Por Gabriella Furquim - Metrópoles
Para além da crise deflagrada no Supremo Tribunal Federal (STF), está na mesa do ministro André Mendonça um acordo de delação premiada que tira o sono da Faria Lima.
Fechada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a delação do fundador da Reag, João Carlos Mansur, já avançou todas as etapas necessárias antes do aval do relator do Caso Master.
No início do mês, Mansur foi ouvido por um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça, na chamada audiência de voluntariedade — cujo objetivo é checar se o colaborador está participando do processo de forma voluntária. Era a última fase antes da decisão do ministro sobre homologar ou não a delação.
Mansur teria apresentado 17 frentes de colaboração e aceitado pagar cerca de 40 milhões de reais. O principal tema da colaboração seria a atuação da Reag na possível ocultação de valores ligados ao Banco Master. Mas o fundador da gestora sabe muito mais.
Antes de ser liquidada pelo Banco Central (BC), a Reag sustentava o título de maior gestora independente do país, com mais de R$ 300 bilhões sob sua gestão.
Além do espaço que conquistou rapidamente na Faria Lima, a Reag era conhecida por operar um complexo emaranhado de fundos capazes de ocultar a origem e o destinatário final do dinheiro, além de despistar os órgãos de controle. E o Master não era o único cliente. Há na lista de contratantes da gestora, grandes empresas e investidores.
Conforme revelou a Polícia Federal (PF), até o PCC recorria à Reag. A operação Carbono Oculto identificou que a estrutura era utilizada para lavar dinheiro de refinarias que seriam controladas pelo crime organizado.
Nesta quarta-feira (9/9), André Mendonça homologou o acordo de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, mais conhecido como “Mineiro”, como revelou a coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles.
Conhecido como Mineiro, Freixo é dono da “Entre Investimentos”, empresa usada por Daniel Vorcaro para repassar recursos para o filme Dark Horse, sobre a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A delação ajuda a corroborar o que as investigações já vêm apontando desde o ano passado sobre suspeitas de fraudes financeiras relacionadas a Vorcaro e à Reag
POR JOSÉ MARQUES - (FOLHAPRESS)
O empresário João Carlos Mansur, que era dono da Reag, diz em delação premiada fechada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) que fundos de investimentos geridos pela empresa serviram para ocultar o pagamento de propinas de Daniel Vorcaro, do Banco Master, a autoridades públicas.
A colaboração foi enviada na última semana ao ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), e aguarda ser validada. A Polícia Federal participou do início das negociações, mas não prosseguiu com as tratativas.
Segundo pessoas com conhecimento da colaboração, Mansur descreve na proposta a participação da gestora e dos fundos de investimento usados no esquema do Master, assim como a de indivíduos que operavam como laranjas de Vorcaro.
A delação ajuda a corroborar o que as investigações já vêm apontando desde o ano passado sobre suspeitas de fraudes financeiras relacionadas a Vorcaro e à Reag.
Mas, além disso, fornece informações mais claras sobre como foram feitas essas operações financeiras, onde estão recursos que foram enviados para o exterior e como deve ser a recuperação desses recursos.
Procurada, a defesa de Vorcaro afirma que não teve acesso aos anexos da colaboração e, por isso, não tem como se manifestar. Também procurada, a defesa de Mansur não se manifestou.
Boa parte do dinheiro desviado no esquema ligado ao Master está fora do Brasil, em offshores (empresas registradas fora dos países de seus proprietários, normalmente em paraísos fiscais), segundo os investigadores.
A colaboração permite que esses valores sejam devolvidos ao país sem a necessidade, muitas vezes, de acordos com autoridades estrangeiras. Isso evita que alguns países cobrem um “pedágio” do Brasil e fiquem com um percentual da quantia recuperada.
Para fechar o acordo, além da recuperação dos recursos desviados, Mansur se comprometeu a pagar uma multa que, segundo revelou o UOL, é de R$ 40 milhões.
A Reag era uma das maiores gestoras independentes -ou seja, sem ligação com um único banco- do país.
