Encontro ocorre às vésperas do prazo de desincompatibilização, que marca a saída de ministros para a disputa do pleito de outubro
Com R7 e Estadão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará nesta terça-feira (31) a última reunião ministerial com a atual composição da Esplanada, antes da saída de ministros que devem disputar as eleições de 2026.
O calendário eleitoral estabelece que ocupantes de cargos no Executivo que desejam participar do pleito precisam deixar seus postos até o próximo sábado (4).
A exigência abre caminho para uma reforma ministerial e deve provocar uma série de trocas no primeiro escalão do governo.
Até o momento, está confirmado que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixará o cargo para concorrer ao governo de São Paulo. Também é certa a saída do chefe da Casa Civil, Rui Costa, que deve disputar o Senado pela Bahia.
A expectativa é de que outras mudanças ocorram nos próximos dias, à medida que se aproxima o prazo de desincompatibilização.
Um mapeamento anterior feito pelo próprio governo indicava que mais de 20 ministros eram cotados para deixar os cargos e participar da disputa, o que pode ampliar o alcance da reforma ministerial.
Ministros com saída confirmada
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já deixou o governo e lançou pré-candidatura ao governo de São Paulo.
O chefe da Casa Civil, Rui Costa, também se afastará do posto e concorrerá ao Senado pela Bahia.
Podem disputar governos estaduais
O ministro dos Transportes, Renan Filho, é cotado para disputar o Governo de Alagoas.
O ministro da Educação, Camilo Santana, deve ser candidato ao Governo do Ceará.
Podem disputar o Senado
O ministro do Esporte, André Fufuca, pode ser candidato ao Senado pelo Maranhão.
O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, é cotado para disputar o Senado pelo Amapá.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, é apontada como possível candidata nas eleições.
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, é cotada para uma disputa ao Senado.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, deve tentar a reeleição ao Senado por Mato Grosso.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, deve disputar o Senado pelo Paraná.
Podem disputar a Câmara dos Deputados
O ministro das Cidades, Jader Filho, deve concorrer a deputado federal pelo Pará.
O ministro da Pesca, André de Paula, pode disputar vaga na Câmara por Pernambuco.
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, avalia candidatura a deputada federal pelo Rio de Janeiro.
O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, deve disputar a reeleição como deputado federal por São Paulo.
A ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, deve buscar a reeleição como deputada federal.
O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, também é cotado para disputar vaga na Câmara por Pernambuco.
O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, planeja candidatura à reeleição para deputado.
Podem disputar assembleias estaduais
A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, deve concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Situações indefinidas
O ministro do Empreendedorismo, Márcio França, avalia disputar um cargo eletivo em São Paulo.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, pode concorrer a um cargo por Minas Gerais.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, deve participar da articulação eleitoral e é cotado para compor chapa em 2026.
O ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, deve deixar o governo para fazer o marketing da campanha de reeleição de Lula.
OLHO NO OLHO
Por Edson Rodrigues
A trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva é um dos capítulos mais emblemáticos da história política brasileira. De origem humilde, migrante nordestino e operário metalúrgico, Lula construiu sua liderança a partir das lutas sindicais no ABC Paulista, tornando-se uma voz decisiva na redemocratização do país. Sua ascensão à presidência, após sucessivas tentativas eleitorais, é marcada pela persistência, pela capacidade de diálogo e pela habilidade de se conectar com as demandas populares — qualidades que, segundo o biógrafo entrevistado, são fundamentais para uma condução política bem-sucedida.
Qualidades que inspiram
O biógrafo destaca que Lula soube transformar derrotas em aprendizado, mantendo firmeza de propósito e resiliência diante das adversidades. Sua habilidade de negociar com diferentes forças sociais e políticas, sem perder a proximidade com o povo, consolidou sua imagem como líder capaz de unir e mobilizar. Essa combinação de persistência, diálogo e visão estratégica é apontada como essencial para qualquer político que aspire a construir uma carreira sólida e duradoura.
