O ex-ministro dos governos Dilma e Temer defendeu a escolha de Rodrigo Pacheco como candidato ao Planalto e fez duras críticas ao governo de Jair Bolsonaro
Por RICARDO CORRÊA E LUCYENNE LANDIM
A redação de O TEMPO Brasília recebeu, para a primeira entrevista na capital federal, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. O ex-ministro dos governos Dilma e Temer não escondeu a paixão no sonho de lançar Rodrigo Pacheco ao Palácio do Planalto e disse que ele é o plano A, B e C do partido. Confirmou que Alexandre Kalil será o candidato ao governo de Minas Gerais, que apoiará Geraldo Alckmin em São Paulo e que vê Felipe Santa Cruz como nome no Rio de Janeiro. Sobre Jair Bolsonaro, afirmou que faz um mau governo. Ele ressalta que já defendeu o impeachment do presidente, mas que não se pode banalizar o processo. Economista, Kassab pontua que a manobra do governo federal para furar o teto de gastos e pagar o Auxílio Brasil, novo Bolsa Família, beira a irresponsabilidade fiscal e terá impacto negativo no futuro.
A gente não pode deixar de começar perguntando sobre o projeto presidencial do PSD. O PSD ontem filiou o presidente do Senado e do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que é colocado, o senhor já disse isso várias vezes, como candidato à Presidência da República. Como é esse projeto do PSD, o que esperar desse projeto para Rodrigo Pacheco?
O PSD é um jovem partido. Fez 10 anos nesse ano. Está fazendo 10 anos. Porém, 10 anos já foram suficientes para que nós nos organizássemos em todo o país com bons quadros, com lideranças importantes, algumas um pouco mais experientes, outras com esse sentimento de renovação que os brasileiros tanto aspiram, e amadureceu a ideia do partido lançar uma candidatura à Presidência da República. É uma decisão partidária, nós vamos lançar um candidato a presidente e, algum tempo atrás, nós fizemos esse convite ao presidente Rodrigo Pacheco, para que ele se filiasse ao partido e fosse o nosso candidato a presidente. Evidentemente que é uma decisão muito difícil, primeiro, se filiar a um partido e, depois, disputar um cargo, em especial um cargo de tanta relevância, o principal cargo do país que é o de presidente da República. Felizmente, para a alegria nossa, eu acho que de todo o Brasil, ele já aceitou parte da missão ao se filiar. Eu acho que é uma sinalização importante essa filiação, ele agora vai aprofundar a sua avaliação. Mas com a experiência que eu tenho, mais de 30 anos de vida pública, tenho uma confiança muito grande de que ele vai atender esse chamamento, porque no fundo é um chamamento. Chamamento para uma pessoa muito qualificada, que mostrou já, ao longo da sua vida, que é inteligente, que é bem preparado. O Rodrigo, ainda jovem como advogado, se tornou um dos principais advogados de Minas Gerais e do Brasil. Uma carreira como advogado exemplar e, há sete anos, ele resolve abraçar a vida pública. E nesses sete anos ele teve muito êxito.
Um crescimento rápido...
É, rápido, com qualidade, se elegeu deputado federal. Eu fui deputado federal por duas vezes e sei que é uma eleição muito difícil. A pessoa precisa ter vocação para se relacionar, se comunicar com o eleitor, para apresentar proposta. Ele não apenas se elegeu, mas, chegando à Câmara dos Deputados, se torna presidente da Comissão de Constituição e Justiça, que é a principal comissão da Casa, e vai muito bem, teve um excelente desempenho. Tal foi de qualidade o seu desempenho que ele acabou entendendo estar habilitado para disputar o Senado por Minas Gerais e se elege a um cargo majoritário, um dos cargos mais difíceis do país, o de senador por Minas Gerais. Não apenas se elegeu como foi o mais votado do Estado. E, chegando ao Senado, ele se torna presidente do Senado. Portanto, chefe de Poder, presidente do Congresso Nacional. Todas essas transformações, esses sete anos de muita intensidade na sua vida pública, o credenciam para, inquestionavelmente, ser um bom candidato. Ele tem o que apresentar já, ele mostrou que é da política, ele é conciliador, ele é bem preparado, ele sabe compreender os problemas do país, rapidamente consegue constituir equipe e apresentar soluções. Portanto, eu, e não apenas eu, mas os principais líderes do partido, entendiam, e cada vez entendemos mais, que ele tem tudo para ser um excelente candidato para vencer as eleições e, caso isso aconteça, será um bom presidente da República.
No ato de filiação o senhor foi bem categórico: disse que o Pacheco vai ser o candidato do PSD à Presidência da República e que ele será o presidente. Ele foi mais contido no discurso, não falou diretamente sobre esse assunto. Qual resposta ele tem dado ao PSD, ao senhor mesmo, sobre essa proposta de candidatura à Presidência?
Eu sempre tomo muito cuidado para ser muito respeitoso em relação ao Rodrigo. Você percebe que nas minhas manifestações eu digo que eu entendo que ele será, a minha experiência diz que ele será, e ele diz que está avaliando. Estava avaliando a filiação, agora está avaliando a candidatura, e eu tenho certeza que ele vai avaliar, vai refletir, não é uma decisão tomada. Mas volto a dizer: eu tenho certeza que ele será. Tenho certeza porque tem o perfil que o Brasil precisa. Ele já é experiente, afinal de contas é um advogado bem sucedido, um deputado federal, um presidente da CCJ da Câmara dos Deputados, senador, presidente do Senado, já conhece o Brasil. O Rodrigo Pacheco conhece o Brasil melhor do que qualquer um desses ministros que estão aí. Eu tenho convivido bastante com ele e posso lhe afirmar isso. Eu me considero uma pessoa com bastante experiência na vida pública, eu tenho uma peculiaridade que tenho uma boa formação técnica, meus pais me deram uma boa educação, me formei em engenharia em uma universidade boa, na USP em São Paulo, depois em economia na mesma USP, e logo depois eu ingressei na vida pública fazendo política na maior cidade do país, São Paulo. Então, não é qualquer um falando. A minha intuição eu acredito que seja uma boa intuição. No campo da política eu fui parlamentar, na maior cidade de São Paulo eu fui vereador, no maior Estado São Paulo eu fui deputado estadual, como você lembrou aqui eu fui duas vezes deputado federal, fui duas vezes ministro, já fui duas vezes prefeito de São Paulo. Então, eu posso afirmar a vocês que eu tenho plena convicção que eu não estou errado de que o Rodrigo é o perfil adequado que o Brasil precisa. E com uma vantagem: o PSD não está colocando uma única condição. A única condição que a gente pede a ele é que ele seja um bom presidente da República. Em nenhum momento vamos colocar condição de loteamento de cargos, de fisiologia, de indicação, para que ele tenha condição de chegar ao Palácio do Planalto como presidente eleito e possa constituir a melhor equipe que um presidente já teve no país. Essa é a única condição que a gente coloca.
Para crescer nas pesquisas, obviamente, quando chegar o momento das eleições, pela experiência, pela observação política que o senhor tem, o senhor vê esse espaço em uma desidratação do presidente Jair Bolsonaro, uma desidratação do ex-presidente Lula ou um espaço próprio da terceira via de conseguir juntar esses votos de tanta gente que tem na terceira via hoje, dentro de uma candidatura só?