Mansur deixou o cargo de presidente do Conselho de Administração da empresa em setembro de 2025 para tentar conter a crise após a operação Carbono Oculto, que apurou a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) em atividades da economia formal. A Reag era um dos principais alvos, acusada de ter hospedado recursos provenientes do crime em fundos sob sua gestão.
Como a Folha de S. Paulo mostrou em março, desde o fim do ano passado, ele já discutia a possibilidade de fazer um acordo de colaboração, inicialmente com o Ministério Público Federal em São Paulo, em conversas que não avançaram, e depois com o Ministério Público de São Paulo.
Em janeiro deste ano, o empresário foi alvo de buscas na segunda fase da operação Compliance Zero, que trata dos escândalos relacionados ao Banco Master. Ele não chegou a ser preso, nem está detido.
Logo depois, o Banco Central decretou a liquidação da Reag por “comprometimento da situação econômico-financeira da corretora, bem como por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN [sistema financeiro nacional]”.
As investigações da Polícia Federal apontaram que Mansur é suspeito de ter usado fundos da gestora para ocultar o pagamento de propina em imóveis a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília).
Paulo Henrique também tentou firmar acordo de delação premiada com as autoridades, mas as negociações não foram adiante. Atualmente, ele está preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a chamada Papudinha. Vorcaro está preso no mesmo local.
A negociação de Mansur com a PGR começou ainda em fevereiro e só foi concluída em agosto. O empresário tentava fechar o acordo de forma simultânea com Vorcaro -que teve duas propostas rejeitadas pela PF e pela PGR. O advogado de ambos à época era José Luís Oliveira Lima, o Juca.
Mansur trocou de advogados e atualmente tem à frente da sua defesa Aloisio Lacerda Medeiros, especialista em crimes contra o sistema financeiro.
Em agosto, a PGR também fechou acordo de delação premiada com Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, dono da empresa que teria sido utilizada por Daniel Vorcaro para enviar recursos que financiariam “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Próximo de Vorcaro, Mineiro foi alvo de busca e apreensão na mesma fase que Mansur. Ele disse que era um dos responsáveis por fazer remessas financeiras e conseguir dinheiro vivo para Vorcaro. Esse dinheiro muitas vezes era entregue em malas, devido ao seu volume.
Investigadores avaliam que essas duas delações, em conjunto, diminuem a capacidade de negociação de Vorcaro para uma nova tentativa de colaboração.
Essa visão foi reforçada pelo depoimento dado por Vorcaro ao gabinete de Mendonça, no fim de agosto, no qual o ex-banqueiro se apresentou novamente como uma vítima do sistema e como uma pessoa perseguida pelo Banco Central.
O entendimento é de que nunca existiu disposição de Vorcaro para fechar uma delação e que, até o momento, ele não dá sinais de entender como crimes as suspeitas de fraudes cometidas pelo Master.
Lula está em segundo lugar no ranking de presidenciáveis com a maior soma de doações eleitorais, atrás apenas do senador Flávio Bolsonaro (PL), cuja campanha acumula R$ 44,3 milhões doados
TAMARA NASSIF - (FOLHAPRESS)
A candidatura de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra cerca de R$ 35,9 milhões em doações até esta quarta-feira (9), início do prazo de envio da prestação de contas parciais de cada partido para a Justiça Eleitoral.
Desse total, 97% vieram do PT -R$ 35 milhões via fundo especial, a verba pública distribuída exclusivamente em anos eleitorais e destinada apenas ao custeio das campanhas, e R$ 150 mil via fundo partidário, recursos do Orçamento do governo federal destinados às despesas cotidianas dos partidos. Os dados são da plataforma Divulgacand, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Lula está em segundo lugar no ranking de presidenciáveis com a maior soma de doações eleitorais, atrás apenas do senador Flávio Bolsonaro (PL), cuja campanha acumula R$ 44,3 milhões doados. Em ambos os casos, a maior parte dos recursos vem do próprio partido.