Programas e conquistas que consolidaram sua imagem
Durante seus dois primeiros mandatos como presidente, Lula lançou programas que se tornaram marcos de sua gestão e reforçaram sua conexão com a população. O Bolsa Família, por exemplo, ampliou o acesso de milhões de brasileiros a condições mínimas de dignidade, enquanto políticas de valorização do salário mínimo e expansão do crédito popular impulsionaram o consumo interno e reduziram desigualdades. Além disso, sua habilidade de articular alianças políticas garantiu estabilidade e governabilidade, mesmo em cenários adversos.
Lições para o Tocantins
No contexto tocantinense, onde muitos líderes ainda buscam afirmar sua identidade política, a experiência de Lula oferece lições valiosas. A capacidade de ouvir a população, de se manter fiel às causas sociais e de articular alianças estratégicas pode servir de guia para aqueles que desejam fortalecer a democracia e ampliar sua legitimidade. Mais do que um exemplo de sucesso individual, a trajetória de Lula mostra que a política exige paciência, compromisso e, sobretudo, conexão genuína com as necessidades do povo.
Confira, abaixo, a entrevista com o biógrafo de Lula, que inspirou esta reflexão:
'PT envelheceu e não há gente nova dizendo não para Lula', diz biógrafo
Adriana Negreiros
Nas mais de 20 viagens internacionais que fez com Lula para entrevistá-lo, o escritor Fernando Morais ouviu do presidente relatos de uma intimidade que, por vezes, soavam desconcertantes. Nessas horas, alertava-o de que estava ali como jornalista, empenhado em coletar informações para os livros que escreveria, e não como amigo. Os dois se conhecem há cerca de 50 anos e têm quase a mesma idade — Morais, 79; Lula, 80.
Tudo o que ele lhe contava, advertia Morais, poderia ser usado na biografia.
A reação de Lula mediante o lembrete era sempre a mesma: "Fernando, você cuida da porra do seu livro e eu cuido da porra da minha vida".

A história não está no segundo volume da biografia "Lula", recém-lançada pela Companhia das Letras (352 páginas; R$ 89,90, livro físico, e R$ 39,90, e-book), mas é contada por Morais para reforçar um traço do personagem que ele constrói no livro: um homem espontâneo, que diz palavrões e age por impulso.
"Do contrário seria um Lula de bronze montado a cavalo na praça, e o leitor gosta de gente", diz Morais.
Com o segundo volume, que acompanha Lula de 1982 a 2002, Fernando Morais considera encerrada a biografia do "operário que chegou à Presidência". Falta ainda a do presidente, que constará do terceiro volume, ainda sem data para lançamento.
Aos 80 anos, cercado por aliados e assessores que não ousam discordar dele, Lula entra na sua última disputa presidencial com uma diferença marcante do líder que Morais apresenta em seu novo livro — um político que detestava o isolamento e tinha no entorno gente disposta a lhe dizer não, ainda que ele costume "espernear" quando contrariado, como revela o biógrafo.
Uma exceção apontada por Morais é o ex-deputado federal José Dirceu, que nem no governo está.
"O PT envelheceu e essa geração nova tem no Lula uma figura muito reverencial", diz o biógrafo.

Nessa entrevista ao UOL, Fernando Morais afirma que Lula precisou "vencer o PT" para se firmar como um político conciliador — exemplo desse seu caráter, diz, foi a aproximação com o ex-governador do Ceará Tasso Jereissati, então presidente nacional do PSDB, com quem planejou formar uma chapa para concorrer à Presidência em 1994.
Também chama a atenção para um aspecto revelado no livro: ao longo de sua trajetória, Lula não conseguiu formar herdeiros de seu projeto político.
A seguir, os principais trechos da entrevista:
Dos que dizem não, só sobrou Dirceu
Na biografia, Fernando Morais descreve situações em que Lula é confrontado por seus interlocutores no PT — hoje, afirma, o presidente não conta mais com aliados dispostos a apontar seus erros.
