Por Edson Rodrigues

 

 

Estamos atravessando mais uma etapa de recuperação depois de uma cirurgia para a retirada de um tumor cancerígeno nos rins. Foram dias difíceis. Mais uma vez, enfrentamos um daqueles momentos em que a vida nos obriga a parar, refletir e compreender o verdadeiro valor da fé, da família e dos amigos.

 

Com as bênçãos de Nossa Senhora Aparecida, com as orações, o carinho e a solidariedade de familiares, amigos e irmãos, seguimos enfrentando mais esse desafio.

 

E é justamente neste momento de recuperação que fazemos uma reflexão ainda maior sobre a vida, sobre o nosso Estado e sobre o papel que o jornalismo pode — e deve — exercer diante da sociedade.

 

O Paralelo 13, um dos veículos mais antigos de propriedade da Família O Paralelo 13, chega a mais um momento de sua trajetória com uma convicção: não podemos nos limitar a acompanhar a política. É preciso perguntar, cobrar, confrontar números, ouvir os candidatos e discutir qual Tocantins queremos construir para os próximos 20 anos.

 

Estamos diante de mais um processo eleitoral. De um lado, aqueles que já possuem mandato e pretendem continuar representando o Tocantins. De outro, aqueles que desejam conquistar uma cadeira no Congresso Nacional, na Assembleia Legislativa ou chegar ao comando do Governo do Estado.

 

A pergunta é simples: O que cada um deles fez, está fazendo ou pretende fazer pelo Tocantins? Não basta apresentar emendas parlamentares, inaugurações, discursos, fotografias ou números nas redes sociais. É preciso discutir resultados.

 

O Tocantins precisa saber quais deputados federais e senadores conseguiram avançar obras estruturantes, quais deputados estaduais transformaram suas prerrogativas em ações de interesse público e quais candidatos apresentam projetos capazes de enfrentar os problemas históricos do Estado.

 

É disso que precisamos falar.

 

SAÚDE NÃO PODE SER APENAS PROMESSA DE CAMPANHA

 

 

Obras do Hospital  de Gurupi

 

Na saúde, existem questões que não podem ser transformadas em promessa eleitoral a cada quatro anos.

 

O Hospital Geral de Araguaína, por exemplo, é uma das principais obras estruturantes da saúde pública tocantinense. O próprio Governo do Estado informou, em março de 2026, que a obra havia alcançado 72,88% de execução, com investimento superior a R$ 190 milhões e previsão de entrega para o segundo semestre deste ano. A unidade deverá contar com 400 leitos, incluindo 70 de UTI, além de 12 salas cirúrgicas.

 

No sul do Estado, o Hospital Geral de Gurupi também permanece como uma obra estratégica. Em julho, o Governo do Tocantins autorizou uma nova etapa do empreendimento, com investimento anunciado de R$ 103 milhões e previsão de execução de 36 meses.

 

São obras importantes. Mas o cidadão quer saber: quando estarão efetivamente funcionando, com profissionais, equipamentos, medicamentos e capacidade para atender a população? Hospital não se mede apenas pela quantidade de concreto colocado. Hospital se mede pelo paciente atendido.

 

O DINHEIRO PÚBLICO E AS PRIORIDADES

 

O orçamento estadual aprovado para 2026 prevê R$ 19,58 bilhões. Desse total, a Saúde recebeu previsão de R$ 3,3 bilhões e a Educação, R$ 2,7 bilhões.

 

Portanto, o debate não pode ser reduzido simplesmente à afirmação de que “não existe dinheiro”.

 

A questão é outra: Como o dinheiro público está sendo priorizado? Quanto está sendo efetivamente executado? E qual resultado está chegando à população? Essa é uma diferença fundamental.

O dinheiro público precisa ser acompanhado desde a previsão orçamentária até a entrega efetiva do serviço.

 

 

 

E é exatamente aí que entra o papel do Legislativo. As emendas parlamentares são instrumentos legítimos do processo orçamentário e podem financiar ações importantes nos municípios. Mas elas não podem ser confundidas com a totalidade do trabalho parlamentar.

