Endocrinologista explica diferenças em relação à NPH e os principais benefícios da insulina de ação prolongada para os pacientes
Texto: Vania Machado
A insulina glargina, que passa a ser ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para públicos específicos, apresenta como uma de suas principais características a ação prolongada, capaz de proporcionar uma cobertura mais contínua da insulina basal ao longo do dia. A mudança da insulina NPH para a glargina, quando indicada pelo médico, pode trazer mais estabilidade ao controle glicêmico e maior comodidade para o paciente.
O endocrinologista Alberto Messias Alves Júnior explica que a diferença está principalmente no perfil de ação das duas insulinas. O médico destaca que a NPH é uma insulina de ação intermediária, com duração aproximada de 14 a 18 horas, enquanto a glargina apresenta ação prolongada. “A glargina tem uma duração mais estendida, de até 24 horas. A vantagem dela é que você consegue manter índices de insulinização ao longo dessas 24 horas”, explica o médico.
Mais estabilidade e menor risco de hipoglicemia
A mudança pode trazer benefícios especialmente para pacientes que apresentam maior risco de hipoglicemia (queda dos níveis de glicose), variações importantes da glicemia ou dificuldade para manter o controle adequado com a NPH.
O endocrinologista destaca ainda que, a glargina, por não apresentar um pico de ação pronunciado como a NPH, está associada a menor risco de episódios de hipoglicemia. Esse aspecto é especialmente importante entre crianças e idosos, grupos contemplados pela estratégia nacional.
“Com a insulina NPH, geralmente o paciente precisa fazer duas ou até três aplicações ao dia, enquanto a glargina é aplicada uma vez ao dia e oferece essa cobertura basal de aproximadamente 24 horas. Isso reduz o número de aplicações e traz mais praticidade e comodidade, além de permitir maior flexibilidade no horário de aplicação. Com a NPH, os horários precisam ser mais fixos; já com a glargina, o paciente pode definir, com orientação da equipe de saúde, um horário que seja mais conveniente para sua rotina e mantê-lo diariamente”, destaca o médico.
Para o médico Alberto Messias, essa redução do número de aplicações da insulina basal pode ainda facilitar a rotina e favorecer a adesão ao tratamento.
Por Edson Rodrigues
Depois de colocar sobre a mesa os resultados das pesquisas de intenção de voto divulgadas nesta última semana de agosto, o Observatório Político de O Paralelo 13 entende que chegou a hora de avançar na reflexão sobre o processo sucessório tocantinense. E há uma pergunta que começa a ganhar força: o Tocantins caminha para uma eleição de governador em dois turnos?
Ainda não existe resposta definitiva. Pesquisa não é urna e seria precipitado afirmar que o segundo turno é inevitável. Mas os números divulgados pela Quaest, Real Time Big Data e Paraná Pesquisas apresentam sinais suficientes para que essa possibilidade deixe de ser apenas uma hipótese e passe a fazer parte das estratégias dos principais grupos políticos.
A pouco mais de um mês das urnas, nenhum candidato aparece próximo da maioria absoluta dos votos válidos necessária para liquidar a eleição no primeiro turno. Ao mesmo tempo, os levantamentos revelam parcelas importantes do eleitorado ainda indecisas ou suscetíveis a mudar de posição.
A eleição está aberta. E o segundo turno precisa entrar definitivamente no radar das campanhas.
O QUE DIZEM OS NÚMEROS