Desse anel político que cercava o Lula e tinha coragem de dizer não para ele, só sobrou o [ex-deputado federal] José Dirceu. É o único que continua dizendo não para o Lula quando acha que tem que dizer.
O [ex-deputado federal] Luiz Gushiken, que infelizmente morreu, era uma referência muito forte disso. Era um quadraço político, capaz de dizer "Lula, não faz isso que é besteira, você está indo para o caminho errado".
E tem uma coisa curiosa: às vezes, o Lula esperneia muito. São dois traços que aparecem nesse livro. O primeiro é que ele esperneia quando é contrariado. Mas, muitas vezes, acaba aceitando a sugestão que não engoliu primeiro.

Ele tem uma absoluta incapacidade de perder uma eleição. Entra em depressão profunda. Todas as vezes em que perdeu [foram três derrotas na disputa presidencial: 1989, 1994 e 1998], a primeira decisão dele é a seguinte: 'Não volto mais, não brinco mais. Não quero mais participar, não vou ser candidato'. Todas as vezes, acabou voltando.
O partido envelheceu. Não há gente nova dizendo não para o Lula. Essa geração nova que chegou ao PT tem nele uma figura muito reverencial. Esse povo não conviveu com o Lula em porta de fábrica, e sim com o Lula presidente da República, o que já dificulta um pouco dizer: 'Meu caro, você está errado'.
Na parede do escritório, uma caixa de charutos cubanos, presente de Lula (à esq.) e um bilhete do líder cubano Fidel Castro a Morais, em 1977: desejo de "maiores êxitos" ao "jovem e brilhante" escritor
Na parede do escritório, uma caixa de charutos cubanos, presente de Lula (à esq.) e um bilhete do líder cubano Fidel Castro a Morais, em 1977: desejo de "maiores êxitos" ao "jovem e brilhante" escritor Imagem: Daniela Toviansky - 23.mar.26/UOL
A falta de herdeiro político
Ao longo da trajetória como líder político, Lula não conseguiu formar quadros que possam sucedê-lo, avalia Morais. O escritor afirma, porém, que essa é uma preocupação atual do presidente.
Era óbvio que havia três herdeiros: Dirceu, Gushiken e o [ex-ministro] Antonio Palocci. O Gushiken morreu, Palocci saiu pela porta dos fundos, sobrou Dirceu. Mas é difícil imaginá-lo como herdeiro do Lula tendo hoje 80 anos. Então há uma preocupação do Lula em rejuvenescer e refrescar o partido.
Um exemplo é a vereadora de São Paulo Luna Zarattini [a mais votada na história do PT]. O plano dela era esperar para ser candidata a prefeita de São Paulo nas próximas eleições. Lula já a orientou a ser candidata a deputada federal.
A mesma coisa com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges. Há muito tempo não aparece uma liderança sindical disputando a eleição. Ele vai ser candidato a deputado federal.
Há uma preocupação dentro do partido. No livro, dá para ver claramente que as pessoas vão passando, que não surgiu uma geração de herdeiros do Lula.
Curiosamente, Lula cobrava muito isso do [então presidente da Venezuela] Hugo Chávez. Dizia: 'Você vai morrer um dia, eu vou morrer um dia, nós todos vamos morrer um dia. Tem que pensar em quem vai te suceder'. Deu o que deu na Venezuela.
O lado negociador
A ideia de um Lula "paz e amor" em contraposição à do líder radical é uma construção midiática, segundo Fernando Morais. Ele afirma que o presidente sempre teve espírito conciliador, mas não pôde manifestá-lo desde a eleição de 1989 devido a resistências no PT.
Não é uma casualidade que Lula tenha sido formado na luta sindical. Durante o dia, punha 150 mil pessoas no estádio de Vila Euclides [em São Bernardo do Campo]. De noite, era obrigado a ir para Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo] negociar com os patrões.
Esse lado dele de dar porrada no Trump e depois fazer as pazes não tem novidade nenhuma. Esse Lula negociador, que é capaz de distribuir patadas e depois abraçar, soprar e morder ao mesmo tempo é o Lula verdadeiro.
