A demissão ocorre em meio à pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reverter um leilão de venda de gás de cozinha realizado na semana passada
POR NICOLA PAMPLONZ
O conselho de administração da Petrobras demitiu nesta segunda-feira (6) o diretor de Logística, Comercialização e Mercados da estatal, Cláudio Schlosser, que era responsável pelas áreas de vendas e formação de preços de combustíveis.
A demissão ocorre em meio à pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reverter um leilão de venda de gás de cozinha realizado na semana passada, que culminou em ágios de até 117% sobre o preço normal do produto nas refinarias da estatal.
Procurada, a Petrobras não quis comentar o motivo da decisão. Em nota, disse apenas que seu conselho aprovou o encerramento antecipado do mandato de Schlosser. Ele será substituído pela atual diretora de Transição Energética, Angélica Laureano.
Schlosser entrou na Petrobras em 1987 e chegou à direção em 2023, ainda na gestão Jean Paul Prates –o primeiro presidente da estatal no terceiro mandato de Lula, que foi demitido em meio a disputas com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Foi um dos poucos diretores dessa época mantido na posição pela substituta de Prates, Magda Chambriard. Tinha como atribuição principal encontrar mercados para a produção de petróleo e combustíveis da estatal. A formação de preços está dentro dessa atribuição.
Na semana retrasada, à espera de uma subvenção federal para minimizar impactos da guerra no Irã, a Petrobras havia suspendido a realização de um leilão para venda de volume equivalente a 11% do consumo mensal de GLP (gás liquefeito de petróleo), o gás de cozinha.
A oferta foi retomada na semana passada e culminou com elevados ágios sobre o preço normal, irritando o presidente Lula. Em entrevista na quinta (2), ele classificou o leilão como bandidagem e disse que sua realização desrespeitou orientação do governo e da direção da Petrobras.
“Vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, afirmou o presidente da República.
Logo depois, o MME (Ministério de Minas e Energia) e a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) se manifestaram contra o leilão. O primeiro foi à Senacon (Secretaria de Defesa do Consumidor) e a segunda anunciou fiscalização sobre a Petrobras.
Naquele dia, a Folha apurou que a cúpula da Petrobras já estudava cancelar a oferta. Internamente, o discurso da cúpula da empresa reforçava o argumento de Lula: o leilão teria sido feito à revelia da direção.
Nesta segunda, o governo anunciou uma subvenção de R$ 850 por tonelada de GLP importado. O mercado, porém, não sabe como proceder, já que o gás vendido nos leilões foi entregue ao mercado a preços superiores.
“As distribuidoras já repassaram o aumento aos revendedores e esses valores não irão voltar ao patamar anterior”, disse José Luiz Rocha, presidente da associação de revendedores de gás de cozinha.
A entidade pede aumento nos valores do programa Gás do Povo, que garante botijões de graça para 15 milhões de famílias, para acomodar os repasses. Caso contrário, diz Rocha, revendedores começarão a se descredenciar do programa, que é uma das principais bandeiras eleitorais de Lula.
Segundo ministro, proposta prevê jornada de até 40 horas semanais, dois dias de descanso, sem edução de salários
Por Victória Melo
O governo deve enviar ainda nesta semana ao Congresso um projeto de lei para acabar com a escala de trabalho 6x1 - modelo em que o trabalhador tem apenas um dia de descanso por semana.
A proposta será encaminhada com pedido de urgência, o que pode acelerar a tramitação no Legislativo. Pela regra, o texto precisa ser analisado em até 45 dias na Câmara e mais 45 no Senado.
Em entrevista ao SBT News, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que a mudança de estratégia ocorre diante da lentidão na tramitação do projeto atual, que está em formato de proposta de emenda à constituição (PEC).
“[...] a PEC, que é da deputada Erika Hilton, foi protocolada no final de 2024, começo de 2025, há mais de um ano. Foi dado andamento pra ela na CCJ agora, há poucos meses, e a CCJ marcou várias audiências públicas pra poder debater. Depois disso, ainda pode ser criada uma comissão especial. Ou seja, o tempo de urgência da família trabalhadora brasileira não é esse, não é esse tempo do Congresso", disse.
