Com 35 pontos e 107ª posição, país permanece bem abaixo da média mundial (42), segundo avaliação anual da Transparência Internacional
Publicado por Transparência Internacional - Brasil
Em 2025, Brasil repetiu a segunda pior nota (35 pontos, numa escala de 0 a 100) da série histórica e continuou na 107ª posição, entre 182 países e territórios avaliados no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), elaborado pela Transparência Internacional. Em relação a 2024, o Brasil subiu um ponto, variação estatisticamente insignificante, o que indica estagnação.
Divulgado nesta terça-feira (10), o IPC é o principal indicador da corrupção no mundo. Em sua escala, quanto menor a nota, maior é a percepção de corrupção. Nesta edição, o índice avaliou a percepção da corrupção em 182 países e territórios, com base em até 13 indicadores independentes que avaliam a percepção de especialistas, pesquisadores e executivos sobre comportamentos corruptos no serviço público e mecanismos de prevenção da corrupção. No caso do Brasil, foram considerados oito indicadores, como no ano anterior. Detalhes sobre a composição do índice podem ser conferidos em sua nota metodológica.
O IPC é publicado anualmente desde 1995, mas, a partir de 2012, uma reforma metodológica permitiu a análise em série histórica, ou seja, comparar ano a ano os resultados dos países. Na série histórica, o Brasil pontuou melhor em 2012 e 2014 (com 43 pontos), em 2013 (42 pontos) e 2016 (40 pontos). As piores pontuações do país foram registradas em 2024 (34 pontos), 2018 e 2019 (35 pontos), e em 2023 (36 pontos). Desde 2015, o Brasil esteve estagnado abaixo da média global dos países.
O IPC 2025 posiciona o Brasil abaixo da média das Américas (42 pontos) e da média dos 182 países (42 pontos). Os melhores classificados em 2025 foram Dinamarca (com 89 pontos), Finlândia (88 pontos) e Cingapura (84 pontos). Os piores foram Somália e Sudão do Sul (ambos com apenas 9 pontos) e Venezuela (com 10 pontos).
Pontuaram próximos ao Brasil: Sri Lanka (também com 35 pontos); Argentina, Belize e Ucrânia (36 pontos, um a mais que o Brasil); e Argélia, Bósnia e Herzegovina, Indonésia, Laos, Malawi, Nepal e Serra Leoa (todos com 34 pontos, um a menos que o Brasil).
Em 2025, dois novos países — Brunei e Belize — foram incluídos no ranking do IPC, ambos posicionados acima do Brasil.
“Embora o Brasil tenha chamado a atenção internacional em 2025, pela resposta firme e histórica do Supremo Tribunal Federal na responsabilização do ex-presidente Bolsonaro e outros conspiradores que atentaram contra a democracia, também chocou o mundo com casos de macrocorrupção em escala inédita, como INSS e Master, impunidade generalizada mesmo para corruptos confessos e condutas desmoralizantes de ministros do próprio STF. A corrupção também corrói profundamente a democracia e o Brasil precisa, urgentemente, resgatar e priorizar o enfrentamento deste problema”, comenta o diretor executivo da Transparência Internacional – Brasil, Bruno Brandão.
RETROSPECTIVA 2025
Em paralelo ao IPC, a Transparência Internacional – Brasil lança o relatório Retrospectiva 2025, uma análise independente dos principais avanços e retrocessos do país no enfrentamento à corrupção ao longo do último ano. A publicação destaca o agravamento da infiltração do crime organizado no Estado brasileiro e do aliciamento de autoridades públicas, revelado por uma sucessão de casos de grande impacto que expuseram vulnerabilidades profundas em duas áreas da economia formal: o sistema financeiro e a advocacia.