Segundo as pesquisas, Professora Dorinha e Vicentinho Júnior aparecem tecnicamente empatados, ambos ainda abaixo dos 40% das intenções de voto. Ao mesmo tempo, os levantamentos revelam um contingente expressivo de eleitores indecisos e uma parcela significativa que admite poder mudar sua escolha até o dia da votação. Apesar das diferentes metodologias adotadas pelos institutos, os números convergem quando demonstram que há um amplo espaço eleitoral ainda a ser conquistado, e a disputa pelo Governo do Tocantins permanece aberta.
SEGUNDO TURNO: O QUE DIZ A LEI
A Constituição Federal e a legislação eleitoral estabelecem que, para ser eleito governador no primeiro turno, um candidato precisa alcançar maioria absoluta dos votos válidos. Votos brancos e nulos não entram nesse cálculo. Se nenhum candidato atingir essa maioria absoluta, haverá segundo turno entre os dois mais votados. Em termos simples: não basta chegar em primeiro. Para acabar a eleição no primeiro turno é preciso ultrapassar a metade dos votos válidos.
36 ANOS DEPOIS?
O Tocantins conhece bem pouco uma eleição estadual em dois turnos.
Desde a promulgação da Constituição de 1988 e a criação do Estado, houve apenas uma eleição para governador decidida dessa maneira: 1990. E houve uma curiosidade histórica: o segundo turno colocou frente a frente dois Moisés — Moisés Avelino e Moisés Abrão.
Avelino venceu e chegou ao Palácio Araguaia. Passados 36 anos, o Tocantins pode novamente experimentar uma disputa de segundo turno para governador. Não estamos afirmando que acontecerá. Estamos dizendo que as campanhas precisam estar preparadas para essa possibilidade.
A ELEIÇÃO DO PRIMEIRO TURNO É UMA. A DO SEGUNDO É OUTRA

Esse talvez seja o ponto político mais importante desta reflexão. Uma eleição de segundo turno não é simplesmente uma continuação do primeiro. É praticamente uma nova eleição.
No primeiro turno existem candidatos a governador, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa percorrendo municípios, mobilizando prefeitos, vereadores, lideranças, militantes, cabos eleitorais e estruturas partidárias.
No dia seguinte à votação, tudo muda.
Os deputados estaduais e federais já terão sido eleitos. Os senadores também. Alguns estarão comemorando; outros estarão contabilizando prejuízos políticos e financeiros. Surgirão frustrações, cobranças, ressentimentos e novas negociações.
Os candidatos a governador que ficarem fora do segundo turno também terão que decidir que posição tomar. É aí que começa outro campeonato. E quem chegar ao segundo turno imaginando que manterá automaticamente toda a estrutura do primeiro poderá cometer um erro grave.
PALÁCIO ARAGUAIA PRECISA PENSAR NESSA HIPÓTESE

Para o grupo governista, a questão merece atenção especial. O governador Wanderlei Barbosa possui uma grande aprovação de sua gestão. Mas, como já destacamos em nossa análise anterior, Wanderlei não estará na urna para governador.

A candidata de seu grupo é Professora Dorinha.
Portanto, o desafio não é apenas ter um governador bem avaliado. É transformar essa avaliação, a estrutura partidária, o apoio de prefeitos, parlamentares e lideranças em votos para a candidata escolhida pelo grupo.
Se houver segundo turno, essa engrenagem terá que ser novamente mobilizada. Por isso, a campanha governista precisa trabalhar simultaneamente com duas estratégias: buscar uma votação forte no primeiro turno e estar preparada para uma eventual segunda batalha.
VICENTINHO TAMBÉM NÃO PODE CONFUNDIR PESQUISA COM URNA

Para Vicentinho Júnior, os empates técnicos são politicamente animadores. Isso demonstra competitividade, mas não significa vitória. Vicentinho precisa continuar fazendo aquilo que os números indicam que funcionou e ampliar sua presença, conversar com o eleitor e evitar erros. Em uma eleição tão equilibrada, salto alto pode custar caro.
REDES SOCIAIS NÃO RESOLVERAM
Há outro recado dos números que todos os candidatos deveriam ouvir. As redes sociais são fundamentais em uma campanha moderna. WhatsApp, Instagram, vídeos, transmissões e demais plataformas têm enorme capacidade de mobilização. Mas não resolveram sozinhas o problema dos indecisos.
Quando uma pesquisa espontânea encontra praticamente metade dos entrevistados sem indicar candidato a governador, existe um sinal evidente de que uma grande parcela da sociedade ainda não foi alcançada de maneira suficiente pelas campanhas.
Não adianta terceirizar campanha, o candidato precisa furar a bolha e se fazer conhecido. É fundamental gastar sola de sapato, enfrentar o calor do Tocantins e percorrer os municípios. Política se faz olho no olho!
COMUNICAÇÃO NÃO É APENAS REDE SOCIAL

