Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
A eleição para o Senado no Tocantins começa a revelar uma fotografia bastante evidente em um ponto e profundamente indefinida em outro. O senador Eduardo Gomes, candidato à reeleição pelo PL, aparece na liderança dos principais levantamentos divulgados no fim de agosto. Logo abaixo, começa uma verdadeira guerra eleitoral.
A segunda vaga está embolada e embolada de verdade.
Pesquisa após pesquisa mostra um grupo numeroso de candidatos disputando um eleitorado ainda aberto, numa eleição em que cada tocantinense poderá votar em dois nomes para o Senado. O Real Time Big Data colocou Eduardo Gomes com 26%, Alexandre Guimarães com 18%, Gaguim com 10%, Vanderlei Luxemburgo com 9%, Ronaldo Dimas com 8% e Eli Borges com 7%.

Na Quaest, Eduardo Gomes apareceu com 14%, Gaguim com 13%, Paulo Mourão com 9% e Alexandre Guimarães com 8%, considerando a soma das respostas para as duas vagas. O mesmo levantamento registrou 24% de indecisos.
Já a Paraná Pesquisas mostrou Eduardo Gomes com 35,1%, Alexandre Guimarães com 21,6%, Gaguim com 20,8%, Ronaldo Dimas com 16%, Vanderlei Luxemburgo com 15%, Eli Borges com 14,2% e Paulo Mourão com 14%.
De acordo com as pesquisas, Gomes ocupa hoje uma posição mais confortável, no entanto a segunda vaga está completamente em disputa.
69%: O NÚMERO QUE DEVERIA TIRAR O SONO DOS CANDIDATOS
Há um dado da Paraná Pesquisas que talvez seja ainda mais importante que a classificação dos candidatos. Na pesquisa espontânea para o Senado, 69% dos entrevistados disseram não saber ou não opinaram. Isso não significa que 69% necessariamente permanecerão indecisos até a urna, nem que todos estejam disponíveis da mesma maneira para qualquer candidato. Porém, existe um enorme espaço para construção de voto. E essa característica torna precipitada qualquer tentativa de decretar antecipadamente quem ocupará a segunda cadeira do Tocantins no Senado.
Nesta eleição, candidato que se considerar eleito antes do tempo poderá acordar tarde demais. E candidato que se considerar derrotado pelas primeiras pesquisas também pode estar cometendo o mesmo erro.
ALEXANDRE E GAGUIM ESTÃO NA LINHA DE FRENTE

Entre os postulantes à segunda cadeira, Alexandre Guimarães e Carlos Gaguim aparecem hoje em posições especialmente competitivas. Alexandre possui posição competitiva, mas Gaguim também. Mas atrás deles existem candidatos com potencial para crescer e apenas alguns pontos percentuais podem mudar completamente a ordem dessa corrida.
LUXEMBURGO ENCONTROU UM PALANQUE

Vanderlei Luxemburgo tomou uma decisão política importante na última semana de agosto. Candidato ao Senado pelo Podemos, ele anunciou apoio à candidatura de Vicentinho Júnior ao Governo do Estado e passou a compor politicamente o mesmo campo de Vicentinho, Amélio Cayres e Alexandre Guimarães.
Vicentinho declarou apoio a Luxemburgo como seu segundo nome ao Senado, ao lado de Alexandre. Isso cria uma situação eleitoral interessante. Alexandre e Luxemburgo passam a pedir votos dentro do mesmo palanque majoritário, numa eleição em que o eleitor possui justamente duas escolhas para senador.
Em tese, um pode ajudar o outro. Se essa dobradinha funcionará nas ruas é outra história. Hoje, Luxemburgo não está liderando a disputa pela segunda vaga, mas também está longe de poder ser descartado.
RONALDO DIMAS NÃO PODE SER SUBESTIMADO

O mesmo vale para Ronaldo Dimas. Ex-prefeito de Araguaína por dois mandatos e ex-deputado federal, Dimas disputa o Senado pelo Podemos e possui uma base política particularmente importante no Norte do Tocantins.