Segundo o ministro, o objetivo agora é garantir uma votação ainda no primeiro semestre.
Pontos do projeto
O projeto terá três pontos principais:
fim da escala 6x1, com adoção máxima de jornada 5x2;
redução da carga semanal de 44 para 40 horas;
manutenção dos salários, sem redução proporcional.
O ministro defendeu que a mudança pode melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.
Leonardo Sica diz que PGR está ‘silente’ sobre a atuação dos magistrados do Supremo
Do Estadão Conteúdo
Representante de 380 mil advogados no estado de São Paulo, Leonardo Sica, presidente da seccional paulista da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), defendeu nesta segunda-feira (6) que ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que pegam caronas em jatinhos particulares devem ser “amplamente investigados”. Para ele, a PGR (Procuradoria-Geral da República), responsável por conduzir eventuais apurações sobre os casos, está “silente” sobre a atuação dos magistrados da corte.
“Eu acho que os fatos precisam ser investigados. Todos os fatos. Por exemplo, ministros recebem carona de jatos particulares. A gente tem que investigar amplamente isso”, disse Sica, após reunião da comissão de estudos para a reforma do Judiciário.
O presidente da OAB-SP citou os sucessivos casos revelados pela imprensa de uso de aeronaves particulares por ministros do Supremo e voos bancados por empresários e advogados com processos na corte.
“A gente espera, e o Conselho Federal da OAB está tentando falar com o procurador-geral da República [Paulo Gonet], levar essa pauta adiante. Porque aí não é o ministro Edson Fachin, ele não pode dar início, como presidente do Supremo”, disse Sica.
“Eu digo para os meus clientes, que às vezes estão preocupados em ter um processo, em ter uma investigação: a melhor situação para quem está sob suspeita é ter uma investigação, porque te permite sair da suspeita”, afirmou.
Kassio Nunes Marques
O ministro do STF Kassio Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com sua mulher em avião particular que pertence à empresa que administra os bens do banqueiro Daniel Vorcaro, a Prime You.
O magistrado foi a uma festa de aniversário na capital alagoana a convite de uma advogada que atua judicialmente para o Banco Master e disse ser a responsável por arcar com os custos da viagem.
O ministro confirmou a viagem e afirmou que foi convidado para o aniversário da advogada Camilla Ewerton Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região).
“No dia 14/11/25, o ministro Nunes Marques e a esposa viajaram para festa de aniversário de Camilla, casada com o desembargador Newton Ramos, que foi colega do ministro no TRF-1. Camilla convidou o ministro e outros casais de amigos e ficou responsável pelo voo e detalhes da viagem”, afirmou em nota.
Alexandre de Moraes
O ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, também pegaram voos em aeronaves particulares de uma empresa ligada ao dono do Master. Documentos obtidos pela reportagem mostram que o ministro voou em avião da empresa de Vorcaro na véspera de reunião com banqueiro.
O gabinete de Moraes classificou a informação como ilação e afirmou que o ministro “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece”.
O escritório de Viviane afirmou em nota que contrata diversos serviços de táxi aéreo e que, entre eles, já foi contratada a empresa Prime Aviation, ligada a Vorcaro. Disse ainda que nem Vorcaro nem seu cunhado Fabiano Zettel estiveram presentes nos voos.
Dias Toffoli
Documentos oficiais indicam que o ministro Dias Toffoli fez pelo menos três viagens de Brasília ao resort Tayayá, no Paraná, do qual foi sócio, usando aviões de empresários, após a venda do empreendimento, em 2025. Um deles era da Prime Aviation, empresa que tinha participação de Vorcaro.
Os outros dois eram de Paulo Humberto Barbosa, que comprou a parte de Toffoli no Tayayá, e de Luiz Osvaldo Pastore, empresário da mineração que levou o ministro a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras em novembro de 2025.
