Esquema envolveria compra de títulos baratos por valores altos e repasses fundo a fundo
Por Cézar Feitoza
O Ministério Público Federal e a Polícia Federal investigam suspeitas envolvendo fundos administrados pelo Banco Master e pela Reag Investimentos, antiga parceira de Daniel Vorcaro.
Os fundos da Reag suspeitos foram também citados na investigação da Polícia Federal sobre a engenharia utilizada pela facção PCC (Primeiro Comando da Capital) para lavar dinheiro no mercado financeiro.
Os indícios de crimes foram levantados pelo Banco Central durante sua apuração interna sobre a compra de títulos do Banco Master pelo BRB (Banco de Brasília).
Em nota, a Reag disse que não foi alvo da Operação Compliance Zero, que investiga os tentáculos do PCC no mercado financeiro.
"Os fundos mencionados são produtos regulados, auditados e supervisionados pela CVM e pelo Banco Central. Todos os aportes são obrigatoriamente homologados pelo BC, que checa a origem dos recursos e a capacidade econômica de quem faz o aporte", completou.
Mais de uma dezena de fundos administrados pela Reag estão na mira dos investigadores. Seis deles têm relação com as investigações sobre o PCC, como mostrou a Folha de S.Paulo e confirmou o SBT News.
O material levantado pelo Banco Central, que está sob sigilo, mostra o caminho da fraude.
Segundo fontes da Polícia Federal, o Master aprovava empréstimos para empresas envolvidas na fraude, e o dinheiro era aplicado em fundos da Reag Investimentos.
Os gestores usavam esses recursos para comprar ativos baratos por valores muito acima do que ele vale. Em alguns casos, a supervalorização chegou a 150.000%, segundo um investigador.
As investigações revelam que o dono do ativo podre conseguia lucros exorbitantes. E, com esse dinheiro, comprava ativos de outros ofundos até chegar em carteiras de pessoas ligadas ao Master.
Os desvios beiram os R$ 12 bilhões, segundo o alerta do Banco Central.
A principal suspeita é que a engenharia construída pelo Banco Master era utilizada para lavar dinheiro do esquema. Procurada, a defesa de Vorcaro não se manifestou.
Mensagens por e-mail e WhatsApp simulam comunicação oficial e levam vítimas a pagamentos indevidos
Com SBT
Os microempreendedores individuais - os chamados MEIs- precisam redobrar a atenção. Golpistas estão enviando mensagens falsas por e-mail, WhatsApp e sites fraudulentos com cobranças indevidas.
Foram 18 tentativas de convencer Aline Travessano, dona de um e-commerce de produtos esotéricos, de que a empresa dela estaria irregular. Aline é MEI, microempreendedora individual, o que permite contribuir para a Previdência e pagar impostos de forma simplificada e mais em conta. Para um negócio ser MEI, o faturamento anual não pode ultrapassar R$ 81 mil.
"Às vezes falam sobre declaração, às vezes que é para cancelar o MEI, e a questão do valor fica meio velada. Realmente tinha uma pendência na declaração anual que eu não tinha feito. É muito fácil cair, infelizmente é muito fácil. O e-mail é muito perfeito, tanto a escrita quanto o endereço de e-mail", relata Aline.
Com João Baptista da Silva, que faz serviços elétricos e hidráulicos, a mensagem chegou por WhatsApp. "Eu estava com o meu DAS irregular, que teria que acessar o site e regularizar, só que eu não acessei nada. Não tem confiança no que vai abrir ali. Desconfiei. Automaticamente, eu tirei um print e apaguei", conta.
Fez bem. Era golpe mesmo. O Sebrae, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, que oferece assessoria 100% gratuita, tem recebido várias denúncias.
Os golpistas agem em qualquer mês, mas é principalmente no final do ano e no começo do seguinte que se veem mais tentativas de fraude. O empreendedor, dono de um pequeno negócio, sem estrutura contábil e jurídica, se assusta ao receber mensagens sobre supostas pendências. É aí que mora o perigo.
Segundo a Analista de Negócios, Adriana Barbosa, funciona assim:
As mensagens trazem informações de que o MEI vai ser desenquadrado, que vai sair da condição de microempreendedor individual, que está devedor ou que a empresa será extinta. Ao receber esse tipo de e-mail, principalmente se o MEI estiver com algum débito, o empreendedor é induzido ao erro, clica em uma mensagem que não é verdadeira e navega por sites que coletam informações e aplicam uma série de golpes.
O empreendedor Paulo Meira, infelizmente, caiu. Ele produz conteúdo digital para empresas. No golpe, diziam que ele precisava quitar um débito.
"O link que eles enviam para a gente acaba convencendo muito. Tem o logo do governo, das taxas, maquia inteiramente o design para você acreditar. Infelizmente, eu acreditei", afirma.
Depois de fazer dois pagamentos de R$ 250, ele percebeu sinais do golpe, como o nome do destinatário do dinheiro. "O primeiro resultado que apareceu é que essa empresa foi criada no ano passado e que a localização dela é Brasília. O telefone que consta nesse perfil é internacional", explica.
É importante reforçar: o governo não envia e-mails ou mensagens informando sobre débitos ou pendências de documentação. Para ter acesso a esse tipo de dado, o próprio empreendedor deve acessar o site da Receita Federal e consultar na área destinada ao MEI.
Adriana Barbosa, do Sebrae, recomenda, em caso de dúvida, buscar ajuda.
"Tendo dificuldade em acessar, em saber se essa informação é verídica, que procure o Sebrae, venha com seus documentos, seja atendido e verifique a veracidade. Nós fazemos esse levantamento dos últimos cinco anos", orienta.
