Nova equipe foi apresentada ao ministro André Mendonça; oposição cobra explicações da PF se mudança está atrelada a Lulinha
Por Isabel Mega
A PF (Polícia Federal) decidiu mudar a coordenação responsável pelos inquéritos sobre as fraudes bilionárias do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), saindo do setor de fraudes previdenciárias para a Cinq, que é a coordenação de inquéritos que tramitam nos tribunais superiores.
Os inquéritos do INSS começaram na Justiça Federal dos estados, mas subiram ao STF (Supremo Tribunal Federal) por conexões com políticos com foro privilegiado e estão sob relatoria do ministro André Mendonça.
Na manhã desta sexta-feira (15), a PF se reuniu com o relator do caso, no STF, e apresentou a nova coordenação.
Em meio a essa mudança, um dos delegados responsáveis pelo caso na coordenação previdenciária, Guilherme Figueiredo Silva, saiu do caso. Procurada, a PF não respondeu se determinou a troca ou se foi a pedido do investigador. Fontes dizem à reportagem que o delegado foi quem pediu a mudança e remoção para Minas Gerais, seu estado natal.
Os demais delegados do caso continuam, sob comando da Dicor, a Diretoria de Combate ao Crime Organizado e à Corrupção.
Com base nessas mudanças, o ex-presidente da CPMI do INSS no Congresso Nacional, senador Carlos Viana (PSD-MG), oficiou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, solicitando esclarecimentos formais sobre a saída do delegado.
A oposição atrela a mudança às investigações contra o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Essa coordenação foi a responsável por pedir a quebra de sigilos do filho mais velho do presidente.
Foi essa coordenação também que fez a negociação da delação premiada do empresário Mauricio Camisotti. A proposta foi enviada ao STF, mas teve que retornar para ser refeita do zero, com a participação da PGR (Procuradoria-Geral da República).
"Trocas dessa natureza, em momentos delicados da investigação, exigem explicações claras e imediatas à sociedade brasileira", afirma o senador Carlos Viana.