O segundo maior doador da campanha de Lula é Erasmo Carlos Battistella, CEO da Be8, uma das maiores produtoras de biodiesel do país. O empresário gaúcho doou R$ 500 mil à candidatura do petista -e outros R$ 500 mil à de Flávio.
Battistella integra o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o “Conselhão”, órgão de assessoramento imediato à Presidência da República que, na prática, é uma ponte entre o Executivo e a sociedade civil.
Procurado pela reportagem, o empresário disse por meio de sua assessoria de imprensa, que as doações foram realizadas como pessoa física e estão dentro dos limites estabelecidos pela legislação eleitoral brasileira.
Outros R$ 115 mil doados à campanha de reeleição de Lula provêm de dois financiamentos coletivos organizados no portal eletrônico “Um a Mais”. As vaquinhas contaram com 1.768 doações, a maioria delas da quantia de R$ 13, e o valor máximo depositado foi de R$ 1.064.
Na sequência, está Jones Alexandre Barros Soares, diretor de transporte marítimo, dutos e terminais da Transpetro, subsidiária da Petrobras no segmento de transporte e armazenamento de combustíveis. Ele doou R$ 40 mil à candidatura do petista.
Soares está na Transpetro há 22 anos, segundo a descrição do executivo na página oficial da subsidiária. O salário para diretores na subsidiária é de R$ 112 mil, mais benefícios como gratificação natalina (R$ 121 mil) e gratificação de férias (R$ 112 mil). No sistema Petrobras, atua há 31 anos.
A soma doada por Soares, de R$ 40 mil, é a mesma de Mayra Cristina da Luz Pádua Guimarães, doutoranda em enfermagem pela USP (Universidade de São Paulo) e professora na Universidade Anhanguera.
A candidatura do presidente ainda recebeu R$ 17 mil de Fernando Paes de Carvalho, ex-diretor da Petros, fundo de pensão criado pela Petrobras em 1970. Outros R$ 17 mil foram doados por Luiz Sérgio Nóbrega de Oliveira, ex-deputado federal do PT no Rio de Janeiro.
O professor de Direito da FGV (Fundação Getulio Vargas), Rabih Nasser, doou R$ 15 mil à candidatura, mesma soma de José Genivaldo da Silva, sindicalista da Petrobras.
Maria Fernanda Ramos Coelho, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e atual diretora de Crédito Digital para MPMEs no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) doou R$ 7.000.
Evento reúne candidatos, empresários e representantes sindicais para apresentação de propostas e diálogo sobre temas estratégicos para o desenvolvimento do Tocantins
Da Assessoria
O Sistema Fecomércio-Sesc-Senac e IFPD Tocantins realiza, no dia 15 de setembro, a partir das 8h, no Auditório da Fecomércio Tocantins, em Palmas, o Encontro com Candidatos ao Governo do Tocantins 2026. Participarão do evento os candidatos Ataídes de Oliveira (Novo), Laurez Moreira (PSD), Professora Dorinha (União Brasil) e Vicentinho Júnior (PSDB).
A iniciativa reunirá empresários, dirigentes e representantes dos sindicatos empresariais e integrantes do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac. O encontro foi estruturado como um espaço institucional, democrático, técnico e apartidário, voltado à apresentação de propostas e ao diálogo sobre temas estratégicos para o desenvolvimento econômico do Tocantins. A proposta é aproximar o setor produtivo dos candidatos e permitir que empresários e representantes sindicais conheçam os posicionamentos e as propostas para questões que impactam diretamente o comércio de bens, serviços e turismo.
Formato e dinâmica do encontro
Diferentemente de um debate eleitoral tradicional, não haverá confronto direto entre os candidatos. Todos estarão submetidos às mesmas regras, condições técnicas, tempos e oportunidades de manifestação. Também não serão permitidas perguntas entre candidatos, réplicas, tréplicas, apartes ou qualquer outra interação verbal direta entre os participantes. A condução ficará a cargo de um moderador, responsável pela apresentação dos temas, leitura das perguntas e controle dos tempos.