Do início ao fim, 2025 foi marcado por escândalos de macrocorrupção, alguns em escala inédita. O ano começou com os desdobramentos das operações Sisamnes — que apurou comércio de sentenças no STJ por suspeitos internos, advogados e lobistas — e Overclean, que investigou desvios de emendas, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro por meio de contratos públicos envolvendo lideranças partidárias e operando em pelo menos cinco estados. Deflagradas no final de 2024, ambas seguiram produzindo fases e revelações relevantes ao longo de 2025.
Em abril, veio à tona a Operação Sem Desconto, que expôs o maior esquema de corrupção previdenciária da história — atingindo centenas de milhares de aposentados e pensionistas e revelando falhas graves de governança no INSS. Em agosto, a Operação Carbono Oculto, liderada pela Receita Federal e pelo GAECO-SP, revelou um sistema estruturado de sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro por facções criminosas, infiltrado em fintechs, fundos de investimento, postos e distribuidoras de combustíveis. Em novembro, a Operação Compliance Zero (caso Master) escancarou a maior fraude bancária já registrada no país.

A Carbono Oculto merece destaque. Reconhecida como a maior operação contra o crime organizado da história recente, ela marcou uma mudança de paradigma ao priorizar a inteligência financeira da autoridade tributária e a interoperabilidade entre órgãos — abordagem considerada internacionalmente alinhada aos métodos mais eficazes. O contraste com episódios de ação policial bélica com resultados trágicos, como a chacina no Complexo do Alemão de outubro, reforça a importância de uma estratégia baseada em cruzamento de dados financeiros e coordenação interinstitucional.
Por outro lado, o governo federal falhou gravemente na resposta ao escândalo do INSS. As reformas vieram tardiamente e a substituição do ministro da Previdência por um aliado político direto gerou críticas adicionais. As investigações mostraram ainda continuidade do esquema entre gestões, com envolvimento de atores de alto escalão nos governos Temer, Bolsonaro e Lula.
No Legislativo, 2025 consolidou o movimento de captura orçamentária, com crescimento voraz das emendas parlamentares, que mais uma vez bateram recordes e já ultrapassarão R$ 60 bilhões no orçamento aprovado para 2026. A prática se disseminou também por assembleias estaduais e câmaras municipais, como evidenciado por estudo da Transparência Internacional – Brasil que subsidiou decisão do ministro Flávio Dino para estender regras de transparência e controle aos governos subnacionais.
Se o caso Master revelou uma rede poderosa de influência perpassando os três Poderes, foi no Judiciário — em especial no STF — que seus tentáculos se mostraram mais audaciosos. Tornou-se público um contrato ainda inexplicado de R$ 129 milhões entre o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o banco fraudador de Daniel Vorcaro — cifra muito acima de padrões nacionais e internacionais de honorários, incluindo bancas globais envolvidas em litígios transnacionais.

As investigações do caso foram avocadas pelo ministro Dias Toffoli, que imediatamente decretou sigilo máximo e passou a exercer ingerência anômala sobre diligências. Pouco depois, veio à tona que o ministro havia viajado em um jato particular com o advogado do diretor de compliance do Master, alvo da Compliance Zero. Na virada do ano, surgiram revelações ainda mais graves envolvendo negócios imobiliários sem lastro aparente da família Toffoli, com aportes de indivíduos ligados ao Master e à JBS — empresa que já se beneficiou de decisões do próprio ministro.
O relatório da Transparência Internacional – Brasil recomenda investigações independentes, por parte da PGR e do Senado Federal, sobre os fatos relacionados aos dois ministros.
A Retrospectiva 2025 também identifica duas oportunidades para que o Brasil retome a agenda anticorrupção:
a mobilização social que barrou a chamada PEC da Blindagem, demonstrando capacidade de reação da sociedade, com possível superação da polarização; e
a rara e breve coincidência de juízas e juízes de reputação sólida e perfil reformista no comando dos cinco tribunais superiores.
Com apoio social e coordenação institucional, essa conjuntura pode abrir espaço para a aprovação de um Código de Conduta na cúpula do sistema de Justiça, mas avançando para um movimento mais duradouro de transformação das práticas e cultura jurídica no Brasil.
