As páginas também têm estratégias semelhantes, o que pode sugerir que sejam parte de uma ação coordenada
POR ANA GABRIELA OLIVEIRA LIMA
O Instagram e o Facebook, redes sociais da Meta, têm páginas com poucos seguidores, sem responsáveis identificáveis, com recurso milionário de ataque ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição.
A prática foi identificada pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha. O Globo identificou sete perfis sem responsáveis identificáveis que impulsionaram anúncios contra os políticos na plataforma e que fizeram anúncios a favor de Fernando Haddad, pré-candidato pelo PT ao Governo de São Paulo.
Apesar do baixo número de seguidores, que não superam 400 integrantes em cada perfil, as páginas investiram valores altos em publicações associando, por exemplo, o senador Flávio Bolsonaro ao crime organizado. O valor total gasto pelas páginas nos últimos 90 dias é de R$ 1.299.214, segundo dados da Meta.
As páginas também têm estratégias semelhantes, o que pode sugerir que sejam parte de uma ação coordenada. Elas usam frases genéricas nas postagens que acompanham vídeos contra os candidatos, o que poderia ser usado para burlar mecanismos de controle das plataformas sobre temas de política.
Outra semelhança é a data de registro de informações dos anunciantes na Meta, nos dias 22 ou 23 de abril ou 3 e 8 de junho. A estratégia é similar também no número de anúncios, com muitos deles com menor orçamento, pulverizando as postagens. Com exceção de uma página, com número associado com DDD da Paraíba (83), todas têm DDD 41, do Paraná.
As páginas não têm a identificação de seus responsáveis, com algumas delas ligadas a websites sem conteúdo real, escrito em espanhol e criados em datas próximas. Os perfis nas redes estão fora do ar.
As páginas são Radar do Planalto, Dossier Brasil 24H, O Contra-Fluxo, Panorama Brasil, Olho no Erro, Contra a Maré e Lente Escura.
Uma postagem do Radar do Planalto, por exemplo, impulsionou um vídeo com o título “Flávio Bolsonaro gosta de ter milicianos e assassinos ao seu redor”. O vídeo é um compilado de trechos nos quais jornalistas dão notícias relacionadas à relação entre o senador e o ex-policial militar Adriano da Nóbrega.
O anúncio teve gasto de cerca de R$ 3.000 e impressões (número de vezes que um anúncio apareceu em uma tela, o que pode incluir várias visualizações pelas mesmas pessoas) na faixa de 500 mil ou 600 mil.
Outras, do Contra a Maré, tem postagens contra Tarcísio e a favor de Haddad. Uma delas tem vídeo com a chamada “Conheça o traidor de Freitas”, em referência a Tarcísio, enquanto outra aponta que Haddad quer zerar impostos de medicamentos. Cada uma teve gasto de cerca de R$ 300 e impressões na faixa de 30 mil.
Segundo Amanda Cunha, especialista em direito eleitoral e uma das autoras do livro “Direito Eleitoral Sancionador” (ed. Lumen Juris), só partidos políticos, coligações, federações, pré-candidatos e candidatos podem impulsionar conteúdos político-eleitorais, que precisam ser identificados como tais.
Os conteúdos impulsionados por atores autorizados não podem ser negativos a outros candidatos, os gastos precisam ser transparentes e não pode haver pedido de voto na pré-campanha.
“Perfis adotam estratégia de anonimato para fugir da fiscalização, isso tem sido cada vez mais comum. É uma estratégia que tenta burlar as regras eleitorais para fazer indiretamente uma campanha eleitoral”, afirma Cunha.
Para a especialista, a ação pode interferir na igualdade entre candidatos na disputa eleitoral, que a Justiça tenta resguardar com as proibições. Os perfis não identificáveis, diz, também podem prejudicar a qualidade da informação que chega ao eleitor e, consequentemente, o cenário eleitoral.
Questionada sobre os anúncios e sobre o que tem feito para cumprir a legislação eleitoral, a Meta se limitou a enviar textos com informações genéricas sobre anúncios ligados a política e texto da empresa sobre as eleições de 2026.
A reportagem perguntou à assessoria de Haddad se gostaria de se manifestar (em razão das menções dos anúncios a favor do pré-candidato), mas não obteve resposta.
No boletim anterior, divulgado na sexta (26), autoridades falaram em 920 mortos e 4.300 feridos
COM A FOLHAPRESS
O número de mortos devido aos terremotos que devastaram a Venezuela chegou a 1.430, afirmou Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da líder interina Delcy Rodríguez. Segundo esse novo balanço, há pelo menos 3.248 feridos e 3.142 pessoas desabrigadas.
