AS ENTRELINHAS DO PROCESSO SUCESSÓRIO

Posted On Sexta, 15 Mai 2026 06:15
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Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

O governador Wanderlei Barbosa, em diversas ocasiões, afirmou que trabalharia pela construção da candidatura de seu sucessor ou sucessora. Contudo, o distanciamento político com o vice-governador Laurez Moreira abriu espaço para que este se lançasse como pré-candidato ao governo estadual em 2024, percorrendo o interior, dialogando com lideranças e conquistando visibilidade na mídia local.
Nesse ambiente, a senadora professora Dorinha Seabra também colocou “os pés na estrada”, recebendo apoio do deputado federal Carlos Gaguim e do senador Eduardo Gomes. Sua pré-candidatura ganhou ainda mais força com o respaldo do prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, e a formação do chamado G5 — grupo composto pelos prefeitos dos cinco maiores colégios eleitorais do Tocantins: Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional e Paraíso do Tocantins.

 

Paralelamente, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Amélio Cayres, foi incentivado pelo governador a trabalhar sua pré-candidatura com apoio direto do Palácio Araguaia, ganhando musculatura política ao lado de Barbosa em inaugurações e ordens de serviço.

 

PACTO E AFASTAMENTO

 

A conjuntura sofreu uma reviravolta com o afastamento de Wanderlei Barbosa por decisão monocrática de um ministro do STJ. Durante os 90 dias em que esteve fora do cargo, Laurez Moreira assumiu o governo, promoveu mudanças profundas na equipe e fortaleceu sua musculatura política.

Para retornar, Barbosa firmou um pacto político em Brasília, comprometendo-se a não disputar vaga ao Senado e apoiar as candidaturas de Eduardo Gomes, Carlos Gaguim e Dorinha Seabra. Esse acordo implodiu a pré-candidatura de Amélio Cayres, até então o nome da base palaciana.

 

A recusa de Dorinha em aceitar Cayres como vice aprofundou o distanciamento entre ambos. Dorinha consolidou-se como candidata da base, enquanto em uma manobra rápida, Cayres vem como candidato a vice-governador de Vicentinho Júnior, numa chapa forte e que vem ganhando corpo dia após dia, que tem como candidato a senador o deputado federal e presidente estadual do MDB, Alexandre Guimarães. Da mesma forma está Laurez Moreira que formou seu próprio grupo político, engrossado com deputados estaduais que aderiram ao seu governo durante o afastamento de Wanderlei Barbosa, e que vem percorrendo o Estado em busca de ganhar corpo e competitividade.

 

A CHAPA MAJORITÁRIA E O PAPEL DE WANDERLEI

 

A chapa majoritária precisa fazer um gesto ao maior líder do grupo político, governador Wanderlei Barbosa, para que ele e seus principais auxiliares assumam o comando da campanha. Em consenso, é urgente a definição de quem será o vice.

 

Enquanto governistas trocam marqueteiros sem conhecimento dos costumes tocantinenses, a oposição cresce e ocupa o vácuo deixado. Nesse contexto, surgiu o nome do deputado federal Eli Borges como pré-candidato, mas sem simpatia dos deputados estaduais, prefeitos da base e apoio popular. Borges aparece como candidato “avulso”, indicado para o Senado pelo Republicanos de Wanderlei Barbosa, mas sem fazer parte da chapa majoritária apoiada pelo Palácio Araguaia, sem respaldo efetivo nos 139 municípios.

 

JUSTIÇA: O FATOR EXTERNO

 

Se a disputa já se mostra acirrada entre Dorinha Seabra, Laurez Moreira e Vicentinho Júnior, há um elemento capaz de alterar completamente o tabuleiro: a atuação da Polícia Federal e da Justiça Eleitoral. Investigações em curso podem resultar em prisões, condenações e até confisco de bens, criando um “terceiro turno” em que o Judiciário se torna protagonista.
O uso de recursos financeiros fora das regras eleitorais está sob vigilância. A Justiça Eleitoral monitora movimentações suspeitas e pode impugnar candidaturas por abuso de poder econômico. Isso significa que mesmo candidatos vitoriosos nas urnas podem ser impedidos de assumir.

 

PESQUISAS BLOQUEADAS

Outro fator de tensão é o bloqueio de pesquisas eleitorais consideradas irregulares. Mais de nove levantamentos já foram suspensos, com multas pesadas aplicadas. Essa prática fragiliza candidaturas que tentam se beneficiar de números artificiais.

 

DORINHA SEABRA: A FORÇA DA BASE

 

A pré-candidata Dorinha Seabra reúne atributos para chegar ao segundo turno em primeiro lugar: número expressivo de prefeitos e vereadores, apoio do governador Wanderlei Barbosa, da maioria dos deputados estaduais, maior fundo eleitoral, maior tempo de rádio e TV e várias nominatas de deputados federais e estaduais.

 

O desafio, porém, é a coordenação da campanha. Falta ao grupo uma liderança que organize a estratégia, busque nas ruas o sentimento do eleitor e ofereça um motivo claro para votar em Dorinha. Sem isso, o risco é alto. Ainda há tempo para corrigir, desde que o G5 e demais líderes assumam essa prioridade.

 

JULHO: O MÊS DAS TRAIÇÕES

Nos bastidores, julho é apontado como o mês das traições políticas. Sinais de alerta já piscam, indicando que movimentações inesperadas podem ocorrer, algumas delas consideradas inacreditáveis.
A sucessão no Tocantins não depende apenas da força política dos grupos locais, mas também da capacidade de resistir às investigações e às decisões judiciais. Em um ambiente onde “ninguém é tão forte que não possa perder, nem tão fraco que não possa vencer”, o fator jurídico pode ser decisivo.

Com três pré-candidaturas — Dorinha Seabra, Laurez Moreira e Vicentinho Júnior —, o cenário segue aberto. O jogo será jogado oficialmente apenas após as convenções e registros das candidaturas.

 

 

 

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