Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
As eleições estaduais de 2026 serão as primeiras da história recente do Tocantins sem a presença direta dos grandes líderes que dominaram o processo político estadual durante décadas. O saudoso José Wilson Siqueira Campos, criador do Estado do Tocantins e construtor de Palmas, foi um dos maiores estrategistas políticos da história tocantinense.
Ao lado dele, outra figura constantemente lembrada nos bastidores políticos era o saudoso Dr. Brito Miranda, pai do ex-governador Marcelo Miranda e considerado por muitos o grande articulador das campanhas vitoriosas do grupo siqueirista e mirandista ao longo de décadas.
Dr. Brito Miranda ficou conhecido pela capacidade de coordenar campanhas, montar estruturas políticas e organizar candidaturas proporcionais em todas as regiões do Estado.
Sieuqera Campos e Brito Miranda
Muitos ex-deputados e atuais pré-candidatos admitem sentir saudades daquele modelo político onde existia coordenação centralizada, apoio logístico e estrutura eleitoral compartilhada. “Naquele tempo havia comando político. Os candidatos tinham estrutura, orientação e apoio”, resumiu um ex-parlamentar ouvido pelo Observatório.
Hoje, o cenário é completamente diferente.
UMA DISPUTA DESIGUAL

Voltando ao cenário proporcional de 2026, cresce entre os pré-candidatos a sensação de que a disputa será extremamente desigual. Há dezenas de pré-candidaturas tentando conquistar um primeiro mandato na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.
Mas muitos desses nomes dificilmente chegarão fortalecidos às convenções partidárias e o motivo principal apontado nos bastidores é a falta de estrutura.
Segundo interlocutores políticos, os três principais pré-candidatos ao Governo, Professora Dorinha Seabra, Vicentinho Júnior e Laurez Moreira, não possuem perfil financeiro de grandes financiadores de campanhas proporcionais.
Aliados reconhecem reservadamente que os três pertencem a um perfil político mais ligado à classe média tradicional e não possuem estrutura pessoal para investir pesado em dezenas de candidaturas proporcionais. Ao mesmo tempo, interlocutores próximos ao governador Wanderlei Barbosa afirmam que ele não pretende permitir qualquer mistura entre recursos públicos e processo eleitoral.
Diante de tais fatores, muitos pré-candidatos proporcionais começam a perder fôlego antes mesmo do início oficial da campanha.
O PESO DOS DETENTORES DE MANDATO
Outro fator que aumenta o desânimo entre os novatos é a força estrutural dos atuais detentores de mandato. Deputados estaduais e federais que disputarão a reeleição chegam muito fortalecidos para 2026.
Além das emendas parlamentares milionárias, possuem gabinetes estruturados, equipes políticas espalhadas pelos municípios, cargos indicados e forte presença institucional.
Nos bastidores, pré-candidatos relatam dificuldades até para manter agendas regionais básicas. Há quem admita, inclusive, já pensar em desistir antes das convenções partidárias.
A ESPERANÇA VEM DO SENADO
Apesar das dificuldades, alguns pré-candidatos ainda enxergam uma saída política através das candidaturas ao Senado. Nos bastidores, cresce a expectativa de alianças com candidatos ao Senado considerados mais estruturados financeiramente.
Senador Irajá Abreu
Entre os nomes mais citados aparecem o vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes, candidato à reeleição pelo PL, e o senador Irajá Abreu, também candidato à reeleição pelo PSD. Ambos pertencem a partidos com forte fundo partidário e eleitoral.
Dorinha , Edaurdo, e Guaguim
A esperança de muitos proporcionais é garantir ao menos material gráfico, apoio logístico e alguma sustentação política regional. Outros, porém, já demonstram enorme dificuldade para continuar. Nos bastidores, muitos seguem apenas para evitar desgaste político antecipado.
Mas a avaliação interna é de que sem estrutura mínima, várias candidaturas não sobreviverão até as convenções.
ENDIVIDADOS PARA CONTINUAR NO JOGO
O Observatório Político de O Paralelo13 também identificou outro fenômeno, os pré-cadidatos que estão entrando em dívidas para manter seus projetos eleitorais vivos.
Alguns relataram dificuldades para manter viagens, combustível, reuniões políticas e apoio às bases. Um dos relatos ouvidos pela reportagem chamou atenção: “Estamos há quase um ano na estrada buscando apoio. Mas manter grupo político custa dinheiro. Tem combustível, viagens, encontros e apoio às lideranças. O jogo é desigual.”
Nos bastidores, já existem relatos de pré-candidatos recorrendo a empréstimos pessoais e até ajuda de agiotas para sustentar suas pré-campanhas.
O ELEITOR MUDOU

