Com quase 90% de execução, obra do Projeto Rio Formoso fortalece a segurança hídrica e impulsiona o desenvolvimento do maior polo agrícola irrigado do estado
Por Edvânia Peregrini
O Governo do Tocantins está avançando na recuperação do Eixo 1 da Barragem Taboca I, em Formoso do Araguaia, importante estrutura do Projeto Rio Formoso. Com quase 90% de execução, a obra segue dentro do cronograma estabelecido pela gestão estadual e tem previsão de entrega para abril deste ano, reforçando o compromisso com a segurança hídrica e o fortalecimento da produção agrícola na região.
O governador Wanderlei Barbosa ressalta que a aproximação da conclusão reforça o compromisso da sua gestão em entregar resultados concretos, com seriedade e respeito ao cidadão tocantinense. “Estamos acompanhando de perto cada etapa dessa obra, porque sabemos da importância que a Barragem Taboca I tem para a economia, para os produtores e para toda a população da região. O Governo do Tocantins atua com planejamento e responsabilidade, com o propósito de assegurar a segurança hídrica, impulsionar a produção e promover mais qualidade de vida às pessoas. Seguiremos firmes, investindo em infraestrutura que gera desenvolvimento e oportunidades para o nosso estado”, pontua.

Secretário Ubiratan Carvalho realizou visita técnica às obras de recuperação do Eixo 1 da Barragem Taboca I, em Formoso do Araguaia - Ademir dos Anjos/Governo do Tocantins
Nessa quinta-feira, 12, o secretário de Estado das Cidades, Habitação e Desenvolvimento Regional, Ubiratan Carvalho, realizou uma visita técnica ao local, acompanhado da equipe responsável pelos serviços. A agenda integra o monitoramento contínuo determinado pelo governador Wanderlei Barbosa, com foco na qualidade, no cumprimento de prazos e na eficiência dos investimentos públicos.
“Estamos acompanhando de perto cada etapa dessa obra estratégica para o estado. Com a boa evolução dos trabalhos e a atuação técnica das equipes de infraestrutura hídrica, a previsão é concluir e entregar a barragem no início de abril. Trata-se de um investimento fundamental para garantir segurança aos produtores e fortalecer o setor agrícola do Tocantins”, destacou o secretário.
A revitalização da estrutura foi iniciada em julho de 2025 pelo Governo do Tocantins, com investimento de R$ 33,35 milhões, viabilizado por meio de parceria com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf), via emenda parlamentar, além de contrapartida financeira do Estado.
Com cerca de 40 anos de construção, a Barragem Taboca I demandava intervenções para adequação às normas da Política Nacional de Segurança de Barragens. A reestruturação garante maior segurança operacional e assegura o abastecimento de aproximadamente 28 mil hectares irrigáveis na região sudoeste do Tocantins, consolidando o maior polo agrícola irrigado do estado.
Projeto Rio Formoso

As estruturas do Projeto Rio Formoso foram implantadas entre 1979 e 1982, período em que a região ainda integrava o estado de Goiás. Atualmente, o projeto abrange cerca de 28 mil hectares irrigáveis e adota o sistema de irrigação por inundação para o cultivo de arroz no período chuvoso. Durante a estiagem, é utilizado o sistema de subirrigação, destinado principalmente à produção de sementes de soja, além do cultivo de milho, feijão e melancia.
Após mais de quatro décadas de funcionamento, a requalificação promovida pelo Governo do Tocantins assegura a continuidade das atividades produtivas, amplia a capacidade de produção e fortalece a economia regional, reafirmando o papel do Estado como indutor do desenvolvimento sustentável no setor agrícola.
Estadão ouviu especialistas após pesquisa Genial/Quaest mostrar Lula e Flávio Bolsonaro no pelotão da frente e Ratinho Jr. com 8%
Por Pedro Augusto Figueiredo e Bianca Gomes - Estadão
A seis meses do início da campanha eleitoral, especialistas ouvidos pelo Estadão avaliam que a polarização e o voto útil devem emperrar o crescimento de uma candidatura de terceira via capaz de desafiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, tese defendida pelo PSD de Gilberto Kassab (PSD). Por outro lado, a baixa rejeição e o alto desconhecimento dos presidenciáveis da sigla são vistos como pontos que podem levá-los a quebrar a dinâmica eleitoral que se repete desde 2018.
As análises foram feitas sobre os dados apresentados pela pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 11. O levantamento aponta que, no primeiro turno, Lula pontua a partir de 35%, enquanto Flávio parte de 29%. O melhor desempenho da terceira via é o do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), com 8%. Os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), têm 4% no melhor dos cenários.
