Petista defendeu o trabalho feito durante sua gestão e disse ser a última vez que participa da corrida eleitoral
Por Tainá Farfan, da RECORD, em São Paulo, e Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
Ao anunciar sua candidatura à reeleição em São Paulo, neste domingo (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o trabalho feito durante sua gestão e disse ser a última vez que participa da corrida eleitoral.
Segundo ele, caso siga no Planalto, terá “briga com emenda parlamentar” e com o “papel do poder Legislativo”, condenando altos recursos destinados aos fundos partidários.
“Esse negócio de fundo partidário não me agrada. Porque isso está levando os partidos políticos à promiscuidade. Eu quero que vocês saibam que a minha quarta presidência é para mudar muita coisa neste país. Vai ter briga com emenda parlamentar, vai ter briga com o papel do poder Legislativo”, comentou.
Fundo Partidário é um recurso do orçamento do governo federal destinado às despesas cotidianas dos partidos políticos. As verbas são provenientes de multas, penalidades, doações e outros recursos definidos por lei.
Lula chegou a argumentar que existem partidos que ganham até R$ 1 bilhão por ano.
E afirmou que não pretende ser o “Lulinha paz e amor”, mas o “Lulinha porreta” em um eventual quarto mandato. Ele reconheceu os limites de sua gestão e afirmou que nem sempre consegue atender a todas as demandas. “Sei que nem sempre pude entregar tudo que queriam, mas governando não se faz o só que quer.”
Não quer voto de agressor
Durante o discurso, também criticou os índices de violência contra mulher, afirmando que não deseja receber votos de agressores.
“O cara vai ter que escolher. Ou ele vota em mim ou ele bate na mulher. Se bater na mulher, não precisa votar em mim. [...] Duvido que um governo tenha colocado tanto dinheiro nos estados… 99% receberam uma obra ou equipamento do PAC. Temos autoridade moral de defender com orgulho o que nós fizemos, comentou.
Lula terá como aliados em sua coligação os partidos PCdoB e PV, que integram a Federação Brasil da Esperança, além de PSOL, Rede, PSB e PDT, parte da base de apoio à corrida eleitoral.
Pé-de-Meia e educação
O petista defendeu a criação de programas como Pé-de-Meia e incentivo à indústria, além da retomada da demarcação de terras indígenas e de investimentos nos estados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e na educação, por exemplo.
“Eu sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o problema da educação neste país. Eu sou candidato pela quarta vez porque quero pagar a dívida com os idosos. Tenho 80 anos e hoje estou infinitamente melhor do que quando eu tinha 50 anos e estava no meu primeiro mandato.”
Investimento na defesa
Em meio à tensão com os Estados Unidos, Lula defendeu que o Brasil passe a investir na indústria da defesa e esteja “preparado” caso alguém decida invadir o país. Apesar de não ter citado Nicolás Maduro, o petista fez referência à prisão do presidente venezuelano pelo governo de Donald Trump.
“Quero pedir para o pessoal da esquerda parar com essa bobagem de achar que a gente não tem que ter preocupação com a defesa”, disse. “Quero estar preparado para que ninguém invada este país e leve o presidente, como eles invadiram.”
Planejamento para o Brasil
Em seu discurso, Lula defendeu a definição de prioridades nacionais em um planejamento de longo prazo e afirmou que o país precisa estabelecer um projeto com horizonte de 10 a 15 anos. “Precisamos decidir o que é prioridade no país”, frisou ele.
O presidente também comentou temas ligados à juventude e planejamento familiar, dizendo que uma jovem que tem filhos aos 16 anos “joga o futuro fora”. E defendeu o direito de escolha das mulheres, ao destacar que a mulher “tem que ter filho quando quiser”.
Alckmin ataca descrença nas urnas
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse que adversários políticos descrentes no voto popular não deveriam ser candidatos à Presidência.
Ele lembrou, sem mencionar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que a oposição elaborou um golpe de Estado ao perder as eleições de 2022.
“Tinham como projeto assassinar aqueles que foram eleitos pelo povo. Pelo voto popular, não deveriam sequer ter sido candidatos à Presidência”, disse, durante a Convenção Nacional do PT, em São Paulo.
A lista reúne candidaturas próprias, apoios declarados e alianças estaduais, que ainda podem mudar até a próxima quarta (5), quando termina o prazo das convenções.
