PF apura gestão fraudulenta e aplicações de alto risco que expuseram quase R$ 1 bi do fundo de servidores do RJ
Por Marina Verenicz
O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso nesta terça-feira (3) em uma ação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. A informação foi confirmada pelo G1.
A prisão ocorre pouco mais de uma semana após Antunes ter deixado o comando do Rioprevidência. Em 23 de janeiro, ele renunciou ao cargo depois de a Polícia Federal deflagrar uma operação para apurar suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos e corrupção no fundo previdenciário dos servidores do Estado do Rio de Janeiro. As investigações têm como foco investimentos realizados no Banco Master.
Decisão concede liminar parcial ao grupo e antecipa em 30 dias a suspensão de execuções para evitar ‘corrida de credores’, disse o magistrado
Segundo apuração da PF, durante a gestão de Antunes e de outros dois ex-diretores, o Rioprevidência aplicou quase R$ 1 bilhão em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.
Esses papéis são considerados de alto risco e não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Ao todo, nove operações realizadas entre 2023 e 2024 estão sob investigação.
Para os investigadores, as aplicações colocaram em risco os recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores públicos estaduais.
Em outubro de 2025, o TCE-RJ proibiu o Rioprevidência de realizar novos investimentos em títulos administrados pelo banco e alertou formalmente para o risco de gestão irresponsável dos recursos previdenciários.
As apurações seguem em curso, e a Polícia Federal ainda não divulgou detalhes sobre eventuais novas prisões ou desdobramentos do inquérito.
Relatora do código de conduta no STF, ministra presidente do TSE vai apresentar a tribunais regionais eleitorais uma série de diretrizes para "reforçar parâmetros de comportamento" de magistrados
Por Gabriela Boechat
A presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministra Cármen Lúcia, anunciou que vai apresentar uma carta de recomendação sobre a conduta de juízes eleitorais durante o ano de 2026. A iniciativa foi divulgada nesta segunda-feira (2), durante a sessão de abertura do ano judiciário da Corte.
Segundo a ministra, o objetivo é reforçar parâmetros de comportamento alinhados aos valores constitucionais, diante do que classificou como um cenário de “questionamentos mundiais e nacionais” sobre instituições democráticas. A recomendação será apresentada formalmente na reunião dos presidentes dos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais), marcada para o próximo dia 10 de fevereiro.
Em discurso nesta segunda, Cármen afirmou que a legitimidade do Poder Judiciário está diretamente ligada à confiança da sociedade e defendeu a adoção de condutas ainda mais rigorosas e transparentes por parte dos juízes eleitorais. Para ela, magistrados devem ser “intransigentes” diante de qualquer sinal de desvio ético, especialmente no contexto do processo eleitoral.
A carta de recomendação elenca dez pontos que envolvem, entre outros aspectos: a publicidade de agendas e audiências, a moderação em manifestações públicas sobre temas eleitorais, a vedação de demonstrações de preferência política e a proibição do recebimento de presentes que possam comprometer a imparcialidade.
Também orienta magistrados a evitarem participação em eventos com candidatos e a se afastarem de atividades não judiciais que possam prejudicar o exercício da função.
O texto destaca ainda a transparência como “imposição republicana” e afirma que a ampla publicidade dos atos da Justiça Eleitoral é condição para garantir o direito do eleitor à informação baseada em fatos e, assim, proteger a democracia.
Veja os pontos:
Seja garantida a publicidade das audiências com partes e seus advogados, candidatas ou candidatos, partidos políticos ou interessados diretos, ou indiretos, divulgando-se as agendas de sua realização, ocorram elas dentro ou fora do ambiente institucional;
Seja a magistrada ou o magistrado comedido em suas intervenções e manifestações públicas ou em agendas particulares profissionais sobre matéria relativa ao processo eleitoral, esteja ou não o tema submetido a sua jurisdição;
O comparecimento de membro da magistratura a evento público ou privado, no qual, durante este ano eleitoral, confraternizem candidatas ou candidatos, seus representantes, integrantes ou interessados diretos na campanha eleitoral gera conflito de interesses, o que compromete a integridade da atuação judicial;
São inaceitáveis manifestações, em qualquer meio incluídas as mídias eletrônicas, sobre a escolha política da magistrada ou do magistrado, por estabelecer dúvida sobre a imparcialidade da decisão a ser tomada no exercício da jurisdição;
Não recebam magistradas ou magistrados ofertas, ou presentes que ponham em dúvida a sua imparcialidade ao decidir;
Não são admissíveis, ética nem juridicamente, sinalizações favoráveis ou contrárias a candidatas ou candidatos, partidos políticos ou ideologias, o que pode conduzir a ilações ou conclusão sobre favorecimento ou perseguição em julgamento;
Mantenham-se as advogadas e os advogados, que componham a judicatura eleitoral, afastados de participação em ato ou processo no qual os escritórios de advocacia que integram se façam representar;
Não deve a magistrada ou o magistrado se comprometer com atividades não judiciais que afetem o cumprimento de seus deveres funcionais. A função judicante é de desempenho pessoal, intransferível e insubstituível pela magistrada ou magistrado;
Compete à autoridade competente tornar públicos os atos judiciais e administrativos, impedindo-se equívocos de interpretação ou divulgação inadequada relativos ao processo eleitoral por pessoas estranhas ao processo;
A transparência da atuação dos órgãos da Justiça Eleitoral, de suas magistradas e de seus magistrados é imposição republicana. Somente com a publicidade ampla do que se passa no processo eleitoral e na atuação das magistradas e dos magistrados e de servidoras e servidores da Justiça Eleitoral se terá assegurado o direito da eleitora e do eleitor à informação segura e baseada em fatos. E, então, sua escolha no pleito eleitoral será livre e a Democracia terá sido protegida.
