O ministro do STF esclarece que colaboração premiada deve ser séria e efetiva, sem ter tido acesso ao material do banqueiro preso
Com Correio Braziliense
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quinta-feira (7) que uma colaboração premiada deve ser ‘séria e efetiva’ para produzir efeitos.
A declaração foi divulgada pelo gabinete do ministro em resposta a matérias jornalísticas que informaram que ele teria sinalizado aos advogados do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não pretender homologar os termos atuais da proposta de delação apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Polícia Federal (PF).
Na nota, Mendonça esclareceu que não teve acesso ao material entregue pelos advogados aos órgãos de investigação. ‘O ministro tem sido consistente e inequívoco em sua posição sobre o tema da colaboração premiada. A colaboração premiada é um ato de defesa, um direito assegurado ao investigado. Para que produza efeitos, a colaboração deve ser séria e efetiva’, afirmou.
O ministro também ressaltou que as investigações sobre o caso do Banco Master prosseguirão normalmente, independentemente de eventuais delações. ‘Cabe esclarecer, ainda, que o ministro até o presente momento, não teve acesso ao teor do material entregue pela defesa à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República. Quaisquer afirmações em sentido contrário não refletem a realidade dos fatos e carecem de fundamento’, completou.
Daniel Vorcaro está preso na superintendência da Polícia Federal em Brasília. No dia 4 de março, o banqueiro voltou a ser preso e foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no Banco Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco Regional de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF).
André Mendonça atendeu ao pedido de prisão feito pela PF após novos dados da investigação apontarem que Vorcaro deu ordens diretas para intimidar jornalistas, ex-empregados e empresários, além de ter tido acesso prévio ao conteúdo das investigações.
Texto deve ser promulgado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)
Por Lorenzo Santiago, da CNN
O prazo para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promulgar o PL da Dosimetria se encerrou nesta quarta-feira (6). Como não houve manifestação do Executivo, o texto retorna ao Congresso para promulgação pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
O veto de Lula à Dosimetria foi derrubado na semana passada. Essa orientação foi enviada ao Executivo na última segunda-feira (4). Com isso, segundo a Constituição, o Planalto teria 48 horas para a promulgação. Se o presidente não assinasse, o texto voltaria ao Congresso. Foi o que aconteceu.
A partir de agora, a prerrogativa de promulgar fica com Alcolumbre. Caso o presidente da Casa não promulgue o texto, a responsabilidade passa para o vice-presidente, e assim sucessivamente.
O governo já havia sinalizado que não deixaria a marca em um projeto que diminui as penas para os condenados pela tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023. Lula vive um momento de tensão crescente com o Congresso depois do veto à indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal).
Essa relação tensa já se arrastava desde o ano passado. Planalto e Congresso se atritaram durante as discussões sobre segurança pública, especialmente na tramitação do PL Antifacção. A resposta veio na sequência.
No evento de lembrança dos atos de 8 de Janeiro de 2023, realizado no Palácio do Planalto, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta, não estiveram presentes, bem como no evento de sanção da isenção do IR (Imposto de Renda) para quem ganha até R$ 5 mil por mês.
Nesta quarta, em meio à escalada na tensão, o petista não foi à Câmara para celebrar o bicentenário da Casa.
Lula assinou o veto ao projeto de lei no aniversário de três anos dos atos golpistas de 8 de janeiro, quando as sedes dos Três Poderes foram atacadas em Brasília.
Defesas dos condenados pela relação com os atos aguardam o início da validade da lei para pedirem a redução de penas ao STF (Supremo Tribunal Federal).
O veto de Lula foi derrubado na semana passada, com os votos de 49 senadores e 318 deputados.
Dono do Banco Master bancava viagens internacionais e contas de restaurantes do presidente nacional do PP
Por Anita Prado / SBT
Segundo as investigações, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PP-PI), recebia R$ 300 mil por mês de Daniel Vorcaro. Ciro foi alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero, realizada nesta quinta-feira (7) pela Polícia Federal. A análise do aparelho celular do banqueiro mostrou que ele bancava viagens internacionais e contas de restaurantes do senador.
A ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na decisão, o ministro André Mendonça destaca que além do pagamento mensal de R$ 300 mil, Nogueira teria recebido desconto expressivo para adquirir participação societária em um negócio.
"(A investigação) confirmou a aquisição de participação societária com expressivo deságio, pagamentos mensais da ordem de R$ 300.000,00 ou mais, além de outras transações atípicas atribuídas à estrutura vinculada ao parlamentar", diz o documento obtido pelo SBT News.
Em uma das conversas de Daniel Vorcaro resgatadas pela PF, o banqueiro fala com Léo Serrano, um de seus operadores, que Ciro Nogueira levará um cartão de crédito para uma viagem a São Bartolomeu, ilha luxuosa do Caribe.
LÉO SERRANO: "Só uma pergunta rápida... eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até Sábado?"
DANIEL VORCARO responde: "Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths".
O SBT News tenta contato com o senador, com a defesa e com a assessoria de imprensa. O espaço segue aberto. Em caso de retorno, a matéria será atualizada.
Primo de Vorcaro preso
Felipe Cançado Vorcaro, primo do dono do Master, foi preso na mesma operação. Segundo a investigação, ele atuava como um operador financeiro dos esquemas da instituição financeira.
O Ministério Público Federal opinou favoravelmente à prisão temporária dele por entender que havia risco de destruição de provas.
"O MPF opinou pelo deferimento da prisão temporária de um dos investigados, por reputá-la necessária à preservação da instrução e à eficácia da apuração, destacando elementos indicativos de evasão probatória, risco de ocultação ou destruição de provas e atuação relevante na operacionalização financeira da suposta organização criminosa", afirma decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Por Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues
O Observatório Político do Paralelo 13 lança um alerta às pré-candidaturas de deputado federal, estadual e senador: há muitos “apressadinhos” tentando acelerar o processo eleitoral, especialmente aqueles que contam com grandes recursos financeiros. Esses candidatos endinheirados, cercados de bajuladores e supostos “estrategistas”, acreditam que podem fazer “macaco assoviar e chupar cana ao mesmo tempo”. Mas, na prática, acabam se apoiando em pesquisas encomendadas e caras, que muitas vezes não passam de um verdadeiro “conto do vigário”.
O ELEITOR QUER PROXIMIDADE
Os eleitores tocantinenses demonstram cada vez mais que desejam votar em candidatos com quem possam conversar, tocar e se relacionar diretamente. Não querem terceirização de contato, nem intermediários frios. Um aperto de mão, um abraço ou um café na periferia têm mais valor do que qualquer peça publicitária milionária. O eleitor quer ser ouvido e falar pessoalmente com o candidato — seja ele novato ou em busca de reeleição.
SEM TERCEIRIZAÇÃO

Para ter sucesso nas urnas, as candidaturas proporcionais e majoritárias precisam evitar a terceirização da própria campanha. Quem já caiu nessa armadilha ainda tem tempo de mudar. O caminho é simples: dialogar e interagir diretamente com os eleitores. Essa prática será decisiva nas eleições estaduais de 2026, que não terão votos “casados” em julho, quando ocorrerem as convenções, homologações e registros das candidaturas.
O ERRO DOS ENDINHEIRADOS

Enquanto isso, candidatos endinheirados — especialmente os chamados “paraquedistas” — acreditam que apenas o dinheiro garante vitória. Muitos desprezam o trabalho qualificado em marketing, comunicação, aconselhamento e estratégia política, dos profissionais tocantinenses, que já provaram ser competentes e capacitados, preferindo importar “magos da política” pouco conhecem o Tocantins e as peculiaridades da sua política. Esses vendedores de sonhos, que sequer sabem o nome da capital do estado, acabam levando os candidatos a gastar fortunas sem resultado. O eleitor tocantinense está escolado: não se apega mais a partidos, mas sim às propostas e ao histórico de cada candidato.
