Por: Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
O calendário eleitoral entra em sua fase decisiva. A poucos dias do encerramento do prazo para a realização das convenções partidárias, partidos e federações iniciam o ritual que oficializará as candidaturas ao Governo do Estado, ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa.
É a partir desse momento que termina o período das especulações e começa, efetivamente, a corrida eleitoral. As alianças deixam de ser apenas projeções, as chapas passam a existir oficialmente e cada candidato assume, perante o eleitor, a responsabilidade de construir sua própria caminhada.
Historicamente, é justamente depois das convenções que a eleição muda de ritmo. A campanha deixa os gabinetes, as reuniões reservadas e os bastidores para ocupar as ruas, as cidades e o cotidiano dos eleitores.
CHEGOU A HORA DA SOBREVIVÊNCIA POLÍTICA

Ao longo de quase quatro décadas acompanhando a política tocantinense, convivendo com prefeitos, vereadores, governadores, deputados e lideranças partidárias, o Observatório Político de O Paralelo 13 testemunhou campanhas vitoriosas e derrotas inesperadas.
Uma das principais lições desse período é que existe um momento em que cada candidato precisa assumir sua própria campanha. Não basta aparecer ao lado de candidatos majoritários, participar de grandes eventos ou confiar exclusivamente na força da chapa. Em eleições proporcionais, cada voto precisa ser conquistado individualmente.
Quem disputa uma cadeira na Câmara Federal ou na Assembleia Legislativa precisa construir sua própria agenda, organizar sua equipe, fortalecer sua base política e estabelecer uma relação permanente com vereadores, suplentes, dirigentes partidários, lideranças comunitárias e representantes das entidades organizadas.
Nas disputas para o Senado, a lógica também é semelhante. Embora integrem chapas majoritárias, os candidatos precisam desenvolver estratégias próprias de campanha e dialogar diretamente com o eleitorado.
A CAMPANHA NÃO PODE SER TERCEIRIZADA

Nos bastidores da política tocantinense cresce uma avaliação recorrente entre lideranças municipais de que campanhas não podem ser terceirizadas. Prefeitos continuam exercendo influência política, mas a realidade eleitoral tornou-se mais complexa. Vereadores, suplentes, presidentes de associações, lideranças religiosas, representantes classistas e influenciadores locais passaram a exercer papel cada vez mais relevante na formação da opinião do eleitor.
A percepção entre diversos agentes políticos é de que o eleitor valoriza cada vez mais o contato direto com quem pretende representá-lo. As redes sociais ampliaram a comunicação, mas não eliminaram a importância da presença física, das visitas aos bairros, das conversas nas comunidades e do diálogo olho no olho.
O ELEITOR MUDOU

Nas últimas eleições, o comportamento do eleitorado sofreu mudanças importantes. Se em outros momentos campanhas muito estruturadas financeiramente conseguiam ampliar seu alcance apenas por meio da propaganda e da mobilização de grandes grupos políticos, hoje cresce a exigência por proximidade, disponibilidade e diálogo.
Entre lideranças ouvidas pelo Observatório Político, há uma percepção de que o eleitor tornou-se mais criterioso, mais desconfiado e mais atento à presença do candidato durante toda a campanha. Nesse cenário, dinheiro, estrutura e marketing continuam sendo ferramentas importantes, mas não substituem aquilo que sempre esteve na essência da política: o relacionamento humano.
O aperto de mão, a conversa franca, a escuta das demandas locais e o compromisso assumido pessoalmente continuam tendo peso na decisão de muitos eleitores.
Na realidade os eleitores tocantinenses no momento estão focados no dia a dia do seu sustento, em torno de 96% ainda não sabem sobre o processo sucessório eleitoral, muito menos sobre os candidatos. Isso pode ser iniciado a partir das convenções partidárias com o horário eleitoral gratuito de rádio e televisão.
A SOBERBA PODE CUSTAR UMA ELEIÇÃO

