Em decisão divulgada nesta sexta-feira, 12, a Justiça italiana diz que Moraes atuou sob “dupla veste”, como julgador e de pessoa afetada pelo crime imputado a Zambelli
Do Estado de São Paulo
A Corte de Cassação, instância máxima do sistema judicial da Itália, apontou uma suposta parcialidade do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), para anular a sentença de extradição da ex-parlamentar da Europa para o Brasil.
Em decisão divulgada nesta sexta-feira, 12, a Justiça italiana diz que Moraes atuou sob “dupla veste”, como julgador e de pessoa afetada pelo crime imputado a Zambelli.
“Múltiplos elementos capazes de fazer duvidar da imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do Tribunal que proferiu a condenação da recorrente. Isso em razão da dupla veste assumida pelo M. A. D. M. (referência ao ministro) como componente do colegiado julgador e como pessoa danificada por um dos crimes imputados à recorrente”, diz.
Zambelli foi condenada pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo porte de arma de fogo ilegal nas eleições de 2022.
A mando da ex-deputada, o hacker Walter Delgatti Neto inseriu um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes no sistema da Justiça. “Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o L”, dizia o documento falso.
Para a Justiça italiana, Moraes incorreu em um “acúmulo atípico de funções judiciais” ao conduzir parte das investigações e ser o juiz responsável por analisar o mérito do caso.
“Resulta dos autos transmitidos que o M. A. D. M. foi designado como relator do procedimento penal em desfavor de Z. S. O. C. (Zambelli); nessa condição, ele participou da decisão das questões preliminares, inclusive aquela relativa à sua incompatibilidade, bem como da decisão de condenação da recorrente no que tange aos crimes imputados e daquela que determinou a perda imediata do mandato parlamentar de Z. S. O. C ; o mesmo Juiz, ademais, expediu o mandado de prisão em desfavor de Z. S. O. C., redigiu o pedido de extradição e forneceu informações a respeito do Estabelecimento prisional”, diz.
Entenda o caso
A Corte de Cassação anulou no dia 22 de maio, a extradição da ex-deputada federal. Zambelli foi solta após a decisão. Ela publicou um vídeo no perfil de seu marido, Coronel Aginaldo, no Instagram, acompanhada dele e do advogado Pieremilio Sammarco.
“Hoje é dia 22 de maio de 2026, dia de Santa Rita, nome da minha mãe e da pessoa que era minha companheira de cela”, disse Zambelli.
O processo ainda depende de uma decisão do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio. O ministro tem um prazo de 45 dias para se manifestar a partir do acórdão da nova decisão da Justiça.
Antes da decisão desta sexta-feira, a Justiça italiana vinha proferindo decisões a favor da extradição de Zambelli nos dois processos em que ela foi condenada no STF. A defesa recorreu, então, à Corte de Cassação, que é a última instância da Justiça no país. Zambelli teve seu mandato de parlamentar cassado pela Justiça eleitoral de São Paulo em 2025.
Com 48 seleções, Mundial será o maior em número de participantes
Por Pedro Peduzzi
Começa hoje (11), às 14h30, o evento esportivo mais apaixonante, detentor das maiores audiências do planeta: a Copa do Mundo, que, em 2026, terá três países-sede: México, Estados Unidos e Canadá.
Segundo a Federação Internacional de Futebol (Fifa), cerca de 5 bilhões de pessoas acompanharam a Copa do Mundo do Catar, em 2022.
Só a partida final, disputada entre as seleções da Argentina e da França, contabilizou mais de 1,5 bilhão de espectadores. Foi a maior audiência esportiva da história, de acordo com o relatório oficial da Fifa.
No ambiente digital, também segundo dados oficiais, o alcance acumulado ficou em aproximadamente 262 bilhões de visualizações em diferentes plataformas e quase 6 bilhões de interações.
Unir o mundo
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, diz que os recordes de audiência obtidos pelo futebol durante a Copa do Mundo se devem ao fato de esse esporte carregar consigo “a magia de unir o mundo”.
Essa união descrita por Infantino possibilita conexões culturais que foram bastante percebidas pelos brasileiros durante a Copa de 2014, tanto nos estádios do país como nos arredores das arenas e pontos turísticos das cidades que sediaram as partidas.
