A determinação de bloqueio é de segunda-feira (6), mas se tornou pública neste domingo (12)
POR RAQUEL LOPES
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 6,1 milhões do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG).
A decisão é um desdobramento da Operação Transparência, que investiga a possível ingerência ilícita de Cunha no direcionamento de verbas públicas, mesmo sem exercer mandato parlamentar desde 2016.
A determinação de bloqueio é de segunda-feira (6), mas se tornou pública neste domingo (12).
Cunha foi procurado pela reportagem por mensagem de WhatsApp, mas ainda não retornou o contato.
A Polícia Federal afirma ter indícios de que Eduardo Cunha atuava como um “vetor relevante” na definição e remanejamento de emendas, utilizando-se da servidora da Câmara dos Deputados Mariângela Fialek, conhecida como Tuca.
Segundo as investigações, Tuca operava como braço direito de Cunha dentro da Casa Legislativa, ignorando fluxos formais para materializar as decisões do ex-deputado.
Análises de mensagens telemáticas revelaram que Cunha coordenava diretamente a destinação de, pelo menos, 29 emendas da Comissão de Saúde, totalizando um valor de R$ 6,15 milhões.
O caso envolve municípios de Minas Gerais, estado que Cunha usa como nova base política para tentar voltar à Câmara as próximas eleições.
“Em várias passagens, o ex-deputado revela contar com uma cota informal de valores, que era direcionada conforme as diretrizes e interesses políticos no Estado de Minas. Várias foram as trocas de municípios e indicações, tudo conforme diretrizes repassadas diretamente pelo ex-deputado”, diz o ministro, na decisão.
O ministro suspendeu ainda a execução de todas as despesas públicas ligadas às emendas identificadas, estejam elas em fase de empenho, liquidação ou pagamento.
A Câmara dos Deputados foi intimada a fornecer, em 10 dias, todos os documentos de tramitação interna das emendas citadas na investigação.
Dino enfatizou que o orçamento secreto não pode degradar o erário à condição de patrimônio privado e que a falta de transparência e rastreabilidade fere os princípios constitucionais da administração pública.
O ministro ressaltou que a conduta configura, em tese, o crime de peculato-desvio, uma vez que Cunha, um agente privado sem autorização institucional, interferia na alocação de recursos federais para fins pessoais e eleitorais.
Em janeiro, reportagem da Folha mostrou que o ex-presidente da Câmara enviou para a cidade de João Pinheiro (MG) uma emenda de R$ 1 milhão assinada pelo deputado Gilberto Abramo (Republicanos-MG).
Cunha passou mais de três anos preso em decorrência de investigação na Operação Lava Jato e posteriormente conseguiu a anulação de suas condenações.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, foi alvo de bloqueio de bens, também por ordem de Dino, na última semana. A suspeita é de que ele direcionava as verbas de emendas mesmo sem ter mandato parlamentar.
Samir Xaud estaria com os dias contados. O plano da Turma de Brasília é consolidar o poder e colocar Chico Mendes diretamente na linha de frente do futebol brasileiro
Por Marcondes Brito
A cadeira de presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não é apenas um assento de poder; é uma autêntica armadilha. Historicamente traiçoeira, a posição já derrubou gigantes, baniu cartolas e levou vários de seus ocupantes direto para as páginas policiais ou para o ostracismo. O roteiro é sempre o mesmo: quem senta ali, mais cedo ou mais tarde, acaba fritado em praça pública.
O caso mais recente dessa ciranda de degolas foi o de Ednaldo Rodrigues. Quando parecia estabilizado no cargo — inclusive após ser salvo de uma primeira cassação graças a liminares no tapetão jurídico —, caiu de repente em maio de 2025.
Em seu lugar, emergiu do mais absoluto anonimato o atual presidente, Samir Xaud. Oriundo da federação de Roraima — um estado sem qualquer expressão no mapa do futebol nacional —, Xaud parecia o nome perfeito para uma transição pacífica. Não foi. Com pouco mais de um ano de mandato, o dirigente perdeu o controle, envolveu-se em denúncias de gastos inexplicáveis antes mesmo da Copa do Mundo de 2026 e, agora, após a eliminação vexatória do Brasil diante da Noruega, viu sua frigideira atingir a temperatura máxima.
Mas quem está movimentando os bastidores para virar a mesa e decretar a queda de Samir Xaud? A resposta atende pelo apelido de
“Turma de Brasília”
Diferente das velhas oligarquias do futebol carioca ou paulista, o novo grupo que efetivamente manda na CBF tem DNA jurídico e político direto da capital federal. O consórcio é liderado pelo advogado Francisco Schertel Mendes, o Chico Mendes — diretor-geral do IDP e filho do ministro do STF, Gilmar Mendes.
Embora não tenha cargo formal na diretoria executiva da confederação, Chico Mendes comanda o verdadeiro cofre e a estratégia da entidade. Através de um contrato expressivo entre o IDP e a CBF Academy (onde o instituto fica com 84% da receita), a “Turma de Brasília” indicou as peças-chave que hoje controlam a CBF de ponta a ponta: o diretor financeiro (Valdecir de Souza), o diretor jurídico (André Mattos) e o homem-forte da transição, Gustavo Dias Henrique.
