Ex-senadora se filiou ao PT este ano depois de passagens por DEM, PP e MDB

 

 

Por Sérgio Roxo — O Globo - Brasília

 

 

A ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu fez a fala mais aplaudida na reunião da cúpula do PT nesta terça-feira convocada para discutir o resultado do primeiro turno. Novata no partido, a coordenadora da campanha de Lula no Tocantins criticou duramente a coordenação nacional da campanha, a comunicação e a atuação da primeira-dama Janja da Silva.

 

De acordo com relatos dos presentes, Kátia Abreu disse que o comando na campanha é formado por “paulistas sem voto”. O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, foi derrotado no primeiro turno da disputa contra Tarcísio de Freitas (Republicanos) e as duas candidatas ao Senado da chapa, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), que tambnão foram eleitas. O coordenador-geral da campanha presidencial petista, Edinho Silva, se elegeu deputado federal por São Paulo.

 

Ao apontar os motivos que levaram Flávio Bolsonaro (PL) a ficar na frente no primeiro turno, Katia Abreu afirmou que a comunicação da campanha presidencial seguiu um caminho equivocado.

 

Katia Abreu se filiou ao PT este ano depois de passagens, entre outros, por DEM, PP e MDB. Como deputada, liderou a bancada ruralista. Também presidiu a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Foi ministra da Agricultura no governo Dilma Rousseff e desenvolveu uma relação de proximidade com a então presidente.

Na reunião desta terça-feira, antes de falar de Janja, a ex-ministra fez a ressalva de que só entraria no tema por ser mulher. Disse considerar um erro a primeira-dama cantar música gospel nos comícios do marido, como aconteceu durante o primeiro turno.

 

Kátia Abreu ainda defendeu que o vice Geraldo Alckmin deveria ter uma participação maior na campanha. Ao fim, foi fortemente aplaudida pelos cerca de cem presentes no auditório da sede do partido em Brasília ao pedir:

 

— Menos Janja, mais Alckmin.

 

Estavam na reunião, além dos membros da executiva do PT, deputados e os coordenadores estaduais da campanha de Lula.

 

As críticas a Janja, à comunicação e ao presidente do PT e coordenador-geral da campanha presidencial, Edinho Silva, dominaram as falas.

 

Outros dirigentes classificaram o gesto de Janja cantar nos comícios a música gospel “Tapete Vermelho” como uma apropriação da fé, já que a primeira-dama não é evangélica. Esses dirigentes afirmam que, por esse motivo, a participação de Janja desagrada em vez de atrair esse público.

 

Com relação à comunicação, houve uma queixa geral de que o caminho deveria ser falar de futuro e não do legado de Lula, já que os eleitores não votariam pensando no passado.

 

Edinho foi criticado por causa da escolha das agendas nos estados. Houve uma avaliação de que Lula deveria visitar mais locais onde o bolsonarismo é forte, como a região Centro-Oeste e o Sul de Minas.

 

A reunião chegou a ser interrompida quando o presidente do PT deixou o auditório por alguns minutos. Os participantes deveriam continuar as suas falas, mas resolveram interromper para esperar a volta de Edinho porque argumentam que ele precisava ouvir o que os membros do partido têm a dizer.

 

Ao comentar o encontro, o presidente do PT e coordenador da campanha disse que a reunião serviu para alinhar a estratégia para a etapa final da disputa.

 

— Nós debatemos a linha política desse segundo turno, que, essencialmente, é nós confrontarmos os dois projetos que estão em disputa.

 

Segundo Edinho, a comunicação terá mudanças para destacar a diferença entre os dois candidatos.

 

— No primeiro turno esse tipo de confronto você não consegue fazer porque são vários candidatos. No segundo turno não, são dois candidatos, portanto são dois projetos distintos de país, e esse confronto tem que acontecer para o povo brasileiro poder fazer uma escolha.