Hoje, com a eficiência dos meios de comunicação, das redes sociais, é muito fácil a pessoa se apresentar. O Rodrigo não é nem pré-candidato ainda e ele já aparece nas pesquisas. Apareceu em uma pesquisa com 3%. Na maior parte delas está aparecendo com 2%, sem se apresentar como candidato. Em Minas Gerais, o seu Estado, várias pesquisas já estão colocando o seu nome com quase 10% para presidente da República. Eu sinto, em São Paulo, que é o meu Estado - eu tenho procurado acompanhar sempre que possível as suas reuniões -, que ele conquista as pessoas com a maneira com que ele se apresenta, o seu conhecimento. Então, o seu crescimento será orgânico. Não vamos aí sair gastando dinheiro, não. Nós vamos fazer o que a gente está fazendo aqui, falando dele, mostrando as suas qualidades, mostrando que o Brasil precisa dessa transformação. Nós não podemos mais conviver com esse ódio entre as pessoas, onde as pessoas não se respeitam mais, elas odeiam quem pensa diferente. O Rodrigo ele é justamente isso. Ele passa essa certeza de que ele vai promover o fim do ódio, vai acabar com o ódio.
Esse é o foco, a mensagem vai ser essa?
Não apenas essa. Eu acho que essa é uma mensagem importante, mudar mas com tranquilidade, com serenidade. Temos que acabar com essa história de que quem perde a eleição vai torcer para o quanto pior melhor. Imagina! Somos brasileiros, a democracia engloba a eleição. Quem perde a eleição, vamos fiscalizar, mas vamos trabalhar para o Brasil dar certo. E quem ganha a eleição, deixa de lado essa história de querer massacrar os vencidos, vamos chamar para conversar, vamos ter uma boa convivência, vamos respeitar governo e oposição, porque dá para trabalhar junto, mesmo você tendo aqui e uma oposição. Até porque a democracia precisa da oposição para fiscalizar, para ser uma alternativa. Então, a candidatura do Rodrigo Pacheco vai representar tudo isso.
Tem-se comentado também sobre uma possível aliança do PSD com o PT na eleição presidencial, talvez encabeçando o ex-presidente Lula e o PSD entrando na candidatura do vice a presidente. Tem alguma chance de isso acontecer e talvez o Pacheco ir, por exemplo, para o governo de Minas. Há alguma chance de o PSD abrir mão da candidatura ao Palácio do Planalto?
Deixa eu lhe falar: eu posso primeiro falar pelo partido. Modéstia à parte, eu sou fundado do partido, sou presidente do PSD e eu posso lhe afirmar aqui, qualquer um pode me cobrar, o PSD terá candidatura própria à Presidência da República. Isso é irreversível, é uma decisão tomada. Agora, falo por mim, não posso falar pelo Rodrigo. Eu acho que será o Rodrigo, porque só não será se ele não quiser.
Se ele não quiser terá um outro candidato?
O PSD vai ter candidato à Presidência da República. É uma decisão tomada, é importante para a democracia, os partidos têm que ter candidatura. Eu trabalhei muito para aprovar o projeto em 2017 que acabou com a coligação nas eleições proporcionais de vereador, de deputado estadual, deputado federal. Para quem não sabe, são as eleições proporcionais. Felizmente, vencemos e mantivemos a lei. A partir da próxima legislatura eu vou trabalhar também com a coligação nas eleições majoritárias. Não tem nenhum sentido um partido existir para apoiar o candidato de outro partido, ainda mais em uma eleição de dois turnos. Então, para que existir? Então, o PSD terá candidatura. Em Minas Gerais, quem fala por Minas é o diretório estadual, mas eu posso lhe afirmar também meu sentimento: o nosso candidato será o Alexandre Kalil, que fez uma extraordinária gestão, está fazendo à frente da Prefeitura de Belo Horizonte, com aprovação de quase 80%. Ele se elegeu no primeiro turno e tem todas as condições para se apresentar como um bom candidato. Porque um bom prefeito de Belo Horizonte, ele está sendo um bom prefeito, com certeza será um bom governador. Ele não começou a campanha ainda, todos sabem, mas no momento que começar e se definir mesmo publicamente como candidato, ele terá todas as condições de mostrar por que é importante para Minas Gerais tê-lo como governador.
O senhor disse que o Pacheco só não vai ser o candidato do PSD se ele não quiser. Caso ele não queira, o partido tem um plano B para o Palácio do Planalto?
O plano A, B e C do partido é Rodrigo Pacheco.
Falando um pouco das disputas estaduais, o partido está se estruturando para ter candidatos em vários lugares. O senhor inclusive citou em Minas Gerais o nome do Kalil, embora também o senador Carlos Viana, que é do PSD, muitas vezes diz que é interesse ser candidato ao governo...
O senador Carlos Viana, hoje, é um dos senadores mais respeitados do Congresso Nacional. Em pouco tempo ele conquistou a todos por sua cultura, sua seriedade, sua transparência. Ele tem a legítima aspiração de postular uma candidatura a governador, assim como o Alexandre Kalil. Eu tenho plena convicção de que haverá um entendimento maior em Minas Gerais envolvendo o Rodrigo Pacheco, o Carlos Viana, (Antonio) Anastasia, Alexandre Silveira, Alexandre Kalil, que vai levar rumo a Minas Gerais a ter um projeto com muita unidade para o bem de Minas Gerais e para o bem do Brasil.
Uma situação que parece ainda não estar muito clara é a de São Paulo. O PSD fala do apoio ao Geraldo Alckmin, independente dele ir para o PSD ou para o União Brasil, já estão falando que ele pode ir para o União Brasil. Mas a gente vê muitas discussões a respeito das conversas do Alckmin com o próprio Márcio França, que quer ser candidato, com o próprio José Luiz Datena, o próprio PDT do Ciro Gomes, com quem você tem uma boa relação. Como está em São Paulo essa estruturação de uma candidatura do Alckmin em São Paulo? É esse o caminho mesmo do PSD? E com quem se conversa nesse sentido?
O caminho do PSD em São Paulo é apoiar o Geraldo Alckmin. Ele é um quadro da vida pública, dos melhores, muito bem preparado. O Geraldo, na sua vida pública, só fez coisa boa, pessoa admirada e respeitada por todos. O PSD o convidou para se filiar, nós temos uma esperança e um sentimento muito positivo em relação à vinda dele. A decisão será dele, evidentemente, então vamos aguardar. Será o nosso candidato. O Datena tem o nosso compromisso que, se ele quiser ser candidato ao Senado, ele terá a legenda do partido. Tem o compromisso. Temos também o querido amigo Paulo Skaf, que está examinando a possibilidade, também muito qualificado, ambos preparadíssimos para ser candidato a senador e representar São Paulo no Senado. Portanto, nós vamos aguardar um pouco para as definições que devem estar para acontecer, mas a gente caminha sim para ter esses quadros juntos em uma eleição no Estado de São Paulo e em harmonia com o Rodrigo Pacheco, candidato a presidente da República.
