Presidente afirmou que Rio precisa recuperar “autoestima como estado”; ex-prefeito disse que crime organizado “sentou no Palácio Guanabara"
Por Jessica Cardoso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) defenderam neste sábado (22) que divergências políticas sejam deixadas de lado em nome da recuperação do Rio de Janeiro. As declarações foram dadas durante ato de campanha de Paes ao governo estadual, realizado no Estádio Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense.
Durante seu discurso, Lula afirmou que, para o Rio de Janeiro recuperar a “autoestima como estado”, é necessário colocar as diferenças políticas de lado no momento da eleição. O presidente lembrou que ele e Paes já tiveram divergências e disse que a aproximação entre os dois ocorreu por circunstâncias políticas em 2008.
Lula também defendeu o nome do deputado federal Pedro Paulo (PSD), que disputará uma das duas vagas do Rio de Janeiro no Senado ao lado da deputada Benedita da Silva (PT).
“Não está em jogo a minha relação de amizade com quem quer que seja. O que está em jogo é a gente escolher o que será melhor para o Rio de Janeiro. Quem é que vai ser eleito para ajudar o Rio e para ajudar a gente governar o Brasil. O Pedro Paulo merece a minha confiança”, declarou.
Na mesma linha, Paes afirmou, durante o discurso, que a aliança com Lula não representa uma união entre políticos que pensam da mesma forma. Segundo o prefeito, a aproximação ocorreu porque ambos entenderam que era necessário unir forças diante da situação.
“A gente se respeita e a gente não pensa tudo igual. E a gente aprendeu que ou a gente se unia, ou a gente se esforçava, ou as forças que fazem muito mal para a política iam tomar conta do Rio de Janeiro, como tomaram o estado do Rio de Janeiro, e destruir aquilo que havíamos construído”, afirmou.
O candidato ao governo do Rio disse ainda que o estado chegou ao “fundo do poço” e que o crime organizado “sentou” no Palácio Guanabara. Ao criticar a relação entre integrantes da política fluminense e facções criminosas, Paes citou nominalmente o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o ex-governador Cláudio Castro.
“Não estamos mais falando aqui de corrupção normal [...]. Estamos falando que, com essa turma, o crime organizado sentou no Palácio Guanabara. Se não fosse a Polícia Federal entrar aqui e investigar a relação da política com o crime, quem seria meu adversário nesta eleição está preso. Tem nome e sobrenome: Rodrigo Bacellar. Era o candidato do PL, do Flávio Bolsonaro. É disso que estamos tratando hoje. O Claudio Castro teve quatro secretários presos por ligação com crime organizado. As funções de estado deixaram de ser cumpridas. É isso que nos une aqui hoje [...] esse desejo de salvar o Rio de Janeiro”, declarou Paes.
Por Igor Gielow - Folha UOL
No primeiro levantamento do Datafolha após o início oficial da campanha presidencial e o registro das candidaturas, Lula (PT) marca 39% e Flávio Bolsonaro (PL), 33% no primeiro turno. Numa segunda rodada, o petista lidera por 47% a 43%.
A distância entre os principais rivais na disputa caiu quatro pontos percentuais em cenário de primeiro turno de junho para cá. A margem de erro dos levantamentos é de dois pontos para mais ou menos.
O principal fato político nesta semana foram as revelações de suspeitas envolvendo negócios do filho de Lula, Fábio Luís, o Lulinha. Elas começaram na terça (18), dia do início do levantamento que acabou na quarta (19). Mas elas se adensaram a partir da quinta (20).
Quatorze rostos de políticos brasileiros dispostos em duas fileiras, todos olhando para a câmera, com fundo neutro. A imagem destaca diversidade de gênero e idade entre os retratados.