Medida libera estados e municípios a pagarem adicionais salariais congelados entre 28 de maio de 2020 e 31 de dezembro de 2021; entenda
Por Camila Stucaluc
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a lei que libera estados e municípios a pagarem o retroativo de benefícios congelados a servidores públicos durante a pandemia da Covid-19. O texto, publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta terça-feira (13), foi aprovado pelo Congresso em 2025.
Segundo a portaria, os pagamentos referem-se ao período entre 28 de maio de 2020 e 31 de dezembro de 2021. Na época, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) liberou R$ 60 bilhões a estados e municípios para compensar os efeitos econômicos da pandemia, mas vinculou o pagamento ao congelamento de adicionais salariais de servidores e à proibição de novos cargos no serviço público.
Agora, benefícios como anuênio, triênio, quinquênio e licença prêmio serão pagos desde que o ente federativo tenha decretado estado de calamidade pública devido à pandemia e conte com orçamento disponível. Isso significa que, embora a lei autorize os pagamentos, a decisão sobre quando e como os depósitos serão feitos dependerá da situação fiscal e da previsão orçamentária de cada governo e prefeitura.
Durante a votação no Senado, o relator da proposta, senador Flávio Arns (PSB-PR), destacou que a medida representa uma correção de distorções geradas pela legislação emergencial adotada durante a pandemia. Na sessão, ele afirmou que o pagamento retroativo não configura aumento salarial, mas sim o reconhecimento de direitos adquiridos que foram temporariamente suspensos em um contexto excepcional.
“Essas restrições, embora justificadas naquele contexto emergencial, acabaram produzindo prejuízos duradouros aos servidores que continuaram exercendo suas funções, muitas vezes em condições mais difíceis, sem que pudessem usufruir dos direitos que normalmente decorreriam do tempo de serviço. A proposta busca restabelecer esse equilíbrio,reconhecendo o esforço e o trabalho prestado, sem romper com a lógica de responsabilidade fiscal”, disse.
De acordo com o ministério, esta é a maior edição de todos os tempos, com 274,8 mil vagas
Com Estadão
O Ministério da Educação (MEC) liberou o acesso às vagas do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026. Os candidatos podem acessar o portal do Sisu e realizar a busca por município, instituição ou curso. Segundo o MEC, estão disponíveis 274,8 mil vagas, crescimento de 5% em relação a 2025, com 13.097 vagas a mais. As inscrições para o Sisu começam em 19 de janeiro.
De acordo com a pasta, esta é a maior edição da história do programa com vagas em 136 instituições públicas, com inclusão de novos campi e ampliação de cursos tecnológicos e de Inteligência Artificial (IA). "A edição é considerada a maior da história do programa, com a participação de 136 instituições de ensino superior e oferta de 7.388 cursos disponíveis em 593 municípios, ampliando o acesso à educação superior pública e de qualidade", afirma o MEC.
Minas Gerais (33.729), Rio de Janeiro (31.419) e Bahia (24.768) são os estados com mais vagas. Além disso, 12 novas instituições públicas passaram a integrar o sistema nesta edição. Entre os destaques estão o retorno da Universidade de Brasília (UnB), com 1.133 vagas, e da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), com 695 vagas, além da adesão do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Paraná (IFPR), de Alagoas (IFAL), do Piauí (IFPI) e Goiano (IF Goiano).
Cronograma
As inscrições para o Sisu 2026 vão de 19 a 23 de janeiro, o resultado será divulgado em 29 de janeiro. As matrículas começam no dia 2 de fevereiro e a opção pela lista de espera vai de 29 de janeiro a 2 de fevereiro.
Verônica Abdalla Sterman recebeu quantia quando ainda era advogada
Por Paulo Moura
Uma empresa ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, efetuou um pagamento de R$ 700 mil ao escritório de advocacia de Verônica Abdalla Sterman, atualmente ministra do Superior Tribunal Militar (STM). A transação aparece em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) produzido pelo Coaf e encaminhado à CPMI do INSS.
De acordo com o documento, o valor foi pago pela ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A, uma das firmas apontadas pela Polícia Federal (PF) como parte da estrutura utilizada pelo empresário para movimentar recursos. O período analisado pelo Coaf foi de outubro de 2024 a fevereiro de 2025, e o pagamento ocorreu antes da posse de Verônica Sterman no STM, que ocorreu em setembro do ano passado.
O repasse foi feito em parcela única, diretamente ao escritório de Sterman. No entanto, não foram localizados registros de processos judiciais em que ela tenha atuado em favor da ACX ITC ou de empresas do mesmo grupo. A informação foi divulgada pela coluna de Andreza Matais, do site Metrópoles.
Enquanto advogada, Sterman atuou para figuras de destaque da política nacional, como a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), o ex-ministro Paulo Bernardo e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Os três apoiaram sua indicação ao STM, que acabou sendo feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo o RIF, o pagamento partiu de uma conta da ACX ITC no Banco do Brasil, aberta em São Caetano do Sul (SP). Apenas nos quatro meses analisados, a conta movimentou R$ 266,6 milhões. Em nota, Verônica Sterman afirmou que o pagamento recebido da ACX ITC corresponde à elaboração de três pareceres jurídicos, todos relacionados a questões criminais envolvendo as atividades da empresa.
Ela declarou ainda desconhecer qualquer vínculo da ACX ITC com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes.
– Em relação ao questionamento apresentado, a ministra do Superior Tribunal Militar Verônica Sterman informa que desconhece que a empresa mencionada pertença ao empresário citado e que não mantém qualquer relação com ele – completou.