ CAMPANHA VITORIOSA

 

 

Outro ponto que precisa ser dito com clareza é o papel da imprensa. No Tocantins, não se ganha eleição apenas com marketing. Marqueteiro, sozinho, não elege ninguém. A relação com as redações, com os veículos e com os profissionais da comunicação continua sendo fundamental para qualquer projeto político que pretenda chegar ao poder.

 

A história já mostrou que campanhas que ignoraram esse fator pagaram caro nas urnas. Houve, inclusive, experiências em que nomes nacionais do marketing político desembarcaram no Estado sem compreender a dinâmica local e sem dialogar com a imprensa tocantinense, resultando em derrotas expressivas.

 

Outro ponto que precisa ser dito com clareza é o papel da imprensa no processo eleitoral e na consolidação da democracia. No Tocantins, não se ganha eleição apenas com marketing, marqueteiro, sozinho, não elege ninguém. A experiência recente mostra que, ainda no período de campanha de Wanderlei Barbosa, profissionais como Marcio Rocha e Lincoln Moraes, responsáveis pela coordenação da comunicação, adotaram uma postura de profundo respeito à imprensa, valorizando os veículos locais e mantendo diálogo permanente com as redações. Esse mesmo respeito se estendeu à gestão, consolidando uma relação institucional equilibrada e madura.

 

Hoje, no entanto, observa-se que alguns setores do marketing político tentam minimizar ou até escantear o papel da imprensa, ignorando sua relevância histórica. Trata-se de um erro estratégico e democrático, já que a imprensa não apenas informa, mas também media o debate público, dá voz à sociedade e contribui para a transparência do processo político. Em qualquer eleição, sobretudo em um cenário aberto como o atual, reconhecer e respeitar esse papel não é apenas uma escolha é uma necessidade.

 

DEPOIS DE 4 DE ABRIL, O JOGO MUDA

 

O calendário eleitoral impõe um marco importante. A partir de 4 de abril, com o fim do prazo de filiações partidárias, o cenário tende a ganhar contornos mais definidos. As chapas começam a se consolidar, as nominatas se estruturam e o espaço para indefinições diminui.

 

A partir daí, não haverá mais meio-termo. A divisão entre governistas e oposição ficará mais clara, e cada grupo precisará assumir sua posição de forma definitiva. É o momento em que a pré-campanha dá lugar, na prática, à disputa direta.

 

Para a campanha de Dorinha, isso significa a necessidade imediata de organização mais estruturada, com coordenação definida, agenda estratégica e presença ativa fora dos ambientes institucionais, já que a legislação restringe a participação de pré-candidatos em atos oficiais.

 

 

A possível consolidação de três candidaturas fortes, Professora Dorinha Seabra, Laurez Moreira e Vicentinho Júnior, indica que o Tocantins caminha para uma das disputas mais relevantes de sua história recente. Um cenário que tende a qualificar o debate e fortalecer o processo democrático.

 

Mas, acima de tudo, reforça uma verdade que o tempo não desmente, pois no Tocantins, eleição não se ganha por antecipação. Entre o favoritismo e o risco, entre a estrutura e o sentimento, entre o apoio político e a decisão do eleitor, existe um caminho que precisa ser percorrido com cautela, estratégia e humildade.

 

A partir de agora, é olho no olho.

 

E, no fim, ganhará quem conseguir, de fato, convencer. Porque, no Tocantins, o voto não se impõe, se conquista.

 

 

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