"A entrada de Flávio Bolsonaro no circuito fez com que a eleição se tornasse polarizada novamente", disse o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino. Para ele, o fato dificulta o estabelecimento de uma terceira via. "Tanto Ratinho como Caiado têm um perfil mais à direita e que por vezes flertam com o bolsonarismo", acrescentou.
Cientista político da FGV, Marco Antônio Teixeira avalia que a foto de momento para uma candidatura alternativa não é boa - Flávio tem 21 pontos de vantagem sobre Ratinho Jr. - e deve piorar com o início do período eleitoral. A tendência é que, com dois candidatos no pelotão da frente, o eleitorado opte pelo voto útil. "Quando a campanha começar, com os atores políticos se dividindo entre os dois principais concorrentes, a tendência é que a terceira via se enfraqueça mais", disse ele.
Mesmo com a desaprovação do governo Lula superando a aprovação, o presidente do instituto Locomotiva, Renato Meirelles, entende que mais do que nomes, falta à terceira via uma narrativa que conquiste os eleitores.
"A pesquisa mostra que quando o eleitor pensa em direita, ele pensa em Bolsonaro. O sobrenome segue organizando a maior fatia desse campo. No meio disso, a terceira via vira aquele produto que fica na prateleira: todo mundo olha, pouca gente leva", afirmou ele.
Ratinho (37%), Caiado (51%) e Leite (55%) têm índices de desconhecimento superiores aos de Lula (4%) e Flávio (9%). A rejeição deles também é menor: 40% dizem que não votariam no paranaense, percentual que é de 35% nos casos do goiano e do gaúcho - Lula é rejeitado por 54% e Flávio, por 55%.
Para o cientista político do Mackenzie, Rodrigo Prando, esses números indicam que há espaço para uma candidatura alternativa. "O Ratinho é desconhecido em outras regiões do Brasil e o pai, por ser um apresentador popular, tem penetração nas regiões do Nordeste", disse ele.
"As rejeições menores dos candidatos do PSD dão margem para trabalhar a imagem deles. A pesquisa está longe de ser um balde de água fria para este campo", acrescenta.
Do ponto de vista de estratégia política, Prando levanta a hipótese de que uma chapa pura do PSD, encabeçada por Ratinho com Leite como vice e Caiado como uma espécie de "superministro" da Segurança Pública, tem potencial para chegar a cerca de 15% dos votos. "Pode ser que, ganhando espaço e com a força do PSD nas prefeituras, a gente tenha uma modificação do cenário [eleitoral]", concluiu ele.
Independentemente do resultado das eleições, há um consenso de que Kassab está bem posicionado para a disputa: se conseguir levar o candidato do PSD ao segundo turno, tem potencial para ganhar de Lula ou Flávio. Caso contrário, será o fiel da balança que pode definir o vencedor.
"O Kassab vai ter para o segundo turno a importância que a Tebet teve na última eleição", diz Teixeira, da FGV. Para Consentino, do Insper, como a eleição tende a ser polarizada, os votos de centro tornam-se cruciais. "É justamente essa pequena fração, que não é nem bolsonarismo nem lulismo, que está localizada num espectro muito parecido com esse candidato do PSD, como foram os votos da Tebet em 2022", disse.
Kassab rechaçou na quarta-feira a possibilidade de indicar o vice de Lula como noticiado pela imprensa e disse que seu partido mantém o plano de ter candidato próprio. Ele minimizou os resultados das pesquisas neste momento. "Eu participo de eleições há 40 anos. É um retrato do momento onde os candidatos não estão definidos, os partidos também não. Mas as pesquisas são verdadeiras, retratam o momento", declarou sobre a Genial/Quaest.
Operação investiga supostos crimes contra o sistema financeiro envolvendo investimentos no Banco Master com recursos do Rioprevidência
POR DIEGO FELIX E LEONARDO VIECELI
Um dos alvos da Operação Barco de Papel jogou uma mala com dinheiro pela janela do apartamento em Balneário Camboriú (SC) na manhã desta quarta-feira (11) durante a busca e apreensão, segundo agentes da PF (Polícia Federal). No total, foram apreendidos R$ 429 mil em espécie só com dinheiro da mala.
A mala foi jogada assim que os agentes chegaram ao imóvel, segundo a equipe que participou da ação. Os policiais também recolheram dois veículos de luxo e dois smartphones.
A operação investiga supostos crimes contra o sistema financeiro envolvendo investimentos no Banco Master com recursos do Rioprevidência, o fundo responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro.