Embora a ministra não tenha mencionado casos específicos, a proposta foi anunciada em meio a um ambiente de debate público sobre ética, conflitos de interesse e transparência no STF.
O tema ganhou força ao longo do recesso, com críticas relacionadas à condução do ministro Dias Toffoli no caso do Banco Master e a relações pessoais de alguns ministros da Corte com o dono do banco.
Por Lavínia Kaucz e Gabriel Hirabahasi
O Supremo Tribunal Federal (STF) abre o ano judiciário nesta segunda-feira, 2, em meio à crise de imagem envolvendo a atuação da Corte na investigação do Banco Master e às discussões sobre a criação de um código de conduta para os magistrados. A cerimônia que marca a retomada dos trabalhos após o recesso terá um discurso do presidente do Supremo, Edson Fachin. Ele tem atuado para convencer os colegas a aprovar o código, que enfrenta resistência interna.
Também devem comparecer na solenidade o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Todos os ministros do Supremo devem estar presentes, com exceção de Luiz Fux, que está com pneumonia causada por influenza, segundo a assessoria da Corte.
Além de Fachin, também vão discursar o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Apesar de não ser comum, outras autoridades podem pedir a palavra. Lula falou na abertura do ano judiciário de 2023, na sessão que inaugurou o plenário reformado após os atos golpistas de 8 de janeiro. Na ocasião, também discursou o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Fachin chegou a antecipar sua volta a Brasília em janeiro para tentar conter o desgaste à imagem da Corte. Ele tem conversado com todos os ministros em uma tentativa de reduzir as resistências internas ao código de ética. O ministro afirmou em entrevista ao que, embora a Corte tenha uma maioria favorável ao código, há ressalvas em relação à aprovação das regras em ano eleitoral.
A pressão pela aprovação de um código de ética ganhou força nos últimos meses, após uma série de revelações que levantaram suspeitas sobre a atuação do ministro Dias Toffoli no caso Master. Ele é relator da investigação que apura irregularidades na tentativa de venda do banco de Daniel Vorcaro para o Banco de Brasília (BRB). A divulgação de um contrato de R$ 129 milhões firmado pela esposa do ministro Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, para defender o Master também ampliou o desgaste.
Lula participa da cerimônia poucos dias após ter passado por uma cirurgia de catarata na última sexta-feira, 30. O presidente permaneceu em repouso por alguns dias e decidiu retomar as atividades nesta segunda-feira, 2. Apesar de ser tradição o presidente da República participar desse tipo de evento, também é simbólico pelo momento de críticas que o Supremo vive.
Na última semana, o governo federal também se viu envolvido, ainda que lateralmente até o momento, no caso do Banco Master. Primeiro, veio à tona que o presidente recebeu Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto em uma reunião que não constou na agenda oficial em dezembro de 2024. Integrantes do governo se apressaram, nos últimos dias, a dizer que reuniões com empresários são algo de rotina no dia-a-dia de Lula e que não havia qualquer indício de irregularidades envolvendo o Master até então.
Os relatos sobre a reunião dão conta de que o petista sugeriu que o Banco Central averiguasse as reclamações de Vorcaro sobre uma suposta "perseguição" promovida por grandes bancos e que o caso deveria ser tratado de maneira "isenta e técnica" pela autarquia. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, que também estava na reunião, concordou.
Deputado já foi governador do DF; PT, diferentemente do caso da CPMI planejada pela oposição, apoia texto do parlamentar do PSB
Por Levy Teles
O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) protocolou, na manhã desta segunda-feira, 2, um requerimento de instauração da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar irregularidades tem que envolvem o Banco Master e Banco de Brasília (BRB).