O retrato do Lula radical, do porra-louca, que distribuía patada para todo lado é um traço do Lula. O Lula verdadeiro é esse Lula que negocia.
Até hoje, ele dá a impressão de que leva a sério o seguinte conselho do [economista] Celso Furtado [morto em 2004]: 'Lula, aprenda a conviver com a extrema esquerda, porque é ela que permite que a gente não vá muito para extrema direita'.
Dentro do PT, Lula convive com tendências de extrema esquerda que fazem e dizem o diabo dele.
A chapa que uniria PT e PSDB em 94
O segundo volume da biografia de Lula revela os bastidores de uma negociação que poderia ter resultado na aliança PT-PSDB na Presidência: uma chapa formada por Lula e pelo então presidente nacional dos tucanos, o cearense Tasso Jereissati.
Se dependesse mais dele e menos do PT, Lula teria manifestado isso [o espírito conciliador] na primeira e na segunda eleição [1989 e 1994]. Ele só conseguiu vencer o PT na terceira eleição [2002], quando chamou o [empresário] José Alencar [então no PL] para ser companheiro dele.
Isso talvez tivesse permitido que ele ganhasse a eleição do Fernando Collor em 1989, em vez de fazer uma chapa puro sangue [o vice foi José Paulo Bisol, do PSB]. Então, quando descobri que ele tinha mantido um namoro secreto com o Tasso, em 1994, fui atrás do assunto.
Os dois tinham encontros secretos, tiveram um almoço no restaurantezinho vagabundo que tem perto do Instituto Lula [em São Paulo], na maior moita. Tasso não queria, mas acabou falando comigo sobre a dobradinha. Era Lula presidente e Tasso vice, já estava montado. Eles trocavam bilhetinhos. Tenho uma foto da agenda do Lula: almoço com Tasso Jereissati.
Paralelamente, Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda de Itamar Franco, veio com o Plano Real, que passou que nem um caminhão. Como escrevo no livro, o casamento entre Lula e Tasso não morreu de morte morrida, mas de atropelamento. Foram atropelados por um caminhão sem freio, pilotado pelo FHC.
Se Lula tivesse feito aquela aliança com Tasso, já teria se vacinado contra os preconceitos do mercado e da elite. Isso teria mudado a história do Brasil.
US$ 50 mil para Lula, US$ 5 milhões para Collor

Ao ouvir histórias de Lula, algumas delas engraçadas, Morais preocupou-se em não transformar o livro em um "conjunto de anedotas", como a que envolve o banqueiro Joseph Safra (1938-2020), que era o homem mais rico do Brasil.
Em 1989, Safra se encanta com Lula e faz uma doação de US$ 50 mil para a campanha. Era a maior doação que a campanha tinha recebido.
Foi uma alegria no comitê de campanha, abriram uma garrafa de champanhe nacional para celebrar. Aquela era uma campanha miserável, franciscana, que tinha como único bem um caminhão do Palocci em Ribeirão Preto (SP).

Muitos anos depois, quando Lula já era ex-presidente, ele encontrou Safra, que disse a ele: 'Saí do encontro com você, fui encontrar o Fernando Collor e doei US$ 5 milhões para ele'.
3º mandato não deve ser biografado
No terceiro volume da biografia de Lula, Morais pretende descrever a trajetória do petista entre o primeiro governo (2003-2006) e a vitória sobre Jair Bolsonaro (PL), em 2022. Não tem planos de descrever o terceiro e um eventual quarto mandato — que, na sua avaliação, definirá, caso ocorra, como Lula entrará para a história, em comparação com o ex-presidente Getúlio Vargas (1882-1954).
Acho que nossos tataranetos, quando olharem para esse período, vão ver o Lula como figura mais expressiva do que Getúlio Vargas. E isso quem está falando é um getulista.
Estamos na iminência de tê-lo diante do quarto e último mandato. É esse mandato que vai determinar se ele vai entrar para a história pela porta da frente.
