Segundo o presidente Lula, programa vai oferecer descontos de 30% até 90%; governo vai permitir saque de até 20% do FGTS
Por Lis Cappi, do R7
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina nesta segunda-feira (4) uma medida provisória para lançar uma nova fase do Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas. A ideia é oferecer descontos entre 30% e 90% como incentivo para que devedores quitem débitos. O programa também prevê juros de até 1,99% ao mês para brasileiros endividados.
A nova edição do programa ainda vai contar com a liberação de até 20% do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para ajudar os brasileiros endividados.
Segundo Lula, nessa nova etapa do Desenrola será possível renegociar dívidas com cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e o Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).
Em outra frente, o Palácio do Planalto vai estabelecer uma regra para que os participantes do programa fiquem proibidos de utilizar plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets, por pelo menos um ano.
A justificativa, segundo Lula, é para garantir que os devedores não voltem a gastar dinheiro de forma indevida assim que cumprirem com os débitos.
“O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet. Por isso, quem aderir ao Novo Desenrola Brasil ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas online”, afirmou.
Lula deu detalhes sobre o programa durante pronunciamento na TV e no rádio sobre o Dia do Trabalhador, veiculado em 30 de abril. Durante a fala, Lula ainda fez um aceno a mulheres, considerando não ser justo que elas trabalhem para pagar dívidas de apostas de maridos.
“Não foi nosso governo que deixou as bets entrarem no Brasil, mas é o nosso governo que vai colocar um limite à destruição que elas vêm causando”, disse o presidente.
Famílias endividadas no país
Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, levantamento feito mensalmente pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas. Esse é o maior índice da série histórica feita pela entidade.
A pesquisa mais recente divulgada pela CNC é referente a março. Naquele mês, o índice de inadimplência no país foi de 29,6%, abaixo do recorde de 30,5% alcançado em setembro e em outubro de 2025.
Desenrola Brasil
O programa de renegociação de dívidas foi criado pelo governo federal em 2023 para recuperar condições de crédito. A ideia da iniciativa foi conduzir alternativas para quitar débitos e permitir a retomada de poder de compra da população.
O programa foi voltado para pessoas que ganham até dois salários mínimos ou estão no CadÚnico. O Executivo ainda vai divulgar o público-alvo da nova edição.
A primeira fase do Desenrola durou de julho de 2023 a maio de 2024, beneficiando cerca de 15 milhões de pessoas com a negociação de R$ 53,2 bilhões em dívidas.
Além disso, segundo o Ministério da Fazenda, a iniciativa reduziu em 8,7% o índice de inadimplência entre a população mais vulnerável do país.
Ainda de acordo com a pasta, a média de descontos da fase inicial do Desenrola foi de 90% para pagamentos à vista e de cerca de 85% nos pagamentos parcelados. O valor médio foi de R$ 250 nas operações à vista e de R$ 1.031 nas renegociações parceladas.
De acordo com o último boletim médico, o procedimento, que durou no total cinco horas, ocorreu sem intercorrências e em seguida Bolsonaro foi para o quarto, onde está internado para controle das dores e observação clínica
Por Marina Dantas
A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro informou, na manhã de hoje pelas redes sociais, que o ex-presidente Bolsonaro passou a noite estável e que as coisas estão sob controle. Ontem, Bolsonaro passou por uma cirurgia no ombro direito no Hospital DF Star, em Brasília.
Na noite de ontem (1º), Michelle informou que ele já não utiliza oxigênio nasal e que voltou a movimentar os dedos da mão direita - o que é considerado esperado após o uso de anestésico. A previsão é de que ele receba alta na segunda-feira.
O ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou uma boa evolução e um bom controle álgico durante a noite. É o que diz o último boletim médico divulgado hoje no começo da tarde. No momento, ele segue internado para analgesia, medidas de prevenção de trombose e vai iniciar o protocolo de reabilitação motora e funcional.
De acordo com a defesa, o ex-presidente apresentava dores persistentes na região do ombro, limitação de movimentos e uso contínuo de analgésicos.
Laudos médicos indicaram lesões de alto grau no ombro direito, incluindo comprometimento de tendões e subluxação do bíceps. Ontem ele chegou ao hospital por volta das seis da manhã, após o ministro Alexandre de Moraes ter assinado a autorização para o procedimento.
Quando sair do hospital, Bolsonaro irá para casa, onde cumpre por 90 dias inicialmente prisão domiciliar por razões de saúde. Um terço desse prazo concedido por Alexandre de Moraes já foi. Após os 3 meses, o ministro vai analisar a manutenção do regime domiciliar e dependendo, o ex-presidente condenado a mais de 20 anos de prisão por tentativa de golpe de estado, pode retornar à papudinha para cumprir regime fechado.
Virgílio de Oliveira Filho está preso desde novembro de 2025 e já apresentou os assuntos que pretende delatar
Por Ana Carolina Tomé
A Polícia Federal analisa a proposta de delação premiada apresentada pelo ex-procurador-geral do INSS, Virgílio de Oliveira Filho, preso no Paraná. Ele já foi transferido para a superintendência da PF, em Curitiba e já entregou a proposta com os assuntos que pretende delatar, reconheceu participação em irregularidades e deu os primeiros depoimentos.
Se a PF firmar o acordo, a delação do ex-procurador do INSS será analisada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Antes da homologação, porém, o magistrado deverá ouvir a Procuradoria-Geral da República (PGR), etapa necessária para a validação oficial do acordo.
A possível delação de Virgílio pode trazer ainda novos elementos relevantes para as investigações, inclusive conexões com o nome do empresário Daniel Vorcaro, com possível favorecimento do banco do empresário em contratos de empréstimo consignado.