E no Rio de Janeiro? Tem o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, e o atual prefeito Eduardo Paes. Como vai ficar o Rio de Janeiro nas eleições do ano que vem?
A condução do processo sucessório no Rio de Janeiro estará aos cuidados, sob a responsabilidade do diretório local presidido pelo prefeito Eduardo Paes. Ele tem manifestado a vontade de que o partido lance o Felipe Santa Cruz, presidente da OAB Nacional, uma pessoa muito respeitada, como candidato a governador. E eu percebi, em um evento com uma dimensão muito grande que aconteceu nos últimos dias no Rio de Janeiro sob o comando do Eduardo Paes, com lideranças do Estado inteiro e muito peso político, uma sinergia muito grande do Felipe Santa Cruz com o eleitor carioca. Eu percebo uma vontade do eleitor carioca muito, mas muito forte de mudar as coisas lá. E a mudança lá é o apoio do Eduardo Paes para o Felipe Santa Cruz. Então, eu acredito que lá no Rio de Janeiro nós queremos sim uma base bastante consolidada sob o comando do Eduardo Paes a favor da candidatura do Felipe Santa Cruz.
Do ponto de vista do cenário nacional, além do Rio, São Paulo e Minas, o partido está imaginando que pode competir com condições de ganhar em quantos estados?
Não há candidato que dispute as eleições pensando em derrota. Então, todos os candidatos que saem para governador... Hoje nós temos bem encaminhado um processo de construção de 14 candidaturas a governador, 14 Estados. Eu acredito que a gente possa chegar até a 20, o que vai mostrar uma presença do partido no cenário nacional importante. Enquanto os outros partidos ficam discutindo dinheiro, tempo de televisão, nós estamos mostrando para o Brasil que a gente está preocupado em ter bons quadros e boas propostas. Porque as campanhas hoje são muito mais baratas e o tempo de televisão continua sendo muito importante, mas as redes sociais têm um custo muito baixo, elas têm uma importante igual hoje.
Voltando um pouco para essa coisa do cenário nacional, o senhor já descolou ali do governo do presidente Jair Bolsonaro...
Posso corrigir? Descolou não. Nunca colamos.
Mas o partido dentro do Congresso Nacional os parlamentares são bem alinhados com o governo federal. Ao menos uma parcela.
Não. Também não. Qual a nossa história com esse governo? O PSD apoiou nas eleições de 2018 a candidatura do Geraldo Alckmin. Apoiamos e fizemos campanha. No segundo turno, o Geraldo Alckmin não foi. No segundo turno o partido liberou. Cada militante, cada filiado, cada parlamentar, ex-parlamentar, dirigente votou de acordo com as suas convicções. Eleito o presidente Bolsonaro, o partido se declarou independente. E é independente até hoje. E como o partido é independente, o parlamentar pode estar mais próximo ou mais distante. O partido é independente. Não vamos colocar camisa de força. O que tem acontecido com nossos parlamentares, sejam os deputados federais, sejam os senadores, é que os projetos que eles acreditam que sejam bons para o Brasil eles estão votando. E eu acho que eles estão corretos. A gente não pode fazer como fazem alguns partidos: torcer e trabalhar pelo quanto pior, melhor. Se a gente acredita que é um projeto bom, se eles acreditam, eles votam a favor. Se eles entendem que não é bom, eles votam contra.
E fazendo uma avaliação geral sobre o governo hoje. O PSD teve um momento de maior tensão com a discussão do impeachment quando houve o evento do 7 de Setembro. De lá para cá, o presidente deu uma diminuída no tom, fez aquela carta e tudo. Como o senhor avalia hoje a situação do governo federal do ponto de vista das chances efetivas que o presidente Jair Bolsonaro pode, a partir desse governo, ter nas eleições de 2022?
Vamos ser claros: é um mau governo. Primeiro, o problema do planeta ao longo dos últimos anos foi essa pandemia, e o presidente não teve uma postura adequada. É o líder maior do país, quem deveria nos conduzir. E (ficou) dando sinalizações erradas, equivocadas, incentivando aglomerações, recusando vacinas. Uma postura negacionista. No início dessa pandemia, a Pfizer, que reconhecidamente era a melhor vacina, ofereceu 100 milhões de doses para que o Brasil pudesse aqui ser um importante avalizador da vacina. O governo recusou. Quantas dessas 605 mil pessoas que morreram não teriam morrido se tivessem tomado essas 100 milhões de doses? Eu lembro de um episódio que o presidente tirou a máscara de uma menina. Há três dias ele associou a vacina à possibilidade de a pessoa ter Aids. Quer dizer, não tem noção das coisas. Postura ruim. Agora, a inflação. A inflação média brasileira é de 10% hoje. mas é média, porque a inflação na alimentação é quase 25%. Dos combustíveis, muito maior. E a grande parte da população, que está nas classes C, D e E, ela tem então uma inflação alta, porque o seu poder aquisitivo é todo concentrado na alimentação e combustível basicamente. Então, a carne, o arroz, o feijão, o combustível, estão com uma taxa de 23%. O que significa isso? Se a pessoa em janeiro ganhava R$ 1.000, ela em dezembro vai estar ganhando o equivalente a R$ 750. Então, o que ela comprava em janeiro ela vai comprar 25% a menos em dezembro. Então, não tem como eu avaliar de uma maneira positiva esse governo. É importante ser apresentada uma alternativa.
Mas o senhor entende isso como uma solução que se dá na eleição. O senhor não é a favor hoje de um processo de impeachment?
No dia 7 de Setembro, as manifestações dele levavam ao impeachment. Eu mesmo publicamente defendi a abertura de um processo. Porque ele disse que iria enfrentar o Judiciário, não ia atender as suas decisões, não é? No momento em que ele se desculpou e disse que não iria acontecer, perdeu a razão. E acho que ele teve um desgaste muito grande, pois gerou uma instabilidade. O voto é um negócio muito sério. Nós temos que conviver com processo de impeachment, É importante que exista na democracia essa alternativa, mas tem que ser adotado numa situação necessária e que se justifique. Nós não podemos banalizar o impeachment, senão você está desvalorizando o voto.
E o trabalho da CPI da Covid no Senado, que citou crimes relacionados ao presidente Jair Bolsonaro, que agora vão ser avaliados pela Procuradoria Geral da República, o que o senhor avaliou desses crimes apontados pelo Renan Calheiros no relatório da CPI da Covid ao presidente Jair Bolsonaro?
Eu vi com muita tristeza, sinceramente. É muito triste, não é? Esses indiciamentos, essas acusações, agora o encaminhamento será feito para que possa ser deflagrado o processo, mas vejo com muita tristeza. Essa CPI nos revelou coisas inimagináveis. Corrupção na compra de vacinas, corrupção no Ministério da Saúde. Eu não imaginava que a atuação, só para ficar no campo da pandemia, fosse tão desastrada.