Araguaína será naturalmente uma das vitrines de sua candidatura. Dimas precisa agora transformar reconhecimento regional em expansão estadual. Se conseguir sair forte de Araguaína, ampliar presença no Bico do Papagaio e avançar sobre Palmas e a região Sul, poderá melhorar sua posição.
O CASO ELI BORGES

É neste cenário que aparece um dos assuntos mais comentados nos bastidores da base governista: a situação do deputado federal e candidato ao Senado Eli Borges.
O Republicanos homologou oficialmente sua candidatura ao Senado em convenção realizada no início de agosto, juntamente com o apoio do partido à candidatura de Professora Dorinha ao Governo. A legenda é presidida no Tocantins pelo governador Wanderlei Barbosa.
Segundo interlocutores ouvidos reservadamente pelo Observatório Político de O Paralelo 13, existe descontentamento entre aliados de Eli com a multiplicidade de candidaturas ao Senado existentes dentro do amplo arco político relacionado ao grupo governista.
O ponto central seria uma expectativa de maior protagonismo para sua candidatura. Aqui, porém, é preciso distinguir o que é fato do que é bastidor. O fato é que Eli Borges teve sua candidatura homologada. O relato de que teria recebido anteriormente promessa de apoio político prioritário é uma versão atribuída a seus interlocutores e precisa ser tratada exatamente dessa maneira.
“O GOVERNADOR FOI ATÉ ONDE PODIA”, DIZ FONTE PALACIANA

Um integrante de alta influência no grupo governista, ouvido sob condição de anonimato pelo Observatório Político, apresenta outra leitura. Segundo ele, Wanderlei Barbosa teria cumprido o compromisso político assumido com Eli Borges ao viabilizar espaço partidário e apoiar a homologação de sua candidatura. Na avaliação dessa fonte, isso não significaria exclusividade. “O governador tem seus limites como líder de um grupo formado por vários partidos e várias lideranças. Eli teve sua vaga, foi homologado em convenção. Bancar sozinho sua campanha, garantir eleição ou exclusividade nunca teria feito parte do acordo”, resumiu o interlocutor ao Observatório.
Essa é a versão palaciana. Do outro lado, aliados de Eli demonstrariam expectativa de maior envolvimento político. É daí que nasce a tensão.
Na política, nem todo movimento significa rompimento. Ás vezes é pressão, recadou ou apenas uma maneira de melhorar posição dentro do próprio grupo. Resta saber se estamos diante de uma movimentação real, capaz de produzir consequência eleitoral, ou apenas diante de uma negociação típica de reta final de campanha.
A pergunta cabe: é rastro de onça ou pegada de coelho? Setembro responderá!
ELI TEM UM PATRIMÔNIO QUE NÃO PODE SER IGNORADO
Também seria erro tratar Eli Borges como candidatura sem importância. O deputado possui trajetória política consolidada, eleitorado próprio e forte inserção no segmento evangélico. Sua história passa por mandatos de vereador, deputado estadual e deputado federal.
Há igrejas, pastores, lideranças e eleitores que acompanham sua trajetória há anos, especialmente em centros importantes como Palmas e Araguaína, além de municípios do interior. Esse eleitorado fidelizado representa um patrimônio político real.
Ao mesmo tempo, as pesquisas mostram o desafio que ele enfrenta numa disputa majoritária com adversários que possuem estruturas eleitorais robustas e bases regionais consolidadas. Eli não está fora do jogo, mas precisa crescer!
Existe ainda outra pergunta importante. Caso Eli Borges, por decisão própria, deixasse a disputa, seus votos não seriam automaticamente transferidos para outro candidato. Nenhum político é proprietário dos votos de seus eleitores. Entretanto, é razoável considerar que sua orientação teria alguma influência sobre uma parcela de seu grupo político e religioso.
Quanto? Somente as urnas ou novas pesquisas poderiam medir.
Se um movimento dessa natureza viesse realmente a acontecer, seria necessário observar também a reação de seus pastores aliados, lideranças partidárias e eleitores tradicionais.
Porque uma coisa é a decisão do candidato. Outra é saber se toda a base o acompanha.
