Candidato do PL afirma que irá retirar da reforma tributária, com o apoio do Congresso, o recurso que recolhe impostos automaticamente no momento da compra de um serviço ou produto
Por: Mateus Maia
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) repetiu, nesta quinta-feira, 8, que pretende retirar o "split payment" da reforma tributária com o apoio do Congresso eleito neste ano. Ele fez a declaração ao lado da bancada e políticos eleitos do Podemos, que declararam apoio à candidatura do PL. O "split payment" é recurso que recolhe impostos automaticamente no momento da compra de um serviço ou produto.
"Isso acaba ou impossibilita, inviabiliza a empresa ter um capital de giro, porque ela, quando compra uma mercadoria para revender, paga depois de 30, 45 dias ao fornecedor", afirmou, dizendo que, caso se mantenha essa ferramenta, haverá uma quebradeira no País.
Flávio repetiu ainda que usará tecnologia para proteger mulheres e citou a proteção a mães atípicas, o que seria uma pauta da presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, que estava ao seu lado na hora do discurso.
Ele começou sua fala agradecendo ao Podemos, sua bancada eleita e não eleita, dizendo que há um alinhamento que não é automático, mas de visão para o País.
O candidato disse ainda que o Bolsa Família tem de ser a primeira coisa que um governo faz pelas pessoas e não a última.
Em sua fala, ele disse que quem vai decidir o tamanho do mandato do presidente, caso não haja mais reeleição, é o Congresso. Ele deixou em aberto se esse mandato seria de quatro ou cinco anos. Além disso, afirmou que parentes em primeiro grau também não poderiam disputar o cargo após ele, como seu pai, Jair Bolsonaro (PL).
"Muito mais do que um compromisso, eu assinei a PEC, eu sou autor da PEC, e eu vou usar o capital político que um presidente recém-eleito tem também, para conseguir aprovar isso no Congresso, para que sirva para mim já, para mim já, no meu mandato. E aí se vão ser quatro, cinco anos. Se vai valer para governador, prefeito, é o processo legislativo que vai dizer", afirmou.
Ele não explicou também se essa mudança valeria para outros cargos executivos pelo País, como prefeitos e governadores. Voltou a criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entretanto, dizendo que o petista gastou R$ 350 bilhões para se reeleger e, por isso, essa possibilidade tem que acabar.
O candidato também repetiu que não disputa poder e não se preocupa com a reeleição, e que o mandato maior pode ser discutido.
"Mas, inclusive, para parentes até terceiro grau, não é só eu, é o meu pai, inclusive, já que houve uma fala aí também desencaixada, de que o Bolsonaro poderia ser candidato em 2030. Se eu for presidente da República a partir de janeiro de 2027, eu espero que seja, em 2030 nenhum parente meu pode ser candidato", completou.
Flávio afirmou que vai ter agendas no Rio de Janeiro no fim de semana e, depois, nas seguintes, deve partir para o Nordeste.
"Eu sempre disse que o Nordeste é a solução nesse Brasil. E o Nordeste deu mais uma resposta ao dar recorde de votação para Flávio Bolsonaro. É a menor diferença em todas as nossas eleições em relação ao PT. Eu acho que o Nordeste acordou, abriu os olhos", disse.
O partido Republicanos declarou nesta quarta-feira (7) apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Com G1 e Poder 360
O anúncio foi realizado após uma reunião do presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP) e lideranças do partido com o senador Flávio Bolsonaro. Estavam presentes o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos), entre outros membros do partido.
"O primeiro turno passou, o povo falou, e agora o Brasil tem diante de si uma escolha clara entre dois caminhos. Parlamentares e lideranças do nosso partido em todo o país, venho anunciar que o Republicanos vai apoiar Flávio Bolsonaro para presidente da República. Mas mantenho meu respeito a realidades locais, e cito Paraíba e Pernambuco", disse Pereira.
"Não é uma decisão incondicional, mas nasce da voz das urnas e de um sentimento que a gente ouve em toda esquina, o brasileiro quer ter esperança de novo [...] tenho que dizer com sinceridade: não é um cheque em branco. O voto de milhões de brasileiros dá poder, mas dá antes de tudo responsabilidade", disse o presidente do Republicanos.
O presidente da sigla, Marcos Pereira, disse que a legenda está disposta a participar de um eventual governo de Flávio, mas disse que ainda não há um debate sobre em que área poderia ocorrer a colaboração.
“Conte com o Republicanos nas reformas, na responsabilidade fiscal, no apoio aos municípios, na segurança, e conte também com nossa franqueza, porque apoiar não é se calar.”
Durante o evento, o candidato Flávio Bolsonaro voltou a falar em "redemocratizar" o país.
"A gente tem que buscar a estabilidade nesse país. Não dá para admitir o Supremo Tribunal Federal da forma como está, a gente tem que proteger as instituições. Não é por causa de um ou outro que a gente tem que baixar a cabeça e achar que tá tudo bem, porque não está tudo bem. [...] A gente tem que redemocratizar, porque as instruções têm que voltar a ser respeitadas", disse Flávio.
