QUEM NÃO SAIR DA BOLHA PODE PERDER O BONDE

Posted On Quinta, 21 Mai 2026 05:47
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Olho no olho

 

Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

O cenário político do Tocantins começa a entrar em ebulição antes mesmo da abertura oficial do calendário eleitoral de 2026. Nos bastidores, as articulações avançam silenciosamente, os grupos políticos se movimentam em todas as regiões do Estado e os pré-candidatos, tanto proporcionais quanto majoritários, intensificam a corrida por apoios políticos, especialmente o apoio de prefeitos e prefeitas.

 

Na prática, o que se vê hoje é uma verdadeira disputa de números. Há pré-candidatos que fazem questão de exibir musculatura política baseada quase exclusivamente na quantidade de gestores municipais alinhados aos seus projetos eleitorais.

 

Uns afirmam ter 20 prefeitos. Outros garantem possuir 34. Alguns dizem ter fechado com 40 prefeitos e prefeitas. Há ainda aqueles que afirmam estar “muito tranquilos” com 27 apoios municipais e que não pretendem ampliar mais a base.

 

 

 

Na disputa pelo Senado, então, a inflação numérica ganha proporções ainda maiores. Há pré-candidatos falando em 87 prefeitos aliados. Outros citam 50, 45, 43 ou 39 apoios consolidados. As contas, evidentemente, não fecham.

 

Mas até aí, a política convive historicamente com discursos inflados, demonstrações de força e narrativas de bastidores. O problema é que existe uma realidade que muitos insistem em ignorar: prefeito não transfere voto sozinho.

 

E essa talvez seja a principal armadilha política da sucessão estadual de 2026.

 

O EQUÍVOCO DA POLÍTICA DE GABINETE

Parte dos pré-candidatos parece acreditar que a adesão formal de um prefeito representa automaticamente milhares de votos garantidos nas urnas. Mas o Tocantins mudou.

O eleitor mudou.

Os municípios mudaram.

As relações políticas também mudaram.

 

Hoje, em muitos municípios tocantinenses, vereadores possuem influência eleitoral igual ou até superior à do próprio prefeito.

 

Existem cidades onde lideranças comunitárias, produtores rurais, dirigentes religiosos, presidentes de associações e até influenciadores locais possuem capacidade de mobilização política muito maior do que determinados gestores municipais.

 

Em muitos casos, prefeitos e prefeitas fecham acordos políticos sem combinar o jogo eleitoral com vereadores, suplentes, bases partidárias, lideranças regionais e até mesmo com setores históricos de sustentação política do próprio grupo.

 

E aí nasce o conflito.

 

Não há como entregar votos quando a base não acompanha o acordo feito dentro do gabinete. O apoio isolado de um prefeito pode representar estrutura administrativa, presença institucional e visibilidade política. Mas não significa, necessariamente, voto consolidado.

 

O Observatório Político de O Paralelo13 já identificou municípios onde vereadores caminham em direção oposta à posição oficial do prefeito. Há cidades em que deputados estaduais apoiam um projeto majoritário enquanto prefeitos defendem outro caminho político.

 

Existem ainda situações em que a população simplesmente não acompanha os acordos construídos “de cima para baixo”. E isso começa a gerar desconforto dentro das próprias bases municipais.

 

O SILÊNCIO DO ELEITOR

 

Existe hoje no Tocantins um fenômeno político silencioso que muitos grupos ainda não conseguiram compreender que é o silêncio do eleitor.

 

Enquanto parte da classe política se movimenta nas redes sociais, divulga fotografias de reuniões, lota eventos e disputa narrativas públicas, o verdadeiro eleitor, aquele orgânico que não depende de políticos observa tudo de maneira cada vez mais reservada. A política do “já ganhou” costuma produzir derrotas traumáticas.

 

Nas últimas eleições, o Tocantins assistiu candidaturas consideradas fortíssimas serem derrotadas justamente porque permaneceram presas dentro da própria bolha política.

 

Muitos candidatos passaram a acreditar apenas no que ouviam dos aliados, assessores e grupos de apoiadores. Criaram uma falsa sensação de segurança eleitoral.