PAULO MOURÃO TAMBÉM ESTÁ NO JOGO

Não se pode fazer uma análise completa dessa segunda vaga e esquecer Paulo Mourão. Mourão ocupa outro campo político e possui sua própria base eleitoral. Em uma corrida tão fragmentada, qualquer candidato situado nessa faixa pode crescer com uma combinação de voto regional, palanque, estrutura, comunicação e desempenho nas últimas semanas.
A segunda vaga não pertence antecipadamente a ninguém.
NÃO EXISTE “ANDAR DE BAIXO” SEM FORÇA
Se Eduardo Gomes aparece isolado numericamente na liderança dos levantamentos, o chamado “andar de baixo” não deve ser interpretado como um conjunto de candidaturas menores ou irrelevantes. É exatamente ali que está acontecendo a disputa mais interessante desta eleição.
Alexandre Guimarães tem uma estrutura, Gaguim tem outra. Dimas possui Araguaína e sua trajetória administrativa como ativos. Luxemburgo tenta transformar notoriedade nacional e novo palanque político em voto. Eli Borges possui eleitorado religioso fidelizado. Paulo Mourão conta com uma trajetória política e campo ideológico definido.
Todos têm problemas. Todos têm vantagens. E todos têm pouco tempo.
OS PRÓXIMOS DIAS

Ainda é cedo para saber quem chegará às urnas como principal adversário de Eduardo Gomes na disputa pelas duas cadeiras. Mas as próximas rodadas de pesquisas deverão mostrar quem conseguiu aproveitar setembro.
Quem cresceu, quem parou, quem perdeu espaço, ou quem conseguiu transformar palanque em voto e acertou na comunicação. A campanha está na rua, é hora de gastar a sola do sapato, pedir foto e sobretudo olhar o eleitor no olho.
A SEGUNDA VAGA NÃO TEM DONO
O Observatório Político de O Paralelo 13 mantém a avaliação apresentada nas últimas análises: Eduardo Gomes começa setembro em posição de liderança nas pesquisas. Isso não significa eleição antecipada e abaixo dele existe uma disputa ainda mais imprevisível. São candidatos diferentes, com estruturas diferentes, estratégias e eleitorados diferentes.
Os próximos dias separarão potencial de realidade.
E, quando o eleitor entrar na cabine de votação para escolher seus dois candidatos ao Senado, não haverá acordo de bastidor, fotografia de pesquisa ou promessa de liderança capaz de substituir o único resultado que realmente importa: o voto.
A retirada de sigilo da investigação nesta terça-feira (1º) , por decisão do ministro André Mendonça, aponta que, dias antes de ser preso pela PF, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país
DO FOLHAPRESS
Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a favor do ex-banqueiro e colocaram os órgãos da cúpula do Judiciário em uma crise inédita.
A retirada de sigilo da investigação nesta terça-feira (1º) , por decisão do ministro André Mendonça, aponta que, dias antes de ser preso pela PF, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país. O conteúdo revela ainda que o dono do Master, atualmente preso, pediu encontros com o magistrado para tratar dos negócios que o tornaram alvo de investigação por fraude bancária bilionária -e que eles se encontraram pelo menos seis vezes.
As informações em poder da PF mostram também que Moraes fez edições no contrato de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Master, antes de o documento ser assinado. Procurado pela reportagem, o ministro não se manifestou.
Além de acirrar uma guerra interna dentro do STF e de mobilizar a oposição pelo impeachment de Moraes, as revelações geraram reação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, também citado nas conversas. Ele pediu a anulação do relatório da PF e disse que Mendonça “se valeu da polícia” para “impor a investigação” de Moraes, exercendo “atividades que não lhe foram assinaladas”.
Mendonça solicitou ao presidente do STF, Edson Fachin, para que seja marcada sessão presencial do plenário do STF para debater as mensagens. Ele havia pedido que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifestasse sobre o caso, no qual aparecem também mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor a atuação de “Andrei e Paulo” a seu favor -as referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet.
Vorcaro foi preso pela PF no dia 17 de novembro de 2025, quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta. Documentos mostram que no dia 14 ele pergunta a Moraes se está “marcado amanhã lá em casa” ou se “prefere deixar para semana que vem”. Minutos depois, confirma: “Vou chegar 14:30 ok! La em casa marcado”.
