Marcelo Ivo atuava como oficial de ligação junto ao ICE, o serviço de imigração americano
Em nota oficial na época da prisão de Ramagem, a Polícia Federal alegou ter se tratado de uma cooperação policial internacional entre autoridades dos dois países
Com Estadão
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho, expulso dos Estados Unidos por “contornar pedidos de extradição”, atuava como oficial de ligação da Polícia Federal em Miami desde agosto de 2023, em função voltada à cooperação internacional na área de segurança. No posto, ele trabalhava junto ao Departamento de Segurança Interna americano, responsável por temas como imigração e combate ao terrorismo.
Carvalho é delegado da Polícia Federal há mais de duas décadas. Ao longo da carreira, ocupou cargos de destaque na corporação, como o de superintendente da Polícia Federal na Paraíba entre fevereiro de 2022 e janeiro de 2023, além de ter sido delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado em São Paulo, função que exerceu entre 2018 e 2021. Em 2016, também chefiou a Delegacia da Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
A designação para a missão no exterior foi formalizada em março de 2023, quando a Polícia Federal o nomeou como Oficial de Ligação junto ao Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos(ICE), em Miami. Inicialmente prevista para dois anos, a missão foi classificada como transitória e incluiu mudança de sede, com possibilidade de acompanhamento de dependentes.
Em março de 2025, uma nova portaria prorrogou a permanência do delegado por mais um ano, estendendo sua atuação nos Estados Unidos a partir de 17 de agosto de 2025, ainda no âmbito das ações de cooperação internacional em segurança e imigração.
A permanência de Marcelo Ivo no país, no entanto, foi interrompida após decisão das autoridades americanas. Em comunicado publicado pelo Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, os Estados Unidos determinaram sua saída, sob a alegação de que ele teria tentado “manipular” o sistema de imigração, “contornar pedidos formais de extradição” e “estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.
A medida ocorreu após o episódio envolvendo a prisão pelo ICE e posterior soltura do ex-deputado federal Alexandre Ramagem, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por golpe de Estado e que fugiu para os Estados Unidos.
Em nota oficial na época da prisão de Ramagem, a Polícia Federal alegou ter se tratado de uma cooperação policial internacional entre autoridades dos dois países.
“A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA”, dizia a nota da Polícia Federal. “O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito”, complementou a corporação brasileira sobre o episódio que, agora, acabou levando ao pedido de saída do país do delegado Marcelo Ivo.
No período, as unidades apresentaram média superior a 1,2 mil pacientes por dia, sendo 1.772 atendimentos em pediatria e 213 em ortopedia, conforme balanço da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba
Por Rodrigo Marques
As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Palmas ultrapassaram a marca de 10 mil atendimentos médicos entre os dias 12 e 19 de abril, primeira semana da operacionalização da gestão compartilhada da Prefeitura de Palmas, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semus), com a organização Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Itatiba. Segundo balanço consolidado da entidade, as unidades Norte e Sul, no período de oito dias, registraram uma média diária de 1.265 pacientes.
A secretária municipal da Saúde de Palmas, Dhieine Caminski, destaca que os números registrados ao longo do período monitorado demonstram a alta procura pelos serviços de urgência e emergência e a capacidade de resposta mantida pelas unidades. “A UPA Sul, conforme nossa série histórica, concentrou os maiores volumes em diferentes datas, alcançando 781 atendimentos no dia 13 e outros 768 no dia 16”, explicou ela.
Especialidades
Entre os atendimentos contabilizados no período, 8.138 ocorreram na clínica médica, representando 80,4% da demanda total. A pediatria respondeu por 1.772 atendimentos (17,5%) e a ortopedia por 213 ocorrências (2,1%). Com apoio dessas especialidades, as unidades passaram a absorver um número maior de casos diretamente no município, reduzindo a necessidade de deslocamentos e transferências para os hospitais, dando mais fluidez ao atendimento prestado aos pacientes.
Serviço 24 horas
As UPAs Norte e Sul funcionam de forma ininterrupta, 24 horas por dia, todos os dias da semana. As unidades são referência para atendimentos de urgência e emergência, recebendo casos como febre alta persistente, dores intensas, crises respiratórias, traumas, fraturas e outras situações que exigem assistência imediata. Já para casos leves, acompanhamento de rotina, renovação de receitas, consultas agendadas, vacinação e demais demandas de atenção básica, a orientação é procurar a Unidade de Saúde da Família (USF) da sua referência.
