Celebração secular, realizada de 6 a 17 de agosto, recebe romeiros de dentro e fora do Tocantins e reforça a importância de Natividade para o turismo religioso e cultural

 

 

Por Leydiane Lima

 

 

Depois de quatro anos sem retornar ao povoado do Bonfim, Maria Inês Mendes veio de Tucumã, no Pará, para participar novamente da Romaria do Senhor do Bonfim, em Natividade, realizada de 6 a 17 de agosto. É a quinta vez que ela faz a viagem, desta vez também para agradecer por uma graça alcançada. “Tenho muita fé no Senhor do Bonfim”, ressalta a romeira.

 

O relato de Maria Inês ajuda a dimensionar o alcance de uma celebração que, todos os anos, leva milhares de pessoas ao município de Natividade, localizado a cerca de 277 km de Palmas. No povoado, o Santuário Diocesano do Senhor do Bonfim recebe fiéis que chegam de diferentes lugares para participar das celebrações religiosas.

 

A origem da devoção remonta ao ano de 1750. De acordo com a narrativa preservada pela comunidade, uma imagem de Cristo crucificado foi encontrada por um vaqueiro na zona rural. Com o passar do tempo, o lugar se tornou destino de peregrinação e contribuiu para a formação do próprio povoado do Bonfim.

 

Em 2026, o Festejo do Senhor do Bonfim passou a integrar oficialmente o Patrimônio Cultural Imaterial e Histórico do Estado do Tocantins, reforçando a importância da celebração para a preservação da história e da cultura tocantinense.

 

Missa campal reúne romeiros no Santuário Diocesano do Senhor do Bonfim, em Natividade, durante as celebrações deste sábado, 15, ponto alto dos festejos. 

 

Durante a missa campal, neste sábado, 15, Dom Pedro, administrador apostólico diocesano, abordou em sua homilia a importância da fé para a vida em sociedade, destacando o amor ao próximo, a solidariedade e o cuidado com as pessoas como valores que precisam estar presentes também nas relações cotidianas.

 

A presença da religiosidade na cultura tocantinense não se limita ao Bonfim. Na região sudeste, as Folias do Divino, em Natividade, e as Cavalhadas de Taguatinga preservam costumes ligados às comunidades locais. A Suça, também fortemente associada a Natividade, integra esse conjunto de manifestações culturais; e, no Jalapão, os Caretas de Lizarda fazem parte das tradições da Semana Santa.

 

Movimento que vai além do santuário

 

Nos dias de romaria, a circulação de visitantes muda também a rotina de Natividade e do povoado do Bonfim. Restaurantes, barracas, hospedagens, transporte, comércio e outros serviços recebem uma demanda maior, criando oportunidades para vendedores, pequenos empreendedores e trabalhadores locais.

 

O fluxo de visitantes ainda abre espaço para conhecer outros atrativos de Natividade. O município reúne patrimônio histórico, arquitetura, gastronomia e costumes que complementam a experiência de quem chega pela romaria e fortalecem o turismo religioso e cultural.

 

 

Ruínas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos integram o conjunto histórico de Natividade e ajudam a preservar parte da memória cultural do município.

 

A romaria também mobiliza uma estrutura de serviços públicos para atender o grande fluxo de pessoas no período. Entre as ações estão pontos de apoio aos romeiros, com alimentação e cuidados básicos de saúde, além do reforço das Forças de Segurança, atendimento de emergências, fiscalização e orientação no trânsito. Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros, Departamento Estadual de Trânsito do Tocantins (Detran) e outros órgãos estaduais atuam durante os festejos para atender moradores, visitantes e romeiros que chegam a Natividade.

 

Assim, enquanto romeiros como Maria Inês chegam ao Bonfim por motivos pessoais de fé, a celebração também coloca em circulação histórias, tradições e atividades que fazem parte da vida de Natividade há séculos.

 

 

 

Posted On Domingo, 16 Agosto 2026 05:28 Escrito por

Influencer saiu do União Brasil e se filiou ao PRTB; medida é provisória e pode ser derrubada

 

 

Com Estadão

 

 

A Justiça Eleitoral de São Paulo concedeu liminar para o influenciador Pablo Marçal trocar de sigla e se filiar ao Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB) neste sábado, 15. A medida abriu a possibilidade para Marçal protocolar pedido de registro de candidatura à Presidência.

