Por Fernando Olivan
A Receita Federal realizou uma ação de cobrança voltada a pessoas físicas com pendências no Imposto de Renda, enviando comunicações eletrônicas para quase 1 milhão de contribuintes.
O objetivo da iniciativa é incentivar a regularização dessas dívidas, evitando complicações futuras. Ao todo, aproximadamente 971 mil pessoas foram notificadas, com débitos que somam cerca de R$ 24,45 bilhões.
As mensagens enviadas apresentam de forma clara as pendências identificadas, incluindo valores, prazos e orientações para regularização. Os débitos estão relacionados a declarações dos últimos anos e podem incluir tanto valores informados pelo próprio contribuinte quanto valores apurados posteriormente pela Receita.
Os avisos foram classificados como “mensagem importante”, o que garante maior visibilidade e pode gerar alertas adicionais por e-mail ou SMS, quando cadastrados.
A Receita Federal reforça que a regularização é a melhor alternativa para evitar a incidência de multa e outras medidas de cobrança. A iniciativa busca facilitar o acesso às informações e tornar mais simples e rápido o processo de quitação ou parcelamento das dívidas.
Contribuintes que estejam inadimplentes, mesmo que não tenham recebido aviso, são incentivados a verificar sua situação e regularizá-la o quanto antes seguindo as instruções deste link: https://www.gov.br/pt-br/servicos/consultar-dividas-e-pendencias-fiscais
Pré-candidatos à Presidência, ex-governadores defendem aproximação para fortalecer campo da direita e centro-direita diante de Lula e Flávio Bolsonaro
POR BRUNO RIBEIRO E JOÃO PEDRO ABDO
Os ex-governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), ambos pré-candidatos à Presidência, encontraram-se nesta terça-feira (26) e discutiram uma aliança já no primeiro turno das eleições.
Ao tratar do encontro nesta quarta-feira (27) em entrevista à rádio Nova Difusora, em São Paulo, Caiado foi questionado sobre o assunto e sobre a disposição de Zema em fazer a aliança sem abandonar a cabeça da chapa. “Nós conversamos, existe esse sentimento. E ele é uma pessoa aberta. Então nós estamos somente avaliando”, disse Caiado.
Já Zema, durante um evento com agentes do mercado financeiro na terça (26), manteve o tema em aberto. “Conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data limite.
Porque, na política, é na meia-noite da data limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente”, disse em referência ao dia 15 de agosto, fim do prazo para inscrição de chapas na Justiça Eleitoral para o pleito de 2026.
Em sua entrevista, Caiado disse que era preciso ter humildade para reconhecer que tanto sua pré-campanha quanto a de Zema estão em um patamar abaixo das do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). “No momento em que nós unirmos um pouco nossos esforços, elas [as pré-campanhas] poderão chegar fortes só no segundo turno ou poderão chegar competitivas ainda no primeiro turno”, afirmou.
Já Zema afirmou “se dar bem” com Caiado e, quando questionado se aceitaria ser vice na chapa com o ex-governador de Goiás, brincou: “Não poderia ser ao contrário?”.
A estratégia se justificaria para evitar uma pulverização dos votos da direita e da centro-direita após a desaceleração na campanha eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL).
O senador carioca está envolto em um escândalo após a revelação de áudios em que pede dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para produção do filme “Dark Horse”, que narra a história de Jair Bolsonaro (PL). O filho do ex-presidente também visitou o ex-banqueiro quando ele estava em prisão domiciliar.
Segundo pesquisa Datafolha divulgada em maio, após o escândalo, Lula (40%) ampliou de 3 para 9 pontos percentuais a diferença para Flávio (31%) na simulação de primeiro turno.
Zema repetiu as críticas que tem feito a Flávio após a divulgação dos áudios. “Foi dito para nós, meses atrás, que ele não tinha nenhum envolvimento [Flávio] com o banqueiro bandido [Vorcaro] Quem foi traído? Nós ou eles? Me parece que nós”, disse.
Ele afirmou estar “realmente indignado” e que quem votar em Flávio estaria “entregando a eleição para o Lula, já que a rejeição dele ficou maior do que a do presidente”. O filho do ex-presidente marcou 46% e superou o petista (47%) entre os eleitores que dizem não votar em algum dos candidatos perguntados.
Mesmo assim, o ex-governador mineiro disse que apoiaria Flávio em um segundo turno contra um candidato de esquerda. Segundo Zema, combater esse espectro político é seu “grande objetivo”.
O pré-candidato também voltou a fazer críticas ao programa sociais: “O que tem de marmanjão de 20, 30 anos recebendo Bolsa Família e complementando esse Bolsa Família com bicos eventuais, não tá escrito”, afirma. O tema é recorrente nas falas do ministro e já foi rebatido pelo ministro do Desenvolvimento Social Wellington Dias.
Texto segue agora para sanção presidencial; remunerações dos profissionais da educação básica são pagas pelas redes de ensino de estados e municípios, a partir de recursos do Fundeb
Por Leonardo Ribbeiro, da CNN Brasil, Brasília
O plenário do Senado aprovou, nesta terça-feira (26), a Medida Provisória que reajusta o piso salarial dos professores da educação básica. O texto, relatado pela senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), segue agora para sanção presidencial.
A proposta aprovada manteve o reajuste de 5,4% em 2026, na comparação com 2025, e o piso passa a ser R$ 5.130,63 para os profissionais com carga de trabalho de 40 horas semanais, inclusive os temporários.