Também existe espaço para uma reflexão sobre a relação das campanhas com os veículos de comunicação tocantinenses. Uma campanha não pode imaginar que um vídeo de alguns segundos nas redes sociais substitui completamente uma entrevista, um debate ou uma reportagem em que o candidato precisa explicar suas propostas.
Os veículos de comunicação continuam tendo papel relevante de questionar, apresentar trajetórias e permitir que o eleitor conheça melhor quem pretende governá-lo. O candidato precisa dizer o que pretende fazer nas diferentes áreas da gestão e é assim que uma eleição passa a ser uma escolha consciente.
QUEM ESTÁ INDECISO NÃO ESTÁ NECESSARIAMENTE DESINTERESSADO
Tratar o eleitor indeciso como alguém que não acompanha a eleição tem sido um erro grave nas campanhas, pois muitas vezes acontece o contrário e o eleitor pode simplesmente estar esperando, observando, comparando e querendo saber quem apresenta as melhores propostas. E é justamente esse eleitor que poderá decidir se haverá ou não segundo turno.
A CAMPANHA COMEÇA AGORA
Dorinha tem estrutura. Vicentinho mostrou competitividade. Laurez Moreira e Ataídes Oliveira ainda disputam espaço e podem interferir diretamente na matemática do primeiro turno. Os demais candidatos também retiram votos do universo necessário para alguém alcançar a maioria absoluta. Quanto maior a dispersão dos votos válidos entre candidaturas competitivas, mais difícil tende a ser para um único nome ultrapassar os 50% dos votos válidos.
Mas ainda faltam cinco semanas de campanha. E neste período um debate pode mudar tudo, uma nova aliança, uma declaração infeliz pode fazer o eleitor mudar de ideia.
O Observatório Político de O Paralelo 13 entende que seria precipitado escrever hoje que o Tocantins terá inevitavelmente segundo turno. Os números não permitem essa certeza. Mas também seria fechar os olhos para a realidade não reconhecer que a possibilidade de um segundo turno é hoje concreta e merece entrar definitivamente no planejamento político das campanhas.
Os números deram o aviso. Agora é hora de sair do ar-condicionado, colocar o pé na estrada e gastar sola de sapato.
Com a palavra, os bravos eleitores e eleitoras do nosso Tocantins.
Candidato a deputado federal foi recebido por Amarildo do Cometa e Rosângela durante agenda política no município e também representou a candidatura de Vicentinho Júnior ao Governo
Da Assessoria
A passagem de Osires Damaso por Formoso do Araguaia, neste domingo (30), trouxe à campanha um reencontro com parte de sua própria história. Durante agenda política no município, o candidato a deputado federal participou da Pescaria do Paizão, onde foi recebido por Amarildo do Cometa, sua esposa, Rosângela, lideranças e moradores.
Além de cumprir compromissos de sua candidatura, Damaso participou da programação também representando politicamente o candidato ao Governo do Tocantins Vicentinho Júnior.
Ao receber Damaso, Amarildo lembrou uma passagem pouco conhecida da trajetória do candidato: antes da vida empresarial e política, ele trabalhou como frentista em Formoso do Araguaia.

