Por Carla Araújo, Fabíola Perez, Letícia Casado, Luís Adorno
Os dois candidatos à Presidência da República que lideram as pesquisas de intenção de voto, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), escolheram seus berços políticos para iniciar hoje suas campanhas eleitorais.
Em São Bernardo do Campo, região metropolitana de SP, o presidente Lula, postulante a um quarto mandato no Palácio do Planalto, apostou no seu passado político e evocou Deus, por algumas vezes, em seu discurso que demorou mais de 30 minutos.
O evento de Lula deu espaço às mulheres, com discursos da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e de aliadas do presidente — casos das ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), candidatas ao Senado em São Paulo. A ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em 2017, foi lembrada no discurso de Janja e do próprio Lula.
Na praia de Copacabana, no Rio, berço do bolsonarismo, o senador Flávio Bolsonaro, nome escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro — preso e inelegível — para ser o candidato do PL, defendeu o pai e focou seu discurso no tema segurança pública.
Flávio associou os temas soberania e segurança pública, para criticar seu principal adversário nas urnas. Disse que o governo petista briga com um país a 10 mil quilômetros de distância, em referência aos EUA, mas que não briga com traficante. A soberania nacional é um dos principais motes da campanha de Lula, que tem enfrentado dificuldades na relação com o governo de Donald Trump.
O evento de Lula
O petista foi a São Bernardo do Campo, região metropolitana de São Paulo, onde construiu sua trajetória política como metalúrgico. Estava lá também no momento em que se entregou para ser preso, em 2018. O partido perdeu poder no ABC paulista, embora seja o berço do petismo — na eleição passada, o candidato do PT à Prefeitura de São Bernardo ficou somente em terceiro lugar; na região, a legenda venceu apenas em Mauá.
O presidente buscou a emoção, com imagens do "Lula do passado". O presidente participou ativamente da preparação do ato na Vila Euclides. Em um vídeo, o Lula de hoje "conversou com o Lula do passado". "Aguenta companheiro, que a democracia vai vencer". "Aqui, em 2026, a gente reconstruiu o Brasil e quer mais". O vídeo misturava imagens da greve de 79 na Vila Euclides.
No palco, Lula oficialmente estampou o slogan "O Brasil pronto para mais", mas com o lema "Onde tudo começou". Ao seu lado estavam o candidato a vice na chapa, Geraldo Alckmin (PSB), o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, entre outros aliados e postulantes a cadeiras no Congresso.
Lula refez promessa do ministério da Segurança Pública. O presidente lembrou a recente conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e disse que se a PEC da Segurança for aprovada vai criar o ministério, que já tinha prometido em 2022.
Alfinetada no ministro do STF Dias Toffoli. O presidente lembrou em seu discurso dois momentos distintos que esteve preso e atuações distintas para que ele saísse da cadeia - uma para o enterro da mãe, autorizado por um delegado mesmo na época da ditadora. E outra, quando ele estava preso em Curitiba, em 2019, e que Dias Toffoli, ministro indicado por ele ao STF, não autorizou que ele saísse para o enterro do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, em 2019.
A primeira-dama Janja da Silva foi uma das principais atrações do evento. Começou sua fala reclamando do microfone, fez uma homenagem à ex-esposa de Lula, Marisa Letícia, e depois chamou o cantor evangélico Kleber Lucas para, juntos, cantarem uma música de homenagem ao Lula.
Janja surpreendeu ao reconhecer a importância de Marisa Letícia para o PT. Nos bastidores, ela é conhecida por não gostar que aliados do presidente falassem da ex-esposa de Lula.
Essas mulheres foram de uma força importante e, sem a presença delas, essa história poderia ser diferente.
Primeira-dama Rosângela Silva, a Janja
Tema da soberania deu o tom dos discursos de Lula e aliados. A estratégia ocorre em meio à escalada nas tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.
