Por Marcos Antônio Correntino da Cunha
Desde a construção de um hospital, de uma clínica médica ou de um estabelecimento assistencial de saúde, a engenharia, nas suas diversas modalidades, está presente. Um hospital pode ser considerado como um complexo composto por uma farmácia, um restaurante, uma lavanderia e um hotel. Na construção de um hospital é necessário observar todos os aspectos de engenharia, como: local ideal da cozinha, lavanderia e do gerador de energia; ventilação e iluminação natural e inclinação das rampas de acessibilidades. As instalações elétricas, de água e esgotos são específicas para os diversos ambientes hospitalares.
Construído o hospital ou a clínica médica, vem a parte mais importante que é a manutenção abrangendo as instalações físicas e dos equipamentos ou aparelhos eletromédicos que são de uso contínuo e constante e devem estar disponíveis para uso imediato durante vinte e quatro horas por dia. As manutenções devem ser preditivas para anteciparem falhas em máquinas e equipamentos, preventivas para evitarem falhas inesperadas e corretivas para realizarem consertos imediatos. O pai da medicina – Hipócrates e a mãe da enfermagem – Nightingale diziam que a assistência à saúde não pode causar danos.
Raramente os hospitais e clínicas médicas cumprem na íntegra as determinações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e as resoluções da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) referentes à parte de engenharia para estabelecimento assistencial de saúde.
Com o avanço tecnológico a medicina também avançou bastante e ela muito se deve à engenharia elétrica e eletrônica, as quais podem ser consideradas as mais importantes na manutenção de um hospital.
Vários diagnósticos médicos são incorretos devido à falta de manutenção, calibração e aferição nos equipamentos eletromédicos, como: raios X, eletrocardiógrafos, tomógrafos e aparelhos para ressonância magnética. Todos esses equipamentos têm que trabalhar seguramente com uma energia limpa, sem oscilações de voltagem e frequência. É comum um paciente hospitalar ficar debilitado fisicamente e psiquicamente, reagindo menos ao estímulo elétrico, fazendo com que os riscos sejam maiores que nas condições normais. Os choques elétricos nos hospitais e clínicas ocorrem geralmente nos exames médicos ou em cirurgias e são de altíssimos riscos devido à densidade de corrente ser grande junto ao órgão lesado. Se por acaso em um exame de cateterismo, o vazamento de corrente no cateter ocorrer no coração, a fibrilação ventricular praticamente acontecerá. Uma pessoa numa cirurgia complexa e sendo monitorada por vários equipamentos, tem riscos maiores a sofrer choque elétrico devido ao tráfego indevido de corrente entre os vários aparelhos elétricos diferentes, podendo provocar micro choque que pode ser fatal.
Os hospitais devem ter uma equipe de engenharia clínica com um engenheiro responsável pela manutenção física dos ambientes e acompanhamento da calibração e aferição dos equipamentos eletromédicos.
Marcos Antônio Correntino da Cunha Engenheiro Eletricista especialista em Hidrologia e Recursos Hídricos. Nascimento:22/11/1950 CI: 167.905 SSP/GO – CPF: 056.717.521-91 – Jardim Europa - Goiânia
Agenda externa se sobrepõe e atrapalha planos do petista para avançar em entregas para a eleição
Por Clarissa Oliveira
Superado o susto inicial provocado pelo ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa a dar como consolidado um diagnóstico difícil de digerir: a crise no país vizinho carrega consigo um risco real de impactar na corrida deste ano pelo Palácio do Planalto.
Na prática, a crise implodiu tudo o que o governo Lula planejava para a largada do ano eleitoral. A ideia era abrir 2026 com a agenda voltada às entregas da gestão, muitas delas ainda dependentes de aval no Congresso Nacional.
Depois de um fim de ano turbulento na relação com o Legislativo, o Planalto queria se dedicar a restabelecer pontes. E, quem sabe, destravar medidas estratégicas que ainda seguem penduradas, como a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção.
O novo cenário geopolítico altera totalmente o eixo das discussões. Caem na lista de prioridades as entregas eleitorais de Lula, a agenda econômica, a comunicação da pré-campanha. Entram no foco a agenda externa, o risco de a crise venezuelana extrapolar a fronteira e o temor quanto aos próximos passos do governo Trump.
A relação entre Lula e Trump, em especial, é uma peça delicada nessa equação. O presidente brasileiro encerrou o ano passado celebrando o elo estabelecido com os Estados, em decorrência das negociações do tarifaço.