No primeiro turno, o partido adotou uma posição de neutralidade na disputa pela Presidência da República.
Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva disputarão o segundo turno em 25 de outubro. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos, e Lula, 45,16%.
Nas eleições deste ano o Republicanos manteve 41 cadeiras na Câmara dos Deputados e elegeu 2 senadores.
Apoios no segundo turno
Nesta quarta, a ex-candidata à Presidência Clariana Barão (DC) declarou apoio ao candidato do PL no segundo turno. O anúncio de Clariana engrossa a lista de apoios recebidos por Flávio Bolsonaro desde o primeiro turno.
Nesta quarta (7), ACM Neto também declarou apoio ao candidato e afirmou que trabalhará por sua eleição na Bahia.
Ex-senadora se filiou ao PT este ano depois de passagens por DEM, PP e MDB
Por Sérgio Roxo — O Globo - Brasília
A ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu fez a fala mais aplaudida na reunião da cúpula do PT nesta terça-feira convocada para discutir o resultado do primeiro turno. Novata no partido, a coordenadora da campanha de Lula no Tocantins criticou duramente a coordenação nacional da campanha, a comunicação e a atuação da primeira-dama Janja da Silva.
De acordo com relatos dos presentes, Kátia Abreu disse que o comando na campanha é formado por “paulistas sem voto”. O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, foi derrotado no primeiro turno da disputa contra Tarcísio de Freitas (Republicanos) e as duas candidatas ao Senado da chapa, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), que tambnão foram eleitas. O coordenador-geral da campanha presidencial petista, Edinho Silva, se elegeu deputado federal por São Paulo.
Ao apontar os motivos que levaram Flávio Bolsonaro (PL) a ficar na frente no primeiro turno, Katia Abreu afirmou que a comunicação da campanha presidencial seguiu um caminho equivocado.
Katia Abreu se filiou ao PT este ano depois de passagens, entre outros, por DEM, PP e MDB. Como deputada, liderou a bancada ruralista. Também presidiu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Foi ministra da Agricultura no governo Dilma Rousseff e desenvolveu uma relação de proximidade com a então presidente.
Na reunião desta terça-feira, antes de falar de Janja, a ex-ministra fez a ressalva de que só entraria no tema por ser mulher. Disse considerar um erro a primeira-dama cantar música gospel nos comícios do marido, como aconteceu durante o primeiro turno.
Kátia Abreu ainda defendeu que o vice Geraldo Alckmin deveria ter uma participação maior na campanha. Ao fim, foi fortemente aplaudida pelos cerca de cem presentes no auditório da sede do partido em Brasília ao pedir:
— Menos Janja, mais Alckmin.
Estavam na reunião, além dos membros da executiva do PT, deputados e os coordenadores estaduais da campanha de Lula.
As críticas a Janja, à comunicação e ao presidente do PT e coordenador-geral da campanha presidencial, Edinho Silva, dominaram as falas.
Outros dirigentes classificaram o gesto de Janja cantar nos comícios a música gospel “Tapete Vermelho” como uma apropriação da fé, já que a primeira-dama não é evangélica. Esses dirigentes afirmam que, por esse motivo, a participação de Janja desagrada em vez de atrair esse público.
Com relação à comunicação, houve uma queixa geral de que o caminho deveria ser falar de futuro e não do legado de Lula, já que os eleitores não votariam pensando no passado.
Edinho foi criticado por causa da escolha das agendas nos estados. Houve uma avaliação de que Lula deveria visitar mais locais onde o bolsonarismo é forte, como a região Centro-Oeste e o Sul de Minas.
A reunião chegou a ser interrompida quando o presidente do PT deixou o auditório por alguns minutos. Os participantes deveriam continuar as suas falas, mas resolveram interromper para esperar a volta de Edinho porque argumentam que ele precisava ouvir o que os membros do partido têm a dizer.
Ao comentar o encontro, o presidente do PT e coordenador da campanha disse que a reunião serviu para alinhar a estratégia para a etapa final da disputa.
— Nós debatemos a linha política desse segundo turno, que, essencialmente, é nós confrontarmos os dois projetos que estão em disputa.
Segundo Edinho, a comunicação terá mudanças para destacar a diferença entre os dois candidatos.
— No primeiro turno esse tipo de confronto você não consegue fazer porque são vários candidatos. No segundo turno não, são dois candidatos, portanto são dois projetos distintos de país, e esse confronto tem que acontecer para o povo brasileiro poder fazer uma escolha.
Ex-governador de Goiás disse que o apoio é coerente com a sua trajetória, de combate ao PT
POR CATARINA SCORTECCI E CLEOMAR ALMEIDA
Derrotado no primeiro turno da eleição presidencial, Ronaldo Caiado (PSD) anunciou apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto nesta terça-feira (6), em Goiânia.
