Em dois cenários testados, resultados do atual presidente, do ex-governador de Goiás e do senador ficam dentro da margem de erro
Por Bruna Pauxis
A nova edição da pesquisa Real Time Big Data, divulgada na manhã desta terça-feira (21), mostra ao menos três pré-candidatos à Presidência da República tecnicamente empatados nas intenções de voto, em um eventual segundo turno das eleições.
Em dois dos cenários testados, o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), empataria dentro da margem de erro com o senador Flávio Bolsonaro (PL) e com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) — que ficou à frente numericamente.
Confira os resultados:
Lula (45%) x Flávio Bolsonaro (42%)
Lula (43%) x Ronaldo Caiado (44%)
Lula (44%) x Romeu Zema (38%)
Lula (44%) x Renan Santos (35%)
Na projeção de primeiro turno, o petista teve 40% das intenções de voto e ficou 7 p.p. à frente do segundo colocado, Flávio Bolsonaro, que registrou 33%.
Confira os resultados:
Lula (PT) - 40%
Flávio Bolsonaro (PL) - 33%
Renan Santos (Missão) - 9%
Ronaldo Caiado (PSD)- 7%
Romeu Zema (Novo) - 2%
Escritor Augusto Cury (Avante) - 1%
Joaquim Barbosa (DC) - 1%
Outros - 1%
Nulo/Branco - 1%
NS/NR - 1%
Em uma análise do indicado nas pesquisas dos últimos quatro meses elaboradas pelo mesmo instituto, o nome escolhido pelo PT manteve a preferência no primeiro turno e, em maio, teve alta nas intenções de voto.
Enquanto isso, Flávio Bolsonaro apresentou queda no desempenho entre maio e junho, quando perdeu 4 p.p. (pontos percentuais). Contudo, avançou 2 p.p. na edição divulgada nesta manhã, na comparação com a de junho.
Metodologia
A pesquisa envolveu 2.000 entrevistas, feitas com eleitores de todo o território nacional, entre sábado (18) e segunda-feira (20). O relatório, porém, não detalha em qual modalidade ocorreu o levantamento: de forma presencial, virtual ou por telefone, por exemplo.
A sondagem está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), sob o código BR-09247/2026. A margem de erro é de 2 p.p., para mais ou para menos, e o índice de confiança, de 95%.
Por Catia Seabra
Prestes a oficializar sua candidatura à reeleição, o presidente Lula (PT) avalia faltar a todos os debates com os demais candidatos promovidos no primeiro turno por emissoras de televisão e outros veículos de imprensa.
O tema divide a cúpula petista. Parte dos aliados mais poderosos de Lula teme que, como atual presidente é o único candidato de esquerda na disputa, ele fique muito exposto a ataques no confronto com os adversários, alinhados à direita e em busca do título de opositor.
Prováveis candidatos como Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) são do campo antipetista e, se tiverem oportunidade, tentarão desgastar Lula. Como não deverá haver outro candidato alinhado à esquerda nos debates, o presidente precisaria enfrentar sozinho todos os adversários.
O hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o debate da TV Globo, na campanha de segundo turno da eleição de 2022 - Eduardo Anizelli - 28.out.22/Folhapress
Outro grupo do partido de Lula defende que ele participe dos encontros para não perder oportunidades de entrar em embates com Flávio Bolsonaro, que será seu principal adversário.
Por lei, as emissoras têm obrigação de convidar, além do petista e do pré-candidato do PL, apenas Caiado e Augusto Cury (Avante). A legislação determina que é obrigatório o convite para os candidatos cujos partidos tenham mais de cinco representantes no Congresso. O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu ano passado que o cálculo será feito com base no resultado da eleição de 2022, sem considerar as mudanças de partido ocorridas depois.
Se Lula não comparecer, há uma avaliação de que Flávio Bolsonaro também pode faltar aos debates, e não terá de responder sobre sua relação com o escândalo do Banco Master. Em maio, foi divulgado um áudio em que o senador pede dinheiro ao antigo dono do banco, Daniel Vorcaro, para concluir um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Um dos principais pontos da estratégia eleitoral de Lula é justamente aumentar a rejeição do eleitorado a Flávio usando o caso Master e o tarifaço do governo americano contra produtos brasileiros, por causa da afinidade do grupo político bolsonarista com Donald Trump.