Procurado por meio de sua assessoria, Zema não se manifestou até o fechamento deste texto.
Com Estadão Conteúdo
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes enviou uma representação ao ministro Alexandre de Moraes pedindo a investigação do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), por compartilhar em suas redes sociais um vídeo com uma sátira aos ministros da Corte. Procurado por meio de sua assessoria, Zema não se manifestou até o fechamento deste texto.
Na representação, Gilmar apontou a suspeita de indícios de crime em uma publicação feita por Zema, que deixou o governo de Minas em março para ser pré-candidato à Presidência da República. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S Paulo e confirmada pelo Estadão.
Moraes pediu uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) antes de decidir sobre a inclusão de Zema no inquérito.
O vídeo publicado por Zema retratava uma conversa entre dois bonecos, caracterizados por desenhos de fantoches, que representariam Dias Toffoli e Gilmar Mendes. No vídeo, Toffoli telefona para Gilmar e pede a ele que anule as quebras de sigilo de sua empresa, aprovada na CPI do Crime Organizado do Senado.
Com um diálogo marcado por ironias e caricaturas, Gilmar responde que anularia as quebras e pede em troca uma cortesia no resort Tayayá, no qual Toffoli possuía participação acionária.
A sátira se baseia no fato de que Gilmar Mendes efetivamente proferiu decisão anulando as quebras de sigilo da Maridt. Essa é a empresa de Toffoli e dos irmãos do ministro que recebeu aportes de um fundo de investimento ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, como mostrou o Estadão.
Na representação enviada a Moraes, Gilmar escreveu que o vídeo “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”.
Críticas ao STF
Nas últimas semanas, Zema endureceu o tom contra o STF em discursos públicos.
Em um evento no dia 13 de abril, ele afirmou: “O STF era um lugar que nós tínhamos uma certa confiança, mas já estava cheirando mal há alguns anos. Agora, realmente, aflorou toda a podridão que está lá dentro”.
No lançamento de seu programa de governo, no dia 16, ele disse que, caso fosse eleito presidente da República, iria “propor ao Congresso um novo Supremo”.
Zema e Gilmar chegaram a protagonizar um embate público. Diante da série de críticas, Gilmar lembrou nas redes sociais que o ex-governador de Minas havia acionado o STF para adiar o pagamento de parcelas da dívida estadual com a União.
Zema rebateu publicamente: “Ele deu uma decisão favorável a Minas Gerais, e agora descobri que foi um favor para eu ser submisso a ele pelo resto da vida.”
Medidas buscam garantir a rastreabilidade dos recursos públicos e atender aos critérios fixados pelo Supremo Tribunal Federal
Da Assessoria
O Ministério Público do Tocantins (MPTO) expediu recomendações administrativas às prefeituras e câmaras municipais de Colinas do Tocantins, Brasilândia do Tocantins, Bernardo Sayão, Couto Magalhães, Juarina e Palmeirante, na região Norte do Tocantins. Os documentos, assinados pelo promotor de Justiça Raimundo Fábio da Silva, buscam adequar a gestão das emendas parlamentares municipais aos padrões de transparência e rastreabilidade exigidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com os procedimentos instaurados pela 2ª Promotoria de Justiça de Colinas do Tocantins, a "insuficiência de mecanismo de transparência e controle" das emendas pode comprometer o controle social e favorecer desvios de finalidade, violando princípios da administração pública.
A recomendação detalha que os portais da transparência das prefeituras e câmaras devem assegurar a divulgação de informações mínimas sobre cada emenda parlamentar. Isso inclui o nome do autor da emenda, o valor individualizado, o objeto detalhado com a finalidade pública específica, além do órgão executor e da entidade beneficiária final. O objetivo é permitir o acompanhamento de todas as fases da execução orçamentária e financeira.
O promotor de Justiça orienta que os municípios implementem mecanismos que permitam a rastreabilidade integral, o chamado controle "ponta a ponta", desde o momento da indicação legislativa até a entrega do resultado final à população.