As expectativas da atual edição, com três países-sede e número recorde de seleções participantes (48 em vez de 32), é fazer da Copa de 2026 a maior da história.
Discriminação
Entretanto, antes mesmo de começar, a Copa de 2026 já tem servido de ambiente fértil para preconceitos, principalmente por conta das políticas interna e externa estadunidenses.
Em meio à guerra contra o Irã, os EUA têm adotado políticas migratórias consideradas abusivas, dificultando vistos, de forma a restringir a entrada de jogadores, árbitros e torcedores em seu território.
Um dos casos envolve o jogador iraquiano Aymen Hussein, retido por várias horas na imigração dos EUA, onde passou por um interrogatório rigoroso. Considerado destaque da equipe, ele teve o celular inspecionado antes de ser liberado para entrar no país. Outros integrantes da delegação não tiveram a entrada autorizada.
Os EUA barraram também a entrada do premiado árbitro Omar Artan, da Somália, quando chegava ao aeroporto Internacional de Miami, vindo de Istambul. Ele foi considerado inadmissível devido a “preocupações com a verificação de antecedentes”, segundo a alfândega, em comunicado que não especificou quais seriam tais preocupações. Esta seria a primeira vez que um árbitro da Somália participaria de uma Copa do Mundo.
Já a delegação iraniana teve de mudar seus planos, após ter sido proibida de pernoitar em território estadunidense. Em princípio, estava programado que eles ficariam hospedados no estado norte-americano do Arizona.
Diante da negativa por parte do governo estadunidense, a solução foi hospedar a delegação na cidade de Tijuana, no México, para onde terão de retornar após cada partida disputada nos EUA. Os jogadores só poderão entrar nos Estados Unidos na véspera de cada uma de suas três partidas pela Copa do Mundo.
Há também relatos de torcedores iranianos que tiveram seus ingressos cancelados há poucos dias do início do mundial.
Novidades
Em 2026, além de novidades que darão o tom das próximas Copas, como o número maior de países participantes, há algumas curiosidades.
O jogo de abertura, por exemplo, repetirá o confronto entre México e África do Sul – o mesmo que iniciou a Copa de 2010. É a primeira vez que isso acontece desde que a competição passou a ter formato com uma partida inaugural, em vez de vários jogos simultâneos.
Outra informação curiosa é que o Estádio Azteca, na Cidade do México, será o primeiro da história a sediar três aberturas de Copa do Mundo (1970, 1986 e 2026).
Cerimônia de abertura
Com relação à cerimônia de abertura, a Fifa organizou um evento inédito de contagem regressiva com shows simultâneos em três cidades: Cidade do México, Toronto e Los Angeles.
Os chamados Countdown Concerts foram concebidos como uma experiência integrada entre os três países, com apresentações musicais em tempo sincronizado e transmissões cruzadas, reunindo artistas locais e internacionais no dia anterior ao início do torneio.
No México, que recebe o jogo inaugural, a apresentação destacará elementos tradicionais, com música, dança e referências à cultura local, incluindo manifestações artísticas como o papel picado, símbolo festivo do país, além de participação de talentos indígenas e expressões do folclore contemporâneo.
Artistas
Entre os artistas confirmados pela Fifa para a cerimônia no Estádio Azteca estão Shakira, Burna Boy, Alejandro Fernández, Belinda, Danny Ocean, J Balvin, Lila Downs, Los Ángeles Azules, Maná e Tyla.
Nos Estados Unidos, a cerimônia em Los Angeles terá apresentação de artistas como Katy Perry, Future, Lisa, Rema e Tyla, além da brasileira Anitta.
No Canadá, os artistas destacados são Alanis Morissette, Alessia Cara, Elyanna, Jessie Reyez, Michael Bublé, Nora Fatehi, Sanjoy, Vegedream e William Prince.
Solicitação se refere ao episódio em presidente teria sugerido que traidores da pátria mereciam punição pior que a forca
Por Raquel Landim
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, solicitando a instauração de inquérito para investigá-lo por incitação ao crime e por ameaça.