A assessoria de imprensa da PF no Rio de Janeiro disse que os nomes dos alvos da operação não serão divulgados, mas a Folha apurou que se trata do ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes. Procurada, a defesa dele disse que está averiguando a situação.
Ex-agentes da Rioprevidência são suspeitos de favorecer o Banco Master na aquisição de letras financeiras, títulos de renda fixa que não contam com garantia do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, com base em indícios de obstrução de investigações e ocultação de provas.
Deivis foi preso no dia 3 de fevereiro, em Itatiaia (RJ), na segunda fase da Operação Barco de Papel. Na ocasião, a Polícia Federal disse que identificou suspeitas de retirada de documentos de apartamento do investigado e de manipulação de provas digitais, além da transferência de dois veículos de luxo para terceiros.
Regimes próprios de previdência de 18 estados e municípios têm R$ 1,86 bilhão aplicados em letras financeiras do Banco Master
Com CNN Brasil
Regimes de previdência próprios de estados e municípios expostos ao Banco Master podem levar a perdas de quase R$ 2 bilhões, segundo dados do Ministério da Previdência. Ao todo são 18 entes que fizeram aportes em letras financeiras emitidas pelo banco por meio de RPPS (Regime Próprio de Previdência Social).
O montante exposto à liquidez do Master é de R$ 1,86 bilhões. Somente no Rio de Janeiro, a RPPS responsável pelo pagamento de aposentadoria e pensões aos servidores do estado tem aplicado quase a metade do total: R$ 970 milhões.
Veja abaixo a lista completa
Angélica (MS): R$ 2 milhões
Aparecida de Goiânia (GO): R$ 40 milhões
Araras (SP): R$ 29 milhões
Cajamar (SP): R$ 87 milhões
Campo Grande (MS): R$ 1,2 milhão
Congonhas (MG): R$ 14 milhões
Estado do Amapá (AP): R$ 400 milhões
Estado do Amazonas (AM): R$ 50 milhões
Estado do Rio de Janeiro (RJ): R$ 970 milhões
Fátima do Sul (MS): R$ 7 milhões
Itaguaí (RJ): R$ 59,6 milhões
Jateí (MS): R$ 2,5 milhões
Maceió (AL): R$ 97 milhões
Paulista (PE): R$ 3 milhões
Santa Rita D'Oeste (SP): R$ 2 milhões
Santo Antônio de Posse (SP): R$ 7 milhões
São Gabriel do Oeste (MS): R$ 3 milhões
São Roque (SP): R$ 93,15 milhões
O BC (Banco Central) decretou na última terça-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Master, em razão da "grave crise de liquidez" e das "graves violações" às normas do sistema financeiro pela instituição, segundo a autoridade monetária.
De acordo com informações da autarquia, atualizadas em março de 2025, o patrimônio líquido do Banco Master é de R$ 3,214 bilhões. A instituição possuía, no mesmo período, R$ 86,4 bilhões em ativos e R$ 83,2 bilhões em passivo.
Na terça (18), a PF (Polícia Federal) cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.
Houve ainda ordem de bloqueio em contas em R$ 12,2 bilhões, além de apreensões de diversos carros de luxo, obras de arte e relógios.
O que são os RPPS
Os regimes de previdência são fundos de pensão para servidores públicos de um estado ou município, destinados a complementar a aposentadoria oficial e garantir o pagamento de benefícios previdenciários aos servidores efetivos ativos e inativos.
Segundo o regulamento do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), créditos vinculados a esses fundos não são cobertos pelo FGC.
Nesses casos, os investidores só conseguirão saber quanto será possível resgatar das aplicações durante o processo de liquidação dos ativos, procedimento que costuma se arrastar por anos.
O FGC não cobre o RPPS porque sua proteção se limita a depósitos e créditos do sistema financeiro privado, enquanto o RPPS é um regime público de previdência, com regras próprias e fiscalizado por órgãos como o Ministério da Previdência e tribunais de contas
Um dos fundos é o Rioprevidência, dos servidores do Rio de Janeiro. O valor aplicado pelo órgão foi de aproximadamente R$ 960 milhões, em Letras Financeiras emitidas pela instituição entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimentos previstos para 2033 e 2034.
Atualmente, a autarquia declarou que está em negociação para “substituir as letras por precatórios federais”, afirmando que nenhum aposentado será prejudicado.