Acima, da esq. para a dir., os candidatos Augusto Cury, Clariana Barão, Edmilson Silva da Costa, Flávio Bolsonaro, Hertz Dias, Lula e Pablo Marçal; abaixo, da esq. para a dir., Renan Santos, Romeu Zema, Ronald Caiado, Rui Costa Pimenta, Samara Martins e Wilson Grassi
O instituto ouviu 2.058 eleitores em 128 cidades. A pesquisa está registrada com o código BR-04496/2026 na Justiça Eleitoral e foi contratada pela Folha e pela TV Globo.
Na simulação de primeiro turno, o presidente e o filho de seu antecessor Jair Bolsonaro estão isolados à frente. Embolados em terceiro lugar vêm Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, Renan Santos (Missão), com 4%, e Romeu Zema (Novo), com 3%.
Os demais candidatos vêm abaixo. Augusto Cury (Avante) tem 2%, enquanto Samara Martins (UP), Wilton Grassi (Democrata), Rui Costa Pimenta (PCO) e Edmilson Costa (PCB) marcam 1%. Dizem que vão votar em branco ou nulo 8%, e 3% afirmam não saber em quem votar.
Nos cenários de segundo turno com adversários que não Flávio, Lula bate Caiado por 47% a 40% e Zema por 48% a 38%. As simulações mostram uma estabilidade em relação ao levantamento passado, feito no fim do mês passado.
O Datafolha pesquisou também uma hipótese de primeiro turno na qual Pablo Marçal está na disputa. O influencer obteve de última hora uma liminar para se filiar ao PRTB, mas está inelegível devido a uma condenação relativa à disputa da Prefeitura de São Paulo em 2024.
O Tribunal Superior Eleitoral já o proibiu de usar fundo partidário ou de fazer propaganda de TV enquanto sua candidatura, que deverá ser rejeitada segundo integrantes da corte, for julgada, o que pela legislação deve ocorrer no máximo em 14 de setembro.
Pesquisa Datafolha nos estados
SP: Tarcísio lidera disputa com 45%, contra 27% de Haddad
SP: Marina e Tebet têm 12%, e André do Prado, 10%, na disputa pelo Senado
RJ: Eduardo Paes tem 41% no Rio, contra 19% de Douglas Ruas
RJ: Benedita lidera com 15% no Rio; 6 empatam na segunda vaga no Senado
DF: Celina Leão e José Roberto Arruda empatam na disputa
DF: Michelle Bolsonaro (19%) e Leila do Vôlei (16%) lideram disputa pelo Senado
MG: Cleitinho lidera com 32%; Patrus e Kalil têm 12% cada
MG: Marília Campos tem 11% na disputa pelo Senado; Viana marca 8%, e Domingos Sávio, 6%
PE: Raquel Lyra tem 47%, contra 40% de João Campos
PE: Disputa pelo Senado tem 4 candidatos empatados na liderança
Marçal chega ao pelotão inferior da disputa, com 2%, tirando um ponto de Flávio. O influencer estava trabalhando na campanha do senador, como consultor de estratégia digital, até se lançar.
Na pesquisa espontânea, na qual os entrevistados não recebem cartões com os nomes dos candidatos, o quadro também é similar à aferição de julho. Lula é o mais lembrado, com 32% (era 30%), enquanto Flávio marca 19% (era 17%).
A rejeição segue similar ao padrão até aqui, com Lula e Flávio literalmente dividindo opiniões. Dizem não votar de jeito nenhum no filho de Bolsonaro 46%, enquanto 45% afirmam o mesmo sobre o petista.
Do ponto de vista de perfil do eleitorado, uma mudança potencialmente importante ocorreu na intenção de voto no Sudeste, ainda que tecnicamente empatada. Há um mês, Lula marcava 36% e Flávio, 33%, na região mais populosa do país, que responde por 42% da amostra do Datafolha. Agora, o placar se inverteu.
No mais, os padrões seguem inalterados em macrogrupos. O petista vai melhor entre dois grupos que representam metade da população: mulheres (41% a 29%) e os mais pobres (46% a 27%). Registra desempenho superior também entre mais velhos (45% a 32%), nordestinos (53% a 25%) e católicos (46% a 29%).
