Operação investiga supostos crimes contra o sistema financeiro envolvendo investimentos no Banco Master com recursos do Rioprevidência
POR DIEGO FELIX E LEONARDO VIECELI
Um dos alvos da Operação Barco de Papel jogou uma mala com dinheiro pela janela do apartamento em Balneário Camboriú (SC) na manhã desta quarta-feira (11) durante a busca e apreensão, segundo agentes da PF (Polícia Federal). No total, foram apreendidos R$ 429 mil em espécie só com dinheiro da mala.
A mala foi jogada assim que os agentes chegaram ao imóvel, segundo a equipe que participou da ação. Os policiais também recolheram dois veículos de luxo e dois smartphones.
A operação investiga supostos crimes contra o sistema financeiro envolvendo investimentos no Banco Master com recursos do Rioprevidência, o fundo responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro.
A assessoria de imprensa da PF no Rio de Janeiro disse que os nomes dos alvos da operação não serão divulgados, mas a Folha apurou que se trata do ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes. Procurada, a defesa dele disse que está averiguando a situação.
Ex-agentes da Rioprevidência são suspeitos de favorecer o Banco Master na aquisição de letras financeiras, títulos de renda fixa que não contam com garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, com base em indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas.
Deivis foi preso no dia 3 de fevereiro, em Itatiaia (RJ), na segunda fase da Operação Barco de Papel. Na ocasião, a Polícia Federal disse que identificou suspeitas de retirada de documentos de apartamento do investigado e de manipulação de provas digitais, além da transferência de dois veículos de luxo para terceiros.
Regimes próprios de previdência de 18 estados e municípios têm R$ 1,86 bilhão aplicados em letras financeiras do Banco Master
Com CNN Brasil
Regimes de previdência próprios de estados e municípios expostos ao Banco Master podem levar a perdas de quase R$ 2 bilhões, segundo dados do Ministério da Previdência. Ao todo são 18 entes que fizeram aportes em letras financeiras emitidas pelo banco por meio de RPPS (Regime Próprio de Previdência Social).
O montante exposto à liquidez do Master é de R$ 1,86 bilhões. Somente no Rio de Janeiro, a RPPS responsável pelo pagamento de aposentadoria e pensões aos servidores do estado tem aplicado quase a metade do total: R$ 970 milhões.
Veja abaixo a lista completa
Angélica (MS): R$ 2 milhões
Aparecida de Goiânia (GO): R$ 40 milhões
Araras (SP): R$ 29 milhões
Cajamar (SP): R$ 87 milhões
Campo Grande (MS): R$ 1,2 milhão
Congonhas (MG): R$ 14 milhões
Estado do Amapá (AP): R$ 400 milhões
Estado do Amazonas (AM): R$ 50 milhões
Estado do Rio de Janeiro (RJ): R$ 970 milhões
Fátima do Sul (MS): R$ 7 milhões
Itaguaí (RJ): R$ 59,6 milhões
Jateí (MS): R$ 2,5 milhões
Maceió (AL): R$ 97 milhões
Paulista (PE): R$ 3 milhões
Santa Rita D'Oeste (SP): R$ 2 milhões
Santo Antônio de Posse (SP): R$ 7 milhões
São Gabriel do Oeste (MS): R$ 3 milhões
São Roque (SP): R$ 93,15 milhões
O BC (Banco Central) decretou na última terça-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Master, em razão da "grave crise de liquidez" e das "graves violações" às normas do sistema financeiro pela instituição, segundo a autoridade monetária.
De acordo com informações da autarquia, atualizadas em março de 2025, o patrimônio líquido do Banco Master é de R$ 3,214 bilhões. A instituição possuía, no mesmo período, R$ 86,4 bilhões em ativos e R$ 83,2 bilhões em passivo.
Na terça (18), a PF (Polícia Federal) cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.
Houve ainda ordem de bloqueio em contas em R$ 12,2 bilhões, além de apreensões de diversos carros de luxo, obras de arte e relógios.
O que são os RPPS
Os regimes de previdência são fundos de pensão para servidores públicos de um estado ou município, destinados a complementar a aposentadoria oficial e garantir o pagamento de benefícios previdenciários aos servidores efetivos ativos e inativos.
