ANÁLISE POLÍTICA
O empresário Paulo Mourão, ex-deputado federal, ex-deputado estadual e ex-prefeito de Porto Nacional, um dos políticos mais preparados e inteligentes do Tocantins, está deixando os seus amigos, seguidores, simpatizantes e correligionários em polvorosa, ao retomar a publicação de vídeos com teor político em suas redes sociais
Por Edson Rodrigues
Além de atuações de destaque na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal, Paulo M ourão deixou seu governo em Porto Nacional (não se candidatou à reeleição), com 80% de aprovação popular, todas as contas da sua gestão aprovadas sem ressalva pelo Tribunal de Contas do Estado e reconhecidamente gabaritado para alçar voos maiores.
Filiado ao PT tocantinense e amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o grande entrave de Mourão em relação ao seu futuro político é a situação interna da legenda no Estado, com um comando centralizador, que não conta com o apoio de grande parte dos filiados, a legenda não conseguiu eleger sequer um deputado estadual nas últimas eleições e viu o número de prefeitos e vereadores diminuir nas eleições de outubro passado, com três prefeitos, três vice-prefeitos e apenas 23 vereadores no universo de 139 municípios.
POLÍTICO DE QUALIDADE
Considerado um excelente político, com qualidades que o fazem um dos quadros mais preparados no Tocantins, Paulo Mourão participou, no último dia 18, de um evento em Brasília sobre estratégias de desenvolvimento econômico e social para o Tocantins com o Ministro do Desenvolvimento Social, Welington Dias, e diversos representantes das universidades e entidades da agricultura familiar, bem como empresários e líderes do Tocantins.
De acordo com Paulo Mourão “a missão dada pelo ministro Wellington Dias e também determinada pelo presidente Lula nesse encontro, é combater a pobreza e fazer isso é estimular o desenvolvimento com inclusão social, é qualificar nossos jovens das famílias inscritas no CAD Único, gerar emprego e estimular o empreendedorismo”.
Em seu vídeo, publicado em suas redes sociais, Paulo Mourão fala sobre os avanços conseguidos pelo PT, por meio da gestão Lulas III. “Andando pelas ruas, alguém me abordou dizendo que o Bolsa Família, que o governo do presidente Lula insiste em continuar aumentando a distribuição, para tantas pessoas, está deixando as pessoas com preguiça, sem querer trabalhar. Isso não é verdade! Para comprovar, um pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Dr. Marcos Dantas Heckshe, acaba de lançar um artigo dizendo o contrário, que é altamente positivo o Bolsa Família. O que ocorre agora é que as pessoas não aceitam mais serviços aviltantes, empregos, degradantes. Isso a pessoa agora não aceita mais. Isso é um efeito de cidadania mesmo nas famílias que tem o índice de pobreza ou índice da extrema pobreza. Com este apoio do Bolsa Família ainda tem outro fator mais positivo ainda que é a geração de renda, aumentando o produto interno bruto do Brasil. Observe que o Brasil está entre os cinco países que tiveram os maiores aumentos no PIB”, argumentou.
Venha candidato a qual cargo for, Paulo Mourão enriquece o cenário político tocantinense. Só precisa alinhar a condução e o papel do PT, se será capaz ou, até, se irá querer Paulo Mourão como um dos seus candidatos em 2026...
Há um desânimo generalizado com a inação de Lula, especialmente em relação à atuação de Rui Costa, Ministro-Chefe da Casa Civil
Por Luis Nassif
A nota “Da apatia à ‘bala de prata’: como um assessor de Lula vê o bastidor do governo”, publicada na coluna de Lauro Jardim, em O Globo, reflete com exatidão o estado de espírito reinante no centro do governo Lula.
Há um desânimo generalizado com a inação de Lula, especialmente em relação à atuação de Rui Costa, Ministro-Chefe da Casa Civil.
No episódio do aumento do IOF, por exemplo, Rui Costa e Alexandre Silveira foram frontalmente contrários. Nesse episódio, excepcionalmente, Lula aprovou a proposta de Haddad. Quando a proposta chegou ao Congresso, Costa sumiu de cena, Lula viajou para a França e o Canadá e Haddad ficou exposto às feras do centrão.
Os jabutis nos projetos de lei de energia – beneficiando as termelétricas – têm as impressões digitais de Silveira e o patrocínio de Carlos Suarez e da J & F.
As propostas de política industrial têm esbarrado no paroquialismo de Rui Costa. Lula está prestes a autorizar a BYD (fabricante chinês de carros elétricos) a instalar uma fábrica na Bahia no modelo SKD – no qual grandes subconjuntos do veículo, como a carroceria montada, motor, câmbio e sistema de suspensão, são enviados prontos. Ou seja, nada será fabricado no país.