O senador, por sua vez, derrota o petista entre quem fez ensino médio (38% a 33%), quem tem diploma superior (37% a 33%), sulistas (38% a 33%) e entre evangélicos.
CORRUPÇÃO FOI TEMA DA SEMANA
A corrupção foi o tema mais destacado nesta primeira semana. Vazamentos a partir da terça (18) mostram que a Polícia Federal identificou novos detalhes das operações de Roberta Luchsinger, lobista amiga de Lulinha e do ex-chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola.
Ligando os personagens está Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso e indiciado na investigação sobre esquemas fraudulentos de descontos de aposentadorias. Segundo a PF, Lulinha e Roberta tinham uma "comunhão de interesses econômicos".
Lula buscou desvencilhar-se do filho, repetindo que, se ele dever algo, deve pagar. E afastou Marcola da sua campanha, onde estava alojado, após a revelação de que ele recebeu R$ 249 mil de Roberta. Todos negam irregularidades.
O tema já foi parar nas declarações de Flávio. O caso esvaziou a tática do PT de destacar as transações entre o senador e Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master envolvido em um escândalo financeiro.
Em um áudio, Flávio cobra Vorcaro pelo dinheiro prometido à produção do filme sobre a vida do pai, "Dark Horse" (azarão, em inglês), no qual o ex-banqueiro aportou ao fim R$ 61 milhões. É chamado de "meu irmão" e recebe juras de fidelidade.
Um evento com o senador em São Paulo nesta quinta (20) mostra que os casos seguirão a dar o tom, ainda que corrupção não figure em pesquisas mais como o principal problema do país, como foi nos anos da Operação Lava Jato.
Flávio falou do caso Lulinha, mas foi recebido com protestos e uma placa com referência a Vorcaro. Os temas têm tudo para protagonizar quadros no horário eleitoral gratuito de rádio e TV a partir de 28 de agosto.
Segundo a investigação, Roberta Luchsinger bancou faturas de cartão, financiamento de veículo, consórcio, Pix e joias para Marco Aurélio Ribeiro, enquanto buscava contratos no Ministério da Saúde envolvendo Cannabis medicina
POR JOSÉ MARQUES
Investigação da Polícia Federal aponta que a lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas para Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula (PT).
Os pagamentos ocorreram em 2024, mesmo período em que, de acordo com a PF, ela trabalhava para obter contratos com o Ministério da Saúde relacionados a Cannabis medicinal. Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que é investigado sob suspeita de ser sócio oculto nos negócios da lobista.
Os detalhes desses pagamentos constam em representações da PF que fundamentaram a abertura de inquéritos, sob a relatoria do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), sobre o filho do presidente. Outro ministro, Flávio Dino, também relata um inquérito relacionado a Lulinha.
Procurada, a defesa de Marcola af irmou que não teve acesso à íntegra dos autos e ao inquérito e que o vazamento dos conteúdos tem “objetivo de distorcer os fatos e interferir no processo eleitoral”.
“Marco Aurélio Santana Ribeiro jamais encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os valores mencionados na reportagem foram todos integralmente quitados, uma vez que são referentes a um empréstimo pessoal”, diz a defesa, em nota. Os advogados de Roberta dizem que só se manifestarão nos autos.
A defesa de Lulinha diz que não há garantia sobre a veracidade do material colhido pela PF e que há interesse político na instauração do inquérito. “Nessas investigações não tem autoridade com foro, não tem desvio de dinheiro público, não tem ato de ofício, não tem relação direta ou indireta com o INSS”, diz o advogado Marco Aurélio de Carvalho.
Entre os valores pagos por Roberta em 2024, estão as joias de diamantes no valor de R$ 9.000 que ela presenteou a Marcola. Além disso, há R$ 95 mil pagos em um cartão de crédito do Banco do Brasil, R$ 36 mil em boletos de financiamento e R$ 48 mil em um consórcio, R$ 25 mil em um Pix, entre outros.