 

Apesar disso, o influencer ainda precisa reverter a inelegibilidade na Justiça Eleitoral para lançar seu nome nestas eleições.

A decisão deste sábado foi concedida pelo juiz eleitoral Gustavo Nardi. A medida é provisória e pode ser derrubada.

 

No dia 5 de agosto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) confirmou, por 7 votos a 0, a condenação de Pablo Marçal (União Brasil) por uso indevido dos meios de comunicação social durante a campanha de 2024 para a prefeitura da capital paulista. A decisão manteve a inelegibilidade de oito anos do coach e influencer.

 

Ainda cabe recurso da decisão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A defesa de Marçal afirma que irá recorrer.

 

Os embargos de declaração foram apresentados pela defesa de Marçal contra o acórdão de dezembro de 2025. A ação julgou três acusações diferentes contra Marçal, reunidas em ações movidas pelo PSB e pelo Ministério Público Eleitoral.

 

A corte afastou duas delas: abuso de poder econômico e captação e gastos ilícitos de recursos de campanha. Nesses pontos, prevaleceu o entendimento de que não havia prova inequívoca de pagamento efetivo de prêmios em dinheiro pelo candidato ou por terceiros.

 

A condenação que restou — e que os embargos de declaração tentavam reverter — foi por uso indevido dos meios de comunicação social.

 

Segundo o relator, o coach se beneficiou de uma estratégia de disseminação massiva de vídeos por meio de um concurso promovido na comunidade "Cortes do Marçal", no Discord, entre 24 de junho e 7 de julho de 2024. Os participantes eram incentivados a publicar cortes de vídeos do então candidato com a hashtag #prefeitomarçal em troca de prêmios, prática que a legislação eleitoral veda.

 

 

Posted On Domingo, 16 Agosto 2026 05:12 Escrito por

O ministro aposentado do STF (Supremo Tribunal Federal) Marco Aurélio Mello criticou a quebra do sigilo da fonte de um jornalista no Maranhão e afirmou que vê o episódio com “muita preocupação”. Em entrevista à CNN, o ex-magistrado disse que a proteção ao sigilo é uma garantia prevista na Constituição e avaliou que afastá-la representa um risco à atividade jornalística.

 

 

Por Fernanda Fonseca

 

 

“A preocupação, como cidadão, hoje aposentado já há cinco anos, é chegar-se à quebra do sigilo da fonte. Isso não se coaduna com o Estado Democrático de Direito. Isso não se coaduna com o que nós esperamos que seja, realmente, observado: a Constituição Federal”, afirmou.

 

A declaração ocorre após a repercussão de uma investigação que envolve o jornalista maranhense Luís Pablo e pessoas apontadas como suas fontes.

 

O ministro Alexandre de Moraes autorizou medidas de busca e apreensão contra investigados, entre eles o ex-secretário do governo do Maranhão Raimundo Cutrim. A decisão foi tomada a pedido da Polícia Federal e teve parecer favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Segundo a investigação, Cutrim teria obtido informações por meio de sistemas públicos e as repassado ao jornalista, que publicou reportagens relacionadas ao ministro do STF Flávio Dino e ao uso de veículos oficiais no Maranhão. Luís Pablo, que teve equipamentos apreendidos pela PF em março, nega ter perseguido Dino ou cometido irregularidades no exercício da atividade jornalística.

 

Marco Aurélio afirmou que, mesmo diante de uma investigação, os meios empregados pelas autoridades precisam respeitar os limites estabelecidos pela Constituição.

“Se se tem como chegar a certos dados investigando segundo o figurino legal, segundo o figurino constitucional, se chega. Mas, se não se tem, evidentemente há a necessidade de recuar”, disse.

 

Debate no STF

O episódio também provocou manifestações dos atuais integrantes do Supremo. Na quinta-feira (13), o presidente da Corte, Edson Fachin, defendeu a liberdade de imprensa e a garantia constitucional do sigilo da fonte. Moraes, por sua vez, sustentou que essa proteção não pode funcionar como escudo para a prática de crimes.