Outro fator que merece reflexão é a soberba que, historicamente, costuma anteceder grandes derrotas eleitorais. O Observatório Político de O Paralelo 13 acompanha eleições há quase quatro décadas e já testemunhou candidatos extremamente competitivos perderem contato com a realidade por acreditarem apenas naquilo que desejavam ouvir.
Há candidatos com grande capacidade financeira que se deixam embriagar por pesquisas contratadas para atender aos interesses de quem as encomendou. Cercados por assessores, cabos eleitorais e os tradicionais "baba-ovos", passam a acreditar que a vitória já está garantida antes mesmo do início oficial da campanha.
Esquecem-se de que dinheiro, por si só, nunca foi suficiente para eleger ninguém. Recursos financeiros ajudam a estruturar uma campanha, mas não substituem credibilidade, presença, humildade e relacionamento político. Em uma eleição marcada por múltiplas candidaturas, por um eleitor cada vez mais independente e por um cenário em que a fidelidade partidária perdeu força, nenhum candidato pode se considerar eleito antes da hora.
A política real não acontece dentro de gabinetes climatizados nem nas reuniões em que todos concordam com o candidato. Ela acontece nas ruas, nas feiras, nas praças, nos bairros, nos sindicatos, nas igrejas e nos encontros com o cidadão comum. É ali que o eleitor manifesta suas dúvidas, faz suas cobranças e revela, muitas vezes de forma silenciosa, para onde caminha seu voto.
Quem terceiriza completamente a própria campanha e passa a viver apenas das boas notícias levadas por seus auxiliares corre o risco de construir uma falsa sensação de liderança. Os "lambe-lambes" dificilmente levam más notícias ao candidato. Preferem alimentar um ambiente de otimismo permanente, enquanto a realidade das ruas pode estar seguindo em direção oposta.
Depois de 5 de agosto, quando todas as candidaturas estiverem homologadas, o jogo começará de verdade. E será um jogo disputado longe do ar-condicionado dos escritórios. O verdadeiro campo de batalha estará no "andar de baixo", ao lado do povo, onde pesquisas são confrontadas pela realidade e onde nenhum dinheiro compra aquilo que continua sendo o maior patrimônio de um candidato: a confiança conquistada no contato direto com o eleitor.
Como ensina a experiência política, muitas vezes o candidato soberbo é o último a perceber que perdeu o rumo da campanha. Quando acorda para a realidade, talvez já seja tarde demais para recuperar o tempo perdido.
NOVAS COMPOSIÇÕES
Outro movimento que costuma ganhar força após as convenções é a reorganização dos apoios políticos. Mudanças de posicionamento fazem parte da dinâmica eleitoral e nem sempre significam rompimentos ou traições. Muitas vezes refletem novas estratégias, acordos regionais e rearranjos partidários provocados pela formação definitiva das chapas.
Ao mesmo tempo, candidatos que acreditam ter a eleição assegurada antes mesmo do início oficial da campanha podem cometer um erro recorrente ao afastar-se das bases, reduzir o diálogo com antigos aliados e deixar de cultivar relações construídas ao longo dos anos. Na política, gestos simples frequentemente produzem efeitos duradouros.
A HORA DE IR PARA A RUA

Com a homologação das candidaturas, começa a fase em que a campanha será medida menos pelos discursos e mais pela capacidade de mobilização. É hora de deixar o conforto dos gabinetes, percorrer os municípios, visitar comunidades, ouvir lideranças e conversar diretamente com quem decidirá o resultado das urnas.
Nenhuma pesquisa substitui a percepção construída nas ruas. Nenhum apoio formal dispensa o trabalho diário de conquistar a confiança do eleitor. As convenções encerram um ciclo de articulações internas. A partir delas, a política passa a ser testada onde sempre foi decidida: no contato direto entre candidatos e cidadãos.
Em uma eleição marcada pelo elevado número de candidaturas e por um eleitorado mais atento, organização, presença, humildade e relacionamento poderão fazer a diferença entre permanecer na vida pública ou encerrar uma trajetória política.