“Esse amigo aqui foi frentista do posto do saudoso João Batista. Hoje é um homem de sucesso, gera empregos, gera renda e tem um legado político”, destacou Amarildo, ao manifestar confiança no trabalho de Damaso.
O candidato também relembrou aquele período e falou sobre o significado de retornar ao município em outro momento de sua vida.
“Eu estive aqui há muitos anos como frentista de posto de gasolina e hoje estou novamente em Formoso, como empresário e candidato a deputado federal. É uma alegria voltar, reencontrar amigos e ser recebido com tanto carinho”, afirmou Damaso.
Ex-deputado estadual por três mandatos, ex-presidente da Assembleia Legislativa e ex-deputado federal, Damaso disse que pretende levar novamente essa experiência para a Câmara dos Deputados.
“Quero voltar à Câmara Federal para trabalhar pelo Tocantins e por Formoso do Araguaia. Nossa história aqui não começa hoje e tenho certeza de que ainda temos muito a construir juntos”, afirmou.
Durante sua fala, Damaso também pediu apoio à candidatura de Vicentinho Júnior ao Governo do Tocantins, reforçando a atuação conjunta da chapa nesta fase da campanha.
A passagem por Formoso integra a agenda de Damaso pelo interior do Estado, marcada por encontros com lideranças, apoiadores e moradores dos municípios.
Osires Damaso é candidato a deputado federal pelo PSDB, com o número 4577.
Material produzido pela Assessoria de Comunicação da campanha de Osires Damaso e encaminhado à imprensa como sugestão de pauta para avaliação editorial.
Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
Não estamos diante de uma eleição decidida. Muito menos diante de candidatos derrotados ou eleitos antecipadamente. Pesquisa é fotografia de um determinado momento, por isso, o Observatório Político de O Paralelo 13 traz uma análise do resultado das últimas pesquisas de intenção de votos realizadas no Tocantins.
É importante frisar que trazem vários sinais. E, quando colocamos lado a lado os números da Quaest, do Real Time Big Data e da Paraná Pesquisas, há elementos que merecem atenção imediata das principais forças políticas do Tocantins.

No Governo, a senadora Professora Dorinha Seabra permanece à frente nos três levantamentos estimulados. Entretanto, dois deles — Real Time Big Data e Paraná Pesquisas — colocam Dorinha e Vicentinho Júnior em empate técnico. Para o grupo governista, esse resultado deve ser interpretado como um forte sinal de alerta. Para a oposição liderada por Vicentinho Júnior, é um resultado que mostra competitividade, mas que também não permite euforia.
E, no Senado, os três levantamentos têm um ponto em comum: Eduardo Gomes aparece na primeira colocação. A segunda vaga, entretanto, apresenta uma disputa muito mais aberta. É sobre essa fotografia e não sobre torcida que faremos nossa primeira reflexão.
RETRATOS DO TOCANTINS

A Quaest, em pesquisa contratada pelo Grupo Globo/TV Anhanguera, ouviu 804 eleitores entre 21 e 24 de agosto. No cenário estimulado para governador, Professora Dorinha registrou 37%, Vicentinho Júnior 28%, Laurez Moreira 7%, Ataídes Oliveira 3% e Subtenente Luiz Carlos 2%. A margem de erro é de três pontos percentuais e o registro no TSE é TO-02161/2026.
No Senado, a Quaest apresentou Eduardo Gomes com 14%, Carlos Gaguim com 13%, Paulo Mourão com 9% e Alexandre Guimarães com 8%. Como o eleitor escolherá dois senadores em 2026, é importante observar a metodologia utilizada para a apresentação desses resultados.