O senhor falou da questão inflacionária, da dificuldade, do poder de compra das pessoas que vai se enfraquecendo com a inflação em alta. A gente tem vivido um debate muito grande hoje acerca do Auxílio Brasil, de como financiar esse Auxílio Brasil, e aí esse debate sobre fura o teto ou não fura o teto. Como o senhor está vendo esse debate hoje, essa solução que até agora o governo está tentando apresentar, por meio da PEC dos Precatórios, e mudando o reajuste do teto?
Vamos começar pelo final: eu defendo o Auxílio Brasil. Ele é fundamental para atender a necessidade do brasileiro e, em especial, dos menos favorecidos. Ponto. Questão resolvida. Agora, eu também defendo a responsabilidade fiscal. Num Orçamento de trilhões, não é possível que não se separe R$ 25 bilhões, R$ 30 bilhões, R$ 35 bilhões para Auxílio e não consiga resolver o resto do Orçamento dentro do teto de gastos. É inadmissível. Algo impensável. Então, eu defendo esse Auxílio, vou continuar defendendo, como sempre defendi o Bolsa Família, vou continuar defendendo, mas eu sou daqueles que defende a responsabilidade fiscal. Me estranha muito o Ministério da Economia, a essa altura, estar se esquecendo da importância, para qualquer país, da responsabilidade fiscal. Não há investidor que acredite em um país que não tem responsabilidade fiscal. E quando um investidor, seja brasileiro seja o de fora, passa a não acreditar no país, aí você começa a ter um desemprego maior, que já é muito alto. Se eles não acreditam, vão para outro país. Se não investem não há novas empresas. Essa postura do governo, que beira a irresponsabilidade no campo fiscal, ela vai atrapalhar muito o nosso futuro.
O senhor falou sobre inflação, teto de gastos, Auxílio Brasil, o senhor é economista. Como o senhor avalia que a condução da equipe econômica do governo federal em geral vai impactar nas urnas no ano que vem?
Já está impactando, não é? A avaliação do governo é ruim. O presidente vai ter uma dificuldade muito grande na sua reeleição, porque a prioridade, nas discussões, será no campo da economia. E na economia, tendo a inflação como carro-chefe das discussões, vai trazer para o governo um desgaste muito grande e isso vai contribuir para que ele não tenha um bom desempenho nas eleições.
No fim das contas, o senhor considera que esse tema da economia, da inflação, é o grande tema das eleições, o senhor acha que o debate da pandemia vai estar resistindo até as eleições, ou esse debate sobre o Brasil estar unido ou não estar... qual o principal tema que vai ser tratado em 2022?
Essa pandemia mostrou com muita clareza o quanto é importante a gente ter um ensino público de qualidade. O quanto é injusta a situação no Brasil, comparando-se àqueles que têm poder aquisitivo com aqueles que não têm. O quanto foi flagrante essa diferença acompanhando as pessoas nas escolas particulares, que tinham nas suas casas muito mais instrumentos de continuar tendo acesso à educação, com aquelas que estavam no ensino público, que não tinham esses instrumentos. O quanto ficou claro essa defasagem nesse período, e nós precisamos corrigir. Eu fui prefeito de São Paulo durante dois mandatos e dei prioridade absoluta à educação. Então, nós temos que cobrar de todos os candidatos a presidente que tenham e deixem com muita clareza essa prioridade e eu espero que o Rodrigo Pacheco também deixe. E tenho certeza de que deixará. Essa pandemia também deixou clara a importância do SUS. Se não fosse o SUS, com seus problemas, nós não teríamos os resultados que nós viemos tendo agora no campo da vacinação, do tratamento das pessoas. Então nós temos que melhorar, investir mais no SUS. O SUS tirou a dúvida de qualquer brasileiro que questionava a sua existência. Hoje, ele passou a ser uma unanimidade no país. Então, vamos, deixando de lado saúde e educação, que devem ser as absolutas prioridades de qualquer governo, deixar claro que a economia terá um papel fundamental nas discussões e nos debates porque, hoje, no dia a dia dos brasileiros, a inflação é o principal problema. As pessoas, muitas delas, em especial as mais pobres, não comem mais carne, têm dificuldade de comprar arroz, comprar feijão no mesmo volume que compravam. Têm dificuldade de abastecer o carro, seja para trabalhar, seja para passear no fim de semana. E isso tudo vai ter um peso grande. E o governo não está conseguindo dar respostas. Muito pelo contrário. A situação se agrava a cada dia, a cada semana, a cada mês. Portanto, deixando claro que a prioridade deve ser saúde e educação, a principal discussão vai ser no campo da economia, principalmente na inflação, e a ineficiência desse governo para resolver esses problemas.
Com a experiência de quem já esteve à frente da Nação e viveu a pressão de ver protocolados vários pedidos para que sua passagem pelo governo fosse abreviada, emedebista considera que o processo convulsionaria o país e terminaria às portas da eleição de 2022
Por Denise Rothenburg e Bernardo Lima* (Correio Braziliensi)
O ex-presidente Michel Temer é enfático ao afirmar que o impeachment de Jair Bolsonaro não traria a solução para a crise institucional entre o presidente com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista, ontem, ao CB.Poder — uma parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília —, ele destacou que seria um processo doloroso e contraproducente, com a possibilidade de se encerrar perto das eleições do próximo ano. Isso deixaria o ambiente ainda mais convulsionado, sem contar que promoveria a paralisia completa do país.
“Todos devem aproveitar esse momento, de certa pacificação, para combater em definitivo a pandemia e recuperar a economia”, recomendou, com a experiência de quem quase viu avançar um processo de impeachment contra ele.
Autor do texto da Declaração à Nação, que serviu para apaziguar os ânimos depois dos inflamados discursos de Bolsonaro insuflando a militância contra os ministros do STF, no 7 de Setembro, Temer acredita na moderação do presidente de agora em diante. Para o ex-presidente, o momento de equilíbrio deve ser aproveitado para levar adiante as reformas administrativa e tributária — que, como fez questão de lembrar, começou no governo dele.
“Com esse documento, os acampamentos de caminhoneiros se desmobilizaram em Brasília. O fato é que, convenhamos, se não houvesse a ‘Declaração à Nação’ dia 9, não sei o que aconteceria no dia seguinte”, salientou, certo de que se evitou algum evento de alta gravidade e que poderia ter o condão de convulsionar mais o país.
Temer afastou, ainda, qualquer hipótese de se ter fechado algum acordo entre Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes, versão que tem circulado nos grupos bolsonaristas. De acordo com o ex-presidente, ele jamais proporia isso ao magistrado por saber que a ideia seria imediatamente rechaçada.
Sobre uma possível candidatura do MDB, partido ao qual ainda é ligado, ao Palácio do Planalto, Temer não acredita nessa possibilidade — embora elogie a competência, a capacidade de trabalho e de articulação da pré-candidata da legenda, a senadora Simone Tebet (MS).
“Tem uma bela pré-candidata, mas não sei se o partido vai com essa posição até o final. O que acontecer pela frente vai determinar a conduta do MDB e dos demais partidos”, observou.
A seguir os principais pontos da entrevista.
A leitura que se fez, logo depois da publicação da nota oficial, foi de que a participação do senhor deu uma esfriada nas manifestações que estavam previstas para o último domingo. Acha que o país afastou o perigo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro?
Ainda há clima para isso?