Lula e Rui Costa, Ministro-Chefe da Casa Civil
Os Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e da Fazenda estão tentando resistir, mas Costa provavelmente sairá vitorioso, inclusive obtendo a isenção de imposto de importação para a BYD, porque quer uma “entrega” relevante no estado, com vistas às próximas eleições.
O mesmo está acontecendo com a implantação de data centers, para a futura Política Brasileira de Inteligência Industrial. O Ministro da Educação, Camilo Santana, exige a instalação em uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará, para apressar a inauguração. Ou seja, irá abrir mão de qualquer interação com a economia nacional, tanto na compra de equipamentos quanto na venda de serviços. Como será tratada como exportadora, todos seus serviços – e as vantagens competitivas da energia verde brasileira – estarão exclusivamente a serviço de clientes estrangeiros e, obviamente, da campanha eleitoral de 2026.
Em todas essas discussões, Lula tem-se mantido ausente, não interferindo e, na maioria das vezes, deixando para Rui Costa a última palavra. Especialmente, aceita tudo o que vem da China, sem pensar em exigir contrapartidas para o Brasil.
Não se trata de perda de poder cognitivo. Lula tem perfeita noção do que é relevante para o país. Nas viagens para o exterior, continua demonstrando a acuidade política de sempre. De volta ao país, rende-se ao desinteresse total e subordina-se ao padrão Rui Costa de visão estratégica made in sertão.
Falta projeto de país, falta projeto de comunicação, que está restrita às tais “entregas” – inauguração de obras, precedida de um discurso de Lula. Costa continua apostando nas obras do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). Para essas fontes, é uma ilusão. A falta de recursos não oferece nenhuma garantia de um PAC pujante.
Depois de tudo isso, só resta sonhar com a tal “bala de prata” que permitirá a Lula renascer em 2026. Seria melhor acreditar em um ditado bíblico: “Deus ajuda quem cedo madruga”.
Liberação acelerada de recursos acontece durante disputa para barrar aumento do imposto e ampliar base de apoio
Por Uanabia Mariano
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acelerou a liberação de recursos para emendas parlamentares em meio à crise política envolvendo o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Desde o início de junho, já foram empenhados R$ 776 milhões, segundo dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop). Somente entre os dias 12 e 19 de junho, o volume de empenhos subiu R$ 682,8 milhões. Na quinta-feira (19), mais R$ 108 milhões foram reservados para execução futura.
O movimento coincide com a tentativa do governo de ampliar sua base de apoio no Congresso Nacional, num momento em que enfrenta forte resistência à proposta de reajuste do IOF. A medida faz parte do Decreto 12.499/2025, assinado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que aumenta as alíquotas do IOF sobre investimentos isentos como LCI, LCA e debêntures incentivadas. O objetivo do governo é aumentar a arrecadação para garantir o cumprimento das metas fiscais e evitar novos cortes no Orçamento.
Oposição reage
A liberação acelerada das emendas já provocou reações da oposição. Parlamentares acusam o Planalto de usar recursos públicos como moeda de troca para conter a crise política e impedir a derrubada do decreto que elevou o IOF. A aprovação do regime de urgência para o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 314/2025, que susta as mudanças no imposto, foi considerada uma derrota para o governo. A medida foi aprovada na segunda-feira (16) na Câmara dos Deputados por 346 votos a 97, permitindo que o projeto avance direto ao plenário, sem necessidade de passar pelas comissões.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) criticou a gestão Lula e cobrou a adoção de reformas estruturantes. “O governo escolheu o caminho mais fácil: aumentar impostos e cortar investimentos. Quem paga essa conta é o cidadão brasileiro”, disse.
Governo tenta minimizar impacto
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), minimizou a votação da urgência e afirmou que as negociações continuam. Segundo ele, o Palácio do Planalto ainda trabalha para costurar um acordo com a base aliada, utilizando a Medida Provisória 1.303/2025 como uma nova alternativa para discutir as alíquotas do IOF. Nos bastidores, integrantes da equipe econômica reconhecem a preocupação com o impacto político e fiscal da suspensão do decreto, caso o Congresso avance com o PDL.
O que significa o empenho das emendas?
O “empenho” é a primeira etapa da execução orçamentária. Trata-se de uma espécie de reserva formal de recursos, que garante o futuro pagamento da despesa. Só depois da liquidação — quando o serviço é entregue ou o produto adquirido — é que o dinheiro é efetivamente liberado.
Historicamente, a liberação de emendas em momentos estratégicos é uma prática comum entre governos, mas também alvo frequente de críticas por parte de entidades que cobram mais previsibilidade e transparência na gestão dos recursos públicos.