 

 

 

Posted On Quarta, 07 Outubro 2026 13:34 Escrito por

Ex-governador de Goiás disse que o apoio é coerente com a sua trajetória, de combate ao PT

 

 

POR CATARINA SCORTECCI E CLEOMAR ALMEIDA

 

 

Derrotado no primeiro turno da eleição presidencial, Ronaldo Caiado (PSD) anunciou apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto nesta terça-feira (6), em Goiânia.

 

Caiado disse que o apoio é coerente com a sua trajetória, de combate ao PT. “Proporcionalmente Goiás vai dar a maior vitória a Flávio Bolsonaro. Será mobilização em tempo integral”, disse Caiado, que também exaltou o ex-presidente Jair Bolsonaro, “meu colega na Câmara por 20 anos”, que está em prisão domiciliar condenado por tentativa de golpe.

 

“Eu jamais neguei, em todas as circunstâncias, que se eu chegasse onde você vai chegar, eu iria assinar a anistia dele e de todos os [condenados] do 8 de janeiro”, disse Caiado.

 

“O que nós queremos é que você devolva o Brasil aos brasileiros. Vou entrar de corpo inteiro, por convicção”, disse Caiado.

 

O anúncio foi feito durante um ato com aliados e apoiadores e contou com a presença do governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos reeleitos no domingo (4).

 

Flávio Bolsonaro discursou na sequência, agradecendo Caiado. “Vocês [plateia] pedem que ele [Caiado] seja ministro porque nós temos vários pontos convergentes. A gente concorda em 115%”, disse o candidato.

 

“Vou me inspirar muito na segurança pública em Goiás e em São Paulo”, continuou ele, acrescentando que vai “construir meio milhão de vagas de presídios e aumentar penas para chefes criminosos”. “A gente vai arregaçar com vagabundo”, afirmou Flávio.

 

“O Brasil tem um presidente da República que briga com quem está em outro continente, mas não briga por você, não briga com assaltante de celular, não briga com traficante, não briga com miliciano. Eu vou brigar por você”, continuou o candidato.

 

O senador também voltou a falar que em breve vai “encerrar a Era do Lula” e disse que já tem maioria para mudar a Constituição, em referência aos eleitos nas urnas de domingo para os assentos no Congresso Nacional.

 

“O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que ele já é hoje. Com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara. Para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar esse país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição”, disse Flávio.

 

Uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) precisa ser discutida e votada em dois turnos em cada Casa do Congresso Nacional, Câmara dos Deputados e Senado. Nas duas Casas, também é necessário ter três quintos dos votos, o equivalente a 308 deputados federais e 49 senadores.

 

Em outro momento do discurso a apoiadores, disse que “o povo brasileiro cansou do Lula” e voltou a criticar o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.

 

Caiado é um crítico da esquerda e do presidente Lula (PT), e o apoio já era esperado. Mas, na reta final do primeiro turno e sem crescer nas pesquisas de intenção de voto, Caiado resgatou declarações de Flávio sobre Daniel Vorcaro, dono do extinto banco Master, e afirmou em peças de campanha que o candidato do PL “não tem compromisso com a verdade”.

 

“Um mentiroso se acostuma a mentir, mente para todos”, dizia a propaganda de Caiado, ao reproduzir frases de Flávio em que o presidenciável dizia não ter contato com Vorcaro, o que se revelou falso na sequência.

 

Nesta terça, em seu discurso, Caiado justificou: “Eu sou duro com todos. Não entro na campanha mole”.
O governador de São Paulo também dedicou parte do discurso desta terça a Jair Bolsonaro, o chamando de injustiçado. “Tentaram calar Jair Bolsonaro, humilharam, mas a voz de Jair Bolsonaro reverbera por meio de todos vocês”, afirmou Tarcísio.

 

“Com Jair Bolsonaro, aprendemos a ter orgulho de falar de Deus, a professar nossa fé, a falar da família, de liberdade, do direito de propriedade privada, da livre iniciativa”, disse.

 

“Sofremos durante quatro anos com os desmandos de um governo rancoroso, incompetente, mas está chegando ao fim. Nunca mais a gente vai ter o PT”, afirmou Tarcísio.