Segundo o regulamento do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), créditos vinculados a esses fundos não são cobertos pelo FGC.
Nesses casos, os investidores só conseguirão saber quanto será possível resgatar das aplicações durante o processo de liquidação dos ativos, procedimento que costuma se arrastar por anos.
O FGC não cobre o RPPS porque sua proteção se limita a depósitos e créditos do sistema financeiro privado, enquanto o RPPS é um regime público de previdência, com regras próprias e fiscalizado por órgãos como o Ministério da Previdência e tribunais de contas
Um dos fundos é o Rioprevidência, dos servidores do Rio de Janeiro. O valor aplicado pelo órgão foi de aproximadamente R$ 960 milhões, em Letras Financeiras emitidas pela instituição entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034.
Atualmente, a autarquia declarou que está em negociação para “substituir as letras por precatórios federais”, afirmando que nenhum aposentado será prejudicado.
“O Rioprevidência ressalta ainda que o pagamento de aposentadorias e pensões está garantido, não havendo qualquer risco para os segurados do Estado do Rio de Janeiro. Cabe destacar ainda que o valor investido junto à instituição é inferior ao da folha mensal paga pela autarquia aos aposentados e pensionistas, hoje em R$ 1,9 bilhão, custeada em grande parte pela receita de royalties e participações especiais”, destacou o órgão.
Com 35 pontos e 107ª posição, país permanece bem abaixo da média mundial (42), segundo avaliação anual da Transparência Internacional
Publicado por Transparência Internacional - Brasil
Em 2025, Brasil repetiu a segunda pior nota (35 pontos, numa escala de 0 a 100) da série histórica e continuou na 107ª posição, entre 182 países e territórios avaliados no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), elaborado pela Transparência Internacional. Em relação a 2024, o Brasil subiu um ponto, variação estatisticamente insignificante, o que indica estagnação.
Divulgado nesta terça-feira (10), o IPC é o principal indicador da corrupção no mundo. Em sua escala, quanto menor a nota, maior é a percepção de corrupção. Nesta edição, o índice avaliou a percepção da corrupção em 182 países e territórios, com base em até 13 indicadores independentes que avaliam a percepção de especialistas, pesquisadores e executivos sobre comportamentos corruptos no serviço público e mecanismos de prevenção da corrupção. No caso do Brasil, foram considerados oito indicadores, como no ano anterior. Detalhes sobre a composição do índice podem ser conferidos em sua nota metodológica.
O IPC é publicado anualmente desde 1995, mas, a partir de 2012, uma reforma metodológica permitiu a análise em série histórica, ou seja, comparar ano a ano os resultados dos países. Na série histórica, o Brasil pontuou melhor em 2012 e 2014 (com 43 pontos), em 2013 (42 pontos) e 2016 (40 pontos). As piores pontuações do país foram registradas em 2024 (34 pontos), 2018 e 2019 (35 pontos), e em 2023 (36 pontos). Desde 2015, o Brasil esteve estagnado abaixo da média global dos países.
O IPC 2025 posiciona o Brasil abaixo da média das Américas (42 pontos) e da média dos 182 países (42 pontos). Os melhores classificados em 2025 foram Dinamarca (com 89 pontos), Finlândia (88 pontos) e Cingapura (84 pontos). Os piores foram Somália e Sudão do Sul (ambos com apenas 9 pontos) e Venezuela (com 10 pontos).
Pontuaram próximos ao Brasil: Sri Lanka (também com 35 pontos); Argentina, Belize e Ucrânia (36 pontos, um a mais que o Brasil); e Argélia, Bósnia e Herzegovina, Indonésia, Laos, Malawi, Nepal e Serra Leoa (todos com 34 pontos, um a menos que o Brasil).
Em 2025, dois novos países — Brunei e Belize — foram incluídos no ranking do IPC, ambos posicionados acima do Brasil.