Na noite do dia 15 de novembro, dois dias antes de ser preso, o ex-banqueiro pede um encontro com Moraes que “pode ser bem rápido”. “As 14 então. Passo na sua casa ou na minha?”, completa.
Na ocasião, um sábado, Vorcaro envia a Moraes a mensagem: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, questionando sobre a necessidade de sair do país. No dia seguinte, 16, um domingo, avisa: “Já estou em voo, vou pousar 14:20 e irei direto praí, tudo bem?”
As trocas de mensagem sobre os encontros aconteceram simultaneamente a outras mensagens, nas quais Vorcaro questionava Moraes sobre o andamento do processo contra ele e o Master.
Durante as trocas, o dono do Master pergunta diversas vezes sobre as apurações contra ele, se mostra indignado e diz que está tentando resolver todas as pendências para evitar problemas.
As conversas entre Vorcaro e Moraes constam de material apreendido no celular do ex-banqueiro. Vorcaro costumava mandar mensagens em visualização única, que somem logo após serem lidas, e fazia isso enviando prints de textos anotados no bloco de notas do celular. A PF foi capaz de recuperar o conteúdo.
O relatório produzido mostra ainda que Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações de Jair Bolsonaro (PL), intermediou o contato entre Vorcaro e Moraes. De acordo com o material, Faria repassou os números de telefone de Moraes a Vorcaro, no final de 2023, por meio do aplicativo WhatsApp, que foi salvo logo em seguida em sua agenda.
Logo em seguida, Faria encaminhou mensagem ao dono do Master mencionando “Alex” e “almoço no dia 30”. A PF registrou também que, no mês seguinte, o ex-ministro de Bolsonaro perguntou a Vorcaro se ele poderia falar, pois iria conversar com interlocutor não nominado no diálogo, ao qual se refere por meio do emoji de “homem careca”.
No mesmo dia, ele perguntou se Vorcaro “respondeu a Vivi”. Dois dias depois, em 17 de janeiro de 2024, o contato “Vivi Moraes” retornou com a versão final do contrato firmado entre o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, com o dono do Master.
O acordo teve a sua última modificação feita pelo usuário “Ministro Alexandre de Moraes”, em 15 de janeiro de 2024, conforme metadados do documento.
Em outra mensagem, Faria enviou mensagem a Vorcaro informando que havia confirmado jantar com “o Careca” para o início de fevereiro. Já em março de 2024, foi pedido um outro encontro por ele a Moraes, que respondeu que não conseguia jantar, mas teria tempo “de tomar um whisky”.
Em nota, Faria disse que sugeriu o escritório Barci de Moraes para atuação em um caso na Justiça de São Paulo, que não se reuniu em nenhum momento com a banca e “sequer tomou conhecimento dos valores contratados entre as partes”.
A investigação da PF mostra que a transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como pagamento por um segundo contrato com o escritório de Viviane Barci de Moraes.
O contrato de R$ 50 milhões previa quitar R$ 40 milhões com a transferência de cotas das duas aeronaves. Outros R$ 10 milhões seriam acertados como reembolso das despesas envolvidas nos voos, segundo uma minuta de contrato.
Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes disse que assinou apenas um primeiro contrato, de cerca de R$ 130 milhões, com o Master e nega “transferência ou substituição do contrato”. Diz ainda que a proposta de Vorcaro não foi aceita e que “nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição”.
SENADO E CAMPANHA ELEITORAL

No Senado, responsável por sabatinar e votar a indicação de nomes ao Supremo, a oposição subiu o tom nas cobranças pelo impeachment de Moraes, embora admita poucos efeitos práticos, diante da falta de votos e de apoio do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Reservadamente, dois aliados de Alcolumbre dizem não ver qualquer mudança de postura por parte dele, a partir das novas informações sobre a relação entre o ministro e o ex-banqueiro.
O candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL) defendeu que o ministro renuncie ao cargo e cobrou explicações -apesar de, ele próprio, evitar responder sobre sua relação com Vorcaro. O ex-banqueiro financiou o filme “Dark Horse”, que contará a história de seu pai.