Esse requerimento centra em apurar os R$ 12,2 bilhões pagos pelo BRB ao Master entre janeiro a junho de 2025, sendo R$ 6,7 bilhões pelas carteiras falsas e mais R$ 5,5 bilhões de prêmio. O pedido tem 201 assinaturas - eram necessários, no mínimo, 171 apoios.
A oposição no Congresso trabalha para aprovar a instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, com deputados e senadores, para investigar as operações do Banco Master.
Essa iniciativa, do deputado Carlos Jordy (PL-RJ), tem mais de de 230 assinaturas - ele pretende protocolar esse requerimento nesta terça-feira, 3, um dia depois da retomada das atividades legislativas. Apenas um petista assinou esse texto: o senador Fabiano Contarato (ES). O foco também é a operação financeira entre o BRB e o Master
Diferentemente do caso de Jordy, o PT apoia a CPI de Rollemberg, que se antecipou a Jordy no protocolo. A sigla do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu 42 assinaturas; do lado do PL, 34 deputados apoiaram essa proposta.
"Esse requerimento é muito sólido", disse o então líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), que aponta esse como o maior contraste em comparação ao texto de Jordy. Lindbergh deixará a liderança em fevereiro para dar lugar a Pedro Uczai (SC).
No requerimento, Rollemberg aponta cinco elementos para a instauração da CPI: a existência de fraude bilionária e sofisticação do esquema, risco e dano ao patrimônio público, impacto em fundos previdenciários e servidores, participação e conexão político-financeira e o dever constitucional de investigar do Parlamento brasileiro.
"O Congresso Nacional deve fornecer as respostas que a população brasileira exige", afirma Rollemberg.
O parlamentar já foi governador do Distrito Federal entre 2015 e 2018. O PSB de Rollemberg é oposição ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) e deverá indicar o ex-interventor Ricardo Cappelli como candidato na disputa deste ano.
Como mostrou o Estadão, nem o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e nem o do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizam interesse, neste momento, de instaurar a CPI.
Em reunião com líderes para discutir a pauta da Câmara, Motta e representantes de partidos da Casa argumentaram que o regimento impede a instalação da CPI neste momento, pois há outros requerimentos e CPIs em andamento na frente da "fila". Esses mesmos líderes, porém, sinalizaram que, se esse requerimento avançar, a Câmara deverá ter mais protagonismo.
Uso de tecnologia, operações contínuas e asfixia financeira estão no centro de plano de fiscalização
Por Mariana Saraiva, do R7
Diante do avanço do crime organizado sobre o processo eleitoral e da apreensão recorde de quase R$ 30 milhões em dinheiro em espécie durante as eleições municipais de 2024, autoridades já articulam um conjunto de estratégias para reforçar a fiscalização e o combate a crimes eleitorais no pleito deste ano.
O plano envolve o uso intensivo de tecnologia, cruzamento de dados, aprofundamento das investigações financeiras e a continuidade das operações mesmo fora do período eleitoral.
De acordo com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, a atuação dos órgãos de segurança tem se estruturado a partir da integração de bases de dados e do uso de inteligência.
As equipes da PF já trabalham para acessar informações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), respeitando a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e os sigilos legais, com o objetivo de cruzar resultados eleitorais, doações de campanha e outros dados financeiros.
Segundo Rodrigues, esse tipo de análise permite identificar indícios de irregularidades com antecedência e orientar a atuação policial.
“Nossas equipes já estão trabalhando de maneira muito avançada para que a gente consiga, a partir de ferramentas nossas e bases de dados nossos, fazer os cruzamentos de informações e dali extrair bons resultados”, disse Rodrigues na semana passada durante um seminário promovido pela Justiça Eleitoral.
Outro eixo da estratégia é o aprofundamento das investigações financeiras e o enfrentamento direto ao crime organizado. Para o diretor da PF, práticas como compra de votos, abuso de poder econômico e disseminação de desinformação estão frequentemente ligadas à atuação de facções e organizações criminosas.
Por isso, segundo ele, a fiscalização eleitoral passou a ser tratada de forma integrada com o combate a esses grupos, com foco na chamada “asfixia financeira” das práticas ilícitas.
A apreensão recorde registrada em 2024 foi citada como um marco desse trabalho e indicativo da dimensão do problema.
“O nosso trabalho da próxima eleição já começou. Nós não vamos parar. Tudo que nós obtivemos de substrato nesse processo, nós já estamos trabalhando, já estamos acelerando o nosso trabalho para que a gente chegue no pleito de 2026 e ainda mais preparados para esse enfrentamento”, destacou Rodrigues.