Procurado por meio da assessoria do tribunal e de interlocutores, o ministro não se manifestou.
O documento foi assinado por 28 senadores, incluindo o presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), e o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
POR ISADORA ALBERNAZ
O relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), protocolou nesta segunda-feira (6) um pedido para estender por 60 dias as atividades do colegiado, que se encerrariam em 14 de abril.
O documento foi assinado por 28 senadores, incluindo o presidente da comissão, Fabiano Contarato (PT-ES), e o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS). O requerimento será analisado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Ao pedir mais prazo, Alessandro Vieira afirma que os trabalhos da CPI “transcenderam a análise da criminalidade violenta tradicional” e, por isso, a prorrogação seria necessária para dar continuidade e aprofundar as investigações das fraudes envolvendo o Banco Master.
“Ficou evidenciado que o crime organizado atua hoje com estruturas comparáveis a corporações transnacionais, dotadas de complexas redes de lavagem de capitais que se valem de brechas regulatórias e da cooptação de agentes públicos e privados nos mais altos níveis de poder”, diz o requerimento.
Segundo o relator, a comissão obteve “um volume monumental” de documentos recebidos a partir da investigação do Master, como arquivos decorrentes de quebras de sigilo, o que também “exige o cruzamento meticuloso de dados sensíveis e a realização de oitivas impreteríveis”.
“Trata-se de um trabalho investigativo de elevada complexidade, que demanda tempo, rigor técnico e robustez probatória. O prazo original revelou-se materialmente insuficiente diante da magnitude dos fatos descobertos. A coleta adequada de provas e a análise detalhada, entre outros documentos, dos extensos Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) exigem um período de trabalho que ultrapassa os limites inicialmente previstos”, afirma.
O colegiado foi instaurado em novembro de 2025 na esteira da Operação Contenção, no Rio de Janeiro, que deixou 122 mortos. No entanto, como mostrou a Folha de S.Paulo, o grupo se tornou uma das frentes encontradas pelos senadores para apurar o caso Master diante da resistência de Alcolumbre em abrir uma CPI sobre o tema.
No último mês, a prorrogação da CPI do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) foi decidida pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça, diante da inércia do presidente do Senado em estender as atividades do colegiado.
Como mostrou a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Alcolumbre já fez chegar a seus aliados que não vai instalar uma comissão para apurar as fraudes do banco. Senadores afirmam que ele não vai mexer no vespeiro em ano eleitoral. A avaliação é que o desgaste pode se multiplicar de forma incontrolável, comprometendo diversos partidos.
Exoneração de ministros foi publicada no Diário Oficial; presidente ainda não indicou substitutos
Por Lis Cappi
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, nesta sexta-feira (3), a saída dos ministros Geraldo Alckmin (Desenvolvimento e Indústria) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais).
A exoneração de ambos foi confirmada em edição extra do Diário Oficial, encerrando a rodada de exonerações de ministros. Foram 16 que deixaram os cargos, de olho nas eleições.
A publicação de Alckmin e Gleisi não foi acompanhada da confirmação dos substitutos, o que indica que ainda há negociação para definir os novos comandos dos ministérios.
As duas pastas são tidas como chave em 2026. O ministério do Desenvolvimento tem coordenado as negociações para ampliar a lista de produtos alvo do tarifaço nos Estados Unidos, enquanto a SRI, que estava com Gleisi, é responsável por negociações com o Congresso Nacional.
Trocas na Esplanada
A saída dos dois ministros eleva para 17 o número de mudanças na Esplanada, motivadas em maioria pela disputa eleitoral. Para concorrer a algum cargo em outubro, ministros precisam se afastar da função pública.
A expectativa é de que 16 ministros concorram a um cargo. A maioria ao Senado, com poucas exceções, como o caso de Alckmin, que segue como vice. A outra mudança se dá pelo rearranjo entre o ministério da Agricultura e da Pesca — André Paula foi para a pasta da Agricultura e, ao deixar o antigo ministério, provocou uma troca na Pesca.