O evento de Flávio Bolsonaro
Candidato do PL disse que vai classificar milícias como organizações terroristas. Sanção atual dos EUA contra o Brasil classifica atualmente apenas PCC e CV como organizações terroristas, resultado dos pedidos feitos por Flávio a Donald Trump, ao vice-presidente, JD Vance, e ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, com quem ele esteve reunido na Casa Branca. O governo Lula é contrário à designação das facções brasileiras por ver riscos à soberania brasileira sobre seu território e potencial impacto na economia e no setor financeiro.
Campanha de Flávio Bolsonaro tem o slogan "o Brasil vai vencer". Tema da campanha evoca o discurso nacionalista que, em 2018, elegeu o ex-presidente Jair Bolsonaro. Seu filho mais velho foi anunciado como candidato ainda no início do ano, e seu vice, Alfredo Gaspar, foi oficializado no início de agosto.
O RJ é um palanque forte para a campanha de Flávio. O PL tenta eleger, no estado, Douglas Ruas para o governo — ele está atrás do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) nas pesquisas — e Carlos Jordy e Carlos Portinho para as duas vagas ao Senado, além de investir na reeleição de Sóstenes Cavalcante na Câmara dos Deputados.
Flávio defendeu o seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), da acusação de estupro de vulnerável. O tema ganhou espaço desde que Gaspar foi anunciado vice.
Flávio afirmou que Gaspar foi alvo da denúncia por causa de seu trabalho na CPMI do INSS, uma vez que ele estava investigando o filho do presidente Lula. Gaspar diz que é inocente e alvo de uma armação. Ele afirma estar disposto a fazer teste de DNA e se colocou à disposição das autoridades para responder a questionamentos.
Bolsonaristas citaram o ex-presidente Jair Bolsonaro. Antes de Flávio Bolsonaro discursar para o público, membros do PL relembraram inúmeras vezes a figura do ex-presidente, citando sua prisão e dizendo que foi ele quem escolheu Flávio, seu filho mais velho, para encabeçar a chapa presidencial desse ano.
Ato bolsonarista acontece simultaneamente em Brasília. A capital federal também é sede de um segundo evento bolsonarista hoje, para o lançamento das candidaturas de Celina Leão, que tentará se reeleger governadora, e das candidaturas de Michelle Bolsonaro e Bia Kcis ao Senado.
Michelle Bolsonaro citou apoio a Flávio em seu discurso. Em primeiro dia de campanha, a ex-primeira-dama e agora candidata ao Senado citou apoio ao enteado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e reafirmou ser candidata do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Defenda a verdade
Influencer saiu do União Brasil e se filiou ao PRTB; medida é provisória e pode ser derrubada
Com Estadão
A Justiça Eleitoral de São Paulo concedeu liminar para o influenciador Pablo Marçal trocar de sigla e se filiar ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) neste sábado, 15. A medida abriu a possibilidade para Marçal protocolar pedido de registro de candidatura à Presidência.
Apesar disso, o influencer ainda precisa reverter a inelegibilidade na Justiça Eleitoral para lançar seu nome nestas eleições.
A decisão deste sábado foi concedida pelo juiz eleitoral Gustavo Nardi. A medida é provisória e pode ser derrubada.
No dia 5 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) confirmou, por 7 votos a 0, a condenação de Pablo Marçal (União Brasil) por uso indevido dos meios de comunicação social durante a campanha de 2024 para a prefeitura da capital paulista. A decisão manteve a inelegibilidade de oito anos do coach e influencer.
Ainda cabe recurso da decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A defesa de Marçal afirma que irá recorrer.
Os embargos de declaração foram apresentados pela defesa de Marçal contra o acórdão de dezembro de 2025. A ação julgou três acusações diferentes contra Marçal, reunidas em ações movidas pelo PSB e pelo Ministério Público Eleitoral.
A corte afastou duas delas: abuso de poder econômico e captação e gastos ilícitos de recursos de campanha. Nesses pontos, prevaleceu o entendimento de que não havia prova inequívoca de pagamento efetivo de prêmios em dinheiro pelo candidato ou por terceiros.