Além disso, a execução de qualquer emenda passa a ser condicionada à apresentação de um plano de trabalho formal, com justificativa, estimativa de custos e cronograma, que deve ser aprovado pelo Poder Executivo e publicado integralmente na internet.
Regras para saúde e terceiro setor
Para os recursos destinados à área da saúde, o MPTO recomenda que as emendas sejam submetidas à apreciação das instâncias de governança e planejamento do Sistema Único de Saúde (SUS) municipal. Já nos casos em que o dinheiro for repassado a organizações da sociedade civil (terceiro setor), os gestores devem garantir a realização de chamamento público ou apresentar a justificativa legal para sua dispensa, exigindo prestação de contas detalhada das entidades beneficiárias.
Outro ponto destacado é a obrigatoriedade de movimentação dos recursos em contas bancárias específicas. Raimundo Fábio da Silva ressalta que é vedada a mistura desses valores com outras fontes de receita, facilitando a fiscalização pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-TO) e pelos órgãos de controle interno.
Prazos e consequências
Os municípios têm o prazo de 30 dias para encaminhar à Promotoria de Justiça a documentação que comprove o cumprimento das orientações. O Ministério Público esclarece que a recomendação é uma orientação administrativa para prevenir irregularidades. No entanto, o descumprimento dos pontos citados poderá levar à adoção de medidas judiciais, como o ajuizamento de Ação Civil Pública (ACP).
Especialistas indicam que houve a transferência do capital político do pai em tempos de polarização e o cansaço após três mandatos de Lula
Do Estadão Conteúdo
Pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos dias por alguns dos principais institutos do País apontam para o mesmo diagnóstico: a menos de seis meses da eleição, Lula (PT) não conseguiu reverter a avaliação negativa de seu governo e enfrenta um cenário adverso no segundo turno, aparecendo agora numericamente atrás de Flávio Bolsonaro (PL) e empatado com outros pré-candidatos da direita, como o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD).
Os fatores que levam ao avanço de Flávio, segundo especialistas indicaram ao Estadão, incluem a transferência do capital político do pai em tempos de polarização, o cansaço após três mandatos de Lula e percepções econômicas negativas, que impactam a popularidade do presidente. Apesar disso, eles apontam também haver desafios a serem enfrentados por Flávio Bolsonaro, sendo o principal deles o desconhecimento de parte do eleitorado.
Nas pesquisas Datafolha, Quaest e Meio/Ideia, o filho de Jair Bolsonaro está empatado com Lula dentro da margem de erro, mas, pela primeira vez, numericamente à frente do petista. Os dois também têm as maiores taxas de rejeição.
O quadro de polarização que hoje está dado ganhou forma ao longo dos últimos meses. Em agosto do ano passado, Lula aparecia a confortáveis 16 pontos de distância de Flávio no segundo turno da Quaest. Em janeiro, cerca de um mês depois da confirmação de seu nome como substituto do pai, a diferença caiu para sete pontos, ainda com Lula à frente. Agora, é de dois pontos, empate técnico com vantagem numérica para Flávio.
A definição das candidaturas no campo conservador impulsionou a ascensão de Flávio. Ao ser escolhido como sucessor do pai, Jair Bolsonaro, o senador se beneficiou da transferência do capital político do ex-presidente e inviabilizou a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos), nome preferido do Centrão e da Faria Lima. Mais recentemente, outro potencial candidato deixou a disputa: Ratinho Júnior, cotado pelo PSD, decidiu permanecer no governo. Na pesquisa Quaest de fevereiro, ele chegou a pontuar 8% no primeiro turno.
Uma vez escolhido pelo pai, Flávio conseguiu unificar quase todo o eleitorado da direita e do bolsonarismo e, mais do que isso, avançou sobre o centro, entre eleitores que não se identificam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo. O senador tinha 21% de intenção de voto entre os eleitores independentes no segundo turno da pesquisa Quaest de janeiro. Agora, soma 33%. Lula seguiu na direção oposta: caiu de 37% para 26% no mesmo período.
Cansaço e economia jogam contra Lula
O avanço de Flávio Bolsonaro nos últimos meses acompanha o desgaste vivido pelo presidente Lula. Segundo Cila Schulman, CEO do Ideia, esse cenário beneficia o candidato da oposição. “A maioria do eleitorado (51,5%) declara na nossa pesquisa que Lula não merece mais um mandato. Isso favorece o candidato da oposição, no caso, o Flávio.”