O financiamento tem como beneficiário o banco Toyota, e a PF aponta que Marcola tem em seu nome um Corolla Cross, da mesma marca, que estava sendo financiado.
“As conversas entre Roberta e Marco permitem comprovar uma série de pagamentos em favor do chefe do gabinete da Presidência da República. Verifica-se que Marco encaminha a Roberta diversos boletos registrados em seu nome”, diz a PF, em representação obtida pela reportagem.
“Ela, por sua vez, realiza os pagamentos e encaminha os comprovantes a ele. Por vezes, no mesmo contexto dessas interações, Roberta menciona a necessidade de contato com Berger.”
Berger é como é conhecido o então secretário-executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa. Roberta cobrou de Marcola uma reunião com o então secretário em julho de 2024.
Swedenberger não tem se manifestado sobre o caso. A interlocutores, tem dito que uma de suas funções era receber pessoas e dar encaminhamento a demandas para análise técnica e posterior decisão. Ele frisa que não deu andamento à proposta apresentada por ela.
A representação policial diz que “significativa parcela dos pagamentos ocorre sem maiores tratativas entre os interlocutores”.
“Somente em duas oportunidades Marco classifica os pagamentos de maneira especial. Em 15 de julho de 2024, pede a Roberta que pague ao menos uma parcela da fatura de cartão e qualifica a manobra como presente de aniversário de sua filha. Na sequência, emenda: ‘E tem um de consórcio que só está disponível amanhã. Daí já completa o presente que vai nos dar’. Trata-se do boleto pago no dia 18 daquele mês”, relata a PF.
“Outrossim, relativamente ao Pix [de R$ 25 mil] realizado em 26 de novembro de 2024, ele diz a Roberta: ‘Depois nos acertamos e te pago’.”
O documento da PF, assinado por três delegados, destaca que as despesas abrangem gastos de natureza pessoal, “sem que, até o presente momento, tenham sido identificados elementos capazes de esclarecer satisfatoriamente a origem da obrigação, a causa jurídica subjacente ou a efetiva finalidade dos pagamentos realizados por Roberta em favor de Marco Aurélio”.
“Embora exista uma única referência à possibilidade de restituição de determinado valor, os elementos atualmente disponíveis não permitem compreender, de forma abrangente, a natureza da relação financeira estabelecida entre ambos.”
O inquérito da PF ligado ao documento obtido trata de suspeitas dos crimes de corrupção e tráfico de influência nas tentativas de obter autorização para a comercialização da Cannabis medicinal no Ministério da Saúde.
A afirmação está em uma representação que levou à abertura de um dos inquéritos contra o filho do presidente Lula (PT) sob suspeita de tráfico de influência
POR JOSÉ MARQUES E MARIANA BRASIL
A Polícia Federal apontou que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, atuava em “comunhão de interesses econômicos” e conduzia negócios em conjunto com a lobista Roberta Luchsinger, que trabalhava para obter contratos com o governo federal.
A afirmação está em uma representação que levou à abertura de um dos inquéritos contra o filho do presidente Lula (PT) sob suspeita de tráfico de influência. O documento da PF está sob sigilo e foi obtido pela Folha de S.Paulo.
O órgão indica a suspeita de que Lulinha, Roberta e Fernando Bittar -empresário que era um dos donos do sítio de Atibaia (SP) investigado na Operação Lava Jato- mantiveram uma “sociedade oculta” em negócios relacionados à Cannabis medicinal, que tentaram vender ao Ministério da Saúde.
No documento obtido pela Folha, delegados da PF afirmam que a atuação de Lulinha, Roberta e Bittar não era apenas lobby ou representação de interesses perante a administração pública.
Eles apontam que as condutas atribuídas ao trio “extrapolam significativamente os limites éticos e legais inerentes a essa atividade”, porque visam “a facilitação da obtenção de contratos públicos, a promoção de alterações legislativas em benefício de interesses privados específicos e a realização de pagamentos a agentes públicos ocupantes de cargos de elevada hierarquia”.