O ritmo das atualizações tem sido irregular, e os comunicados vêm de diferentes autoridades do regime.
No boletim anterior, divulgado na sexta (26), autoridades falaram em 920 mortos e 4.300 feridos este segundo número havia sido divulgado pelo ministro da Saúde venezuelano. À medida que socorristas trabalham nos prédios destruídos, espera-se que a quantidade de vítimas siga aumentando.
O regime restringiu na noite de sexta o acesso ao estado de La Guaira, região costeira que foi a mais atingida e ficou parecendo uma zona de guerra devido à extensão dos danos.
A notícia foi dada pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, que era um aliado próximo do ditador deposto Nicolás Maduro e supervisionava o aparato de repressão do chavismo. Ele disse que a decisão atende a pedidos de moradores de La Guaira e busca evitar que o fluxo de pessoas dificulte o trabalho das equipes de salvamento. Segundo ele, motociclistas voluntários receberão coletes de identificação e serão designados para funções específicas. Apenas pessoas com tarefas previamente definidas poderão entrar no estado.
A oposição venezuelana compartilhou sites criados para registrar desaparecidos o número seria de 56 mil pessoas com paradeiro desconhecido. Segundo estimativa do chefe de ajuda humanitária da ONU, há mais de 50 mil desaparecidos.
Socorristas têm trabalhado para resgatar pessoas presas em escombros. A agência de notícias Reuters ouviu moradores reclamarem que a ajuda oficial tarda a chegar nos lugares mais afetados. A população civil montou uma rede de ajuda para enviar suprimentos e auxiliar nas buscas.
O governo do Brasil confirmou dois cidadãos brasileiros entre os mortos, sem entrar em detalhes a respeito de suas identidades. A modelo Vanessa Zacarias da Silva, 44, é uma das duas vítimas, segundo informações compartilhadas por familiares.
O serviço geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou pelo menos 10 mil mortos após os tremores o número faz parte de uma escala técnica segundo a qual há 42% de chances de que o número total de óbitos fique entre 10 mil e 100 mil.
Equipes de Chile, México, El Salvador, Suíça e Brasil também já desembarcaram no país com socorristas e suprimentos. O regime informou neste sábado (27) que 1.600 integrantes de equipes de resgate estrangeiras chegaram para ajudar nas buscas ao menos outras 25 aeronaves com ajuda são esperadas nas próximas horas.
Os órgãos de ajuda humanitária consideram as primeiras 48 a 72 horas um período crucial para resgatar sobreviventes. Esse tempo pode ser estendido caso as vítimas consigam ter acesso a alimentos e água.
“Cada pessoa salva é um milagre”, disse Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, irmão da líder interina do país, Delcy Rodríguez. “Não vamos esconder absolutamente nada sobre a magnitude desta tragédia.”
Delcy afirmou em um pronunciamento na televisão estatal durante a noite de sexta que mais dez países ainda devem se juntar aos esforços de resgate e que 14 mil militares e policiais estão em La Guaira para patrulhar a área e adotar medidas sanitárias.
O regime venezuelano confirmou na sexta que ao menos 250 prédios foram danificados ou destruídos, incluindo oito hospitais e a embaixada da França em Caracas. A ONU estima que cerca de 7 milhões de pessoas, cerca de 25% da população da Venezuela, tenha sido afetada de alguma forma pelo desastre.
As Forças Armadas venezuelanas estão montando hospitais de campanha na região de La Guaira conforme anunciado em comunicado oficial e terão capacidade para realizar cirurgias de emergência.
Ainda na quinta, uma equipe da Reuters na cidade viu um comboio militar perto do estádio local realizando operações de ajuda humanitária.
O governo brasileiro, que já havia anunciado o envio de dois aviões da Força Aérea com equipes e materiais de ajuda humanitária, informou que enviará neste sábado uma terceira aeronave “com kits de medicamentos e o módulo complementar para a instalação de um hospital de campanha”. Segundo o comunicado, “ao todo, o Brasil enviará cinco kits de calamidade, com total de 111,8 mil medicamentos e insumos à Venezuela”.
Novo balanço foi divulgado por presidente da Assembleia Nacional após duplo terremoto que devastou diferentes áreas do país
Por Caroline Vale
O número oficial de mortos pelos terremotos que atingiram a Venezuela subiu para 920, segundo informou na tarde desta sexta-feira (26) Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Segundo ele, o governo recebeu relatos de 3.360 pessoas feridas. Equipes de resgate seguem em busca de sobreviventes entre os escombros.