Moraes afirmou que há indícios de atuação ilícita de investigados para perseguir Dino e seus familiares e disse que eventuais recursos relacionados ao caso caberão à Primeira Turma do STF.

Marco Aurélio também criticou a possibilidade de um caso dessa natureza ser analisado por uma Turma e defendeu maior protagonismo do plenário do Supremo.

“Acima de qualquer integrante do Supremo, inclusive do presidente, está o colegiado, com a voz do colegiado. E digo mais: com a voz, de forma peremptória e inafastável, a Constituição Federal. Isso é que precisa ser observado”, afirmou.

 

 

Posted On Domingo, 16 Agosto 2026 05:10 Escrito por

Levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos

 

 

Por Redação g1

 

 

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (13) com as intenções de voto para o Governo do Ceará mostra o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) com 52% das intenções de voto no 1º turno contra o atual governador, Elmano de Freitas (PT), que aparece com 33% das intenções de voto.

 

Os números são do cenário estimulado - aquele em que o nome dos candidatos é apresentado aos eleitores. A diferença de Ciro para Elmano é de 19 pontos percentuais, portanto, acima da margem da erro, que é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.

A pesquisa testou o cenário de primeiro turno com os sete candidatos anunciados - inclusive Pedro Brito como o candidato pelo partido Novo. Ele desistiu de concorrer ao governo na última terça-feira (12). O partido Novo anunciou que ele será substituído por Vera Lúcia.

 

A pesquisa também testou o cenário de um eventual segundo turno entre Ciro e Elmano. Neste cenário, Ciro aparece com 55% das intenções de voto contra 37% de Elmano.

Foram entrevistadas 1.022 pessoas entre os dias 10 e 13 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi encomendada pelo jornal "O Povo" e registrada na Justiça Eleitoral sob o número CE-04292/2026.

 

Confira os números abaixo:

 

Veja os números no cenário estimulado:

Cenário estimulado é aquele em que o nome dos candidatos é apresentado ao eleitor pelos entrevistadores. Confira os números:

Ciro Gomes (PSDB): 52%
Elmano de Freitas (PT): 33%
Pedro Brito (Novo): 1%
Delegado Huggo (Missão): 1%
Danilo Soares (Democrata): 1%
Serley Leal (UP): não pontuou
Zé Batista (PSTU): não pontuou
Branco/Nulo/Nenhum: 7%
Não sabe: 4%

Veja os números no cenário espontâneo:

Cenário espontâneo é aquele em que o nome dos candidatos não é apresentado ao eleitor. Confira:

Ciro Gomes (PSDB): 28%
Elmano de Freitas (PT): 20%
Camilo Santana (PT): 2%
Não sabe: 43%
Outras respostas: 3%
Branco/Ruim/Nenhum: 5%

Veja os cenários de segundo turno:

A pesquisa Datafolha também testou as intenções de voto em um eventual segundo turno entre Ciro e Elmano. Confira:

Ciro Gomes (PSDB): 55%
Elmano de Freitas (PT): 37%
Em branco/nulo/nenhum: 5%
Não sabe: 3%

Números da rejeição

A pesquisa Datafolha também perguntou qual candidato os entrevistados não votariam de jeito nenhum no 1º turno. Confira os números:

Elmano de Freitas (PT): 35%
Ciro Gomes (PSDB): 21%
Delegado Huggo (Missão): 19%
Zé Batista (PSTU): 18%
Pedro Brito (Novo): 17%
Danilo Soares (Democrata): 15%
Serley Leal (UP): 11%
Votaria em qualquer um/não rejeita nenhum: 5%
Rejeita todos/não votaria em nenhum: 3%
Não sabe: 8%

 

 

 

Posted On Domingo, 16 Agosto 2026 05:07 Escrito por O Paralelo 13

Por: Edson Rodrigues e Edivaldo Rodrigues

 

 

O mapa eleitoral do Tocantins começa a revelar aquilo que muitos políticos ainda tentam não enxergar: a eleição de 2026 será atravessada por uma forte polarização nacional. Os números oficiais do Tribunal Superior Eleitoral referentes ao segundo turno de 2022, quando o eleitor tocantinense escolheu entre Lula e Jair Bolsonaro, mostram um Estado dividido, com diferentes regiões apresentando comportamentos eleitorais distintos.

