A degustação de uísque oferecida em Nova York pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao então governador do Rio, Cláudio Castro (PL), em 14 de maio de 2024, também contou com caciques de PP, Republicanos e MDB no Congresso Nacional

 

 

Com Jornal O Globo

 

 

O encontro, que custou R$ 5 milhões, reuniu o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados federais Hugo Motta (Republicanos-PB), Marcos Pereira (Republicanos-SP), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ). O GLOBO apurou a lista de participantes com duas fontes que estavam presentes no Carnegie Club, bar de luxo nas imediações do Central Park, em Manhattan.

 

Procurados, os deputados não retornaram aos contatos. O espaço segue aberto. Ciro, o único que respondeu à reportagem, negou ter participado. Também procurado pelo GLOBO, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, que também estava em Nova York, disse que "só passou na frente" do bar a caminho de seu hotel, e que a degustação ainda não havia começado. Rueda disse não saber quem estava na degustação, e que ele próprio participou naquele horário, de forma online, de uma reunião da Executiva nacional do União Brasil.

 

A presença dos parlamentares nos Estados Unidos consta nas informações prestadas ao portal da Câmara dos Deputados e em palestras na semana em que ocorreu o encontro reservado a dez pessoas, segundo mensagem de Vorcaro a Castro extraídas do celular do banqueiro pela Polícia Federal.

 

Castro, Ciro Nogueira e Marcos Pereira participaram de palestras naquela semana. Já Hugo Motta e Dr. Luizinho fizeram viagens oficiais aos Estados Unidos no mesmo período.

 

Charutos e uísque

A informação dos presentes na degustação foi antecipada pela revista Veja e confirmada pelo GLOBO. Além das doses do destilado, a tarde de degustação foi marcada por charutos. De acordo com o material obtido pela PF, o encontro aconteceu no Carnegie Club, que se define como "um dos lounges mais exclusivos de Nova York, com charuto requintado e whisky single malt".

 

O custo do evento foi de US$ 1 milhão, o equivalente a R$ 5,2 milhões, de acordo com a conversão feita pela PF. Naquele momento, os quatro deputados presentes eram cotados para suceder o então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Motta acabou sendo o escolhido, em fevereiro do ano seguinte.

 

Ciro Nogueira, por sua vez, apresentou meses depois, em agosto de 2024, uma emenda a um projeto de lei que buscava aumentar o valor de investimentos financeiros cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O texto, que acabou não aprovado, ficou conhecido como "emenda Master", já que beneficiaria o modelo de negócios do banco de Vorcaro.

 

— Eu não fui à degustação. Não tomo whiske (sic) puro — alegou Ciro Nogueira.

 

No caso de Castro, a PF registra que, um dia depois da degustação milionária, o Rioprevidência aportou R$ 80 milhões em letras financeiras do Master. As mensagens de Vorcaro ao então governador classificam a degustação como um “evento pequeno”, "só homens", restrito a dez pessoas. Após pedir detalhes, Castro confirmou:

 

— Eu vou.

 

Não foi a única oportunidade em que houve coincidência entre reuniões presenciais de Castro com o banqueiro e aportes do Rioprevidência no Master. Em novembro de 2023, cinco dias depois do primeiro investimento, o governador foi à casa de Vorcaro, em São Paulo. Quatro dias depois, nova aplicação foi feita.

 

 

 

Posted On Sexta, 29 Mai 2026 09:15 Escrito por

Valor foi estimado pela Polícia Federal com base em mensagens no celular do banqueiro

 

 

Por Anita Prado, Cézar Feitoza

 

 

A Polícia Federal encontrou mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro que indicam que um ex-delator da Lava Jato recebeu R$ 41,9 milhões como resultado do esquema do Banco Master com fundos de previdência de estados e municípios.

 

Ricardo Siqueira Rodrigues, conhecido como Ricardo Gordo, era o operador financeiro das fraudes, segundo a Polícia Federal.

O acerto entre ele e Vorcaro envolvia uma comissão de 0,6% do valor captado por Rodrigues em fundos de previdência.

 

Os valores eram repassados por uma empresa de fachada. A PF destaca que o montante pode ser superior ou inferior e que o levantamento ficou restrito a mensagens comunicando os repasses de dezembro de 2023 a julho de 2024.

