Bandido será tirado de circulação em pé ou deitado, diz Flávio Bolsonaro
Em outro trecho, Flávio reafirmou que pretende reduzir para 14 anos a maioridade penal em casos de estupro

 

 

 

Com Estadão  

 

 

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a defender neste sábado, 22, uma política de endurecimento na segurança e afirmou que “o bandido vai ser tirado de circulação, em pé ou deitado”, numa provável referência a morte de criminosos.

“O bandido vai ser tirado de circulação, em pé ou deitado. Porque quem tem que andar sem medo na rua somos nós, que as ruas são nossas”, declarou, durante lançamento da campanha de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio de Janeiro, no Maracanãzinho, na zona norte da capital fluminense.

 

Flávio recheou seu discurso com promessas para a segurança pública e voltou a prometer aumentar as penas para crimes como roubo de celular. “Ladrão de celular vai começar com oito anos de cadeia”, declarou. Segundo ele, os condenados terão de trabalhar durante o cumprimento da pena para custear a própria estadia e indenizar a vítima. O candidato defendeu a castração química para estupradores e abusadores de mulheres e crianças e afirmou que “espancador de mulher vai ser preso imediatamente”.

Em outro trecho, Flávio reafirmou que pretende reduzir para 14 anos a maioridade penal em casos de estupro. Também prometeu combater o aliciamento de jovens pelo tráfico e disse que pretende usar tecnologia para proteger mulheres sob medidas protetivas.

 

Ao falar sobre o crime organizado, o candidato declarou que seu eventual governo irá “declarar guerra contra os narcoterroristas” e que não pretende “baixar a cabeça para bandido”.

 

Educação e emprego

Além da segurança, Flávio apresentou propostas para educação e qualificação profissional. Disse que pretende manter o Bolsa Família, mas associá-los a políticas de qualificação. Entre as medidas, citou escolas técnicas e profissionalizantes, com empresas atuando dentro das instituições de ensino, além do programa “Minha Primeira Empresa”, voltado à inserção de jovens no mercado de trabalho e ao empreendedorismo.

O candidato também afirmou que pretende proteger crianças e adolescentes do aliciamento pelo tráfico e criticou o que classificou como preocupação de pais com a possibilidade de os filhos se tornarem “militantes”. “Não vou mais aceitar que minhas filhas e os seus filhos concluam o ensino fundamental e o ensino médio e não saibam fazer uma conta simples de matemática, não saibam interpretar um texto”, disse.

 

Flávio disse ter sido vítima de ameaças de morte. “Estou aqui para colocar o meu peito na frente do povo brasileiro”, afirmou

 

Falou ainda que precisará do apoio do Senado para aprovar a redução da maioridade penal para 14 anos em casos de estupro, além de uma “anistia geral dos acusados de 8 de janeiro” e para “libertar Jair Messias Bolsonaro”.

 

 

Posted On Domingo, 23 Agosto 2026 06:11 Escrito por

A PF também apontou, a partir da quebra de sigilos, que Roberta mantinha diálogos sobre negócios com o governador Carlos Brandão

 

 

 

Com Estadão 

A lobista Roberta Luchsinger afirmou em mensagens encontradas no celular dela pela Polícia Federal que Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi responsável por marcar uma reunião no Palácio do Planalto para o governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), e que Lula ia “prosseguir com liberação da obra dele” no Estado.

A investigação sobre suspeitas de tráfico de influência de Roberta Luchsinger e Lulinha, como o filho do presidente é conhecido, detectou que a lobista intermediou a contratação, por órgãos vinculados ao governo do Maranhão, de uma empresa de informática do empresário Cléber Ribas. Ela também atuava em favor dele junto ao governo federal.

 

A PF também apontou, a partir da quebra de sigilos, que Roberta mantinha diálogos sobre negócios com o governador Carlos Brandão

Em 22 de maio de 2024, a lobista enviou uma mensagem de áudio a Lulinha informando que seria realizada naquele dia uma reunião do governador do Maranhão com o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

 

“Ó, só pro cê saber. Brandão hoje vai lá no palácio, que seu pai falou que vai prosseguir com aquela liberação da obra dele. Aí o Marcola vai receber ele 16 horas. Eu já avisei o Brandão que você conseguiu a agenda, então se quiser falar com o governador, tá confirmado às 16h, fazer uma moral, tá?”, disse ela na mensagem, conforme transcrição da PF.