Para a presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, o objetivo dessas medidas é preservar a essência do processo democrático. Segundo ela, o foco é impedir qualquer tentativa de “captura da liberdade de escolha” do eleitor e garantir que práticas de aliciamento ou interferência ilegal não contaminem o resultado das urnas.
“A eleição é um processo pelo qual cada eleitora e cada eleitor livremente escolhe o seu representante, sem que ele se submeta nem a pressões internas, nem à captura da sua liberdade de escolha — que é o que nós temos com as novas tecnologias —, nem à possibilidade de haver abusos ou excessos de quem quer que seja, de candidatos, de grupos, do que for”, frisou a ministra.
Estatísticas de 2024

O histórico recente reforça a preocupação. Nas eleições municipais de 2024, a Operação Eleições registrou 3.089 crimes eleitorais apenas no primeiro turno.
As ocorrências mais frequentes foram de boca de urna (1.170), compra de votos ou corrupção eleitoral (498), propaganda eleitoral irregular (384), violação ou tentativa de violação do sigilo do voto (269) e desobediência a ordens da Justiça Eleitoral.
Durante a operação, foram apreendidos R$ 638.654 em dinheiro, além do registro de 536 prisões, incluindo 23 candidatos, e 53 apreensões de veículos utilizados no transporte irregular de eleitores.
O que configura compra de votos
O advogado Newton Lins, especialista em direito eleitoral, explica que a legislação considera crime eleitoral qualquer tentativa de oferecer vantagem ao eleitor em troca do voto.
“Isso pode envolver dinheiro, bens materiais, favores pessoais ou benefícios futuros. A lei não exige que a vantagem seja efetivamente entregue nem que haja pedido explícito de voto. Basta que fique demonstrada a intenção de influenciar a vontade do eleitor”, afirma.
A prática está tipificada no artigo 41-A da Lei nº 9.504/1997. Segundo o especialista, ainda são comuns ações disfarçadas de assistência social durante campanhas.
“Distribuição de cestas básicas, óculos, dentaduras, roupas, combustível e até promessas de empregos ou cargos públicos continuam ocorrendo. Também é proibida a entrega de brindes como camisetas, bonés e canetas. A lei parte do princípio de que qualquer vantagem compromete a liberdade do voto”, ressalta.
Lins alerta ainda que o eleitor que aceita a vantagem também comete ilícito eleitoral.
“A compra de votos é uma relação objetiva entre quem oferece e quem aceita. Embora as sanções recaiam principalmente sobre o candidato, trata-se de corrupção eleitoral.”
Abuso de poder econômico e punições
O advogado explica que o abuso de poder econômico ocorre quando o uso excessivo de recursos financeiros compromete a igualdade entre os candidatos.
“Não se trata de impedir campanhas estruturadas, mas de evitar que o dinheiro seja decisivo a ponto de inviabilizar a concorrência. É necessária prova da gravidade da conduta e de seu impacto no resultado da eleição”, afirma.
As sanções previstas incluem multa, cassação do registro ou do diploma e declaração de inelegibilidade por oito anos, conforme a Lei da Ficha Limpa. A norma permite, inclusive, a perda imediata do mandato, independentemente do trânsito em julgado da decisão.
Testes e auditorias nas urnas
O TSE afirma que adota uma série de mecanismos para assegurar a integridade do sistema eletrônico de votação, como o teste da urna, feito entre 1º e 5 de dezembro de 2025; o teste de confirmação, previsto para ocorrer entre 13 e 15 de maio deste ano; e os testes de autenticidade, integridade e integridade com biometria, feitos no dia da votação.
Além disso, o processo eleitoral seguirá as normas da Resolução nº 23.673/2021, que estabelece os procedimentos de fiscalização e auditoria do sistema eletrônico de votação antes, durante e após as eleições.
A resolução define regras para auditoria das urnas eletrônicas, dos programas de totalização e de outros sistemas ligados ao processo eleitoral. Também regula o acesso de entidades fiscalizadoras e universidades aos códigos-fonte, permitindo a verificação da integridade dos programas em ambiente controlado, com regras de sigilo e registros formais.
O normativo ainda prevê a cerimônia de assinatura digital e lacração dos sistemas, etapa em que os programas eleitorais são assinados, lacrados e armazenados para impedir alterações antes do pleito.
Também disciplina auditorias no dia da votação, com sorteio de seções eleitorais e procedimentos documentados, além de permitir solicitações posteriores para análise de dados e relatórios, garantindo a cadeia de custódia das informações.
Entre os dias 3 e 5 de fevereiro de 2026, o TSE realizará audiências públicas para receber sugestões da sociedade civil sobre o aperfeiçoamento das resoluções que irão orientar as eleições. As normas devem ser aprovadas pelo plenário do tribunal até 5 de março.