IPC E RETROSPECTIVA 2025
A Retrospectiva 2025 é um relatório qualitativo produzido pela Transparência Internacional – Brasil e lançado tradicionalmente no mesmo dia da divulgação global do Índice de Percepção da Corrupção. A coincidência de datas visa ampliar o debate público sobre integridade e oferecer contexto e análise técnica sobre o ano anterior.
No entanto, é importante destacar que o conteúdo da retrospectiva não guarda relação causal necessária com o resultado do IPC. O índice é compilado pelo Secretariado global da Transparência Internacional com base em fontes primárias independentes, sobre as quais não há qualquer influência da Transparência Internacional – Brasil.
As análises e a seleção de fatos apresentados na retrospectiva são de inteira responsabilidade da equipe técnica da Transparência Internacional – Brasil, a partir de pesquisa e consulta com os principais órgãos de controle. O relatório tem como objetivo contribuir para uma reflexão qualificada sobre os avanços e retrocessos do país no enfrentamento à corrupção.
Reuniões com Andrei Rodrigues e Fachin ocorrem um dia após aprovações para depoimentos de Vorcaro e do próprio diretor da PF
Por Lis Cappi site R 7
Senadores que acompanham o caso do Banco Master pela Comissão de Assuntos Econômicos buscam informações de fraudes financeiras junto à PF (Polícia Federal) e ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Os encontros, previstos para a tarde desta quarta-feira (10), miram detalhes do processo ligado à instituição financeira.
No caso da PF, existe a expectativa de uma conversa com o diretor-geral, Andrei Rodrigues, para o recebimento de orientações que norteiem o trabalho dos senadores.
Na sequência, parlamentares vão ao STF, e pretendem pleitear o acesso a documentos ligados ao caso Master que foram restritos. O pedido será levado diretamente ao presidente da Corte, Edson Fachin.
Ao R7, o líder da oposição no Congresso, senador Izalci Lucas (PL-DF), argumentou que o diálogo é necessário para que os parlamentares tenham acesso a informações importantes.
“Queremos conversar com o diretor da Polícia Federal para ter acesso às informações, inclusive com o presidente do Supremo, porque Toffoli colocou tudo com sigilo, e a comissão tem essa competência de requisitar documentos sigilosos. Então, nós temos que explicar isso para o ministro, para que a gente tenha acesso a tudo”, ressaltou.
Segundo o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), o objetivo do grupo é acompanhar como está ocorrendo a investigação nas diferentes esferas.
“Primeiro, nós precisamos saber quem descumpriu a legislação existente. Responsabilizar, punir e depois alterar a legislação e fortalecer o próprio papel do Banco Central, que, lamentavelmente, demorou muito a fazer a liquidação”, observou.
Comissão deve ouvir Vorcaro
Os encontros foram confirmados durante reunião nessa terça-feira (10). Na ocasião, os senadores também aprovaram 19 requerimentos para oitivas, audiências públicas e pedidos de informações ao TCU (Tribunal de Contas da União) e ao Banco Central.
O dono do Master, Daniel Vorcaro, o seu ex-sócio Augusto Lima, o diretor da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, estão na lista de convidados.
Já as audiências serão destinadas à discussão do caso do conglomerado Master e à atuação das instituições brasileiras. Além disso, têm o propósito de esclarecer as operações financeiras, aquisições de participações acionárias e os investimentos do BRB (Banco de Brasília).
Escândalo do Master
No fim do ano passado, o banco controlado por Vorcaro tinha R$ 80 bilhões em ativos e apenas 4 milhões em caixa. A suspeita é de um esquema de pirâmide, uso de empresas de fachada, triangulação por meio de fundos e carteiras fictícias.
O Master cresceu rapidamente oferecendo CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) com rentabilidade muito acima da média do mercado. Para sustentar o modelo, o banco teria assumido riscos excessivos a fim de conseguir operações que “inflavam” seu balanço.