LAURA INTRIERI - (FOLHAPRESS)
Na reta final das convenções partidárias, o presidente Lula (PT) tem nomes associados a seu campo para os governos nas 27 unidades da Federação.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega à mesma etapa com cinco estados sem palanque definido ou em que seu partido não lançou candidato nem se aliou a outra chapa: Acre, Alagoas, Maranhão, Minas Gerais e Pernambuco.
A lista reúne candidaturas próprias, apoios declarados e alianças estaduais, que ainda podem mudar até a próxima quarta (5), quando termina o prazo das convenções.
Nos últimos meses, os dois lados barraram candidaturas próprias, administraram disputas internas e priorizaram alianças para ganhar capilaridade nos estados. A montagem das chapas exige conciliar as eleições para governador e para o Senado com os acordos nacionais de cada partido.
Norte
Na região Norte, o campo de Lula reúne Dr. Thor Dantas (PSB), no Acre; Clécio Luís (União Brasil), no Amapá; Omar Aziz (PSD), no Amazonas; Hana Ghassan (MDB), no Pará; Expedito Netto (PT), em Rondônia; Nelita Frank (PT), em Roraima; e Laurez Moreira (PSD), no Tocantins.
Flávio tem nomes identificados em seis estados da região: Maria do Carmo Seffair (PL), no Amazonas; Daniel Santos (Podemos), no Pará; Marcos Rogério (PL), em Rondônia; Arthur Henrique (PL), em Roraima; Professora Dorinha Seabra (União Brasil), no Tocantins; e Dr.Furlan (PSD), no Amapá.
Nordeste
Lula tem nomes definidos nos nove estados nordestinos: Renan Filho (MDB), em Alagoas; Jerônimo Rodrigues (PT), na Bahia; Elmano de Freitas (PT), no Ceará; Felipe Camarão (PT), no Maranhão; Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba; João Campos (PSB), em Pernambuco; Rafael Fonteles (PT), no Piauí; Cadu Xavier (PT), no Rio Grande do Norte; e Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe.
Na Bahia, a disputa vai reeditar o confronto de 2022 entre Jerônimo e ACM Neto. O PT trabalha para nacionalizar a campanha e estimular o voto casado no governador e em Lula, enquanto o PL integra a aliança estadual do ex-prefeito de Salvador. ACM Neto, porém, adotou uma estratégia de distanciamento da eleição presidencial e declarou apoio a Ronaldo Caiado, do PSD.
O Nordeste concentra algumas das principais dificuldades de Flávio na montagem dos palanques. Os alinhados a Flávio na região são Efraim Filho (PL), na Paraíba; Joel Rodrigues (PP), no Piauí; Álvaro Dias (PL), no Rio Grande do Norte; e Ricardo Marques (PL), em Sergipe. No Ceará, o partido trabalha por uma aliança estadual com Ciro Gomes, mas o tucano tem sinalizado que não participará da campanha presidencial.
Centro-Oeste
No Distrito Federal, Lula terá dois palanques locais separados, com Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB). A governadora Celina Leão (PP) é o nome associado a Flávio. O apoio do PL a Celina vinha sendo articulado nos bastidores, com participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), embora a composição formal ainda dependesse das convenções.
Em Goiás, o PT trabalha com Luís César Bueno para dar palanque a Lula, enquanto Wilder Morais é o candidato do PL. Em Mato Grosso, Natasha Slhessarenko (PSD) é o nome associado ao presidente e Wellington Fagundes (PL), ao senador.
Em Mato Grosso do Sul, Fábio Trad (PT) será o candidato de Lula. O governador Eduardo Riedel (PP) declarou apoio a Flávio.
Sudeste
No Espírito Santo, Helder Salomão (PT) é o candidato ligado a Lula. No campo de Flávio, o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) declarou apoio ao senador e negociou uma aliança com o PL.
Em Minas Gerais, o PT definiu Patrus Ananias como candidato ao governo e encerrou a última indefinição na articulação de Lula. Flávio ainda não tem palanque mineiro decidido. O PL aguardava a decisão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera pesquisas para o governo, mas ainda não confirmou a candidatura.
No Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) é o nome ligado a Lula, e Douglas Ruas (PL), a Flávio. Jane Reis (MDB) integra a chapa de Paes como vice.
Em São Paulo, os dois lados estão consolidados. O PT oficializou Fernando Haddad como candidato ao governo em convenção com Lula, enquanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tenta a reeleição como principal aliado estadual de Flávio.
