Segunda fase da operação que investiga Daniel Vorcaro foi deflagrada nesta quarta (14). A PF solicitou perícia nos itens encontrados em endereços relacionados ao banqueiro e familiares
Com Estadão conteúdo
O ministro do Superior Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou, nesta quarta-feira (14/1), que o material apreendido pela Polícia Federal nas investigações do Banco Master fique armazenado na Procuradoria-Geral da República (PGR). Os itens incluem armas, veículos, celulares e relógios de luxo.
Anteriormente, Toffoli havia decidido que os materiais apreendidos na segunda fase da operação relacionada à instituição financeira e de seu dono, Daniel Vorcaro, fossem enviados ao STF. A Polícia Federal solicitou a revisão da decisão, argumentando que os itens devem ser submetidos à perícia para evitar que a operação seja prejudicada.
“A manifestação é pela autorização para que a Procuradoria-Geral da República proceda à extração e análise de todo o acervo probatório colhido nos autos em espécie, com posterior disponibilização”, pediu a PGR em parecer pela revisão da decisão de Toffoli.
Ao acolher a solicitação, o ministro afirmou que a medida permitirá que o procurador-geral tenha “uma visão sistêmica dos supostos crimes de grandes proporções por ele, em tese, identificados até o presente momento”.
A segunda fase da operação, deflagrada nesta quarta, incluiu endereços ligados a Vorcaro e familiares, entre eles o cunhado Nelson Tanure. Durante as diligências, foram apreendidos 39 celulares, 31 computadores, 30 armas, R$ 645 mil em espécie e 23 veículos, avaliados em R$ 16 milhões.
Norma fixa despesas e estima receitas para o ano de 2026
POR PEDRO RAFAEL VILELA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quarta-feira (14) a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. A norma, que fixa as despesas públicas e estima as receitas ao longo do ano, foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).
O texto havia sido aprovado pelo Congresso Nacional no fim do ano passado.
Alegando inconformidades legais, o presidente decidiu vetar dois dispositivos que somam quase R$ 400 milhões em emendas parlamentares. Eles foram incluídos durante a tramitação do texto, e não constavam na programação orçamentária enviada pelo Poder Executivo, como determina a lei federal que trata das emendas (Lei Complementar 210/24), segundo o governo.
O veto terá que ser apreciado por deputados e senadores, que poderão mantê-lo ou derrubá-lo.
Ao todo, o Orçamento da União para 2026 será de R$ 6,54 trilhões, com meta de superávit de R$ 34,2 bilhões. O salário mínimo sai de R$ 1.518 e sobe para R$ 1.621.
As áreas de Saúde e Educação contarão com recursos totais de R$ 271,3 bilhões e R$ 233,7 bilhões, respectivamente.
Para o Bolsa Família, foram reservados R$ 158,63 bilhões, enquanto o programa de incentivo financeiro para estudantes do Ensino Médio, o Pé de Meia, contará com R$ 11,47 bilhões. Outros R$ 4,7 bilhões estão previstos para o programa que garante acesso a botijão de gás a famílias de baixa renda.
Emendas
O texto da Lei Orçamentária aprovado no Congresso prevê aproximadamente de R$ 61 bilhões em emendas parlamentares. Desse total, cerca de R$ 37,8 bilhões serão destinados a emendas impositivas, de pagamento obrigatório.
As emendas individuais, dos deputados e senadores, somam R$ 26,6 bilhões; as de bancada, destinadas às bancadas estaduais, ficaram com R$ 11,2 bilhões. Já as emendas de comissão, que não têm execução obrigatória, somam R$ 12,1 bilhões.
Além do veto de quase R$ 400 milhões em emendas parlamentares, há a expectativa de que o governo federal edite outros atos normativos para remanejar mais R$ 11 bilhões em emendas parlamentares para outras ações.
Obras avançam no acesso norte pela Avenida NS-15 e no Distrito Industrial de Taquaralto
Por Alcione Luz
A Prefeitura de Palmas, por meio da Secretaria de Infraestrutura e Habitação, mantém o ritmo nas obras de pavimentação asfáltica em diferentes regiões da Capital. Nesta quarta-feira, 14, os serviços avançaram simultaneamente na requalificação do acesso a setores da região norte, pela Avenida NS-15, e no Distrito Industrial de Taquaralto, com a construção do pavimento em Concreto Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ).
Na região norte, as equipes atuaram na aplicação do asfalto na última faixa da via que integra o acesso aos setores. A previsão é de que o trecho seja concluído na próxima semana. Paralelamente, já foi executada a terraplanagem da rotatória, para receber a pavimentação. A obra atende a uma demanda antiga de milhares de famílias da região norte, além de trabalhadores que atuam em empreendimentos locais e em atividades ligadas às mineradoras instaladas na área.
Distrito Industrial de Taquaralto
Na região sul da Capital, o Distrito Industrial de Taquaralto também recebeu melhorias nesta quarta-feira. A Alameda Ceará, via estratégica devido à grande concentração de empresas e galpões industriais, avançou na pavimentação asfáltica em CBUQ. Mesmo com as condições climáticas, os serviços seguem em execução.