A ausência de presidentes em debates durante campanhas à reeleição é uma estratégia conhecida. Em 2006, quando concluía seu primeiro mandato, Lula decidiu não comparecer aos encontros do primeiro turno, confiando na ampla vantagem que tinha sobre o segundo colocado –o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB, à época no PSDB).
Em 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também não compareceu a debates. A eleição foi vencida por ele já no primeiro turno.
Neste ano, apesar de a tendência ser Lula não participar dos debates do primeiro turno, aliados ressalvam que a decisão não está tomada. Além disso, poderão ser feitas avaliações caso a caso. Por exemplo: se Lula julgar que foi muito atacado em um debate do qual tenha se ausentado, pode decidir ir ao encontro seguinte para responder aos adversários.
A dúvida mais imediata é sobre o comparecimento do petista ao debate da Band, tradicionalmente o primeiro do período eleitoral. O evento está marcado para 16 de agosto.
Lula quer promover, também em 16 de agosto, o ato de lançamento de sua candidatura. Pode ser inviável participar dos dois, uma vez que debates televisionados demandam preparação prévia dos candidatos junto de suas equipes de comunicação. Além disso, é conveniente que o participante esteja descansado.
O presidente e seu grupo político pretendem realizar o ato de lançamento no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP). Havia dúvidas sobre a possibilidade por causa de um jogo marcado para a mesma data –São Bernardo contra Botafogo de Ribeirão Preto, pela série B do Campeonato Brasileiro.
Na última terça-feira (14), aliados informaram a Lula que a partida seria antecipada, abrindo caminho para o ato de lançamento. Fontes próximas da cúpula petista avaliam ainda ser possível o adiamento do evento político para permitir que o presidente participe do debate da Band, mas a direção do partido trabalha para ser mesmo realizado no dia 16.
O estádio da Vila Euclides é um dos locais mais significativos da trajetória política do presidente. No final dos anos 1970, quando começava a se tornar uma figura conhecida, Lula era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista e presidiu assembleias de grevistas no estádio.
A ideia do PT é que o lançamento da candidatura conte a história política de Lula, que, aos 80 anos, disputará sua última eleição. O partido agora se organiza para levar apoiadores suficientes para encher o estádio, uma operação mais difícil do que a de organizar atos políticos tradicionais.
O presidente da República também busca reforçar sua presença em São Paulo, estado que tem o eleitorado mais numeroso do país. Sua aliança local terá o ex-ministro Fernando Haddad (PT) como candidato a governador. Ele disputará contra o atual chefe do Executivo paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), favorito e com chances de vencer no primeiro turno.
Lula lidera as pesquisas eleitorais. Levantamento da Quaest divulgado quarta-feira (15) mostra o petista com 40% das intenções de voto para o primeiro turno, contra 28% de Flávio Bolsonaro. Para o segundo turno, o petista tem 45% contra 37% do provável adversário. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Por Lucas Vasques
O instituto Datafolha divulga, nesta sexta-feira (24), nova pesquisa eleitoral encomendada pela Folha de S.Paulo. O levantamento, registrado no TSE sob o número BR-01166/2026, cobre intenções de voto para a Presidência da República, aprovação do governo Lula e temas políticos em evidência no debate público. A consulta custou R$ 307 mil.
A coleta de dados começa nesta quarta-feira (22) e se encerra na própria sexta-feira (24), mesmo dia em que os resultados serão publicados. O método é questionário via web, aplicado a 2.004 eleitores, com 16 anos ou mais, distribuídos por todo o país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) garante rastreabilidade pública ao levantamento, prática obrigatória para pesquisas eleitorais no Brasil. O número de entrevistados e a margem de erro são compatíveis com os padrões habituais do instituto para pesquisas nacionais de intenção de voto.
Temas abordados
O questionário abre com uma seção espontânea, em que o eleitor indica preferências sem ser apresentado a nomes, e avança para uma seção estimulada com 12 candidatos listados: Flávio Bolsonaro (PL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Romeu Zema (NOVO), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Leonardo Avalanche (PRTB), Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza), Hertz Dias (PSTU), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Edmilson Costa (PCB).