O ex-banqueiro está preso em Brasília e também negocia um acordo de delação premiada. O empresario Mauricio Camisotti, investigado por chefiar entidades ligadas aos descontos ilegais de pensões e aposentadorias do INSS, também fechou acordo de delação premiada, e já prestou depoimentos.
A colaboração de Virgílio é considerada importante porque ele era chefe da área jurídica do INSS. Na avaliação do Cietista Político , Melilo Diniz, uma delação de Virgilio na PF só deve avançar se ele apontar os reais nomes dos resposáveis na captura de dinheiro do INSS.
"Só será aprovada pela Polícia Federal se houver a indicação de quem era o dono do esquema e o dono da política do esquema. É isso que se espera e é isso que se aguarda diante da enormidade dos fatos já apurados e da quantidade de envolvidos."
O ex-procurador-geral do INSS foi afastado do cargo em abril de 2025 durante as investigações da PF. Ele e sua esposa se entregaram em novembro do ano passado à PF, em Curitiba, no âmbito da 4ª fase da Operação Sem Desconto. Virgílio é investigado por envolvimento em esquema de desvios e descontos irregulares de quase R$ 12 milhões em aposentadorias. A defesa dele não foi localizada.
Ex-presidente está internado em unidade para controle de dor e observação após procedimento no ombro
Com SBT - TV
A cirurgia no ombro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi concluída sem intercorrências, segundo boletim médico. Após o procedimento de 3h, realizado na tarde desta sexta-feira (1°) no hospital DF Star, em Brasília, Bolsonaro foi transferido a uma unidade de internação “para controle de dor e observação clínica”.
Ainda não há previsão de quando ele receberá alta. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) agradeceu à equipe médica pela operação em uma publicação no Instagram. “Cirurgia finalizada! Minha gratidão a toda a equipe!", disse.
O ex-presidente foi internado na manhã desta sexta-feira (1º) após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizar a realização da cirurgia. Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o fim de março, o que exige autorização da Justiça para procedimentos fora da rotina estabelecida.
A operação foi indicada devido a um quadro de dor persistente no ombro direito e limitação de movimentos. Segundo os advogados, ele fazia uso diário de analgésicos para controlar os sintomas.
De acordo com a equipe médica, o procedimento realizado foi um “reparo artroscópico do manguito rotador direito”. Trata-se de uma cirurgia minimamente invasiva, feita com pequenas incisões e o uso de uma câmera (artroscópio), para reparar tendões lesionados no ombro.
O manguito rotador é um conjunto de músculos e tendões responsável pela estabilidade e pelos movimentos da articulação, e sua lesão pode causar dor intensa e dificuldade para levantar ou girar o braço.
Levantamento mostra que 30,6% dos cursos de medicina tiveram desempenho insuficiente no Enamed
Por Camila Stucaluc
A Associação Médica Brasileira (AMB) alertou para a qualidade da formação médica no país. O aviso ocorre após um novo informe técnico do estudo Demografia Médica no Brasil – Radar, que analisou os resultados da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), realizado em 2025.
Ao todo, o levantamento avaliou o desempenho de 39.256 recém-formados de 350 cursos de medicina em todo o país. Segundo a AMB, os dados revelaram um cenário preocupante: 30,6% dos cursos avaliados apresentaram desempenho considerado insuficiente.
Uma das principais características para o resultado é a expansão recente dos cursos de medicina no Brasil, que dobraram nos últimos 10 anos, passando de 252 para 494. Esse crescimento contribuiu para ampliar o acesso à formação médica, mas também trouxe desafios significativos em relação à qualidade do ensino.
Entre os cursos avaliados no Enamed, 107 apresentaram desempenho insuficiente, enquanto 243 foram classificados como suficientes. A discrepância entre instituições públicas e privadas chama atenção: apenas 4,2% dos cursos públicos tiveram desempenho insuficiente. Já entre os privados, esse percentual chega a 44,2%
“Os dados mostram uma diferença importante entre os modelos de formação. Não se trata de uma questão ideológica, mas de evidência técnica: é preciso garantir que todos os cursos, independentemente da natureza jurídica, cumpram padrões rigorosos de qualidade”, afirma José Eduardo Dolci, diretor científico da AMB.
O estudo também identificou forte correlação entre a concorrência no ingresso e o desempenho dos cursos. Instituições com menor relação candidato/vaga apresentaram maior probabilidade de desempenho insuficiente.
Além disso, cursos com maior número de alunos por docente tiveram resultados significativamente piores. Conforme os dados, enquanto cursos com bom desempenho apresentaram mediana de 5,6 alunos por professor, os insuficientes chegaram a 10 alunos por docente.
Outro fator relevante é o tempo de existência. Cursos com menos de 10 anos têm mais que o dobro de chance de desempenho insuficiente. Entre os cursos mais antigos (mais de 21 anos), os resultados são significativamente melhores.
A localização geográfica também influencia os resultados. Cursos situados em municípios com menos de 300 mil habitantes apresentaram maior proporção de desempenho insuficiente. Regionalmente, os dados mostram desigualdade:
Norte: 46,7% de cursos insuficientes
Centro-Oeste: 40%
Sudeste: 31,9%
Nordeste: 30,2%
Sul: 13,8%
“O Brasil precisa avançar em mecanismos que assegurem a qualidade da formação médica. Avaliar é fundamental, mas é igualmente necessário agir sobre os problemas identificados, com regulação mais rigorosa e políticas públicas consistentes”, pontua Dolci.
Exame de proficiência
O estudo ganha relevância em meio à discussão no Congresso sobre a criação de um exame de proficiência para médicos recém-formados. Quem não for aprovado poderá atuar de forma exclusiva em atividades técnico-científicas, sem contato com pacientes, mediante autorização do Conselho Regional de Medicina (pela Inscrição de Egresso em Medicina).