Aliados de Lula (PT), por sua vez, minimizaram o risco de abalos à candidatura à reeleição do petista, afirmando que Flávio, seu principal oponente, é quem será afetado pelos avanços das investigações do caso Master, especialmente em decorrência do escândalo “Dark Horse”.
Procurador-geral sustenta que André Mendonça ultrapassou os limites da atuação de um relator ao determinar aprofundamento da apuração sem provocação do Ministério Público ou da Polícia Federal
Com Estadão
Uma disputa sobre até onde um ministro do Supremo pode avançar em uma investigação abriu uma nova frente no caso Banco Master. Paulo Gonet quer retirar dos autos um relatório da Polícia Federal produzido a partir das mensagens de Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira, que trouxe detalhes sobre contatos e referências envolvendo Alexandre de Moraes e o próprio procurador-geral da República.
No centro da controvérsia está uma determinação de André Mendonça. Relator das investigações no STF, o ministro mandou a PF descobrir quem estava por trás de determinadas mensagens de Vorcaro. Para o chefe da PGR, porém, havia um obstáculo fundamental: nem o Ministério Público nem os investigadores haviam solicitado aquela diligência. Gonet sustenta que Mendonça tomou a iniciativa de aprofundar a apuração e, dessa forma, extrapolou os limites atribuídos ao magistrado.
Mesmo a descoberta acidental de indícios contra um integrante da Corte não autorizaria, na avaliação do procurador-geral, uma investigação conduzida dessa maneira. Caso considerasse o material suspeito, Mendonça deveria ter levado a situação ao presidente do STF, permitindo que o plenário decidisse se havia fundamento para avançar. “Não caberia a ele determinar que se investigassem com mais detimento referências ao Colega”, argumentou Gonet.
Essa interpretação pode atingir diretamente o trabalho já realizado pela Polícia Federal. Se a ordem que deu origem às diligências for considerada inválida, o procurador-geral entende que o relatório produzido posteriormente também perde validade. Por essa lógica, as informações levantadas sobre as mensagens de Vorcaro não poderiam continuar sendo utilizadas nessa frente investigativa.
O embate ocorre em mais um momento delicado das investigações sobre o Banco Master. André Mendonça recebeu a relatoria dos processos após Dias Toffoli deixar o caso, em fevereiro. Na ocasião, integrantes do Supremo divulgaram uma manifestação conjunta na qual reconheceram a validade dos atos praticados pelo antigo relator antes de sua saída.
Além de afastar o relatório, Gonet quer que essa parte do caso seja encerrada. A manifestação da PGR, entretanto, não anula automaticamente o documento nem extingue a investigação. O pedido ainda precisa ser analisado pelo Supremo, que terá de decidir se Mendonça ultrapassou suas atribuições e se as provas produzidas a partir de sua determinação podem permanecer nos autos.
Da Assessoria
O Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) nomeou, nesta terça-feira (1º/9), 15 candidatos e candidatas aprovados(as) no VI Concurso Público para o cargo de juiz de Direito substituto. A posse coletiva está marcada para o dia 15 de setembro de 2026, às 14h30, no edifício-sede do Tribunal, em Palmas.
As nomeações constam no Decreto Judiciário nº 726/2026, assinado pela presidente do TJTO, desembargadora Maysa Vendramini Rosal, e publicado no Diário da Justiça desta terça-feira. Os(as) nomeados(as) devem cumprir os procedimentos estabelecidos no documento para garantir o ingresso na magistratura tocantinense.
Para a posse e o início do exercício, os(as) novos(as) magistrados(as) precisam apresentar a documentação exigida, realizar os exames clínicos e laboratoriais previstos e passar por perícia médica presencial da Junta Médica Oficial do Poder Judiciário do Tocantins.
A relação inclui ficha cadastral, declarações funcionais, documentos pessoais, diploma de bacharel em Direito, certidões negativas, declaração de bens e rendimentos, comprovantes previdenciários e uma foto 3x4 recente.