 

Rodrigues foi alvo de buscas na quarta-feira (27), em nova fase da Operação Compliance Zero. O advogado Antônio Figueiredo Basto disse que a defesa do lobista não vai se manifestar.

 

O esquema

A Polícia Federal afirma que Ricardo Rodrigues era o principal responsável pela captação de recursos de previdências estaduais, por meio de aplicação em Letras Financeiras do Banco Master.

 

 

No caso envolvendo o RioPrevidência, Rodrigues comunicou a Vorcaro que ele resolveria os trâmites internos enquanto o banqueiro seria responsável pelo "alinhamento político" para viabilizar o negócio.

 

A investigação diz que Rodrigues tinha um método de captação de recursos que envolvia "tráfico de influência e fraude em investimentos".

 

"Esses caras são criminosos"

Em julho de 2024, com o avanço do Master sobre os fundos de previdências dos estados, o governo federal definiu novas diretrizes regulatórias para o processo decisório de investimentos em Regimes Próprios de Previdência Social.

 

As novas regras criavam dificuldades para a captação de recursos do RioPrevidência por meio de Letras Financeiras.

 

Rodrigues se mostrou inconformado em mensagem de áudio enviada a Vorcaro: "Enquanto só quem captava papel de 10 anos era BTG, Itaú, Safra, a secretaria achava o máximo, ninguém se metia com nada, ninguém criava confusão. Na hora que entra banco médio na história, realmente aí passa a ter uma série de critérios, um negócio absurdo. Sabe, esses caras são criminosos".

 

O lobista também disse que precisava discutir com Vorcaro "alternativas à Letra Financeira".

 

"Eu acho que a gente já precisa ter algumas alternativas para encerrar esse ano aí com pelo menos mais um bi, um bi e meio, né, Daniel?"

 

A Polícia Federal diz que as dificuldades impostas pelo governo federal fizeram Vorcaro procurar outras formas para captar recursos das previdências estaduais. O caminho escolhido foi usar fundos de investimentos ligados ao Master para receber o dinheiro dos aposentados.

 

Até julho de 2024, o RioPrevidência repassou R$ 1,7 bilhão por Letras Financeiras para o Banco Master. Após as novas regras definidas pelo governo, a Previdência do RJ repassou outros R$ 2 bilhões para o Master, com repasse a fundos de investimentos.

 

Lava Jato

Ricardo Siqueira Rodrigues fechou um acordo de colaboração premiada no âmbito da Operação Lava Jato, em que devolveu R$ 10 milhões.

 

A delação ocorreu numa investigação sobre o pagamento de propina a diretores e ex-diretores do Banco de Brasília.

 

Rodrigues também foi acusado de tráfico de influência em fundos de pensão dos Correios, da Rede Ferroviária e do Serviço Federal de Processamento de Dados.

 

 

 

Posted On Quinta, 28 Mai 2026 15:10 Escrito por O Paralelo 13

Por Madu Toledo

 

 

Pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira (28/5) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera os cenários de primeiro e segundo turno testados pelo levantamento para a eleição presidencial de 2026. A sondagem aponta ainda que o petistae ampliou a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).

 

Os entrevistados responderam à pergunta: “Em qual desses candidatos você votaria para presidente da República se a eleição fosse hoje?”. Veja os resultados:

Lula (PT): 38,5%;

Flávio Bolsonaro (PL): 31,5%;

Ronaldo Caiado: 5,5%

Romeu Zema: 2,4%

Renan Santos: 2,1%

Outros: 4,4%

Brancos/nulos: 5,1%;

Indecisos/ não sabe: 10,5%.

No levantamento anterior, divulgado em 6 de maio – uma semana antes de virem à tona o escândalo Dark Horse e as relações entre Flávio e Daniel Vorcaro, dono no Banco Master –, Lula tinha 40% das intenções de voto em cenário de primeiro turno, enquanto o filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) aparecia com 36%.

 

A pesquisa também simulou cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Os entrevistados responderam à pergunta: “Entre Lula e Flávio Bolsonaro, em quem você votaria se as eleições fossem hoje?”. Veja os resultados:

Lula (PT): 46,5% (+ 1,2 p.p)

Flávio Bolsonaro (PL): 41,4% (-3,3 p.p)

Brancos/nulos: 7,1%

Indecisos/ não sabe: 5,1%

Na rodada anterior da sondagem, os dois apareciam numericamente empatados na margem de erro. Flávio Bolsonaro tinha 44,7% das intenções de voto, contra 45,3% de Lula.