ELEIÇÃO COMPLEXA

Em 2026, o eleitor terá que escolher presidente da República, dois senadores, um governador, um deputado federal e um estadual. Nesse cenário, será raro o voto vinculado em uma mesma chapa. Trabalhar com pessoas que não conhecem a política tocantinense e acreditar que é possível “comprar” votos com dinheiro será, como diz o ditado popular, “caixão e vela preta”.
O Observatório Político promete voltar a esse tema em breve, reforçando que a forma como os candidatos conduzem suas campanhas será determinante para o resultado das eleições.
Gladson, que renunciou em abril para concorrer a uma vaga no Senado em outubro, fica inelegível por oito anos
Por Estadão Conteúdo
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou nesta quarta-feira, 6, o ex-governador do Acre Gladson Cameli (PP) a 25 anos e 9 meses de prisão por dispensa indevida de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Gladson, que renunciou em abril para concorrer a uma vaga no Senado em outubro, fica inelegível por oito anos.
O Estadão pediu manifestação de Gladson sobre sua condenação. O espaço está aberto. Em outras ocasiões, ainda quando investigado pela Polícia Federal e, depois, já denunciado pela Procuradoria-Geral da República, o ex-governador sempre negou atos ilícitos em sua gestão.
Mesmo sem o trânsito em julgado da sentença, pelos termos da Lei da Ficha Limpa, o ex-governador tornou-se inelegível – condenado por colegiado -, restrição que só cai se ele conseguir uma liminar na Justiça Eleitoral. Neste caso, ele poderia disputar o pleito de outubro próximo sub júdice até o encerramento de todos os recursos cabíveis.
O julgamento terminou com oito votos, incluindo o da relatora Nancy Andrighi, pela condenação a 25 anos e 9 meses de prisão. Outros três ministros acompanharam o revisor João Otávio de Noronha e fixaram pena de 16 anos, em divergência sobre a dosimetria.
O processo foi aberto com base nas investigações da Operação Ptolomeu – investigação sobre corrupção que deu origem a nove inquéritos que espreitam o governador, suspeito de desviar R$ 16 milhões.
A denúncia envolve um contrato da Secretaria de Infraestrutura e Desenvolvimento Urbano do Estado do Acre com a empresa Murano Construções, em maio de 2019, no primeiro mandato do governador, para manutenção de prédios públicos. A reportagem busca contato com a defesa da empresa.
Os investigadores identificaram que, um dia após a assinatura do contrato, a Murano fechou uma parceria com a Rio Negro, administrada por Gledson Cameli, irmão do governador, que teria recebido quase R$ 2 milhões.
Para os investigadores, está claro que houve um acerto para a contratação indireta da empresa do irmão do governador e uma tentativa de ocultar sua participação para não chamar atenção de órgãos de investigação e controle.
Uma prova que a PGR reputa importante sobre corrupção envolvendo Gladson é a compra de um apartamento, avaliado em R$ 6 milhões, no bairro dos Jardins, em São Paulo. O imóvel é apontado como pagamento de propina.
A PF identificou que o apartamento foi pago pela empresa do irmão do governador após receber transferências de uma outra companhia que, que por sua vez, recebeu dinheiro da Murano Construções, detentora de mais de R$ 30 milhões em contratos com o Governo do Acre.
Defesa de Gladson
“A defesa do ex-governador Gladson Cameli informa que irá recorrer da decisão do Superior Tribunal de Justiça, uma vez que não foi observada decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou a ilegalidade da origem da investigação.
É importante destacar que o julgamento do STJ ocorreu sem que a defesa tivesse a oportunidade de se manifestar e exercer plenamente o contraditório, motivo pelo qual a defesa tem plena convicção de que a decisão do STJ será anulada e a inocência de Gladson Cameli será prontamente declarada.”
Pedro Ivo Velloso, Francisco Agosti