Sul
No Paraná, Lula terá como palanque Requião Filho (PDT), após o PT fechar uma aliança estadual com o partido. Flávio estará com Sergio Moro (PL), que lançou sua candidatura ao governo ao lado do senador.
No Rio Grande do Sul, o PT apoiará Juliana Brizola (PDT), depois de abrir mão da candidatura de Edegar Pretto em favor da unidade da aliança. Flávio terá Luciano Zucco (PL), que oficializou sua candidatura com a presença do presidenciável.
Em Santa Catarina, o ex-deputado e empresário Gelson Merísio (PSB) diz que pretende oferecer um “palanque sólido” a Lula. O governador Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição, está no campo de Flávio.
Representação do Novo pede investigação por quebra de decoro após divulgação de relatórios da Polícia Federal
Com Jornal de Brasília
A investigação sobre o Banco Master abriu uma nova frente de desgaste para Jaques Wagner (PT-BA) dentro do Senado. O partido Novo levou o caso ao Conselho de Ética e pediu a abertura de um processo para verificar se a conduta do ex-líder do governo Lula configura quebra de decoro parlamentar.
A representação ganhou força após André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, liberar documentos que estavam sob sigilo. O material descreve a proximidade de Wagner com Augusto Ferreira Lima, o “Guga Lima”, e aponta que essa relação teria aproximado o senador de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.
A Polícia Federal identificou 74 ligações entre Wagner e Augusto Lima, realizadas entre novembro de 2023 e maio de 2025, com duração total de cinco horas e meia. Para os investigadores, os contatos teriam criado um canal para tratar de operações e pautas legislativas de interesse do banco, embora as suspeitas ainda dependam do avanço das apurações.
Outro ponto analisado envolve possíveis vantagens econômicas recebidas pelo parlamentar. Entre os elementos citados está a negociação de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, que teria seguido uma estrutura semelhante à investigada no caso do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, realizada em 18 de junho.
O senador evitou responder diretamente às suspeitas e afirmou seguir a orientação de seus advogados para permanecer em silêncio sobre o mérito do inquérito. Em entrevista à Rádio Baiana FM, Wagner disse que a investigação também pode servir para “afastar a culpa”. Agora, além da apuração conduzida pela PF, ele poderá enfrentar um procedimento político no Senado.
Dívida bruta do país sobe para 81,9% do PIB, maior nível desde 2021
Por Claudio Dantas
As contas do setor público consolidado registraram um déficit nominal de R$ 1,32 trilhão nos 12 meses encerrados em junho, equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados nesta sexta-feira (31) pelo Banco Central. O resultado, que considera o pagamento dos juros da dívida pública, representa um dos maiores rombos já registrados na série histórica e é acompanhado de perto por agências internacionais de classificação de risco.
No mês de junho, o setor público apresentou déficit primário de R$ 55,3 bilhões, resultado pior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando o saldo negativo foi de R$ 47,1 bilhões. O indicador reúne as contas do governo federal, estados, municípios e empresas estatais, sem considerar os gastos com juros da dívida.
Ao incorporar essas despesas financeiras, o déficit nominal chegou a R$ 166 bilhões apenas em junho, impulsionado principalmente pelo aumento dos juros nominais, que somaram R$ 110,7 bilhões no mês.
No acumulado de 12 meses, os gastos com juros alcançaram R$ 1,16 trilhão, o equivalente a 8,8% do PIB, contribuindo para a deterioração das contas públicas.
Dívida bruta avança
Os dados do Banco Central também mostram que a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu 81,9% do PIB em junho, totalizando R$ 10,8 trilhões. Trata-se do maior patamar desde o período da pandemia de Covid-19, em 2021.
Na comparação com maio, quando a dívida representava 81,1% do PIB, houve avanço de 0,8 ponto percentual. Desde o início do terceiro mandato do presidente Lula (PT), a relação entre dívida e PIB aumentou 10,2 pontos percentuais.
Segundo o Banco Central, a elevação foi influenciada principalmente pelo impacto dos juros nominais sobre a dívida, pelas emissões líquidas de títulos públicos e pela redução do PIB nominal no período.
Resultado do semestre
No primeiro semestre de 2026, o setor público acumulou déficit primário de R$ 80,2 bilhões, equivalente a 1,2% do PIB. No mesmo intervalo de 2025, havia sido registrado superávit de R$ 22 bilhões.