Congresso criou CPMI do INSS, aprovou urgência do projeto para derrubar aumento de alíquotas do IOF e derrubou vetos presidenciais
Por Marina Mota Silva
Em apenas dois dias de trabalho nesta semana, o Congresso Nacional conseguiu impor uma sequência de derrotas ao governo. Criou a Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) que vai investigar desvios dos beneficiários do INSS. Aprovou a urgência do projeto para derrubar a proposta de aumento de alíquotas do IOF. E derrubou 12 vetos presidenciais, sendo 11 do governo Lula.
O outro veto derrubado ainda era da época do presidente Jair Bolsonaro, envolvendo bioinsumos e autocontrole agropecuário.
Segundo o cientista político da Tendências, Rafael Cortez, o governo ainda não acabou, mas tem mais dificuldade de colocar a sua agenda para ser aprovada. “É certamente um governo que tem baixo poder de agenda e a tendência é que isso só aumente à medida que a gente se aproxima das eleições”, destacou Cortez.
Segundo ele, existe uma liderança limitada do presidente Lula diante da baixa popularidade, da antecipação do calendário eleitoral, enfim, e do ambiente político como todo.
A CPMI do INSS tem potencial para trazer muito desgaste ao governo Lula, apesar de as denúncias terem começado no governo Bolsonaro. A comissão deve ter um presidente da base do governo e um relator da oposição. Além disso, o governo contava com um aumento de arrecadação, como no caso do IOF, e o Congresso não parece disposto a contribuir para isso.
No caso do decreto do IOF, Cortez destacou que o governo já tinha feito uma negociação com Congresso e enviou um novo decreto. “O governo já tinha negociado. E os decretos são unilaterais, então para você ter uma derrubada de decreto, é uma expressão de distanciamento político bastante importante”, avaliou o cientista político.
Mas existem outros fatores que têm contribuído para as constantes derrotas do Executivo no Legislativo. É o caso, por exemplo, das emendas parlamentares que passaram a ter volume e importância muito maior nos últimos anos.
“As emendas parlamentares ganharam protagonismo muito importante para entender o comportamento dos parlamentares. Elas subiram muito o volume de recursos. O grau de liberdade no uso desses recursos por parte dos parlamentares também tem aumentado, porque são chamadas emendas mandatórias”, afirmou.
No entanto, segundo o cientista político, quando o Judiciário, na figura do Supremo Tribunal Federal, especialmente do ministro Flávio Dino, faz uma intervenção, gera uma resposta do Legislativo para de alguma maneira chamar o governo para pressionar o STF.
Cortez citou ainda questões mais estruturais, como a distância cada vez maior entre esquerda e direita. “A gente está ainda marcado por uma radicalização, pelo distanciamento entre esquerda e direita e uma competição muito acirrada entre os partidos. Então, isso também faz parte da explicação, avalia.
Levantamento mostra que polarização entre os grupos atinge 70% da população, com empate numérico entre apoiadores de Lula e Bolsonaro pela primeira vez desde 2022
Por Paulo Barros
Pela primeira vez desde o início da série histórica do Datafolha, bolsonaristas e petistas empataram em percentual de identificação popular. Segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (18), 35% dos brasileiros se dizem mais próximos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mesmo percentual dos que se identificam com o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A pesquisa marca uma virada. Em abril, os petistas somavam 39%, enquanto os bolsonaristas tinham 31%. O recuo de quatro pontos entre os apoiadores de Lula e a alta de quatro pontos entre os de Bolsonaro ocorreram no limite da margem de erro, de dois pontos percentuais, indicando crescimento real dos bolsonaristas e queda dos petistas.
Desde dezembro de 2022, o instituto já aplicou a mesma pergunta em nove levantamentos. Os entrevistados respondem em uma escala de um (bolsonarista) a cinco (petista), sendo classificados nas pontas da polarização conforme suas respostas. Aqueles que indicam três são considerados neutros — atualmente, representam 20% da população. Outros 7% dizem não se identificar com nenhum dos dois lados, e 2% não souberam responder.
A redução do apoio ao PT ocorre em meio ao aumento da reprovação do governo Lula. Pesquisa anterior do Datafolha mostrou que 40% dos brasileiros avaliam o atual mandato como ruim ou péssimo, enquanto 28% o consideram bom ou ótimo. O cenário pressiona a Secretaria de Comunicação, que ainda busca uma marca para o terceiro mandato petista.
Do outro lado, a recente exposição do ex-presidente Bolsonaro em depoimentos no STF não parece ter impactado negativamente sua base. Ele é réu sob acusação de tentativa de golpe após a eleição de 2022, mas manteve o crescimento de apoio popular.
O levantamento foi feito presencialmente nos dias 10 e 11 de junho, abrangendo 136 municípios em todas as regiões do país, com 2.004 entrevistas realizadas.