Neste momento, Lula tenta se equilibrar entre um discurso que condene firmemente o ataque à Venezuela, sem que isso abale profundamente a relação com Trump.
A saída, até agora, tem sido focar o discurso presidencial no respeito ao Direito internacional, na soberania da América Latina e na defesa da pacificação, sem em momento algum voltar as críticas diretamente a Trump. E, também, sem nem sequer citar o nome de Maduro.
Mas o fato de Lula evitar qualquer menção a Maduro não muda o fato de que seus adversários irão explorar à exaustão a vinculação de sua imagem ao ditador venezuelano. Foi exatamente o que se viu nas redes sociais nos últimos dias, com o senador e pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro puxando o coro.
Um desafio de Lula, neste momento, é evitar que o bolsonarismo reative seus canais junto ao governo Trump na esteira da crise na Venezuela. Caso contrário, aumenta o risco de que o presidente dos Estados Unidos possa até mesmo se posicionar publicamente em relação à eleição brasileira, na esperança de aumentar a influência da direita na região.
Por Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Ao apresentar seu novo lema de comunicação, o Governo do Brasil realiza a síntese de uma história em construção e de um legado renovado, que aponta para o futuro. Aqui, peço uma pausa em forma de proposta: que os brasileiros passem a chamar o Governo Federal de Governo do Brasil. Esse é o pontapé inicial dessa síntese. Pode parecer pouco, mas é muito.
É preencher de sentido aquilo que somos em essência. Mais do que apenas uma federação, nos identificamos como nação, o “povo brasileiro”, como escreveu o antropólogo Darcy Ribeiro. É a partir do Governo do Brasil que se apresenta o passo à frente, com uma posição que vai além da simples coalizão.
É uma questão de sentido e de identidade: tomar posição na largada, com o “Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro”. Trata-se de um compromisso assentado em três pilares: a defesa do Brasil, a luta contra os privilégios dos super-ricos e o cuidado com as pessoas.
Mais do que uma frase, avançamos com um posicionamento. Ao dizer que está "do lado do povo brasileiro", o Governo do Brasil se dirige à nação, defendendo nosso país das traições internas e das pressões externas que miram nossas riquezas naturais, nossa soberania energética, a Amazônia e a integridade das nossas crianças na internet.
O posicionamento defende a democracia no país que sofre com o crescimento desenfreado de desinformação, golpes, fraudes e discurso de ódio nas plataformas. Estar do lado do povo brasileiro é promover uma legislação que proteja as pessoas dos crimes digitais. É também defender a gratuidade do PIX, um instrumento que hoje é parte da economia popular e da vida de todos os brasileiros. O posicionamento ratifica um país que decide por si só sobre o seu futuro, com diálogo e soberania, sem submeter-se a outros países.
Estar do lado do povo brasileiro é promover justiça social e combater privilégios dos super-ricos que se arrastam desde o período colonial. O governo que está do lado do povo brasileiro aprovou no Congresso a reforma tributária, que, em 2027, vai zerar impostos da cesta básica e de outros produtos fundamentais para as famílias, como medicamentos.
O novo lema reflete, ainda, um governo obstinado com a redução das desigualdades, corrigindo distorções históricas no Imposto de Renda: pela regra atual, praticamente só os trabalhadores pagam, enquanto quem acumula riquezas vive praticamente isento. Com a proposta do Governo, quem tem mais, contribui mais; quem ganha menos, não paga ou paga menos. Fortalecer a classe média, proteger os mais pobres e construir um país mais equilibrado é estar do lado do povo brasileiro.
Do lado do povo brasileiro, saímos do mapa da fome, alcançamos recorde histórico na geração de empregos e retomamos a economia rumo ao crescimento. Ampliamos a cobertura vacinal, lançamos o “Agora Tem Especialistas”, com mais exames e cirurgias. Geramos oportunidade para que os estudantes fiquem na escola porque existe o Pé-de-Meia, promovendo a maior participação na história do Enem.
É garantir que o desenvolvimento do país não seja reflexo na vida de poucos. Este é o governo que está do seu lado, que trabalha todos os dias para construir um país que cresce sem deixar ninguém para trás.
Não é a primeira vez que nosso país enfrenta a persistência colonizatória, brasileiros traidores ou todos aqueles que insistem em subtrair nossos sonhos. Essas marcas nos convocam a defender não apenas a nossa riqueza como território, mas a riqueza do nosso povo.