A condenação que restou — e que os embargos de declaração tentavam reverter — foi por uso indevido dos meios de comunicação social.
Segundo o relator, o coach se beneficiou de uma estratégia de disseminação massiva de vídeos por meio de um concurso promovido na comunidade "Cortes do Marçal", no Discord, entre 24 de junho e 7 de julho de 2024. Os participantes eram incentivados a publicar cortes de vídeos do então candidato com a hashtag #prefeitomarçal em troca de prêmios, prática que a legislação eleitoral veda.
Levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos
Por Redação g1
Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (13) com as intenções de voto para o Governo do Ceará mostra o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) com 52% das intenções de voto no 1º turno contra o atual governador, Elmano de Freitas (PT), que aparece com 33% das intenções de voto.
Os números são do cenário estimulado - aquele em que o nome dos candidatos é apresentado aos eleitores. A diferença de Ciro para Elmano é de 19 pontos percentuais, portanto, acima da margem da erro, que é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.
A pesquisa testou o cenário de primeiro turno com os sete candidatos anunciados - inclusive Pedro Brito como o candidato pelo partido Novo. Ele desistiu de concorrer ao governo na última terça-feira (12). O partido Novo anunciou que ele será substituído por Vera Lúcia.
A pesquisa também testou o cenário de um eventual segundo turno entre Ciro e Elmano. Neste cenário, Ciro aparece com 55% das intenções de voto contra 37% de Elmano.
Foram entrevistadas 1.022 pessoas entre os dias 10 e 13 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi encomendada pelo jornal "O Povo" e registrada na Justiça Eleitoral sob o número CE-04292/2026.
Confira os números abaixo:
Veja os números no cenário estimulado:
Cenário estimulado é aquele em que o nome dos candidatos é apresentado ao eleitor pelos entrevistadores. Confira os números:
Ciro Gomes (PSDB): 52%
Elmano de Freitas (PT): 33%
Pedro Brito (Novo): 1%
Delegado Huggo (Missão): 1%
Danilo Soares (Democrata): 1%
Serley Leal (UP): não pontuou
Zé Batista (PSTU): não pontuou
Branco/Nulo/Nenhum: 7%
Não sabe: 4%
Veja os números no cenário espontâneo:
Cenário espontâneo é aquele em que o nome dos candidatos não é apresentado ao eleitor. Confira:
Ciro Gomes (PSDB): 28%
Elmano de Freitas (PT): 20%
Camilo Santana (PT): 2%
Não sabe: 43%
Outras respostas: 3%
Branco/Ruim/Nenhum: 5%
Veja os cenários de segundo turno:
A pesquisa Datafolha também testou as intenções de voto em um eventual segundo turno entre Ciro e Elmano. Confira:
Ciro Gomes (PSDB): 55%
Elmano de Freitas (PT): 37%
Em branco/nulo/nenhum: 5%
Não sabe: 3%
Números da rejeição
A pesquisa Datafolha também perguntou qual candidato os entrevistados não votariam de jeito nenhum no 1º turno. Confira os números:
Elmano de Freitas (PT): 35%
Ciro Gomes (PSDB): 21%
Delegado Huggo (Missão): 19%
Zé Batista (PSTU): 18%
Pedro Brito (Novo): 17%
Danilo Soares (Democrata): 15%
Serley Leal (UP): 11%
Votaria em qualquer um/não rejeita nenhum: 5%
Rejeita todos/não votaria em nenhum: 3%
Não sabe: 8%
Primeiro encontro entre candidatos ao Palácio do Planalto está marcado para domingo, dia 23 de agosto, às 20h
Por Kátia Flávia
O Grupo Bandeirantes e o Estadão firmaram nessa quinta-feira (13) uma parceria para a realização dos debates presidenciais das eleições 2026. O primeiro encontro entre os candidatos ao Palácio do Planalto está marcado para domingo, 23 de agosto, às 20h (horário de Brasília), com transmissão também pelas emissoras Cultura, Gazeta e Jovem Pan.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) são os convidados para o evento. “Ter o Estadão e a Band juntos nos debates eleitorais deste ano significa muito para nós. É a união de forças em torno de princípios sólidos: a defesa intransigente da democracia e a reafirmação do jornalismo de qualidade, feito com apego aos fatos em um ambiente de credibilidade e confiança”, enfatiza Eurípedes Alcântara, diretor de jornalismo do Estadão.