 

Uma emenda destinada a um município não substitui a fiscalização do Executivo, a apresentação de projetos, a participação em comissões, a articulação institucional e o acompanhamento das políticas públicas.

 

EMENDAS PARA SHOWS: É PRECISO DISCUTIR PRIORIDADES

 

E aqui chegamos a um assunto que o O Paralelo 13 não pode deixar de colocar na mesa. Levantamento publicado pelo Jornal Opção Tocantins, com base em dados do Portal da Transparência da Assembleia Legislativa, identificou R$ 86,4 milhões em emendas parlamentares destinadas a eventos festivos e culturais nos municípios em 2025, dos quais R$ 85,6 milhões já haviam sido pagos no momento da consulta. O valor correspondia a aproximadamente 36% dos R$ 240 milhões reservados às emendas individuais dos 24 deputados estaduais naquele ano.

 

Não estamos dizendo que cultura, lazer, festas populares ou manifestações religiosas não sejam importantes.

 

São importantes. O questionamento é sobre qual deve ser a prioridade de um Estado que ainda enfrenta problemas históricos em saúde, educação, infraestrutura e assistência social?

 

É uma pergunta legítima. E precisa ser respondida pelos parlamentares e pelo próprio eleitor.

 

 

 

Em Santa Rosa do Tocantins, por exemplo, documentos oficiais do município registram contratações de shows para o Festival de Música Folclórica de 2026, incluindo um contrato de R$ 303 mil para um show e outro de R$ 150 mil, com despesas previstas a partir de emenda parlamentar e/ou recursos próprios do município.

 

É justamente por existirem documentos oficiais que esse debate precisa ser feito com transparência.

 

Quanto foi destinado? De onde veio o recurso? Quem recebeu?Qual foi o evento? Qual foi o cachê? Qual foi o benefício público esperado? E, principalmente: Esse era o melhor destino possível para aquele dinheiro naquele momento?

 

Não se trata de atacar artistas, produtores culturais, festas tradicionais ou manifestações religiosas.Trata-se de discutir prioridades públicas.

 

Porque, enquanto recursos públicos são utilizados em grandes contratações artísticas, o Tocantins continua discutindo filas na saúde, vagas em creches, infraestrutura, educação, qualificação profissional e oportunidades de trabalho.

 

O cidadão tem o direito de fazer essa pergunta. E o parlamentar tem o dever de respondê-la.

 

UM ESTADO QUE AINDA PRECISA DE POLÍTICAS SOCIAIS

 

 

 

Também não podemos ignorar a importância dos programas sociais federais para milhares de famílias tocantinenses.

 

O Cadastro Único é utilizado como instrumento de acesso a programas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada, Tarifa Social de Energia Elétrica, Gás do Povo, Minha Casa, Minha Vida e Pé-de-Meia, entre outros.

 

Os números oficiais ajudam a dimensionar essa realidade.

 

Esses números precisam ser tratados com responsabilidade. O desafio de um Estado não pode ser simplesmente ampliar ou reduzir a quantidade de famílias dependentes de programas de transferência de renda.

 

O verdadeiro desafio é criar condições para que cada vez mais famílias possam viver de emprego, renda, qualificação, empreendedorismo e oportunidades.

 

É esse Tocantins que precisamos discutir.

 

EDUCAÇÃO: QUAL TOCANTINS QUEREMOS DAQUI A 20 ANOS?

 

Na educação, a discussão também precisa ser objetiva. O orçamento estadual de 2026 prevê R$ 2,7 bilhões para a área. Mas orçamento, sozinho, não educa. É preciso discutir qualidade do ensino, infraestrutura das escolas, valorização dos profissionais, ensino técnico, universidades, pesquisa, tecnologia, inovação e preparação dos jovens para o mercado de trabalho.

 

Queremos formar uma geração apenas para concluir o ensino médio? Ou queremos preparar os jovens tocantinenses para ocupar os empregos que serão criados no próprio Estado? Precisamos discutir formação profissional, tecnologia, empreendedorismo, universidades e pesquisa. Precisamos discutir o futuro.

 

NÃO PODEMOS CONFUNDIR EMENDA COM MANDATO

 

 

 

A sociedade precisa compreender que o mandato parlamentar é muito maior do que a distribuição de emendas.