Os entrevistados também serão perguntados sobre o nível de conhecimento e rejeição a cada um desses nomes.
Para o segundo turno, a pesquisa simula três cenários: Lula contra Ronaldo Caiado, Lula contra Flávio Bolsonaro e Lula contra Romeu Zema.
Além das intenções de voto, o levantamento mede a aprovação ou desaprovação do governo atual e a avaliação do eleitor sobre áreas específicas de política pública, como saúde, segurança pública e educação.
O questionário também inclui perguntas sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro e o conflito tarifário entre Brasil e Estados Unidos, associando os pré-candidatos Flávio Bolsonaro e Lula ao tema. A inclusão desses dois assuntos reflete a centralidade que ocupam no debate político recente e sua potencial influência na percepção dos eleitores sobre governo e oposição.
Em outra seção, os entrevistados são convidados a avaliar o trabalho do técnico Carlo Ancelotti à frente da Seleção Brasileira na Copa do Mundo e a opinar se ele deve permanecer no cargo até 2030.
Últimos números para comparar
A edição anterior da pesquisa Datafolha foi divulgada em 20 de junho. Naquele levantamento, Lula (PT) aparecia com 41% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro (PL). Os demais candidatos testados ficaram abaixo dos dois dígitos.
No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa anterior registrou 47% para o presidente e 43% para o senador, diferença dentro da margem de erro que sinalizava disputa competitiva.
Os novos números desta sexta-feira (24) permitirão avaliar se esse quadro se manteve, se aproximou ou se distanciou nos meses seguintes.
“A gente quer identificar não apenas aqueles que estão promovendo isso, mas quem está financiando”, disse Marinho, chamando o caso de atentado contra a democracia.
POR CAROLINA LINHARES
A cúpula do PL, do presidenciável Flávio Bolsonaro, diz ter identificado perfis falsos em redes sociais da Meta usados para impulsionamento de conteúdo contrário ao senador e pediu que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ordene uma investigação contra o que acreditam ser um esquema criminoso.
Nesta segunda-feira (20), o coordenador da pré-campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN), levou ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, uma representação pedindo que a Justiça Eleitoral autorize uma quebra de sigilo para identificar e punir os responsáveis pelas contas fraudulentas.
Marinho estava acompanhado da advogada e ex-ministra Maria Claudia Bucchianeri, que atua na pré-campanha, e do advogado Marcelo Bessa, que representa o PL.
“A gente quer identificar não apenas aqueles que estão promovendo isso, mas quem está financiando”, disse Marinho, chamando o caso de atentado contra a democracia.
A pré-campanha diz ter comprovado haver 57 perfis falsos com mais de 4.600 anúncios pagos no total de R$ 3 milhões e um alcance de 250 milhões de visualizações. Marinho, contudo, afirma ter indícios de fraudes em mais de 20 mil perfis. “Nós acreditamos que isso preliminarmente monta em mais de R$ 20 milhões, mais de 20 mil perfis falsos identificados”, disse a jornalistas ao deixar o TSE.
Segundo Marinho, os posts atingem Flávio e também os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Jorginho Mello (PL-SC). Os advogados pediram que a representação corra em sigilo.
Ainda de acordo com integrantes da equipe de Flávio, os perfis falsos, com poucos seguidores, impulsionam propaganda negativa para atacar o senador e, em seguida, são deletados. Os suspeitos usariam identidade e números de celular fraudados, a maioria com DDD de Curitiba. Já os pagamentos à Meta são feitos em reais, dólares e pesos colombianos. A empresa é dona do Instagram, Facebook e WhatsApp.
“Essa ação pede liminarmente que haja uma ampla investigação a respeito de uma verdadeira organização criminosa que foi montada para as eleições deste ano. Em vários momentos, nós da direita fomos acusados de fazermos proselitismo negativo nas redes, mas parece que o que está acontecendo é exatamente o contrário”, disse Marinho.