Entre 2023 e 2024, o Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações. As investigações da PF e os relatórios do BC apontam que o colapso do Master não foi apenas financeiro, mas também institucional.
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira, motivada por “grave crise de liquidez” e “graves violações” às normas do SFN (Sistema Financeiro Nacional).
Lula está bem mais consolidado no eleitorado de esquerda do que o senador no eleitorado de direita, e tem mais votos no centro que o desafiante, indica pesquisa
Por Rodolfo Borges
Pesquisa Realtime Big Data divulgada nesta segunda-feira, 9, reforça o que já vêm dizendo os levantamentos de outros institutos: Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) tem força para ir ao segundo turno presidencial com Lula, mas sua rejeição é muito alta e ameaça sua eleição.
O filho 01 de Jair Bolsonaro aparece com 30% das intenções de voto no cenário que tem Lula (39%), o governador do Paraná, Ratinho Jr. (10%), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (3%), o ex-deputado Aldo Rebelo (2%) e o fundador do Missão Renan Santos (1%).
O cenário muda pouco com os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, no lugar de Ratinho, como candidatos do PSD de Gilberto Kassab.
Flávio é o pré-candidato com maior taxa de rejeição (49% o conhecem e não votariam nele), logo à frente de Lula (48%). O problema para o filho de Bolsonaro é que 33% dizem que já se decidiram por votar no petista, contra apenas 18% do senador.
Outros 17% dizem que poderiam votar em Lula, contra 20% que poderiam votar em Flávio. Apenas 2% disseram que não conhecem Lula o suficiente para opinar, e 13% disseram isso sobre o senador.
Ou seja, Flávio tem rejeição equivalente à de Lula mesmo sendo menos conhecido.
O Realtime Big Data, parceiro de O Antagonista no Lulômetro, ouviu 2.000 pessoas em 6 e 7 de fevereiro e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Direita e esquerda
A pesquisa indica ainda que Lula está bem mais consolidado no eleitorado de esquerda do que o senador no eleitorado de direita, até porque não há outro candidato de esquerda no páreo.
Mas os números apontam também que a maior parte dos eleitores de centro votariam no petista.
Os eleitores ouvidos pelo instituto se dividiram assim: 26% se disseram de centro, 24% de centro-direita, 18% de direita, 17% de centro-esquerda e 14% de esquerda. Apenas 1% não respondeu.
Flávio marca de 61% a 69% no eleitorado de direita, a depender do governador do PSD na disputa, e de 50% a 55% no eleitorado de centro-direita.
Já Lula marca de 86% no eleitorado de esquerda em qualquer dos três cenários testados e de 83% a 85% no eleitorado de centro-esquerda.
Centro
Chama a atenção também um desânimo maior nos eleitorados de direita e de centro-direita: nulos, brancos e não sabem ou não responderam somam 13% e 18%, respectivamente. Nos eleitorados de esquerda centro-esquerda, esse índice é de 8% e 12%, respectivamente.
No eleitorado de centro, que define a eleição entre os polos ideológicos, Lula marca de 38% a 41%, contra 24% a 25% de Flávio.
O desafio de Flávio é atrair esse eleitorado ao mesmo tempo em que defende o legado do pai.
Planalto previa o envio de um projeto com urgência, com votação em até 45 dias, depois do Carnaval
Por Lis Cappi
O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu anunciou avanços da proposta para fim da escala 6x1, sem esperar pelo envio de um texto ligado a mudança de jornada pelo Planalto.
Motta confirmou, nesta segunda-feira (9), que as duas propostas indicadas por deputados foram unificadas em uma mesma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), que está na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
A previsão é de que o texto passe, ainda, por discussões em uma comissão especial.
O caminho de análise pode fazer com que as discussões levem mais tempo do que previa o governo, mas a ideia, segundo Motta, seria para possibilitar a discussão entre setores.