 

É preciso fiscalizar, legislar, participar das comissões, acompanhar obras, cobrar recursos e defender os interesses do Estado. É preciso estar presente em Brasília e também estar presente nos municípios.

 

E, sobretudo, é preciso prestar contas. Uma emenda parlamentar pode representar uma conquista importante para um município. Mas não pode ser apresentada como se fosse a totalidade da atuação de um parlamentar.

 

Mandato não é apenas liberar recurso. Mandato é representar a população.

 

NÃO PODEMOS SER OMISSOS

 

A Família O Paralelo 13 entende que respeitar as instituições não significa deixar de cobrar.

 

Respeitar homens e mulheres que exercem mandatos não significa abrir mão da fiscalização.

 

Respeitar o Governo não significa abandonar o papel de questionar.

 

E respeitar a oposição também não significa aceitar qualquer acusação sem prova.

 

O jornalismo precisa estar no meio desse debate, ouvindo, perguntando, conferindo e dando espaço para que os responsáveis apresentem suas respostas.

 

Não podemos ser omissos.

 

Mas também não podemos transformar o jornalismo em instrumento de acusação sem comprovação.

 

O Tocantins merece mais, merece transparência, planejamento, fiscalização, prioridades definidas.

 

O TOCANTINS DOS PRÓXIMOS 20 ANOS

 

É hora de perguntar aos candidatos ao Governo do Estado: que Tocantins vocês querem entregar daqui a quatro anos? E aos candidatos ao Senado e à Câmara Federal sobre qual será a agenda de vocês para o Tocantins em Brasília? Aos candidatos à Assembleia Legislativa: Quais serão as prioridades do mandato?

 

Às entidades empresariais, classistas, religiosas, trabalhadores, produtores rurais, educadores e profissionais liberais: que Estado vocês querem construir? Porque o Tocantins de daqui há 20 anos começa a ser construído agora.

 

Não podemos pensar apenas na próxima eleição. Precisamos pensar nas próximas gerações.

 

É por isso que, a partir desta semana, O Paralelo 13 inicia uma nova etapa de entrevistas.

 

Vamos ouvir candidatos e candidatas, representantes de entidades classistas e religiosas, empresários e trabalhadores, educadores e profissionais da saúde, produtores rurais, representantes da sociedade civil.

 

E vamos fazer a mesma pergunta a todos:

 

Que Tocantins vocês querem construir? A discussão que propomos não pertence à esquerda nem à direita. Não pertence ao governo nem à oposição. Não pertence a um candidato ou a outro.

 

Pertence ao Tocantins.

 

O eleitor não pode ser tratado apenas como alguém que aparece nas urnas a cada quatro anos. Ele precisa ser respeitado como cidadão que paga impostos, utiliza os serviços públicos, enfrenta filas, procura emprego, coloca os filhos na escola, busca atendimento médico e espera que seus representantes cumpram aquilo que prometeram.

 

É esse cidadão que precisa estar no centro do debate. E é por ele que o jornalismo precisa continuar perguntando.

Que Tocantins queremos?

 

A resposta não pode ficar para depois da eleição!

 

 

 

Posted On Segunda, 17 Agosto 2026 05:32 Escrito por O Paralelo 13

Celebração secular, realizada de 6 a 17 de agosto, recebe romeiros de dentro e fora do Tocantins e reforça a importância de Natividade para o turismo religioso e cultural

 

 

Por Leydiane Lima

 

 

Depois de quatro anos sem retornar ao povoado do Bonfim, Maria Inês Mendes veio de Tucumã, no Pará, para participar novamente da Romaria do Senhor do Bonfim, em Natividade, realizada de 6 a 17 de agosto. É a quinta vez que ela faz a viagem, desta vez também para agradecer por uma graça alcançada. “Tenho muita fé no Senhor do Bonfim”, ressalta a romeira.

 

O relato de Maria Inês ajuda a dimensionar o alcance de uma celebração que, todos os anos, leva milhares de pessoas ao município de Natividade, localizado a cerca de 277 km de Palmas. No povoado, o Santuário Diocesano do Senhor do Bonfim recebe fiéis que chegam de diferentes lugares para participar das celebrações religiosas.

