Pesquisa mostra redução da diferença entre os candidatos; na intenção de voto estimulada, senador registra 48%, contra 46% do presidente
Por Victor Schneider
O candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, tem 51,2% dos votos válidos, contra 48,8% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorre à reeleição, segundo pesquisa Ipespe/Abrapel divulgada neste sábado (17) sobre o segundo turno das eleições.
A diferença entre os candidatos é de 2,4 pontos percentuais. Considerando a margem de erro de 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos, o resultado configura empate técnico. Os votos válidos excluem os votos em branco, os nulos e os eleitores indecisos.
No levantamento anterior, divulgado em 10 de outubro, Flávio tinha 52,7% dos votos válidos, enquanto Lula registrava 47,3%. Na comparação entre as duas rodadas, o senador oscilou 1,5 ponto percentual para baixo, e o presidente, 1,5 ponto para cima.
Intenção de voto espontânea e estimulada
Na pesquisa espontânea, quando os entrevistados respondem em quem pretendem votar sem que os nomes dos candidatos sejam apresentados previamente, Flávio Bolsonaro aparece com 47% das citações, enquanto Lula tem 44%. Na rodada anterior, os percentuais eram de 48% e 43%, respectivamente.
Já 3% disseram não escolher nenhum dos candidatos, votar em branco ou anular o voto, enquanto 5% não souberam ou não responderam.
Na pesquisa estimulada, em que os entrevistados recebem os nomes dos candidatos como opções de resposta, Flávio registra 48% das intenções de voto, contra 46% de Lula. No levantamento anterior, o senador tinha 49%, e o presidente, 44%.
O levantamento também registra 3% de eleitores que afirmam não votar em nenhum dos candidatos, votar em branco ou anular o voto. Outros 3% não souberam ou não responderam.
Metodologia
A pesquisa Ipespe/Abrapel entrevistou 1.500 eleitores de todo o país entre os dias 13 e 15 de outubro. O intervalo de confiança é de 95,45%.
O levantamento foi realizado com recursos próprios do instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00223/2026.
Candidato do PL afirmou que mudou de posição sobre o tema após ouvir trabalhadores durante viagens pelo Brasil
Por André Barbeiro
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta sexta-feira (16), durante sabatina na TV Globo, que mudou de posição sobre o fim da escala de trabalho 6x1 após ouvir trabalhadores durante viagens pelo Brasil. O parlamentar também declarou que não pretende tentar reverter o fim do modelo.
“Resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, afirmou Flávio, ao explicar o motivo da mudança de posicionamento.
Segundo o senador, as conversas que teve ao longo de suas viagens pelo país mostraram apoio ao encerramento da jornada que prevê seis dias de trabalho para um de descanso. Ele afirmou que sempre defendeu maior liberdade nas relações trabalhistas e citou como exemplo a situação de mães solo que enfrentam dificuldades para conciliar o emprego com os cuidados dos filhos.
“Com essa escala 6x1 engessada, não conseguia um emprego”, disse, ao mencionar as dificuldades de quem não tem com quem deixar as crianças.
Apesar de defender o fim da escala, Flávio ponderou que a redução dos dias trabalhados não resolveria, por si só, outros problemas enfrentados pelos brasileiros. Durante a sabatina, ele mencionou a insegurança no transporte público e as dificuldades financeiras de trabalhadores que não conseguem fazer o salário durar até o fim do mês.
“Todo mundo quer trabalhar menos e ganhar mais”, declarou.
Na sequência, questionou se um dia adicional de folga seria suficiente para mudar a realidade de quem enfrenta assaltos no transporte público e chega ao fim do mês sem dinheiro.
A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos. Brancos e nulos são 4,9%. Indecisos somam 2,4%. Em votos válidos, Flávio Bolsonaro tem 50,5%, contra 49,5% de Lula
Por Murilo Adjuto
O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão tecnicamente empatados nas intenções de voto para o segundo turno da eleição presidencial segundo pesquisa da CNT/MDA divulgada nesta sexta-feira, 16.
O senador tem 46,8% dos votos totais, contra 45,9% do petista. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos. Brancos e nulos são 4,9%. Indecisos somam 2,4%. Em votos válidos, Flávio Bolsonaro tem 50,5%, contra 49,5% de Lula.