Enquanto o eleitorado geral cresceu apenas 1,5%, a faixa etária que compreende os idosos avançou de 21% para 23,6% do total
POR ISADORA ALBERNAZ
O Brasil irá às urnas com um eleitorado mais velho em 2026, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) divulgados nesta segunda-feira (20). Ao todo, serão 158,7 milhões de brasileiros aptos a votar.
Desses, 37,5 milhões têm 60 anos ou mais.
Enquanto o eleitorado geral cresceu apenas 1,5%, a faixa etária que compreende os idosos avançou de 21% para 23,6% do total. Na contramão, a quantidade de pessoas de 21 a 34 anos que poderão participar do pleito caiu de 43,8 milhões para 41 milhões, o que representa 25,85% do total.
Em termos reais, serão 2,3 milhões de eleitores a mais desde o último pleito geral, quando cerca de 156 milhões estavam aptos a escolher o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais (ou distritais, no caso de Brasília).
O prazo para tirar o primeiro título de eleitor, transferir o domicílio eleitoral e regularizar pendências na Justiça Eleitoral terminou em 6 de maio. Desde então, a corte eleitoral, sob comando do ministro Kassio Nunes Marques, organizava os dados. A última atualização dos números foi em 18 de julho.
As eleições deste ano devem ser marcadas pelo embate direto entre o presidente Lula (PT), que tenta seu quarto mandato inédito, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que conta com o espólio político do pai em prisão domiciliar, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), para se eleger ao cargo pela primeira vez.
O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro. Se houver necessidade, como já indicam levantamentos, o segundo turno para a Presidência e os governos dos estados está marcado para 25 de outubro. Já senadores, deputados federais e estaduais são eleitos em uma única votação.
Segundo o TSE, o Norte teve a maior alta proporcional no número de eleitores desde o último pleito geral, com avanço de 4,37%. Passou de 12.560.410 pessoas aptas a votar para 13.109.354 mais de meio milhão.
Região mais populosa do país, o Sudeste tem 66,3 milhões de eleitores aptos a votar, registrando uma leve queda de 0,56%. São Paulo tem 21,48% do eleitorado nacional (34,1 milhões), enquanto Minas Gerais (16,4 milhões) segue como o segundo maior colégio eleitoral. Os dois são estados-chave na disputa presidencial, já que as candidaturas ao governo local têm a capacidade de puxar votos aos postulantes.
O palanque mineiro de Lula foi formalizado nesta segunda. O deputado federal Patrus Ananias (PT) foi anunciado o candidato do partido, após o “plano A”, com o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB), e o “plano B”, com a ex-prefeita de Contagem e pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT), não vingarem por recusa de ambos.
Já a situação de Flávio no estado ainda está indefinida. Como mostrou a Folha de S.Paulo, o PL avançou em tratativas e aguarda só a decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) sobre concorrer ao governo para anunciar uma aliança em Minas.
A campanha começará em menos de um mês, em 16 de agosto. Os partidos terão até a véspera da data, no dia 15, para registrar as candidaturas junto à Justiça Eleitoral. As convenções partidárias, evento onde é formalizado quem serão os nomes que representarão as legendas no pleito, têm início nesta segunda e vão até 5 de agosto.
Segundo a Constituição Federal, o voto é obrigatório no Brasil só para maiores de 18 anos. Para adolescentes de 16 e 17 anos, analfabetos e idosos acima de 70 anos, a ida às urnas é facultativa.
Pesquisa Datafolha publicada no fim de junho mostra que Lula e Flávio têm, respectivamente, 47% e 43% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto brancos e nulos somam 8%. Já em um cenário com outros candidatos, o petista mantém a vantagem e marca 41% ante 31% do bolsonarista.
Foram ouvidas presencialmente 2004 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios de 17 a 18 de junho. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O número de registro no TSE é BR-09956/2026.
Do total de cerca de 158 milhões, a maioria (52,84%) é de mulheres, parcela que permaneceu praticamente estável. Em termos absolutos, elas são 83,9 milhões e devem ser um dos eleitorados decisivos nestas eleições. Os principais candidatos à Presidência já preparam estratégias mirando conseguir o apoio do grupo.