 

Outro derrotado no primeiro turno, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) também declarou apoio a Flávio nesta segunda-feira (5).

 

Caiado deixou o Governo de Goiás em março para concorrer à Presidência, mas acabou com apenas 2,18% dos votos válidos no primeiro turno, em quinto lugar. Ele teve o apoio de 2,6 milhões de eleitores.

 

Em Goiás, obteve sua melhor marca, 12,33%, equivalente a 472 mil votos –bem menos do que o 1,8 milhão de votos com os quais foi reeleito governador há quatro anos.

 

 

Posted On Quarta, 07 Outubro 2026 05:38 Escrito por

 

A decisão do ex-governador se deu depois de conversa interna com PSD e a legenda optar pela neutralidade na disputa presidencial

 

 

Por Júlia Mano

 

 

O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) declarou nesta segunda-feira (5) que anunciará apoio ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. O goiano terminou a disputa ao Palácio do Planalto em quinto, com 2.605.148 votos, equivalente a 2,18%.

 

Caiado contou à coluna que conversou por telefone com Flávio após uma ligação feita pelo candidato à Presidência, que terminou o primeiro turno da eleição à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O anúncio deverá ser feito em evento em Goiânia, na terça-feira (6), às 14h.

 

No domingo (4), o presidente nacional do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, anunciou que a legenda ficará neutra no segundo turno da disputa presidencial. Dessa forma, os diretórios estaduais e os seus integrantes podem definir individualmente se apoiarão Flávio ou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

Logo depois de definida a ida da disputa presidencial ao segundo turno, Caiado disse que iria conversar primeiro com Kassab antes de definir seu posicionamento para a próxima etapa do pleito presidencial.

 

 

 

Posted On Terça, 06 Outubro 2026 05:06 Escrito por

Em reunião com aliados para tentar reverter desvantagem contra Flávio, Lula conclamou esforço conjunto e indicou intenção de comparecer a debates

 

 

Por Victor Schneider

 

 

Depois de reunião com uma frente de aliados dentre eleitos e derrotados nesta segunda-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou confiança na capacidade de reverter a desvantagem no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). O petista fechou o primeiro turno com 45% dos votos, ante 47% do filho mais velho de Jair Bolsonaro.

 

Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e da senadora eleita Marília Arraes (PDT-PE), Lula falou sobre a decepção com o resultado, mas avaliou que sua campanha paga o preço da crise de confiança no Supremo Tribunal Federal (STF), cuja relação dos ministros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro paira sob dúvida e indícios ainda não explorados a fundo.

 

“Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte depois dessas denúncias", disse Lula, que foi aplaudido pelos presentes.

 

Além disso, em busca de reverter o cenário adverso, o petista ajustou o discurso político e defendeu que é o único candidato "antissisema" da disputa presidencial. "Só tem um candidato antissistema: eu", disse. Apesar da afirmação, Lula fez diversos acenos aos ministros do Supremo ao longo da campanha, inclusive ao receber integrantes da Corte em reuniões fora da agenda para discutir a crise no Judiciário.

 

Lula manteve o bom humor ao relembrar a recuperação que teve no segundo turno das eleições de 2006 justamente contra o seu agora vice. Naquele pleito, o petista ganhou 12 milhões de votos entre os turnos, enquanto Alckmin teve uma incomum queda de 2 milhões de votos.

 

“Eu estou convencido que não há nenhuma razão para que a gente não seja eleito presidente da República nos segundo turno", afirmou.

 

A governadores, senadores, deputados e outros líderes do PT e de partidos aliados, Lula indicou que pode passar a focar mais em segurança pública nas próximas semanas ao tentar avançar com a proposta que expande o poder do governo federal no combate ao crime, em um papel que hoje é dos estados.

 

“A verdade é que ficou claro para todo mundo hoje que o estado sozinho não dá conta da segurança pública. e por que não dá conta? porque a bandidagem cresceu. o crime organizado cresceu, ficaram sofisticados, se transformaram em uma indústria multinacional, entraram no poder judiciário, nos partidos políticos, nos clubes de futebol. Entraram em tudo em quanto é lugar", afirmou.