Na pesquisa espontânea, ou seja, quando não são apresentados aos eleitores os nomes dos candidatos, Flávio tem 45,6%, contra 44,1% do presidente Lula.
Em votos potenciais, o senador do PL tem 51,2%, ao considerar os eleitores que votariam “com certeza” no candidato (43,9%) e aqueles que poderiam votar (7,3%). Por outro lado, 46,6% afirmam que não votariam nele.
Já o atual presidente tem 49,9% de potencial de voto (43,3% votariam com certeza e 6,6%, poderiam votar). Aqueles que afirmam que não votariam em Lula somam 48,8%.
A pesquisa mostra ainda que 93% dos eleitores estão convictos sobre seu voto e que 7% ainda podem mudar a escolha.
A pesquisa entrevistou 2.002 eleitores entre os dias 13 e 15 de outubro. A sondagem foi realizada presencialmente, em domicílios e pontos de fluxo. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo 00652/2026.
Avaliação Ótimo/Bom de Lula vai de 35% para 38%
A pesquisa CNT/MDA desta sexta-feira, 16, mostra que a avaliação positiva (ótima ou boa) do governo do presidente Lula passou de 35% para 38%, na comparação com levantamento anterior, divulgado em 3 de outubro, véspera do primeiro turno. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais.
No mesmo comparativo, a avaliação negativa (ruim e péssima) do governo oscilou de 41% para 40%. Outros 21,8% avaliam o governo como regular – ante 23% na pesquisa anterior.
Já o presidente Lula é pessoalmente desaprovado por 49,3% dos eleitores ouvidos, enquanto outros 47,7% o aprovam. Outros 3% não souberam ou não quiseram responder.
Pesquisa PoderData/AYA entrevistou 3.000 eleitores, entre os dias 13 e 15 de outubro, por meio de entrevista por telefone. A margem de erro do levantamento é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
Por CNN Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão numericamente empatados em 50% das intenções de voto cada um, em um cenário de segundo turno para a Presidência da República. É o que aponta a pesquisa PoderData/AYA, divulgada nesta terça-feira (13).
Este é o terceiro estudo testado pelo instituto desde a definição do primeiro turno. Em rodadas anteriores, houve variação nas intenções de voto. O levantamento considera somente os votos válidos, descartando brancos e nulos.
Na pesquisa divulgada na quinta-feira (8), por exemplo, Flávio Bolsonaro registrou a preferência de 53% dos entrevistados, contra 47% para Lula. Já na rodada publicada na última terça-feira (13), Flávio aparecia com 51% e Lula pontuava 49%. Desde então, houve uma aproximação entre os candidatos, que resultou no empate atual de 50% para cada um, considerando a margem de erro de 1,8 ponto percentual.
O PoderData/AYA entrevistou 3.000 eleitores entre os dias 13 e 15 de outubro, por meio de ligações telefônicas. A margem de erro do levantamento é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
A pesquisa foi realizada com recursos próprios do instituto e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04258/2026.
Diálogos no celular de Daniel Vorcaro com executivo da Editora Globo mostram intimidade, negociação de patrocínios e pressão contra jornalistas do grupo; em nota, empresa reafirma independência editorial do jornalismo
Com Estadão
O Grupo Globo demitiu o CEO da Editora Globo, Frederic Kachar, após a revelação de mensagens comprometedoras encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Os diálogos mostram a relação de intimidade entre o dono do Banco Master e o executivo até então responsável pelos dois principais jornais do grupo: O Globo e Valor. Os registros, que abrangem o período do final de 2023 a meados de 2025, contêm negociações sobre patrocínios, convites para festas privês e uma verdadeira “blitz” de Vorcaro para tentar interferir no conteúdo noticioso que contrariava seus interesses.
Em nota, a empresa disse que o conteúdo das mensagens revela “uma relação inadequada do executivo com um anunciante”. “A Editora Globo reforça seu compromisso com a ética e a transparência e reafirma a absoluta independência editorial do jornalismo de seus veículos, premissa essencial de sua atuação. O protagonismo da cobertura crítica, isenta e independente que tem feito do caso Master é a demonstração concreta do compromisso inegociável de seus veículos com os Princípios Editoriais do Grupo Globo”, diz o texto do comunicado. A empresa informou que Luis Henrique Guimarães, vice-presidente executivo da holding do Grupo Globo, vai acumular interinamente a direção-geral de Mídia Impressa e Rádio.