O Real Time Big Data, que ouviu 1.600 eleitores entre 21 e 25 de agosto, trouxe uma fotografia diferente. Dorinha apareceu com 33%, Vicentinho com 30%, Laurez com 11%, Ataídes com 7% e Witer Naves com 4%. Com margem de erro de dois pontos percentuais, Dorinha e Vicentinho estão tecnicamente empatados.
No confronto direto de segundo turno testado pelo instituto, Vicentinho aparece com 41% e Dorinha com 40%, também em empate técnico. No Senado, o Real Time Big Data apontou Eduardo Gomes com 26%, Alexandre Guimarães com 18%, Carlos Gaguim com 10%, Vanderlei Luxemburgo com 9%, Ronaldo Dimas com 8% e Eli Borges com 7%.
Finalmente veio a Paraná Pesquisas, levantamento registrado no TSE sob o número TO-02900/2026. Foram realizadas 1.504 entrevistas presenciais em 70 municípios, entre 25 e 27 de agosto, com margem de erro estimada em aproximadamente 2,6 pontos percentuais e grau de confiança de 95%.
Na estimulada para governador, a Paraná encontrou Dorinha com 37,3% e Vicentinho com 35,5%. Depois aparecem Laurez, com 7,6%; Ataídes, 5,1%; Subtenente Luiz Carlos, 1,6%; Du Pereira, 1,2%; e Witer Naves, 0,2%. Pela margem de erro, novamente temos empate técnico entre os dois primeiros colocados. Na espontânea da Paraná, a fotografia é ainda mais interessante: Dorinha tem 19,5%, Vicentinho 18,9% e nada menos que 49,7% não sabem ou não opinaram.
Portanto, os três institutos apresentam percentuais diferentes, como naturalmente pode ocorrer em pesquisas realizadas com metodologias e amostras distintas. Mas dois deles colocam a disputa principal dentro da margem de erro. E é aqui que começa nossa análise.
PALÁCIO ARAGUAIA: A SIRENE DE ALERTA TOCOU

Professora Dorinha não é uma candidata que acaba de chegar à disputa. Há muito tempo sua candidatura vem sendo construída. Ela chega à campanha amparada por uma ampla estrutura partidária e por importantes lideranças políticas, incluindo o apoio do governador Wanderlei Barbosa e de expressiva parcela da classe política tocantinense.
É justamente por isso que os empates técnicos registrados pelo Real Time Big Data e pela Paraná Pesquisas precisam ser observados pelo grupo governista com atenção. A quantidade de prefeitos, vereadores, deputados e lideranças em uma coligação é importante. Fundo eleitoral, tempo de propaganda e estrutura partidária também são importantes. Mas nenhum desses elementos, isoladamente, deposita voto na urna.
A campanha precisa transformar apoio político em voto popular. O próprio levantamento da Paraná traz um contraste que merece reflexão. Wanderlei Barbosa tem 69,1% de aprovação, contra 27,5% de desaprovação. A avaliação positiva soma 52,2%. É uma aprovação expressiva, Mas Wanderlei Barbosa não estará na urna para governador. Professora Dorinha estará.
A missão do grupo palaciano é conseguir transferir para sua candidata não apenas apoios políticos, mas confiança e voto. E os números de agosto indicam que essa transferência ainda não está concluída.
PROPORCIONAIS DEVEM ABRAÇAR DORINHA

Existe outro ponto que o núcleo governista precisa colocar sobre a mesa. Chegou o momento de os candidatos proporcionais da base, candidatos a deputado estadual e federal, abraçarem efetivamente a candidatura de Professora Dorinha. Não apenas nas fotografias, nos eventos partidários ou no material oficial. É preciso carregar a candidatura nas ruas. Em uma eleição apertada, uma estrutura gigantesca somente demonstra sua força quando todas as suas engrenagens trabalham na mesma direção. Nos últimos dias de campanha, essa integração será imprescindível para qualquer grupo que pretenda vencer uma eleição majoritária.
O RETROVISOR POLÍTICO ENSINA

O Paralelo 13 se aproxima dos 40 anos acompanhando a política tocantinense. Atravessamos diferentes momentos da história eleitoral do Estado e aprendemos que eleição não se vence pela quantidade de lideranças reunidas numa fotografia. A história do Tocantins já mostrou candidaturas aparentemente menores derrotando estruturas políticas muito superiores. Por isso, tamanho de grupo é uma vantagem. Nunca uma garantia.
O eleitor é quem dá a última palavra.
SEGUNDO TURNO