Mas há também um detalhe importante que começa a preocupar os grupos políticos tradicionais, afinal o eleitor mudou. A velha política baseada apenas em dinheiro, acordos de gabinete e terceirização de apoios perdeu força.
Com redes sociais, internet acessível e informação circulando em tempo real, o eleitor acompanha cada vez mais de perto a vida pessoal, política e empresarial dos candidatos. E isso vem mudando silenciosamente o comportamento eleitoral no Tocantins. Muitos candidatos poderão ter muito dinheiro. Mas poucos conseguirão transformar isso em voto verdadeiro.
O eleitor está mais atento.
Mais desconfiado.
E menos disposto a aceitar ser tratado como mercadoria eleitoral.
LULA TERÁ PALANQUE NO TOCANTINS?
Outro movimento importante nos bastidores da sucessão estadual envolve a construção do palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Tocantins. Uma liderança de alta plumagem do PT confirmou ao Observatório Político de O Paralelo13 que Lula terá candidatura ao Governo alinhada ao seu projeto de reeleição no Estado.
Segundo o interlocutor, o partido pretende mostrar aos tocantinenses os programas sociais do governo federal, que atualmente atendem mais de 314 mil pessoas no Tocantins. Nos bastidores, cresce fortemente a especulação em torno do nome da ex-senadora Kátia Abreu. Questionada sobre a possibilidade de Kátia disputar o Governo representando o campo lulista, uma liderança petista respondeu: “Kátia é uma soldada do presidente Lula. E o presidente Lula decidirá qual será o melhor palanque no Tocantins.”
A mesma fonte afirmou ainda que Kátia é vista dentro do PT como uma mulher preparada para governar o Estado em parceria com o governo federal. Caso a candidatura realmente avance, o cenário sucessório poderá sofrer uma transformação completa.
O Observatório Político de O Paralelo13 avalia que uma eventual entrada de Kátia Abreu na disputa embaralharia completamente o atual tabuleiro político. Principalmente diante do histórico de traições, mudanças de grupo e migrações políticas que costumam acontecer às vésperas das convenções partidárias.
Os próximos dias prometem forte movimentação nos bastidores.
O JOGO SUJO DAS REDES SOCIAIS

Outro ponto que começa a preocupar seriamente o ambiente político tocantinense é a degradação do debate nas redes sociais.
Nos últimos meses, plataformas digitais passaram a funcionar como verdadeiro esgoto de fake news, ataques pessoais, memes ofensivos e agressões verbais contra autoridades e adversários políticos.
Muitos grupos travestidos de veículos de comunicação atuam hoje apenas para contaminar o ambiente político e pressionar agentes públicos. O debate político de 2026 tende a ser um dos mais agressivos da história recente do Tocantins.
E o eleitor precisará separar informação séria de manipulação digital.
O TABULEIRO SEGUE ABERTO
A eleição de 2026 poderá produzir grandes surpresas. Dinheiro continuará tendo peso. Estrutura partidária também. Mas isso sozinho talvez não seja suficiente. O eleitor tocantinense está mais atento, mais conectado e muito menos previsível.
Existe hoje um sentimento silencioso de renovação política em várias regiões do Estado.
E muitos candidatos poderão descobrir tarde demais que apoio político anunciado, dinheiro investido e estrutura partidária não significam automaticamente vitória eleitoral.
No Tocantins de 2026, presença, credibilidade, humildade e conexão real com a população poderão fazer muito mais diferença do que muitos imaginam.