 

No segundo turno de 2022, Lula obteve 51,36% dos votos válidos no Tocantins, contra 48,64% de Bolsonaro. Mais do que números históricos, esse mapa oferece aos estrategistas das candidaturas majoritárias um “mapa da mina” eleitoral, pois ele ajuda a compreender onde estão as forças políticas, quais regiões possuem maior aderência a determinado campo ideológico e, principalmente, onde cada candidatura poderá encontrar terreno fértil para crescer.

 

É preciso, portanto, olhar para 2026 com os pés no chão.

 

NÃO HÁ ESPAÇO PARA FICAR EM CIMA DO MURO

Na eleição deste ano, especialmente na disputa pelo Governo do Tocantins, não parece haver muito espaço para quem pretende acender uma vela para cada lado. O eleitor está mais atento. E, diante de uma eleição nacional novamente marcada pela disputa entre direita e esquerda, as candidaturas estaduais serão inevitavelmente chamadas a dizer quem são, de onde vêm e com quem caminham.

 

No cenário atual, duas candidaturas ao Governo já assumiram posições bastante claras no tabuleiro nacional. O candidato Vicentinho Júnior, identificado com o campo da direita, e Laurez Moreira, identificado com o campo de esquerda e alinhado ao presidente Lula. Entre os nomes que aparecem na disputa, a senadora Professora Dorinha Seabra ocupa uma posição particularmente delicada. Segundo as informações que chegam ao Observatório Político de O Paralelo13, Dorinha aparece tecnicamente empatada com Vicentinho em levantamentos que circulam no cenário estadual, enquanto Laurez Moreira vem logo atrás, com Ataídes Oliveira também buscando espaço.

 

Mas existe uma questão política que não pode ser ignorada.

 

DORINHA: ENTRE O CONGRESSO E O PALANQUE

 

A senadora Professora Dorinha Seabra exerce hoje uma posição de destaque na relação institucional com o governo do presidente Lula, inclusive como vice-líder no Senado. Ao mesmo tempo, sua candidatura ao Governo reúne importantes lideranças que possuem forte identificação com a direita tocantinense. Entre essas forças estão Eduardo Gomes, Wanderlei Barbosa, Eduardo Siqueira Campos, Carlos Gaguim, Eli Borges e Ronaldo Dimas, além de outras lideranças que transitam no campo político de centro-direita.

 

E aí está o dilema.

 

O União Brasil liberou seus integrantes para definirem apoio presidencial conforme as articulações regionais. A decisão nacional de neutralidade da legenda foi confirmada durante a convenção partidária, permitindo que os diretórios e candidatos mantenham seus próprios palanques estaduais.

 

Isso significa que Dorinha terá de administrar uma equação política extremamente delicada, com uma candidatura ao Governo apoiada por lideranças majoritariamente identificadas com a direita, enquanto ela própria ocupa uma posição institucional de proximidade com o governo Lula no Senado. O eleitor, mais cedo ou mais tarde, vai perguntar: qual será a posição de Dorinha na eleição presidencial?

 

E essa resposta poderá ter peso no segundo turno estadual e o eleitor certamente exigirá clareza.

 

O TRIO PARADA DURA DA DIREITA

 

Se existe uma característica que ninguém no Tocantins parece ter dificuldade de identificar, é a posição política de Vicentinho Júnior, Eduardo Gomes e Wanderlei Barbosa. O trio, cada um à sua maneira, construiu sua trajetória política distante do campo da esquerda e hoje está claramente associado ao espectro da direita ou centro-direita. Vicentinho Júnior não esconde sua posição. Eduardo Gomes também não, e Wanderlei Barbosa, embora não seja candidato a nenhum cargo eletivo em 2026, tornou-se uma das principais referências políticas da composição que se desenha para a sucessão estadual.