Hoje, se desistir de ser candidato, Lula já faz parte da história do Brasil. De igual para igual com Getúlio Vargas, talvez com mais relevância.
Mas estou convencido de que, se ele for reeleito presidente, é esse mandato que vai determinar a porta da história pela qual ele vai entrar.
Na semana passada, o Estúdio i, apresentado por Sadi, mostrou um infográfico relacionando Vorcaro a figuras como o presidente Lula
Com Folha de Sçao Paulo
A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) publicou uma nota nesta sexta-feira (27) repudiando ofensas e ameaças contra a jornalista Andréia Sadi, apresentadora da GloboNews.
No texto, a associação afirma que ataques nas redes sociais se multiplicaram após a apresentadora ler no ar, na segunda (23), uma nota de retratação da emissora por ter divulgado um infográfico sobre as conexões Daniel Vorcaro, do Banco Master, com políticos e agentes públicos.
“A Abraji repudia de forma veemente as ameaças de intimidação e de violência física e sexual à jornalista Andréia Sadi, apresentadora da GloboNews, e a seus familiares”, diz a nota.
Na semana passada, o Estúdio i, apresentado por Sadi, mostrou um infográfico relacionando Vorcaro a figuras como o presidente Lula (PT), o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo e ao diretório do PT na Bahia.

A arte também mostrava ligação com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP); com o ex-governador de São Paulo João Doria; o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes; o senador Ciro Nogueira (PP-PI); o presidente do União, Antonio Rueda; e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
O infográfico foi publicamente criticado por quadros de esquerda por ter dado destaque a Lula e ao PT, deixando de lado nomes como o do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), fiador político da tentativa frustrada de compra do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília), e o do ministro do STF Dias Toffoli, que foi sócio de um fundo ligado a Fabiano Zettel, operador financeiro de Vorcaro.
Dias depois, Sadi leu no ar uma nota na qual pedia desculpas por apresentar um material “errado e incompleto” e que não deixava claro o critério usado na seleção das informações. Desde então, a apresentadora tem sido alvo de ataques nas redes.
“A Abraji tem como missão proteger a liberdade de imprensa e o livre exercício do jornalismo, que segue preceitos claros, inclusive o da publicação de retratação. Críticas e discordâncias fazem parte de todo ambiente democrático, mas ataques pessoais e tentativas de intimidar ou silenciar jornalistas e seus familiares são intoleráveis em uma sociedade que preza pela democracia, além de cruzarem a barreira da legalidade.”
O relatório final da CPMI é lido nesta sexta-feira, 27, após o Supremo Tribunal Federal (STF) barrar a prorrogação dos trabalhos do colegiado
Com Estadão
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), pediu o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, do senador Weverton Rocha (PDT-MA), do deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e de mais 212 pessoas em seu parecer final.
Para Gaspar, o indiciamento do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “fundamenta-se nos elementos probatórios colhidos ao longo dos trabalhos desta CPMI, bem como nas informações constantes da decisão proferida pelo Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal”.
O relatório final da CPMI é lido nesta sexta-feira, 27, após o Supremo Tribunal Federal (STF) barrar a prorrogação dos trabalhos do colegiado. O prazo de encerramento da comissão é neste sábado, 28.
Gaspar indicou que Lulinha teria cometido os crimes de tráfico de influência, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, organização criminosa e participação em corrupção passiva. “À luz de todo o exposto, e considerando a gravidade dos elementos reunidos ao longo das investigações conduzidas por esta CPMI, pela Polícia Federal e pelos órgãos de controle, conclui-se pelo indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva pelos crimes acima”, afirmou o relator. Lulinha já afirmou anteriormente não ter envolvimento no esquema de fraudes no INSS.
Em relação ao senador Weverton Rocha, o relatório aponta que o parlamentar teve “atuação estratégica como liderança política e suporte institucional da organização criminosa”.
