Segundo Teresa Leitão, líder do governo no Senado, presidente da Casa quer evitar que disputa sobre redução da maioridade penal seja explorada eleitoralmente

 

 

Por Túlio Amâncio

 

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu não colocar em votação nesta semana a PEC da Segurança Pública. A proposta ficará para depois do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).

 

A informação foi confirmada à coluna pela líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE). Segundo a senadora, Alcolumbre quer evitar que a discussão sobre a redução da maioridade penal seja explorada eleitoralmente na reta final da disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

 

O principal ponto de divergência é uma emenda apresentada pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que também atua na coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro.

 

A proposta de Marinho reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos como regra geral e permite a responsabilização criminal a partir dos 14 anos em casos de crimes hediondos, tortura, tráfico de drogas, terrorismo e participação em organizações criminosas. A iniciativa tem o apoio de Flávio.

 

Em reação, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (PT-CE), apresentou uma alternativa mais restrita, que prevê a redução da maioridade penal para 16 anos apenas em casos de crimes hediondos.

 

A iniciativa, no entanto, provocou um racha dentro do próprio PT, que historicamente se posiciona contra a redução da maioridade penal.

 

A orientação da liderança do governo passou a ser rejeitar alterações na PEC para evitar que o texto precise retornar à Câmara dos Deputados, o que atrasaria sua promulgação.

 

Na semana passada, Alcolumbre já havia retirado a proposta da pauta diante das divergências sobre as emendas. A decisão frustrou a intenção do governo de aprovar a medida antes do segundo turno.

 

Com o novo adiamento, o presidente do Senado busca, segundo Teresa Leitão, impedir que a votação se transforme em mais um confronto eleitoral sobre segurança pública, tema que ganhou destaque nas campanhas dos dois presidenciáveis.

 

A expectativa é que a PEC volte à pauta após a eleição presidencial.

 

 

 

Posted On Segunda, 19 Outubro 2026 15:15 Escrito por O Paralelo 13

O encontro marca o primeiro embate direto entre Lula e Flávio Bolsonaro nesta campanha

 

 

POR ANA LUIZA ALBUQUERQUE, ARTHUR GUIMARÃES DE OLIVEIRA E BRUNO RIBEIRO

 

 

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT), adversários no segundo turno das eleições, trocaram acusações de corrupção, fizeram perguntas que deixaram o outro sem resposta, provocaram e envolveram familiares no primeiro debate entre os dois, na Band, na noite deste domingo (18).

No primeiro bloco do encontro, Flávio explorou o caso que envolve a lobista Roberta Luchsinger, investigada em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente, em três inquéritos sob suspeita de corrupção e tráfico de influência.

No sábado (17), em entrevista à CNN Brasil, ela disse que pretende firmar um acordo de delação premiada e que não poupará Lula, sem apresentar detalhes ou evidências sobre o que teria a revelar.

Flávio perguntou a Lula se ele conhecia Roberta. O presidente respondeu que a Polícia Federal cuidará dela e voltou a afirmar que qualquer um, mesmo seu filho, será investigado em seu governo.

 

“Não sou um pai que protege o filho, como você foi protegido pelo seu pai […] Não escondo nem mando ministro embora porque não quis trocar diretor da Polícia Federal”, afirmou Lula, lembrando da saída do ex-juiz Sergio Moro do governo de Jair Bolsonaro.

Moro, que condenou Lula na Operação Lava Jato, foi levado ao debate por Flávio. Quando anunciou sua demissão do governo Bolsonaro, em abril de 2020, o ex-ministro criticou a insistência do ex-presidente para trocar o comando da PF.

 

 

Flávio também perguntou ao petista por que seu filho vive na Espanha —Lula não respondeu e rebateu afirmando que o irmão do senador, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, vive nos Estados Unidos “tramando contra o Brasil”.

 

O presidente, por sua vez, foi ao ataque com o caso Master, questionando diversas vezes sobre o destino de R$ 134 milhões que Daniel Vorcaro teria pago ao filme “Dark Horse”, uma ode à história de Jair Bolsonaro. “O que fez com o dinheiro? Foi para ajudar seu irmãozinho a trair o Brasil?”, perguntou Lula.

