Ministro Alexandre de Moraes pediu parecer da PGR sobre eventual apreensão do documento do parlamentar
Por Rute Moraes
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesse domingo (2) que a tentativa de apreensão do passaporte do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), um de seus filhos, visa impedir o parlamentar de assumir o comando da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.
A declaração de Bolsonaro ocorre após o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes pedir parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República) sobre a possibilidade de apreender o passaporte de Eduardo. A solicitação foi feita por causa de uma notícia-crime contra Eduardo apresentada na PGR e no STF pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), e pelo deputado Rogério Correia (PT-MG).
“A possível apreensão do passaporte do Deputado Eduardo Bolsonaro visa criar constrangimento, ou instruir ação judicial para impedi-lo de assumir a Comissão de Relações Exteriores”, escreveu Bolsonaro nas redes sociais.
Ele ressaltou que pelo colegiado devem passar 37 acordos assinados com a China em virtude do G-20 no Brasil, a exemplo de: empréstimo do CDB (Certificado de Depósito Bancário) para o BNDES, em moeda Chinesa, no montante de 5 bilhões de Renminb; tecnologia nuclear; telecomunicações via satélite; cooperação na economia digital; desenvolvimento sustentável da mineração; entre outros.
Como mostrou o R7, entre as comissões a serem pedidas pelo PL na Câmara este ano está a Comissão de Relações Exteriores. O líder do partido na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que indicará Eduardo ao posto.
Contudo, ainda falta o aval do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), o que deve acontecer apenas após o feriado de Carnaval. O PT havia travado embate com o PL pela presidência do colegiado.
Entenda
Na semana passada, Moraes pediu parecer da PGR sobre eventual apreensão do passaporte de Eduardo após pedido de Correia e Farias. No documento, os parlamentares atribuíram a Eduardo crimes contra a soberania nacional. Então, pediram que o passaporte do deputado fosse apreendido a fim de paralisar as “condutas ilícitas em curso” e que ele seja investigado criminalmente por articular reações ao Supremo com políticos norte-americanos.
A dupla petista alegou que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro angariou uma “verdadeira tentativa de constranger não só um integrante de um dos Poderes da República, mas o próprio Poder Judiciário nacional”. Eduardo respondeu que não há justiça no Brasil, mas perseguição.
Nas redes sociais, Eduardo criticou a ação e buscou defender-se. “Tiranos temem exposição. Agora, parece que Alexandre de Moraes quer que meu passaporte seja apreendido porque minhas denúncias nos EUA sobre a censura e perseguição do Brasil contra a oposição são verdadeiras e estão ganhando força”, escreveu o deputado.
Longa dirigido por Sean Baker conquistou a principal estatueta da noite, que foi histórica também para os brasileiros
Por Lello Lopes
Walter Salles e Fernanda Torres comemoram o Oscar de 'Ainda Estou Aqui'
Anora é o grande vencedor do Oscar de 2025. O longa dirigido por Sean Baker conquistou neste domingo (2) o principal prêmio da noite, o Oscar de Melhor Filme. Já o brasileiro Ainda Estou Aqui saiu da festa com o prêmio de Melhor Filme Internacional.
Para ficar com a estatueta, Anora bateu, além de Ainda Estou Aqui, O Brutalista, Conclave, Um Completo Desconhecido, O Reformatório Nickel, Wicked, Duna - Parte 2, A Substância e Emilia Pérez.
Anora também ganhou os Oscars de Melhor Direção (Sean Baker), Melhor Atriz (Mikey Madison), Melhor Roteiro Original e Melhor Edição.
Por que Anora ganhou o Oscar
A disputa pelo Oscar em 2025 foi extremamente equilibrada. Vários filmes, em algum momento da corrida, assumiram a posição de favoritos. Anora tomou a ponta no momento certo, bem na reta final.
O filme conta a história da stripper Ani (Mikey Madison), que parece viver um conto de fadas ao encontrar o milionário russo Ivan (Mark Eydelshteyn). Mas logo ela vai perceber que essa história não passa de um pesadelo.
Dirigido por Sean Baker, Anora mistura vários gêneros (de comédia pastelão ao drama) para falar das diversas formas de exploração, principalmente do corpo feminino, em uma sociedade de relações superficiais, moldadas pelo poder econômico.
Impulsionada pela performance magnética de Mikey Madison, a produção já havia ganhado a prestigiada Palma de Ouro do Festival de Cannes.