Não foi o documento que afastou o pessoal da rua, foram as divergências dos vários grupos. Pelo que eu vi pelos jornais, certos partidos não quiseram participar do movimento por não terem o protagonismo — e os organizadores não quiseram que certos partidos participassem. Então, eu penso que não foi o documento que afastou as pessoas das manifestações. A questão do impedimento, vejo do seguinte modo: você abre um processo de impeachment agora; vai durar de sete a nove meses. Vai bater com as eleições e colocar o país numa agitação brutal. Você tem eleição logo aqui adiante, no ano que vem, e as coisas devem se resolver por eleição. Se o presidente for candidato à reeleição, quem quiser votar no presidente vota; quem não quiser, escolhe outro candidato.
Na a avaliação do senhor, não temos tempo para isso e o país precisa trabalhar em outras pautas?
Temos pandemia para combater e economia para recuperar. Acho que os poderes têm que se reunir, o Legislativo e o Executivo fundamentalmente. Mas, de alguma maneira, com apoio do Judiciário e de todos os partidos também. Todos devem aproveitar este momento, de certa pacificação, para combater em definitivo a pandemia e recuperar a economia. Digo para você: não sei se é o caso de fazer campanha eleitoral agora. Tem um ano e dois meses para eleição, muito tempo ainda. Vamos cuidar da pandemia, da economia e deixar o debate eleitoral para o ano que vem.
Na semana passada, o senhor foi fundamental no processo de pacificação do país. Queria que fizesse uma retrospectiva desse encontro.
Na quinta-feira, antes do 7 de Setembro, recebi vários telefonemas de pessoas me pedindo uma ajuda para intermediar esse diálogo. Coincidentemente, o presidente Bolsonaro acabou me ligando no dia 8, pelas 20h, e me convidou para ir no dia seguinte a Brasília. Antes de ir, disse que haveria alguns pontos determinados que achava que deveriam ser assinalados e listei para ele. O presidente disse que estava de acordo, que era para eu levar esses pontos para Brasília que iríamos redigir. É um documento que diz o óbvio, que é cumprir o texto constitucional. Ou seja, preservar harmonia entre os Poderes, pregar pacificação do país e cumprir rigorosamente a Constituição e decisões judiciais. Basicamente, o documento retrata esses episódios que estou avidamente mencionando. Na verdade, com esse documento, os acampamentos de caminhoneiros se desmobilizaram em Brasília. O fato é que, convenhamos, se não houvesse a “Declaração à Nação” dia 9, não sei o que aconteceria no dia seguinte.
O senhor acha que essa promessa de moderação de Bolsonaro é verdadeira? Sabemos que o presidente pode recuar e avançar com facilidade.
A sensação que tenho é de que o presidente vai levar a sério aquilo que assinou — pelo menos torço por isso. Até me surpreendi positivamente com a sinalização extremamente favorável, a significar que o povo brasileiro deseja mesmo essa tranquilidade. Me surpreendi também quando saí do Palácio (do Planalto): logo depois, a Bolsa subiu e o dólar caiu.
Na conversa do senhor com o ministro Alexandre de Moraes, houve um acordo costurado para que o magistrado também não faça mais prisões? Acredita que também vai haver uma mudança de comportamento do Supremo Tribunal Federal?
De fato falei com o ministro Alexandre, mas não houve acordo nenhum. Primeiro, que eu não teria o atrevimento de pedir isso a ele, que é ministro do STF. Segundo, que ele jamais aceitaria essa forma de acordo. O que existe, sim, é uma distensão, a distensão é que poderá produzir bons resultados. Até porque retoma-se um diálogo mais aprofundado entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
O MDB vai ter candidato à eleição presidencial de 2022? O senhor acha que é preciso que o partido se lance em uma candidatura solo ou seria melhor reunir vários partidos em uma terceira via para enfrentar a polarização?
Essa coisa de terceira via é fundamental ao eleitorado. Mas, com toda franqueza, estou achando complicada essa história. Não acho que os principais cotados da terceira via abram mão da candidatura em dado momento, priorizando só um candidato, o que seria o ideal. Eu sinto que todos os que estão se apresentando vão até o fim, ou boa parte deles. Veja você que se houver muitos candidatos, ganha com isso aqueles que polarizaram, que tem um número maior e mais sólido de apoio.
Já tem gente dizendo que o senhor pode ser o (presidente dos Estados Unidos, Joe) Biden brasileiro. Como vê essa avaliação? Está preparado para disputar a Presidência da República no ano que vem?
Acho que só poderia ser como o Biden em função da idade. Fora daí, confesso que não está no meu horizonte. O que puder colaborar com o país — o que penso que, modestamente, fiz há poucos dias —, na medida que for convocado, dar palpites, farei com muito prazer. Mas, em relação ao futuro, confesso hoje que não penso em me candidatar. Até brinco que estou com mais prestígio hoje do que tinha quando era presidente, mas eu acho que isso é fruto do reconhecimento do meu governo. Passou muito rapidamente; achava que demoraria mais tempo — e você sabe como aquelas pessoas tentaram me prejudicar e acabaram atrapalhando o país. Então, em relação às manifestações de “Biden brasileiro”, tomo isso como reconhecimento ao meu governo.
O senhor acha que o MDB vai lançar mesmo a (senadora) Simone Tebet? Vai defender que o partido tenha candidato ou aposta nessa tentativa de união dos partidos?
Conheço o MDB há muito tempo. Sempre foi assim: querem lançar candidato e, muitas vezes, acabam não lançando. Hoje, tem uma bela pré-candidata, a Simone Tebet, mas não sei se o partido vai com essa posição até o final. Não há condições de fazer uma análise como essa a mais de um ano das eleições. O que acontecer pela frente vai determinar a conduta do MDB e dos demais partidos.
Há clima, hoje, para retomar as votações da reforma tributária e administrativa? Ou essas pautas vão ter que ficar para depois da eleição de 2022?
Acho que antes do dia 9 deste mês não havia clima algum. A partir do dia 9, particularmente depois da declaração (de Bolsonaro à Nação), acho que há algum clima que poderá permitir o prosseguimento das reformas, que começaram em meu governo. É preciso continuar com aquilo que chamo de simplificação tributária, com a reforma administrativa. Au acho que há clima, sim. Não se deve esperar as eleições para fazer isto, vamos fazer já! Temos tempo agora, neste ano e praticamente metade do próximo para caminharmos com essas reformas.
No próximo dia 15, o senhor tem um encontro com (os ex-presidentes) Fernando Henrique Cardoso e José Sarney. Como vai ser esse encontro?
É uma preparação para um projeto futuro ou serão ideias para o atual governo?
Vamos dizer obviedades que, na verdade, precisam ser repetidas, porque, muitas vezes, as pessoas se esquecem disso. Vamos falar sobre democracia, o Estado de Direito, como se deve preservá-lo. O debate será nessa linha, o que pensamos em matéria econômica e política no país. Penso que será tudo pautado no texto constitucional. Diremos obviedades porque acho que, nos últimos tempos, as pessoas se esqueceram das coisas mais triviais
Por Eduardo Katah e Pedro Venceslau
O senador Tasso Jereissati (CE) admitiu em entrevista ao Estadão que pode formar uma frente com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e com o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio para enfrentar o governador de São Paulo, João Doria, nas prévias presidenciais do PSDB marcadas para 21 de novembro. Expresidente do partido, Tasso reconheceu que o paulista é o favorito na disputa interna.