Os exames clínicos e laboratoriais devem ter emissão de, no máximo, 30 dias antes da data de apresentação. Após o envio completo dos documentos e exames, a Junta Médica Oficial agendará a avaliação de aptidão.
Os(as) nomeados(as) devem consultar, no Anexo I do decreto, a relação completa dos documentos, exames e demais orientações para a posse.
Marco para o Judiciário
Homologado pelo Tribunal Pleno no dia 20 de agosto, por meio do Edital nº 447/2026, o concurso representa um marco para o Judiciário tocantinense, que não promovia uma seleção para ingresso na magistratura havia 19 anos.
Sob responsabilidade da Fundação Getulio Vargas (FGV), o certame seguiu as regras da Resolução nº 75/2009 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A seleção compreendeu prova objetiva, provas escritas, inscrição definitiva, sindicância da vida pregressa, exames de saúde, avaliação psicológica, prova oral e análise de títulos.
A nomeação dos 15 aprovados considera o quantitativo legal estabelecido pela Lei Complementar Estadual nº 153/2024 para o cargo inicial de juiz substituto. A Diretoria de Gestão de Pessoas também confirmou a inexistência de impedimentos judiciais relacionados aos candidatos.
Confira a lista dos nomeados
Lucas Chaves de Andrade Passo – 1º lugar na ampla concorrência;
Gabriela Lopes Cirelli – 2º lugar na ampla concorrência;
João Vitor Ribeiro Barbosa – 1º lugar entre candidatos negros ou pardos e 6º na ampla concorrência;
Vanessa Cristina Dal Bosco – 3º lugar na ampla concorrência;
Jáder Melquíades de Araújo – 1º lugar entre pessoas com deficiência e 33º na ampla concorrência;
Pedro Henrique Fernandes Barros – 4º lugar na ampla concorrência;
João Gabriel Fumian Novis de Souza – 5º lugar na ampla concorrência;
Israel Andrade Alves – 2º lugar entre candidatos negros ou pardos e 8º na ampla concorrência;
Paula Carvalho Coutinho – 7º lugar na ampla concorrência;
Ivie Sampaio Pires – 9º lugar na ampla concorrência;
Wander Filho Nunes de Resende – 10º lugar na ampla concorrência;
Keversonn Jannio Alves e Silva – 11º lugar na ampla concorrência;
Wiliam Silva Leopoldino Resende – 3º lugar entre candidatos negros ou pardos e 45º na ampla concorrência;
Mikael de Oliveira Waiss – 12º lugar na ampla concorrência;
Marco Aurélio Benevenuto Kromberg – 13º lugar na ampla concorrência.
Da Redação
O elevado endividamento das famílias, as dificuldades enfrentadas pelo comércio e pelas empresas, a reforma tributária e o tamanho da máquina pública deverão impor grandes desafios aos governantes que assumirem seus mandatos em 2027. A avaliação é do empresário Ernani Soares Siqueira, uma das tradicionais lideranças empresariais do Tocantins.
Em entrevista ao O Paralelo 13, Ernani defendeu que o próximo governador ou governadora do Tocantins coloque o desenvolvimento econômico no centro da administração e tenha coragem para adotar medidas que, em sua avaliação, poderão até ser impopulares.
Com décadas de experiência no comércio e passagem por algumas das principais entidades empresariais do Estado, Ernani demonstra especial preocupação com o comprometimento da renda das famílias e seus reflexos sobre as empresas.
Para ele, a equação é relativamente simples: famílias endividadas consomem menos; a redução do consumo chega ao comércio; empresas com dificuldades reduzem investimentos; e toda essa cadeia termina afetando emprego e arrecadação.
O Paralelo 13 — O senhor demonstra muita preocupação com o endividamento. Por quê?
Ernani Siqueira — Quando você fala em tributação, mexe com todo mundo. E nós temos os dados mostrando o endividamento das empresas e o endividamento das pessoas. Isso precisa preocupar todos nós. Se não tivermos, a partir de janeiro, governos com pulso, coragem e disposição para tomar decisões pensando no futuro, e não apenas na próxima eleição, acredito que teremos anos muito difíceis pela frente. Essa é minha visão e minha impressão a partir daquilo que acompanho no ambiente empresarial.