O executivo demitido do Grupo Globo chamava Vorcaro de “amigo”, tratamento que é retribuído pelo dono do Master. A conversa mais antiga preservada na memória do celular do banqueiro é de 24 de outubro de 2023. Nela, Fred Kachar reclama da falta de contatos de Vorcaro.

Fred Kachar em evento do Valor em Nova York em 2024 Foto: Reprodução via Youtube
“Brigou comigo sem eu saber?”, pergunta Kachar. Três minutos depois, o banqueiro responde: “Fala amigo. Que nada. Tudo bem? Estou na arabia saudita”. No que o então CEO, emenda: “Tudo joia. Vc sumiu, não me retorna mais rs. Me chama quando voltar? Boa viagem? O dinheiro tá aí.”
Numa demonstração de que agia para preservar proximidade com o banqueiro, Kachar manda mensagem em novembro, perguntando se Vorcaro já havia regressado da Arábia Saudita e conta que mandou entregar um presente de aniversário.
“Bom dia, meu amigo. Estás de volta? Tem tanto tempo que nem sei se te entregaram uma lembrança que mandei no seu aniversário. Abraços”. Vorcaro responde agradecido: “Meu amigo tudo bem? Lembrança nao, presentao! Muito obrigado”
O arquivo do celular do banqueiro registra uma sequência de mensagens enviadas por Fred Kachar que ficaram sem resposta de Vorcaro. Ele insistia em encontrar pessoalmente com o banqueiro. Mas em boa parte das tentativas, Vorcaro demorava a responder.
Kachar também indica que estava interessado em ter o Master vinculado a projetos de divulgação do Grupo Globo. Ainda em dezembro de 2023, procura Vorcaro com uma proposta: “Só pra organizar os próximos passos, vc me manda o contato do Marcelo da befly? Na veste vamos procurar o outro Marcelo diretamente, ok? A ideia eh soltar essas pautas em janeiro. Sobre as ideias pro baile e carnaval, dado que vc está fora em janeiro, sugere q a gente apresente pra alguém da sua equipe? Ou tentamos uma vídeo na primeira semana do ano? Já vou trabalhar nas ideias pro banco de varejo (master), pro novo (de investimento) e pro will. Abração”.
Como Vorcaro não respondeu, Kachar insistiu: “Caríssimo, não esquece de mim?! Só me dá essas orientações, pls Abração”. A Befly citada pelo CEO do Globo é um conglomerado que atua na área de turismo e que buscou recursos do Master para ampliar suas atividades depois da pandemia comprando outra empresa do setor, a Flytour. Já a Veste, antiga Retoque, é dona de marcas como Le Lis e Dudalina, e ficou associada ao banqueiro por meio da gestora WNT Central, que adquiriu o controle da varejista em 2022.
O baile que Kachar negociava patrocínio é promovido pela revista Vogue, o “Baile da Vogue” que na edição de 2024 foi realizado no hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. O então CEO da Editora Globo queria o patrocínio do Master ou de outras empresas vinculadas ao banqueiro também para o Carnaval. No início daquele ano, enviou para ele uma proposta de parceria para divulgar o Master na Globo.
No dia 4 de fevereiro de 2024, Kachar lamenta que Vorcaro não foi na festa. Na conversa, ele fala de atrizes e modelos que estavam presentes e “disponíveis”. Os dois trocam risadas e encerram confirmando negócios de patrocínio.
“Débora secco tava pra jogo. Sabrina tb. Aniversário dela. Soltinha”, comentou Kachar. Vorcaro reagiu fazendo piada da fantasia usada pela atriz Débora Secco no evento. Ela estava pintada de verde e fantasiada de extraterrestre. “Mas tava muito feia kkk”. Kachar retrucou: “Eu só olhava pra bunda dela rs. Mas concordo q a fantasia era broxante”.

Débora Secco em festa da Vogue em 2024 Foto: Reprodução via TikTok
Vorcaro encerra a conversa indicando que tinha aprovado patrocínio para evento no carnaval. “Aqui, ta fechado a proposta carnaval. Ja falei com todos”.