De volta ao Senado de forma presencial, o tucano, que já tomou as duas doses da vacina contra a covid, também avaliou o cenário econômico como "péssimo sob todos os aspectos" e disse que a elite financeira e empresarial do País "demorou muito" para reagir ao presidente Jair Bolsonaro. "Estamos vivendo a tempestade mais que perfeita. É lastimável, mas tudo isso poderia ter sido evitado", declarou.
João Doria disse no programa Roda Viva que o sr. havia desistido das prévias do PSDB. Depois disso, Eduardo Leite afirmou que o sr. e ele estarão juntos na eleição interna. O sr. fechou uma aliança com Leite?
Soube com um certo espanto e, em um primeiro momento, sem acreditar que o governador Doria afirmou que eu tinha desistido. Fiquei realmente surpreso. Nunca disse isso para ninguém ou conversei com o próprio Doria. Tenho uma afinidade muito grande com o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e com o Arthur Virgílio, do Amazonas. Estamos fazendo um esforço muito grande para termos uma candidatura só nas prévias que possa competir com o Doria. Evidentemente que Doria, como governador de São Paulo, onde o partido é maior, leva vantagem. Ele polariza dentro do partido. Para haver uma competição justa no PSDB, fazer alianças é importante. A probabilidade de uma aliança com Eduardo Leite e Arthur é grande. Estamos avaliando qual será a melhor alternativa, sem nenhum tipo de projeto pessoal, qual dessas candidaturas pode agregar mais os outros partidos de centro.
Então no ato da inscrição das prévias é provável que seja apresentado apenas um nome?
É possível.
O sr. não está viajando e fazendo uma campanha ostensiva nas prévias. Sua candidatura é para valer ou está marcando posição?
Minha posição ajuda a fazer esse trabalho de agregar. Meu nome está colocado de uma maneira descontraída, sem que isso seja um projeto pessoal.
Por que o sr. decidiu encontrar o ex-presidente Lula?
Porque todos os homens de bom senso deste país que entendem um pouco de história sabem que o ódio e o radicalismo não levam a coisa alguma. Se não tivermos a capacidade de dialogar com todas as correntes de pensamento, da esquerda à direita, da região Sul ao Norte, vamos ficar parados vendo essa decadência. O diálogo é fundamental. Não é a primeira vez que encontro com o Lula. Dialogar não significa ser cooptado ou cooptar. Somos muito diferentes em relação ao PT, mas queremos ter as portas abertas para dialogar.
A ideia é abrir diálogo com o PT para o partido estar junto com o PSDB na eventualidade de um segundo turno contra o presidente Jair Bolsonaro?
Não necessariamente para o segundo turno, mas para governar. Se nós ganharmos as eleições, vamos precisar ter um diálogo com o PT. Não é bom para o Brasil viver em um clima de confronto. Pelo que conversamos, o presidente Lula está consciente disso.
A terceira via tenta consolidar um nome. Ela está disputando uma vaga no segundo turno contra Bolsonaro ou Lula?
Se você me fizesse essa pergunta há quatro ou cinco meses, eu diria que nós iríamos disputar com um dos dois. Mas, pelo cenário de hoje, estaremos disputando o segundo lugar com Bolsonaro. Mas tem muita água para rolar. O Lula está muito preservado. Todos os canhões estão virados para o Bolsonaro. Na campanha os canhões vão se voltar para o favorito. As coisas mudam. Nosso objetivo é fragmentar o menos possível a candidatura de centro.
Na votação na Câmara sobre o voto impresso, 14 deputados do PSDB apoiaram a proposta, o que contrariou a orientação da Executiva do partido. O que isso significa?
Lamento muito. Não é a cara do PSDB, que nasceu com uma inspiração democrática e social. Critico de forma veemente o voto impresso e o fundão eleitoral.
Que leitura o sr. faz desse recente confronto entre o governador João Doria e o deputado Aécio Neves?
Lamento. Já fiz essa autocrítica quando fui presidente interino do PSDB. Está na hora de sairmos desse mundo de xingamentos e ofensas. O momento é de baixar a bola e reconciliação. Chega de ódio.
Qual é o significado da adesão do deputado Rodrigo Maia ao projeto do Doria para 2022?
Respeito muito o Rodrigo Maia, mas não vejo nenhuma sinalização política relevante.
Como é a sua relação com Ciro Gomes? Se ele estiver mais bem posicionado em 2022, pode ser o nome do centro?
A minha relação com ele é a melhor possível. Não é de hoje que admiro Ciro. Ele se distanciou um pouco dos potenciais aliados. Ciro é um homem de centro, não de esquerda.
Como essa crise institucional afeta a economia do País?
Infelizmente, estamos enfrentando de uma maneira desnecessária um cenário péssimo sob todos os aspectos. Temos a inflação subindo e começando a sair do controle, 14 milhões de desempregados, uma crise fiscal, a pandemia ainda em evolução e uma crise institucional inédita desde a redemocratização. O presidente da República está alienado dos problemas. Entrou em atrito com o Supremo, que é uma instituição vigorosa, e agora com o Senado. Essa crise institucional que vem da Presidência da República é a gota d'água que está causando um pessimismo gigantesco na economia. E ainda o próprio ministro da Economia dando declarações desastrosas. Estamos vivendo a tempestade mais que perfeita. É lastimável, mas tudo isso poderia ter sido evitado.
Como o sr. avalia as manifestações do 7 de Setembro?
Vou tentar ser otimista. Criou-se uma expectativa enorme ao redor destas manifestações do dia 7 de setembro, mas as declarações do cantor Sergio Reis, que alarmaram o País e foram rejeitadas pela sociedade de uma maneira veemente, podem ter furado um balão que estava crescendo. Aquilo que o cantor falou não era uma bravata, mas a rejeição da sociedade pode ter furado o balão. Tenho a esperança de que pode ser muito menor do que o presidente alardeia.
Como está o debate no Senado em torno da indicação do André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal?
Se o presidente da República mandou a indicação do nome dele para o Senado, tem que votar. Simplesmente ficar segurando não é a melhor conduta. Se (o Senado) não gosta e não quer, então vota e rejeita.
Esse cenário político conturbado pode ter reflexo na votação para a aprovação dele?
Claro que pode. Sem dúvida nenhuma. Apesar de ele ter algumas simpatias, à medida que o presidente exacerba suas posições, isso pode prejudicá-lo.
Essa exacerbação do presidente é reflexo do enfraquecimento do capital eleitoral ou só a falta de rumo do governo?
Essa tática de confronto vem desde o início do governo. O primeiro confronto que ele abriu foi com a classe política. Isso gerou uma incompatibilidade com o Parlamento que paralisou o governo. Ele foi de confronto em confronto. Vira uma coisa meio paranoica.
A sociedade reagiu com um manifesto amplo e contundente que reuniu intelectuais, banqueiros, políticos e economistas contra as ameaças de Bolsonaro às eleições. A elite empresarial e financeira do Brasil demorou a se posicionar contra o governo?
Muito. Desde as eleições, essa chamada elite, com honrosas exceções, dentro de um clima anti-Lula, fez qualquer coisa que fosse contra o PT. E essa qualquer coisa foi sem nenhum tipo de qualificação ou mérito. Quem tinha um pouco de noção previu que isso ia acontecer. Até hoje há movimentos que, em nome do antipetismo, levam o País ao caos em um terreno de ameaça às eleições.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
O presidente do PSD tenta conquistar governos estaduais para a sigla, aposta na terceira via e diz ser triste um país onde poucos levam a sério o presidente, diz ele em um entrevista a revista
Com Revista veja
Um experiente parlamentar costuma brincar que, em meio a uma confusão generalizada provocada por uma catástrofe nuclear, procuraria Gilberto Kassab para saber o que fazer. Atual presidente do PSD, ele já ocupou cargos como o de prefeito de São Paulo e de ministro de Dilma Rousseff e Michel Temer. Não perdeu o prestígio de “oráculo” político mesmo depois de ter sido atingido por suspeitas de corrupção (responde no momento a um processo por corrupção passiva, lavagem de dinheiro, caixa dois eleitoral e associação criminosa, denúncias negadas por ele). Respeitado pela sua habilidade nos bastidores, prepara uma mudança de patamar do seu PSD: a sigla deve ter candidatos próprios e bastante competitivos em alguns dos maiores colégios eleitorais do país, e flerta com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, hoje no DEM, para uma inédita candidatura presidencial. Segundo Kassab, há espaço para um nome de centro romper a polarização entre Lula e Bolsonaro. Nos últimos tempos, aliás, tem subido o tom das críticas ao capitão e enxerga nele sinais preocupantes de quem deseja um golpe.
Políticos da esquerda à direita costumam se referir ao senhor como “oráculo”. Previa lá atrás que o governo atual teria tantos problemas?
Estou acostumado a conviver com resultados que não corresponderam à expectativa. Hoje, mais do que nunca, estou convencido de que a vitória do Geraldo Alckmin teria sido melhor para o Brasil em 2018. A eleição de Bolsonaro não foi boa para o país. Essa é a razão de eu estar entre aqueles que procuram hoje alternativas. Vejo com muita preocupação a continuidade de um governo que tem uma série de problemas e que em nada tem ajudado.
O senhor se surpreendeu com o comportamento de Bolsonaro no governo?
Eu tinha certeza de que ele teria dificuldades para ser presidente. Convivi com Bolsonaro como deputado federal em dois mandatos e não enxerguei qualidades que o credenciassem a ser presidente. Ser candidato e ganhar as eleições não é tudo. Aprendi que o importante não é apenas ganhar as eleições. Se é para ganhar com um projeto ruim, é melhor perder, porque isso vai trazer um desgaste talvez irreversível à sua carreira, e do ponto de vista de políticas públicas a um município, um estado, um país, o resultado será também muito danoso.
Na mais recente crise entre o presidente e o STF, Bolsonaro pediu o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. O que achou desse gesto?
Bolsonaro errou. A tensão no país está sendo criada pelo presidente, e não pelo STF, que tem se manifestado adequadamente. Felizmente, o presidente do Senado rejeitou esse pedido de impeachment. É um absurdo vindo do presidente, porque ele sabe que quem está acirrando os ânimos, provocando tensão, é ele, procurando, intencionalmente ou não, gerar confusão no processo eleitoral. Isso é lastimável para alguém que foi eleito democraticamente por esse sistema de votos. Convivi com a época da apuração em cédulas de papel. Aquele sistema, sim, possibilitava fraudes.
Teme que o presidente tente alguma ruptura democrática caso seja derrotado em 2022?
Tenho uma forte percepção de que ele pensa no assunto, sim, e dá sinais de que deseja o golpe. Ele verbaliza isso. É muito preocupante. Um presidente da República, quando sinaliza um golpe, pode estar brincando ou falando sério. Se estiver brincando com isso, é um irresponsável. Se estiver falando sério, pior ainda. Diante das suas manifestações mais recentes, temos de estar preparados para tudo. Acho que o Supremo e o Tribunal Superior Eleitoral estão se preparando para que ele não tenha sucesso, caso não seja uma brincadeira. O Congresso vai se preparar e eu, pessoalmente, também.
Depois do desfile com tanques de guerra em Brasília, o bolsonarismo está se mobilizando para fazer manifestações barulhentas em 7 de setembro. O senhor teme tumultos?
Espero que sejam atos democráticos, que são sempre bem-vindos. Sobre aquele desfile militar, foi uma piada. Fez muito barulho nos dias que antecederam, provocou polêmica e depois virou galhofa pela maneira como foi feito. É triste, mas imagino que talvez daqui a alguns meses as pessoas vão parar de dar importância a Bolsonaro.
O impeachment já foi mais possível do que é hoje?
Tenho muitas críticas ao governo, mas sempre descartei o impeachment. Não vejo até agora nenhum motivo para isso na conduta do presidente. Ele tem dado opiniões, mas não deu passo concreto em direção a um golpe. Se em algum momento as opiniões virarem ações, o Congresso precisa ser célere e defenderei a ideia de que meu partido apoie o impeachment. O partido nunca fechou questão, mas, quando Bolsonaro ultrapassar essa linha, dentro do partido vou defender o afastamento.
A CPI da Pandemia pode favorecer um clima para o impeachment?
Tem de ter algo concreto, não se pode banalizar o impeachment. Os erros dele na pandemia foram desastrosos, promovendo aglomerações, a demora na compra das vacinas… Tudo isso causou um desgaste de imagem, mas não sei se justifica o impeachment. Justifica, sim, punições, ações do Ministério Público… Se ele avançar mais alguns passos no sentido de trabalhar por um golpe, a Câmara tem o dever de abrir o processo de impeachment.
Além de Bolsonaro, já há outros candidatos em campanha para 2022. O que deve influenciar mais o voto do eleitor no ano que vem?
A vontade de mudar. Hoje, apenas aproximadamente 25% dos brasileiros querem continuar com este governo. A cada semana, a cada mês, está havendo queda na sua popularidade. Há uma aspiração por uma mudança tranquila. O brasileiro não aguenta mais enfrentamento, acirramento de ânimos.
Por que o centro ainda não tem um candidato competitivo?
O eleitor vai escolher isso no momento certo, na pré-campanha vai sinalizar o seu apoio. No Brasil existe a tradição do voto útil, que acontece com muita frequência. Acredito que acontecerá de novo. Aposto em uma proposta nova, conciliadora.
O senhor tem defendido a candidatura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, mas nomes como Ciro Gomes não indicam que abrirão mão da disputa presidencial. Esse número de candidatos correndo na mesma faixa não pode sufocar a terceira via?
É da democracia os partidos terem candidatos. Respeitamos as candidaturas colocadas, não acho que estejamos caminhando para um número excessivo de candidatos. O PSD se preparou para ter seu próprio nome, que é o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Ele tem mais chance de conseguir recolher o voto daqueles que rejeitam os dois extremos.
Pacheco é visto como político conciliador, mas ainda muito desconhecido. Há tempo para fazer dele um candidato competitivo até 2022?
As razões das pessoas para rejeitarem o atual governo é constatarem que está à frente dele uma pessoa sem experiência de gestão, que não estava preparada para ser presidente. É quase uma aventura esse governo, o brasileiro não quer mais isso. Rodrigo Pacheco é um advogado bem-sucedido, bem preparado, com trajetória parlamentar admirável. Não se pode ficar impressionado com pesquisa no momento. Se ele aceitar o convite, muito possivelmente será o candidato que melhor representará a união nacional, o candidato dessa mudança tranquila.
Pré-candidato do PSDB à Presidência, o governador João Doria procura também ocupar esse espaço. Como avalia as chances dele?
Ele tem muita exposição e todos sabem que ele é candidato. Mesmo assim, tem dificuldades. É difícil o governador chegar aos 25% para ir para o segundo turno. As pesquisas também mostram que sua avaliação não é boa.
O senhor descarta apoio do PSD a outro candidato de centro, caso Pacheco não se filie, ou até mesmo uma aliança com Lula?
O PSD só tem seus planos A, B e C, que são: Rodrigo Pacheco candidato a presidente.
Em que medida a volta de Lula à disputa eleitoral e os movimentos dele ao centro podem reduzir o campo da terceira via?
A candidatura do Lula atinge mais a do Ciro Gomes, que tem muitas qualidades, mas o Lula dificulta a ida do Ciro para a esquerda, onde o ex-presidente tem mais força.
Acredita ainda numa candidatura do ex-juiz Sergio Moro?
Ele pode ser um bom candidato ou um bom apoiador. Moro tem um legado, sinaliza aos brasileiros um dos principais agentes públicos no combate à corrupção, com bastante êxito, e também com erros. O problema dele foi aceitar ser ministro de um governo em que muitas pessoas não acreditavam. Isso trouxe complicações à sua carreira, mas ele tem legitimidade para aspirar ao cargo.
Na disputa aos governos estaduais em 2022, seu partido quer lançar candidaturas próprias em estados importantes. Em São Paulo, vai mesmo tirar Geraldo Alckmin do PSDB para enfrentar os tucanos como cabeça de chapa do PSD do estado?
Acho que Alckmin tem vários motivos para se filiar ao PSD, um partido que está arrumado e tem várias lideranças. Ele foi quatro vezes governador, sempre muito bem avaliado. É uma candidatura segura. Só depende dele agora.
O senhor costuma negar que o PSD seja parte do chamado Centrão. O que os diferencia?
O PSD é de centro e não temos nenhum problema de convivência com o Centrão. Como qualquer sigla de centro, o PSD tem preocupação extremada com a saúde pública, com o ensino público, a ciência e as políticas sociais. E isso não é incompatível com algumas políticas públicas que pregam os liberais no campo da economia, como fortalecimento da iniciativa privada. A opinião pública não sabe o que pensam os partidos do Centrão.
O senhor disputou pela última vez uma eleição em 2014, ao Senado, e não foi eleito. Não tem mais aspiração a cargos majoritários?
Estava me preparando para ser candidato a senador, entendo que há circunstâncias favoráveis pela minha relação com prefeitos, com a sociedade, as realizações em São Paulo, o conhecimento e a experiência. Mas as circunstâncias de fortalecimento do PSD, um projeto que eu assumi o compromisso de coordenar, me levaram a deixar de lado a ideia. Penso no futuro em voltar a disputar eleições, mas não em 2022.
Veja
Bom humor e final dramático marcam gravação do ex-presidente com a apresentadora Patrícia Calderón em Fortaleza
Por Jeff Benício
Patrícia Calderón é daquelas jornalistas que não desistem nunca até ficar frente a frente com quem deseja entrevistar, por mais ‘inatingível’ que seja o personagem. Por isso, já conseguiu 3 exclusivas com Lula. As duas primeiras quando o petista ocupava a Presidência da República.
A recente conversa foi gravada na segunda-feira (23) e vai ao ar na íntegra às 8h00 no sábado (28), no ‘Jornal da Manhã’ da Jovem Pan News de Fortaleza. Trechos estão sendo exibidos na programação jornalística da TV Cidade, afiliada da Record TV no Ceará.
“Ele chegou de bom humor, sorridente, me disse estar apaixonado pela namorada (a socióloga Rosângela Silva, a Janja)”, contou Calderón ao blog. “Afirmou ter redobrado os cuidados com a saúde na prisão. Tinha medo de morrer lá. Falou nunca ter pensado em suicídio, mas chorou algumas vezes no cárcere.”
Foram meses de negociação por e-mail e ao telefone com a assessoria de Lula. A apresentadora paulista radicada no Ceará conseguiu o que o ‘The New York Times’ tentou sem sucesso. Comentou-se nos bastidores da gravação que o jornal mais influente do planeta pediu para acompanhar o líder esquerdista pela turnê nordestina e não foi autorizado.
Sagaz, Calderón esticou o bate-papo por 50 minutos, o dobro da duração combinada. “Certa hora, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, surgiu na minha frente e disse, com cara de brava, que era preciso encerrar. Por sorte, eu tinha feito todas as perguntas”, relata Patrícia.
A presença de Lula provocou burburinho entre os hóspedes do Gran Marquise, hotel 5 estrelas diante da praia de Mucuripe, zona nobre da capital cearense.
Descontraído após tomar farto café da manhã, o ex-presidente só mostrou irritação ao falar do atual ocupante do Palácio do Planalto. “O Bolsonaro foi uma criatura feita pela imprensa brasileira. A Rede Globo e a revista ‘Veja’ produziram Bolsonaro. Pariram (Sergio) Moro e Moro é um dos responsáveis por parir Bolsonaro.”
Gravação de quase 1 hora foi acompanhada por assessores e seguranças de Lula
Patrícia Calderón o questionou a respeito das polêmicas diárias lançadas pelo presidente. “Por que ele não gosta de dar entrevista para a imprensa? Por que ele gosta de ele ser o distribuidor de notícia? Por que ele fala as bobagens que quer. Ofende todo mundo. Ele não gosta de nordestino, de negro, de mulher, de LGBT, de sindicato, de trabalhador rural, ele não gosta de preservação ambiental. Ele quer ser diferente. Essa é a vida desse cidadão.”
Ao final da gravação, um momento dramático na sala do hotel transformada em estúdio de TV: o fotógrafo Ricardo Stuckert, que acompanha Lula em todos os eventos, recebeu a notícia de que seu pai havia sofrido um infarto. Ele saiu chorando do local. Houve comoção geral na equipe.
Pouco depois, a notícia da morte de Roberto Stuckert estava nas manchetes dos portais. Foi um importante fotógrafo com passagens por grandes redações, como as da revista ‘Manchete’ e do ‘Jornal do Brasil’. Tinha 78 anos. “Nosso querido Stuckinha precisou se despedir do seu pai, Stuckão. Roberto Stuckert nos deixa um legado imenso. Artístico e histórico”, registrou o perfil de Lula no Twitter.