 

Em seguida, ela afirmou a Lulinha: “E eu vou me encontrar com ele pra mim (sic) falar os outros assuntos”. No diálogo, Lulinha sugere que seria melhor se concentrarem nos “outros assuntos” durante as tratativas com Carlos Brandão.

 

Procurado, Carlos Brandão negou relação com Roberta Luchsinger e disse que sua agenda “não depende da articulação de terceiros”.

 

Ele disse que Lula “é um grande aliado do Maranhão, onde grandes obras estão sendo executadas a partir da parceria com o Governo Federal, em diversas áreas”.

 

A defesa de Cleber Ribas informou que ele contratou Roberta Luchsinger para “serviços de assessoria em questões de captação de clientes e identificação de oportunidades de negócio no ramo de tecnologia, atividade absolutamente lícita e comum no mercado”.

 

O Palácio do Planalto foi procurado e não se manifestou até o fechamento deste texto. A defesa de Lulinha criticou o que chamou de vazamentos seletivos que visam interferir no processo eleitoral.

 

A reunião de Brandão no Planalto, citada por Roberta em mensagem de áudio a Lulinha, efetivamente ocorreu. A agenda de Marco Aurélio Santana Ribeiro registra, às 17h40 daquele dia, um encontro com o governador, com a presença de dois outros assessores presidenciais. O tema da reunião é descrito apenas como “Reunião Executiva”.

 

Em 21 de junho de 2024, um mês depois da reunião citada por Roberta, o presidente Lula foi a São Luís (MA) e anunciou um pacote de R$ 59 bilhões em obras para o Maranhão dentro do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

 

Entre as medidas anunciadas, a renovação da concessão do Porto do Itaqui, a construção de um novo berço do terminal e a implantação de um novo corredor de transporte na Avenida Litorânea, uma das principais da capital maranhense.

 

Lobista intermediou R$ 5,8 milhões em contratos no MA

A 3Structure, empresa de Ribas, fechou contratos de R$ 5,8 milhões com o governo do Maranhão em 2024. Os negócios foram firmados junto ao Porto de Itaqui e à Secretaria de Fazenda.

 

A PF identificou que Cléber Ribas firmou contrato com Roberta Luchsinger para defesa dos seus interesses e pagou ao menos R$ 2,5 milhões à lobista entre março de 2024 e dezembro de 2025.

 

Como mostrou o Estadão, Roberta também defendia interesses de Cleber Ribas junto ao Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e outros órgãos do governo federal, conforme ela expôs em mensagem trocada com ele em junho de 2023. Em dezembro de 2023 e abril de 2024, a 3Structure obteve dois contratos de R$ 14,4 milhões e R$ 19,2 milhões com a pasta do governo Lula.

 

Amiga de Lulinha recebeu R$ 4,4 milhões via hospital

No Maranhão, Roberta Luchsinger também recebeu outros R$ 4,4 milhões da HSLZ Ltda, empresa contratada pelo governo do Maranhão para manter o Hospital dos Servidores Públicos do Maranhão, com recursos públicos do Estado. Os dados foram obtidos pela investigação por meio de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

 

Questionado sobre esse pagamento, o governo do Maranhão afirmou que “não possui ingerência sobre quaisquer empresas privadas”.

 

A reportagem perguntou ao diretor-geral do hospital, Plinio Tuzzolo, o motivo do repasse para a lobista. Ele se recusou a dar explicações.

 

Em nota enviada pela diretoria financeira, o HSLZ disse que “não divulgamos nem comentamos publicamente informações comerciais individualizadas relativas aos contratos privados mantidos com fornecedores e prestadores de serviços, inclusive quanto a valores, condições comerciais e demais disposições contratuais”

 

As relações de Roberta e Lulinha com a política maranhense

Em outras conversas encontradas no celular de Roberta Luchsinger, ela demonstra ter relações e acesso com políticos e autoridades do governo estadual.

 

Em mensagens a Cleber Ribas sobre a intermediação dos contratos, ela disse ao empresário que “o presidente do Porto” o havia elogiado e dito “vamos tocar”. Roberta contou que Gilberto teria escrito a ela e que “o gov autorizou tb”, de acordo com informações transcritas pela PF.

 

Segundo a PF, a referência é a Gilberto Lins e Neto, então presidente da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), afastado da função em outubro de 2024 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Roberta e Lulinha também mantiveram relação pessoal com o deputado federal Fabio Macedo (Podemos-MA), um dos principais aliados de Carlos Brandão na bancada estadual, e coma mulher do parlamentar, Lorena Macedo.