Aqui está um dos pontos mais delicados para o Palácio Araguaia. A própria Paraná Pesquisas simulou um segundo turno entre Dorinha e Vicentinho. O resultado foi 44,9% para Vicentinho e 44,4% para Dorinha, rigorosamente um empate técnico. O Real Time Big Data chegou a fotografia semelhante: 41% para Vicentinho e 40% para Dorinha.
Portanto, não é possível afirmar hoje quem venceria um eventual segundo turno. Mas é possível afirmar que, politicamente, um segundo turno acrescentaria uma nova camada de risco e reorganização à eleição.
Depois do primeiro turno, centenas de candidatos proporcionais já terão conhecido vitória ou derrota. Surgirão novas composições, apoios, frustrações, cobranças e interesses. Parte das estruturas que hoje trabalha pelas chapas majoritárias terá encerrado sua própria disputa. Mobilizar novamente todo esse exército político por mais algumas semanas não será tarefa automática para ninguém. É por isso que, para Dorinha, construir vantagem no primeiro turno pode ter importância estratégica.
VICENTINHO: O DESAFIO É NÃO ERRAR

Do outro lado, os números entregam a Vicentinho Júnior a notícia de que sua candidatura mostrou capacidade de competir com uma estrutura governista muito maior. Mas esse resultado também cria uma armadilha. A pior coisa que Vicentinho poderia fazer agora seria confundir empate técnico com vitória. Se os levantamentos mostram uma eleição disputada nos detalhes, então serão justamente os detalhes que poderão decidir a eleição.
Vicentinho precisa continuar fazendo o dever de casa, ampliar alianças, evitar erros, fiscalizar a própria campanha e, sobretudo, manter contato direto com o eleitor. Humildade eleitoral nunca fez mal a candidato competitivo.
LAUREZ E ATAÍDES BUSCAM ESPAÇO

Os números também colocam desafios importantes para Laurez Moreira e Ataídes Oliveira.Laurez aparece com 7% na Quaest, 11% no Real Time Big Data e 7,6% na Paraná. Ataídes registra, respectivamente, 3%, 7% e 5,1%. Nenhum dos dois pode ser eliminado politicamente a mais de um mês da votação, principalmente diante do contingente de eleitores ainda em processo de definição. Mas ambos precisam encontrar identidade eleitoral própria e uma narrativa capaz de romper a polarização que, neste momento, concentra a maior parcela das intenções de voto em Dorinha e Vicentinho.
A sucessão estadual continua aberta.
SENADO: EDUARDO GOMES É O ÚNICO A LIDERAR OS TRÊS LEVANTAMENTOS

Se no Governo há divergências importantes entre as fotografias, na disputa ao Senado existe uma convergência clara. Eduardo Gomes aparece em primeiro lugar nos três levantamentos analisados.
Quaest: 14%.
Real Time Big Data: 26%.
Paraná Pesquisas: 35,1% na estimulada.
Não se devem comparar esses percentuais mecanicamente, porque os levantamentos têm metodologias próprias. O dado politicamente relevante é a posição relativa: Gomes aparece à frente em todos eles.
Na Paraná, Alexandre Guimarães tem 21,6%, Carlos Gaguim 20,8%, Ronaldo Dimas 16%, Vanderlei Luxemburgo 15%, Eli Borges 14,2% e Paulo Mourão 14%. Cada entrevistado podia indicar até dois candidatos.
Na espontânea da mesma pesquisa, Eduardo também lidera com 9,8%, seguido por Alexandre, com 6,9%, e Gaguim, com 5,1%. Mas o número mais impressionante está em outro lugar: 69% ainda não sabem ou não opinaram espontaneamente para o Senado.
Eduardo Gomes está na frente. Isso não significa que esteja eleito. Eleição se ganha na urna. Mas, se existe hoje uma candidatura ao Senado que demonstra maior regularidade nas pesquisas divulgadas, é a do senador que busca a reeleição.
A SEGUNDA VAGA ESTÁ ESCANCARADA