 

A origem da devoção remonta ao ano de 1750. De acordo com a narrativa preservada pela comunidade, uma imagem de Cristo crucificado foi encontrada por um vaqueiro na zona rural. Com o passar do tempo, o lugar se tornou destino de peregrinação e contribuiu para a formação do próprio povoado do Bonfim.

 

Em 2026, o Festejo do Senhor do Bonfim passou a integrar oficialmente o Patrimônio Cultural Imaterial e Histórico do Estado do Tocantins, reforçando a importância da celebração para a preservação da história e da cultura tocantinense.

 

Missa campal reúne romeiros no Santuário Diocesano do Senhor do Bonfim, em Natividade, durante as celebrações deste sábado, 15, ponto alto dos festejos. 

 

Durante a missa campal, neste sábado, 15, Dom Pedro, administrador apostólico diocesano, abordou em sua homilia a importância da fé para a vida em sociedade, destacando o amor ao próximo, a solidariedade e o cuidado com as pessoas como valores que precisam estar presentes também nas relações cotidianas.

 

A presença da religiosidade na cultura tocantinense não se limita ao Bonfim. Na região sudeste, as Folias do Divino, em Natividade, e as Cavalhadas de Taguatinga preservam costumes ligados às comunidades locais. A Suça, também fortemente associada a Natividade, integra esse conjunto de manifestações culturais; e, no Jalapão, os Caretas de Lizarda fazem parte das tradições da Semana Santa.

 

Movimento que vai além do santuário

 

Nos dias de romaria, a circulação de visitantes muda também a rotina de Natividade e do povoado do Bonfim. Restaurantes, barracas, hospedagens, transporte, comércio e outros serviços recebem uma demanda maior, criando oportunidades para vendedores, pequenos empreendedores e trabalhadores locais.

 

O fluxo de visitantes ainda abre espaço para conhecer outros atrativos de Natividade. O município reúne patrimônio histórico, arquitetura, gastronomia e costumes que complementam a experiência de quem chega pela romaria e fortalecem o turismo religioso e cultural.

 

 

Ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos integram o conjunto histórico de Natividade e ajudam a preservar parte da memória cultural do município.

 

A romaria também mobiliza uma estrutura de serviços públicos para atender o grande fluxo de pessoas no período. Entre as ações estão pontos de apoio aos romeiros, com alimentação e cuidados básicos de saúde, além do reforço das Forças de Segurança, atendimento de emergências, fiscalização e orientação no trânsito. Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, Departamento Estadual de Trânsito do Tocantins (Detran) e outros órgãos estaduais atuam durante os festejos para atender moradores, visitantes e romeiros que chegam a Natividade.

 

Assim, enquanto romeiros como Maria Inês chegam ao Bonfim por motivos pessoais de fé, a celebração também coloca em circulação histórias, tradições e atividades que fazem parte da vida de Natividade há séculos.

 

 

 

Posted On Domingo, 16 Agosto 2026 05:28 Escrito por O Paralelo 13

Por: Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

O mapa eleitoral do Tocantins começa a revelar aquilo que muitos políticos ainda tentam não enxergar: a eleição de 2026 será atravessada por uma forte polarização nacional. Os números oficiais do Tribunal Superior Eleitoral referentes ao segundo turno de 2022, quando o eleitor tocantinense escolheu entre Lula e Jair Bolsonaro, mostram um Estado dividido, com diferentes regiões apresentando comportamentos eleitorais distintos.

 

No segundo turno de 2022, Lula obteve 51,36% dos votos válidos no Tocantins, contra 48,64% de Bolsonaro. Mais do que números históricos, esse mapa oferece aos estrategistas das candidaturas majoritárias um “mapa da mina” eleitoral, pois ele ajuda a compreender onde estão as forças políticas, quais regiões possuem maior aderência a determinado campo ideológico e, principalmente, onde cada candidatura poderá encontrar terreno fértil para crescer.

 

É preciso, portanto, olhar para 2026 com os pés no chão.