 

Ela atuava como subsecretária de Representação Institucional do Maranhão, cargo que tem como uma das atribuições defender interesses do Estado em Brasília.

 

O governo mantém uma casa no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, para essa finalidade. O imóvel está situado a menos de cinco quilômetros do endereço que servia como posto avançado de Roberta e Lulinha na capital federal.

 

Uma foto obtida pelo Estadão mostra um momento de descontração, no município de Barreirinhas (MA), porta de entrada do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, um dos principais destinos turísticos do Brasil.

 

Na imagem aparecem o deputado Fabio, Roberta, Lulinha e Cleber Ribas. Todos estão acompanhados por seus respectivos cônjuges.

 

Em seu perfil no Instagram, Roberta também publicou fotos em que ela aparece em shows com Lorena e Renata de Abreu Moreira, mulher de Lulinha.

 

Procurada pela reportagem, a defesa de Cleber Ribas se manifestou por meio de nota, que pode ser conferida abaixo:

 

“Nem Cleber Ribas nem a 3Structure possuem ou possuíram contrato com a Dataprev, objeto do inquérito citado. Nenhum deles tampouco mantém ou manteve qualquer relação comercial com Fábio Luís Lula da Silva.

 

Esclareça-se, ainda, que RL Consultoria e Intermediações foi contratada para a prestação de serviços de assessoria em questões de captação de clientes e identificação de oportunidades de negócio no ramo de tecnologia, atividade absolutamente lícita e comum no mercado.

 

Dito isso, não se pode tecer comentários sobre supostas mensagens sem acesso prévio aos dados brutos da interceptação telemática ou à totalidade das investigações em curso. Os vazamentos de fragmentos selecionados das comunicações e de interpretações feitas a partir desses trechos, todos vagos e descontextualizados, impossibilitam a efetiva atividade defensiva.

 

Reiteramos que os contratos celebrados com o Governo Federal foram firmados com a mais absoluta transparência, depois dos procedimentos administrativos previstos em lei e sem o favorecimento de quem quer que seja.”

 

 

 

Posted On Domingo, 23 Agosto 2026 05:47 Escrito por

Presidente afirmou que Rio precisa recuperar “autoestima como estado”; ex-prefeito disse que crime organizado “sentou no Palácio Guanabara"

 

 

Por Jessica Cardoso

 

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) defenderam neste sábado (22) que divergências políticas sejam deixadas de lado em nome da recuperação do Rio de Janeiro. As declarações foram dadas durante ato de campanha de Paes ao governo estadual, realizado no Estádio Moça Bonita, em Bangu, na Zona Oeste da capital fluminense.

Durante seu discurso, Lula afirmou que, para o Rio de Janeiro recuperar a “autoestima como estado”, é necessário colocar as diferenças políticas de lado no momento da eleição. O presidente lembrou que ele e Paes já tiveram divergências e disse que a aproximação entre os dois ocorreu por circunstâncias políticas em 2008.

 

Lula também defendeu o nome do deputado federal Pedro Paulo (PSD), que disputará uma das duas vagas do Rio de Janeiro no Senado ao lado da deputada Benedita da Silva (PT).

 

“Não está em jogo a minha relação de amizade com quem quer que seja. O que está em jogo é a gente escolher o que será melhor para o Rio de Janeiro. Quem é que vai ser eleito para ajudar o Rio e para ajudar a gente governar o Brasil. O Pedro Paulo merece a minha confiança”, declarou.

Na mesma linha, Paes afirmou, durante o discurso, que a aliança com Lula não representa uma união entre políticos que pensam da mesma forma. Segundo o prefeito, a aproximação ocorreu porque ambos entenderam que era necessário unir forças diante da situação.

 

“A gente se respeita e a gente não pensa tudo igual. E a gente aprendeu que ou a gente se unia, ou a gente se esforçava, ou as forças que fazem muito mal para a política iam tomar conta do Rio de Janeiro, como tomaram o estado do Rio de Janeiro, e destruir aquilo que havíamos construído”, afirmou.

O candidato ao governo do Rio disse ainda que o estado chegou ao “fundo do poço” e que o crime organizado “sentou” no Palácio Guanabara. Ao criticar a relação entre integrantes da política fluminense e facções criminosas, Paes citou nominalmente o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, e o ex-governador Cláudio Castro.