Como diz o professor Darcy Ribeiro, “um povo sem peias que nos atem a qualquer servidão, desafiado a florescer, finalmente, como uma civilização nova, autônoma e melhor”. O Governo do Brasil vai seguir firme, defendendo o nosso país, sem abrir mão de estar “do lado do povo brasileiro”.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Por Jener Tinôco
O discurso recorrente sobre a regulação das redes sociais no Brasil expõe, de maneira objetiva, um paradoxo: aqueles agentes públicos que a defendem com tanto fervor o fazem, despudoradamente, a pretexto de defender a democracia. E as justificativas que apresentam já são bastante conhecidas, manjadas, até: combate ao discurso de ódio, à desinformação, às big techs, aos excessos da internet e por aí vai.
A democracia não pode ser uma desculpa para o controle, já que pressupõe um ambiente de liberdade, pluralidade e confronto de ideias.
Impor a regulação das redes sociais dessa forma parece, claramente, uma tentativa de usar a democracia como cortina de fumaça para a implementação de medidas rigorosas que impõem a vontade de alguns, de forma dominante, sem considerar a opinião dos demais.
Como apresentado, esse discurso é bem estranho, enviesado política e ideologicamente, e pode representar um grave retrocesso aos direitos e garantias individuais assegurados na constituição federal.
Quem tanto quer regular as redes sociais pode estar, de fato, tentando controlar o cidadão.
Claro que essa não é a justificativa oficial, mas pode ser a consequência efetiva dessas intenções de regulação: o controle do que o indivíduo pode ou não dizer, pode ou não publicar ou compartilhar.
O Estado não pode ter o direito de decidir o que deve ou não ser dito.
Bom, numa democracia é assim, claro.
A liberdade de expressão não existe apenas para proteger discursos populares ou consensuais, mas, sobretudo, para garantir o direito à divergência, à crítica e à variedade de pensamentos. A tentativa de regulação estatal pode querer atribuir a órgãos quaisquer o poder de decidir o que é desinformação ou discurso de ódio, e criminalizar por isso, o que é extremamente perigoso.
Hoje, o alvo pode ser o discurso de um grupo específico, amanhã, pode ser qualquer cidadão que ousar criticar o poder. Assim, a regulação corre o sério risco de se tornar um instrumento político de coerção e vigilância, ferindo o princípio democrático da liberdade individual, como verificamos frequentemente em todo o mundo.
Não se trata de negar que existam problemas reais nas redes sociais. Fake news, campanhas de desinformação e ataques coordenados de ódio existem e devem ser combatidos, mas por meio do fortalecimento da educação digital, da responsabilização individual com o devido processo legal, e do estímulo à autorregulação das próprias plataformas, não pela imposição de normas amplas e genéricas que abrem margem para abusos e arbitrariedades dos donos do poder da hora. O risco a censura é visível.
Os direitos fundamentais não são concessões do Estado, mas garantias invioláveis da cidadania. Nenhum governo, por mais bem-intencionado que se declare, pode violar esses princípios sob o pretexto de proteger a democracia. Afinal, não há democracia sem liberdade de expressão.
É fundamental, portanto, que a sociedade brasileira compreenda os riscos embutidos nessa regulação das redes sociais tal como tem sido proposta. O debate é necessário, mas deve sempre respeitar os limites constitucionais e preservar as liberdades individuais como valores inegociáveis. Controlar a internet é controlar o cidadão, o que é absolutamente incompatível com um país livre.
Nunca é demais lembrar que toda ditadura começa com uma desculpa e se mantém com a censura.
*Sociólogo, publicitário, especialista em marketing
Josias de Souza
Acostumado a fritar auxiliares, Lula vive uma experiência culinária atípica. Sofre uma fritura reversa. Anunciado há duas semanas como novo ministro das Comunicações, o líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas Fernandes, decidiu se desnomear. A recusa do cargo é descortês, inédita e reveladora.
A descortesia decorre do fato de que, esgotada a fase de sondagem, não se recusa convite de presidente da República. Duas semanas depois da confirmação, a negativa vira achincalhe. Deputado do baixo clero esnobando convite do Planalto é coisa jamais vista. Daí o ineditismo.
A revelação escondida atrás do inusitado é que a captura do Orçamento federal pelo rebotalho parlamentar rebaixou o poder de sedução de Lula. Um ministério estratégico como o das Comunicações virou asterisco. Poderia ser a ambição de gente qualificada. Após servir de vitrine para a desqualificação de Juscelino Filho, tornou-se desinteressante para quem tem muitos interesses, exceto o interesse público.