“O Rioprevidência ressalta ainda que o pagamento de aposentadorias e pensões está garantido, não havendo qualquer risco para os segurados do Estado do Rio de Janeiro. Cabe destacar ainda que o valor investido junto à instituição é inferior ao da folha mensal paga pela autarquia aos aposentados e pensionistas, hoje em R$ 1,9 bilhão, custeada em grande parte pela receita de royalties e participações especiais”, destacou o órgão.
Com 35 pontos e 107ª posição, país permanece bem abaixo da média mundial (42), segundo avaliação anual da Transparência Internacional
Publicado por Transparência Internacional - Brasil
Em 2025, Brasil repetiu a segunda pior nota (35 pontos, numa escala de 0 a 100) da série histórica e continuou na 107ª posição, entre 182 países e territórios avaliados no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), elaborado pela Transparência Internacional. Em relação a 2024, o Brasil subiu um ponto, variação estatisticamente insignificante, o que indica estagnação.
Divulgado nesta terça-feira (10), o IPC é o principal indicador da corrupção no mundo. Em sua escala, quanto menor a nota, maior é a percepção de corrupção. Nesta edição, o índice avaliou a percepção da corrupção em 182 países e territórios, com base em até 13 indicadores independentes que avaliam a percepção de especialistas, pesquisadores e executivos sobre comportamentos corruptos no serviço público e mecanismos de prevenção da corrupção. No caso do Brasil, foram considerados oito indicadores, como no ano anterior. Detalhes sobre a composição do índice podem ser conferidos em sua nota metodológica.
O IPC é publicado anualmente desde 1995, mas, a partir de 2012, uma reforma metodológica permitiu a análise em série histórica, ou seja, comparar ano a ano os resultados dos países. Na série histórica, o Brasil pontuou melhor em 2012 e 2014 (com 43 pontos), em 2013 (42 pontos) e 2016 (40 pontos). As piores pontuações do país foram registradas em 2024 (34 pontos), 2018 e 2019 (35 pontos), e em 2023 (36 pontos). Desde 2015, o Brasil esteve estagnado abaixo da média global dos países.
O IPC 2025 posiciona o Brasil abaixo da média das Américas (42 pontos) e da média dos 182 países (42 pontos). Os melhores classificados em 2025 foram Dinamarca (com 89 pontos), Finlândia (88 pontos) e Cingapura (84 pontos). Os piores foram Somália e Sudão do Sul (ambos com apenas 9 pontos) e Venezuela (com 10 pontos).
Pontuaram próximos ao Brasil: Sri Lanka (também com 35 pontos); Argentina, Belize e Ucrânia (36 pontos, um a mais que o Brasil); e Argélia, Bósnia e Herzegovina, Indonésia, Laos, Malawi, Nepal e Serra Leoa (todos com 34 pontos, um a menos que o Brasil).
Em 2025, dois novos países — Brunei e Belize — foram incluídos no ranking do IPC, ambos posicionados acima do Brasil.
“Embora o Brasil tenha chamado a atenção internacional em 2025, pela resposta firme e histórica do Supremo Tribunal Federal na responsabilização do ex-presidente Bolsonaro e outros conspiradores que atentaram contra a democracia, também chocou o mundo com casos de macrocorrupção em escala inédita, como INSS e Master, impunidade generalizada mesmo para corruptos confessos e condutas desmoralizantes de ministros do próprio STF. A corrupção também corrói profundamente a democracia e o Brasil precisa, urgentemente, resgatar e priorizar o enfrentamento deste problema”, comenta o diretor executivo da Transparência Internacional – Brasil, Bruno Brandão.
RETROSPECTIVA 2025
Em paralelo ao IPC, a Transparência Internacional – Brasil lança o relatório Retrospectiva 2025, uma análise independente dos principais avanços e retrocessos do país no enfrentamento à corrupção ao longo do último ano. A publicação destaca o agravamento da infiltração do crime organizado no Estado brasileiro e do aliciamento de autoridades públicas, revelado por uma sucessão de casos de grande impacto que expuseram vulnerabilidades profundas em duas áreas da economia formal: o sistema financeiro e a advocacia.
Do início ao fim, 2025 foi marcado por escândalos de macrocorrupção, alguns em escala inédita. O ano começou com os desdobramentos das operações Sisamnes — que apurou comércio de sentenças no STJ por suspeitos internos, advogados e lobistas — e Overclean, que investigou desvios de emendas, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro por meio de contratos públicos envolvendo lideranças partidárias e operando em pelo menos cinco estados. Deflagradas no final de 2024, ambas seguiram produzindo fases e revelações relevantes ao longo de 2025.