 

“Não estamos mais falando aqui de corrupção normal [...]. Estamos falando que, com essa turma, o crime organizado sentou no Palácio Guanabara. Se não fosse a Polícia Federal entrar aqui e investigar a relação da política com o crime, quem seria meu adversário nesta eleição está preso. Tem nome e sobrenome: Rodrigo Bacellar. Era o candidato do PL, do Flávio Bolsonaro. É disso que estamos tratando hoje. O Claudio Castro teve quatro secretários presos por ligação com crime organizado. As funções de estado deixaram de ser cumpridas. É isso que nos une aqui hoje [...] esse desejo de salvar o Rio de Janeiro”, declarou Paes.

 

 

Posted On Domingo, 23 Agosto 2026 05:45 Escrito por

Por Igor Gielow - Folha UOL

 

No primeiro levantamento do Datafolha após o início oficial da campanha presidencial e o registro das candidaturas, Lula (PT) marca 39% e Flávio Bolsonaro (PL), 33% no primeiro turno. Numa segunda rodada, o petista lidera por 47% a 43%.

 

A distância entre os principais rivais na disputa caiu quatro pontos percentuais em cenário de primeiro turno de junho para cá. A margem de erro dos levantamentos é de dois pontos para mais ou menos.

 

O principal fato político nesta semana foram as revelações de suspeitas envolvendo negócios do filho de Lula, Fábio Luís, o Lulinha. Elas começaram na terça (18), dia do início do levantamento que acabou na quarta (19). Mas elas se adensaram a partir da quinta (20).

 

Quatorze rostos de políticos brasileiros dispostos em duas fileiras, todos olhando para a câmera, com fundo neutro. A imagem destaca diversidade de gênero e idade entre os retratados.

 

Acima, da esq. para a dir., os candidatos Augusto Cury, Clariana Barão, Edmilson Silva da Costa, Flávio Bolsonaro, Hertz Dias, Lula e Pablo Marçal; abaixo, da esq. para a dir., Renan Santos, Romeu Zema, Ronald Caiado, Rui Costa Pimenta, Samara Martins e Wilson Grassi

O instituto ouviu 2.058 eleitores em 128 cidades. A pesquisa está registrada com o código BR-04496/2026 na Justiça Eleitoral e foi contratada pela Folha e pela TV Globo.

 

Na simulação de primeiro turno, o presidente e o filho de seu antecessor Jair Bolsonaro estão isolados à frente. Embolados em terceiro lugar vêm Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, Renan Santos (Missão), com 4%, e Romeu Zema (Novo), com 3%.

 

Os demais candidatos vêm abaixo. Augusto Cury (Avante) tem 2%, enquanto Samara Martins (UP), Wilton Grassi (Democrata), Rui Costa Pimenta (PCO) e Edmilson Costa (PCB) marcam 1%. Dizem que vão votar em branco ou nulo 8%, e 3% afirmam não saber em quem votar.

 

Nos cenários de segundo turno com adversários que não Flávio, Lula bate Caiado por 47% a 40% e Zema por 48% a 38%. As simulações mostram uma estabilidade em relação ao levantamento passado, feito no fim do mês passado.

 

O Datafolha pesquisou também uma hipótese de primeiro turno na qual Pablo Marçal está na disputa. O influencer obteve de última hora uma liminar para se filiar ao PRTB, mas está inelegível devido a uma condenação relativa à disputa da Prefeitura de São Paulo em 2024.

 

O Tribunal Superior Eleitoral já o proibiu de usar fundo partidário ou de fazer propaganda de TV enquanto sua candidatura, que deverá ser rejeitada segundo integrantes da corte, for julgada, o que pela legislação deve ocorrer no máximo em 14 de setembro.

 

Pesquisa Datafolha nos estados

SP: Tarcísio lidera disputa com 45%, contra 27% de Haddad

SP: Marina e Tebet têm 12%, e André do Prado, 10%, na disputa pelo Senado

RJ: Eduardo Paes tem 41% no Rio, contra 19% de Douglas Ruas

RJ: Benedita lidera com 15% no Rio; 6 empatam na segunda vaga no Senado

DF: Celina Leão e José Roberto Arruda empatam na disputa

DF: Michelle Bolsonaro (19%) e Leila do Vôlei (16%) lideram disputa pelo Senado

MG: Cleitinho lidera com 32%; Patrus e Kalil têm 12% cada

MG: Marília Campos tem 11% na disputa pelo Senado; Viana marca 8%, e Domingos Sávio, 6%

PE: Raquel Lyra tem 47%, contra 40% de João Campos

PE: Disputa pelo Senado tem 4 candidatos empatados na liderança

Marçal chega ao pelotão inferior da disputa, com 2%, tirando um ponto de Flávio. O influencer estava trabalhando na campanha do senador, como consultor de estratégia digital, até se lançar.