 

Flávio voltou a se esquivar, como vem fazendo ao longo da campanha, e não esclareceu o destino do dinheiro, enviado para um fundo controlado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo. “Você vai aplaudir o filme do presidente Bolsonaro, que você vai amar”, disse o senador.

 

Em meio a essa troca de provocações, Flávio pediu que Lula ficasse mais perto, reeditando uma cena do debate da Globo que o petista travou com Jair Bolsonaro, em 2022. O petista respondeu que não queria ficar perto do senador. “Quero distância de miliciano”, disse.

 

Em outro momento do primeiro bloco, o senador afirmou que a criminalidade explodiu no Brasil e perguntou por que 73% dos presidiários votaram no petista. Lula respondeu: “Eu quero 100%, até do seu pai”.

 

Jair Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por ter liderado um plano de golpe de Estado para impedir que Lula assumisse a Presidência da República. O ex-presidente se encontra em prisão domiciliar.

 

No final do primeiro bloco, a Band concedeu um direito de resposta de um minuto a Flávio, sem indicar o motivo. Antes, Lula chamou o rival de “malandro carioca”. O senador usou o tempo para tratar de violência e segurança pública e acenar a eleitores mais pobres e a mulheres.

 

Lula derrapou no começo do debate, quando caminhou em direção à câmera errada e não controlou bem seu tempo. Nos minutos seguintes, porém, conseguiu se recuperar e encurralar Flávio em alguns momentos.

 

Ele perguntou duas vezes se o senador apresentará alguma proposta para alterar a lei que promulgou o fim da escala 6×1. Como noticiou a coluna Painel, Flávio garantiu a aliados que irá rever pontos da proposta.

 

Da primeira, o candidato do PL tergiversou. Da segunda, negou. “Ele só faz ‘fake news’ o tempo inteiro. […] Eu vou fazer com que você prospere de verdade. A gente vai falar no próximo bloco sobre prosperidade e não sobre o legado que ele está deixando, que é só de miséria, de endividamento, um monte de recorde negativo”, disse Flávio.

 

Lula afirmou que o filho de Bolsonaro treinou e “melhorou muito para mentir”. “Toda vez que ele falar, olhe nos olhos desse homem, porque qualquer pessoa aprende desde pequeno que a mentira está nos olhos e não na palavra.”

 

Esse foi o primeiro debate televisivo do qual participaram Flávio e Lula nestas eleições. O esvaziamento dos encontros pelos dois principais adversários neste pleito levou ao cancelamento de dois dos quatro debates previstos para o primeiro turno.

 

Para o senador, a ausência do presidente inviabilizava confrontos diretos, enquanto para o mandatário, a ida aos programas com a presença de outros candidatos configuraria disputa desleal por possíveis ataques de vários lados.

 

O filho de Jair Bolsonaro chegou a dizer na terça-feira (13) que não compareceria ao debate. No dia seguinte, depois que a emissora confirmou, via assessoria de imprensa, que o programa estaria mantido e que o púlpito de Flávio ficaria vazio, ele voltou atrás e afirmou que participaria.

 

Oficialmente, o senador disse nas redes que sua declaração foi uma “armadilha” para fazer Lula confirmar presença. “Bastou falar que não ia no debate da Band para você no minuto seguinte falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate, eu só queria que você confirmasse.”

 

No segundo bloco, com perguntas dos mediadores, o principal tema foi a saúde. Flávio começou se solidarizando com o povo do Rio de Janeiro após Lula acusá-lo de malandro ao estilo carioca.

 

O senador depois citou que chamou o médico Claudio Lottenberg, que foi presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para comandar o Ministério da Saúde e disse que “SUS vai ser padrão Einstein”.

 

O petista, em contrapartida, lembrou das mortes da pandemia de covid-19. Citou que boa parte delas poderia ter sido evitada e que o governo de Jair Bolsonaro não acreditava na ciência. Ao fim, questionou, em menção à fala do adversário, se Flávio não estaria querendo privatizar o SUS.

 

Depois desse momento houve um princípio de confusão. Flávio aparecia atrás de Lula, estratégia que o senador adotou durante o debate, quando o petista afirmou que se o oponente estivesse zombando dele iria pedir direito de resposta. O senador questioná-lo e recebeu um aviso da mediadora de que não poderia falar naquele momento.

