Nome de Cláudio Castro aparece em lista atribuída ao bicheiro Adilsinho com menção a suposta doação de R$ 3,2 milhões, mas ex-governador não é alvo da nova fase da Operação Unha e Carne
Por Quintino Gomes Freire
O nome do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), aparece em uma lista encontrada pela Polícia Federal e atribuída ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. O material faz parte da apuração ligada à 5ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2). As informações são do g1.
Segundo apuração do repórter Mohamed Saigg, a lista cita uma suposta doação de R$ 3,2 milhões para o então candidato Cláudio Castro. O ex-governador disputou a reeleição em 2022 e governou o estado de 2021 a 2026.
Apesar da citação no material apreendido, Cláudio Castro não é alvo desta fase da operação. De acordo com fontes a par da investigação, o nome dele e de outras pessoas aparece na lista, mas a Polícia Federal ainda aprofunda a apuração sobre os registros.
A lista reuniria supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e dados de contabilidade vinculados à investigação de lavagem de dinheiro. Também haveria nomes de agentes políticos do Rio de Janeiro.
A reportagem procurou a assessoria de Cláudio Castro e aguarda posicionamento.
Operação mira cúpula do jogo do bicho
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a 5ª fase da Operação Unha e Carne para investigar esquemas de lavagem de dinheiro ligados à cúpula do jogo do bicho e possíveis conexões com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro.
Adilsinho é alvo de um mandado de prisão nesta fase da operação, embora já estivesse preso. O pastor e empresário Márcio Poncio foi preso preventivamente em um flat na Barra da Tijuca. Ele é investigado por suposta ligação com a chamada Máfia do Cigarro.
Além de Poncio e Adilsinho, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, expediu mandado de prisão contra o ex-deputado Rodrigo Bacellar, que também já estava preso por desdobramentos anteriores da investigação.
A decisão judicial também determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões. A medida tem como base planilhas da Operação Fumus, de 2021, que apontariam pagamentos indevidos e “mesadas” para pelo menos 20 políticos do estado.
Investigação deriva da ADPF das Favelas
A nova fase da Operação Unha e Carne deriva de determinação do STF no âmbito da ADPF das Favelas, que ordenou a apuração de vínculos entre grupos criminosos e agentes públicos no Rio de Janeiro.
Nas fases anteriores, a operação investigou o vazamento de informações sigilosas para o Comando Vermelho, além de desdobramentos ligados ao escândalo da Ceperj e a fraudes em contratações na Secretaria Estadual de Educação.
As investigações também envolveram nomes como o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto e o deputado Thiago Rangel, em uma apuração que mira uma possível cadeia de proteção institucional ao crime organizado.
A chamada Máfia do Cigarro, atribuída a Adilsinho pelos investigadores, é descrita como um esquema de controle da venda de cigarros falsificados em parte dos municípios fluminenses, com prejuízos bilionários em sonegação fiscal.
A defesa de Márcio Poncio afirmou não ter tido acesso aos autos do processo. Já a defesa de Adilsinho negou o pagamento de vantagens indevidas a políticos.
Restrição para uso de emendas parlamentares começa no sábado (4); governo acelera pagamentos
Por Cézar Feitoza
O governo Lula (PT) acelerou o pagamento de emendas parlamentares nas últimas semanas diante da proximidade do período eleitoral, que impõe restrições para o repasse dos recursos.
Os ministérios liberaram R$ 23,9 bilhões em emendas parlamentares este ano. No mesmo período do ano passado, o valor pago foi de menos de R$ 500 milhões.
O valor pago representa 48% do montante destinado para as emendas parlamentares este ano (R$ 49,9 bilhões).
São duas as razões da celeridade para o pagamentos das emendas.
A primeira é um trecho da Lei de Diretrizes Orçamentárias que obriga o governo a pagar, até o fim de junho, 65% das emendas individuais e de bancadas com determinadas finalidades, como saúde e assistência social.
Esse percentual equivale a R$ 17,5 bilhões das emendas parlamentares.
Outra razão para a pressa é a restrição imposta pela legislação eleitoral que impede a emissão de ordens de pagamento para contratos sem execução de obra ou serviço em andamento.
Esse impedimento, conhecido como defeso eleitoral, passa a valer três meses antes da eleição. Neste ano, o período de restrições começa no sábado (4).
Por conta desse impedimento, o governo acelerou o pagamento das emendas e liberou R$ 2,4 bilhões nesta semana. O valor pago nos últimos quatro dias é quatro vezes maior que o destinado nos seis primeiros meses de 2025.
Caixa envia orientações
A área da Caixa Econômica Federal responsável pelas ordens de pagamento das emendas parlamentares enviou aos ministérios um ofício com orientações para a execução das verbas indicadas por deputados e senadores.