 

NÃO HÁ ESPAÇO PARA FICAR EM CIMA DO MURO

Na eleição deste ano, especialmente na disputa pelo Governo do Tocantins, não parece haver muito espaço para quem pretende acender uma vela para cada lado. O eleitor está mais atento. E, diante de uma eleição nacional novamente marcada pela disputa entre direita e esquerda, as candidaturas estaduais serão inevitavelmente chamadas a dizer quem são, de onde vêm e com quem caminham.

 

No cenário atual, duas candidaturas ao Governo já assumiram posições bastante claras no tabuleiro nacional. O candidato Vicentinho Júnior, identificado com o campo da direita, e Laurez Moreira, identificado com o campo de esquerda e alinhado ao presidente Lula. Entre os nomes que aparecem na disputa, a senadora Professora Dorinha Seabra ocupa uma posição particularmente delicada. Segundo as informações que chegam ao Observatório Político de O Paralelo13, Dorinha aparece tecnicamente empatada com Vicentinho em levantamentos que circulam no cenário estadual, enquanto Laurez Moreira vem logo atrás, com Ataídes Oliveira também buscando espaço.

 

Mas existe uma questão política que não pode ser ignorada.

 

DORINHA: ENTRE O CONGRESSO E O PALANQUE

 

A senadora Professora Dorinha Seabra exerce hoje uma posição de destaque na relação institucional com o governo do presidente Lula, inclusive como vice-líder no Senado. Ao mesmo tempo, sua candidatura ao Governo reúne importantes lideranças que possuem forte identificação com a direita tocantinense. Entre essas forças estão Eduardo Gomes, Wanderlei Barbosa, Eduardo Siqueira Campos, Carlos Gaguim, Eli Borges e Ronaldo Dimas, além de outras lideranças que transitam no campo político de centro-direita.

 

E aí está o dilema.

 

O União Brasil liberou seus integrantes para definirem apoio presidencial conforme as articulações regionais. A decisão nacional de neutralidade da legenda foi confirmada durante a convenção partidária, permitindo que os diretórios e candidatos mantenham seus próprios palanques estaduais.

 

Isso significa que Dorinha terá de administrar uma equação política extremamente delicada, com uma candidatura ao Governo apoiada por lideranças majoritariamente identificadas com a direita, enquanto ela própria ocupa uma posição institucional de proximidade com o governo Lula no Senado. O eleitor, mais cedo ou mais tarde, vai perguntar: qual será a posição de Dorinha na eleição presidencial?

 

E essa resposta poderá ter peso no segundo turno estadual e o eleitor certamente exigirá clareza.

 

O TRIO PARADA DURA DA DIREITA

 

Se existe uma característica que ninguém no Tocantins parece ter dificuldade de identificar, é a posição política de Vicentinho Júnior, Eduardo Gomes e Wanderlei Barbosa. O trio, cada um à sua maneira, construiu sua trajetória política distante do campo da esquerda e hoje está claramente associado ao espectro da direita ou centro-direita. Vicentinho Júnior não esconde sua posição. Eduardo Gomes também não, e Wanderlei Barbosa, embora não seja candidato a nenhum cargo eletivo em 2026, tornou-se uma das principais referências políticas da composição que se desenha para a sucessão estadual.

 

É justamente por isso que o mapa eleitoral de 2022 ganha importância. Ele mostra que o Tocantins não é eleitoralmente homogêneo. Há municípios e regiões onde a direita possui enorme capacidade de mobilização e outros onde o campo lulista demonstra força. Quem souber interpretar esse mapa poderá largar na frente. Quem ignorá-lo poderá descobrir tarde demais que eleição não se ganha apenas com discurso de gabinete.

 

EDUARDO GOMES: O HOMEM DO PALANQUE DE FLÁVIO BOLSONARO NO TOCANTINS

 

É neste ponto que entra uma das movimentações mais importantes do tabuleiro de 2026.

O senador Eduardo Gomes, presidente estadual do PL e vice-presidente do Senado, assumirá papel central na articulação da campanha de Flávio Bolsonaro no Tocantins, funcionando como uma das principais referências do projeto presidencial do PL no Estado. A aproximação não é circunstancial. Eduardo Gomes participou da convenção nacional do PL ao lado de Flávio Bolsonaro e reforçou publicamente sua ligação com o grupo político bolsonarista. Durante o governo Jair Bolsonaro, Gomes foi líder do governo no Congresso Nacional e tornou-se um dos principais articuladores da gestão no Parlamento.