 

Na sequência, Flávio indagou Lula sobre o tema da saidinha e disse que o petista defende mais o direito dos bandidos do que o das vítimas. O atual presidente rebateu dizendo que o senador vai pretende dar um indulto para o pai e liberar outros de tabela.

 

O filho do ex-presidente Bolsonaro também aproveitou para dizer que votou a favor do fim da escala 6×1 e vincular essa atitude com a ideia de segurança. Afirmou que hoje o cidadão vai pra praia com medo, a mulher pega ônibus com medo. “Não quero que seu dia de folga seja um dia de pesadelo.”

 

Já o petista disse que Flávio conhece o trabalho por literatura, porque nunca trabalhou.

 

 

 

Posted On Segunda, 19 Outubro 2026 05:35 Escrito por O Paralelo 13

Empresária afirmou à CNN Brasil neste sábado (17) que poderia acrescentar às investigações em curso “detalhes” que não constam das mensagens trocadas por ela no WhatsApp

 

 

Por Débora Bergamasco, Iuri Pitta e Lucas Schroeder, da CNN Brasil, São Paulo

 

 

A empresária e lobista Roberta Luchsinger manifestou, em entrevista exclusiva à CNN Brasil neste sábado (17), o desejo de firmar um acordo de delação premiada que, segundo ela, não poupará o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o filho dele, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

 

A PF (Polícia Federal) investiga Roberta e Lulinha por suposto tráfico de influência no governo federal. A empresária de 41 anos, diretora da RL Consultoria e Intermediações, foi alvo nos últimos meses de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e valores e determinação para uso de tornozeleira eletrônica no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura o esquema de fraudes bilionárias no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

"[A Polícia Federal] vai poder fazer o trabalho dela investigativo e contar com minha absoluta colaboração. Eu não vou poupar ninguém. Pode ser o presidente da República, que a meu ver é um grande mau caráter, é um grande mentiroso, e eu repito, um grande covarde. Não vou poupar filho de presidente, ninguém, porque o que está em questão é a verdade", disse Roberta.

 

Luchsinger diz à CNN que Lulinha sentou "inúmeras vezes" com ministros

Questionada sobre o que teria a acrescentar às investigações em curso, a empresária mencionou “detalhes” que não constam das mensagens trocadas por ela no WhatsApp.

 

"O que eu teria a acrescentar? Talvez detalhes que não estão ali dentro do WhatsApp, porque a vida da gente não é só no WhatsApp, é no mundo normal. Você conversa com as pessoas, fala sobre projetos. Você sabe das coisas, assiste coisas, vê coisas, tem como colaborar, muitas das vezes, com coisas que você não participou, mas assistiu", descreveu.

Ao longo da entrevista exclusiva à CNN, Roberta reiterou a intenção de firmar um acordo de colaboração premiada e alegou que a “máquina pública” está sendo voltada contra si.

 

"No momento que a Justiça julgar que é o momento adequado, porque existe uma trâmite legal para isso, eu estarei lá, pronta para colaborar. Eu quero fazer uma delação premiada, sabe por quê? Porque eu não tenho pai presidente, não tenho mãe presidente. Eu sou uma mulher com duas filhas e estou tendo uma máquina pública sendo movimenada em cima de mim", acrescentou.

 

A CNN Brasil entrou em contato com o Palácio do Planalto e com a defesa de Fábio Luís Lula da Silva para que se manifestem sobre as falas de Roberta Luchsinger. O espaço segue aberto para manifestação e será atualizado assim que houver retorno.

 

Lula chamou Roberta de "pilantra" e "Vorcaro feminino"

Em entrevista à TV Globo, em 27 de agosto, e ao Flow Podcast no início deste mês, o presidente Lula se referiu a Roberta como "pilantra" e a comparou com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

"Pelo o que eu sei, ela é uma pilantra muito grande. Ela muito se assemelha ao Vorcaro, porque o Vorcaro conseguiu enganar um monte de gente e ela também parece que enganou um monte de gente. Deve ser o Vorcaro feminino, porque ela conseguiu passar por muita gente, conversar com muita gente", destacou Lula na ocasião.