Os registros também mencionam a interlocução de Vorcaro com outras figuras ligadas à emissora. Em 3 de maio de 2024, ao recusar um convite de Kachar para o show da cantora Madonna, o banqueiro pede que ele envie um abraço a um “Roberto” (possivelmente em referência ao executivo do grupo, Roberto Marinho Neto) e acrescenta: “Luciano huck ficou de marcar novo encontro com ele!”.
A proximidade citada na mensagem converge com outra frente da investigação da Polícia Federal, revelada pela revista Veja, que mostrou que o apresentador e o dono do Banco Master mantinham uma relação de amizade e negócios. De acordo com as mensagens interceptadas pela PF citadas na reportagem, as tratativas de patrocínio do Will Bank ao programa dominical envolveram R$ 83 milhões em mídia para a emissora e renderam um “contrato pessoal” de R$ 26 milhões de reais ao próprio apresentador. Os diálogos de Huck com Vorcaro englobavam ainda a sociedade em um jato executivo, empréstimos de aeronaves e conselhos diretos sobre o gerenciamento da imagem do banqueiro na imprensa.

Banqueiro reclama de noticiário contra o Master
A partir de meados de 2024, o tom das conversas muda. É Vorcaro quem passa a procurar Kachar. E reclama de noticiário contra seu banco.
Em abril, Vorcaro manda cópia de um texto postado no X pela jornalista Malu Gaspar sobre o patrocínio não declarado do Master a evento no exterior que contou com participação de ministros do STF.
Irritado, o banqueiro insinua que pode cancelar um patrocínio a evento do jornal Valor Econômico em maio na cidade de Nova York já que o jornal estava noticiando haver impropriedade no patrocínio. Até então cordiais, Kachar e Vorcaro têm troca de mensagens áspera. Mas que é concluída com Kachar dando razão ao banqueiro e dizendo que iria falar com a jornalista por considerar que ela não teria agido como ele considerava que deveria ser.
“Loucura a Malu embarcar nisso. Chega a ser inacreditável. Tanto o Poder 360 quanto o Globo, quanto a propria Globo possuem ações e fazem eventos que contam com pessoas do judiciário. O Banco participou do evento patrocinando a palestra do Tony Blair, com quem fiz um debate de altíssimo nível. Entendo o sensacionalismo que cria evento com ministros, mas colocar o banco dessa forma , é hipocrisia e covardia. Pois nesse caso, temos inclusive que abortar o evento com o Valor. No dia teremos membros do congresso e governo, que o banco e outros patrocinadores tem interesse em projetos de lei, etc. Se formos pra esse lado, a conversa vai ficar bem ruim. Como ela vai dar nota de todos os patrocinadores e seus problemas e interesses nos participantes? Ou ela vai atacar somente o Banco Master?”
Diante da longa mensagem, Kachar responde também com um longo texto: “Bom dia, meu caro. Não estou entendendo esse seu tom comigo. Sempre tivemos uma relação de harmonia e respeito. Se tiver algum erro na coluna da Malu, peço a correção imediata. Esse post não saiu no jornal, mas no perfil dela. Estou sabendo por vc. Está repercutindo o poder 360 e as ilações feitas lá. Não posso censurar um colunista e seus perfis. A apuração da coluna sobre o fórum já saiu e está no site do Globo. Há uma diferença bem grande entre nosso evento e esse fórum de Londres. Primeiro, não gira em torno de ministros de tribunais superiores. Teremos 20 painelistas e um, se confirmado, seria um ministro do stf num contexto de os três poderes debaterem a segurança jurídica do Brasil para investidores americanos, que estarão na plateia. Segundo, e mais importante, todos os patrocinadores são públicos e estão sendo comunicados nas dezenas de peças que já saíram. Se entendi direito o site mencionado pela Malu, o ponto está na falta de transparência sobre patrocinadores e custeio das passagens. Se vc quiser cancelar sua participação no evento, não tem problema. Só te peço que me aguarde chegar no Brasil, na quarta”.
Vorcaro diz que não ameaçou cancelar o patrocínio do evento do Valor, mas se sentiu injustiçado por ser só ele o citado pela jornalista. “Eu não gosto do que ela postou, por isso reforcei q a cobertura do globo eh a que está no site, onde não há essas ilações”, justificou Kachar.