 

Na pesquisa espontânea, na qual os entrevistados não recebem cartões com os nomes dos candidatos, o quadro também é similar à aferição de julho. Lula é o mais lembrado, com 32% (era 30%), enquanto Flávio marca 19% (era 17%).

 

A rejeição segue similar ao padrão até aqui, com Lula e Flávio literalmente dividindo opiniões. Dizem não votar de jeito nenhum no filho de Bolsonaro 46%, enquanto 45% afirmam o mesmo sobre o petista.

 

Do ponto de vista de perfil do eleitorado, uma mudança potencialmente importante ocorreu na intenção de voto no Sudeste, ainda que tecnicamente empatada. Há um mês, Lula marcava 36% e Flávio, 33%, na região mais populosa do país, que responde por 42% da amostra do Datafolha. Agora, o placar se inverteu.

 

No mais, os padrões seguem inalterados em macrogrupos. O petista vai melhor entre dois grupos que representam metade da população: mulheres (41% a 29%) e os mais pobres (46% a 27%). Registra desempenho superior também entre mais velhos (45% a 32%), nordestinos (53% a 25%) e católicos (46% a 29%).

 

O senador, por sua vez, derrota o petista entre quem fez ensino médio (38% a 33%), quem tem diploma superior (37% a 33%), sulistas (38% a 33%) e entre evangélicos.

 

CORRUPÇÃO FOI TEMA DA SEMANA

A corrupção foi o tema mais destacado nesta primeira semana. Vazamentos a partir da terça (18) mostram que a Polícia Federal identificou novos detalhes das operações de Roberta Luchsinger, lobista amiga de Lulinha e do ex-chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola.

 

Ligando os personagens está Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso e indiciado na investigação sobre esquemas fraudulentos de descontos de aposentadorias. Segundo a PF, Lulinha e Roberta tinham uma "comunhão de interesses econômicos".

 

Lula buscou desvencilhar-se do filho, repetindo que, se ele dever algo, deve pagar. E afastou Marcola da sua campanha, onde estava alojado, após a revelação de que ele recebeu R$ 249 mil de Roberta. Todos negam irregularidades.

 

O tema já foi parar nas declarações de Flávio. O caso esvaziou a tática do PT de destacar as transações entre o senador e Daniel Vorcaro, o ex-dono do Banco Master envolvido em um escândalo financeiro.

 

Em um áudio, Flávio cobra Vorcaro pelo dinheiro prometido à produção do filme sobre a vida do pai, "Dark Horse" (azarão, em inglês), no qual o ex-banqueiro aportou ao fim R$ 61 milhões. É chamado de "meu irmão" e recebe juras de fidelidade.

 

Um evento com o senador em São Paulo nesta quinta (20) mostra que os casos seguirão a dar o tom, ainda que corrupção não figure em pesquisas mais como o principal problema do país, como foi nos anos da Operação Lava Jato.

 

Flávio falou do caso Lulinha, mas foi recebido com protestos e uma placa com referência a Vorcaro. Os temas têm tudo para protagonizar quadros no horário eleitoral gratuito de rádio e TV a partir de 28 de agosto.

 

 

Posted On Sábado, 22 Agosto 2026 06:04 Escrito por

Segundo a investigação, Roberta Luchsinger bancou faturas de cartão, financiamento de veículo, consórcio, Pix e joias para Marco Aurélio Ribeiro, enquanto buscava contratos no Ministério da Saúde envolvendo Cannabis medicina

 

 

POR JOSÉ MARQUES

 

 

Investigação da Polícia Federal aponta que a lobista Roberta Luchsinger pagou R$ 217 mil em faturas de cartão de crédito, financiamento de um veículo e outras despesas para Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula (PT).

 

Os pagamentos ocorreram em 2024, mesmo período em que, de acordo com a PF, ela trabalhava para obter contratos com o Ministério da Saúde relacionados a Cannabis medicinal. Roberta é amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, que é investigado sob suspeita de ser sócio oculto nos negócios da lobista.

Os detalhes desses pagamentos constam em representações da PF que fundamentaram a abertura de inquéritos, sob a relatoria do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), sobre o filho do presidente. Outro ministro, Flávio Dino, também relata um inquérito relacionado a Lulinha.

 

Procurada, a defesa de Marcola af irmou que não teve acesso à íntegra dos autos e ao inquérito e que o vazamento dos conteúdos tem “objetivo de distorcer os fatos e interferir no processo eleitoral”.

 

“Marco Aurélio Santana Ribeiro jamais encaminhou qualquer documento referente a compras ou licitações no âmbito do Ministério da Saúde ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os valores mencionados na reportagem foram todos integralmente quitados, uma vez que são referentes a um empréstimo pessoal”, diz a defesa, em nota. Os advogados de Roberta dizem que só se manifestarão nos autos.

 

A defesa de Lulinha diz que não há garantia sobre a veracidade do material colhido pela PF e que há interesse político na instauração do inquérito. “Nessas investigações não tem autoridade com foro, não tem desvio de dinheiro público, não tem ato de ofício, não tem relação direta ou indireta com o INSS”, diz o advogado Marco Aurélio de Carvalho.

 

Entre os valores pagos por Roberta em 2024, estão as joias de diamantes no valor de R$ 9.000 que ela presenteou a Marcola. Além disso, há R$ 95 mil pagos em um cartão de crédito do Banco do Brasil, R$ 36 mil em boletos de financiamento e R$ 48 mil em um consórcio, R$ 25 mil em um Pix, entre outros.

 

O financiamento tem como beneficiário o banco Toyota, e a PF aponta que Marcola tem em seu nome um Corolla Cross, da mesma marca, que estava sendo financiado.

 

“As conversas entre Roberta e Marco permitem comprovar uma série de pagamentos em favor do chefe do gabinete da Presidência da República. Verifica-se que Marco encaminha a Roberta diversos boletos registrados em seu nome”, diz a PF, em representação obtida pela reportagem.

 

“Ela, por sua vez, realiza os pagamentos e encaminha os comprovantes a ele. Por vezes, no mesmo contexto dessas interações, Roberta menciona a necessidade de contato com Berger.”

 

Berger é como é conhecido o então secretário-executivo do Ministério da Saúde Swedenberger Barbosa. Roberta cobrou de Marcola uma reunião com o então secretário em julho de 2024.

 

Swedenberger não tem se manifestado sobre o caso. A interlocutores, tem dito que uma de suas funções era receber pessoas e dar encaminhamento a demandas para análise técnica e posterior decisão. Ele frisa que não deu andamento à proposta apresentada por ela.

 

A representação policial diz que “significativa parcela dos pagamentos ocorre sem maiores tratativas entre os interlocutores”.

 

“Somente em duas oportunidades Marco classifica os pagamentos de maneira especial. Em 15 de julho de 2024, pede a Roberta que pague ao menos uma parcela da fatura de cartão e qualifica a manobra como presente de aniversário de sua filha. Na sequência, emenda: ‘E tem um de consórcio que só está disponível amanhã. Daí já completa o presente que vai nos dar’. Trata-se do boleto pago no dia 18 daquele mês”, relata a PF.

 

“Outrossim, relativamente ao Pix [de R$ 25 mil] realizado em 26 de novembro de 2024, ele diz a Roberta: ‘Depois nos acertamos e te pago’.”

 

O documento da PF, assinado por três delegados, destaca que as despesas abrangem gastos de natureza pessoal, “sem que, até o presente momento, tenham sido identificados elementos capazes de esclarecer satisfatoriamente a origem da obrigação, a causa jurídica subjacente ou a efetiva finalidade dos pagamentos realizados por Roberta em favor de Marco Aurélio”.

 

“Embora exista uma única referência à possibilidade de restituição de determinado valor, os elementos atualmente disponíveis não permitem compreender, de forma abrangente, a natureza da relação financeira estabelecida entre ambos.”

 

O inquérito da PF ligado ao documento obtido trata de suspeitas dos crimes de corrupção e tráfico de influência nas tentativas de obter autorização para a comercialização da Cannabis medicinal no Ministério da Saúde.

 

 

Posted On Sexta, 21 Agosto 2026 14:42 Escrito por
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