As autoridades venezuelanas estimam que centenas de pessoas ainda estejam presas sob estruturas colapsadas quase dois dias após os dois fortes tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5 na escala Richter, que atingiram o país com menos de um minuto de diferença. O chefe do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da Organização das Nações Unidas (ONU), Tom Fletcher, fala em 50 mil desaparecidos.
"Trata-se de uma operação de resgate extremamente completa. Há mais de 50.000 pessoas desaparecidas e mais de 500 mortas. Portanto, buscar sobreviventes entre os escombros é uma tarefa colossal", declarou Fletcher à agência AFP, em Genebra.
As operações de busca mobilizam bombeiros, militares, voluntários e equipes internacionais. Segundo Rodríguez, 871 socorristas internacionais estão no país. Em diversas áreas atingidas, a falta de energia elétrica dificulta as buscas, que são realizadas com lanternas, equipamentos especializados e, em alguns casos, manualmente.
Os maiores danos foram registrados em La Guaira, estado costeiro onde foi decretado "zona de desastre". Também há relatos de destruição em Caracas e nos estados de Miranda, Aragua, Carabobo e Falcón. "Um total de 383 edifícios foram danificados, incluindo casas unifamiliares e multifamiliares", afirmou o parlamentar da Venezuela.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) avalia que o número final de vítimas pode ultrapassar 10 mil mortos, considerando a intensidade dos tremores e os danos registrados em áreas densamente povoadas.
Dois brasileiros entre as vítimas fatais
Entre as vítimas estão dois brasileiros. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou na quinta-feira (25) a morte de uma mulher e de um homem brasileiros. Uma das vítimas identificadas é Vanessa Zacarias da Silva, de 44 anos, ex-moradora do Gama, no Distrito Federal. O irmão dela confirmou a informação nas redes sociais.
O governo brasileiro autorizou o envio de uma missão humanitária composta por 44 profissionais, incluindo integrantes da Defesa Civil, bombeiros, especialistas da Anatel, médicos e cães farejadores. O Brasil também enviará um hospital de campanha, medicamentos, insumos médicos e purificadores de água para auxiliar a população afetada.
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, classificou os terremotos como o pior desastre natural enfrentado pelo país nas últimas décadas.
No balanço anterior, eram 188 vítimas fatais, segundo o ministério da Saúde venezuelano; número de feridos também subiu de 1.520 para 4.300
Por Sofia Pilagallo
Subiu para 235 o número de mortos em decorrência dos terremotos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira (24), informou o ministério da Saúde venezuelano na noite desta quinta-feira (25). No balanço anterior, eram 188 vítimas fatais. A pasta também atualizou o número de feridos para 4.300, ante 1.520 registrados no boletim anterior.
Dois cidadãos brasileiros estão entre os mortos, informou o Ministério das Relações Exteriores na noite desta quinta-feira. Em publicação nas redes sociais, o Itamaraty afirmou que presta assistência consular às famílias das vítimas, que não tiveram suas identidades divulgadas oficialmente.
Ao menos 250 edifícios foram danificados ou destruídos. O estado de La Guaira concentrou os danos mais severos, mas também houve destruição significativa em Caracas, onde vários prédios sofreram colapsos estruturais. A capital ainda registrou interrupções no fornecimento de energia, nas comunicações e na operação do aeroporto e do metrô.
Dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês) indicam que o primeiro tremor teve magnitude 7,2, com epicentro a cerca de 21 km a oeste da cidade de Morón, na costa do Caribe. Cerca de um minuto depois, um segundo sismo, de magnitude 7,5, atingiu a mesma região.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lamentou a tragédia e ofereceu apoio ao governo venezuelano. Os Estados Unidos também anunciaram o envio de uma equipe de assistência em desastres, além de suprimentos médicos e humanitários. Argentina, Bolívia, Chile, Equador, El Salvador, México, Panamá e Uruguai, assim como Itália, Reino Unido, Catar e Índia, também ofereceram ajuda.
+Veja imagens da destruição após terremotos na Venezuela
Nesta quinta-feira, a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que empregará uma aeronave KC-390 Millennium na missão humanitária organizada pelo Brasil para apoiar a Venezuela. A decolagem está prevista para esta sexta-feira (26), às 10h, da Base Aérea de São Paulo (BASP), em Guarulhos, na Grande São Paulo.