Caiado disse que o apoio é coerente com a sua trajetória, de combate ao PT. “Proporcionalmente Goiás vai dar a maior vitória a Flávio Bolsonaro. Será mobilização em tempo integral”, disse Caiado, que também exaltou o ex-presidente Jair Bolsonaro, “meu colega na Câmara por 20 anos”, que está em prisão domiciliar condenado por tentativa de golpe.
“Eu jamais neguei, em todas as circunstâncias, que se eu chegasse onde você vai chegar, eu iria assinar a anistia dele e de todos os [condenados] do 8 de janeiro”, disse Caiado.
“O que nós queremos é que você devolva o Brasil aos brasileiros. Vou entrar de corpo inteiro, por convicção”, disse Caiado.
O anúncio foi feito durante um ato com aliados e apoiadores e contou com a presença do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos reeleitos no domingo (4).
Flávio Bolsonaro discursou na sequência, agradecendo Caiado. “Vocês [plateia] pedem que ele [Caiado] seja ministro porque nós temos vários pontos convergentes. A gente concorda em 115%”, disse o candidato.
“Vou me inspirar muito na segurança pública em Goiás e em São Paulo”, continuou ele, acrescentando que vai “construir meio milhão de vagas de presídios e aumentar penas para chefes criminosos”. “A gente vai arregaçar com vagabundo”, afirmou Flávio.
“O Brasil tem um presidente da República que briga com quem está em outro continente, mas não briga por você, não briga com assaltante de celular, não briga com traficante, não briga com miliciano. Eu vou brigar por você”, continuou o candidato.
O senador também voltou a falar que em breve vai “encerrar a Era do Lula” e disse que já tem maioria para mudar a Constituição, em referência aos eleitos nas urnas de domingo para os assentos no Congresso Nacional.
“O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que ele já é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara. Para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar esse país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição”, disse Flávio.
Uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) precisa ser discutida e votada em dois turnos em cada Casa do Congresso Nacional, Câmara dos Deputados e Senado. Nas duas Casas, também é necessário ter três quintos dos votos, o equivalente a 308 deputados federais e 49 senadores.
Em outro momento do discurso a apoiadores, disse que “o povo brasileiro cansou do Lula” e voltou a criticar o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.
Caiado é um crítico da esquerda e do presidente Lula (PT), e o apoio já era esperado. Mas, na reta final do primeiro turno e sem crescer nas pesquisas de intenção de voto, Caiado resgatou declarações de Flávio sobre Daniel Vorcaro, dono do extinto banco Master, e afirmou em peças de campanha que o candidato do PL “não tem compromisso com a verdade”.
“Um mentiroso se acostuma a mentir, mente para todos”, dizia a propaganda de Caiado, ao reproduzir frases de Flávio em que o presidenciável dizia não ter contato com Vorcaro, o que se revelou falso na sequência.
Nesta terça, em seu discurso, Caiado justificou: “Eu sou duro com todos. Não entro na campanha mole”.
O governador de São Paulo também dedicou parte do discurso desta terça a Jair Bolsonaro, o chamando de injustiçado. “Tentaram calar Jair Bolsonaro, humilharam, mas a voz de Jair Bolsonaro reverbera por meio de todos vocês”, afirmou Tarcísio.
“Com Jair Bolsonaro, aprendemos a ter orgulho de falar de Deus, a professar nossa fé, a falar da família, de liberdade, do direito de propriedade privada, da livre iniciativa”, disse.
“Sofremos durante quatro anos com os desmandos de um governo rancoroso, incompetente, mas está chegando ao fim. Nunca mais a gente vai ter o PT”, afirmou Tarcísio.
Outro derrotado no primeiro turno, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) também declarou apoio a Flávio nesta segunda-feira (5).
Caiado deixou o Governo de Goiás em março para concorrer à Presidência, mas acabou com apenas 2,18% dos votos válidos no primeiro turno, em quinto lugar. Ele teve o apoio de 2,6 milhões de eleitores.
Em Goiás, obteve sua melhor marca, 12,33%, equivalente a 472 mil votos bem menos do que o 1,8 milhão de votos com os quais foi reeleito governador há quatro anos.
A decisão do ex-governador se deu depois de conversa interna com PSD e a legenda optar pela neutralidade na disputa presidencial
Por Júlia Mano
O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) declarou nesta segunda-feira (5) que anunciará apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. O goiano terminou a disputa ao Palácio do Planalto em quinto, com 2.605.148 votos, equivalente a 2,18%.
Caiado contou à coluna que conversou por telefone com Flávio após uma ligação feita pelo candidato à Presidência, que terminou o primeiro turno da eleição à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O anúncio deverá ser feito em evento em Goiânia, na terça-feira (6), às 14h.
No domingo (4), o presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, anunciou que a legenda ficará neutra no segundo turno da disputa presidencial. Dessa forma, os diretórios estaduais e os seus integrantes podem definir individualmente se apoiarão Flávio ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Logo depois de definida a ida da disputa presidencial ao segundo turno, Caiado disse que iria conversar primeiro com Kassab antes de definir seu posicionamento para a próxima etapa do pleito presidencial.