O isolamento de Samir Xaud ficou escancarado logo após o fracasso do Brasil no Mundial. Enquanto o presidente balança no cargo, o ministro Gilmar Mendes foi às redes sociais avalizar publicamente a permanência do técnico Carlo Ancelotti e blindar o atacante Neymar para o ciclo de 2030. Um movimento claro de quem já dita as regras do jogo, independentemente de quem assina os papéis na presidência.
Nos bastidores da bola, o veredicto já foi dado: Samir Xaud está com os dias contados. O plano da Turma de Brasília é consolidar o poder e colocar Chico Mendes diretamente na linha de frente do futebol brasileiro. Ele sabe perfeitamente que a cadeira é escorregadia e perigosa, mas o tabuleiro político e econômico de bilhões de reais que move a CBF parece ser atraente demais para se dar o luxo de recuar. Como no futebol a bola pune, na política da CBF, a traição nunca dorme.
Ataques foram justificados por Washington como resposta às ações iranianas no Estreito de Ormuz; Teerã promete retaliar
Com Do R7
Os Estados Unidos lançaram uma nova ofensiva aérea contra o Irã e atingiram cerca de 90 alvos militares em diferentes regiões do país, em uma das maiores operações americanas desde o início da atual escalada no Oriente Médio. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), a ação teve como objetivo reduzir a capacidade militar iraniana de ameaçar embarcações comerciais e civis que transitam pelo Estreito de Ormuz.
De acordo com o governo norte-americano, os bombardeios tiveram como foco sistemas de defesa antiaérea, instalações navais, centros de comando, depósitos de armamentos e outras estruturas militares consideradas estratégicas. A operação foi autorizada pelo presidente Donald Trump, que afirmou que o cessar-fogo entre os dois países “chegou ao fim” e advertiu que novas ofensivas poderão ocorrer caso o Irã mantenha ações consideradas hostis pelos Estados Unidos.
A ofensiva ocorre após uma série de incidentes envolvendo embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. Washington atribui ao Irã a responsabilidade por ataques recentes contra navios que cruzavam a região, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. Teerã, por sua vez, rejeita as acusações e afirma que as operações militares americanas representam uma violação da soberania iraniana.
Em resposta aos bombardeios, autoridades iranianas anunciaram o lançamento de drones e outros ataques contra instalações militares dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, incluindo bases localizadas no Kuwait, Bahrein e Catar. Segundo o governo iraniano, a reação faz parte do direito de defesa do país diante da ofensiva americana. Os sistemas de defesa aérea desses países foram acionados para interceptar parte dos projéteis e aeronaves não tripuladas.
O Ministério da Saúde do Irã informou que os ataques deixaram mortos e dezenas de feridos em diferentes províncias do país. Os números ainda não foram confirmados por fontes independentes e podem ser atualizados à medida que equipes de resgate chegam às áreas atingidas.
A nova troca de ataques aumenta a preocupação da comunidade internacional com o risco de uma expansão do conflito para outros países do Oriente Médio. Especialistas alertam que uma escalada militar na região pode comprometer a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa das exportações mundiais de petróleo, além de provocar impactos no mercado internacional de energia.
Empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro também aparece no segundo turno. Nesse cenário, o senador marca 46% das intenções de voto, ante 43% do presidente
Com Estadão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem empatados nas intenções de voto em São Paulo em um cenário de primeiro turno para a disputa presidencial, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira, 8. Apesar do equilíbrio, o petista registra rejeição maior entre os eleitores paulistas.
No cenário estimulado de primeiro turno, Lula e Flávio têm 35% das intenções de voto cada um. Na sequência, aparecem o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o influenciador Renan Santos (Missão), ambos com 3%. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), a ativista Samara Martins (UP) e o presidente do PSDB, Aécio Neves, marcam 2% cada.
O psiquiatra Augusto Cury (Avante), o pastor Cabo Daciolo (Mobiliza), o presidente do PCO, Rui Costa Pimenta, e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC) registram 1% cada. Os ativistas Edmilson Costa (PCB) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram.
O empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro também aparece no segundo turno. Nesse cenário, o senador marca 46% das intenções de voto, ante 43% do presidente.
A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 3 de julho, com 1 608 entrevistas em São Paulo, distribuídas em 71 municípios, com eleitores de 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob os números SP-01703/2026 e BR-06481/2026.
O instituto também testou confrontos de Lula contra outros pré-candidatos. Contra Caiado, o petista tem 42%, ante 43% do ex-governador de Goiás. Já contra Zema, Lula marca 41%, enquanto o ex-governador mineiro aparece com 44%. Nos dois casos, há empate técnico dentro da margem de erro.
Lula deve explorar as críticas às emendas parlamentares por enxergar ganhos eleitorais com o discurso e ter a intenção de retomar o controle de ao menos parte dessa verba, caso seja reeleito.