A ação, ao qual o SBT News teve acesso, se refere ao episódio da inauguração do campus Catalão do Instituto Federal Goiano em que Lula afirmou que “traidores da pátria merecem punição pior que a forca”, referindo-se ao senador e ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
No evento, Lula afirmou que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro eram “vendilhões da pátria” por causa de sua visita ao presidente americano, Donald Trump.
“Foram pedir que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores que vão pedir intervenção de um país no nosso? Pensem aí. Esse cidadão [Flávio] hoje na imprensa: 'Não falei nada'. Todo covarde é assim. Fala m* e depois não assume, fica tentando mentir", disse Lula.
O presidente usou a Inconfidência Mineira como paralelo sobre a punição do Estado a traidores, mas se confundiu ao citar o enforcamento de Joaquim Silvério dos Reis, delator de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes (1746–1792). Na realidade, Tiradentes é quem terminou morto na forca, enquanto Reis teve perdoadas suas dívidas com a Coroa Portuguesa e morreu de causas naturais.
Na ação, os advogados de Flávio argumentam que o discurso de Lula foi transmitido ao vivo pela TV Brasil e atingiu um número elevado de pessoas, aumentando os riscos para o pré-candidato à presidência. Eles argumentam também que, entre janeiro de 2016 e setembro de 2020, 68 políticos brasileiros foram assassinados e 57 foram alvo de algum tipo de atentado contra a vida.
Documento reúne prioridades para ampliar direitos, fortalecer a participação feminina e combater a violência contra mulheres e meninas.
Com Assessoira
“Educação de qualidade para as mulheres é a chave para a ocupação de espaços de liderança nos setores público e privado. É o que permite ampliar a presença feminina na política, na ciência, na gestão pública e nos negócios”. Assim a senadora Professora Dorinha (União) abriu a Sessão Solene do Congresso Nacional destinada ao lançamento da Agenda Legislativa Mulheres do Brasil 2026, nesta quarta-feira (10). O documento elaborado pelo Grupo Mulheres do Brasil que reúne propostas para ampliar direitos, fortalecer a participação feminina e enfrentar diferentes formas de violência contra mulheres e meninas.
A parlamentar destacou que a construção da agenda reflete os avanços conquistados pelas mulheres brasileiras, mas também evidencia os desafios que ainda impedem a plena igualdade de oportunidades no país.
O documento está estruturado em sete eixos prioritários: enfrentamento à violência contra a mulher; participação política e representatividade; autonomia econômica e trabalho; saúde da mulher; orçamento sensível ao gênero; educação e formação; e violência digital, inteligência artificial e ambiente online.

Dorinha ainda deu ênfase especial aos temas da educação, da representatividade feminina e do orçamento público com perspectiva de gênero. Segundo ela, essas áreas têm potencial para impulsionar avanços em todas as demais políticas voltadas às mulheres. Também chamou atenção para barreiras que ainda afastam meninas e mulheres do pleno acesso à educação, como a pobreza menstrual, o assédio presencial e virtual e o desestímulo à participação feminina em áreas como ciência, tecnologia e matemática. A senadora ressaltou ainda a necessidade de enfrentar a misoginia nos ambientes educacionais e digitais.
Ao abordar o eixo dedicado à violência online, ela defendeu medidas de proteção contra crimes como deepfakes, perseguição digital e cyberbullying, mas ressaltou que o enfrentamento do problema exige ações educativas permanentes. “Se desejamos reduzir os índices de violência contra a população feminina, é indispensável educar, desde o berço, os homens para respeitar meninas e mulheres. Punir é necessário, responsabilizar também, mas sem educação continuaremos combatendo apenas as consequências de um problema que precisa ser enfrentado na sua origem”, destacou.
Mulheres do Brasil
O Grupo Mulheres do Brasil reúne mais de 140 mil participantes no Brasil e no exterior e atua de forma suprapartidária na promoção de iniciativas voltadas à igualdade de gênero, ao fortalecimento da cidadania e à ampliação da participação feminina nos espaços de decisão. A Agenda Legislativa 2026 será apresentada ao Congresso Nacional como contribuição para os debates e votações dos próximos meses.