“Os elementos reunidos indicam que Roberta atuou de forma sistemática na interlocução de interesses relacionados ao mercado do canabidiol junto a integrantes do Ministério da Saúde e do gabinete presidencial, tendo Fabio Luís Lula da Silva aparentemente acompanhado ou impulsionado determinadas tratativas.”
O teor do documento corrobora apontamentos de outro relatório da PF, revelado pela revista Veja nesta quinta-feira (20), que aponta Lulinha como “beneficiário indireto” da ação de Roberta, que teria buscado contatos políticos para facilitar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao governo federal.
“As comunicações indicam que Fábio é mencionado por Roberta Luchsinger como referência decisória nos projetos discutidos. Ele foi indicado como beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros em seu nome”, afirma trecho da investigação reproduzido pela revista.
O inquérito da PF ligado ao documento obtido pela Folha trata de suspeitas dos crimes de corrupção e tráfico de influência nas tentativas de obter autorização para a comercialização de cannabis medicinal no Ministério da Saúde e está sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). Lulinha é alvo de outros dois inquéritos na corte.
Procurada, a defesa dele afirmou não ter garantia da veracidade do material colhido pela PF e voltou a apontar interesse político na instauração do inquérito. “Deu para perceber que nessas investigações não tem autoridade com foro, não tem desvio de dinheiro público, não tem ato de ofício, não tem relação direta ou indireta com o INSS. Se o Fábio não fosse filho do presidente, esses inquéritos já estariam arquivados. Se ele fosse filho do Bolsonaro, nem sequer teriam sido instaurados”, diz o advogado Marco Aurélio de Carvalho.
Já a defesa de Roberta não respondeu a questionamento da reportagem nesta quinta (20).
Anteriormente, os advogados afirmaram não ter qualquer tipo de informação sobre a instauração de um novo inquérito policial e que os episódios já foram objeto de investigações em andamento.
A defesa de Bittar não foi localizada.
O documento da PF obtido pela Folha de S.Paulo diz que, apesar de Roberta participar formalmente de “diversas pessoas jurídicas”, não há identificação de vínculos societários formais com Lulinha. De acordo com o órgão, eles “mantinham estrutura informal de atuação voltada à captação, gestão e execução de demandas de interesse privado perante agentes públicos, com expectativa de obtenção de vantagens econômicas decorrentes dessas intervenções”.
“A conclusão decorre não apenas da frequência dos contatos identificados [entre os sócios], mas principalmente do conteúdo das conversas mantidas por seus integrantes, as quais evidenciam vínculo associativo estável, comunhão de interesses econômicos e atuação conjunta na condução de negócios.”
De acordo com outro documento, obtido pela Veja, a PF encontrou mensagens de celular que mostram Roberta dizendo que precisaria tirar Lulinha do Brasil até junho de 2025. Naquele ano, ele se mudou para a Espanha.
As investigações da PF também apontam que Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, teria intermediado uma reunião de Roberta com Swedenberger Barbosa, que na época era secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Hoje, Barbosa trabalha no gabinete de Lula. Segundo a reportagem, após a reunião, Roberta enviou a Marcola uma minuta do contrato de venda de canabidiol ao governo. O ex-chefe de gabinete de Lula já havia dito à reportagem que não repassou o contrato adiante, e as investidas no Ministério da Saúde não prosperaram.
A defesa de Marcola afirmou não ter tido acesso à íntegra do inquérito e disse que “o vazamento seletivo de trechos da documentação, em vez da totalidade do conteúdo, tem objetivo de distorcer os fatos e interferir no processo eleitoral”. Disse ainda que ele “jamais encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações” no Ministério da Saúde ou na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Roberta também é investigada pelo vínculo com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Procurada, a defesa do Careca não quis se manifestar.
Nesta quinta, a coluna Mônica Bergamo mostrou que a PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu ao STF que o inquérito que apura se Lulinha cometeu tráfico de influência seja enviado à primeira instância da Justiça. O argumento é de que não há autoridades com foro envolvidas e, portanto, não há justificativa para que o caso continue no Supremo. Mendonça, porém, planeja manter sob sua relatoria a investigação.