Considerando apenas o governo federal, o saldo negativo chegou a R$ 93,4 bilhões entre janeiro e junho, acima do déficit de R$ 12,3 bilhões observado no mesmo período do ano anterior.
O resultado ocorre apesar da meta fiscal estabelecida para 2026 prever superávit de 0,25% do PIB, com margem de tolerância que permite saldo primário igual a zero. A legislação do arcabouço fiscal também autoriza a exclusão de determinadas despesas do cálculo da meta, como parte dos gastos com precatórios, o que leva o próprio governo a projetar déficit próximo de R$ 52 bilhões ao fim do ano.
Em evento empresarial que reuniu líderes dos quatro maiores institutos de pesquisas do País, números apresentados são favoráveis a um novo mandato para o presidente
Site 247
Por Marco Damiani, para o 247 – Nas contas do CEO do Instituto Quaest, Felipe Nunes, as chances de reeleição do presidente Lula deram um salto significativo desde o início do ano e estão em seu ponto mais alto até aqui. “No modelo que associa a aprovação do governo à probabilidade de reeleição, o presidente está em uma posição bastante competitiva”, afirmou o pesquisador nesta segunda-feira, 27, durante o evento Almoço Empresarial, do grupo Lide, em São Paulo. “No começo no ano, quando o governo tinha 43 por cento de aprovação, as chances de Lula se reeleger eram de 38%. Agora, com uma alta para 47 por cento neste quesito, a probabilidade de reeleição cresceu para 60 por cento.”
O evento do Lide reuniu, presencialmente, os responsáveis pelos institutos Datafolha, Atlas Intel e Paraná Pesquisas, diante de uma plateia de cerca de 400 líderes empresariais. Pela Quaest, Nunes falou via uma mensagem em vídeo, previamente gravada. Para ele, os eleitores independentes, não identificados diretamente com as correntes lulista e bolsonarista da sociedade brasileira, irão definir o pleito. “Nas nossas sondagens mais recentes, esses independentes passaram a rejeitar mais o candidato Flávio Bolsonaro do que Lula.”
Para Andrei Roman, CEO do Atlas Intel, o quadro eleitoral ainda “está difícil de acertar”. Mesmo assim, ele afirmou que os dados colhidos pelo instituto mostram que “o presidente Lula parte como favorito tanto no primeiro como no segundo turno”. Em números, os cálculos do Atlas Intel revelam dados que vão além da margem de erros dos levantamentos. “Lula tem uma vantagem de mais ou menos 10 pontos no cenário de primeiro turno e de cerca de 7 pontos na simulação de segundo turno”, revelou Roman.
Líder do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo manifestou que os programas de renegociação de dívidas estruturados neste ano pelo governo federal têm alavancado as intenções de votos, especialmente, na região Sudeste. “Ao nosso ver, a eleição vai ser decidida no estado de São Paulo, onde, neste momento, Lula tem dianteira sobre Flávio Bolsonaro”, afirmou Hidalgo.
Luciana Chong, diretora do instituto Datafolha, indicou que o eleitorado feminino, com 53% do contingente total, o público 60+, que chega a 23% do conjunto dos eleitores, e os jovens, entre 18 e 34 anos de idade, são os segmentos sociais que podem decidir a disputa presidencial. “Desde a eleição de 2018, as mulheres têm posicionado o seu voto mais à esquerda”, lembrou ela. “Neste ano, as mulheres têm se mostrado mais a favor de Lula do que de Flávio Bolsonaro”, prosseguiu. Quanto aos eleitores acima de 60 anos, para a diretora do Datafolha “eles são uma fortaleza de Lula”. “O presidente apresenta 11 pontos de vantagem sobre seu principal adversário neste segmento”, informou. No grupo jovem da população, segundo a aferição mais recente feita pelo instituto, o presidente abre 10 pontos sobre o bolsonarista no levantamento espontâneo sobre o primeiro turno. A diferença fica maior no cenário do Datafolha sobre a segunda rodada, com 40% de intenções espontâneas de voto para Lula e 31 pontos percentuais para Flávio Bolsonaro.
Os números são muitos, mas a conclusão é um só. Nestes primeiros dias de abertura oficial da disputa pelo voto, o presidente está liderando a corrida presidencial além da margem de erro.