Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
A sucessão estadual de 2026 começa a entrar em uma fase mais sensível. À medida que se aproximam as convenções partidárias, aumentam também os conflitos internos, as disputas silenciosas por espaços de poder e os desconfortos dentro dos próprios grupos políticos.
Nos bastidores, praticamente todos os palanques convivem hoje com interesses distintos, projetos pessoais e divergências estratégicas. E isso já começa a ser percebido pelas bases políticas espalhadas pelos municípios tocantinenses.
O Observatório Político de O Paralelo13 conversou reservadamente com o vice-governador e pré-candidato ao Governo do Estado, Laurez Moreira, durante um café na tarde desta segunda-feira. Laurez demonstrou tranquilidade em relação ao atual cenário político e afirmou estar satisfeito com a receptividade encontrada durante suas visitas em diversas regiões do Estado.
Mas foi taxativo ao abordar um tema que vem sendo discutido nos bastidores da política tocantinense sobre a possível federalização da disputa estadual. Segundo Laurez, sua candidatura não será vinculada nem à polarização da direita, nem à da esquerda. “Não vou federalizar minha candidatura. Meu palanque será o do povo tocantinense. Tenho votos tanto da direita quanto da esquerda e não pretendo transformar a eleição estadual em uma disputa ideológica nacional”, afirmou.

O vice-governador também negou qualquer articulação direta com a direção estadual do PT ou com os grupos responsáveis pela organização do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Tocantins.
O pré-candidato afirmou que construir uma campanha baseada em propostas administrativas e debates públicos. “Quero ir aos debates promovidos pelas redes de rádio, televisão, veículos de comunicação e entidades classistas. É lá que a população vai conhecer nossas propostas para o Tocantins. Não esperem de mim agressões. Esperem um combatente político, mas com respeito, equilíbrio e propostas”, declarou.
Durante a conversa, Laurez Moreira também fez referências a figuras históricas que, segundo ele, influenciam sua visão política, como Juscelino Kubitschek, Pedro Ludovico Teixeira e José Wilson Siqueira Campos. Laurez tenta construir uma imagem de candidato moderado, municipalista e distante das polarizações nacionais. Nos bastidores, aliados avaliam que essa estratégia busca ampliar diálogo com diferentes segmentos do eleitorado tocantinense.
WANDERLEI PODERÁ NÃO ABRIR MÃO DA INDICAÇÃO DO VICE

Se na oposição existe esforço para evitar conflitos ideológicos, dentro da base governista o principal ponto de tensão continua sendo a escolha da vaga de vice na chapa da senadora Professora Dorinha Seabra.
O Observatório Político de O Paralelo13 ouviu nesta segunda-feira um membro de primeiro grau da família do governador Wanderlei Barbosa, que foi direto ao tratar do assunto. Segundo a fonte, “não existe espaço” para que a indicação do vice-governador da chapa governista não passe diretamente pelo governador Wanderlei Barbosa.

Prefeito de Palmas Edaurdo Siquera e a senadora Dorinha Seabra
A avaliação interna do grupo é de que Wanderlei abriu mão de um projeto político extremamente confortável para apoiar a construção da candidatura de Dorinha Seabra. Aliados lembram que o governador possuía um mandato praticamente garantido de oito anos ao Senado Federal e que sua esposa também possuía espaço político consolidado para disputar mandato à Câmara Federal.
Além disso, integrantes da base lembram que Wanderlei também possuía dentro do próprio grupo um nome considerado competitivo e de consenso que era o presidente da Assembleia Legislativa, Amélio Cayres.