 

Na entrevista deste sábado, Roberta criticou Lula e observou que o mandatário age com “mau-caratismo” e “canalhice” ao chamá-la de “pilantra” em rede nacional.

 

“Não serei o boi de piranha que tanto querem colocar tudo em cima de mim. O que eu fiz, se for crime, vou responder, vou me defender, vou responder ao devido processo legal que, aliás, é uma coisa que o presidente da República sempre disse muito sobre ele, mas sobre os outros a gente vê que é o contrário”, concluiu.

 

Em nota, a equipe de comunicação do presidente Lula afirma que ele "desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger". "Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimendo de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta", continua.

 

"Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição. O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores."

 

Em nota enviada à CNN, a defesa de Fábio Luís, o Lulinha, também negou que ele tenha cometido qualquer irregularidade e que sua relação com qualquer ministro sempre foi de natureza pessoal. Ele afirmou ainda que as acusações de Roberta “são incompatíveis com seu depoimento às autoridades” e que “comprovará sua inocência nos autos”.

Leia a íntegra da nota abaixo:

 

Fábio Luís Lula da Silva não cometeu nenhuma irregularidade e teve seus dados bancários, fiscais e telemáticos abertos, colocando-se à disposição da Justiça para colaborar com as investigações desde o primeiro momento. Sua relação com políticos de qualquer natureza, inclusive os que eventualmente se tornaram ministros de Estado, é de natureza pessoal e resultante de seu convívio desde a infância, sem qualquer troca de viés ilegal ou não republicano.

 

As recentes insinuações públicas de Roberta Luchsinger são incompatíveis com seu depoimento às autoridades. Isso retrata, mais do que qualquer coisa, sua contrariedade tanto em relação às declarações do Presidente da República sobre seu caráter quanto, de forma compreensível, em relação ao incessante ataque resultante de vazamentos criminosos que têm o evidente objetivo de controlar a pauta da imprensa em período eleitoral.

 

Quanto às investigações abertas, tudo até o momento indica manipulação, direcionamento e pescaria probatória: desde a quebra de sigilo telefônico de Roberta Luchsinger na investigação do INSS, que buscou dados sobre Fábio Luís de anos antes de Roberta sequer conhecer Antônio Camilo, até os reiterados vazamentos ilegais.

 

Assim como fez em diversas acusações anteriores, inclusive na operação do INSS em que não foi nem sequer indiciado, Fábio Luís comprovará sua inocência nos autos, após ter contato com dados e provas concretas.

 

 

 

Posted On Domingo, 18 Outubro 2026 06:33 Escrito por O Paralelo 13

Jorginho Mello, Sergio Moro e Luciano Zucco participaram de motociata em Florianópolis e reforçaram o apoio a Flávio Bolsonaro, com críticas ao PT e convocação de apoiadores para buscar votos

 

 

Por Marci Páz - DN mais

 

 

A motociata em apoio a Flávio Bolsonaro reuniu neste sábado (17), em Florianópolis, lideranças políticas da região Sul que reforçaram publicamente o apoio ao candidato e fizeram críticas ao PT. O governador reeleito de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), o governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), e o governador eleito do Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL), participaram do ato e destacaram a mobilização dos apoiadores.

Durante as manifestações, os três defenderam a união política da região Sul e projetaram a participação do grupo na campanha eleitoral. O prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, também discursou e convocou os presentes a ampliar o apoio ao candidato.

Jorginho Mello afirma que a população já decidiu

 

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, afirmou que não considera os debates decisivos para uma eleição, mas avaliou que eles podem abrir espaço para Flávio Bolsonaro questionar as propostas e as ações do PT.

 

 

“É mais uma oportunidade para o Flávio mostrar as contradições do PT”, declarou. Jorginho também criticou anúncios e propostas apresentados durante a campanha, citando promessas relacionadas ao transporte de ônibus e ao Bolsa Família.

 

Na avaliação do governador, os eleitores já teriam definido sua escolha. “Mas a população já decidiu”, afirmou.

Sergio Moro fala em união dos estados do Sul

Sergio Moro elogiou a mobilização em Florianópolis e classificou o ato como possivelmente a maior motociata da história, ressaltando o apoio demonstrado pelos participantes.