Segundo Gaspar, Weverton atuou como o articulador que garantia a fluidez dos interesses do grupo dentro da administração pública, permitindo a manutenção e expansão do sistema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. Ele foi indiciado pelos crimes de advocacia administrativa, organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
O deputado Euclydes Pettersen teve o pedido de indiciamento sob a alegação de que ele foi figura essencial no esquema de fraudes da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer) e um dos destinatários de propinas. Ele foi indiciado pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e peculato.
Outros dois apontados em investigação da Polícia Federal como principais operadores do esquema de descontos ilegais de aposentadorias tiveram pedido de indiciamento no relatório final da comissão. Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção passiva, inserção de dados falsos em sistema de informática, fraude eletrônica e furto eletrônico.
O Careca do INSS é chamado pelo relator de “principal operador financeiro” do esquema fraudulento de descontos não autorizados em aposentadorias. “Antônio Camilo se consolidou como um dos cérebros da engrenagem criminosa, responsável por movimentar milhões de reais desviados por meio de descontos ilegais em benefícios previdenciários”, afirmou.
Já o empresário Maurício Camisotti teve pedido de indiciamento pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistema de informática, fraude eletrônica e furto eletrônico
“O indiciamento de Maurício Camisotti fundamenta-se em sua posição de liderança estratégica e como beneficiário final de uma das maiores estruturas de arrecadação ilícita contra o INSS, operada por meio do Grupo Total Health (THG)”, disse Gaspar.
Veja os pedidos de indiciamento no relatório da CPMI do INSS:
Abraão Lincoln Ferreira da Cruz
Adeilson Silveira Hora
Adelino Rodrigues Júnior
Ademir Fratric Bacic
Adroaldo da Cunha Portal
Alan do Nascimento Santos
Aldo Luiz Ferreira
Aleano de Souza Guardachoni
Alessandro Antônio Stefanutto
Alexandre Caetano dos Reis
Alexandre Eduardo Ferreira Lopes
Alexandre Guimarães
Alexandre Moreira da Silva
Alexsandro Prado Santos
Américo Monte
Américo Monte Júnior
Anderson Cordeiro de Vasconcelos
Anderson Ladeira Viana
Anderson Pomini
André Luís Alves Guimarães
André Luiz Martins Dias
André Paulo Félix Fidelis
Andrei José Braga Mendes
Anne Carolline Willians Vieira Rodrigues
Antenor de Sousa Neto
Antônio Araújo da Gama
Antonio Carlos Camilo Antunes
Antônio Lúcio Caetano Margarido
Aristides Veras dos Santos
Brenda Aguiar Soares
Bruna Braz de Souza Santos
Carlos Afonso Galleti Júnior
Carlos Alexandre Alvarenga
Carlos Henrique da Rocha Gonçalves
Carlos Roberto Lupi
Carlos Roberto Ferreira Lopes
Cecília Montalvão Simões
Cecília Rodrigues Mota
Cecílio Barbosa Cintra Galvão
Celso Steremberg
Charles Góes Freitas
Cícero Vasconcelos
Cicero Marcelino de Souza Santos
Cleber Oliveira Medeiros
Cristiana Alcântara Alves Zago
Daniel Dirani
Daniel Gerber
Daniel Simas
Daniel Orsini de Azevedo
Danielle Miranda Fonteles
Danilo Berndt Trento
Daugliesi Giacomasi Souza
Davi de Vasconcelos
Dennys Bergkamp Pontes de Sousa Alves
Diego Luiz Nobre Barros
Dogival José dos Santos
Domingos Sávio de Castro
Durval Natário Tosta IV
Eduardo Silva Portal
Edson Akio Yamada
Edson Cunha de Araújo
Eduardo Freire Delmont
Elano Gil Carvalho Xavier