 

E há outro detalhe que não pode ser ignorado. Eduardo Gomes chega à disputa presidencial com uma estrutura política que extrapola os limites do seu partido. Atualmente o senador conta com o apoio dos prefeitos dos cinco maiores colégios eleitorais do Tocantins: Eduardo Siqueira Campos, de Palmas; Wagner Rodrigues, de Araguaína; Josi Nunes, de Gurupi; Ronivon Maciel, de Porto Nacional; e Celso Morais, de Paraíso do Tocantins.

 

São cinco municípios que concentram uma parcela decisiva do eleitorado tocantinense. Não se trata, portanto, apenas de uma fotografia partidária. Trata-se de uma rede municipal com capacidade de comunicação direta com o eleitor.

 

Em Palmas, Eduardo Siqueira Campos já declarou apoio a Eduardo Gomes para o Senado, destacando a parceria institucional construída com o senador. Em Gurupi, a relação política entre Eduardo Gomes e Josi Nunes também vem sendo demonstrada publicamente, inclusive em agendas que reforçaram a parceria entre as duas lideranças. Em Araguaína, Wagner Rodrigues aparece no tabuleiro como apoiador de Eduardo Gomes para o Senado, embora enfrente uma disputa local particular pela presença de outros nomes ligados diretamente ao eleitorado da cidade. É essa capilaridade que pode transformar Eduardo Gomes em uma peça ainda mais importante na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no Tocantins.

 

Eduardo Gomes terá, portanto, uma eleição com duas frentes. De um lado, a disputa pela própria reeleição ao Senado. De outro, a responsabilidade de ajudar a organizar o palanque de Flávio Bolsonaro no Tocantins.

A CONTRADIÇÃO DO CENTRÃO

 

No plano nacional, entretanto, o cenário não é tão simples para Flávio Bolsonaro.

União Brasil, PP e Republicanos adotaram posições de neutralidade na disputa presidencial, liberando suas lideranças estaduais para construírem seus próprios palanques. O movimento representa uma dificuldade para o PL reproduzir, nacionalmente, a amplitude da aliança que Jair Bolsonaro conseguiu reunir em 2022. O Republicanos, por exemplo, registrou ampla maioria de diretórios pela neutralidade, enquanto apenas uma parcela declarou apoio a Flávio Bolsonaro.

]Mas aqui está justamente a peculiaridade do Tocantins.

]

A neutralidade nacional não significa necessariamente neutralidade nos estados. O próprio desenho político tocantinense mostra que os interesses locais podem falar mais alto do que as decisões das direções nacionais. E Eduardo Gomes é uma demonstração clara disso.

KÁTIA ABREU E O PALANQUE DE LULA

 

Do outro lado do tabuleiro está a candidatura do presidente Lula à reeleição. No Tocantins, Lula possui um palanque que busca ganhar forma em torno da candidatura de Laurez Moreira ao Governo e de nomes alinhados ao campo progressista. Nesse processo, a ex-senadora Kátia Abreu assume papel político relevante como coordenadora da articulação da campanha de Lula no Estado. Kátia terá uma missão de apresentar ao eleitor tocantinense os resultados, investimentos e programas sociais realizados durante os governos Lula, demonstrando de que maneira essas políticas chegaram aos municípios e às famílias do Tocantins.

 

Não basta dizer que é Lula. Será necessário mostrar o que Lula fez pelo Tocantins. E os candidatos proporcionais e majoritários do campo da esquerda também precisarão decidir se vão carregar essa bandeira com a força necessária.

 

LAUREZ E O PALANQUE LULISTA

 

Dentro desse desenho, Laurez Moreira surge como o principal nome do campo lulista na disputa pelo Governo do Tocantins. Sua candidatura terá um desafio de transformar a identificação nacional com Lula em votos efetivos para uma eleição estadual. É uma tarefa que parece simples no discurso, mas que exige organização municipal, lideranças, prefeitos, vereadores, deputados e uma comunicação eleitoral capaz de traduzir a polarização nacional para os problemas concretos do Tocantins.