“Vamos ouvir todos os setores com equilíbrio e responsabilidade para entregar a melhor lei para os brasileiros”, afirmou o presidente da Câmara.
Planos do governo
Nos bastidores, havia expectativa de envio de um texto pelo Planalto com regime de urgência Constitucional, que condiciona a votação em um período de até 45 dias, sob pena de trancar a pauta do plenário. O governo ainda pode enviar a proposta.
Em paralelo, existem outras propostas em tramitação no Congresso. A decisão de Motta foi voltada para apensar a proposta mais recente da Câmara, apresentada em 2025 pela deputada Erika Hilton (PSOL-RJ) a um texto que estava em tramitação entre deputados e que já está na CCJ.
No Senado também tramita uma PEC, que já foi aprovada pela CCJ da Casa, no ano passado.
Conteúdo extraído de aparelhos será usado em investigação sobre fraudes no sistema
Por Natália Martins
A Polícia Federal conseguiu acessar integralmente o conteúdo de ao menos um dos celulares de Daniel Vorcaro, empresário ligado ao Banco Master, durante as apurações da Operação Compliance Zero.
Entre os aparelhos analisados está um iPhone 17 Pro Max, além de outros telefones atribuídos ao investigado.
De acordo com fontes envolvidas na investigação, o material reúne mensagens, áudios, fotos e registros de aplicativos, inclusive diálogos com autoridades que ocupam cargos relevantes.
A PF agora faz a separação do conteúdo ligado a possíveis fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional. Informações sem relação com o inquérito serão descartadas.
Após essa triagem, os dados considerados pertinentes seguirão para a Procuradoria-Geral da República e para o Supremo Tribunal Federal. A conclusão do relatório técnico ainda deve levar algumas semanas, já que os investigadores tentam recuperar arquivos apagados.
Mesmo sem autorização da defesa, a Polícia Federal obteve acesso aos celulares de Vorcaro, de parentes, de ex-sócios e do investidor Nelson Tanure.
Em depoimento, o empresário se recusou a fornecer a senha do próprio aparelho, sob o argumento de risco de vazamento de informações pessoais e de relações privadas.
A extração dos dados
A análise ocorreu em uma área de acesso restrito do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília. O conteúdo extraído já integra os autos encaminhados à Procuradoria-Geral da República.
O material terá peso na definição dos próximos passos do inquérito, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, no STF.
Para acessar os dados, a PF utiliza ferramentas especializadas, como o Cellebrite, de origem israelense, e o GreyKey, desenvolvido nos Estados Unidos. Os sistemas permitem a extração de informações armazenadas em celulares com iOS e Android, mesmo quando os aparelhos permanecem bloqueados.
Negativa para acessar celular
No dia em que Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal sobre a negociação envolvendo o BRB (Banco Regional de Brasília), o advogado Roberto Podval justificou à delegada Janaína Palazzo a negativa em autorizar o acesso ao celular do empresário. Segundo ele, a decisão decorreu da falta de confiança na preservação do sigilo.
Antes da acareação entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, Podval afirmou que perguntas feitas durante a oitiva teriam chegado à imprensa cerca de 20 minutos após o encerramento do depoimento.
“As perguntas que foram feitas, e aqui o maior respeito pelas autoridades, mas é bom que se diga, as perguntas que foram feitas hoje aqui pela senhora, que eram perguntas ditas pelo ministro, estavam na imprensa noticiadas quando acabou o ato”, disse Podval.
Ainda conforme a defesa, o episódio teria violado a garantia de sigilo do depoimento, condição apresentada pela autoridade policial ao solicitar acesso ao celular do empresário.
“O Vorcaro nem celular trouxe, que era para não ter o risco de nada. E nós somos surpreendidos 20 minutos depois de acabar a audiência com esse fato. É lamentável e deve ser apurado, porque mexe com coisas importantes, com a vida de todos nós”, afirmou o advogado.