Por Edson e Edivaldo Rodrigues
O Paralelo13 publicou o último resultado da pesquisa Quaest na semana passada, contratada pelo Grupo Jaime Câmara, antes que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) determinasse sua suspensão. A decisão foi fundamentada em uma ação movida pelo candidato ao Senado, deputado federal Alexandre Guimarães, e trouxe à tona questionamentos sobre a transparência e a credibilidade dos levantamentos.
FUNDAMENTAÇÃO DA JUSTIÇA ELEITORAL

A Justiça Eleitoral do Tocantins apontou falhas graves na pesquisa: ausência de informações completas sobre o perfil sociodemográfico dos entrevistados, omissão de dados geográficos em 26 dos 134 setores censitários e impossibilidade de auditoria por partidos e Ministério Público. Segundo a decisão, esses problemas poderiam induzir o eleitor a erro, especialmente na reta final da campanha, quando pesquisas têm forte poder de influência sobre o chamado “voto útil”. A suspensão foi imediata e acompanhada da fixação de multa de R$ 20 mil em caso de descumprimento.
Em Goiás, decisão semelhante suspendeu os resultados da Quaest, também contratada pelo Grupo Jaime Câmara, sob argumentos de inconsistência metodológica e falta de transparência.
COMO FUNCIONAM O REGISTRO E A FISCALIZAÇÃO DE PESQUISAS

Toda pesquisa de intenção de voto destinada à divulgação pública deve ser registrada previamente no TSE com antecedência mínima de cinco dias. O registro é feito no Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais (PesqEle) e deve conter:
• Nome do contratante e valor pago;
• Origem dos recursos utilizados;
• Metodologia completa, incluindo plano amostral, ponderação por sexo, idade, escolaridade, renda e área física da coleta;
• Sistema de controle interno da coleta de dados;
• Questionário aplicado;
• Nome e registro do estatístico responsável;
• Período da coleta de dados.
Após a divulgação, os institutos devem atualizar o sistema com os dados efetivamente coletados: tamanho real da amostra, perdas e recusas, métodos de ponderação e medidas de precisão estatística. Isso garante que partidos, candidatos e o Ministério Público possam fiscalizar e contestar eventuais irregularidades.
Portanto, quando uma pesquisa não apresenta dados completos ou impossibilita auditoria, como ocorreu com a Quaest, a Justiça Eleitoral considera a falha grave porque fere diretamente o princípio da transparência e pode comprometer a confiança pública no processo democrático.
EFEITOS PÓS-PRIMEIRO TURNO

O Observatório Político de O Paralelo13 aguarda os resultados das urnas nas eleições estaduais de Tocantins. Caso os números se aproximem dos resultados da pesquisa suspensa, será um ponto positivo para a credibilidade da empresa e para a candidatura da senadora Prof. Dorinha Seabra, apoiada pelo governador Wanderley Barbosa. Se houver divergência significativa, especialmente em relação à vantagem de 13 a 14 pontos sobre o deputado Vicentinho Júnior, a confiança nas pesquisas poderá ser abalada, dificultando a atuação da Quaest em futuros levantamentos.
ENFIM
O Observatório Político de O Paralelo13 prefere aguardar os resultados das urnas de 4 de outubro de 2026 para então se manifestar sobre a pesquisa Quaest suspensa pela Justiça Eleitoral tocantinense. Os fundamentos apresentados foram considerados incontestáveis, e com a suspensão também em Goiás, o tema da credibilidade das pesquisas eleitorais ganha ainda mais relevância neste momento decisivo.
Em outras palavras, a empresa de pesquisa Quaest — sua credibilidade, sua metodologia, seus resultados e sua seriedade — está em jogo caso os resultados das urnas venham totalmente desencontrados com os últimos números divulgados sobre a intenção de votos para o governo em território tocantinense. Até...