 

Enquanto isso, o eleitor seguia em silêncio.

Observando.

Analisando.

Comparando.

E guardando sua decisão para o momento da urna.

Quem não sair da bolha corre sério risco de perder o bonde da história política de 2026.

 

A HORA DA HUMILDADE POLÍTICA

 

A eleição de 2026 exigirá humildade, algo que muitos políticos parecem ter desaprendido ao longo dos últimos anos..

Será necessário calçar a sandália da humildade.

Ir para as ruas.

Conversar com a população.

Escutar críticas.

 

Olhar no olho do eleitor.

Entender os problemas reais das pessoas.

 

A política feita exclusivamente dentro das redes sociais, dos grupos fechados de WhatsApp, das pesquisas internas e das articulações de gabinete poderá não ser suficiente desta vez. O Tocantins possui uma realidade econômica e social extremamente diversa.

 

Enquanto algumas regiões vivem crescimento econômico acelerado, outras ainda enfrentam dificuldades históricas ligadas à saúde pública, falta de infraestrutura, sem estradas, abastecimento de água, geração de empregos, assistência social e segurança pública.

 

O eleitor já não quer apenas discursos prontos.

Quer coerência.

Quer presença.

Quer compromisso.

Quer verdade.

 

DETENTORES DE MANDATO TERÃO QUE PRESTAR CONTAS

 

Para os atuais detentores de mandato, chegou a hora da prestação de contas.

Deputados estaduais, deputados federais, senadores e demais agentes políticos precisarão mostrar de forma objetiva o que efetivamente fizeram pelo Tocantins. Não bastará divulgar fotos institucionais, vídeos prontos ou discursos emocionados.

O eleitor começa a cobrar resultados concretos.

Obras entregues.

Recursos aplicados.

 

Projetos aprovados.

Presença política nos municípios.

Atuação parlamentar efetiva.

Já os novatos terão outro desafio que é mostrar identidade política, apresentar propostas reais e demonstrar preparo, pois o discurso genérico já não produz o mesmo efeito de eleições passadas.

 

O ALERTA AOS “PARAQUEDISTAS”

 

Outro tema que volta a ganhar força nos bastidores da política tocantinense é a preocupação com os chamados “paraquedistas eleitorais”. São pré-candidatos a deputados estaduais e federais que aparecem no Tocantins apenas em períodos eleitorais buscando mandato eletivo sem qualquer vínculo histórico, político ou social com o Estado.

 

Muitos chegam embalados por estruturas nacionais, recursos financeiros robustos ou articulações partidárias externas. Mas o eleitor tocantinense amadureceu. E parte dessas experiências deixou frustrações profundas.

 

Em outro momento, o Tocantins já elegeu tanto deputados estaduais, quanto deputados federais que chegaram ao Estado apenas em períodos eleitorais, conquistaram mandato, organizaram a própria vida política e depois desapareceram completamente da convivência com os municípios e com a população. Esse passado ainda permanece vivo na memória do eleitor.

Por isso, o Observatório Político de O Paralelo13 alerta que após as convenções partidárias e o registro oficial das candidaturas, haverá aprofundamento na análise da trajetória dos postulantes aos cargos eletivos.

A intenção não é alimentar perseguições ou narrativas artificiais, mas garantir ao eleitor acesso a informações qualificadas, afinal democracia exige informação e informação protege o eleitor.

2026 SERÁ UMA ELEIÇÃO DE PRESENÇA

 

O ciclo eleitoral que se aproxima tende a premiar quem conseguir combinar articulação política com presença popular verdadeira.

Prefeitos terão importância.

Vereadores também.

As redes sociais continuarão influenciando.

As estruturas partidárias seguirão pesando.

 

Mas o diferencial poderá estar justamente na capacidade dos candidatos saírem da própria bolha e verdadeiramente se reconectarem com a população.
Quem compreender isso primeiro largará na frente.

 

Quem ignorar os sinais do eleitor poderá descobrir tarde demais que apoio político não é sinônimo automático de voto.
E que, no Tocantins, o eleitor continua silencioso… mas jamais desatento.

 

 

 

Última modificação em Quinta, 21 Mai 2026 05:58
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