 

Moro também fez críticas ao governo do PT e afirmou acreditar na derrota de Lula na eleição. “Nós fizemos um pacto, os governadores da região Sul e os senadores, nós vamos ajudar a salvar o Brasil”, declarou.

 

O político ainda mencionou a realização de um evento em Curitiba e destacou a intenção de demonstrar a união de lideranças sulistas em torno de um projeto político nacional.

 

Luciano Zucco agradeceu a Jorginho Mello pela organização do evento e celebrou a mobilização dos apoiadores em Florianópolis. Ele também mencionou a participação de lideranças em atos realizados em outras cidades da região Sul.

“Nós não podemos mais errar. Mas o brasileiro acordou e é Flávio Bolsonaro no dia 25 e 22”, disse Zucco, em referência ao candidato e ao número associado a ele na urna.

Durante o discurso, o governador gaúcho também criticou o que chamou de mentiras e notícias falsas na campanha de Lula.

 

Ao mencionar o Rio Grande do Sul, agradeceu o apoio recebido de Santa Catarina em momentos de necessidade e declarou: “Nós amamos SC”.

 

Em outro momento, Zucco afirmou que gostaria de ver Jair Bolsonaro voltar a subir a rampa do Palácio do Planalto. A fala foi acompanhada por gritos de “mito” de participantes do ato.

 

Prefeito de Florianópolis convoca apoiadores

O prefeito Topázio Neto saudou os governadores e elogiou Jorginho Mello, a quem chamou de parceiro da capital catarinense. Ele também criticou o nível da campanha eleitoral e pediu que os apoiadores atuassem para ampliar os votos em Flávio Bolsonaro.

“A partir de hoje, cada um vira um voto, cada um busca mais um voto”, afirmou. Ao encerrar o discurso, convocou os presentes a se unirem em torno da candidatura.

 

 

Posted On Domingo, 18 Outubro 2026 06:09 Escrito por O Paralelo 13

O PL (Partido Liberal) chegará à Câmara dos Deputados em 2027 com a maior bancada eleita por um partido desde a Constituição de 1988. Mas a sigla do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, que disputará o segundo turno contra Lula (PT), está longe de ser formada só por novatos da onda bolsonarista

 

 

Por Dhiego Maia

 

 

Dos 121 eleitos em 4 de outubro, 111 (91,7%) já ocuparam algum cargo eletivo —só 8,3% são totalmente novatos. E 93 (76,9%) passaram por outras siglas antes de chegar ao partido presidido por Valdemar Costa Neto. Entre eles, há ex-filiados a legendas que vão do União Brasil ao PCdoB, passando pelo PT.

 

A bancada é majoritariamente masculina (81,8%) e branca (86,8%). Reúne policiais, militares, lideranças religiosas e parentes de políticos.

 

O levantamento do UOL cruzou dados das candidaturas, votos e bens declarados ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 2026 com o histórico eleitoral, biografias oficiais e informações publicadas na imprensa sobre cada eleito.

 

Dois puxadores de votos

 

Os 121 eleitos somaram 20,6 milhões de votos, média de 170,7 mil por deputado.

 

Os dois mais votados, Nikolas Ferreira (MG) e Lucas Pavanato (SP), responderam por 29,8% dos votos. Ajudaram a eleger 21 deputados em Minas e 19 em São Paulo, respectivamente.

 

A distância para o terceiro colocado é grande: André Fernandes (CE) teve 684.372 votos. Na ponta inferior, Júnior Betão (AC) se elegeu com 13.732 apoios.

 

Quase metade foi eleita no Sudeste (57), região que têm 34,9% das cadeiras da Câmara (179).

 

No Nordeste, única região em que Lula liderou em todos os estados no primeiro turno, o PL elegeu 19 deputados em seis estados. Não conquistou cadeiras em Alagoas, Piauí e Sergipe.

Estreantes são 36,4%

Dos 121 eleitos, 63 (52,1%) já haviam sido vitoriosos como deputados federais em 2022. Outros 14 passaram pela Câmara em mandatos anteriores, e 44 (36,4%) chegam à Casa pela primeira vez. A proporção de estreantes é próxima à da Câmara inteira: 183 deputados (35,67%), a menor em quatro eleições.