A programação contará com uma apresentação inicial dos candidatos, seguida de cinco blocos temáticos. Os assuntos abordados serão ambiente de negócios e competitividade; política tributária e investimentos para o desenvolvimento; desenvolvimento regional, infraestrutura e segurança; empreendedorismo, emprego, inovação e qualificação; e turismo, conectividade e competitividade dos destinos.
Em cada bloco, todos os candidatos responderão à mesma pergunta, com tempo equivalente para apresentação de suas propostas. O evento também terá um momento destinado à participação dos empresários presentes no auditório, com perguntas selecionadas dentro da dinâmica estabelecida pela organização.
A ordem das falas dos candidatos foi definida por sorteio realizado durante reunião de alinhamento com as assessorias das candidaturas, no último dia 2 de setembro, na sede da Fecomércio Tocantins. O encontro com as equipes também serviu para apresentação das regras, esclarecimento da dinâmica e alinhamento das orientações para a realização do evento.
Documentos com propostas do Sistema Comércio serão entregues aos candidatos
Ao final do encontro, os candidatos receberão dois documentos institucionais com propostas e recomendações relacionadas ao comércio de bens, serviços, turismo e ao desenvolvimento econômico.
Um deles será o “Vai Turismo – Propostas e Recomendações de Políticas Públicas de Turismo – Tocantins 2026”, que reúne contribuições voltadas ao desenvolvimento, fortalecimento e competitividade da atividade turística no Estado.
Também será entregue a “Agenda Institucional 2026 – Propostas e Recomendações de Políticas Públicas do Comércio de Bens, Serviços e Turismo”, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), documento de referência nacional do Sistema Comércio.
Os materiais serão apresentados aos candidatos como contribuição institucional para a formulação de propostas, programas e políticas públicas, preservando o caráter apartidário da atuação da Fecomércio Tocantins.
Serviço
Encontro com Candidatos ao Governo do Tocantins 2026
Data: 15 de setembro de 2026
Horário: 8h
Local: Auditório da Fecomércio Tocantins
Endereço: Av. Siqueira Campos, 101 Norte, Conj. 01, Lt. 02 – Palmas/TO
Ministro André Mendonça concluiu que atos da universidade para implantação do campus e do curso fora de Gurupi afrontaram decisão anterior do Supremo
Por Elâine Jardim - Jornal Opção Tocantins
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), julgou procedente a Reclamação 89.300, apresentada pelo Conselho Regional de medicina do Tocantins (CRM-TO), e determinou a cassação dos atos administrativos da Fundação Unirg que buscavam implantar um curso de medicina e um campus da instituição em Colinas do Tocantins.
A decisão foi assinada em na última sexta-feira, 4, e confirmou uma liminar concedida anteriormente pelo próprio ministro. Com isso, fica vedada, enquanto estiver vigente a decisão tomada pelo STF na ADPF 1.247, a criação, autorização ou reconhecimento do curso de medicina e do campus da Unirg em Colinas.
Segundo Mendonça, a Unirg, instituição pública municipal sediada em Gurupi, praticou atos concretos de implantação do novo curso depois da decisão do STF que proibiu a criação de novos cursos e campi de instituições municipais de ensino superior fora do município de origem.
Entre os atos questionados estão a Resolução nº 057/2025, de 23 de outubro de 2025, que aprovou o edital do processo seletivo para o curso de medicina em Colinas, e o Edital nº 046/2025, de 12 de novembro de 2025, destinado à contratação de professores para o curso.
O ministro destacou que a decisão anterior do STF permitiu a continuidade de cursos e campi que já estivessem efetivamente em funcionamento fora do município-sede, mas proibiu a criação de novas unidades e cursos nessas condições. Para Mendonça, a exceção não se aplica ao projeto de Colinas porque o curso ainda não estava em funcionamento.
A decisão também rejeitou o argumento da Unirg de que o projeto de expansão havia sido planejado antes da decisão do STF. Embora a universidade tenha aprovado a criação do curso em abril de 2025, os atos considerados de implantação ocorreram posteriormente à decisão paradigma.
Confira a decisão na íntegra: https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=7476314