 

É justamente por isso que o mapa eleitoral de 2022 ganha importância. Ele mostra que o Tocantins não é eleitoralmente homogêneo. Há municípios e regiões onde a direita possui enorme capacidade de mobilização e outros onde o campo lulista demonstra força. Quem souber interpretar esse mapa poderá largar na frente. Quem ignorá-lo poderá descobrir tarde demais que eleição não se ganha apenas com discurso de gabinete.

 

EDUARDO GOMES: O HOMEM DO PALANQUE DE FLÁVIO BOLSONARO NO TOCANTINS

 

É neste ponto que entra uma das movimentações mais importantes do tabuleiro de 2026.

O senador Eduardo Gomes, presidente estadual do PL e vice-presidente do Senado, assumirá papel central na articulação da campanha de Flávio Bolsonaro no Tocantins, funcionando como uma das principais referências do projeto presidencial do PL no Estado. A aproximação não é circunstancial. Eduardo Gomes participou da convenção nacional do PL ao lado de Flávio Bolsonaro e reforçou publicamente sua ligação com o grupo político bolsonarista. Durante o governo Jair Bolsonaro, Gomes foi líder do governo no Congresso Nacional e tornou-se um dos principais articuladores da gestão no Parlamento.

 

E há outro detalhe que não pode ser ignorado. Eduardo Gomes chega à disputa presidencial com uma estrutura política que extrapola os limites do seu partido. Atualmente o senador conta com o apoio dos prefeitos dos cinco maiores colégios eleitorais do Tocantins: Eduardo Siqueira Campos, de Palmas; Wagner Rodrigues, de Araguaína; Josi Nunes, de Gurupi; Ronivon Maciel, de Porto Nacional; e Celso Morais, de Paraíso do Tocantins.

 

São cinco municípios que concentram uma parcela decisiva do eleitorado tocantinense. Não se trata, portanto, apenas de uma fotografia partidária. Trata-se de uma rede municipal com capacidade de comunicação direta com o eleitor.

 

Em Palmas, Eduardo Siqueira Campos já declarou apoio a Eduardo Gomes para o Senado, destacando a parceria institucional construída com o senador. Em Gurupi, a relação política entre Eduardo Gomes e Josi Nunes também vem sendo demonstrada publicamente, inclusive em agendas que reforçaram a parceria entre as duas lideranças. Em Araguaína, Wagner Rodrigues aparece no tabuleiro como apoiador de Eduardo Gomes para o Senado, embora enfrente uma disputa local particular pela presença de outros nomes ligados diretamente ao eleitorado da cidade. É essa capilaridade que pode transformar Eduardo Gomes em uma peça ainda mais importante na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no Tocantins.

 

Eduardo Gomes terá, portanto, uma eleição com duas frentes. De um lado, a disputa pela própria reeleição ao Senado. De outro, a responsabilidade de ajudar a organizar o palanque de Flávio Bolsonaro no Tocantins.

A CONTRADIÇÃO DO CENTRÃO

 

No plano nacional, entretanto, o cenário não é tão simples para Flávio Bolsonaro.

União Brasil, PP e Republicanos adotaram posições de neutralidade na disputa presidencial, liberando suas lideranças estaduais para construírem seus próprios palanques. O movimento representa uma dificuldade para o PL reproduzir, nacionalmente, a amplitude da aliança que Jair Bolsonaro conseguiu reunir em 2022. O Republicanos, por exemplo, registrou ampla maioria de diretórios pela neutralidade, enquanto apenas uma parcela declarou apoio a Flávio Bolsonaro.

]Mas aqui está justamente a peculiaridade do Tocantins.

]

A neutralidade nacional não significa necessariamente neutralidade nos estados. O próprio desenho político tocantinense mostra que os interesses locais podem falar mais alto do que as decisões das direções nacionais. E Eduardo Gomes é uma demonstração clara disso.

KÁTIA ABREU E O PALANQUE DE LULA

 

Do outro lado do tabuleiro está a candidatura do presidente Lula à reeleição. No Tocantins, Lula possui um palanque que busca ganhar forma em torno da candidatura de Laurez Moreira ao Governo e de nomes alinhados ao campo progressista. Nesse processo, a ex-senadora Kátia Abreu assume papel político relevante como coordenadora da articulação da campanha de Lula no Estado. Kátia terá uma missão de apresentar ao eleitor tocantinense os resultados, investimentos e programas sociais realizados durante os governos Lula, demonstrando de que maneira essas políticas chegaram aos municípios e às famílias do Tocantins.