 

O levantamento ainda testou outros cenários de segundo turno com o nome de Lula. Em todos eles, o presidente aparece à frente dos adversários, com vantagens que variam de 6 a 21 pontos percentuais. Veja os resultados:

 

Lula (PT): 46% x 26% Joaquim Barbosa (DC);

Lula (PT): 46% x 31% Renan Santos;

Lula (PT): 46% x 37% Romeu Zema (Novo);

Lula (PT): 46% x 40% Ronaldo Caiado (União Brasil);

Lula (PT): 46% x 25% Aécio Neves (PSDB).

Lula (PT): 46% x 27% Tereza Cristina (PP);

Lula (PT): 46% x 40% Michelle Bolsonaro (PL);

Avaliação e aprovação

Na avaliação do governo Lula, a taxa de ótimo ou bom foi de 31,5% para 35,6%, enquanto o percentual de ruim ou péssimo passou de 46,3% para 40,7%.

 

A aprovação do presidente é de 46,6%, contra 51,4% de desaprovação. No início de maio, os índices eram de 44% e 53%, respectivamente.

 

Rejeição

A consulta aponta que 46,7% dos eleitores brasileiros não votariam “de modo algum” no presidente Lula. Outros 39,8% afirmaram rejeitar o senador Flávio Bolsonaro.

 

A pesquisa foi realizada pelo instituto Meio/Ideia e ouviu 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais no Brasil.

 

 

Posted On Quinta, 28 Mai 2026 13:44 Escrito por O Paralelo 13

Por Luciano Nascimento 

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (27), em dois turnos, a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19 que acaba com a escala de trabalho 6x1. Foram 461 votos favoráveis e 19 contrários, no segundo turno.

 

A PEC determina a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem perda salarial. A proposta ainda garante duas folgas semanais, sendo uma preferencialmente aos domingos. As mudanças entrarão em vigor 60 dias após a promulgação do texto.

 

O texto aprovado hoje foi apresentado pelo relator, Leo Prates (Republicanos-BA), para duas propostas de emenda à Constituição que já tramitavam: a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que estabelecia 36 horas semanais após um período de 10 anos, e a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que introduzia a escala 4x3 (quatro dias de trabalho e três de descanso), com limite de 36 horas semanais, depois de um ano.

 

Após o fim do primeiro turno de votação, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a Casa deu um passo importante para "uma mudança fundamental para os trabalhadores e trabalhadoras do país desde a Constituição de 1988".

 

"Assumi esta condução com todo o equilíbrio, responsabilidade e, principalmente, compromisso com os brasileiros. Por isso, já no início do debate, tratei três pilares como inegociáveis para esta Casa e para o governo federal: a redução da jornada para 40 horas semanais, dois dias de descanso e a manutenção dos salários dos trabalhadores", disse Motta.

 

"Essa aprovação ficará registrada na história desta legislatura e na trajetória de cada parlamentar, que compreendeu que desenvolvimento econômico e dignidade humana precisam caminhar juntos", completou.

 

Transição

De acordo com o texto aprovado, após 60 dias, a jornada será reduzida de 42 horas semanais para 40 horas. Doze meses após a entrada em vigor das 42 horas, a duração do trabalho será reduzida para 40 horas semanais, com o máximo de 8 horas diárias de trabalho.

 

A transição foi incluída após um acordo do governo com o presidente da Câmara dos Deputados.

 

Depois do prazo de 60 dias e dentro do período de redução da jornada, o texto prevê a possibilidade de ampliar a duração diária do trabalho normal. Essa ampliação deverá ser feita por negociação em convenção ou acordo coletivo de trabalho.

 

 Veja as regras de transição da PEC que acaba com a escala 6x1:

 

- escala de 5 dias de trabalho com 2 dias de descanso (após 60 dias);

- redução da jornada de 44 horas para 42 horas semanais (após 60 dias)

- jornada de 42 horas para 40 horas semanais, mantida a escala 5x2 (em 14 meses).

 

Antes da votação em plenário, o texto foi aprovado na comissão especial que analisou a matéria. Pela manhã, Motta realizou uma sessão protocolar de oito minutos para que fosse liberada a votação do texto na comissão especial. Dos 38 membros da comissão, 34 votaram a favor e 4, contra. Na sequência, a PEC foi incluída na Ordem do Dia da Câmara, ou seja, na pauta de votações no plenário.