A missão contará com uma equipe de busca e resgate urbano de nível pesado, formada por profissionais da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (SEDEC/MIDR), militares dos Corpos de Bombeiros de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, além de especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O grupo reforçará as operações de resgate, comunicação e apoio logístico nas áreas afetadas pelos tremores.
O volume de menções contrárias a Flávio, segundo a empresa, foi impulsionado também por setores da esquerda, que se juntaram à onda de críticas para desgastar a imagem do filho de Jair Bolsonaro.
POR EVELYN AIRES E ARTHUR GUIMARÃES - (FOLHAPRESS)
A repercussão digital sobre as divisões internas do bolsonarismo ganhou força no WhatsApp e no Telegram após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro postar dois vídeos em suas redes sociais com críticas ao pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
Levantamento feito pela empresa de monitoramento Palver, que acompanha mais de 100 mil grupos públicos nesses aplicativos, aponta vantagem de Michelle nessa disputa narrativa. Do total de mensagens opinativas, 67% dos usuários se manifestaram de forma desfavorável à conduta de Flávio e 33% tomaram uma posição favorável ao senador.
O volume de menções contrárias a Flávio, segundo a empresa, foi impulsionado também por setores da esquerda, que se juntaram à onda de críticas para desgastar a imagem do filho de Jair Bolsonaro.
A Palver acompanha desde 18 de junho as mensagens no WhatsApp e no Telegram sobre os bastidores de uma possível aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB) para concorrer ao Governo do Ceará.
A discussão, extremamente tímida de 18 a 23 de junho, ganhou força após os vídeos postados por Michelle na tarde de quarta-feira (24).
Na gravação, ela relatou que Flávio a desrespeitou por telefone após ela criticar, em comício feito em novembro de 2025, a articulação de aliança com Ciro Gomes.
No início da manhã desta quinta-feira (25), havia um pico de 219 menções ao caso a cada 100 mil mensagens coletadas.
Michelle, que defende apoio ao senador Eduardo Girão (Novo-CE) no estado, afirmou que Flávio a criticou nas redes antes de falar com ela e, quando retornou ao contato, foi ríspido, dizendo que ela deveria ficar de fora das decisões partidárias e que não entendia de política.
O universo de mensagens opinativas na crise se dividiu em três correntes principais mapeadas pela análise da Palver.
A narrativa mais carregada politicamente, segundo a empresa, fala em uma suposta traição ideológica atribuída a Flávio por setores da base, que o acusam de ignorar a memória do pai em nome de conveniência eleitoral. A aliança com Ciro Gomes é vista como inaceitável por essa militância, que relembra insultos históricos do ex-governador à família. Nesse cenário, Michelle é vista como a guardiã dos valores do movimento.
Há um grupo de usuários focados no pedido de desculpas de Flávio a Michelle depois da repercussão do caso. Para eles, esse gesto foi calculado, sob pressão do bombardeio de mensagens, e não representa arrependimento genuíno.
Outra força de discussão defende a postura do senador, com a avaliação de que o acordo no Ceará é uma estratégia eleitoral legítima e necessária para derrotar o PT na região. Esses perfis criticam a interferência da ex-primeira-dama em decisões da diretoria do partido e avaliam que a exposição pública do caso foi um erro que acabou entregando munição para a oposição.
INVERSÃO DE PAUTA
A publicação dos vídeos de Michelle inverteu a pauta discutida nas redes logo após o anúncio de afastamento do senador Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado, após o parlamentar virar alvo da Operação Compliance Zero.
De acordo com um relatório especial do Instituto Democracia em Xeque, a discussão familiar ocupou o lugar da repercussão da crise do governo Lula (PT) entre a tarde do dia 24 e a manhã do dia 25 de junho.
O episódio fez com que o “Vídeo de Michelle” concentrasse 76% das menções diretas (91,6 mil resultados), enquanto o caso de Jaques Wagner reteve apenas 24% do debate (29,3 mil resultados).
Em termos de engajamento, os conteúdos sobre a denúncia de Michelle acumularam cerca de 1,4 milhão de reações, um volume quase sete vezes maior do que as 214 mil interações registradas pelas publicações sobre o caso do líder governista.
Diante do cenário, os perfis de esquerda direcionaram sua maior concentração de posts (38%) para engajar no vídeo de Michelle, optando por capitalizar politicamente com a discórdia do clã Bolsonaro em vez de priorizarem a blindagem do próprio aliado alvo da investigação.