 

Não basta dizer que é Lula. Será necessário mostrar o que Lula fez pelo Tocantins. E os candidatos proporcionais e majoritários do campo da esquerda também precisarão decidir se vão carregar essa bandeira com a força necessária.

 

LAUREZ E O PALANQUE LULISTA

 

Dentro desse desenho, Laurez Moreira surge como o principal nome do campo lulista na disputa pelo Governo do Tocantins. Sua candidatura terá um desafio de transformar a identificação nacional com Lula em votos efetivos para uma eleição estadual. É uma tarefa que parece simples no discurso, mas que exige organização municipal, lideranças, prefeitos, vereadores, deputados e uma comunicação eleitoral capaz de traduzir a polarização nacional para os problemas concretos do Tocantins.

 

Porque o eleitor pode gostar de Lula e votar diferente para governador. Assim como pode votar em um candidato de direita para governador e escolher Lula para presidente. É justamente por isso que o mapa de 2022 precisa ser estudado município por município.

 

O MAPA DA MINA NÃO É UMA PROFECIA

 

Os dados do TSE não dizem quem vencerá 2026. Eles mostram, entretanto, como o eleitorado tocantinense se comportou diante da maior polarização presidencial recente. Palmas, Araguaína, Gurupi, Porto Nacional, Paraíso do Tocantins e os demais municípios apresentam comportamentos eleitorais diferentes.

 

Em Palmas, por exemplo, Bolsonaro alcançou 60,3% dos votos válidos no segundo turno de 2022. Em Araguaína, chegou a 58,2%. Gurupi registrou 59,3% para Bolsonaro. Já Porto Nacional teve vantagem de Lula, com 52,6%. Os números mostram que não existe uma única fórmula eleitoral para o Estado. É justamente aí que está o verdadeiro mapa da mina. A candidatura que compreender as particularidades de cada região poderá transformar tendência eleitoral em voto.

 

DEPOIS DO SENHOR DO BONFIM

 

A partir da próxima semana, encerrados os festejos religiosos do Senhor do Bonfim, a tendência é que o marketing político das candidaturas majoritárias comece a definir com maior clareza o tom de cada campanha.

 

Será a hora de escolher a música. Direita? Esquerda? Lula? Flávio? Existirá uma tentativa de manter-se no meio de caminho? Os veículos de comunicação deverão repercutir os movimentos, as alianças e as primeiras grandes pesquisas. E o eleitor fará suas escolhas.

 

O Tocantins ainda aguarda novas rodadas de pesquisas de intenção de votos que poderão ajudar a esclarecer o cenário. Estão previstas medições de institutos como Quaest e Datafolha, com levantamentos nacionais e estaduais, além da pesquisa da Paraná Pesquisas, contratada pela Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (FIETO), conforme as informações que circulam no cenário político

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Será especialmente importante observar as primeiras rodadas completas para governador e para as duas vagas ao Senado. Só então será possível comparar discurso político, estrutura partidária e intenção efetiva de voto. E talvez seja justamente aí que alguns políticos descubram que pesquisa interna e realidade eleitoral são duas coisas completamente diferentes.

 

A eleição de 2026 não será apenas uma disputa de nomes, mas uma disputa de identidade política. O eleitor poderá até rejeitar a polarização, mas não poderá ser tratado como alguém que não percebe os movimentos dos bastidores.

 

O Tocantins está olhando. As redes sociais estão olhando, os municípios estão olhando e o resultado certamente virá nas urnas. O mapa eleitoral do Tocantins está posto. Agora começam as escolhas. E, quando as campanhas forem para a televisão, para o rádio, e, principalmente, para as ruas, cada candidato terá de responder à pergunta mais simples e mais difícil de uma eleição: afinal, quem é você, com quem você está e o que pretende fazer pelo Tocantins?

 

O eleitor saberá responder. As urnas também

 

 

Posted On Sábado, 15 Agosto 2026 11:42 Escrito por O Paralelo 13
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