 

A aprovação da PEC foi comemorada pelos parlamentares da base governista e criticada pela oposição.

 

“Vamos fazer história mostrando em que lado nós estamos. Nós estamos do lado do povo mais sofrido, das pessoas que mais precisam”, comemorou o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS).

 

A deputada Dandara (PT-MG), que trabalhou como caixa de loja de departamento em escala 6x1, recordou a rotina desgastante e afirmou que a redução vai dar tempo para os trabalhadores poderem viver.

 

“Eu conheço o barulho do busão [sic] lotado às 5h, o café corrido, o uniforme vestido ainda no escuro. Eu conheço o pé inchado de tanto ficar em pé: oito, 10, 12 horas. Eu conheço porque eu vivi. Eu sei que a escala 6x1 não cabe no calendário. Não cabe, porque não é sobre tempo, somente, é sobre a vida”, disse.

 

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) lembrou que a iniciativa é uma pauta de várias centrais sindicais.

 

“Essa é uma luta que começou há muito tempo. Mas, no Brasil, essa batalha não evoluiu, a cultura escravocrata, a visão colonialista, a visão racista, prevaleceu, mas nós vamos derrubar a escala seis por um. Hoje, aqui, vamos fazer história”, afirmou.

 

Durante a sessão, deputados da oposição se posicionaram contra a redução da jornada de trabalho.

 

O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) afirmou que a proposta não vai melhorar a vida do trabalhador.

 

"Eu não vou mentir para o trabalhador dizendo para ele que com a aprovação dessa PEC vai acabar a escala 6x1”, disse.

 

O deputado Sérgio Turra (PP-RS) chamou a proposta do governo de eleitoreira. “Estamos tratando do futuro de um país e da dignidade dos trabalhadores", afirmou.

 

Entenda mais pontos da PEC pelo fim da escala 6x1:

 

.- Jornada de trabalho não deverá ser superior a oito horas diárias e 40 horas semanais, podendo haver compensação e redução de jornada mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.

 

- Lei ordinária irá tratar da jornada e descanso de regimes diferenciados, como trabalhadores com seis horas diárias de trabalho.

 

- Nova regra não se aplica: a quem tem jornada igual ou inferior a 40 horas semanais, a empregados com nível superior e com remuneração mensal igual ou superior a R$ 8.475,55 (equivalente a duas vezes e meia o limite máximo dos benefícios do INSS)

 

- Lei complementar poderá adotar medidas de transição para os microempreendedores individuais, as microempresas e as empresas de pequeno porte.

 

 

Posted On Quinta, 28 Mai 2026 05:29 Escrito por

Por Robson Bonin

 

Presidente da Câmara, Hugo Motta, escancarou, nesta terça-feira, uma situação que era tratada apenas nos bastidores dos poderes em Brasília. A ruptura de relações entre Lula, o chefe do Executivo, e o chefe do Parlamento, Davi Alcolumbre.

 

Desde os tempos de Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia — ou da ruptura entre Renan Calheiros e Dilma Rousseff na véspera do impeachment de 2016 –, um chefe do Parlamento não admitia situação tão grave entre dois representantes de poderes em Brasília.

 

“Tenho boa relação com ambos e tenho procurado, naquilo que me cabe — respeitando a independência entre os poderes e autonomia de cada Casa –, em ajudar na retomada de diálogo para que essa interlocução possa ser retomada. Nós temos um presidente da República que tem que conversar com o presidente do Senado, que tem conversar com o presidente do Congresso Nacional, apesar de qualquer problema que tenha acontecido”, disse Motta durante entrevista para a CNN.

 

A fala do deputado se deu no contexto da derrota imposta pelo Senado a Jorge Messias, o nome escolhido por Lula para o STF, fator que teria levado ao rompimento dos dois chefes de poder.

 

“Defendo o diálogo como ferramenta construtiva, serve para lavar uma roupa suja, se necessário for”, disse Motta. “Não podemos trazer para o pessoal aquilo que é importante ser discutido e votado para o bem da população brasileira”, seguiu Motta, fazendo referência ao desejo do governo de votar no Parlamento a proposta que acaba com a escala 6×1.

 

 

 

Posted On Quinta, 28 Mai 2026 05:09 Escrito por
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