 

Entre os que retornam, estão Alfredo Nascimento (AM), Wladimir Garotinho (RJ), Izalci Lucas (DF) e Delegado Francischini (PR).

Francischini foi o primeiro parlamentar cassado pelo TSE por desinformação contra as urnas eletrônicas. Em 2021, perdeu o mandato de deputado estadual e ficou inelegível por oito anos, prazo que terminou em 7 de outubro de 2026, três dias depois da eleição —seu registro aparece como "deferido com recurso" na base consultada, ou seja, há uma decisão favorável ainda sujeita a revisão.

 

Estreantes, mas não novatos

Estrear na Câmara não significa começar na política. Dos 44 que chegam pela primeira vez, 34 já ocuparam cargo eletivo —mais de um, em alguns casos.

 

Pavanato (SP) é vereador em São Paulo. Jair Renan Bolsonaro (SC), filho do ex-presidente, ocupa o mesmo cargo, mas em Balneário Camboriú (SC). Gil Diniz (SP) está no segundo mandato na Assembleia paulista.

 

Para dez eleitos, não foram identificados mandatos anteriores:

 

Doutora Raissa Soares (BA)

Fred Rodrigues (GO)

Rodrigo Tavares (MG)

Thiago Ganem (MG)

Vinicius Diniz (MG)

Thiago Boava Hey Roy (MT)

Julia de Castro (RJ)

Daniel Trindade (RR)

Perondi (RS)

Wesley Cezar Lelinho (SP)

 

Thiago Boava Hey Roy é viúvo da deputada Amália Barros (PL-MT), morta em maio de 2024. Sua campanha teve o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), eleita senadora pelo Distrito Federal.

 

Outras trajetórias iniciaram décadas antes do bolsonarismo. Bibo Nunes (RS) ingressou na política como secretário de Turismo de Cruz Alta em 1980; Alfredo Nascimento foi secretário extraordinário da Prefeitura de Manaus em 1983; Osmar Terra (RS) começou como superintendente do antigo Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social) em Porto Alegre em 1986; e Joaquim Passarinho (PA) foi vereador em Belém a partir de 1989.

 

Renato Bolsonaro, irmão do ex-presidente, foi eleito em São Paulo com 379.312 votos. Antes, concorreu em nove eleições desde 1994, por sete partidos diferentes (PPR, PPB, PFL, PTB, PSL, PR e PL). Venceu apenas a de 1996, para vereador de Praia Grande (SP), pelo PMDB. A derrota mais recente foi em 2024, quando ficou em segundo lugar para prefeito de Registro (SP).

Uma bancada de ex-filiados

Dos 116 eleitos que foram candidatos antes, apenas 23 concorreram sempre pelo PL. Ou seja, 93 já passaram por outras legendas.

 

A mais frequente, com 24 deputados, é o PSL, partido pelo qual Bolsonaro se elegeu presidente em 2018 —ele se filiou ao PL em 2021. Depois aparecem União Brasil (20), PSDB (16), MDB (15), PTB (13), PSD (13), DEM (12, incluindo o antigo PFL) e PDT (11). As contagens se sobrepõem: um mesmo deputado pode ter passado por várias dessas legendas

 

Considerando apenas a eleição de 2022, 87 dos 116 (75%) já estavam no PL. Os outros 29 vieram principalmente de União Brasil (6), PSDB (5) e MDB (3). Estão nesse grupo o Sargento Fahur, do Paraná, eleito pelo PSD, e Coronel Assis, de Mato Grosso, pelo União Brasil.

 

Ex-filiados à esquerda

Uma das principais bandeiras do PL é o antipetismo, mas parte dos eleitos já passou por partidos de esquerda no passado. Veja exemplos:

 

PT - Altineu Côrtes (RJ)

PCdoB - Dr. Orlando (MA), Thiago Surfista (SP) e Osmar Terra (RS)

PDT - Giovani Cherini (RS), Subtenente Gonzaga (MG), Jefferson Campos (SP), Bibo Nunes (RS), Ricardo Arruda (PR), Nina (RN), Wesley Cezar Lelinho (SP), Mara Caseiro (MS), Soraya Santos (RJ) e Zé Vitor (MG), PSB - Jefferson Campos (SP), Emidinho Madeira (MG), Rosana Valle (SP), Capitão Augusto (SP), Rosângela Reis (MG) e Daniel Trindade (RR)
PV - Rosângela Reis (MG) e Fabinho Ramalho (MG)

Ex-ministro de Lula e Dilma

Também há deputados eleitos que já integraram governos petistas. É o caso de Alfredo Nascimento (AM), que comandou o Ministério dos Transportes entre 2004 e 2011, nos dois primeiros mandatos de Lula e no início do governo Dilma Rousseff (PT).