Na simulação de segundo turno, o levantamento aponta que o petista oscilou dois pontos porcentuais para cima desde a rodada passada, de maio, indo de 42% para 44%, enquanto Flávio caiu de 41% para 38%.
Com Estadão Conteúdo
Pesquisa Genial/Quaest divulgada ontem mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu vitorioso na disputa de narrativas sobre a ameaça de um novo tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil.
Com apoio relevante dos chamados eleitores independentes – aqueles que não se identificam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo -, Lula, que será candidato à reeleição, ampliou a vantagem sobre o senador e pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (RJ).
Na simulação de segundo turno, o levantamento aponta que o petista oscilou dois pontos porcentuais para cima desde a rodada passada, de maio, indo de 42% para 44%, enquanto Flávio caiu de 41% para 38%. Antes, o presidente e o senador estavam em empate técnico dentro da margem de erro, de dois pontos porcentuais. Agora, Lula lidera por seis pontos porcentuais de vantagem.
Entre o eleitorado que se posiciona como independente, em um cenário de segundo turno, Lula registrou 37%, ante 24% de Flávio Foram 30% os que disseram que não vão votar e 9% de indecisos. Em maio, neste segmento, o presidente tinha 29% e o senador, 31% Eram 35% os que não iriam votar e 5% de indecisos.
PRIMEIRO TURNO
Lula segue liderando o cenário estimulado de primeiro turno, com 39%, seguido pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que tem 29%. O terceiro lugar é compartilhado por sete pré-candidatos a presidente.
Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) têm 3% cada; Aécio Neves (PSDB) e Romeu Zema (Novo), 2% cada; Augusto Cury (Avante), Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP) registraram 1% cada. Cabo Daciolo (Mobiliza), Edmilson Costa (PCB) e Heró Bezerra (PRTB) não pontuaram. Esta foi a primeira pesquisa do instituto a incluir os nomes de Barbosa e Aécio.
No caso da ameaça de tarifaço, os entrevistados disseram concordar mais com as versões de Lula do que com as explicações de Flávio. Segundo a pesquisa, 47% acham, assim como o petista, que o senador pediu novo tarifaço contra o Brasil. Por outro lado, 35% acreditam que Flávio tentou demover o presidente americano, Donald Trump, da imposição de novas tarifas. São 18% os que não responderam.
Para 46%, as novas tarifas são uma retaliação ao Pix, como diz Lula, enquanto 36% acham que o tarifaço é uma represália do governo dos EUA a declarações do petista contra os EUA, como defende Flávio. São 8% os que não responderam. Para 47%, é Lula quem melhor representa a defesa de interesses do Brasil, enquanto 37% veem Flávio nessa posição. Os que não responderam foram 10%.
REATIVA
Integrantes do bolsonarismo avaliam que a campanha de Flávio precisa reagir e fazer ajustes imediatos, o que incluiria apresentar o senador mais alinhado ao estilo do pai, com forte defesa de pautas caras à direita, como segurança pública, e críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Mesmo reconhecendo o prejuízo causado pela revelação do seu áudio pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme sobre o pai, bolsonaristas acham que a campanha precisa impor sua agenda, e não se tornar apenas reativa ao caso. Existe também uma cobrança por “sangue-frio” para evitar que um clima de derrota contamine a campanha.
Conforme o levantamento divulgado ontem, 65% disseram que Flávio deveria ter evitado negociar com Vorcaro. Enquanto isso, 17% afirmaram não ver nada demais no episódio. Outros 18% não responderam.
FACÇÕES
Questionados sobre a designação, pelo governo Trump, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, 47% disseram que Flávio teve influência na decisão, enquanto 37% avaliaram que não. São 16% os que não responderam.
Apesar de Trump ter anunciado a nova designação logo após um encontro com Flávio, no fim de maio, o governo dos EUA vinha estudando a questão havia meses.
A pesquisa apontou ainda que Flávio tem sido visto como menos moderado do que integrantes de sua família. São 50% os que têm essa percepção do senador; em maio, eram 47%. O porcentual dos que o avaliam como mais moderado caiu de 39% no mês passado para 33% agora.