Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
O povo tocantinense falou. E falou de forma clara, livre e soberana.
Milhares de homens e mulheres deixaram suas casas para exercer o maior de todos os atos democráticos: o voto. Foram às urnas patrões e empregados, ricos e pobres, moradores da cidade e do campo, pessoas com formação superior e cidadãos simples que, independentemente da escolaridade, carregam o mesmo direito garantido pela Constituição. Na cabine de votação, todos são iguais. É essa a força da democracia.
Diante de duas candidaturas competitivas e legitimamente apresentadas à sociedade, os eleitores escolheram que o próximo governador do Tocantins será Vicentinho Júnior, tendo ao seu lado o vice-governador eleito Amélio Cayres e o senador eleito Alexandre Guimarães. A decisão das urnas deve ser respeitada integralmente por vencedores e vencidos, pois é o resultado da vontade popular manifestada de forma pacífica e democrática. Com 100% das urnas apuradas, Vicentinho Júnior foi eleito com 64,52% dos votos válidos, contra 35,48% da candidata Professora Dorinha.
QUANDO O POVO DECIDE MUDAR

Os números da eleição revelam a dimensão dessa vitória. Foram 871.159 votos válidos contabilizados no Estado. A diferença entre os dois candidatos superou 29 pontos percentuais, transformando uma disputa que parecia equilibrada no primeiro turno em uma vitória histórica no segundo.
Essa realidade ganha contornos ainda mais expressivos quando observamos que a candidatura vencedora enfrentou uma das maiores estruturas políticas já reunidas numa eleição estadual. Ao lado de Dorinha estavam o governo do Estado, boa parte da máquina administrativa, prefeitos, lideranças municipais, parlamentares influentes e um conjunto robusto de apoios políticos. Ainda assim, a mensagem de fé, esperança e mudança defendida por Vicentinho Júnior, Amélio Cayres e Alexandre Guimarães encontrou eco na população e produziu uma das mais contundentes vitórias eleitorais da história recente tocantinense.

Outro dado merece reflexão. No segundo turno foram registrados 20.323 votos em branco, 61.903 votos nulos e uma abstenção de 227.081 eleitores, equivalente a 19,24% do eleitorado. Isso demonstra que a maioria dos tocantinenses que compareceu às urnas fez questão de participar ativamente da escolha do futuro do Estado.
O resultado expressa mais do que uma vitória política. Representa uma decisão coletiva por mudança. Uma mudança construída pelo voto livre, secreto e soberano. Uma mudança que agora precisa ser traduzida em resultados concretos para a população.
O tamanho da vitória impõe a grandeza na governança

Mas toda vitória carrega consigo responsabilidades proporcionais ao tamanho do triunfo. Por isso, este talvez seja menos um momento de celebração e mais um momento de reflexão para o governador eleito.
A extraordinária confiança depositada pelo povo tocantinense nos ombros de Vicentinho Júnior amplia a sua responsabilidade histórica. Caberá a ele liderar um processo de reunificação política e social do Estado. Chega o tempo de encerrar a campanha eleitoral e iniciar a construção de pontes. O Tocantins precisa voltar a ser uma só família.
A população votou por mudança. Votou de forma legítima, silenciosa e democrática. E a mudança desejada não pode se limitar à troca de nomes ou grupos políticos. Ela precisa alcançar a forma de governar, a qualidade dos serviços públicos, a eficiência administrativa e, sobretudo, a capacidade do Estado de responder aos problemas que afligem a população.
A saúde exige respostas urgentes. A segurança pública demanda investimentos e planejamento. As ações sociais precisam alcançar os mais vulneráveis. O desenvolvimento regional precisa chegar aos municípios mais distantes. O cidadão espera menos discurso e mais resultado.
Da mesma forma, será fundamental que o novo governador forme sua equipe com critérios técnicos, éticos e administrativos. O povo não votou simplesmente por uma alternância de poder. Votou esperando novas práticas, novos métodos e novas entregas.
Também será indispensável que o futuro governo mantenha uma relação respeitosa com o Senado Federal, com a Câmara dos Deputados, com a Assembleia Legislativa e com os prefeitos dos 139 municípios tocantinenses. Nenhum governo alcança grandes resultados isoladamente. O diálogo continuará sendo instrumento indispensável para o progresso do Estado.
O TOCANTINS PRECISA DE UNIÃO, NÃO DE REVANCHE

Há outro desafio igualmente importante. Os que venceram precisam ter grandeza. A campanha foi dura. Houve embates, divergências, acusações e momentos de elevada tensão política. Contudo, a partir de agora, o governo eleito não pode se permitir o erro da perseguição política. Não há espaço para revanche, ressentimento ou "caça às bruxas". A população não elegeu um grupo para perseguir adversários. Elegeu uma equipe para governar.
Isso não significa, entretanto, fechar os olhos para possíveis irregularidades. Caso a futura gestão encontre problemas administrativos, contratos questionáveis ou qualquer situação que afronte o interesse público, haverá o dever moral e legal de encaminhar os fatos aos órgãos competentes. Mas isso deve ser feito com serenidade, transparência e absoluto respeito ao devido processo legal. Justiça não é perseguição. Justiça é permitir que os fatos sejam apurados pelas instituições.
O Observatório Político do Paralelo 13 acredita que o Tocantins entra em um novo ciclo político. Um ciclo que exigirá maturidade tanto do governo quanto da oposição.
O novo governo terá a missão de administrar. A oposição terá o dever de fiscalizar. Ambos os papéis são essenciais para o fortalecimento da democracia.
Uma oposição responsável não é aquela que torce pelo fracasso do governante. É aquela que aponta erros, sugere caminhos, exige transparência e ajuda a aperfeiçoar as políticas públicas. Da mesma forma, um governo forte não é aquele que tenta silenciar divergências, mas aquele que sabe conviver com elas.
Que o Tocantins seja maior do que os projetos pessoais.
Que o interesse público esteja acima das disputas eleitorais encerradas nas urnas.
E que os próximos quatro anos sejam marcados pelo diálogo, pela responsabilidade e pelo compromisso com os homens e mulheres que confiaram seu futuro aos novos governantes.
O povo fez sua escolha. Agora começa o verdadeiro trabalho.
Amanhã, traremos uma análise do resultado das urnas!
Família O Paralelo 13