“Nenhum profissional receberá menos que o piso correspondente à formação do normal, de nível médio, e à sua formação em termos de atuação”, garantiu Professora Dorinha.
Cálculo
O texto define que o piso será atualizado a partir da soma da variação acumulada do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do ano anterior e de 50% da média da variação percentual da receita real, com base no INPC, relativa à contribuição de estados, Distrito Federal e municípios ao Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), realizada nos cinco anos anteriores ao ano da atualização.
Uma inovação do relatório da senadora é que o Ministério da Educação deverá publicar anualmente a memória de cálculo completa utilizada para a atualização do piso. As informações serão disponibilizadas em plataforma digital de dados abertos, de forma acessível e auditável.
“Essa Medida Provisória passa a dar uma transparência tanto para municípios e estados como para profissionais, para entidades que representam os trabalhadores em educação”, explicou a relatora. "Em nenhum caso, nós vamos ter a correção do piso inferior à inflação ou até negativo. Criaram-se regras claras.”
O piso salarial é o valor mínimo que professores devem ganhar em todo o Brasil. As remunerações dos profissionais da educação básica são pagas pelas redes de ensino de estados e municípios, a partir de recursos do Fundeb, bem como de complementações da União.
Segundo a estatal, a maior parte dos dados acessados pertencia a pessoas já mortas, mas cerca de 52 mil segurados vivos tiveram informações expostas
Com Agência Brasil
A Dataprev informou nesta terça-feira (26) que o vazamento de dados no sistema do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) atingiu 2,8 milhões de Cadastro de Pessoas Físicas (CPFs). A estatal, responsável pelo processamento de informações da Previdência Social, apresentou os dados durante reunião do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS).
Segundo a empresa, cerca de 98% das informações acessadas pertenciam a pessoas já falecidas. Ainda assim, aproximadamente 52 mil segurados vivos tiveram dados expostos no incidente de segurança ocorrido em abril. O número divulgado agora é superior à estimativa inicial de técnicos do INSS, que mencionavam cerca de 2 milhões de registros afetados.
De acordo com a Dataprev, os acessos indevidos envolveram CPFs e datas de nascimento de segurados. A estatal explicou que um mesmo CPF pode ter sido consultado mais de uma vez, o que ajuda a explicar o volume elevado de acessos registrados. Segundo a empresa, não houve liberação indevida de benefícios nem contratação automática de empréstimos consignados.
A investigação preliminar aponta que o problema ocorreu por causa de uma falha no sistema do aplicativo Meu INSS. Segundo Edmar dos Santos Ferreira Junior, representante da Dataprev no CNPS, uma área que deveria exigir login estava acessível sem autenticação. Ele afirmou que o incidente durou apenas um dia. A Dataprev informou que o erro foi corrigido assim que identificado e que desenvolve novas barreiras de segurança para impedir consultas simultâneas em massa.
Em nota, o INSS informou que a concessão de benefícios possui diferentes etapas de validação e segurança. A autarquia disse ainda que reforçou seus controles internos para oferecer maior segurança à análise de seus benefícios.
O vazamento foi identificado em 22 de abril, mas tornou-se público apenas na semana passada. Segundo a Dataprev e o INSS, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) foi acionada logo após a descoberta do problema. O caso levantou preocupação entre especialistas em segurança digital por causa da quantidade de dados expostos.
Embora o governo afirme que não houve concessão irregular de benefícios, especialistas alertam que informações vazadas podem ser usadas em golpes e fraudes financeiras. O banco de dados do INSS reúne informações pessoais de aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais, incluindo vínculos empregatícios e dados cadastrais.
Essa não é a primeira falha de segurança envolvendo sistemas do INSS. Em 2024, o instituto confirmou outro incidente que expôs informações sigilosas de aposentados e beneficiários de programas assistenciais.
Ação apura repasses bilionários do governo do Rio a fundos ligados ao conglomerado de Daniel Vorcaro
Por João Victor Rodrigues
O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro foi alvo, nesta terça-feira (26), de uma operação da Polícia Federal que investiga investimentos realizados pelo governo fluminense em fundos vinculados ao Banco Master. Segundo os investigadores, cerca de R$ 3 bilhões teriam sido direcionados ao conglomerado financeiro controlado pelo empresário Daniel Vorcaro por meio de diferentes operações envolvendo órgãos estaduais.
De acordo com a PF, os principais aportes partiram do Rioprevidência, responsável pela gestão de aposentadorias e pensões de aproximadamente 235 mil beneficiários do estado, além da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae). As investigações apontam que o fundo previdenciário realizou aplicações diretas e indiretas em produtos financeiros ligados ao banco, incluindo investimentos em fundos administrados pela instituição.
A operação desta terça cumpre dez mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e no Distrito Federal, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. O advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa de Cláudio Castro, informou que acompanharia pessoalmente as buscas realizadas na residência do ex-governador.
O caso também passou a ser alvo de movimentação política na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. No início do mês, o deputado estadual Flávio Serafini, do PSOL, anunciou ter reunido assinaturas suficientes para instalação de uma CPI destinada a investigar os aportes feitos no Banco Master. Parlamentares afirmam que parte dos investimentos foi mantida mesmo após alertas do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, que teria recomendado restrições a novas aplicações do Rioprevidência na instituição financeira.