“Embora o Brasil tenha chamado a atenção internacional em 2025, pela resposta firme e histórica do Supremo Tribunal Federal na responsabilização do ex-presidente Bolsonaro e outros conspiradores que atentaram contra a democracia, também chocou o mundo com casos de macrocorrupção em escala inédita, como INSS e Master, impunidade generalizada mesmo para corruptos confessos e condutas desmoralizantes de ministros do próprio STF. A corrupção também corrói profundamente a democracia e o Brasil precisa, urgentemente, resgatar e priorizar o enfrentamento deste problema”, comenta o diretor executivo da Transparência Internacional – Brasil, Bruno Brandão.
RETROSPECTIVA 2025
Em paralelo ao IPC, a Transparência Internacional – Brasil lança o relatório Retrospectiva 2025, uma análise independente dos principais avanços e retrocessos do país no enfrentamento à corrupção ao longo do último ano. A publicação destaca o agravamento da infiltração do crime organizado no Estado brasileiro e do aliciamento de autoridades públicas, revelado por uma sucessão de casos de grande impacto que expuseram vulnerabilidades profundas em duas áreas da economia formal: o sistema financeiro e a advocacia.
Do início ao fim, 2025 foi marcado por escândalos de macrocorrupção, alguns em escala inédita. O ano começou com os desdobramentos das operações Sisamnes — que apurou comércio de sentenças no STJ por suspeitos internos, advogados e lobistas — e Overclean, que investigou desvios de emendas, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro por meio de contratos públicos envolvendo lideranças partidárias e operando em pelo menos cinco estados. Deflagradas no final de 2024, ambas seguiram produzindo fases e revelações relevantes ao longo de 2025.
Em abril, veio à tona a Operação Sem Desconto, que expôs o maior esquema de corrupção previdenciária da história — atingindo centenas de milhares de aposentados e pensionistas e revelando falhas graves de governança no INSS. Em agosto, a Operação Carbono Oculto, liderada pela Receita Federal e pelo GAECO-SP, revelou um sistema estruturado de sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro por facções criminosas, infiltrado em fintechs, fundos de investimento, postos e distribuidoras de combustíveis. Em novembro, a Operação Compliance Zero (caso Master) escancarou a maior fraude bancária já registrada no país.

A Carbono Oculto merece destaque. Reconhecida como a maior operação contra o crime organizado da história recente, ela marcou uma mudança de paradigma ao priorizar a inteligência financeira da autoridade tributária e a interoperabilidade entre órgãos — abordagem considerada internacionalmente alinhada aos métodos mais eficazes. O contraste com episódios de ação policial bélica com resultados trágicos, como a chacina no Complexo do Alemão de outubro, reforça a importância de uma estratégia baseada em cruzamento de dados financeiros e coordenação interinstitucional.
Por outro lado, o governo federal falhou gravemente na resposta ao escândalo do INSS. As reformas vieram tardiamente e a substituição do ministro da Previdência por um aliado político direto gerou críticas adicionais. As investigações mostraram ainda continuidade do esquema entre gestões, com envolvimento de atores de alto escalão nos governos Temer, Bolsonaro e Lula.
No Legislativo, 2025 consolidou o movimento de captura orçamentária, com crescimento voraz das emendas parlamentares, que mais uma vez bateram recordes e já ultrapassarão R$ 60 bilhões no orçamento aprovado para 2026. A prática se disseminou também por assembleias estaduais e câmaras municipais, como evidenciado por estudo da Transparência Internacional – Brasil que subsidiou decisão do ministro Flávio Dino para estender regras de transparência e controle aos governos subnacionais.
Se o caso Master revelou uma rede poderosa de influência perpassando os três Poderes, foi no Judiciário — em especial no STF — que seus tentáculos se mostraram mais audaciosos. Tornou-se público um contrato ainda inexplicado de R$ 129 milhões entre o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o banco fraudador de Daniel Vorcaro — cifra muito acima de padrões nacionais e internacionais de honorários, incluindo bancas globais envolvidas em litígios transnacionais.