O documento diz que as ordens de pagamento devem ser assinadas pelos responsáveis até às 16h da sexta-feira (3). Os pagamentos que forem liberados depois desse prazo ficam restritos aos "contratos que atendam integralmente aos requisitos estabelecidos na Lei nº 9.504/1997".
Para evitar falhas na execução das emendas, a Caixa destacou que os recursos devem ser identificados de acordo com as decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre transparência e rastreabilidade.
"A ausência dessas informações inviabilizará o processamento da demanda, que será incluída em lista própria de pagamentos não efetivados, encaminhada semanalmente aos gestores, aguardando complementação para reprocessamento, caso haja prazo disponível."
Por Evellyn Paola - Metropóles
O presidente do PL nacional, Valdemar Costa Neto, afirmou ao Metrópoles, nesta quinta-feira (2/7), que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sinalizou que não deve ser candidata ao Senado pelo Distrito Federal (DF).
A decisão se dá após a crise envolvendo o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Michelle disse que se sentiu desrespeitada durante uma conversa por telefone sobre articulações do partido no Ceará.
Em vídeo publicado em suas redes sociais, a ex-primeira-dama relatou que o imbróglio com Flávio começou no fim de 2025, visto que ela era contrária ao apoio a Ciro Gomes (PSDB) para o governo cearense. O senador pelo Rio de Janeiro, no entanto, defendia a articulação com o grupo.
Michelle diz ter sido “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” pelo enteado, depois que ele disse que ela deveria se afastar de decisões partidária e que, por ter ingressado recentemente na política, não teria experiência suficiente para opinar sobre as articulações do partido.
Após a repercussão, Flávio divulgou uma nota afirmando que jamais teve a intenção de ofender Michelle. O senador disse que, caso ela tenha se sentido desrespeitada, pedia desculpas, ressaltando reconhecer sua importância tanto para o PL Mulher quanto para o cuidado com Jair Bolsonaro. Ele também afirmou que sua prioridade era preservar a união da família e reduzir os desgastes públicos.
Durante encontro com lideranças femininas, Flávio fez acenos à Michelle e agradeceu à madrasta pelo trabalho à frente do PL Mulher e afirmou que as portas seguem abertas para ela.
“Respeito demais a Michelle e tenho a convicção de que vamos superar esse momento difícil porque ela sabe que o Brasil não tem condições de mais anos de PT e sabe que a única alternativa é Flávio Bolsonaro. Quero parabenizar o trabalho da Michelle Bolsonaro, porque muitas mulheres se interessaram pela política pelo trabalho dela”, disse.
Valdemar chegou a se reunir com a ex-primeira-dama e tentou apaziguar a relação com o filho 01 de Jair Bolsonaro (PL), mas Michelle acabou recusando os pedidos de continuar na disputa por uma cadeira na Casa Alta.
Michelle afirmou que pretende se dedicar à saúde do marido e do bem-estar de sua filha, Laura, além de estar “cansada” da política. Ela também deixou a presidência do PL Mulher.
O partido já começou a avaliar outros nomes para substituir a esposa do ex-presidente Bolsonaro. As opções são a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e o senador Izalci Lucas (PL-DF), que pretendia concorrer para o governo do DF, mas perdeu espaço após o PL decidir apoiar a candidatura à reeleição de Celina Leão (PP).
Por Manuela de Moura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece na liderança da disputa pelo Palácio do Planalto em um cenário de primeiro turno da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (1º/7). O petista registra 46,3% das intenções de voto, enquanto o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), soma 36,6%.
O levantamento foi realizado entre 26 e 30 de junho, com 4.999 entrevistados, tem margem de erro de um ponto percentual, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04582/2026.
Na sequência aparecem Renan Santos (Missão), com 7,8% das intenções de voto, Ronaldo Caiado (PSD), com 2,9%, e Romeu Zema (Novo), com 2%.
Completam o cenário Joaquim Barbosa (DC), com 1%; Aécio Neves (PSDB), com 0,7%; Samara Martins (UP), com 0,6%; Augusto Cury (Avante), com 0,5%; Cabo Daciolo (Mobiliza), com 0,2%; Rui Costa Pimenta (PCO) e Edmilson Costa (PCB), ambos com 0,1%; e Hertz Dias (PSTU), que não pontuou.
Confira:
Brancos e nulos somam 1,2%, enquanto 0,1% dos entrevistados disseram não saber em quem votar.
A pesquisa mensal da AtlasIntel referente ao mês de maio permanece suspensa por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Evolução em relação a abril
Na comparação com o levantamento de abril, Lula avançou, passando de 44% para 46,3% das intenções de voto.
Flávio Bolsonaro oscilou negativamente 2,4 pontos, caindo de 39% para 36,6%.