Vorcaro convida para festa privê ‘sem celular’
Depois desse episódio, Kachar volta a procurar o banqueiro no mês seguinte. Oferece ingressos de cortesia para a filha dele ir ao show da Madonna. Também diz ter ingressos para a Copa do Mundo e oferece também a Vorcaro. O banqueiro era um dos principais patrocinadores do Summit Valor Econômico Brazil - USA. O vídeo do evento mostra Kachar logo no início fazendo um breve discurso. O primeiro convidado a falar na sequência é justamente Daniel Vorcaro.
No evento, o banqueiro fala que as discussões sobre o Brasil merecem mostrar coisas boas como a democracia do País, as instituições fortes nos três poderes e a segurança jurídica.
Durante a estadia em Nova York, Kachar marca encontro com o banqueiro, que o convida para uma festa privê “sem celular”. Segundo veiculado na imprensa, o banqueiro tem registros em seu celular de tratativas para festas com garotas de programa estrangeiras. Contudo, pelas mensagens trocadas, não é possível afirmar que houvesse a presença de garotas de programa neste evento específico promovido em Nova York.
A troca de mensagens demonstra como funcionavam os convites para o ‘after’ restrito. No dia 15 de maio, data do Summit do Valor, Kachar pergunta se Vorcaro iria passar mais tarde no evento da Câmara de Comércio Brasil/Estados Unidos chamado Person Of The Year, no que o banqueiro avisa que mais tarde, depois, iria “para a guerra”.
“Vai ao POY a noite?”, pergunta Kachar. “Vou passar la e depois ir pra guerra. Se voce animar. Hoje tem”, diz o banqueiro, ouvindo a seguinte resposta : “Hahahaha. Aonde? Tem essa coisa da Forbes. Vc vai?” “Vou nada. La nao ea nem pra olhar pro lado. Fechei um lugar. Sem celular. E sem risco. Pra verdadeira festa rsrs”, diz Vorcaro. Kachar então se oferece para ir no evento privê do Master: “Eh nessa q eu vou! Posso, né?” “Óbvio. Convidado de honra”, diz o banqueiro. “Merci”, agradece Kachar. Mas Vorcaro se apressa para explicar, fazendo referência a eventos parceiros que promoveu no Brasil: “Nao è tao bom quanto o do Brasil. Pq aqui contatos sao diferentes. Mas sera legal”. Kachar completa: “Não tenho dúvidas.”
Em julho, o banqueiro manda mensagem reforçar o laço de amizade com o ex-CEO do Globo. “Acho que precisamos falar ne? Temos uma amizade que supera negócios”. Kachar responde: “Claro, vamos sim. Como estão seus horários hoje? Final da tarde no horário daqui eh bom?”. Eles acabam combinando uma ligação que, segundo registros do celular durou 14 minutos.
No dia 15 daquele mês, Vorcaro manda uma mensagem depois da meia noite para Kachar para falar de texto publicado pela jornalista Malu Gaspar e indaga que O Globo estava fazendo uma campanha contra ele.
“Desculpe a hora meu amigo, mas depois da uma olhada na diferença de narrativa. Malu (Gaspar) certamente ta com algo contra mim, que temos que resolver. A 0h44, Kachar responde: ”Fala meu amigo. Acabei de ler agora. Vamos marcar o seu encontro com ela na semana que vem. Até o último parágrafo são apenas fatos. No final tem opinião. Me lembro de vc dizer que esse tarso não te preocupava tb.Podemos falar amanhã, se vc quiserAbs". Vorcaro contesta: “Nao me preocupa a matéria. Mas o tom da Malu. E nao estou entendendo o motivo”.
Às 8h, Vorcaro manda nova mensagem. De novo para falar de textos jornalísticos do Globo. “Fred bom dia. Preciso entender se é uma campanha corporativa contra mim. De verdade amigo. Passou dos limites isso. Lauro (Jardim) acabou de soltar uma informação falsa. Nao comprei esse apartamento. Isso é muito serio o que está acontecendo”. Kachar responde cinco minutos depois: “Bom dia. Não estou sabendo de nada. Onde está essa nota? Não tem campanha alguma, claro. Olhei o blog e não achei. Vorcaro dá a entender que acabou falando diretamente com o jornalista: ”Resolvido com ele. Pode deixar. Assunto morreu".