 

O PL, ao qual Nascimento já era filiado, fez parte da coligação que elegeu Lula em 2002. O vice-presidente, José de Alencar, era do partido.

 

Outro que atuou no governo Lula é Thiago Martins Milhim, o Thiago Ganem (MG), que foi secretário nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social em 2023.

 

Fabiana Vilar (MA) foi secretária de Agricultura do Maranhão de 2019 a 2020, na gestão de Flávio Dino, então no PCdoB.

 

Farda e púlpito

Policiais, militares e bombeiros estão entre os eleitos, e muitos levaram a patente ou o cargo no nome de urna.

 

É o caso de General Pazuello (RJ), ex-ministro da Saúde de Bolsonaro, General Girão (RN), Coronel Chrisóstomo (RO), Coronel Fernanda (MT), Delegado Paulo Bilynskyj (SP) e Sargento Fahur (PR).

Na ocupação declarada ao TSE, 38 se apresentam como deputados, 16 como empresários, 12 como advogados, dez como vereadores e oito como médicos. O campo não abrange todas as atividades já exercidas.

 

Entre os pastores estão Sóstenes Cavalcante (RJ), Marco Feliciano (SP) e Lincoln Portela (MG). Sóstenes é líder do PL na Câmara e ex-presidente da Frente Parlamentar Evangélica.

 

Fábio Sousa (GO) é bispo da Igreja Fonte da Vida. No campo católico, Eros Biondini (MG) integra a Renovação Carismática, e Chris Tonietto (RJ) é ligada ao Centro Dom Bosco.

 

Herdeiros e sobrenomes

Dani Cunha (RJ) é filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG), que também concorreu, mas perdeu.

 

Wladimir Garotinho (RJ) é filho dos ex-governadores do Rio Anthony Garotinho e Rosinha Matheus.

 

Rosangela Moro (PR) é mulher do senador e ex-ministro de Bolsonaro Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná.

 

Outros parentes de políticos são Rogerio Barra (PA), Vinicius Diniz (MG), Matheus Noronha (CE), Marcelo Moraes (RS), George Morais (PB), Lafayette Andrada (MG), Roberta Roma (BA), Dr. Jaziel (CE), Aldir Júnior (MA) e Fabiana Vilar (MA).

 

Patrimônio

Os bens declarados pelos eleitos somam R$ 329,4 milhões. Os maiores são:

 

Magda Mofatto (GO): R$ 62,9 milhões

Fabinho Ramalho (MG): R$ 20 milhões

João Bacelar (BA): R$ 13,5 milhões

Rodolfo Nogueira (MS): R$ 13,4 milhões

Julia de Castro (RJ), de 24 anos, não tem bens registrados. Thiago Medina (PE) declarou R$ 17,5 mil, e Lucas Pavanato, R$ 43,7 mil.

 

Os valores são autodeclarados; a falta de registros não comprova ausência de patrimônio.

 

Dos movimentos às bandeiras

Parte dos eleitos chegou à política por movimentos de direita. Nikolas Ferreira coordenou o Direita Minas. Lucas Pavanato integrou o MBL, antes de romper com o grupo e se aproximar do bolsonarismo. Zé Trovão (SC) foi um dos líderes da mobilização de caminhoneiros pró-Bolsonaro de setembro de 2021, marcada por bloqueios de rodovias e ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal).

 

Uma das principais bandeiras dos eleitos é a segurança pública, com propostas como redução da maioridade penal e aumento de penas.

 

Na pauta de costumes, se posicionam contra a linguagem neutra e o aborto, inclusive nos casos hoje legalizados (estupro, anencefalia do feto e risco à vida da mãe).

 

 

 

Posted On Domingo, 18 Outubro 2026 06:01 Escrito por O Paralelo 13
Página 4 de 1123