Para a especialista, há dois fatores por trás da resistência do eleitorado a um quarto mandato de Lula: o cansaço com a figura do petista, que disputará a Presidência pela sétima vez, e a avaliação predominantemente negativa do governo, influenciada sobretudo pela piora na percepção da economia e diminuição do poder de compra.
Esse quadro é reforçado pelos dados da Genial/Quaest: 50% dos brasileiros dizem que a situação econômica do País piorou nos últimos 12 meses. Em dezembro do ano passado, esse porcentual era de 38%. Para Felipe Nunes, CEO da Quaest, o principal motor desse movimento é o aumento no preço dos alimentos nos mercados: a fatia dos que dizem ter percebido alta nos preços saltou de 58% em março para 72% este mês.
O especialista destaca o desgaste do governo em dois grupos estratégicos: eleitores de renda média e de centro. Entre os que ganham de 2 a 5 salários mínimos, a desaprovação ao governo Lula chegou a 57% em abril, no segundo mês de alta. Já entre eleitores independentes do lulismo e do bolsonarismo, a desaprovação é de 58%.
“A grande mudança no cenário eleitoral talvez possa ser explicada pela frustração do eleitor de 2 a 5 salários mínimos, para quem a isenção do imposto de renda não produziu o efeito esperado até agora. É um público muito afetado pelo contexto econômico negativo e pelo endividamento crescente”, diz o CEO da Quaest. Ele lembra que, segundo dados da última pesquisa, 72% dos brasileiros têm muitas ou poucas dívidas a pagar.
Uma eventual recuperação do governo passa por avançar nesses dois grupos, segundo Felipe Nunes. Para ele, o governo precisará apresentar soluções concretas para o endividamento e convencer esses eleitores de que há entregas e resultados concretos.
Cila Schulman também vê o eleitorado apartidário como peça-chave na disputa. “Esses eleitores são majoritariamente mulheres e pequenos empreendedores e vivem nas regiões metropolitanas do Sudeste — São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Esse é o eleitorado em disputa em 2026, cerca de 5 milhões de pessoas”, diz. Segundo a especialista, o incumbente costuma melhorar no período eleitoral, o que deve ocorrer com Lula. “Portanto, será uma eleição apertada para os dois lados.”
Flávio precisa superar desconhecimento e imagem de radical
Do outro lado, o eventual favoritismo de Flávio Bolsonaro dependerá da forma como ele se apresentará ao eleitorado na campanha.
Apesar do bom desempenho do senador nas pesquisas, a diretora do Datafolha Luciana Chong chama atenção para o nível de conhecimento do pré-candidato. A última pesquisa do instituto mostra que Lula é conhecido por 99% dos eleitores, sendo que 61% afirmam conhecê-lo “muito bem”. Já Flávio é conhecido por 93%, mas apenas 34% dizem conhecê-lo muito bem e 35% só de ouvir falar.
“Lula tem uma taxa de conhecimento consistente. Flávio ainda está se apresentando ao eleitorado. E a campanha não começou de fato. Quando a campanha for para rua é que vamos saber se Flávio, ao ficar mais conhecido, conseguirá manter e expandir o capital que herdou do pai. Esse é um ponto importante se considerarmos que hoje, mesmo sendo menos conhecido, ele já está empatado tecnicamente em rejeição com Lula”, afirma Luciana.
Já Felipe Nunes sustenta que o senador tem o desafio de se descolar da imagem mais radical associada à família. “A maioria dos brasileiros ainda enxerga Flávio tão radical quanto os demais Bolsonaro. Por isso, o prognóstico hoje é o mesmo: uma eleição dura, difícil e polarizada.”
O fundador do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, pondera que “existe uma ilusão dos dois lados” no cenário atual. “No governo, a ilusão de que a máquina pública e os programas sociais vão reconquistar esse eleitor a tempo. Na oposição, a ilusão de que o sobrenome Bolsonaro é suficiente para vencer. Nenhuma das duas coisas é verdade para aquele eleitor que hoje está nos 62% de indecisos do voto espontâneo”, diz ele, em referência aos dados da Genial/Quaest.
Estadão Conteúdo