O maior crescimento foi registrado por Renan Santos, que passou de 5% para 7,8%, alta de 2,8 pontos percentuais.
Já Ronaldo Caiado permaneceu praticamente estável, variando de 3% para 2,9%, enquanto Romeu Zema caiu de 3% para 2%.
O grupo formado pelos demais candidatos passou de 4% para 3,2%, e o percentual de eleitores que declararam voto branco, nulo ou indecisão subiu de 0,4% para 1,2%.
Cenários em Lula tem melhor desempenho
Ainda de acordo com a pesquisa, o petista registra seu melhor desempenho entre os eleitores com 60 anos ou mais, segmento em que alcança 54,6% das intenções de voto.
O presidente também apresenta vantagem entre os eleitores com ensino superior (50,6%), entre aqueles com renda familiar de R$ 5 mil a R$ 10 mil (53%) e entre quem recebe mais de R$ 10 mil
(50,4%).
Regionalmente, o melhor desempenho ocorre no Nordeste, onde Lula chega a 57,7% das intenções de voto. Entre os eleitores que votaram nele em 2022, 88,4% afirmam que repetiriam o voto.
No recorte religioso, Lula lidera entre os católicos (48,3%) e obtém seu maior percentual entre agnósticos e ateus, com 75,5%.
Base de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro tem seu melhor desempenho entre eleitores de 25 a 34 anos, faixa em que registra 41,4% das intenções de voto.
O senador também lidera entre os eleitores com renda entre R$ 2 mil e R$ 3 mil (43,6%) e entre aqueles com renda de R$ 3 mil a R$ 5 mil (43,5%).
Entre os evangélicos, soma 42,9%, e no Sudeste, alcança 42,6%.
Entre os eleitores que votaram em Jair Bolsonaro em 2022, 74,8% afirmam que escolheriam Flávio Bolsonaro em um eventual primeiro turno.
Por Igor Gadelha - Metrópoles
As recentes postagens da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas redes sociais têm produzido um efeito que vai além das críticas públicas ao senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Tanto entre lideranças da esquerda quanto da direita, cresce a percepção de que Michelle sinaliza, com as publicações, saber de informações potencialmente comprometedoras envolvendo o enteado.
A sequência de postagens chama a atenção pelo conteúdo e pelo timing. Na quarta-feira (24/6), horas antes do jogo entre Brasil e Haiti pela Copa do Mundo, Michelle divulgou um vídeo com críticas nominais a Flávio.
Na gravação, a ex-primeira-dama afirmou ter sido “desrespeitada” e “maltratada” pelo enteado em uma ligação telefônica, expondo publicamente um conflito familiar que, até então, permanecia restrito aos bastidores.
Cinco dias depois, na segunda-feira (29/6) — novamente em um dia de jogo da Seleção Brasileira —, Michelle voltou a movimentar as redes. Desta vez, repostando um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho.
Na gravação, o ex-governador do Rio de Janeiro afirma ter, supostamente, visto vídeos de festas promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro com mulheres nuas e “homens que defendem a família”.
Ao repostar o conteúdo em seus stories do Instagram, a atual esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro acrescentou a enigmática frase: “A verdade de Jesus Cristo vai prevalecer“.
Embora a publicação não cite Flávio nominalmente, a postagem foi vista como uma sinalização de que Michelle tem conhecimento de fatos que não vieram a público e que podem atingir a campanha do senador.
Essa apreensão é reforçada por um dado lembrado por aliados de Flávio nos bastidores: a proximidade da ex-primeira-dama com o ministro André Mendonça, relator do chamado caso Master do STF.
Na avaliação de lideranças da direita que apoiam Flávio, o que mais preocupa não é propriamente o conteúdo das postagens, mas a impressão de que Michelle estaria preparando terreno para algo maior.
Ao combinar mensagens enigmáticas, referências à ideia de que “a verdade” ainda aparecerá e ataques nas redes sociais, ela mantém um clima de expectativa que aumenta a inquietação entre aliados de Flávio.
Desde maio, vieram à tona áudios, mensagens e notícias de encontros que revelaram uma relação próxima entre o primogênito de Jair Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Flávio jura a integrantes de sua campanha que não haveria mais nada de novo e comprometedor a surgir e que sua relação com Vorcaro estaria restrita ao patrocínio ao Dark Horse, filme sobre a história de seu pai.
Até aqui, não há qualquer elemento público que confirme ilegalidade na relação entre os dois. Os movimentos de Michelle, contudo, sinalizam que ela sabe de algo a mais que pode inviabilizar a candidatura de Flávio.
Indicam ainda que Michelle usa essa possível informação privilegiada para se descolar do enteado e se colocar como opção na direita – seja em 2026, seja em 2030, caso Flávio perca a eleição para Lula neste ano.