Emanuel Pinheiro da Silva
Eric Douglas Martins Fidelis
Euclydes Marcos Pettersen Neto
Fábio Luís Lula da Silva
Felipe Macedo Gomes
Felipe Vasconcelos Pereira
Fernando Pereira dos Santos
Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti
Francisco Roumes Rodrigues de Aguiar
Francisco Wesley Nascimento dos Santos
Giovani Batista Fassarella Spiecker
Giovanini Cardoso
Gilmar Stelo
Glauco André Fonseca Wamburg
Glauco Daniel Ribas Santos
Guilherme Gastaldello Pinheiro Serrano
Gustavo Marques Gaspar
Gutemberg Tito de Sousa
Hamilton Souza
Haran Santhiago Girão Sampaio
Heitor Souza Cunha
Hélio Marcelino Loreno
Helionay Rodrigues de Sousa
Herbert Kristensson Menocchi
Higor Dalle Vedove Lourenção
Igor Dias Delecrode
Igor Oliveira Freitas
Ina Maria Lima da Silva
Ingrid Ambrózio Camilo
Ingrid Pikinskeni Morais Santos
Ivaldo Carvalho Silveira
Ivânio da Rocha Oliveira
Janete Pereira Lima
Jerônimo Arlindo da Silva Júnior
Joab Félix de Medeiros
Joana Gonçalves Vargas
João Carlos Camargo Júnior
João Milton Carneiro Neto
Jobson de Paiva Silveira Sales
Jonathan de Souza Almeida
José Arnaldo Bezerra Guimarães
José Branco Garcia
José Carlos Oliveira (Ahmed Mohamad Oliveira Andrade)
José Cordeiro de Vasconcelos
José Fernando Costa dos Santos
José Laudenor da Silva
José Lins de Alencar Neto
José Silva Miguel Júnior
José Sarney Filho
Jucimar Fonseca da Silva
Leandro Fagner da Fonseca Alves
Leonardo Cerquinho Monteiro
Leonardo Rolim
Lucas Fonseca da Silva
Lucineide dos Santos Oliveira
Luís Lima Martins
Marci Eustáquio Teodoro
Márcio Alaor de Araújo
Marco Aurélio Gomes Júnior
Marcos Brito Campos Júnior
Marcos dos Santos Monte
Marcus Vinicius Paranhos Faleiro
Maria Eudenes dos Santos
Maria Eunice Ribas
Maria das Graças Ferraz
Maria Gorete Pereira
Maria Luzimar Rocha Lopes
Maria Paula Xavier da Fonseca Oliveira
Maria do Socorro Veras dos Santos
Mauricio Camisotti
Mauro Palombo Concílio
Micael Ferrone Alves Pereira
Milton Baptista de Souza Filho
Milton Salvador de Almeida Júnior
Mônica Ribeiro Santos
Natal Leo
Natal Leo Júnior
Natjo de Lima Pinheiro
Nelmar de Castro Batista
Nelson Wilians Fratoni Rodrigues
Nilton Claudio Carvalho Belsarena
Nivaldo de Farias
Paulo Afonso Aguiar Regadas Neto
Paulo Augusto de Araujo Boudens
Paulo Otávio Montalvão Camisotti
Paulo Cesar Roxo Ramos
Paulo Gabriel Negreiros
Pedro Alves Corrêa Neto
Pedro Lettieri Neto
Pedro Lucas Felix Canuto
Pedro Oliveira de Queiroz
Philipe Roters Coutinho
Philippe André Lemos Szymanowski
Rafael Emrich Candelot
Raphael Maciel Snoeck
Rayama Belmonte Riella
Reinaldo Carlos Barroso de Almeida
Renan Assunção Siqueira
Renata Martins Costa de Siqueira
Ricardo Bimbo Troccoli
Ricardo Vinícius Campelo de Sá
Roberta Moreira Luchsinger
Roberto Marinho Luiz da Rocha
Rodrigo Alves de França
Rodrigo Ortiz D´Avila Assumpção
Rodrigo Moraes
Rogério Soares de Souza
Romeu Carvalho Antunes
Ronaldo Ribeiro Santos
Ronaldo de Souza Estrella
Rubens Oliveira Costa
Samuel Chrisóstomo do Bomfim Júnior
Sandra Helena Lima do Nascimento
Sandro Temer De Oliveira
Sebastião Faustino de Paula
Sérgio Cheque Bernardo
Silas Bezerra de Alencar
Silas da Costa Vaz
Silvanete de Jesus Ribeiro
Sílvio Roberto Machado Feitoza
Suelen Ribeiro dos Santos
Taline Nunes Campos Neves
Tânia Carvalho dos Santos
Teresa Raquel Barbosa
Thaisa Hoffmann Jonasson
Thayse Daniela Silva Carvalho do Nascimento
Thamiris Januário Mattos Snoeck
Thamyrez Maia de Oliveira Ramos