A segunda cadeira do Tocantins no Senado é outra história. Alexandre Guimarães aparece em segundo no Real Time Big Data e também na Paraná, mas nesta última está com 21,6%, contra 20,8% de Gaguim, diferença de apenas oito décimos. Atrás deles existe outro pelotão tentando avançar: Ronaldo Dimas, Vanderlei Luxemburgo, Eli Borges e Paulo Mourão.
É cedo demais para fechar essa conta. E na espontânea da Paraná, 69% não indicaram candidato ao Senado. Isso revela um eleitorado ainda muito pouco consolidado nessa disputa. Por isso, neste momento, O Paralelo 13 não vê sustentação nos números para decretar quem ficará com a segunda vaga.
SURPRESA À VISTA? GUARDEM ESTE NOME: VANDERLEI LUXEMBURGO

Existe, porém, uma movimentação que merece ser acompanhada. Vanderlei Luxemburgo. Na Paraná, ele aparece com 15%, muito próximo de Ronaldo Dimas, com 16%, Eli Borges, com 14,2%, e Paulo Mourão, com 14%. E Luxemburgo deixou a posição de independente que vinha adotando e aderiu ao palanque de Vicentinho Júnior.
Na noite de sexta-feira, 28, participou em Araguatins de seu primeiro grande ato após a adesão, ao lado de Vicentinho e do candidato a vice Amélio Cayres. O movimento levou Vicentinho a brincar que o antigo “Trio Parada Dura” havia se transformado em “Quarteto Fantástico”. Araguatins é o maior colégio eleitoral do Bico do Papagaio, e o ato teve a presença do prefeito Aquiles da Areia e de outras lideranças regionais.
Isso não transforma Luxemburgo em favorito, mas o coloca definitivamente no jogo!
RONALDO DIMAS NÃO PODE SER SUBESTIMADO

Outro nome que merece atenção nesta reta decisiva é o de Ronaldo Dimas, candidato ao Senado pelo Podemos. Ex-prefeito de Araguaína por dois mandatos, Dimas mantém forte liderança política na região Norte do Tocantins e no entorno de Araguaína, além de influência que alcança municípios do Bico do Papagaio.
Dimas conta ainda com apoios políticos importantes e chega à disputa com um bom patrimônio eleitoral. Também é um nome com boa interlocução junto ao setor empresarial tocantinense, característica que pode ajudá-lo na ampliação de sua candidatura nas próximas semanas.

Sérgio Vieira Marques, conhecido como Soró e o candidato ao Senador Ronaldo Dimas
Por isso, Ronaldo Dimas não pode ser subestimado. Os números da Paraná Pesquisas ajudam a compreender essa avaliação. No cenário estimulado para o Senado, Dimas aparece com 16%, próximo de Vanderlei Luxemburgo, com 15%, e não muito distante de Alexandre Guimarães, com 21,6%, e Carlos Gaguim, com 20,8%.
Em uma eleição com duas vagas e um enorme contingente de eleitores ainda sem definição, poucos pontos percentuais podem alterar completamente a composição do pelotão que disputa a segunda cadeira.
LUXEMBURGO E DIMAS: 35 DIAS DE DESAFIO

Se existe uma parte da eleição para o Senado que merece ser acompanhada com lupa, é justamente a movimentação de Vanderlei Luxemburgo e Ronaldo Dimas. Os dois aparecem muito próximos na Paraná Pesquisas: Dimas com 16% e Luxemburgo com 15%. Mais acima estão Alexandre Guimarães, com 21,6%, e Carlos Gaguim, com 20,8%. Neste contexto cabe afirmar que existe um grupo de candidatos relativamente próximo disputando espaço atrás de Eduardo Gomes, que lidera o levantamento.
E há um fator ainda mais importante: 69% dos entrevistados na pesquisa espontânea para o Senado disseram não saber ou não opinaram. É um universo gigantesco ainda disponível para ser conquistado. Isso significa que os próximos 35 dias exigirão muito mais do que presença em redes sociais. Exigirão rua, corpo a corpo, agenda regional, capacidade de comunicação, entrevistas, exposição de propostas e apresentação do perfil de cada candidato.
A rede social conversa muitas vezes com quem já acompanha política. O grande desafio agora é alcançar o eleitor que ainda não decidiu. Nesse ambiente, veículos de comunicação com credibilidade também terão papel importante ao apresentar ao eleitor quem são os candidatos, suas trajetórias, propostas, experiências administrativas e eventuais controvérsias de interesse público, sempre com responsabilidade e respeito.
ELI BORGES PRECISA REAGIR