Deputado Carlos Gaguim
Segundo a fonte ouvida pelo Observatório, a composição majoritária já teria chegado praticamente pronta de Brasília, com Dorinha ao Governo, Eduardo Gomes buscando a reeleição ao Senado e Carlos Gaguim como candidato à segunda vaga ao Senado. “Nesse cenário, não seria justo o governador também não indicar o vice”, resumiu a fonte.
Senaador Edaurdo Gomes o governador Wanderlei e a senadora Dorinha
A declaração evidencia o nível de sensibilidade que envolve hoje a construção da chapa governista. Nos bastidores, o clima é descrito por aliados como instável.
Há setores da base que defendem uma mulher como vice. Outros grupos trabalham por indicações regionais. Existem ainda alas partidárias tentando ocupar espaço dentro da composição majoritária.
Publicamente, Dorinha Seabra mantém discurso de equilíbrio e afirma que a definição será feita de maneira coletiva. Porém, segundo fontes ouvidas pelo Observatório, algumas indicações já teriam sido vetadas internamente nos bastidores políticos.
O fato é que a decisão sobre o vice dificilmente será terceirizada. E dentro do grupo governista cresce a percepção de que a palavra final passará diretamente pelo governador Wanderlei Barbosa.
ELEITORADO FEMININO PODE TER PAPEL DECISIVO EM 2026
Outro fator que começa a ser observado com atenção pelos grupos políticos é o perfil do eleitorado tocantinense. Dados da Justiça Eleitoral apontam que o Tocantins possui maioria feminina entre os eleitores aptos a votar. Segundo levantamento do Tribunal Regional Eleitoral, as mulheres representam 50,53% do eleitorado estadual, enquanto os homens correspondem a 49,47%. Em números absolutos, o Estado possui mais de 591 mil eleitoras e cerca de 579 mil eleitores.
Estrategistas políticos observam que o eleitorado feminino tocantinense tem demonstrado comportamento cada vez mais independente nas últimas eleições, tornando a disputa ainda mais imprevisível.
ELEITORES REAGEM À TENTATIVA DE MANIPULAÇÃO DE PESQUISAS

Enquanto parte dos pré-candidatos ao Governo do Tocantins segue tentando nacionalizar a disputa estadual entre direita e esquerda, com acusações mútuas e movimentos de desconstrução política entre adversários, cresce entre os eleitores tocantinenses um sentimento de desconfiança em relação a pesquisas eleitorais consideradas suspeitas ou sem credibilidade.
O Observatório Político de O Paralelo13 tem acompanhado de perto a crescente judicialização envolvendo levantamentos de intenção de voto no Tocantins. Somente nos primeiros cinco meses de 2026, mais de dez pesquisas foram questionadas, suspensas ou invalidadas pela Justiça Eleitoral por indícios de irregularidades documentais, inconsistências técnicas e descumprimento de exigências legais.
Nos bastidores políticos, a avaliação de importantes observadores é de que existe uma tentativa clara de utilização de pesquisas como instrumento de indução psicológica do eleitorado, numa estratégia de autoafirmação artificial de determinadas candidaturas.
A situação ganhou ainda mais repercussão após decisões recentes da Justiça Eleitoral suspendendo levantamentos divulgados no Estado. Em um dos casos mais comentados, a Justiça do Tocantins suspendeu pesquisa do Instituto Real Time e aplicou multa superior a R$ 53 mil por irregularidades documentais.
O episódio aumentou ainda mais o debate sobre credibilidade e responsabilidade na divulgação de pesquisas eleitorais durante o processo sucessório de 2026.
O fato é que o eleitor tocantinense demonstra cada vez mais resistência a movimentos considerados artificiais dentro do processo político. E, diante do elevado número de pesquisas questionadas judicialmente, cresce a cobrança por mais transparência, responsabilidade e respeito ao eleitorado tocantinense.
O JOGO SEGUE ABERTO
O Observatório Político de O Paralelo13 reafirma que a sucessão estadual de 2026 permanece completamente aberta. As convenções partidárias deverão aprofundar ainda mais os conflitos de interesses dentro dos grupos políticos, principalmente na disputa por espaços na chapa majoritária, no Senado e nas candidaturas proporcionais.
Até lá, o cenário continuará marcado por negociações silenciosas, disputas internas e muita movimentação nos bastidores.
E, no meio desse tabuleiro político, cresce uma certeza entre importantes observadores da política tocantinense, afinal quem não conseguir administrar os próprios conflitos internos poderá chegar fragilizado ao momento decisivo da sucessão estadual.