Em abril, veio à tona a Operação Sem Desconto, que expôs o maior esquema de corrupção previdenciária da história — atingindo centenas de milhares de aposentados e pensionistas e revelando falhas graves de governança no INSS. Em agosto, a Operação Carbono Oculto, liderada pela Receita Federal e pelo GAECO-SP, revelou um sistema estruturado de sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro por facções criminosas, infiltrado em fintechs, fundos de investimento, postos e distribuidoras de combustíveis. Em novembro, a Operação Compliance Zero (caso Master) escancarou a maior fraude bancária já registrada no país.

A Carbono Oculto merece destaque. Reconhecida como a maior operação contra o crime organizado da história recente, ela marcou uma mudança de paradigma ao priorizar a inteligência financeira da autoridade tributária e a interoperabilidade entre órgãos — abordagem considerada internacionalmente alinhada aos métodos mais eficazes. O contraste com episódios de ação policial bélica com resultados trágicos, como a chacina no Complexo do Alemão de outubro, reforça a importância de uma estratégia baseada em cruzamento de dados financeiros e coordenação interinstitucional.
Por outro lado, o governo federal falhou gravemente na resposta ao escândalo do INSS. As reformas vieram tardiamente e a substituição do ministro da Previdência por um aliado político direto gerou críticas adicionais. As investigações mostraram ainda continuidade do esquema entre gestões, com envolvimento de atores de alto escalão nos governos Temer, Bolsonaro e Lula.
No Legislativo, 2025 consolidou o movimento de captura orçamentária, com crescimento voraz das emendas parlamentares, que mais uma vez bateram recordes e já ultrapassarão R$ 60 bilhões no orçamento aprovado para 2026. A prática se disseminou também por assembleias estaduais e câmaras municipais, como evidenciado por estudo da Transparência Internacional – Brasil que subsidiou decisão do ministro Flávio Dino para estender regras de transparência e controle aos governos subnacionais.
Se o caso Master revelou uma rede poderosa de influência perpassando os três Poderes, foi no Judiciário — em especial no STF — que seus tentáculos se mostraram mais audaciosos. Tornou-se público um contrato ainda inexplicado de R$ 129 milhões entre o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o banco fraudador de Daniel Vorcaro — cifra muito acima de padrões nacionais e internacionais de honorários, incluindo bancas globais envolvidas em litígios transnacionais.

As investigações do caso foram avocadas pelo ministro Dias Toffoli, que imediatamente decretou sigilo máximo e passou a exercer ingerência anômala sobre diligências. Pouco depois, veio à tona que o ministro havia viajado em um jato particular com o advogado do diretor de compliance do Master, alvo da Compliance Zero. Na virada do ano, surgiram revelações ainda mais graves envolvendo negócios imobiliários sem lastro aparente da família Toffoli, com aportes de indivíduos ligados ao Master e à JBS — empresa que já se beneficiou de decisões do próprio ministro.
O relatório da Transparência Internacional – Brasil recomenda investigações independentes, por parte da PGR e do Senado Federal, sobre os fatos relacionados aos dois ministros.
A Retrospectiva 2025 também identifica duas oportunidades para que o Brasil retome a agenda anticorrupção:
a mobilização social que barrou a chamada PEC da Blindagem, demonstrando capacidade de reação da sociedade, com possível superação da polarização; e
a rara e breve coincidência de juízas e juízes de reputação sólida e perfil reformista no comando dos cinco tribunais superiores.
Com apoio social e coordenação institucional, essa conjuntura pode abrir espaço para a aprovação de um Código de Conduta na cúpula do sistema de Justiça, mas avançando para um movimento mais duradouro de transformação das práticas e cultura jurídica no Brasil.
IPC E RETROSPECTIVA 2025
A Retrospectiva 2025 é um relatório qualitativo produzido pela Transparência Internacional – Brasil e lançado tradicionalmente no mesmo dia da divulgação global do Índice de Percepção da Corrupção. A coincidência de datas visa ampliar o debate público sobre integridade e oferecer contexto e análise técnica sobre o ano anterior.
No entanto, é importante destacar que o conteúdo da retrospectiva não guarda relação causal necessária com o resultado do IPC. O índice é compilado pelo Secretariado global da Transparência Internacional com base em fontes primárias independentes, sobre as quais não há qualquer influência da Transparência Internacional – Brasil.
As análises e a seleção de fatos apresentados na retrospectiva são de inteira responsabilidade da equipe técnica da Transparência Internacional – Brasil, a partir de pesquisa e consulta com os principais órgãos de controle. O relatório tem como objetivo contribuir para uma reflexão qualificada sobre os avanços e retrocessos do país no enfrentamento à corrupção.