As investigações do caso foram avocadas pelo ministro Dias Toffoli, que imediatamente decretou sigilo máximo e passou a exercer ingerência anômala sobre diligências. Pouco depois, veio à tona que o ministro havia viajado em um jato particular com o advogado do diretor de compliance do Master, alvo da Compliance Zero. Na virada do ano, surgiram revelações ainda mais graves envolvendo negócios imobiliários sem lastro aparente da família Toffoli, com aportes de indivíduos ligados ao Master e à JBS — empresa que já se beneficiou de decisões do próprio ministro.
O relatório da Transparência Internacional – Brasil recomenda investigações independentes, por parte da PGR e do Senado Federal, sobre os fatos relacionados aos dois ministros.
A Retrospectiva 2025 também identifica duas oportunidades para que o Brasil retome a agenda anticorrupção:
a mobilização social que barrou a chamada PEC da Blindagem, demonstrando capacidade de reação da sociedade, com possível superação da polarização; e
a rara e breve coincidência de juízas e juízes de reputação sólida e perfil reformista no comando dos cinco tribunais superiores.
Com apoio social e coordenação institucional, essa conjuntura pode abrir espaço para a aprovação de um Código de Conduta na cúpula do sistema de Justiça, mas avançando para um movimento mais duradouro de transformação das práticas e cultura jurídica no Brasil.
IPC E RETROSPECTIVA 2025
A Retrospectiva 2025 é um relatório qualitativo produzido pela Transparência Internacional – Brasil e lançado tradicionalmente no mesmo dia da divulgação global do Índice de Percepção da Corrupção. A coincidência de datas visa ampliar o debate público sobre integridade e oferecer contexto e análise técnica sobre o ano anterior.
No entanto, é importante destacar que o conteúdo da retrospectiva não guarda relação causal necessária com o resultado do IPC. O índice é compilado pelo Secretariado global da Transparência Internacional com base em fontes primárias independentes, sobre as quais não há qualquer influência da Transparência Internacional – Brasil.
As análises e a seleção de fatos apresentados na retrospectiva são de inteira responsabilidade da equipe técnica da Transparência Internacional – Brasil, a partir de pesquisa e consulta com os principais órgãos de controle. O relatório tem como objetivo contribuir para uma reflexão qualificada sobre os avanços e retrocessos do país no enfrentamento à corrupção.
Reuniões com Andrei Rodrigues e Fachin ocorrem um dia após aprovações para depoimentos de Vorcaro e do próprio diretor da PF
Por Lis Cappi site R 7
Senadores que acompanham o caso do Banco Master pela Comissão de Assuntos Econômicos buscam informações de fraudes financeiras junto à PF (Polícia Federal) e ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Os encontros, previstos para a tarde desta quarta-feira (10), miram detalhes do processo ligado à instituição financeira.
No caso da PF, existe a expectativa de uma conversa com o diretor-geral, Andrei Rodrigues, para o recebimento de orientações que norteiem o trabalho dos senadores.
Na sequência, parlamentares vão ao STF, e pretendem pleitear o acesso a documentos ligados ao caso Master que foram restritos. O pedido será levado diretamente ao presidente da Corte, Edson Fachin.
Ao R7, o líder da oposição no Congresso, senador Izalci Lucas (PL-DF), argumentou que o diálogo é necessário para que os parlamentares tenham acesso a informações importantes.
“Queremos conversar com o diretor da Polícia Federal para ter acesso às informações, inclusive com o presidente do Supremo, porque Toffoli colocou tudo com sigilo, e a comissão tem essa competência de requisitar documentos sigilosos. Então, nós temos que explicar isso para o ministro, para que a gente tenha acesso a tudo”, ressaltou.
Segundo o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), o objetivo do grupo é acompanhar como está ocorrendo a investigação nas diferentes esferas.
“Primeiro, nós precisamos saber quem descumpriu a legislação existente. Responsabilizar, punir e depois alterar a legislação e fortalecer o próprio papel do Banco Central, que, lamentavelmente, demorou muito a fazer a liquidação”, observou.
Comissão deve ouvir Vorcaro
Os encontros foram confirmados durante reunião nessa terça-feira (10). Na ocasião, os senadores também aprovaram 19 requerimentos para oitivas, audiências públicas e pedidos de informações ao TCU (Tribunal de Contas da União) e ao Banco Central.