Interlocutores de Mendonça afirmaram que o requerimento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, causa perplexidade –já que, em julho, a PGR se manifestou favoravelmente ao sorteio da relatoria no próprio STF.
Um auxiliar de Gonet, no entanto, diz que não há contradição, pois as duas manifestações tratam de questões processuais diferentes.
Uma é sobre a distribuição do processo -se deve ser por livre sorteio ou por prevenção (quando o encaminhamento é feito a um ministro que já analisa um processo semelhante). Definido o relator, cabe um novo parecer sobre a sua competência ou não para analisar o caso.
O relatório da PF mostra que o ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, recebeu de Roberta minuta de um contrato para venda, ao Ministério da Saúde, de medicamentos à base de canabidiol com dispensa de licitação.
Marcola confirma ter recebido um modelo de contrato, mas afirma não ter repassado a minuta adiante para ninguém do governo. A troca de mensagens publicada inicialmente pelo jornal O Globo.
As investigações apontam a relação dela com Lulinha, além de reuniões que envolveram também Marcola e o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger.
Ela chegou a ser recebida no Ministério da Saúde. A interlocutores Swedenberger repete que uma de suas funções era receber pessoas e dar encaminhamento a demandas para análise técnica e posterior decisão. Ele frisa que não houve andamento à proposta apresentada por ela.
A Comissão de Direitos Humanos (CDH) vai promover uma audiência pública para discutir o fim da contribuição previdenciária dos aposentados e pensionistas. O debate foi proposto pelo senador Paulo Paim (PT-RS), a partir de uma sugestão legislativa da sociedade (SUG 17/2021) que está na pauta da comissão, tendo como relator o senador Cid Gomes (PSB-CE).
Por Raissa Abreu
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa vai promover uma audiência pública para discutir o fim da contribuição previdenciária dos aposentados e pensionistas. O debate foi proposto pelo senador Paulo Paim, do PT do Rio Grande do Sul. A extinção da contribuição é o tema de uma sugestão legislativa da sociedade que está em análise na comissão. Houve um entendimento que poderíamos ter uma audiência pública para aprimorar o projeto de forma tal que se chegue ao entendimento. O tema requer debate, é importante acolher as sugestões de todos os envolvidos.
O relator da sugestão é o senador Cid Gomes, do PSB do Ceará. A contribuição previdenciária dos aposentados e pensionistas do serviço público foi criada em 2003, pela Reforma da Previdência. Ela é cobrada sobre a parcela dos proventos que ultrapassa o teto do Regime Geral de Previdência Social, em diferentes percentuais, de acordo com o excedente. A extinção da cobrança é uma demanda antiga das entidades de defesa dos aposentados, e é objeto, inclusive, de uma proposta de emenda à Constituição que está na Câmara dos Deputados.
Foram convidados para o debate, que ainda não tem data para acontecer, representantes de sindicatos e associações de defesa dos aposentados e pensionistas do serviço público. A presidente da comissão, senadora Damares Alves, do Republicanos do Distrito Federal, cumprimentou Paim pela iniciativa.
(sen. Damares Alves) - A gente pagou imposto a vida inteira e aí quando a gente se aposenta, continua pagando imposto. Ainda é uma nação que precisa arrecadar muito para poder manter todos os nossos programas sociais, mas eu sonho com uma nação milionária, em que o aposentado não precise mais pagar, porque vamos estar gerando tanta renda no Brasil, que nós não vamos ser nem necessários mais fazer esses recolhimentos.
A sugestão do fim da cobrança da contribuição dos aposentados foi enviada ao Senado pelo cidadão Everardo Campos, do Rio de Janeiro, e recebeu mais de 20 mil apoios no portal e-Cidadania. Se for aprovada pelos senadores, ela pode virar projeto de lei. Para enviar a sua sugestão, visite
senado.leg.br/ecidadania.