O Paralelo 13 — E como esse endividamento chega ao comércio?
Ernani Siqueira — Chega diretamente. Se hoje o comércio está enfrentando dificuldades e os negócios estão ruins, temos que olhar também para o endividamento das pessoas. Veja os consignados, por exemplo. Muitas pessoas assumem compromissos por 48 meses. São quatro anos com uma parcela da renda comprometida. Se uma pessoa recebe seu salário, mas boa parte dele já está comprometida com empréstimos, cartão e outras dívidas, naturalmente sobra menos dinheiro para circular no comércio. É uma situação que preocupa.
O Paralelo 13 — O senhor acredita que esse cenário também pode atingir o sistema financeiro?
Ernani Siqueira — Essa é outra preocupação. Uma pessoa pode possuir patrimônio, imóveis, carros, terrenos, mas não ter liquidez. Para a economia funcionar, precisamos de dinheiro circulando. Quando empresas e famílias começam a enfrentar dificuldades simultaneamente, aumenta o risco para toda a cadeia. Minha preocupação é justamente chegarmos a uma situação em que todos tenham patrimônio ou créditos a receber, mas falte dinheiro circulando na economia.
O Paralelo 13 — E a reforma tributária? Como o senhor avalia esse novo cenário?

Ernani Siqueira — Tenho preocupação, principalmente com as pequenas empresas. Qualquer mudança tributária mexe com todo mundo. Empresários precisam compreender como funcionarão as novas regras, calcular seus custos e preparar suas empresas. O pequeno empresário normalmente possui menos estrutura para enfrentar mudanças. Por isso, precisamos de muita clareza, orientação e planejamento. Minha preocupação é que uma carga maior ou uma adaptação mal conduzida termine chegando justamente àqueles que possuem menos capacidade de absorver novos custos.
O Paralelo 13 — O senhor participou recentemente de um congresso nacional do setor lojista. Essa preocupação apareceu por lá?
Ernani Siqueira — Sim. O encontro em João Pessoa foi muito importante. Tivemos representantes de todo o Brasil e discutimos economia, inteligência artificial, comércio eletrônico, mudanças no comportamento do consumidor e também as dificuldades das empresas. Nós precisamos buscar conhecimento fora e trazer esse conhecimento para o Tocantins. Não podemos administrar uma empresa pensando apenas em amanhã. Precisamos pensar em como ela estará daqui a cinco ou dez anos.
O Paralelo 13 — E olhando especificamente para o Tocantins, qual deveria ser a primeira medida do próximo governador ou governadora?
Ernani Siqueira — A primeira coisa é estabelecer uma política voltada para o desenvolvimento, um desenvolvimento sustentável.
O governo precisa definir prioridades. Também acredito muito na gestão técnica. Não podemos simplesmente dividir espaços dentro do Estado entre grupos políticos. Precisamos colocar pessoas preparadas em cada área. Se um profissional está desempenhando bem sua função, ótimo. Se não está, o governador precisa ter autonomia para mudar. O interesse do Estado tem que estar acima da indicação política.
O Paralelo 13 — Então o senhor defende menos indicações políticas e mais critérios técnicos?
Ernani Siqueira — Exatamente. O governador ou governadora precisa ter pulso e coragem para colocar pessoas técnicas nos setores em que elas realmente entendam do assunto. Uma administração pública precisa funcionar. Não podemos manter alguém em determinada função apenas porque foi indicado por deputado, senador ou outro grupo político, caso o resultado não esteja aparecendo. Quem governa precisa ter liberdade e responsabilidade para cobrar resultados.
O Paralelo 13 — E quanto ao tamanho da estrutura administrativa?
Ernani Siqueira — Também precisa ser discutido. Acredito que será necessário cortar custos, avaliar estruturas, verificar onde é possível fundir secretarias e transformar algumas estruturas em superintendências. O Estado precisa analisar permanentemente o tamanho de sua máquina. Não estou falando em simplesmente cortar por cortar. Estou falando em eficiência.