A blitz contra o noticiário e a devassa nos bastidores
O desconforto de Vorcaro, no entanto, não se limitava a queixas pontuais. Os registros do celular, que abrangem conversas trocadas entre o final de 2023 e meados de 2025, revelam uma verdadeira blitz de reclamações do banqueiro direcionadas a Fred Kachar a respeito da cobertura editorial de O Globo e do Valor Econômico.
Embora o então CEO da Editora Globo adotasse um tom de parceria comercial na maior parte do tempo, a relação era testada quando o noticiário contrariava o dono do Banco Master. Nesses momentos, Kachar alternava entre tentar apaziguar o parceiro e não ceder à pressão, recusando-se a interferir no conteúdo.
O caso mais tenso com a direção ocorreu no final de abril de 2024. Irritado com uma publicação da colunista Malu Gaspar no X (antigo Twitter) sobre o patrocínio não declarado do Master a um evento em Londres com ministros do STF, Vorcaro ameaçou cancelar o patrocínio a um evento do jornal Valor Econômico em Nova York.
A resposta de Kachar foi dura: “Bom dia, meu caro. Não estou entendendo esse seu tom comigo (...) Não posso censurar um colunista e seus perfis”. O CEO ainda “pagou para ver”: “Se vc quiser cancelar sua participação no evento, não tem problema”. Diante da resposta firme, Vorcaro recuou da ameaça, dizendo que fora apenas “um desabafo”.
Apesar das negativas formais de censura, semanas antes Kachar havia atuado para tranquilizar o banqueiro sobre outra reportagem iminente. “Meu caro, espuma. Tem uma pauta com a Aneel, mas sem entrar nessa narrativa”, escreveu Kachar, completando: “E nem eh desse repórter rs”. O banqueiro agradeceu: “Boa. Ótimo”.
A proximidade entre os dois também se refletia na forma como Kachar aconselhava Vorcaro a lidar com a imprensa fora dos domínios do Grupo Globo. Em outro trecho das conversas, o então CEO comenta uma longa reportagem da revista piauí, assinada pela jornalista Consuelo Dieguez, que esmiuçava os negócios e a ascensão do Banco Master. Na troca de mensagens, Kachar desqualifica a publicação, afirmando que a revista teria se tornado “denuncista”, e orienta o banqueiro a se posicionar publicamente para se defender.
Em abril de 2025, Vorcaro acionou o publicitário Thiago Miranda para promover uma verdadeira devassa na vida pessoal de Malu Gaspar. Mensagens interceptadas pela PF mostram o banqueiro ordenando: “Vamos ter que pegar algo dessa mulher no pessoal”. Miranda prometeu “revirar a vida dela”, mas a busca foi frustrada. “Nem multa na CNH dela encontrei”, disse o publicitário.
Sem material para chantagem, a dupla tentou outra tática: oferecer um contrato milionário na empresa de Miranda (com luvas de R$ 1,5 milhão e R$ 120 mil mensais) para cooptar e silenciar a jornalista.
Em julho, Vorcaro volta a procurar Kachar de madrugada para reclamar de Malu Gaspar, insinuando que O Globo estaria promovendo uma “campanha corporativa” contra ele. Na mesma manhã, às 8h, ele incluiu Lauro Jardim no alvo de suas cobranças a Kachar, em razão de notas sobre o seu patrimônio — à época, o colunista revelou negócios imobiliários do banqueiro envolvendo um apartamento de luxo.
“Fred bom dia. Preciso entender se é uma campanha corporativa contra mim. De verdade amigo. Passou dos limites isso. Lauro (Jardim) acabou de soltar uma informação falsa. Nao comprei esse apartamento. Isso é muito serio o que está acontecendo”, escreveu o banqueiro.
Kachar novamente rechaçou a pressão institucional: “Não tem campanha alguma, claro”. Minutos depois, Vorcaro dá a entender que usou outro caminho para resolver a situação: “Resolvido com ele. Pode deixar. Assunto morreu”.
Mensagens com Thiago Miranda na mesma época mostraram Vorcaro enfurecido porque Lauro e Malu “vieram com mais fúria após a abordagem”. E a solução cogitada, segundo as apurações da PF, era um plano para simular um assalto e agredir Lauro Jardim fisicamente.