 

Porque o eleitor pode gostar de Lula e votar diferente para governador. Assim como pode votar em um candidato de direita para governador e escolher Lula para presidente. É justamente por isso que o mapa de 2022 precisa ser estudado município por município.

 

O MAPA DA MINA NÃO É UMA PROFECIA

 

Os dados do TSE não dizem quem vencerá 2026. Eles mostram, entretanto, como o eleitorado tocantinense se comportou diante da maior polarização presidencial recente. Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional, Paraíso do Tocantins e os demais municípios apresentam comportamentos eleitorais diferentes.

 

Em Palmas, por exemplo, Bolsonaro alcançou 60,3% dos votos válidos no segundo turno de 2022. Em Araguaína, chegou a 58,2%. Gurupi registrou 59,3% para Bolsonaro. Já Porto Nacional teve vantagem de Lula, com 52,6%. Os números mostram que não existe uma única fórmula eleitoral para o Estado. É justamente aí que está o verdadeiro mapa da mina. A candidatura que compreender as particularidades de cada região poderá transformar tendência eleitoral em voto.

 

DEPOIS DO SENHOR DO BONFIM

 

A partir da próxima semana, encerrados os festejos religiosos do Senhor do Bonfim, a tendência é que o marketing político das candidaturas majoritárias comece a definir com maior clareza o tom de cada campanha.

 

Será a hora de escolher a música. Direita? Esquerda? Lula? Flávio? Existirá uma tentativa de manter-se no meio de caminho? Os veículos de comunicação deverão repercutir os movimentos, as alianças e as primeiras grandes pesquisas. E o eleitor fará suas escolhas.

 

O Tocantins ainda aguarda novas rodadas de pesquisas de intenção de votos que poderão ajudar a esclarecer o cenário. Estão previstas medições de institutos como Quaest e Datafolha, com levantamentos nacionais e estaduais, além da pesquisa da Paraná Pesquisas, contratada pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (FIETO), conforme as informações que circulam no cenário político

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Será especialmente importante observar as primeiras rodadas completas para governador e para as duas vagas ao Senado. Só então será possível comparar discurso político, estrutura partidária e intenção efetiva de voto. E talvez seja justamente aí que alguns políticos descubram que pesquisa interna e realidade eleitoral são duas coisas completamente diferentes.

 

A eleição de 2026 não será apenas uma disputa de nomes, mas uma disputa de identidade política. O eleitor poderá até rejeitar a polarização, mas não poderá ser tratado como alguém que não percebe os movimentos dos bastidores.

 

O Tocantins está olhando. As redes sociais estão olhando, os municípios estão olhando e o resultado certamente virá nas urnas. O mapa eleitoral do Tocantins está posto. Agora começam as escolhas. E, quando as campanhas forem para a televisão, para o rádio, e, principalmente, para as ruas, cada candidato terá de responder à pergunta mais simples e mais difícil de uma eleição: afinal, quem é você, com quem você está e o que pretende fazer pelo Tocantins?

 

O eleitor saberá responder. As urnas também

 

 

Posted On Sábado, 15 Agosto 2026 11:42 Escrito por O Paralelo 13

Hoje, 15 de agosto, é dia do Nosso Senhor do Bonfim, o santo das massas, protetor dos desvalidos e orientador dos que caminham para o bem. Certamente, um momento de reflexão e renovação de fé.

 

 

Por Edivaldo Rodrigues

 

 

É essa fé, renovada todos os dias, que move a nossa família e promove sustentação espiritual ao nosso amado e admirado irmão EDSON RODRIGUES, que, pelo seu histórico de resiliência, carrega na pele fragmentos das pedras cangas que sustentam a exuberância da Celestial da Catedral de Nossa Senhora das Mercês.

 

O nosso “NEM”, que já teve o rosto esmagado num acidente automobilístico, onde somente ele sobreviveu, e que, na reconstituição facial, passou por cirurgia sem anestesia, período em que foi paciente no centro cirúrgico de vários hospitais por mais de dez vezes, sempre encontrou um sorriso para aliviar as nossas dores, sofridas por ele.