A jornada de Ainda Estou Aqui
Dirigido por Walter Salles, Ainda Estou Aqui estreou no Festival de Veneza, em setembro do ano passado, com dez minutos de aplausos, e se tornou um dos favoritos do festival.
O filme ganhou o Leão de Prata de Melhor Roteiro e se credenciou como o favorito a representar o Brasil no Oscar. A escolha oficial aconteceu em dezembro, já com a campanha internacional realizada pela Sony Pictures a todo vapor.
O ponto de virada, no entanto, foi a surpreendente vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro como Melhor Atriz Dramática. O resultado atraiu o interesse e pavimentou o caminho para as três indicações ao Oscar.
Eunice Paiva
Ainda Estou Aqui, baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva, conta a história de Eunice Paiva, mãe do autor e mulher do engenheiro e ex-deputado federal Rubens Paiva, morto pela ditadura militar em janeiro de 1971.
Dona de casa em uma família de classe média no Rio de Janeiro, ela precisa se reinventar para cuidar dos cinco filhos enquanto busca informações sobre o marido, que sumiu ao ser levado do próprio lar pelo Exército para prestar depoimento.
Além de Fernanda Torres, estão no elenco Selton Mello (como Rubens Paiva) e Fernanda Montenegro (a versão mais velha de Eunice).
Sucesso de bilheteria
O filme estreou nos cinemas brasileiros no dia 7 de novembro e virou um sucesso de bilheteria. Mais de 5 milhões de espectadores assistiram à produção, o que rendeu uma bilheteria acima de R$ 100 milhões.
Deputada federal e atual presidente do PT é oficializada no lugar de Alexandre Padilha
Por Vinícius Nunes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou nesta sexta-feira (28) a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) como ministra das Relações Institucionais. Gleisi vai substituir Alexandre Padilha, indicado ao Ministério da Saúde. Ela toma posse em 10 de março.
Gleisi era cotada como ministra desde meados do ano passado, quando interlocutores da petista lançaram o nome dela para a Casa Civil ou para a Secretaria-Geral.
A deputada se manifestou em post na rede social X (antigo Twitter), afirmando que vai dialogar "democraticamente com os partidos, governantes e lideranças políticas".
Nessa quinta (27), Lula disse que já havia escolhido a substituta de Padilha, mas que "não havia conversado ainda com essa pessoa". O presidente também disse que precisava de mais "agressividade" e "rapidez" na sua equipe ministerial.
Gleisi é a atual presidente do PT e fica no cargo até 5 de julho deste ano, quando acontecem eleições no partido.
A Secretaria de Relações Institucionais (SRI) é a pasta da Esplanada que cuida das articulações políticas do Executivo com o Legislativo. Gleisi é aconselhada a indicar congressistas do Centrão para a sua equipe.
Benefícios dos dias 10, 11 e 12 serão pagos em 6 e 7 de março
POR WELLTON MÁXIMO
Cerca de 15 milhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) terão o benefício antecipado. Os pagamentos programados para 10, 11 e 12 de março serão pagos em 6 e 7 de março.
Com a decisão, o INSS terminará de pagar todos os 40,6 milhões de beneficiários até a primeira semana de março. Em nota, o Palácio do Planalto informou que esta foi uma determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A medida beneficia os segurados com o cartão de benefício com número final (sem o dígito verificador) 8, 9 e 0, no caso de quem recebe um salário-mínimo. Entre quem recebe acima do mínimo, beneficiará os segurados com o dígito final 3 a 0.
A primeira etapa de pagamento, para quem recebe até um salário mínimo, começou em 24 de fevereiro. A segunda etapa, para quem ganha acima do mínimo, começará no dia 6.
A decisão evita que o carnaval de 2025, que cai no início de março, afete o pagamento de aposentadorias e pensões. Por causa dos dias de feriado bancário, os benefícios previstos para 3 de março em diante foram adiados, o que faria parte dos segurados receber o pagamento de fevereiro apenas na segunda semana de março.
Resultado foi impactado por efeitos cambiais e queda nos segmentos de exploração, produção e refino; lucro anual somou R$ 36,6 bi
Com InvestNews
A Petrobras registrou prejuízo líquido de R$17 bilhões no quarto trimestre de 2024, uma reversão do lucro de R$31 bilhões obtido no mesmo período de 2023. O resultado foi afetado por impactos cambiais e pela queda no desempenho dos segmentos de exploração, produção, refino e comercialização, informou a companhia nesta quarta-feira (26).