O dono do Master, Daniel Vorcaro, o seu ex-sócio Augusto Lima, o diretor da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, estão na lista de convidados.
Já as audiências serão destinadas à discussão do caso do conglomerado Master e à atuação das instituições brasileiras. Além disso, têm o propósito de esclarecer as operações financeiras, aquisições de participações acionárias e os investimentos do BRB (Banco de Brasília).
Escândalo do Master
No fim do ano passado, o banco controlado por Vorcaro tinha R$ 80 bilhões em ativos e apenas 4 milhões em caixa. A suspeita é de um esquema de pirâmide, uso de empresas de fachada, triangulação por meio de fundos e carteiras fictícias.
O Master cresceu rapidamente oferecendo CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) com rentabilidade muito acima da média do mercado. Para sustentar o modelo, o banco teria assumido riscos excessivos a fim de conseguir operações que “inflavam” seu balanço.
Entre 2023 e 2024, o Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações. As investigações da PF e os relatórios do BC apontam que o colapso do Master não foi apenas financeiro, mas também institucional.
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira, motivada por “grave crise de liquidez” e “graves violações” às normas do SFN (Sistema Financeiro Nacional).
Lula está bem mais consolidado no eleitorado de esquerda do que o senador no eleitorado de direita, e tem mais votos no centro que o desafiante, indica pesquisa
Por Rodolfo Borges
Pesquisa Realtime Big Data divulgada nesta segunda-feira, 9, reforça o que já vêm dizendo os levantamentos de outros institutos: Flávio Bolsonaro (PL-RJ, foto) tem força para ir ao segundo turno presidencial com Lula, mas sua rejeição é muito alta e ameaça sua eleição.
O filho 01 de Jair Bolsonaro aparece com 30% das intenções de voto no cenário que tem Lula (39%), o governador do Paraná, Ratinho Jr. (10%), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (3%), o ex-deputado Aldo Rebelo (2%) e o fundador do Missão Renan Santos (1%).
O cenário muda pouco com os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, no lugar de Ratinho, como candidatos do PSD de Gilberto Kassab.
Flávio é o pré-candidato com maior taxa de rejeição (49% o conhecem e não votariam nele), logo à frente de Lula (48%). O problema para o filho de Bolsonaro é que 33% dizem que já se decidiram por votar no petista, contra apenas 18% do senador.
Outros 17% dizem que poderiam votar em Lula, contra 20% que poderiam votar em Flávio. Apenas 2% disseram que não conhecem Lula o suficiente para opinar, e 13% disseram isso sobre o senador.
Ou seja, Flávio tem rejeição equivalente à de Lula mesmo sendo menos conhecido.
O Realtime Big Data, parceiro de O Antagonista no Lulômetro, ouviu 2.000 pessoas em 6 e 7 de fevereiro e tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Direita e esquerda
A pesquisa indica ainda que Lula está bem mais consolidado no eleitorado de esquerda do que o senador no eleitorado de direita, até porque não há outro candidato de esquerda no páreo.
Mas os números apontam também que a maior parte dos eleitores de centro votariam no petista.
Os eleitores ouvidos pelo instituto se dividiram assim: 26% se disseram de centro, 24% de centro-direita, 18% de direita, 17% de centro-esquerda e 14% de esquerda. Apenas 1% não respondeu.
Flávio marca de 61% a 69% no eleitorado de direita, a depender do governador do PSD na disputa, e de 50% a 55% no eleitorado de centro-direita.
Já Lula marca de 86% no eleitorado de esquerda em qualquer dos três cenários testados e de 83% a 85% no eleitorado de centro-esquerda.
Centro
Chama a atenção também um desânimo maior nos eleitorados de direita e de centro-direita: nulos, brancos e não sabem ou não responderam somam 13% e 18%, respectivamente. Nos eleitorados de esquerda centro-esquerda, esse índice é de 8% e 12%, respectivamente.
No eleitorado de centro, que define a eleição entre os polos ideológicos, Lula marca de 38% a 41%, contra 24% a 25% de Flávio.
O desafio de Flávio é atrair esse eleitorado ao mesmo tempo em que defende o legado do pai.