Eli Borges aparece com 7% no Real Time Big Data e 14,2% na estimulada da Paraná. Na espontânea da Paraná, tem 2,9%. Os números mostram que existe espaço para crescimento, mas também uma disputa cada vez mais congestionada. O parlamentar precisa encontrar uma estratégia que amplie sua candidatura para além de seu eleitorado já identificado, justamente porque a corrida pela segunda vaga reúne nomes muito próximos.
DUAS VAGAS, MUITAS INCÓGNITAS
Há uma tese circulando nos bastidores de que uma mesma chapa poderia eleger os dois senadores. Hoje, os números disponíveis não permitem tratar isso como cenário definido. Eduardo Gomes tem vantagem nas fotografias atuais, enquanto a segunda vaga apresenta forte dispersão. Portanto, seria precipitado afirmar agora que determinada chapa elegerá dois nomes, ou que isso é impossível. Faltam semanas de campanha, há enorme contingente de indecisos e alianças ainda estão sendo reorganizadas.
A GRANDE BOLHA

E chegamos ao ponto que talvez seja o mais importante desta primeira análise. Políticos conversam com políticos. Assessores conversam com assessores. Militantes conversam com militantes. Grupos de WhatsApp repetem aquilo em que seus integrantes já acreditam. Redes sociais entregam ao usuário mais do conteúdo que ele deseja consumir. Assim nasce a bolha eleitoral.
Do lado de fora dela está o eleitor comum.
Na Paraná, 49,7% não souberam responder espontaneamente em quem votariam para governador. Para senador, são 69%. Na Quaest, 48% disseram que ainda poderiam mudar sua escolha para governador até a eleição, segundo os dados divulgados pelo levantamento. Esses números são um recado para todos. Dorinha não venceu. Nem tampouco Vicentinho Júnior. Laurez ou Ataídes não estão eliminados. Eduardo Gomes lidera, mas ainda não está eleito. E a segunda vaga ao Senado permanece aberta.
A eleição de 2026 será decidida pelo eleitor tocantinense. E esse eleitor quer candidato perto, quer conversar, perguntar, olhar no olho. As campanhas que terceirizarem sua relação com o eleitor, acreditando apenas em prefeitos, vereadores, cabos eleitorais, redes sociais ou estruturas partidárias, podem descobrir tarde demais que apoio político e voto não são exatamente a mesma coisa.
Quem não sair do ar-condicionado e não for para as ruas terá dificuldade.
Faltando pouco mais de um mês para as urnas, os três levantamentos deixam uma mensagem muito mais importante do que qualquer comemoração partidária: a eleição para o Governo do Tocantins está aberta, assim como a do senado federal. A primeira rodada das pesquisas não entregou vencedores, e faz alertas claros.
Para o Palácio Araguaia, a necessidade de transformar sua enorme estrutura política em votos para Professora Dorinha. Para Vicentinho Júnior, a obrigação de não transformar bons números em salto alto. Para Laurez e Ataídes, o desafio de encontrar espaço e identidade. Para Eduardo Gomes, a responsabilidade de administrar a liderança sem considerar a eleição resolvida. E, para todos os candidatos à segunda vaga ao Senado, a certeza de que ainda existe um enorme eleitorado a conquistar.
A sirene tocou.
Agora começa a fase em que cada erro pode custar caro e cada voto terá que ser buscado olho no olho.
