PARA NÃO DIZER QUE NÃO AVISAMOS: A “BOLHA”

Posted On Segunda, 20 Julho 2026 04:15
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Por Edson Rodrigues

 

A política, tantas vezes, se deixa seduzir pela ilusão. Uma bolha se forma: feita de pesquisas encomendadas, de assessores que filtram a realidade, de lambe-lambes e baba-ovos que alimentam vaidades. Dentro dela, reina o conforto da certeza; fora dela, pulsa o povo — inquieto, desconfiado, dependente, mas nunca totalmente previsível.
Não somos professores e nem queremos o ser, muito menos videntes. O que temos é experiência: em mais de sessenta anos de vida entre Brasília e Goiás/Tocantins, são quase quarenta anos de direção em O Paralelo13. Essa vivência nos dá autoridade para afirmar que já testemunhamos campanhas “ganhas” que se transformaram em derrotas amargas ao abrir das urnas. O motivo? Sempre o mesmo: candidatos cegos políticos, cercados por aduladores, incapazes de ver, sentir, perceber a realidade. Ainda há tempo de enxergar, escutar, sentir e corrigir.

TOCANTINS

 

No Tocantins, a política se mistura com fé e irmandade. Pessoas com quem conviví, como Dr. Brito Miranda e Moisés Avelino, e pessoas com quem ainda tenho o prazer de ver atuar, como Marcelo Miranda, Eduardo Gomes, Eduardo Siqueira Campos e Israel Siqueira, entre outros — nomes que carregam não apenas trajetórias, mas vínculos de confiança.
Mas é também aqui que se revela o risco da bolha: um estado onde mais de 347 mil vivem de programas sociais e milhares mantêm vínculos temporários com o poder público. Um eleitorado vulnerável, que transforma a política em terreno delicado. A transferência de votos não se decreta; se conquista com proximidade e credibilidade.

INSTITUTOS DE PESQUISAS

 

Pesquisas eleitorais são espelhos quebrados. Muitos entrevistados, temendo represálias, preferem se esconder na indecisão. Outros respondem o que acreditam ser seguro. A partir de agosto, quando a sombra da demissão já não paira sobre tantos, a voz do eleitor tende a se libertar. É nesse momento que a bolha pode estourar, revelando o que estava oculto.
FATO

Há prefeitos que conseguem transferir votos, como Wagner Rodrigues em Araguaína ou Eduardo Siqueira em Palmas, que se expõem publicamente em apoio a seus candidatos e traz consigo o apoio de seu vice, dos seus vereadores e apoiadores. Mas são exceções. A maioria dos prefeitos está envolta em coligações frágeis e alianças contraditórias, não consegue entregar o prometido, com seus vices apoiando adversários, vereadores pulverizados em outras candidaturas e seus apoiadores desconfiados. A bolha do “apoio garantido” se desfaz diante da realidade plural das câmaras municipais e das famílias divididas em suas preferências políticas.

CÂMARA MUNICIPAL

Nos pequenos municípios, o prefeito ainda pode impor candidaturas. Mas nas cidades maiores, cada vereador já possui seu próprio caminho, sua própria base. A política se fragmenta, e a bolha da unanimidade se revela como miragem.

ATENÇÃO

 

O jornal O Paralelo13 não muda nem negocia a sua postura: crítica, independente, destemida, principalmente com as candidaturas paraquedistas, que tentem se legitimar com discursos bonitos, mas que nada fizeram pelo desenvolvimento do Estado, e que acham que agora cairão nas graças do eleitorado. Mesmo assim, ainda há candidatos majoritários acreditando que qualquer prefeito consegue transferir votos e que isso basta. A partir das convenções, o observatório político intensificará sua vigilância contra abusos de poder e manipulações da máquina pública. São quase quarenta anos de garimpagem jornalística, moldados por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues, sustentados pela convicção de que a liberdade editorial não se negocia.

Não fazemos jornalismo cego, descomprometido com a verdade. Nosso compromisso é com a transparência, com a crítica dura quando necessária, e com a coragem de dizer o que muitos preferem silenciar.

A bolha é confortável, mas enganosa. Quem nela se refugia corre o risco de ser surpreendido pelas urnas. A política exige humildade, proximidade, coragem de ouvir o povo sem filtros. O jornalismo exige independência e compromisso com a verdade.

E é nesse encontro — entre líderes que caminham com sandálias gastas e jornalistas que não se curvam — que se constrói a esperança de uma democracia menos contaminada e mais transparente.

Ainda há tempo de ver, enxergar, escutar, sentir e corrigir. Quem não o fizer, estará condenado às surpresas desagradáveis que só as urnas sabem revelar.

Com uma longa vivência na política tocantinense, posso aqui assegurar: as candidaturas majoritárias ao Senado serão decididas por pequenos detalhes — e não pelo apoio político do governador ou dos prefeitos, mas pelas ações pessoais de cada candidato. Lembrando que, a partir do próximo dia 5 de agosto, último dia permitido para realizar convenções, quem errar menos terá chances de ser eleito.

Aos que andam rodeados de baba-ovo e lambe-lambe: cuidado com seu futuro político diante dos resultados das urnas.

FATO DECISIVO

 

Um fato será decisivo nestas eleições: o povo e sua soberania. A política e os políticos tradicionais estão falidos em Tocantins. A ideologia de direita ou esquerda não influenciará nos resultados finais. O que pesará será a capacidade de cada candidatura de se conectar com a realidade, com a voz das ruas, com a essência da democracia, assim como os veículos de imprensa sérios e comprometidos com a verdade. A imprensa que não se traveste de “assessoria” aos candidatos, como alguns veículos vem fazendo de forma disfarçada, agindo como lambe-lambes e baba-ovos dos candidatos, faltando com a verdade que tanto esses candidatos quanto o povo, precisam ouvir.

Quem insistir em viver dentro dessa bolha, ignorando o povo, será inevitavelmente derrotado pelo próprio povo.

 

 

 

Última modificação em Segunda, 20 Julho 2026 07:04
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