 

Dois anos após uma intervenção cirúrgica na próstata, lá está ele novamente se recuperando de outra, desta feita para a remoção de um tumor em um de seus rins. No rosto, o sorriso de sempre; na alma, a grandiosidade de sua fé; e, do lado do seu leito, filhos e esposa, com dedicação singular, o acalentam para, daqui a pouco, festejar seu retorno ao mundo mágico da notícia.

 

Quem conhece o Edson Rodrigues sabe ou desconfia que ele foi moldado a ferro e a fogo, esculpido no tronco de um jequitibá que nunca tomba. Na verdade, ele foi medido pela régua da vida que pertence à nossa mãe, Ana Rodrigues, uma lavadeira de profissão e que não teve tempo de conhecer as letras. Mas, com o enxergar muito adiante dos letrados, nos guiou pelo universo do conhecimento.

 

Nessa viagem proposta por essa mulher de saber universal caminhou e caminha Edson Rodrigues, uma figura ímpar no que faz e, com certeza, uma referência no jornalismo tocantinense. Ele é um amigo que acolhe entre os braços, um pai que espelha exemplos, um esposo dedicado e, com toda a verdade do mundo, um irmão de amor infinito.

 

É com toda essa bagagem de vida, reforçada pelas amizades, pelo apoio familiar, que Edson Rodrigues, renovado na fé e na esperança, estará de volta brevemente, para continuar sua trajetória de um guerreiro abençoado pelo Nosso Santo Padre Luso.

 

Seja bem-vindo, nego!

 

 

Posted On Sábado, 15 Agosto 2026 11:22 Escrito por O Paralelo 13

Deneis disputou a Prefeitura do município em 2024; Rogerinho exerceu quatro mandatos de vereador e foi superintendente de Segurança Pública do Estado.

 

 

Da Assessoria

 

 

A candidata ao Governo do Tocantins, Professora Dorinha (União Brasil), recebeu nesta sexta-feira, 14, o apoio do ex-vereador de Silvanópolis Rogerinho e do odontólogo Deneis Borges. Os dois declararam que passam a caminhar ao lado da candidata na disputa pelo Governo do Estado.

 

Rogerinho foi vereador de Silvanópolis por quatro mandatos, presidiu a Câmara Municipal e também exerceu o cargo de Superintendente de Administração dos Sistemas Penitenciário e Prisional do Tocantins. Deneis Borges concorreu à Prefeitura de Silvanópolis pelo Republicanos nas eleições de 2024 e terminou a disputa na segunda colocação. Natural de Porto Nacional, ele atua como odontólogo.

 

Ao anunciar a decisão, Deneis relacionou o apoio à atuação de Dorinha no município e aos recursos destinados ao longo dos mandatos da parlamentar. “Estamos aqui para declarar nosso apoio à senhora. Sempre digo que temos que apoiar quem tem serviço prestado ao Estado e ao nosso município. A senhora sempre ajudou Silvanópolis e tenho certeza de que vai continuar ajudando. Estamos juntos”, afirmou.

 

Dorinha agradeceu as manifestações e lembrou investimentos destinados ao município em áreas como infraestrutura, educação e saúde. “Silvanópolis conhece o meu trabalho. Temos recursos destinados para asfalto, escola e saúde. Recebo com muita alegria o apoio do Rogério e do Deneis e sou muito grata pela confiança de vocês. Vamos trabalhar juntos”, afirmou a Professora Dorinha.

 

Investimentos para o município

 

A atuação de Dorinha em Silvanópolis soma R$ 13,95 milhões em recursos ao município. Os investimentos alcançam saúde, educação, infraestrutura, assistência social e apoio à produção rural, com recursos para construção de escolas, pavimentação, praça, máquinas e equipamentos agrícolas, além de custeio e equipamentos para a saúde. Entre as ações mais recentes estão recursos para uma ponte na zona rural e novos investimentos em pavimentação.

 

 

Posted On Sábado, 15 Agosto 2026 05:27 Escrito por O Paralelo 13
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