Outro ponto citado pelo presidente foi a maior abstenção desde 1998, que prejudicou o PT a conseguir repetir resultados que levaram Lula a ser eleito em 2022. Ele avaliou ser preciso compreender a razão pela qual os cerca de 33 milhões de brasileiros abriram mão de ir às urnas e fazer chegar à população o que considera ser o risco de perder para o “herdeiro do fascismo", em referência a Flávio.

 

"São 30 milhões de pessoas que não foram votar, o que aconteceu com essas pessoas?", questionou. "O que nós temos que fazer é tentar convencer [...] e devolver o interesse no processo eleitoral", emendou.

 

Ao final, citou que o Partido dos Trabalhadores terá 20 dias para "desnudar" o que está por detrás da preferência por Flávio Bolsonaro.

 

“É 20 dias em que a gente vai ter que colocar para fora aquilo que a gente devia estar colocando o ano inteiro. Tentando desnudar o que está por detrás da eleição de um possível herdeiro do fascismo nesse país [...] Em 20 dias temos que fazer mais rápido e mais bem feito. Esse é o desafio”.

 

 

 

Posted On Terça, 06 Outubro 2026 05:04 Escrito por

Senador recém-eleito por São Paulo critica engavetamento de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal

 

 

Por Lívia Zanolini

 

 

O deputado federal Guilherme Derrite (PP), recém-eleito o senador mais votado da história do Brasil por São Paulo, disse que o país precisa de um novo presidente no Senado e criticou Davi Alcolumbre (União-AP), que ocupa o cargo atualmente, por engavetar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo. As declarações foram dadas em entrevista ao SBT News nesta segunda-feira (5).

 

"O que não dá para aturar é o atual presidente do Senado com 109 pedidos de impeachment de ministros da Suprema Corte, todos eles engavetado", disse. "E a gente sabe por que que ele tá engavetando, porque o senador Davi Alcolumbre tá diretamente envolvido nesse processo gigantesco aí e escândalos e mais escândalos de corrupção", completou.

Segundo Derrite, dois possíveis nomes que podem substituir Alcolumbre são Rogério Marinho (PL) e Teresa Cristina (Progressistas).

 

Derrite disse que vai continuar trabalhando para Flávio Bolsonaro (PL) se eleger como presidente da República. "A minha campanha não acabou, só vai acabar quando o Flávio Bolsonaro for eleito presidente do Brasil. Aliás, tô indo hoje para Brasília já para me encontrar com o senador Flávio Bolsonaro."

 

Ele disse também que desconhece qualquer tipo de interferência externa dos Estados Unidos na eleição brasileira e criticou o presidente Lula, que é candidato à reeleição. "Quem criou todo esse ecossistema que prejudicou o Brasil em termos de relação internacional com os Estados Unidos foi o Lula, que disse que tinha que rever uma outra moeda como padrão de relação internacional e não o dólar."

 

Lula afirma que o uso do dólar como moeda padrão nas negociações internacionais confere aos Estados Unidos uma vantagem imensa sobre os demais países.

 

Leis para combater o crime

Derrite disse que "o problema da segurança são as leis" e que vai trabalhar no Congresso para endurecê-las. "Cito como exemplo aqui a redução da maioridade penal, que já tá pautada na Câmara, tá sendo discutida na comissão especial. Se Deus quiser, a gente vota esse ano ainda."

 

Ele também disse que quer extinguir a progressão do regime no cumprimento de pena e acabar ou revisar a audiência de custódia, que ele classificou como "uma ferramenta que acaba sendo uma ferramenta de manutenção da impunidade."

Revisão do pacto federativo

O senador eleito afirmou que a revisão do pacto federativo será uma das suas principais lutas no Senado. "O pagador de impostos de São Paulo contribui com cerca de 40% dos impostos federativos regionalizados e retorna para o nosso estado 17... 17,6%", disse.

 

 

Posted On Segunda, 05 Outubro 2026 13:22 Escrito por
Página 15 de 1128