CAIO SPECHOTO, CATIA SEABRA E AUGUSTO TENÓRIO - (FOLHAPRESS)
Após desembolsar um volume recorde de emendas às vésperas da eleição e sob pressão do Congresso, o presidente Lula (PT) planeja aumentar as críticas na campanha ao poder dos parlamentares com essas verbas e deve incluir em seu programa de governo a proposta de revisão desse modelo.
O mecanismo, que permite a deputados e senadores enviarem dinheiro para suas bases eleitorais, foi alvo nos últimos anos de uma ofensiva do petista, que chegou a vetar dispositivos que ampliavam o poder do Legislativo e a falar em “erro histórico” e “sequestro” do Orçamento, por retirar do Executivo a prerrogativa sobre esse dinheiro.
Depois de o Congresso ampliar a fatia dessas verbas, o governo pagou quase R$ 32,5 bilhões em emendas de janeiro a junho de 2026, um salto de mais de 30% se comparado aos R$ 24,5 bilhões liberados no mesmo período em 2022, no auge desses recursos.
Dispositivo incluído pelo Congresso na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026, o “calendário de emendas” obriga o Executivo a pagar 65% dessas verbas parlamentares obrigatórias até o fim do primeiro semestre.
Durante o periodo de defeso eleitoral, nos três meses anteriores ao pleito, o governo só pode realizar pagamentos de emendas para obras em andamento e cujos valores ja estejam empenhados, além de casos de emergência.
Lula deve explorar as críticas às emendas parlamentares por enxergar ganhos eleitorais com o discurso e ter a intenção de retomar o controle de ao menos parte dessa verba, caso seja reeleito.
O atual volume de emendas reduz a disponibilidade de recursos para programas do governo federal.
Também diminui o poder de negociação do Executivo junto ao Legislativo, uma vez que deputados e senadores conseguem liberar recursos sem precisar, em troca, apoiar projetos do presidente da República.
A partir de 2015, congressistas promoveram mudanças nas regras para ampliar seu controle sobre os recursos, e a disputa tem potencial de acirrar os atritos entre os Poderes.
Em 2023, primeiro ano do mandato de Lula, foram R$ 34,1 bilhões apenas com emendas impositivas, que são obrigatoriamente pagas pelo governo, um salto de 63% em comparação aos R$ 20,9 bilhões de 2022, em valores corrigidos pela inflação.
Desde então, o Congresso vem aumentando o valor das emendas com pagamento obrigatório. Em 2026, são previstos quase R$ 39 bilhões. Se o Legislativo fosse um ministério, seria o 7º com maior orçamento, à frente de pastas como a de Ciência e Tecnologia, das Cidades e do Desenvolvimento Regional. Os dados são da plataforma Siga Brasil, mecanismo de transparência do Senado.
No ano passado, durante a negociação sobre o Orçamento, o centrão ameaçou tornar obrigatório o pagamento de 100% das emendas, caso o presidente não cedesse que 65% delas fossem impositivas, como acabou sendo acordado.
A busca por retomada de poder sobre esse dinheiro deverá aparecer no programa de governo que Lula apresentará para sua campanha de reeleição.
“A forma como estamos tendo hoje, de um sistema político em que o Legislativo tem um tamanho de recursos por emendas individuais, isso praticamente inviabiliza o planejamento, praticamente inviabiliza ter uma gestão estrutural”, disse o ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, que coordena a elaboração do programa de governo do petista.
No Congresso, lideranças partidárias dizem que a atual resistência do centrão ao governo é resultado também da expectativa de um avanço do Executivo contra as emendas parlamentares. Há um temor de que, se reeleito, Lula assegure maioria no STF (Supremo Tribunal Federal) para restringir a verba indicada pelo Legislativo.
Esse alerta foi difundido, principalmente, quando o ministro Flávio Dino, indicado por Lula, deu decisões que suspenderam o pagamento de emendas parlamentares e exigiram mais transparência.
Neste ano, o governo propôs que o Congresso incluísse nas diretrizes orçamentárias de 2027 a possibilidade de deputados e senadores cederem emendas para bancar ações orçamentárias definidas em acordo com setores da sociedade civil.
O texto proposto pelo governo ressalva que seria preciso haver a anuência do parlamentar, sem possibilidade de uma decisão unilateral do Executivo.
A relação do presidente da República com o Congresso Nacional teve altos e baixos ao longo do atual mandato, e Lula buscou reconstruir pontes depois dos principais atritos.
O mais recente distanciamento aconteceu depois da rejeição, pelo Senado, do advogado-geral da União, Jorge Messias, como ministro do STF.
Petistas que acompanham a trajetória de Lula avaliam que essa dinâmica não funcionaria para aprovar propostas com mudanças socioeconômicas estruturais. Nesse cenário, seria necessário mobilizar mais a opinião pública em favor dos projetos, reduzindo a capacidade do Congresso de se contrapor.
O exemplo citado é o do fim da escala 6×1, de seis dias de trabalho por um de descanso: a medida sofre resistência no empresariado, mas avançou na Câmara graças à maioria formada na opinião pública em seu favor.
No ano passado, em ao menos dois momentos, Lula e seu grupo político aumentaram o tom contra o Legislativo depois de derrotas. Governistas adotaram naqueles momentos motes como “Congresso inimigo do povo”.