A iniciativa reforça a importância da informação precisa e estimula um diálogo abrangente e expressivo. “O Grupo Bandeirantes completa, no ano que vem, 20 anos de uma trajetória marcada pela confiabilidade e pela independência editorial, sempre ao lado do povo, valores que temos em comum com o Estadão. Vamos ampliar ainda mais o alcance do confronto do dia 23, levando aos cidadãos os projetos, as propostas e as discussões que estão em pauta no país, contribuindo para que cada um possa fazer sua escolha de forma consciente”, destaca Rodolfo Schneider, diretor-geral de Jornalismo e Esporte do conglomerado de mídia.
Caso haja segundo turno, o embate com os postulantes ocorrerá entre 7 e 18 de outubro.
A Band começou a cobertura da corrida às urnas em janeiro, durante uma reunião estratégica com representantes das siglas. A antecipação do calendário consolidou o compromisso de proporcionar aos espectadores uma análise profunda e equilibrada da conjuntura nacional.
Candidaturas poderão fazer campanha nas ruas, na internet e na imprensa, seguindo regras
Da Assessoria
É hora de apresentar propostas, ocupar as ruas e ampliar o diálogo com o eleitorado. A partir do próximo domingo, 16, a Justiça Eleitoral do Tocantins passa a acompanhar uma nova fase das Eleições Gerais de 2026, com o início oficial da propaganda eleitoral em todo o país.
A data marca a liberação da propaganda nas ruas, na imprensa e na internet. Candidatas, candidatos, partidos, federações e coligações poderão divulgar suas campanhas, desde que respeitem as regras previstas na legislação eleitoral.
Campanha online
Na internet, a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral será permitida de 16 de agosto a 1º de outubro. O período também marca o início de regras específicas para as transmissões ao vivo. Lives realizadas por candidatas ou candidatos para promoção pessoal ou de atos relacionados ao exercício do mandato serão consideradas atos de campanha, mesmo sem referência direta às eleições.
Também a partir deste domingo, ficam proibidas as enquetes relacionadas ao processo eleitoral. A divulgação desse tipo de levantamento poderá ser alvo da atuação da Justiça Eleitoral.
Campanha também nas ruas
Nas ruas, alto-falantes e amplificadores de som poderão ser utilizados das 8h às 22h, de 16 de agosto a 3 de outubro. Os equipamentos deverão respeitar a distância mínima de 200 metros de locais como hospitais, escolas, igrejas, quartéis, tribunais e sedes dos Poderes Executivo e Legislativo.
Comícios e aparelhagem de sonorização fixa poderão ocorrer das 8h às 24h até 1º de outubro. No encerramento da campanha, o horário poderá ser estendido por mais duas horas.
Caminhadas, carreatas, passeatas e distribuição de material gráfico poderão ocorrer até as 22h de 3 de outubro, véspera do primeiro turno.
Propaganda nos jornais
A propaganda eleitoral paga na imprensa escrita será permitida de 16 de agosto a 2 de outubro. A reprodução, na internet, do conteúdo do jornal impresso também estará autorizada no período.
Cada veículo poderá publicar até dez anúncios de propaganda eleitoral, em datas diferentes, para cada candidata ou candidato, respeitando os limites de espaço estabelecidos pela legislação.
As regras estão previstas no Calendário Eleitoral das Eleições 2026 e na legislação eleitoral. O objetivo é garantir que a disputa ocorra dentro dos parâmetros estabelecidos pela Justiça Eleitoral e que candidaturas e eleitorado tenham clareza sobre o que é permitido durante a campanha.