O resultado contribuiu com um recuo 70,6% no lucro líquido de 2024, que somou 36,6 bilhões de reais, após a companhia ter registrado o segundo melhor lucro de sua história em 2023, com R$124,6 bilhões.
Em 2024, o resultado da petroleira sofreu com queda de 2% no Brent e recuo de 39% no “crackspread” do diesel. O crackspread representa a diferença entre o preço de venda do diesel no mercado e o custo do petróleo.
A diferença permaneceu estável, mas o resultado indica a defasagem que a companhia teve de assumir. A companhia não alterou o preço do combustível mais vendido no país durante 2024, evitando repassar a volatilidade do mercado.
A Petrobras registrou fluxo de caixa livre de R$21,7 bilhões no quarto trimestre, queda de 45,5% ante um ano antes. No ano, totalizou R$124,05 bilhões, redução de 20,1% em relação ao ano anterior.
O conselho aprovou pagamento de R$9,1 bilhões em dividendos aos acionistas, pendente de confirmação em Assembleia Geral Ordinária. Com os proventos antecipados ao longo do ano, a remuneração aos acionistas de 2024 deve somar R$75,8 bilhões.
Em nota, o diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Fernando Melgarejo, afirmou que o resultado foi impactado principalmente pela variação cambial em dívidas entre a Petrobras e suas subsidiárias no exterior.
“São operações financeiras entre empresas do mesmo grupo, que geram efeitos opostos que ao final se equilibram economicamente. Isso porque a variação cambial nestas transações entra no resultado líquido da holding no Brasil e impactou negativamente o lucro de 2024. Ao mesmo tempo, houve impacto positivo direto no patrimônio”, disse Melgarejo.
Sem os eventos exclusivos, o lucro líquido do quarto trimestre seria de R$17,7 bilhões (US$ 3,1 bilhões). O resultado no acumulado do ano passado alcançaria R$103 bilhões (US$19,4 bilhões) sem esses efeitos.
A adesão da Petrobras ao edital de contencioso tributário em junho de 2024 também afetou o resultado anual. A medida permitiu encerrar disputas judiciais sobre afretamentos de embarcações ou plataformas e seus contratos de prestação de serviços.
Resultados operacionais
O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda) ajustado caiu 38,7% no quarto trimestre versus o mesmo período de 2023, para R$40,97 bilhões. No ano, o indicador recuou 18,2%, para R$214,42 bilhões.
A divisão de Exploração e Produção registrou queda de 13,3% no lucro operacional em 2024, para R$147,7 bilhões. A área de Refino, Transporte e Comercialização teve baixa de 35,3% na mesma comparação, para R$16,6 bilhões.
A companhia destacou que o ambiente externo em 2024 registrou redução do Brent e do “crackspread” do diesel em comparação a 2023. “Mesmo com esses fatores, a Petrobras atingiu Ebitda ajustado sem eventos exclusivos de R$245,8 bilhões”, frisou a empresa.
A receita de vendas da petroleira alcançou R$121,27 bilhões no quarto trimestre. O valor representa queda de 9,7% ante o mesmo período de 2023. No ano, a receita somou R$490,83 bilhões, recuo de 4,1%.
A empresa divulgou no início do mês que suas vendas totais de petróleo, gás e combustíveis em 2024 totalizaram 2,914 milhões de barris ao dia. O número indica queda de 3,1% em relação a 2023.
A estatal investiu US$16,6 bilhões em 2024, aumento de 31,2% em relação ao ano anterior. O aumento ocorre em meio a demandas do governo federal por mais investimentos.
O investimento em 2024 superou em 15% o “guidance” divulgado em agosto. A empresa explicou que a realização acima do previsto “não representa um custo adicional e sim uma antecipação, uma vez que foi reduzido o ‘gap’ entre a evolução física e financeira das plataformas em Búzios”.
A dívida financeira da companhia atingiu US$23,2 bilhões no final do ano, menor patamar desde 2008.
A dívida líquida cresceu 16,9% em 2024 comparada ao ano anterior, chegando a US$52,24 bilhões. As despesas operacionais no último trimestre aumentaram 31,9% ante o mesmo período de 2023, somando R$43,1 bilhões. No ano, as despesas alcançaram R$105,8 bilhões, alta de 33,7%.
Em 2024, a Petrobras recolheu R$270 bilhões em tributos aos cofres públicos, segundo maior valor em dez anos.