Se duas estruturas podem funcionar juntas, por que manter duas estruturas completas? O dinheiro público precisa chegar àquilo que realmente interessa à população.
O Paralelo 13 — Isso poderá exigir medidas impopulares?
Ernani Siqueira — Poderá. E acredito que algumas decisões precisarão ser tomadas logo no primeiro ano. Quem assumir precisa ter coragem.
É muito difícil administrar pensando apenas na próxima eleição. Às vezes é necessário tomar uma decisão que não seja popular naquele momento, mas que seja importante para equilibrar as contas e permitir que o Estado continue investindo.
O Paralelo 13 — Essa preocupação também vale para os municípios?
Ernani Siqueira — Claro. As prefeituras também enfrentam enormes dificuldades. Os municípios possuem obrigações com pessoal, saúde, educação e infraestrutura, e os custos aumentam. É justo valorizar o trabalhador e garantir reajustes. Mas, ao mesmo tempo, precisamos discutir como os municípios conseguirão financiar suas responsabilidades.
Essa conta precisa fechar.
O Paralelo 13 — Qual deveria ser, então, a prioridade econômica do próximo governo?
Ernani Siqueira — Desenvolvimento. Precisamos criar condições para as empresas crescerem, atrair investimentos, fortalecer quem já está aqui e gerar empregos. Quando você fortalece uma empresa, ela compra, vende, contrata trabalhador, paga salário e movimenta outras empresas. O desenvolvimento não acontece apenas quando uma grande empresa chega ao Estado. Precisamos também cuidar das milhares de pequenas empresas que já estão funcionando aqui.
São elas que estão todos os dias com as portas abertas.
O Paralelo 13 — O senhor parece especialmente preocupado com os próximos quatro anos.
Ernani Siqueira — Estou. Mas preocupação não significa pessimismo absoluto. Significa que precisamos entender o tamanho dos desafios e agir. Eu costumo dizer que, se vier uma tempestade, precisamos saber navegar. O empresário está acostumado a enfrentar dificuldades, mas precisa de condições para trabalhar. O governo precisa fazer sua parte, as empresas precisam fazer a delas e a sociedade também. O que não podemos é ignorar os sinais.
ENDIVIDAMENTO PRECISA ENTRAR NO DEBATE ELEITORAL
A preocupação apresentada por Ernani encontra um Tocantins no qual o endividamento das famílias se tornou um tema econômico relevante.
E há uma diferença fundamental: endividamento não é sinônimo de inadimplência. Uma família que possui financiamento ou compras parceladas, mas mantém os pagamentos em dia, está endividada, porém não necessariamente inadimplente. Mesmo feita essa distinção, o comprometimento da renda possui impacto sobre o consumo e, consequentemente, sobre comércio e serviços.
É justamente esse efeito que Ernani procura colocar no centro do debate.
Em sua avaliação, candidatos ao Governo do Tocantins precisam ir além das promessas tradicionais de campanha e explicar qual será sua política de desenvolvimento, como pretendem estimular empresas, gerar empregos, melhorar o ambiente de negócios e administrar as contas estaduais.
Passadas as eleições, esses problemas continuarão sobre a mesa do próximo governador ou governadora.
QUEM É ERNANI SIQUEIRA

Ernani Soares Siqueira é empresário e administrador e integra a história do desenvolvimento do setor empresarial de Palmas desde os primeiros anos da Capital. Ao longo de sua trajetória, presidiu por dois mandatos a Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa), comandou a Câmara de Dirigentes Lojistas de Palmas (CDL) e a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Tocantins (FCDL-TO). Também presidiu o Conselho Deliberativo do Sebrae Tocantins e exerceu função de superintendente da instituição.
Na administração pública, integrou o governo Siqueira Campos à frente da área de Indústria, Comércio e Turismo, além de ter presidido o Conselho de Desenvolvimento Econômico do Tocantins. Em 2011, ganhou projeção nacional ao assumir a vice-presidência de Micro e Pequenas Empresas do Conselho Nacional de Secretários de Desenvolvimento Econômico (Consedic), representando o Tocantins nas discussões nacionais sobre desenvolvimento e fortalecimento dos pequenos negócios.