Thiago Henrique Paranhos Carvalho
Thiago Rocha Guimarães
Tiago Abraão Ferreira Lopes
Tiago Schettini Batista
Tônia Andrea Inocentini Galleti
Vanderlei Barbosa dos Santos
Vanessa Barramacher Tocantins
Victor Infante Aiello
Vinicius Faleiros Martins
Vinícius Ramos da Cruz
Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho
Vitor Luís Spilla Antevere
Vladimir Augusto de Oliveira Formiga
Wagner Ferreira Moita
Waldemar Monte Neto
Walton Cardoso Lima Júnior
Weverton Rocha Marques de Souza, senador
Wilson Alexandre Sartin Panacione
Wilson de Morais Gaby
Yasmin Ahmed Hatheyer Oliveira
Zacarias Canuto Sobrinho
Artur Ildefonso Brotto Azevedo
Daniel Vorcaro
Augusto Lima
Eduardo Chedid
Estadão Conteúdo
SBT News teve acesso a esboço do texto que será apresentado nesta sexta-feira (27) contra a aprovação do relatório oficial de Alfredo Gaspar
Por Basília Rodrigues
Em relatório paralelo de conclusão da CPMI do INSS, governistas apontam o governo Jair Bolsonaro como responsável pela ampliação da fraude do INSS e a de Lula como autor das ações investigativas que desmontaram o esquema.
O SBT News teve acesso a um esboço do texto que será apresentado nesta sexta-feira (27), contra a aprovação do relatório oficial de Alfredo Gaspar (União Brasil-AL). Com maioria na CPMI, o governo tem mais chances de ver a própria versão aprovada.
O texto aponta o envolvimento de 170 pessoas, como o ex-ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni; o deputado federal Domingos Sávio, pela propriedade de empresas, em que ele é apontado como sócio oculto de Antônio Carlos Camilo, o careca do INSS, também apontado como pessoa envolvida; além do empresário Maurício Camisotti. Os crimes são estelionato contra idosos, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
O relatório é dividido em três partes: descontos associativos e esquema de fraude; crédito consignado; e combate à corrupção, conclusões e recomendações.
O texto fala em “omissões e baixa resposta do governo Bolsonaro diante de denúncias e ampliação indevida da atuação de entidades sem vínculo real com aposentados”.
De acordo com autores do relatório avulso, há destaque para alguns fatos da linha histórica da fraude. Como o fim da obrigatoriedade de revalidação anual das entidades associativos, em 2022, o que teria dificultado o rastreamento pelos órgãos de controle.
“Denúncias de fraude a partir de 2017 e criação de um ecossistema favorável às fraudes a partir de 2020, com flexibilizações normativas, ascensão de servidores corruptos e mudanças na estrutura do INSS”, afirma o texto.
O caso Banco Master é citado como exemplo da atuação da expansão do uso do crédito consignado.
“O Acordo de Cooperação Técnica com o INSS que permitiu que o Banco fizesse empréstimos consignados para aposentados e pensionistas também aconteceu em 18 de setembro de 2020. A diretoria do INSS responsável pelo acordo é a mesma envolvida no contexto da fraude do INSS”, destaca.
A estratégia é rotular que o relatório como 'da maioria' e driblar riscos do presidente da CPMI, Carlos Viana, de não colocar o texto em votação.
“O Relatório da Maioria (voto em separado) sustenta que as fraudes no INSS não foram pontuais, mas resultado de: uma combinação de falhas institucionais, alterações normativas permissivas e atuação coordenada de agentes públicos e privados, que permitiram a exploração sistemática de aposentados e pensionista”.