Senadores apontam supostos crimes de responsabilidade e citam relações extraprocessuais e possíveis conflitos de interesse
Por: Jessica Cardoso e
Rafael Porfírio
Senadores da oposição protocolaram nesta quarta-feira (14) um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli por sua atuação no caso Banco Master.
A representação foi encaminhada ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Cabe a ele decidir se o pedido será arquivado ou se terá seguimento.
O documento de 35 páginas é assinado pelos senadores Magno Malta (PL-ES), Damares Alves (Republicanos-DF) e Eduardo Girão (Novo-CE).
No texto, os parlamentares afirmam haver indícios de crimes de responsabilidade praticados pelo ministro durante a condução do caso, que apura irregularidades envolvendo a instituição financeira.
Entre os principais pontos apresentados, o pedido fala sobre a existência de “relações extraprocessuais” do magistrado com integrantes da defesa de investigados.
Em novembro, Toffoli viajou para final da Libertadores, em Lima, no Peru, com Augusto Arruda Botelho, advogado de diretor de compliance do Master, Luiz Antônio Bull, alvo da operação Compliance Zero. O ministro do STF negou ter falado sobre o caso durante a viagem.
Outro ponto levantado pelos senadores diz respeito a “possíveis vínculos indiretos envolvendo familiares do ministro” com pessoas ou estruturas ligadas ao caso.
O documento cita reportagens segundo as quais o Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, apontado como relacionado à investigação, realizou aportes em empresas pertencentes a familiares de Toffoli, o que poderia caracterizar conflito de interesses.
Para os senadores, essas circunstâncias seriam suficientes para colocar em dúvida a neutralidade de Toffoli no caso, ao criar, segundo o documento, “dúvida razoável sobre a imparcialidade do julgador”.
A representação também menciona decisões consideradas atípicas no curso do processo, como a adoção de medidas durante o recesso do Judiciário e a centralização de atos investigativos no STF.
Segundo o texto, tais iniciativas teriam resultado em “grave desvio funcional” e em afronta aos princípios da moralidade, da impessoalidade e do decoro exigidos de um ministro da Corte.
Análise
Parte dos ministros considera conduta de ambos ameaça à credibilidade do tribunal, mas há quem acredite em ataque coordenado à Corte
Por Carolina Brígido*
O avanço nas investigações sobre as fraudes do Banco Master rachou o Supremo Tribunal Federal (STF). No epicentro do caso, Dias Toffoli se destaca como o relator salpicado pelo escândalo. Alexandre de Moraes também faz uma ponta no caso. Nos bastidores, ministros da Corte de dividem entre críticas e aplausos à dupla.
Em caráter reservado, um ministro avalia que condutas adotadas por Toffoli comprometem a credibilidade do tribunal. O relator impôs elevado grau de sigilo à apuração, pegou carona em um voo particular com um advogado da causa, determinou acareação de investigados durante o recesso e mandou entregar itens apreendidos no STF.
A participação indireta de Moraes também incomoda uma ala do Supremo. A esposa do ministro, Viviane de Moraes, mantém contrato milionário com o Master. O presidente da Corte, Edson Fachin, está no time dos cautelosos. Observa à distância, mas de forma atenta, o comportamento dos colegas.
De outro lado, ministros mais próximos de Toffoli e de Moraes acreditam que as notícias sobre a dupla possam fazer parte de um movimento maior de pressão contra o Supremo. Uma espécie de “operação abafa” para conter a investigação.
No domingo, 11, o Estadão revelou que empresas ligadas a irmãos do ministro tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado aos negócios do Master. Três dias depois, Toffoli mostrou que não está disposto a retroceder e autorizou 42 buscas e apreensões em endereços ligados a Daniel Vorcaro e familiares.
Ao mesmo tempo, cresce no Congresso Nacional a ideia de uma CPMI para investigar relações de ministros do STF com a trama.
No dia anterior à segunda fase da operação da Polícia Federal, um ministro do tribunal disse à coluna que estaria preocupado não com a pressão ao STF, mas com eventual revanche dos colegas contra o suposto vazamento de informações.
Circulou entre ministros do STF a informação que Moraes mandara investigar se a Receita Federal e o Coaf haviam divulgado de forma ilegal dados sigilosos de parentes de ministros do Supremo. Moraes não comunicou nada aos colegas. A assessoria de imprensa do tribunal não confirmou nem desmentiu o fato.
Outro ministro da Corte ouvido pela coluna considera importante averiguar se houve vazamento de dados de familiares de integrantes do STF. Até agora, os ministros não deram declarações públicas sobre o Master. Sabem que qualquer vírgula fora do lugar pode deixar o tribunal ainda mais vulnerável a ataques.
No fim de 2025, a aposta em Brasília era que o recesso esfriaria a pressão política decorrente das investigações do caso Master. É mais garantido apostar que, com ou sem recesso, o escândalo vai continuar alimentando a tensão entre os Poderes.
*Carolina Brígido
Escreve sobre Poder Judiciário, com ênfase no STF, desde 2001. Trabalhou no UOL, na CNN, no jornal O GLOBO e na revista Época. É formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília.