Por Igor Gadelha - Metrópoles
As recentes postagens da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas redes sociais têm produzido um efeito que vai além das críticas públicas ao senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Tanto entre lideranças da esquerda quanto da direita, cresce a percepção de que Michelle sinaliza, com as publicações, saber de informações potencialmente comprometedoras envolvendo o enteado.
A sequência de postagens chama a atenção pelo conteúdo e pelo timing. Na quarta-feira (24/6), horas antes do jogo entre Brasil e Haiti pela Copa do Mundo, Michelle divulgou um vídeo com críticas nominais a Flávio.
Na gravação, a ex-primeira-dama afirmou ter sido “desrespeitada” e “maltratada” pelo enteado em uma ligação telefônica, expondo publicamente um conflito familiar que, até então, permanecia restrito aos bastidores.
Cinco dias depois, na segunda-feira (29/6) — novamente em um dia de jogo da Seleção Brasileira —, Michelle voltou a movimentar as redes. Desta vez, repostando um vídeo do ex-governador Anthony Garotinho.
Na gravação, o ex-governador do Rio de Janeiro afirma ter, supostamente, visto vídeos de festas promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro com mulheres nuas e “homens que defendem a família”.
Ao repostar o conteúdo em seus stories do Instagram, a atual esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro acrescentou a enigmática frase: “A verdade de Jesus Cristo vai prevalecer“.
Embora a publicação não cite Flávio nominalmente, a postagem foi vista como uma sinalização de que Michelle tem conhecimento de fatos que não vieram a público e que podem atingir a campanha do senador.
Essa apreensão é reforçada por um dado lembrado por aliados de Flávio nos bastidores: a proximidade da ex-primeira-dama com o ministro André Mendonça, relator do chamado caso Master do STF.
Na avaliação de lideranças da direita que apoiam Flávio, o que mais preocupa não é propriamente o conteúdo das postagens, mas a impressão de que Michelle estaria preparando terreno para algo maior.
Ao combinar mensagens enigmáticas, referências à ideia de que “a verdade” ainda aparecerá e ataques nas redes sociais, ela mantém um clima de expectativa que aumenta a inquietação entre aliados de Flávio.
Desde maio, vieram à tona áudios, mensagens e notícias de encontros que revelaram uma relação próxima entre o primogênito de Jair Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Flávio jura a integrantes de sua campanha que não haveria mais nada de novo e comprometedor a surgir e que sua relação com Vorcaro estaria restrita ao patrocínio ao Dark Horse, filme sobre a história de seu pai.
Até aqui, não há qualquer elemento público que confirme ilegalidade na relação entre os dois. Os movimentos de Michelle, contudo, sinalizam que ela sabe de algo a mais que pode inviabilizar a candidatura de Flávio.
Indicam ainda que Michelle usa essa possível informação privilegiada para se descolar do enteado e se colocar como opção na direita – seja em 2026, seja em 2030, caso Flávio perca a eleição para Lula neste ano.
O nome do ex-prefeito de São Paulo já vinha sendo ventilado desde maio, ocasião em que Kassab se disse “à disposição”, caso fosse essa a escolha de Kassab
Com Estadão Conteúdo
O pré-candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) deve anunciar nesta quarta-feira, dia 1º, o nome do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como vice em sua chapa ao Palácio do Planalto. A informação foi confirmada pelo Estadão junto a uma fonte na pré-campanha. O nome do ex-prefeito de São Paulo já vinha sendo ventilado desde maio, ocasião em que Kassab se disse “à disposição”, caso fosse essa a escolha de Kassab.
Nesta segunda-feira, 29, Caiado confirmou que o vice será anunciado em coletiva em Brasília nesta quarta, às 11h. Contudo, evitou confirmar qual seria o nome e nem mesmo se seria de seu mesmo partido, como é o caso de Kassab.
Até aqui, Caiado não tem apoio de outros partidos para a disputa presidencial. Ele chegou a conversar com Romeu Zema (Novo), que também é pré-candidato, mas não houve nenhum avanço para uma união das duas candidaturas.
O ex-governador de Goiás aparece empatado tecnicamente com Zema e também Renan Santos (Missão) na maioria dos levantamentos, distante de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), os dois primeiros colocados.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 29, mostra Lula com 42% e Flávio com 34% no primeiro turno. Na sequência aparecem Caiado, com 5%, Renan Santos, com 4%, e Zema, com 3%. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC) aparece com 2%. Brancos, nulos ou nenhum somam 5% e não souberam ou não responderam, 3%.
A pesquisa ouviu 2.009 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 26 e 28 de junho. O levantamento tem nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-08521/2026.
Da CNN Brasil
O levantamento Nexus/BTG divulgado nesta segunda-feira (29) mostra um empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que registra 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno, e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que aparece com 44%.
Os votos em branco, nulos ou em nenhum dos possíveis candidatos somam 8%, enquanto 1% dos entrevistados não soube ou não respondeu.
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Na pesquisa anterior, divulgada em 15 de junho, Lula tinha 49%, e Flávio, 43%. Os votos em branco, nulos ou em nenhum dos nomes ficaram em 8%, e 1% não soube ou não respondeu.
Lula x Romeu Zema
Em uma simulação contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), Lula fica com 48%, enquanto Zema soma 38%. Os votos em branco, nulos ou em nenhum dos eventuais candidatos ficaram em 13%, e 2% não souberam ou não responderam.
Lula x Ronaldo Caiado
Na disputa contra o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o presidente aparece com 47%, contra 39% de Caiado. Os votos em branco, nulos ou em nenhum dos eventuais candidatos ficaram em 12%, enquanto 2% não souberam ou não responderam.
Lula x Renan Santos
Já em um eventual segundo turno contra o coordenador do MBL (Movimento Brasil Livre) Renan Santos (Missão), Lula tem 48% contra 36% de Renan. Os votos em branco, nulos ou em nenhum dos eventuais candidatos ficaram em 15%, e 2% não souberam ou não responderam.
Metodologia
A Nexus/BTG entrevistou 2.009 eleitores, entre os dias 26 e 28 de junho, por meio de entrevista por telefone. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
A pesquisa foi contratada pelo BTG Pactual e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-08521/2026.
As páginas também têm estratégias semelhantes, o que pode sugerir que sejam parte de uma ação coordenada
POR ANA GABRIELA OLIVEIRA LIMA
O Instagram e o Facebook, redes sociais da Meta, têm páginas com poucos seguidores, sem responsáveis identificáveis, com recurso milionário de ataque ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição.
A prática foi identificada pelo jornal O Globo e confirmada pela Folha. O Globo identificou sete perfis sem responsáveis identificáveis que impulsionaram anúncios contra os políticos na plataforma e que fizeram anúncios a favor de Fernando Haddad, pré-candidato pelo PT ao Governo de São Paulo.
Apesar do baixo número de seguidores, que não superam 400 integrantes em cada perfil, as páginas investiram valores altos em publicações associando, por exemplo, o senador Flávio Bolsonaro ao crime organizado. O valor total gasto pelas páginas nos últimos 90 dias é de R$ 1.299.214, segundo dados da Meta.
As páginas também têm estratégias semelhantes, o que pode sugerir que sejam parte de uma ação coordenada. Elas usam frases genéricas nas postagens que acompanham vídeos contra os candidatos, o que poderia ser usado para burlar mecanismos de controle das plataformas sobre temas de política.
Outra semelhança é a data de registro de informações dos anunciantes na Meta, nos dias 22 ou 23 de abril ou 3 e 8 de junho. A estratégia é similar também no número de anúncios, com muitos deles com menor orçamento, pulverizando as postagens. Com exceção de uma página, com número associado com DDD da Paraíba (83), todas têm DDD 41, do Paraná.
As páginas não têm a identificação de seus responsáveis, com algumas delas ligadas a websites sem conteúdo real, escrito em espanhol e criados em datas próximas. Os perfis nas redes estão fora do ar.
As páginas são Radar do Planalto, Dossier Brasil 24H, O Contra-Fluxo, Panorama Brasil, Olho no Erro, Contra a Maré e Lente Escura.
Uma postagem do Radar do Planalto, por exemplo, impulsionou um vídeo com o título “Flávio Bolsonaro gosta de ter milicianos e assassinos ao seu redor”. O vídeo é um compilado de trechos nos quais jornalistas dão notícias relacionadas à relação entre o senador e o ex-policial militar Adriano da Nóbrega.
O anúncio teve gasto de cerca de R$ 3.000 e impressões (número de vezes que um anúncio apareceu em uma tela, o que pode incluir várias visualizações pelas mesmas pessoas) na faixa de 500 mil ou 600 mil.
Outras, do Contra a Maré, tem postagens contra Tarcísio e a favor de Haddad. Uma delas tem vídeo com a chamada “Conheça o traidor de Freitas”, em referência a Tarcísio, enquanto outra aponta que Haddad quer zerar impostos de medicamentos. Cada uma teve gasto de cerca de R$ 300 e impressões na faixa de 30 mil.
Segundo Amanda Cunha, especialista em direito eleitoral e uma das autoras do livro “Direito Eleitoral Sancionador” (ed. Lumen Juris), só partidos políticos, coligações, federações, pré-candidatos e candidatos podem impulsionar conteúdos político-eleitorais, que precisam ser identificados como tais.
Os conteúdos impulsionados por atores autorizados não podem ser negativos a outros candidatos, os gastos precisam ser transparentes e não pode haver pedido de voto na pré-campanha.
“Perfis adotam estratégia de anonimato para fugir da fiscalização, isso tem sido cada vez mais comum. É uma estratégia que tenta burlar as regras eleitorais para fazer indiretamente uma campanha eleitoral”, afirma Cunha.
Para a especialista, a ação pode interferir na igualdade entre candidatos na disputa eleitoral, que a Justiça tenta resguardar com as proibições. Os perfis não identificáveis, diz, também podem prejudicar a qualidade da informação que chega ao eleitor e, consequentemente, o cenário eleitoral.
Questionada sobre os anúncios e sobre o que tem feito para cumprir a legislação eleitoral, a Meta se limitou a enviar textos com informações genéricas sobre anúncios ligados a política e texto da empresa sobre as eleições de 2026.
A reportagem perguntou à assessoria de Haddad se gostaria de se manifestar (em razão das menções dos anúncios a favor do pré-candidato), mas não obteve resposta.
No boletim anterior, divulgado na sexta (26), autoridades falaram em 920 mortos e 4.300 feridos
COM A FOLHAPRESS
O número de mortos devido aos terremotos que devastaram a Venezuela chegou a 1.430, afirmou Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da líder interina Delcy Rodríguez. Segundo esse novo balanço, há pelo menos 3.248 feridos e 3.142 pessoas desabrigadas.
O ritmo das atualizações tem sido irregular, e os comunicados vêm de diferentes autoridades do regime.
No boletim anterior, divulgado na sexta (26), autoridades falaram em 920 mortos e 4.300 feridos este segundo número havia sido divulgado pelo ministro da Saúde venezuelano. À medida que socorristas trabalham nos prédios destruídos, espera-se que a quantidade de vítimas siga aumentando.
O regime restringiu na noite de sexta o acesso ao estado de La Guaira, região costeira que foi a mais atingida e ficou parecendo uma zona de guerra devido à extensão dos danos.
A notícia foi dada pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, que era um aliado próximo do ditador deposto Nicolás Maduro e supervisionava o aparato de repressão do chavismo. Ele disse que a decisão atende a pedidos de moradores de La Guaira e busca evitar que o fluxo de pessoas dificulte o trabalho das equipes de salvamento. Segundo ele, motociclistas voluntários receberão coletes de identificação e serão designados para funções específicas. Apenas pessoas com tarefas previamente definidas poderão entrar no estado.
A oposição venezuelana compartilhou sites criados para registrar desaparecidos o número seria de 56 mil pessoas com paradeiro desconhecido. Segundo estimativa do chefe de ajuda humanitária da ONU, há mais de 50 mil desaparecidos.
Socorristas têm trabalhado para resgatar pessoas presas em escombros. A agência de notícias Reuters ouviu moradores reclamarem que a ajuda oficial tarda a chegar nos lugares mais afetados. A população civil montou uma rede de ajuda para enviar suprimentos e auxiliar nas buscas.
O governo do Brasil confirmou dois cidadãos brasileiros entre os mortos, sem entrar em detalhes a respeito de suas identidades. A modelo Vanessa Zacarias da Silva, 44, é uma das duas vítimas, segundo informações compartilhadas por familiares.
O serviço geológico dos Estados Unidos (USGS) estimou pelo menos 10 mil mortos após os tremores o número faz parte de uma escala técnica segundo a qual há 42% de chances de que o número total de óbitos fique entre 10 mil e 100 mil.
Equipes de Chile, México, El Salvador, Suíça e Brasil também já desembarcaram no país com socorristas e suprimentos. O regime informou neste sábado (27) que 1.600 integrantes de equipes de resgate estrangeiras chegaram para ajudar nas buscas ao menos outras 25 aeronaves com ajuda são esperadas nas próximas horas.
Os órgãos de ajuda humanitária consideram as primeiras 48 a 72 horas um período crucial para resgatar sobreviventes. Esse tempo pode ser estendido caso as vítimas consigam ter acesso a alimentos e água.
“Cada pessoa salva é um milagre”, disse Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, irmão da líder interina do país, Delcy Rodríguez. “Não vamos esconder absolutamente nada sobre a magnitude desta tragédia.”
Delcy afirmou em um pronunciamento na televisão estatal durante a noite de sexta que mais dez países ainda devem se juntar aos esforços de resgate e que 14 mil militares e policiais estão em La Guaira para patrulhar a área e adotar medidas sanitárias.
O regime venezuelano confirmou na sexta que ao menos 250 prédios foram danificados ou destruídos, incluindo oito hospitais e a embaixada da França em Caracas. A ONU estima que cerca de 7 milhões de pessoas, cerca de 25% da população da Venezuela, tenha sido afetada de alguma forma pelo desastre.
As Forças Armadas venezuelanas estão montando hospitais de campanha na região de La Guaira conforme anunciado em comunicado oficial e terão capacidade para realizar cirurgias de emergência.
Ainda na quinta, uma equipe da Reuters na cidade viu um comboio militar perto do estádio local realizando operações de ajuda humanitária.
O governo brasileiro, que já havia anunciado o envio de dois aviões da Força Aérea com equipes e materiais de ajuda humanitária, informou que enviará neste sábado uma terceira aeronave “com kits de medicamentos e o módulo complementar para a instalação de um hospital de campanha”. Segundo o comunicado, “ao todo, o Brasil enviará cinco kits de calamidade, com total de 111,8 mil medicamentos e insumos à Venezuela”.